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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

As incoerências, hipocrisias e contradições de direitistas

São inúmeras as contradições no discurso de pessoas de direita. É quase impossível encontrar um direitista, seja ele conservador ou “libertário”, que não caia em contradições severas e não possa ter seu discurso desmascarado como seletivo e hipócrita.
A lista abaixo, que pretendo atualizar de tempos em tempos, mostra diversas das incoerências, hipocrisias e contradições de quem se diz de direita. É importante frisar que:
1. este post não pretende dizer que esquerdistas são livres de cair em contradição e ter costumes que não condigam com os ideais que defendem;
2. esta lista não implica que todos os direitistas caiam em todas as contradições listadas, embora seja praticamente impossível existir um direitista que não caia em nenhuma delas;
3. o post não procura criticar (pelo menos diretamente) as ideologias de direita em si, mas sim expor incoerências nos discursos das pessoas que defendem tais ideologias. 
Muitos direitistas:
- Lamentam o “sofrimento” da classe média perante problemas como impostos muito altos e trânsito engarrafado, mas ignoram o sofrimento das pessoas de estratos sociais mais baixos, muito piores do que o da classe média;
- Criticam medidas afirmativas que beneficiem minorias políticas, mas não dão um piu, ou até mesmo apoiam ativamente, quando aparecem projetos de lei que beneficiam especificamente cristãos católicos e/ou protestantes;
- Criticam insistentemente bolsas destinadas a famílias e indivíduos necessitados, como o Bolsa Família, o auxílio-reclusão e o Cartão Recomeço (pejorativamente chamado de “bolsa-crack”), mas exaltam as bolsas universitárias (bolsas Pibic, Pibid, de monitoria, de pós-graduação etc.) e o programa Ciência Sem Fronteiras e não falam um “A” quando o governo financia a fundo perdido grandes empresas – especialmente bancos e construtoras – e latifundiários;
- Dizem que o Bolsa Família faz a classe média “sofrer” por ser financiado por impostos, mas se omitem totalmente quando o governo destina centenas de bilhões de reais por ano, dinheiro vindo de impostos e múltiplas vezes mais numeroso do que toda a despesa governamental com o BF, ao pagamento de juros da dívida pública;
- Chamam políticas afirmativas e pró-laicidade de “privilegiadores” de minorias, mas defendem efusivamente a manutenção de privilégios para homens, brancos, cristãos, heterossexuais e cissexuais, entre eles a frase “Deus seja louvado” nas notas de real, o acordo entre o Estado brasileiro e o Vaticano e a manutenção da evocação da “proteção de Deus” no preâmbulo da Constituição Federal;
- Dizem-se defensores efusivos da liberdade, mas tanto vociferam contrariamente a liberdades básicas como o direito de ser ateu, satanista, pagão ou afrorreligioso; o direito de homo, bi e pansexuais de amarem e serem felizes com quem quiserem; o direito da mulher e do homem trans de escolher entre abortar ou manter a gravidez etc. como se omitem quando grupos radicais de direita ameaçam as liberdades das minorias e defendem a restauração de um regime militar antidemocrático;
- Dizem ser os primeiros a defender a democracia e a liberdade de expressão, mas não hesitam em tentar censurar opiniões políticas de esquerda que se oponham à sua ideologia direitista e clamar que as Forças Armadas calem à força a esquerda brasileira;
- “Denunciam” aos quatro ventos uma suposta conspiração do Foro de São Paulo para tomar pelas armas o Planalto, mas silenciam-se perante as dúzias de conspirações ao longo dos séculos 20 e 21 envolvendo os Estados Unidos para a realização de golpes de Estado contra governos opositores dos interesses estadunidenses em todo o mundo;
- Vociferam fortemente contra ditaduras socialistas, lançando mão inclusive da bandeira da “defesa da liberdade” e “da democracia”, mas se calam perante ditaduras capitalistas e regimes ditos democráticos que promovem a dominação e alienação de seus governados por meios ideológicos;
- Dizem ser contra a “doutrinação de esquerda” em escolas e universidades, mas nada falam sobre tentativas, sejam elas individuais (promovidas por um ou outro professor), institucionais (promovidas pelo regime militar e pelos governos muncipais e estaduais de São Paulo em aliança com conglomerados de comunicação) ou eclesiais (escolas sob propriedade de igrejas cristãs), de se doutrinar crianças e adolescentes a valores ideológicos conservadores, nacionalistas e/ou cristãos. Em outras palavras, odeiam a alegada “doutrinação de esquerda” mas nada dizem, ou mesmo se mostram apoiadores, sobre iniciativas de doutrinação de direita;
- Dizem-se conservadores, mas o que menos fazem é defender a proposta conservadora de sociedade harmônica, baseada na ordem consensual e nos acordos entre a elite, a classe média e os trabalhadores da base da hierarquia social;
- Dizem que Marx estava errado e os intelectuais conservadores certos, mas promovem conflitos verbalmente violentos contra a esquerda, confirmando cabalmente a pressuposição marxista de que a sociedade vive em conflito e não em ordem;
- Criticam políticas de redistribuição de renda, mas esquecem-se que até mesmo alguns intelectuais “libertários” de direita, como Nozick, defendem que o Estado promova políticas de compensação de confiscos injustos de propriedade antes de se dedicar exclusivamente a funções policiais, judiciárias e militares;
- Dizem defender a liberdade religiosa, mas se calam, ou mesmo apoiam, perante iniciativas de parlamentares teocratas contra o direito dos não cristãos a manifestarem suas crenças;
- Muitos deles dizem apreciar o liberalismo, mas apenas o econômico, comportando-se com oposição a muitas das bandeiras do liberalismo social;
- Dizem defender a democracia, mas se posicionam contrários aos que querem estendê-la para além do mero direito ao voto e à assinatura de abaixo-assinados, e não se opõem aos defensores de um novo golpe militar e uma nova ditadura de direita;
- Acusam muitos intelectuais de promoverem uma historiografia de viés socialista, mas aplaudem quando são lançados livros de “História politicamente incorreta”, que promovem não a neutralização da historiografia, mas sim o endireitamento da interpretação da História humana. Em outras palavras, sua oposição a interpretações esquerdistas da História não é em favor da neutralização, mas sim em prol do favorecimento de sua visão política pessoal de mundo;
- Dizem ser contra a corrupção, mas, ao mesmo tempo em que praticamente entram em orgasmo quando políticos corruptos de partidos ex-esquerdistas como o PT, o PSB e o PCdoB são presos e condenados (vide Mensalão), têm o fervor cidadão de um defunto quando bombam na mídia escândalos de corrupção envolvendo políticos do PSDB, do DEM, do PMDB, do PPS, do PR, do PP e de outros partidos de tendência liberal-conservadora ou cristã;
- Vociferam com repúdio quando presidentes de esquerda (Hugo Chávez, Evo Morales etc.) são reeleitos para um mandato além do segundo consecutivo, acusando-os de autocracia, mas aplaudem quando alguém do centro à direita é reeleito para além do segundo mandato, como nos casos de Angela Merkel na Alemanha, Silvio Berlusconi na Itália e Vladimir Putin na Rússia;
- Dizem defender “a família” quando se posicionam frontalmente contrários ao direito de homossexuais, de genitores solteiros e de casais não monogâmicos de constituir família, defendendo na verdade a existência de um único modelo de família, em detrimento de todos os outros modelos existentes;
- Muitos dizem defender “a moral e os bons costumes”, mas, ao mesmo tempo em que não consideram “bons costumes” nem valores morais válidos o respeito às diferenças, a tolerância religiosa e a solidariedade altruísta, omitem-se contra os autênticos maus costumes, como o ódio intolerante contra seres humanos de categorias sociais diferentes, a violência abusiva e a corrupção de muitos que se dizem “paladinos da moral”;
- Dizem-se contra a “degeneração” da sociedade ao mesmo tempo em que cometem ações socialmente degeneradas, como a intolerância, a violência contra minorias e a defesa de regimes políticos de direita contrários às liberdades individuais;
- Dizem defender as liberdades individuais, mas exigem que as mulheres se (com)portem com extremo recato sexual, indumentário e personalitário, censurando-lhes a liberdade de serem quem são;
- Dizem defender as liberdades individuais, mas repudiam a liberdade de todos os seres humanos de manifestarem sem oposição sua orientação sexual;
- Dizem defender a liberdade de expressão, mas são os primeiros a acharem ruim quando alguém usa essa mesma liberdade para manifestar discordância a, por exemplo, piadas preconceituosas e discursos de ódio;
- Dizem que o PL122/2006, se aprovado e sancionado, vai instaurar a “ditadura gay” no Brasil, mas ignoram que esse projeto de lei nada mais do que imbui a Lei 7.716/89 com uma abrangência maior, calando-se quando perguntados se essa mesma lei instaurou uma “ditadura negra”, “ditadura indígena”, “ditadura afrorreligiosa”, “ditadura ateísta” e “ditadura dos imigrantes” por fazer aquilo que o PL em questão quer fazer para com LGBTs;
- Vociferam contra a violência retaliativa promovida pelo Black Bloc, mas se calam perante episódios de abuso de autoridade e violência desnecessária por parte da PM;
- Apoiam a PM quando ela argumenta que está “defendendo a ordem pública”, mas se omitem completamente perante a situação de caos social no meio rural, com latifundiários intimidando e assassinando camponeses, indígenas e ambientalistas;
- A maioria segue o cristianismo, religião cujo patrono divino prega máximas morais como “Amai ao próximo como a ti mesmo”, “Amai vossos inimigos” e “Não julgueis, para que não sejas julgado”, mas muitas vezes odeiam seus discordantes ideológicos e julgam perversamente outras pessoas – em especial mulheres não submissas ao patriarcado, LGBTs e não cristãos;
- Dizem que o capitalismo preza pela liberdade do indivíduo, ignorando os tantos que são sutilmente forçados a trabalhar em empregos que detestam ou procurar trabalhos de remuneração muito baixa;
- Muitos consideram seu ódio contra minorias um “bom costume” e o amor, dependendo da pessoa apaixonada, um “mau costume”;
- A bancada teocrática, que tanto fala de “moral e bons costumes”, não foca em questões de ordem ética, como a corrupção e o desrespeito ao meio ambiente, preferindo ao invés valorizar projetos de lei que censuram costumes moralmente valorizáveis, como o amor (entre pessoas do mesmo sexo e/ou em casais não monogâmicos);
- Seguem uma religião cujo patrono divino repudiava o moralismo e perdoava pessoas cujo comportamento não condizia com a moral de sua sociedade e época, mas ainda assim são moralistas e os primeiros a condenar ao inferno aqueles cujo comportamento moral não se assemelha ao que eles pregam;
- Seguem uma religião cujo patrono divino desaconselhava a preocupação com riquezas materiais e valorizava a partilha, mas ainda assim pensam demasiadamente em dinheiro e acúmulo de bens e desprezam o valor da partilha;
- Dizem defender a família, mas suas pregações incentivam dissensões familiares que resultam na expulsão de filhos ou de esposas, por serem ateus, homossexuais, pessoas trans e/ou insubmissas ao marido, e o consequente desmantelamento de inúmeras famílias;
- Defendem a política de tortura e matança de detentos como se fosse uma solução para a criminalidade urbana, lançando mão de máximas como “Bandido bom é bandido morto” e “Olho por olho, dente por dente”, mas, quando os bandidos são pessoas de alta posição na hierarquia social, como juízes, grandes empresários, latifundiários, deputados etc. ou filhos deles, silenciam-se em sua demanda de brutalização penal;
- Urram em apoio a ações de extermínio empreendidas por tropas de elite em favelas como se fosse uma solução para acabar com o tráfico de drogas ilegais, mas não dão um piu quando se aponta a existência de pessoas poderosas encabeçando esse tráfico, como políticos, empresários e juízes;
- Satanizam mais do que tudo a maconha, mas muitos consomem mais de um maço de cigarro por dia e não perdem as oportunidades de consumirem bebidas alcoólicas até a embriaguez em momentos de socialização;
- Defendem o “direito à vida” quando o debate é sobre aborto, mas não ligam se milhares de mulheres morrem em clínicas clandestinas por causa da ilegalidade do procedimento. Colocam a vida de embriões que sequer adquiriram senciência quilômetros acima do direito da mulher já nascida e crescida à vida;
- Defendem o “direito à vida” quando o assunto é aborto, mas desprezam completamente o direito à vida de pessoas pertencentes a minorias vulneráveis (LGBTs, negros, migrantes nordestinos, mulheres, afrorreligiosos etc.), crianças e adolescentes em situação social de risco, militares em guerra, detentos, animais não humanos (exceto quando o direitista é veg[etari]ano), inocentes vítimas das políticas policiais de extermínio em comunidades pobres etc.;
- Defendem o fim de programas de ação afirmativa de democratização do acesso à universidade, como as cotas para pessoas negras e pobres e o ProUni, mesmo quando os próprios opositores desses programas precisam, por exemplo, do ProUni para poderem cursar o ensino superior;
- Usam de convicto moralismo para criticar o funk carioca com suas letras de apelo sexual, mas silenciam-se perante músicas de rock e metal que fazem apologia explícita ao sexo – muitos inclusive ouvem com gosto essas músicas sem lhes dirigir a reprovação moral(ista) que dedicam ao funk;
- No caso dos nacionalistas, veneram os símbolos nacionais (bandeiras históricas, hinos, brasão etc.) e as forças armadas, mas fazem pouco caso do próprio povo brasileiro, evitando, fora das relações profissionais (patrão-empregado, vendedor-cliente, atendente-cliente, recepcionista-paciente etc.), o contato com pessoas pobres e migrantes do Norte-Nordeste;
- Defendem o livre mercado, a ausência de intervenção estatal na economia, mas calam-se ou tergiversam quando são questionados sobre crises como a de 1929 e a de 2007-2008, nas quais foi necessária intervenção governamental para, respectivamente, reestruturar a economia estadunidense e salvar bancos e outras grandes empresas da falência;
- Muitos elogiam o caso do rapaz que se recusou a fazer um trabalho na faculdade sobre Marx, ignorando que o melhor a fazer seria justamente estudá-lo para ter o mínimo de conhecimento sobre a obra dele para poder então consultar outros autores e (tentar) refutá-lo com base neles;
- Dizem que é um absurdo que os negros sejam ajudados pelas políticas afirmativas (cotas, bolsas acadêmicas, ProUni etc.) a ascenderem socialmente, ignorando que os brancos ricos, seja por herança ou pela criação e desenvolvimento de suas grandes empresas, subiram nas costas de milhares ou milhões de negros pobres para estarem onde estão hoje, fossem esses negros empregados assalariados nas camadas mais baixas da empresa ou escravos de seus antepassados;
- Dizem defender “a moral e os bons costumes”, mas a quantidade de material de ódio contra minorias políticas, contra mudanças socioculturais e morais e contra a esquerda que compartilham ultrapassa astronomicamente o material divulgado em defesa de costumes de civilidade e solidariedade (ser gentil, respeitar as diferenças, discutir assuntos polêmicos com civilidade, promover a cultura de paz, cumprimentar e estimar a todxs independente de categoria social, fazer caridade a quem necessita, ajudar a vizinhança no que pode, interagir regularmente com os vizinhos,divulgar informações sobre pessoas desaparecidas ou criminosos procurados etc.), de responsabilidade ambiental (evitar jogar lixo nas ruas e nos corpos d’água, evitar desperdício de água e energia elétrica, moderar ou abandonar o consumo de produtos e alimentos de impacto ambiental muito pesado, usar menos o carro etc.), de respeito à saúde do próximo (não fumar perto de outras pessoas, evitar embriagar-se se tiver tendência à agressividade, não impor o consumo de carne e álcool aos outros etc.), de respeito aos animais (deixar de consumir produtos de origem animal, denunciar crimes contra os animais não humanos etc.), de inspiração moral religiosa (respeitar o próximo, não julgar as outras pessoas, ser caridoso e solidário, partilhar o que pode com quem precisa, evitar a avareza) etc. Em outras palavras, o que menos defendem são posturas de zelo à moralidade e costumes consensualmente considerados bons, preferindo ao invés cultuar o ódio às diferenças e às mudanças sociais;
- Repudiam Karl Marx porque sua obra possibilitou, ainda que contra as expectativas dele, o surgimento dos regimes socialistas autoritários do século 20 e, por tabela, os assassinatos em massa cometidos por esses governos e as mortais ondas de fome, mas nunca crucificaram Albert Einstein por sua Física Moderna ter viabilizado a fabricação e uso de armas nucleares, nem Santos Dumont e os Irmãos Wright por sua grande invenção, o avião, ter sido usada em guerras e causado a morte de milhares ou milhões de seres humanos através de bombardeios, pulverizações de armas químicas, ataques aéreos diretos, atentados suicidas etc.

4 comentários:

Anônimo disse...

Li seu texto com muita atenção e queria te dizer que discutir sobre direitismo ou esquerdismo é quase discutir sobre religião ou sobre existência ou não de vida em outro planeta, as duas correntes tem suas virtudes e suas mazelas ou contradições, só acho que o ser humano de baixo nível cultural ou médio nível cultural sempre tentará escolher um lado e amá-lo de forma cega se tornando sectário; sem dúvida alguma te digo que o mal da atualidade é o sectarismo que deixa as pessoas cegas para as falhas da ideologia que abraça, diminuindo o leque de conhecimento e restringindo o mundo a um casulo muito restrito de conhecimento; muito cuidado com isso, senão logo vc estará segurando a bandeira de grupos que apenas estarão te usando para fins de poder e controle.

André Lux disse...

Pobre coitado, se acha membro da "raça superior" só porque não tem coragem de se assumir como direita. Aí vem e vomita um monte de asneiras que aprendeu lendo a Veja. E o pior que sabe disso, no fundo, caso contrário assinaria o próprio nome...

Alex Mamed disse...

Textinho xexelento, com a profundidade de um pires. Ainda ofende o único comentarista desta bosta, acusando-o de Veja, ou seja, argumento vindos direto da Carta Capital.

André Lux disse...

Além de vestir a carapuça, ainda elogiou. Obrigado.

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