sábado, 30 de março de 2013

Oráculo da blogosfera veste a carapuça e apela para a mentira na tentativa de desqualificar minha crítica aos "medalhões"


Há cerca de um ano eu escrevi um texto chamado "Há algo de podre no reino da blogolândia", onde eu denunciava a formação de uma espécie de PiG de esquerda a partir de certos "blogueiros medalhões". Para minha surpresa, muita gente concordou com a minha opinião sobre o assunto.

Agora, quem está acompanhando meus últimos textos já percebeu que isso é um fato.

Só para provocar, postei minha crítica aos "medalhões" no blog daquele se considera o "oráculo da blogosfera progressista", Eduardo Guimarães, do blog Cidadania. Um sujeito que posa de democrata e defensor da liberdade de expressão, mas que se torna um verdeira tirano quando alguém ousa criticá-lo ou discordar das suas "verdades". 

Sua reação, como era de se esperar, foi altamente agressiva. Além de vestir a carapuça, também apelou para mentiras na tentativa de desqualificar a minha crítica. O mais sinistro é que, ao receber minha réplica onde deixava claro que ele estava mentindo, simplesmente deletou meu texto e suas respostas! Algo de uma desonestidade intelectual incrível que fica ainda mais abjeto por se tratar de um suposto porta voz da democracia e da liberdade de expressão.

Vejam sua reação "democrática" à minha crítica (que bom que eu salvei o print screen antes dele deletar tudo):

 "Minha cara, não há medalhões, há blogueiros de maior repercussão. O caso do André é muito triste. Ele queria porque queria estar entre os 10 blogueiros que o Palácio do Planalto, quando Lula era presidente, escolheu para entrevistar o chefe da nação. Acontece que são milhares de blogueiros. Eu não ganhei uma concessão. Nem sou jornalista. Por alguma razão este blog cresceu. Não posso conferir ao André o que ele mesmo não conseguiu. Mas como não conseguiu, passou a insultar os que ele considera “medalhões” e se queimou. Temos um movimento de blogueiros progressistas que tem milhares de blogueiros que são apoiados. Agora, acusar e xingar e cobrar que seja tratado como “medalhão” não é o melhor caminho. O trabalho sério é o único caminho para o sucesso. Eu nem jornalista sou. Este blog tem oito anos. Ninguém me deu nada. Conquistei sozinho. Nem sei porque dei espaço a esse moço. Ele passou semanas me insultando no blog dele sem parar. Mas, vá lá, não guardo rancor." 

"Não digo que é persona non grata, mas tornou-se uma pessoa que a blogosfera achou melhor ignorar. Perdeu o controle, surtou. Publicou um post em que simulou uma conversa entre os blogueiros ditos “medalhões” em que combinavam não convidá-lo a ir ao Palácio do Planalto entrevistar Lula. Foi vergonha alheia de cabo a rabo. Pena, é um rapaz inteligente. Mas ele se ressentiu por seu blog não bombar e descontou a frustração em quem passou a chamar de “medalhões”."





A coisa que mais assusta é a necessidade de mentir sobre as minhas motivações para tentar desqualificar minha crítica. O blogueiro-oráculo afirma que eu rompi com ele porque estava ressentido por não ter sido convidado para participar da entrevista com Lula. Isso é simplesmente mentira. Eu fui um dos poucos blogueiros "não medalhões" que defendeu a patota que foi entrevistar Lula (todos eles blogueiros "medalhões", é verdade). É só ler os textos abaixo, publicados no meu blog na época:


Porque a entrevista de Lula aos blogueiros deixou os donos da mídia e seus jagunços tão nervosos

Entrevista de Lula a blogueiros faz PiG e seus jagunços estrebucharem de ódio! 

Entrevista de Lula a blogueiros de esquerda causa ódio no PiG, seus jagunços e bobos da corte 


Momento histórico: Entrevista de Lula aos "blogueiros sujos"!


Guimarães sabia muito bem do apoio que dei a ele e aos outros blogueiros na época, tanto que me agradeceu pessoalmente por isso. Ou seja, o blogueiro-oráculo apelou para a mentira pura e simples para tentar me desqualificar pessoalmente. Nada de contra-argumentos racionais e ponderados, como manda o jogo democrático, mas apenas ofensas e ilações ridículas, tais como dizer que também sou ressentido por meu blog não "bombar"! Acho que o sujeito me mede com sua própria régua, só pode ser.

O que mais me divertiu, entretanto, foi ter descoberto que tanto ele quanto os outros blogueiros "medalhões" estariam me ignorando! Caramba, nem tinha percebido! Será que eles vão ficar chateados? E, me pergunto, como um blogueiro ignora o outro? Fiquei na dúvida de como funciona essa técnica de tortura fantástica.

Sem dizer que ao escrever "tornou-se uma pessoa que a blogosfera achou melhor ignorar" ele comprova minha teoria sobre os "medalhões", já que existem milhares de blogueiros, então quem seriam esses que resolveram me ignorar? Os "medalhões, é claro...

Enfim, quem lê a reação do blogueiro-oráculo tem uma clara noção de que existe mesmo uma divisão de "castas" na blogosfera, onde esses "medalhões" realmente acreditam que devem ditar o que deve ou não ser postado nos blogs.

No fundo, além de querer mamar nas tetas do governo (vivem reclamando que não recebem verbas publicitárias!), eles querem é fundar um PiG da esquerda, onde só eles falam e o resto ouve, como bons seguidores e adoradores.

Aí refaço a minha pergunta: será mesmo que essas pessoas autoritárias, mentirosas e intolerantes são mesmo qualificadas para se auto-proclamarem os porta vozes da luta pela democracia e pela liberdade de expressão. Leiam e reflitam...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Blogueiros "medalhões" começam a pagar pela sua falta de visão

Em relação à censura que o blog do Luiz Carlos Azenha sofreu por parte da rede Globo, tenho algo a dizer. Não vai ser fácil, mas é algo que precisa ser dito. Vou dar uma de advogado do diabo aqui. Infelizmente esses blogueiros "medalhões" (Azenhas e afins) estão pagando agora o preço pela sua falta de visão. 

Há cerca de dois anos eu estava já sendo processado pelo PSDB de Jundiaí, via Prefeitura, e alertei todos eles em um palestra que participei em São Paulo, que contava com Paulo Henrique Amorim e Eduardo Guimarães, entre outros "medalhões", sobre essa "judicialização" da blogosfera que estava ocorrendo e certamente só viria a piorar. 

Sugeri que todos nós blogueiros deveríamos nos unir e criar um tipo de um fundo financeiro justamente para ser usado em casos como esse do Azenha. Ninguém me deu ouvidos. Pior, nenhum "medalhão" sequer demonstrou solidariedade para comigo, talvez por eu ser um "peixe pequeno" na blogosfera. Enfrentei meu processo a duras penas, mas para minha sorte contei com a ajuda do dr. Eraze Sutti, que como o exemplar ser humano que é, não me cobrou um tostão furado para me defender. Saí vitorioso no processo em questão, mas pensei: se fizeram isso comigo, imagine o que farão contra esses aí que estão enfrentando a rede Globo e gente muito mais graúda. 

Dito e feito. Agora Luiz Carlos Azenha e outros blogueiros "medalhões" estão começando a pagar o preço pela sua falta de visão. Preferiram se unir em torno de seus próprios umbigos, proferindo palestras aqui e ali e dando autógrafos, enebriados pelo sucesso passageiro, enquanto deveriam ter ajudado a criar meios para que todos os blogueiros pudessem se unir para enfrentar o bicho de sete cabeças. Agora, me desculpem, não adianta posar de vítima e ficar dizendo como está sofrendo por ter que desembolsar largas quantias de dinheiro por causa das derrotas judiciais.

Trata-se de uma análise fria e calculista da questão. Fico muito triste de ter que escrever essas palavras, mas, enfim... eu avisei!

Leiam aqui a postagem que fiz quando da minha vitória sobre a tentativa de censura feita pelo PSDB de Jundiaí.

terça-feira, 5 de março de 2013

Chávez fez a Venezuela deixar de ser um quintal americano


O país avançou extraordinariamente sob o líder morto.
Chávez com o retrato de seu inspirador, Bolívar
Chávez com o retrato de seu inspirador, Bolívar
A América Latina foi infestada, a partir dos anos 1950, por militares patrocinados pelos Estados Unidos.
Eles transformaram a região num monumento abjeto da desigualdade social, e impuseram com a força das armas sua tirania selvagem e covarde.
Pinochet foi o maior símbolo desses militares, aos quais os brasileiros não escaparam: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo foram capítulos lastimáveis da história moderna nacional.
Hugo Chávez rompeu, espetacularmente, com a maldição dos homens de farda a serviço dos americanos e de uma pequena elite predadora e gananciosa.
Paraquedista de formação, coronel na patente, Chávez escolheu o lado dos excluídos, dos miseráveis – e  por isso fez história na sua Venezuela, na América Latina e no mundo contemporâneo.
Chávez foi filho do Caracaço – a espetacular revolta, em 1989, dos pobres venezuelanos diante da situação desesperadora a que foram levados na gestão do presidente Carlos Andrés Perez.
Carne de cachorro passou a ser consumida em larga escala por famintos que decidiram dar um basta à iniquidade. A revolta foi esmagada pelo exército venezuelano, e as mortes segundo alguns chegaram a 3 000.
Uma ala mais progressista das forças armadas ficou consternada com a forma como venezuelanos pobres foram reprimidos e assassinados.
Hugo Chávez, aos 34 anos, pertencia a essa ala.
Algum tempo depois, ele liderou uma conspiração militar que tentou derrubar uma classe política desmoralizada, inepta e cuja obra foi um país simplesmente vergonhoso.
O levante fracassou. Antes de ser preso, Chávez assumiu toda a responsabilidade pela trama e instou a seus liderados que depusessem as armas para evitar que sangue venezuelano fosse vertido copiosamente.
Chávez aprendeu ali que o caminho mais reto para mudar as coisas na Venezuela era não o das armas, mas o das urnas.
Carismático e popular,  Chávez se elegeu presidente em 1998. Pela primeira vez na história recente da Venezuela, um presidente não dobrava a espinha para os Estados Unidos.
Isso custou a Chávez a perseguição obstinada de Washington. Mas entre os venezuelanos pobres – a esmagadora maioria da população – ele virou um quase santo.
Chávez comandou projetos sociais – as missiones — que retiraram da miséria milhões de excluídos. Alfabetizou-os,  ofereceu-lhes cuidados médicos por conta de médicos cubanos – e acima de tudo lhes deu auto-estima. Os desvalidos tinham enfim um presidente que se interessava por eles.
O tamanho da popularidade de Chávez pode se medir num fato extraordinário: um grupo bancado pelos Estados Unidos tentou derrubá-lo em 2002. Mas em dois dias ele estava de volta ao poder, pela pressão sobretudo, dos mesmos venezuelanos humildes que tinham protagonizado o Caracaço.
Amado pelo seu povo
Venezuelanos choram a morte de Chávez
Quanto ele mudou a Venezuela se percebe pelo fato de que, nas eleições presidenciais de outubro passado, a oposição colocou em seu programa os projetos sociais chavistas que, antes, eram combatidos e ridicularizados.
Chávez teve tempo de pedir aos venezuelanos que apoiassem Nicolas Maduro, seu auxiliar e amigo mais próximo.
Maduro provavelmente se baterá, em breve, com Henrique Caprilles, principal nome da oposição. As pesquisas indicam, inicialmente, vantagem clara para Maduro.
Se o chavismo sobrevive sem Chávez é uma incógnita. O que parece certo é que a Venezuela, pós-Chávez, jamais voltará a ser o que foi antes dele – um quintal dos Estados Unidos administrado por uma minúscula elite que jamais enxergou os pobres.

Chávez, morre o homem e nasce o mito


Hugo Chávez morre, em Caracas, aos 58 anos. A notícia vem acompanhada de uma fala dura do vice-presidente Nicolas Maduro que lança a suspeita de que ele possa vir a ter sido envenenado, como Yasser Arafat. Maduro diz que pretende instalar uma comissão de cientistas para investigar a causa da morte do ex-presidente. A simples suspeita de que isso possa ter ocorrido já é em si uma tragédia. Mas se algo vier a ser comprovado, acabaram-se os limites que garantem algum nível de estabilidade democrática em nosso Continente.
Nos últimos anos várias lideranças políticas de esquerda foram vítimas de câncer na região. Entre elas, Chávez, Lula, Lugo e Cristina Kirchner. Mas isso pode ter sido apenas uma coincidência. E será melhor para todos que sim. Porque senão líderes de todas as partes do mundo que não fizerem o jogo do império e das grandes corporações passam a estar ameaçados. E se isso vier a ocorrer, a democracia será menos do que uma falácia.
A liderança que Chávez exerceu durante seus anos à frente do governo venezuelano incomodou por demais os EUA e seus parceiros. Também porque a Venezuela é um importante país exportador de petróleo, mas não só por isso. Principalmente porque ao conquistar o governo ele ousou estimular líderes de outros países a radicalizarem seus discursos nas disputas locais. E foi fundamental para vitórias de candidatos mais à esquerda na Bolívia, no Equador, no Peru, na Nicaraguá, entre outros.
Chávez sabia que não podia ficar isolado. Precisava fazer com que os EUA perdessem força no Continente para que seu governo pudesse se desenvolver com algum nível de independência. Em 2002, quando Lula disputava a presidência da República, já tinha visitado por três vezes a Venezuela e mantinha contato frequente com pessoas próximas do governo. Quase todas avaliavam que se Lula perdesse, Chávez teria muita dificuldade em continuar no poder.
O ataque mais forte a Chávez foi em abril de 2002, mas depois da eleição de Lula, a Venezuela teve o paro petroleiro. Naquela ocasião o governo brasileiro colocou técnicos à disposição para operar na PDVSA. E contribuiu fortemente contra o apagão no país.
Chávez foi uma liderança fantástica. Seu carisma é difícil de ser entendido pelo brasileiro padrão. Mas cansei de ver venezuelanos chorando enquanto ele discursava. Ao mesmo tempo, ouvi todos os tipos de agressão daqueles que não o suportavam. Chávez sempre ganhou eleições com aproximadamente 55% dos votos. Ele nunca reinou absoluto, mas desde que se candidatou, sempre venceu. Quase sempre pelo mesmo placar.
Hoje milhares de pessoas devem estar chorando sua morte em todas as partes da Venezuela. Nos cierros de Caracas, a desolação deve ser total. Mas em muitas casas, em geral as mais nobres, certamente a noite vai ser curta para as comemorações. Nos Vales, há celebração.
Qual vai ser o destino da Venezuela sem Chávez? Há muitas possibilidades. Mas mesmo no limiar da morte, Chávez fez um movimento que indica que a unidade, ao menos nesta primeira fase, está garantida. Ele indicou Maduro como seu sucessor. E se houver eleição, Maduro repetirá algo próximo dos 55% históricos de Chávez.
Essa é a tendência, mas não é uma certeza. E mesmo vitorioso dificilmente Maduro conseguirá repetir Chávez. A liderança de Chávez era contestada, discutida e criticada, mas ninguém ousava menosprezá-la.
A Venezuela perde muito com sua morte. A América Latina idem.
Mas Chávez morre sem ser derrotado pelos seus adversários. Pode até ter sido assassinado por eles, mas derrotado não. E por isso, ao que tudo indica, morre o homem e nasce o mito.

- Por Renato Rovai, em seu blog
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