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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Mereciam ou não mereciam? Eis a questão

De assassino para assassino: "Merecer não tem nada a ver com isso"

Ainda estou impressionado com a incapacidade de alguns em entender que muitas das "charges" publicadas pelo Charlie Hebdo não podem nem mesmo ser chamadas de charges, mas sim de desenhos grotescos e ofensivos, feitos apenas para disseminar ódio e intolerância.

E ódio e intolerância geram apenas mais ódio e mais intolerância, que fatalmente acaba culminando em violência.

Eu, por exemplo, critico, ironizo e denuncio os políticos e governos da direita há anos, inclusive usando e criando charges e memes. Já fui até processado por isso - e ganhei.



Já pensou se fosse a sua
mãe ao invés do Maomé?
Agora, imaginem que eu crie uma charge ou um meme com a mãe de um dos políticos que quero criticar. Pode ser ela de quatro com algo enfiado na bunda ou então faço uma montagem com uma foto dela em cima de uma imagem pornográfica.

O que vocês acham que ia acontecer nesse caso? Poderia até ser morto. No mínimo os caras iam arrancar meu coro em dezenas de processos.

Aí eu vou dizer: "Puxa, mas eu sou um cara tão legal, de esquerda, bacana, humanista! Será que merecia mesmo ser morto só por causa de uma figura assim?".

Então eu repito: merecer ou não nada tem a ver com o caso. Nada.


Isso tudo me lembrou o final do filme "Os Imperdoáveis", do Clint Eastwood.

Depois de matar uns vaqueiros que tinham retalhado uma puta e pegar a recompensa, as coisas dão erradas e o personagem feito pelo Morgan Freeman é capturado e torturado até a morte.

Enfurecido, o matador interpretado pelo Clint, notório assassino inclusive de mulheres e crianças, vai até o saloon onde o cadáver do amigo estava exposto dentro de um caixão na porta de entrada, entra de espingarda em punho e pergunta: "Quem é o dono dessa espelunca?". 

Assim que o sujeito se identifica, ele dispara sua arma no peito dele. O xerife feito pelo Gene Hackman grita: "Seu filho da puta covarde, acabou de matar um homem desarmado!". Ao que Clint responde: "Ele deveria ter se armado quando decidiu decorar seu bar com o cadáver do meu amigo".



Rola então um grande tiroteio e o matador feito por Clint derruba quase todos e o resto foge de medo. O xerife, agonizando, dá seu último suspiro sob a mira da espingarda : "Eu não mereço isso. Morrer desse jeito. Eu estava construindo uma casa..." E recebe como resposta: "Merecer não tem nada a ver com isso". Em seguida o matador puxa o gatilho.




Será que caiu a ficha? Não consigo ser mais claro que isso.

Claro que vai ter gente dizendo que estou afirmando que eles mereceram ser mortos e mais um monte de outras besteiras que não vale a pena nem repetir.

Todavia, tenho certeza que quem tem o minimo de pensamento crítico vai entender o que estou querendo dizer... 

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu entendo perfeitamente.E concordo.

@neideimbr

Yugito Nii disse...

Religião é algo abstrato não é algo que você é obrigado a respeitar (diferente de uma pessoa, caso for digna de respeito, mas mesmo assim, há todo um aparto judicial que pode ser usado caso você se sinta agredido). Esse tipo de discurso, que tenta diminuir a culpa do agressor, é quase como um "Não sou racista, mas...", "Não sou homofóbico, mas...", "Mulher não merece ser estuprada, mas ela andou de roupa curta." e etc.

Moral religiosa só vale a aquele que acredita na religião.

André Lux disse...

Obviamente você não entendeu meu texto. Tente ler novamente com um pouco mais de atenção.

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