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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Joe Sacco publica análise em quadrinhos sobre ataque ao Charlie Hebdo


O cartunista Joe Sacco, famoso por seus desenhos sobre a Palestina, fez uma análise em quadrinhos sobre o ataque à sede do jornal Charlie Hebdo. Os quadrinhos foram publicados pelo jornal The Guardian, e o Jornalismo B traduziu para o português:

1º quadrinho: Sobre a sátira
Minha primeira reação aos assassinatos nos escritórios do Charlie Hebdo em Paris não foi de bravo desafio.

Não tive vontade de bater no meu peito e reafirmar os princípios do livre discurso.

2º: Minha primeira reação foi a tristeza. Pessoas foram mortas brutalmente, entre elas vários cartunistas - minha tribo.

3º: Mas junto com o pesar vieram pensamentos sobre a natureza de algumas das sátiras do Charlie Hebdo. Mesmo que beliscar os narizes de muçulmanos seja tão permissível quanto considerado agora perigoso, nunca me pareceu mais do que uma forma enfadonha de usar a caneta.

4º: Posso participar desse jogo também? Claro, eu poderia desenhar um homem negro caindo de uma árvore com uma banana em sua mão - na verdade, eu acabei de fazê-lo.

Me é permitido ofender, certo?

5º: Casualmente, você sabia que o Charlie Hebdo demitiu um cartunista - Maurice Sinet, pesquise sobre ele - por supostamente escrever uma coluna anti-semita?

6º: Então, com isso em mente, aqui está um judeu contando seu dinheiro sobre as entranhas da classe trabalhadora.

E se você não aguenta a "piada" agora, ela teria sido tão engraçada em 1933?

7º: Na verdade, quando estabelecemos uma linha, frequentemente estamos cruzando uma também. Porque linhas em um papel são uma arma e a sátira é feita para cortar até os ossos. Mas os ossos de quem? Qual exatamente é o alvo? E por quê?

8º: Sim, eu afirmo nosso direito de zombar - então aqui está um desenho gratuito de um devoto de verdade fazendo o trabalho de Deus no deserto.

Mas talvez quando cansarmos de deixar levantado nosso dedo médio possamos pensar sobre por que o mundo está como está...

9º: E o que faz com que muçulmanos neste tempo e lugar sejam incapazes de "levar na esportiva" uma mera imagem.

10º: E se respondermos "porque há algo profundamente errado com eles" - certamente havia algo profundamente errado com os assassinos - então deixem-nos tirá-los de suas casas e mandá-los em direção ao mar...

Porque isso vai ser bem mais fácil do que resolver como nos encaixamos nos mundos uns dos outros.

*Tradução: Kauê Menezes, para o Jornalismo B

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