terça-feira, 31 de julho de 2012

Eu apóio!

Chavez sobre a Venezuela no Mercosul: “nosso norte é o sul”

“Nosso norte é o sul. Estamos onde deveríamos estar sempre”, disse o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, ao final da Cúpula Extraordinária do Mercosul, nesta terça-feira (31), em Brasília, que oficializou o ingresso do país no bloco econômico. A presidenta brasileira e “pro tempore” do Mercosul, Dilma Rousseff, destacou que “o Mercosul deve permanecer como parte importante do nosso desenvolvimento. O mercado regional se torna mais precioso diante da crise econômica mundial”.

Após duas horas de reunião no Palácio do Planalto, os quatro presidentes sulamericanos fizeram uma declaração à imprensa, enfatizando a importância e necessidade da integração entre os países da América Latina para o desenvolvimento da região com inclusão social e distribuição de renda.

Além de Chavez e Dilma, falaram o presidente do Uruguai, José Mujica e a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.

A presidenta Dilma Rousseff - a primeira a falar – fez uma avaliação do ponto de vista econômico da participação da Venezuela no bloco, que transforma os quatro países integrantes a quinta maior economia do mundo. O presidente Chavez, citando o líder Simon Bolívar, enfatizou a importância política da união entre os países da região.

Essa nova etapa do Mercosul, ampliada com o ingresso da Venezuela, que estende o bloco da Patagônica ao Caribe, consolida a região como potência energética e alimentar, destacou a presidenta Dilma. “A Venezuela amplia as potencialidades do bloco. Agora há espaço ainda maior para crescimento do comércio, dos investimentos e integração das cadeias produtivas entre as nossas nações”, convidando os setores industriais a participarem dessa fase de crescimento econômico.

Ela também falou sobre o trabalho que deve ser feito pelos governos dos quatro países: “Do ponto de vista dos governos, há importante trabalho técnico a ser feito”, disse, anunciando a primeira rodada de trabalhos técnicos no final de agosto e a próxima reunião de cúpula em dezembro.

Entre as decisões importantes adotadas pelo Mercosul, Dilma Rousseff destacou o Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) como a experiência mais bem sucedida para reduzir as assimetrias e promover desenvolvimento equilibrado.

E anunciou que, com a Presidência Pro Tempore, o Brasil vai se esforçar para garantir volume significativo de crédito é importante para garantir esse desenvolvimento. “Vamos buscar todos os mecanismos de crédito, dentro e fora do Mercosul”, afirmou.

O Mercosul deve permanecer como parte importante do nosso desenvolvimento para fazer face ao grave quadro de economia internacional. O patrimônio que acumulamos no mercado regional se torna mais precioso. A Venezuela amplia as capacidades internas, reforça os recursos e abre oportunidades a vários empreendimentos, avaliou a presidenta.

Sem retaliações ao Paraguai

Sobre o Paraguai, assunto debatido na reunião, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Brasil, assim como demais países , apresentaram posição clara sobre compromisso inequívoco com a democracia e que o Mercosul e a Unasul agem de forma coordenada para preservar e fortalecer a democracia na nossa região.

E disse ainda que “não somos favoráveis a retaliações econômica s que possam causar prejuízo os povo paraguaio. Mantivemos nossos projetos com recursos do Focem”, avisou, manifestando interesse que o Paraguai normalize a situação interna para reaver sua posição dentro do Mercosul.

Formando a história

Chavez falou em seguida, de pé, cumprimentou a todos e disse que existem eventos que vão formando a história viva. Segundo ele, o evento de hoje tem semelhança com as eleições de Luis Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil, Nestor Kischner como presidente da Argentina e Tabaré Vasquéz no Uruguai. E atrás desses políticos, Chavez destacou “esse imenso povo, que é um só povo”.

A partir de hoje entramos em um novo período de aceleração da história que estamos construindo. Com mudanças profundas nesses anos que teremos pela frente. Os eventos futuros serão maiores do que o que presenciamos, afirmou Chavez. E, parodiando Bolívar, disse: “Esse é o nosso lugar na história. Dentro dessa grande pátria (a América Latina), tendo o Mercosul como um grande motor: onde eu estou, eu estou completo, a Venezuela chega plenamente, com toda nossa força, todo nosso desejo”.

Dívida social

O presidente do Uruguai também falou. Mujica destacou “a imensa dívida social que temos nessa terra, que é rico, mas é o mais injusto. Esse é o preço que pagamos ao longo da história, porque perdemos tempo demais olhando para o mundo rico sem olhar para nós. A nossa forma de vida ignorava os vizinhos, deixando de lado os aborígenes, analfabetos e pobres. Estamos tentando refazer nossa história”.

Ele, a exemplo do Chavez, destacou os novos tempos em que “o mundo rico está em crise e nós, pobres de nós, estamos nos saindo bastante bem”. E, concordando com a presidenta Dilma, disse que temos desafio imenso para vencer os interesses de classe e a trazer a grande maioria para esse debate e para que participem da construção da história do futuro, “que deve ser escrita pelos nossos exércitos de reserva, os que foram esquecidos, considerados causa perdida, mas que deve ser o centro da nossa causa – essa multidão anônima”.

Fim da solidão

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner , foi a última a falar. Ela ressaltou as palavras de Chávez, dizendo que com a chegada de Lula e Kirchner ao poder, surgiram os projetos nacionais, sociais e democráticos. E ressaltou ainda que “é preciso criar um meio para que seja indestrutível esse novo modo de governo. Não estamos falando só de política econômica, mas da luta pelo poder”, observou.

“Nós representamos essa força social, essa força histórica dos nossos povos que se juntam para por fim a solidão, porque nós nos encontramos”, concluiu.

Sobre a crise econômica, a presidenta argentina observou que os países desenvolvidos podem ficar tranquilos porque “Brasil, Argentina e Uruguai vamos continuar garantindo a soberania alimentar a esses países”, acrescentando que “o mundo está assim por causa da insegurança que eles geraram nos grandes centros financeiros, com paraísos fiscais onde estão mais de 400 bilhões de dólares, muitos vindos de nossas próprias economias”.

Fundado em 1991, o Mercosul estimula as relações comerciais entre os quatro países (Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil). Com a entrada da Venezuela, o bloco econômico reunirá 270 milhões de habitantes ou 60% da população do continente sulamericano e R$ 3,3 trilhões ou 83% do PIB (Produto Interno Bruto) da região.

De Brasília
Márcia Xavier
Colaborou Vanessa Silva

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mulher de Cachoeira usa Veja para chantagear juiz

Magistrado diz que mulher de contraventor teria dossiê com fotos contra ele. Andressa Mendonça presta esclarecimento na manhã desta segunda na PF.

- Versanna Carvalho Do G1 GO

O juiz federal Alderico Rocha Santos afirmou ao G1 nesta segunda-feira (30) ter sido chantageado por Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Santos é responsável pelo processo da Operação Monte Carlo na Justiça Federal, que culminou na prisão do bicheiro em fevereiro.

Segundo o magistrado, Andressa o procurou na quinta-feira (26) afirmando que teria um dossiê contra ele e, em troca da não-publicação, teria pedido um alvará de soltura para Cachoeira.

O juiz diz ter encaminhado ao Ministério Público um papel com nomes escritos por Andressa e imagens de sua entrada e saída no prédio da Justiça Federal.

Andressa prestou esclarecimentos nesta manhã na Polícia Federal em Goiânia e saiu sem falar com a imprensa. A mulher do contraventor terá de pagar fiança de R$ 100 mil e está proibida de visitar o marido, informou a PF.

Segundo o delegado Sandro Paes Sandre, “caso essas medidas não sejam atendidas, Andressa terá a prisão preventiva decretada e ficará presa na PF”.

A suposta conduta de Andressa está prevista no artigo nº 333 do Código Penal, que trata de corrupção ativa, diz a PF em nota.

O G1 tenta contato por telefone com Andressa Mendonça e seus advogados, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Dossiê
Conforme relatou o juiz ao G1, na versão de Andressa, o dossiê teria sido produzido a pedido de Cachoeira pelo jornalista Policarpo Júnior, repórter da sucursal da revista "Veja", em Brasília.

Procurada, a direção da "Veja" afirmou que seu departamento jurídico "está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos".

Ainda segundo Santos, Andressa teria pedido para falar com ele mesmo sem a presença do seu advogado. Como ela insistiu em ser atendida, o juiz diz que concordou em recebê-la e chamou uma de suas assessoras para acompanhar a reunião.

Depois de cerca de 20 minutos, diz ainda o magistrado, Andressa teria dito para que a assistente fosse retirada sala. Depois de mais 25 minutos, teria insistido. “Ela disse: ‘Quero falar com o senhor a respeito das minhas visitas ao Carlos e vou falar de questões pessoais. Não queria que questões da minha intimidade fossem reportadas a terceiros’. Então concordei com a saída da minha assessora”, relatou.

Conforme o juiz, Andressa teria dito: "Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê".

O juiz diz também que respondeu que não tinha nada a temer, quando teria ouvido de Andressa: "O senhor tem certeza?".

A mulher de Cachoeira, conforme o relato do juiz, teria então escrito o nome de três pessoas em um pedaço de papel e perguntado se ele os conhecia: o ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), que teve o mandato cassado em setembro de 2009 por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2006; um fazendeiro da região do Tocantins e Pará, conhecido como Maranhense; e Luiz, que seria um amigo de infância do juiz e supostamente responderia a processo por trabalho escravo.

De acordo com o juiz, Andressa teria dito que o jornalista teria fotos do magistrado com essas três pessoas.

“Não tenho nada a temer. Eu não vejo Marcelo Miranda há mais de quatro anos. O Maranhense, ou quem imagino que possa ser o Maranhense, também não vejo há bastante tempo. Já o Luiz é meu amigo de infância. As terras da família dele fazem divisa com as do meu pai, no Maranhão, há mais de 50 anos”, disse Santos.

O magistrado afirmou ter voltado a dizer a Andressa não ter nada a temer, momento em que ela teria se retirado de sua sala. “Quando ela saiu, guardei o papel onde ela escreveu os três nomes, solicitei as imagens que mostram a sua entrada e saída do prédio da Justiça Federal e encaminhei um documento ao Ministério Público relatando o fato."

"Eles entenderam que a ação dela se caracteriza crime e que ela deve pagar uma fiança de R$ 100 mil sob pena de prisão”, relatou.

sábado, 28 de julho de 2012

Filmes: "Hulk", de Ang Lee

MONSTRUOSAMENTE RIDÍCULO

Gorila verde com cara de bebê-Johnson é a estrela do primeiro (e, torçamos, último) pretenso filme-de-arte baseado em quadrinhos

- por André Lux, crítico-spam

Tudo o que tem sido dito sobre HULK é, infelizmente, verdade. O filme é realmente um horror. Chega a ser monstruosamente ridículo em praticamente todos os seus intermináveis 138 minutos de duração! É inacreditável que a Universal tenha gasto 120 milhões de dólares para produzir essa que é, de longe, a pior adaptação de um personagem de quadrinhos, indefensável em todos os aspectos, mesmo para os admiradores mais fanáticos (perto disso até mesmo o fraquinho HOMEM-ARANHA vira uma obra-prima). Uma total abominação que, tudo indica, pretendia ser o primeiro "filme de arte" baseado num comic book. Tomara que seja o último...

Essa pretensão "artística" fica evidente na tentativa de aprofundar os personagens inserindo alguns subtextos psicológicos e nuances pseudo-filosóficos que poderiam até ser louváveis, caso tudo não fosse destruído pela direção totalmente inadequada e, pior, pretensiosa-até-a-última-gota do chinês Ang Lee (o mesmo dos superestimados RAZÃO E SENSIBILIDADE e O TIGRE E O DRAGÃO). E é exatamente aí que reside o maior erro do filme: ele se leva a sério do começo ao fim, parece até novela mexicana. Não há um momento de humor, exceto aqueles involuntários que fazem a gente rir a toda hora e sempre nos momentos errados. Mesmo defeito, diga-se de passagem, do filme anterior de Lee no qual guerreiros "ninja" trocavam diálogos risíveis sobre o sentido da vida antes de sairem voando e andando em paredes.

Falando nisso, existem três seqüências em HULK que já merecem entrar de cara para a antologia das cenas mais ridículas da história do cinema: a luta do gigante verde contra três cães-monstros (incluindo aí um hilariante "poodle do inferno"), o vilão loiro (Josh Lucas) todo engessado dando choques no pobre Bruce Banner e, obviamente, toda a seqüência na qual o pai do monstro (Nick Nolte, que parece atuar sob o efeito de drogas alucinógenas) grita e baba, culminando com ele mordendo alucinadamente um fio de alta tensão!

E, por falar no papai Banner, toda a trama envolvendo a história do cientista louco que injeta em si mesmo suas experiências, passando os resultados para o seu filho, é inútil e redundante. Poderia ter sido eliminada sem maiores prejuízos. Ao menos deixaria o filme mais curto e menos tedioso, livrando-nos da penosa experiência de ser obrigados a ouvir diálogos pretensamente profundos que soam incrivelmente rasos e fora de lugar, já que são calcados em psicologia de almanaque. Que besteira é aquela sobre "memórias reprimidas"? Trata-se de um filme sobre um homem que fica nervoso e vira um monstro verde, pelo amor de deus!

Mas nada pode salvar um filme que traz como principal chamariz uma criatura tão lamentavelmente criada como o HULK em questão. Os efeitos não são ruins, pelo contrário. O problema é mesmo o design do monstro, que ficou parecendo um gorila verde com cara de bebê-Jonhson. Pior, Hulk é oco, sem vida. Seus ataques não têm peso (tudo é filmado em velocidade acelerada, o que impede que se criem relações de escala), suas motivações não existem, seus gritos histéricos são patéticos. Com um material como esse em mãos, nem mesmo os melhores técnicos em computação gráfica podem salvá-lo do desastre. O fracasso da figura do monstro é tão evidente que nem mesmo os brinquedos derivados do filme seguem o design do Hulk visto nas telas!

E se não bastasse tudo isso, escolheram para fazer o papel de Bruce Banner um sujeito com talento limitado e carisma zero (Eric Bana). Nem mesmo sua relação com Betty Ross provoca qualquer tipo de emoção, primeiro porque o casal já inicia o filme em fase de separação (não trocam nem mesmo um carinho que seja durante toda a projeção!) e, segundo, por causa da magreza excessiva de Jenniffer Connelly que parece ter optado definitivamente pelo visual "mulher-palito", típico de modelos de passarelas. Continua bonita e talentosa (embora aqui atue no piloto automático), mas não tem mais o mesmo charme e exuberância que mostrou em filmes como O PREÇO DA TRAIÇÃO ou mesmo ROCKETEER. Ou seja: a química entre o casal é inexistente, não há qualquer erotismo ou mesmo romance e, por causa disso, não convence nem um pouco quando usam a moça para tentar acalmar o Hulk e todo o pretenso "drama" que decorre disso.

Como era de se esperar a trilha musical do amador Danny Elfman (que ao menos tem a desculpa de ter substituído na última hora o compositor Mychael Danna, cuja partitura original foi rejeitada) também atrapalha, principalmente quando insere solos de instrumentos étnicos (como um duduk e percussão africana) ou vocalizações de estilo oriental, os quais destoam completamente tanto da proposta do projeto quanto do que se vê na tela.

Sinceramente, daria pra ficar falando dos aspectos negativos do filme por horas. Por isso, para encurtar, basta dizer que ele é tão ruim, mas tão ruim, que chega a ser até engraçado. Quem quiser entrar no cinema para tirar sarro do que vê na tela, HULK do Ang Lee é a escolha certa. Um filme que, sem dúvida, já figura entre os maiores clássicos do cinema-trash-involuntário, ao lado de preciosidades como PLAN 9 FROM OUTER SPACE, de Ed Wood, e CIDADE DOS SONHOS, de David Lynch. Ou seja: é um filme que como aventura dá sono e como drama só provoca o riso.

Interessante, todavia, é notar que alguns críticos tentam nos convencer que o novo filme do chinês é uma "obra-prima" da sétima arte! Duvido muito que se HULK tivesse sido dirigido por um Peter Jackson (de O SENHOR DOS ANÉIS) ou mesmo pelos irmãos Wachowsky (MATRIX) e tivesse resultado exatamente igual ao filme de Ang Lee, esses senhores o estariam louvando tanto... Mais uma prova de que certos cineastas possuem prestígio inatacável, não importando a qualidade real de seus filmes. É ver para crer.

Cotação: Abaixo de zero

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes

CartaCapital publica na edição que chega às bancas em São Paulo nesta sexta-feira 27 uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo em 1998. O esquema foi operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista, registrada em cartório. O agora ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes aparece entre os beneficiários. Mendes teria recebido 185 mil reais.

Há ainda governadores, deputados e senadores na lista. Entre os doadores, empresas públicas e prefeituras proibidas de fazer doações de campanha. O banqueiro Daniel Dantas também aparece como repassador de dinheiro ao caixa 2.

A documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”, pois a modelo participava do esquema e era escalada para transportar malas de dinheiro. Na lista, Cristiana aparece como destinatária de 1,8 milhão de reais.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Governo oferece nova proposta de reajuste a professores universitários

- Por: Luciene Cruz, da Agência Brasil

Brasília – O governo federal cedeu e ofereceu nova proposta de reestruturação de carreira às entidades sindicais dos professores dos institutos e universidades federais. Depois de mais uma rodada de negociação, para colocar fim à greve que já dura 69 dias, foram oferecidos reajustes que variam entre 25% e 40% para todos os docentes. Além disso, a data para entrada em vigor do aumento foi antecipada.

Na oferta da semana passada, o aumento variava entre 12% e 45%, já somados os 4% aprovados em maio, pela Medida Provisória 568, que teve efeito retroativo a março. A proposta não agradou os representantes da categoria, que alegaram que o governo não contemplou a reestruturação da carreira para todos os níveis de docentes.

A nova proposta do governo foi aumentada em 7,7%. Com isso, a reestruturação de carreira, apresentada hoje (24) aos professores universitário, terá impacto de R$ 4,2 bilhões no Orçamento Federal. O montante é R$ 300 milhões a mais que a oferta anterior, de R$ 3,9 bilhões. Os aumentos, que serão escalonados durante os próximos três anos, começam a vigorar a partir de março de 2013. Na proposta anterior, feita no último dia 13, o aumento iria vigorar a partir de julho do próximo ano.

Para o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, a contraproposta mostra o recuo do governo em prol do fim da paralisação e descarta novo aumento. “Em uma negociação sempre tem margem, mas o governo já fez movimento de avanço ouvindo críticas e necessidades. Estamos convictos que essa é proposta para fazer acordo”, assegurou.

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Marco Antônio de Oliveira, dá a entender que essa é a proposta final e que o governo chegou ao “limite” tanto em “critérios de ascensão quanto em valores”. “Nós já adaptamos a proposta, fizemos uma série de alterações. No caso de valores, chegamos ao limite. Temos que pensar na situação que o país está vivendo de incertezas, que decorre do cenário de crise internacional”, disse.

Servidores
Em outra frente, o governo sugeriu aos servidores públicos federais uma trégua de 15 dias na paralisação da categoria para apresentação de uma proposta que garante o pagamento dos 12 dias de ponto cortados em junho. A sugestão foi apresentada pelo secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, a representantes dos servidores.

“A proposta é muito clara: primeiro que a gente faça uma trégua de 15 dias para o governo poder devolver o salário que foi confiscado dos contracheques. Segundo: neste período de 15 dias, o governo apresentará uma proposta às nossas reivindicações. Não falou se é de 1 centavo, ou se é de R$ 1 milhão”, resumiu o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindisep-DF), Othon Pereira, após deixar a reunião com Carvalho.

De acordo com a Secretaria Geral, a trégua não é uma proposta formal do governo, apenas uma sugestão do ministro aos trabalhadores até que o governo apresente uma resposta às reivindicações, e seria uma forma de evitar perdas salariais com o corte do ponto.

Segundo Pereira, a trégua é, “a princípio, “inaceitável”, mas será levada aos trabalhadores para avaliação. A próxima rodada de discussões deverá ser em uma reunião, ainda nesta semana, entre os comandos de greve e o secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público, Sérgio Mendonça, do Ministério do Planejamento, responsável pela negociação entre governo e servidores em greve.

“A princípio, acho difícil essa proposta face ao exíguo tempo que se tem para fechar o Orçamento, no dia 31 de agosto. Se dermos uma trégua agora de 15 dias, qual vai ser o tempo que teremos para analisar e enfrentar uma nova greve, se a proposta do governo daqui a 15 dias for ruim?”, questionou.

Tempo não é dinheiro

"Temos que entender que tempo não é dinheiro. Essa é uma brutalidade que o capitalismo faz como se o capitalismo fosse o senhor do tempo. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida".

- Do aniversariante do dia, professor Antonio Cândido de Mello e Souza, 94 anos.

Agora vai!

A blogofobia de José Serra

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.

- por Leandro Fortes, na CartaCapital

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora
A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.

Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do Tijolaço.com, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho.

Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo.

Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver.

Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos.

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Filmes: "Na Estrada"

REBELDES SEM CAUSA

Sair por aí se drogando, roubando, gerando filhos e vivendo na imundice para depois escrever sobre essas experiências passa longe do meu ideal de “revolução”.

- por André Lux, crítico-spam

Dizem que a chamada geração beatnik “mudou o mundo” e o comportamento das pessoas gerando uma legião de apreciadores de seu estilo de escrever. 

Pode até ser, mas para mim não eram mais do que moleques sem eira nem beira que passaram a maior parte da juventude fumando maconha, bebendo álcool e usando outras drogas pesadas enquanto viajavam de um lugar para outro sem qualquer motivo ou razão de ser e transavam entre si sem maiores consequências.

Pelo menos é isso que nos ensina essa adaptação de “Na Estrada” do papa do movimento beatnik Jack Kerouac, que morreu aos 47 anos de cirrose decorrente de seu alcoolismo. O brasileiro Walter Salles filma tudo com grande respeito à obra e quer nos convencer que aqueles garotos sem rumo e drogados seriam uma espécie de “oráculos da nova era”. Todavia tudo que produziram depois nada mais foi do que narrar suas próprias desventuras recheadas de drogas e imundice (toda vez que alguém começa a se beijar no filme vem logo uma pergunta à mente: “quando será que foi a última vez que eles escovaram os dentes?”).

Não tenho nada contra a experimentação ou mesmo a rebeldia, desde que tenha alguma causa ou sentido. Mas não é o que se vê aqui, onde todos podem ser descritos como meros rebeldes sem causa. Muita gente vai querer defendê-los dizendo que lutavam contra o sistema, mas isso é balela. Pelo menos no filme em questão não há qualquer discussão ou debate sobre isso e os personagens passam o tempo inebriados pela fumaça de seus cigarros de maconha e pelos delírios literários autoindulgentes, enquanto rumam velozmente para a autodestruição.

Ao assistir “Na Estrada” veio a mente a comparação com “Diários de Motocicleta”, o outro filme de Salles sobre uma viagem, onde acompanhamos o jovem Che Guevara conhecendo a américa latina junto com seu amigo Alberto Granado. Mas as semelhanças terminam aí. 

Enquanto em “Diários” acompanhamos o amadurecimento do protagonista decorrente das experiências e encontros que absorve durante a viagem, fato que o ajudou a se tornar um dos maiores ícones da luta contra a opressão no mundo, em “Na Estrada” observamos entediados um bando de jovens autodestrutivos perambulando de um local para o outro sem qualquer traço de amadurecimento ou mesmo aprendizado.

Numa das cenas mais repugnantes do filme, vemos Viggo Mortensen (no papel de Bull Lee, que seria o alter-ego do escritor beat William Burroughs) dormindo com o filho no colo depois de se injetar na veia com heroína ou coisa que o valha, enquanto a esposa igualmente drogada sai correndo atrás de lagartixas no mato. É por isso que essa gente se considerava “contra o sistema”? E por falar em Burroughs, seu livro mais famoso “O Almoço Nu” também virou um filme nas mãos de David Cronenberg (aqui ridiculamente chamado de “Mistérios e Paixões”) e resultou num produto igualmente intragável e inútil.

Entendo que para muita gente esse mundo repleto de junkies autodestrutivos produz uma forte atração, porém obviamente não é o meu caso. Sair por aí se drogando, roubando lojas, gerando filhos de maneira inconsequente e vivendo na imundice para depois escrever sobre essas experiências passa longe do meu ideal de “revolução”.

Cotação: *

Eu apóio!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As 10 Estratégias de Manipulação Midiática

- por Noam Chomsky, linguista do MIT


1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, bastaaplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")".

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Caiu a casa para mais um falso moralista da direita!

Por elo com Cachoeira, Demóstenes é 2º cassado na história do Senado

- por ELAINE LINA, no portal Terra direto de Brasília

O receio de que o voto secreto pudesse manter Demóstenes Torres (sem partido-GO) no cargo de senador da República não se concretizou. Por 56 votos favoráveis, o ex-democrata perdeu o mandato em uma sessão histórica nesta quarta-feira: foi o segundo político a ser cassado no Senado por quebra de decoro parlamentar. Os senadores entenderam que ele usou o mandato para favorecer os negócios do grupo criminoso comandando pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira e recebeu vantagens pelo serviço.

Até hoje, apenas o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) havia sido cassado pelos seus colegas no Senado, no ano 2000, após acusações de desvio de dinheiro das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. O STJ condenou o empresário de Brasília a 36 anos de prisão pelo superfaturamento das obras. Estevão segue em liberdade enquanto à decisão couber recurso.

O processo contra Demóstenes, julgado nesta quarta-feira, é resultado das apurações do Conselho de Ética, que por três meses colheu provas e depoimentos embasados nas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, e decidiu por unanimidade pela cassação do senador. A representação contra ele, proposta pelo Psol, foi aceita após os membros da comissão entenderam que Demóstenes usou sua influência e poder para favorecer Cachoeira.

O parecer então foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça, a qual Demóstenes inclusive já presidiu, que considerou o pedido de cassação constitucional por avaliar que o parlamentar teve direito à defesa e que o processo obedeceu quesitos de legalidade e constitucionalidade. O político deve voltar agora ao cargo de procurador de Justiça, do qual se licenciou para entrar na vida pública há 11 anos.

Nos últimos dez dias, Demóstenes usou a tribuna para discursar jurando inocência e pedindo a seus pares que não o condenasse. Por repetidas vezes, ele negou, para uma plateia vazia, ter feito lobby para Cachoeira ou recebido dinheiro. A defesa dele também insistiu durante todo o processo que as escutas que flagraram as relações entre Demóstenes e o bicheiro Carlinhos Cachoeira são ilegais e teriam sido alteradas e editadas com a finalidade de atingir o senador.

Denúncias causam surpresa
Em seu segundo mandato como senador, o promotor de Justiça de carreira costumava ser uma das primeiras vozes da Casa a se levantar quando surgiam denúncias de irregularidades na imprensa.

A chegada de seu nome às manchetes de jornais acusado de usar seu mandato para beneficiar Cachoeira causou surpresa em colegas e o levou a denunciar uma campanha na mídia para atingi-lo. "O Senado vai escolher que futuro pretende, se de insegurança jurídica, em que qualquer de seus integrantes terá de ser eliminado para atender a sanha acusatória, ou um amanhã justo, respeitando-se os direitos dos representados, sem pressa", disse o parlamentar em seu último discurso no plenário da Casa antes da votação secreta que selou o seu futuro.

Visivelmente abatido e mais magro, o parlamentar goiano de 51 anos fez de tudo, nos últimos dias, para salvar o mandato e manter o foro privilegiado. Desde a semana passada, tem subido à tribuna para se defender e chegou a pedir perdão nominalmente a diversos senadores.

No entanto, ele não contava mais com o prestígio que tinha junto aos colegas até março, quando surgiram as primeiras denúncias. À época, Demóstenes subiu à tribuna para prestar esclarecimentos e recebeu apartes de senadores históricos, do governo, da oposição e independentes - casos de Eduardo Suplicy (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS) e Alvaro Dias (PSDB-PR).

Até a petista Marta Suplicy, vice-presidente do Senado, reconheceu que as denúncias contra o parlamentar foram uma "surpresa gigantesca". "Tantas vezes ficamos impressionados com sua capacidade, com seu brilhantismo como opositor e com sua defesa da ética e da correção no lidar com as coisas públicas", afirmou a senadora, durante sessão recente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Demóstenes foi um dos mais atuantes políticos da oposição. Encabeçou uma campanha por uma CPI para investigar denúncias contra o governo e também foi relator na Comissão de Constituição (CCJ) da Lei da Ficha Limpa.

Escutas da Polícia Federal sugerem que Demóstenes teria viajado em um avião pago por Cachoeira, e que utilizava um aparelho de rádio e telefone fornecido pelo empresário. Em depoimento ao Conselho de Ética, Demóstenes negou envolvimento com jogos ilegais, mas assumiu ter uma "relação de amizade" com Cachoeira, que está preso desde o início do ano acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

O senador, que já foi procurador-geral de Justiça de Goiás, presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça e secretário de Segurança Pública de seu Estado disse ter aceitado o telefone por "comodidade".

Eleito senador pelo DEM em 2002, o senador, natural de Anicuns, deixou o partido neste ano após a legenda decidir abrir processo de expulsão contra ele por conta das denúncias. Na época, Demóstenes disse ter sido pré-julgado pelo partido.

domingo, 8 de julho de 2012

São Paulo entre o 5 e 9 de julho

As comemorações de 9 de julho em São Paulo exaltam uma rebelião oligárquica de oito décadas atrás. Curiosamente, outra revolta, deflagrada em 5 de julho de 1924, que contou com forte componente popular, passa em brancas nuvens nos calendários oficiais.

- por Gilberto Maringoni, em Carta Maior

Os dias 5 e 9 de julho condensam caminhos pelos quais a história paulista poderia seguir. São dois tabus no estado. Um é esquecido, o outro é exaltado.

A primeira data marca uma violenta reação ao poder do atraso, tendo por base setores médios e populares. E a segunda representa a exaltação do atraso, capitaneada pela elite regional.

Dia 5 de julho, há 88 anos, uma intrincada teia de tensões históricas desaguou no episódio que ficaria conhecido como Revolução de 1924. Suas raízes estão no agravamento de problemas sociais, no autoritarismo dos governos da República Velha e em descontentamentos nos meios militares, que já haviam gerado o movimento tenentista, dois anos antes.

Naquele duro inverno, em meio a uma crise econômica, eclodiu uma nova sublevação. Tropas do Exército e da Força Pública tomaram quartéis, estações de trem e edifícios públicos e expulsaram da cidade o governador Carlos de Campos. No comando, em sua maioria, camadas da média oficialidade. Quatro dias depois, era instalado um governo provisório, que se manteria até 27 de julho. O país vivia sob o estado de sítio do governo Arthur Bernardes (1922-1926).

Entre as reivindicações dos revoltosos estavam: “1º Voto secreto; 2º Justiça gratuita e reforma radical no sistema de nomeação e recrutamento dos magistrados (…) e 3º Reforma não nos programas, mas nos métodos de instrução pública”. No plano político, destaca-se ainda “A proibição de reeleição do Presidente da República (…) e dos governadores dos estados”.

Várias guarnições de cidades próximas aderiram ao movimento. Apesar da falta de um programa claro, setores do operariado organizado apoiaram os revolucionários e exortaram a população a auxiliá-los no que fosse possível.

Bombas, tiros e mortes

As ruas da capital foram palco de intensos combates, com direito a fuzilaria, granadas e tiros de morteiros. Cerca de trezentas trincheiras e barricadas foram abertas em diversos bairros.

A partir do dia 11, o governador deposto, instalado nas colinas da Penha, seguindo determinações do presidente da República, decidiu lançar uma carga de canhões em direção ao centro. O objetivo era aterrorizar a população e forçá-la a se insurgir contra os rebelados.

De forma intermitente, os bairros operários da Mooca, Ipiranga, Belenzinho, Brás e Centro sofreram bombardeio por vários dias. Casas modestas e fábricas foram reduzidas a escombros e cadáveres multiplicavam-se pelas ruas.

Sem conseguir dobrar a resistência, o governo federal decidiu bombardear a cidade com aviões de combate.

O fim da rebelião

Três semanas depois de iniciada, a rebelião foi acuada. Dos 700 mil habitantes da cidade, cerca de 200 mil fugiram para o interior, acotovelando-se nos trens que saiam da estação da Luz. O saldo dos 23 dias de revolta foi 503 mortos e 4.846 feridos. O número de desabrigados passou de vinte mil. No final da noite do dia 28, cerca de 3,5 mil insurgentes retiraram-se da cidade com pesado armamento em três composições ferroviárias. O destino imediato era Bauru, no centro do estado.

Deixaram um manifesto, agradecendo o apoio da população: “No desejo de poupar São Paulo de uma destruição desoladora, grosseira e infame, vamos mudar a nossa frente de trabalho e a sede governamental. (…) Deus vos pague o conforto e o ânimo que nos transmitistes”.

As tensões não cessariam. No ano seguinte, parte dos revolucionários engrossaria a Coluna Prestes (1925-1927). Mais tarde, outros tantos protagonizariam – e venceriam – a Revolução de 30.

Promovida pelas camadas médias do meio militar, o levante ganhou apoio de parcelas pobres da população. Talvez por isso seja chamada de “a revolução esquecida”.

A revolução que não foi

A segunda data, 9 de julho, é marcada pelo estopim de uma revolução que não faz jus ao nome. É exaltada e cultuada como uma manifestação de defesa intransigente da democracia, ela faz parte da criação de certa mitologia gloriosa para São Paulo.

O evento, em realidade, representa a sublevação da oligarquia cafeeira contra a Revolução de 30, que a retirou do governo e se constituiu no marco definidor do Brasil moderno.

Aquele processo não pode ser visto apenas como uma tomada de poder por um punhado de descontentes. Suas causas envolvem as contrariedades nos meios militares e tensões do próprio desenvolvimento do país. A crise de 1929 acabara de chegar, colocando em xeque o liberalismo reinante.

A Revolução consolidou a expansão das relações capitalistas, que trouxe em seu bojo a integração ao mercado – via Estado – de largos contingentes da população. O mecanismo utilizado foi a formalização do trabalho.

As novas relações sociais e a intervenção do Estado na economia – decisiva para a superação da crise e para o avanço da industrialização – implicaram uma reconfiguração e uma modernização institucional do país. A conseqüência imediata foi a perda da hegemonia da economia cafeeira, centrada principalmente em São Paulo e parte de Minas Gerais. Percebendo as mudanças no horizonte, as classes dominantes locais foram à luta em 1932.

A locomotiva e os vagões

Explodiu então a rebelião armada das forças insepultas da República Velha e da elite paulista, querendo recuperar seu domínio sobre o país.

Tendo na linha de frente a Associação Comercial e a Federação das Indústrias (FIESP), o levante tinha entre seus líderes sobrenomes importantes do Estado, como Simonsen, Mesquita, Silva Prado, Pacheco e Chaves, Alves de Lima e outros. O movimento contou com expressivo apoio popular, uma vez que os meios de comunicação (rádio, jornais e revistas) reverberaram as demandas das classes altas.

A campanha que precedeu a sublevação exacerbou uma espécie de nacionalismo paulista, incentivado por grupos separatistas. Entre esses, notabilizava-se o escritor Monteiro Lobato. A síntese da aversão local ao restante do país expressava-se na difundida frase, que classificava o estado como “a locomotiva que puxa 21 vagões vazios”, em referência às demais unidades da federação.

Contradição em termos

O objetivo do movimento, derrotado militarmente em 4 de outubro, era derrubar o governo provisório de Getulio Vargas e aprovar uma nova Constituição. Daí a criação do nome “revolução constitucionalista”, uma contradição em termos. Revolução é uma ação decidida a destruir uma ordem estabelecida. A expressão “constitucionalista” expressava uma tentativa recuperação do status quo, regido pela Carta de 1891. Se é “constitucionalista”, não poderia ser “revolução”.

Os sempre proclamados “ideais de 1932” são vagas referências à constitucionalidade e à democracia. Mas não existia, por parte da elite, nenhuma formulação que fosse muito além da recuperação da hegemonia paulista (leia-se, dos cafeicultores).

Exatos oitenta anos depois, o 9 de julho segue comemorado como a data magna do estado, uma espécie de 7 de setembro local. E os acontecimentos de 5 de julho de 1924 continuam como páginas obscuras de um passado distante.

A elite paulista voltaria ao poder em 1994, pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso e do PSDB. Seu mote foi dado no discurso de despedida do senado, em 1994: “Um pedaço do nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista”.

Os objetivos desse setor continuaram os mesmos, décadas depois: realizar a contra-Revolução de 30.

As tensões entre as datas – 5 e 9 de julho – expressam duas vias colocadas até hoje nos embates políticos paulistas: a saída conservadora e a saída antielitista.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).

Rumo a um autêntico Estado Laico

O censo demográfico de 2010 mostrou a ocorrência de uma migração religiosa dos brasileiros. Não é uma surpresa. Os números dos censos de 1991 e 2000 já indicavam essa mudança que afeta diretamente o catolicismo, embora o País ainda seja o mais católico do mundo.

- por Mauricio Dias, na Carta Capital

As informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam, no entanto, que o Brasil é cada vez menos católico em razão do crescimento da diversidade dos grupos religiosos. Tem sido constante a progressão dos evangélicos (Tabela).

Essa questão não é importante só para os fiéis. Ela interessa também, entre outras razões, para a informação do debate sobre a necessidade de um avanço definido em direção à efetivação de um Estado realmente laico.

É aceitável a ideia de que o enfraquecimento do catolicismo, malgrado o crescimento da fé evangélica, de natureza ainda mais conservadora, reforça a possibilidade?

Diretamente, esses fatos guardam pouca relação com as bancadas evangélicas em crescimento acelerado no Congresso. É um aumento alcançado a partir da pressão evangelizadora sobre o espírito dos fiéis, numa repetição ainda mais nefasta das ações da Liga Eleitoral Católica (LEC), desparecida no fim dos anos 1960.

Mas nenhuma delas conseguiu, e nem conseguirá, alcançar a posição do Vaticano, reconhecido como Estado e admitido como tal em alguns dos foros mais importantes e com poder de interferência, como ocorreu na Rio+20. O veto católico suprimiu do chamado “Rascunho Zero” os debates iniciais na preparação da declaração final daquela conferência ambiental, os direitos de reprodução e da sexualidade das mulheres.

Meses antes, no entanto, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) consagrou mais um avanço na direção do Estado laico. Aos pés da imagem de Cristo crucificado, no plenário da Corte, os ministros autorizaram o aborto do feto anencéfalo ignorando a pressão da Igreja.

Flavio Pansieri, presidente da Academia Brasileira de Direito Constitucional, comemorou essa decisão do STF: “A decisão da maioria dos ministros é acertada e ela fixa de forma definitiva o Estado laico no Brasil”.

Foi corajosa a decisão tomada em março, pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Proibiu o uso de crucifixo ou símbolos religiosos no prédio do Judiciário. Até agora não foi possível prever aonde podem chegar os efeitos da forte reação dos inconformados.

Em 2009, o Ministério Público Federal ajuizou ação pedindo a retirada de crucifixos de edifícios federais. Pedido negado. A juíza argumentou que era “natural” a exibição da cruz de Cristo em um país “de formação histórico-cultural cristã”.

Wadih Damous, presidente da seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, afirma que “é inconstitucional” a manutenção do crucifixo no plenário do Supremo. E argumenta: “A República no Brasil proclamou o Estado laico” e não autoriza “a qualquer órgão público impor esse ou aquele símbolo religioso”.

É verdade. A Carta de 1891 não faz menção religiosa no preâmbulo. É a única. As seguintes se entregam à preeminência do catolicismo. É o que ocorre, finalmente, com a Constituição atual, de 1988, promulgada “sob a proteção de Deus”.

Uma emenda constitucional teria condições de suprimir essa referência de sorte a favorecer a consolidação do Estado laico. Quem se habilitaria?

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ex-ditadores argentinos Videla e Bignone são condenados à prisão

- da Carta Capital

A Justiça da Argentina proferiu nesta quinta-feira 5 mais uma decisão histórica a respeito da ditadura no país (1976-1983). O Tribunal Oral Federal 6 condenou os ex-ditadores Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone a 50 anos e 15 anos de prisão, respectivamente, por sua participação em um plano sistemático de roubo de bebês durante o regime cívico-militar. Segundo a acusação, os bebês de presas políticas eram roubados e tinham suas identidades trocadas pelos militares.

O processo foi movido pela líder da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto. A organização reúne mães e avós de adultos e crianças desaparecidos durante os governos militares na Argentina. Segundo a acusação, comandada pelo procurador Niklison Martin, há provas de que na Escola de Mecânica Armada (Esma), em Buenos Aires, transformada em centro de torturas, havia uma maternidade no subsolo do prédio principal. Lá os bebês nasciam e eram afastados de suas mães.

O crime ocorria também em outros dois centros de tortura, o Campo de Mayo e o Pozo de Banfield. Há estimativas de que presas políticas argentinas tiveram cerca de 400 bebês durante a ditadura, mas o caso julgado nesta quinta-feira se restringia aos casos de 35 bebês, 28 dos quais tiveram suas identidades recuperadas.

Para Videla, a condenação se une a outra confirmada em novembro de 2010. Pelo assassinato de 31 presos políticos, Videla foi condenado à prisão perpétua pela Justiça argentina. Além de Videla e Bignone, foram condenados Antonio Vañek, responsável pela Esma (40 anos detido); o chefe da inteligência da unidade, Jorge “Tigre” Acosta (30 anos); o ex-comandante do Exército Santiago Omar Riveros (15 anos); e o oficial aposentado da Guarda Costeira Juan Antonio Azic (14 anos).

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Caso dos aloprados é obra de Cachoeira com PSDB

247 Há duas semanas, o juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré, da 7ª Vara Criminal de Mato Grosso, abriu uma ação penal contra petistas envolvidos num escândalo que ficou conhecido como o “Dossiê dos Aloprados”. Às vésperas da eleição presidencial de 2006, eles foram presos num hotel em São Paulo com R$ 1,7 milhão em espécie. O dinheiro serviria para plantar denúncias contra José Serra, que, naquele ano, disputou o governo de São Paulo contra Aloizio Mercadante.

Entre os envolvidos, havia figuras próximas ao ex-presidente Lula, como seu amigo Jorge Lorenzetti, conhecido como o “churrasqueiro” do Palácio do Planalto. À época, foi Lula quem definiu os personagens do escândalo como “aloprados”. Apesar do seu repúdio à montagem do dossiê, a imagem do dinheiro apreendido, no Jornal Nacional, ajudou a levar a eleição presidencial, contra Geraldo Alckmin, ao segundo turno.

O caso, no entanto, pode ter agora uma reviravolta. Um vídeo apreendido pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo sinaliza que o bicheiro Carlos Cachoeira pode estar por trás da armação. Nas imagens, o jornalista Mino Pedrosa, que foi assessor de Cachoeira, conversa com o araponga Dadá, membro da quadrilha, sobre o caso. E diz que o PSDB preparou uma armadilha, na qual o PT o caiu. Dadá, então, comemora. “Tem que f... o barbudo”, referindo-se a Lula.

Leia, abaixo, texto de Marcelo Auler, no Jornal do Brasil:

Em um dos vídeos apreendidos na casa de Adriano Aprígio, ex-cunhado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, comemora o envolvimento de petistas no chamado Escândalo dos Aloprados.

Em setembro de 2006, às vésperas do início da propaganda eleitoral na televisão, petistas foram presos em um hotel em São Paulo com R$ 1,7 milhão. Com o dinheiro pretendiam comprar um dossiê que supostamente envolvia o tucano José Serra - então candidato à presidência da República - com o desvio de verbas do orçamento destinadas à compra de ambulâncias. O escândalo prejudicou Lula, que concorria à reeleição e esperava ganhar no primeiro turno, o que não aconteceu.

O vídeo apreendido, já periciado pela Polícia Federal, mostra uma conversa entre o jornalista Mino Pedrosa e Dadá, o araponga que atendia à quadrilha do bicheiro. Pedrosa relata que o PSDB armou a história do dossiê e o "PT caiu nela".

O araponga vibra e comemora: "Tem que f..... o Lula! Tem que f..... o barbudo!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A vitória do Bolsa Família

- por Luis Nassif, em seu blog

Se houve um vitorioso na Conferência Rio+20 foram as políticas de transferência de rendas do país e, entre elas, especificamente o Bolsa Família.

A agenda da pobreza acabou indo para o centro do documento final da conferência. E em todo lugar em que se discutia o tema, a experiência brasileira era apontada como a mais bem sucedida, em vários aspectos: efetividade (não gera dependência), os beneficiários trabalham, há o emponderamento das mulheres, melhor frequência escolar e desempenho das crianças.

Hoje em dia, há pelos menos duas delegações internacionais por semana visitando o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), segundo informa a Ministra Tereza Campello, para saber mais detalhes da experiência.

Com 9 anos de vida e 13,5 milhões de famílias atendidas, com riqueza de séries históricas, estatísticas e avaliações, o BF conseguiu desmentir várias lendas urbanas:.

Lenda 1 – o BF criará preguiçosos acomodados.

Os levantamentos comprovam que maioria absoluta dos adultos beneficiados trabalha na formalidade e na informalidade.

Lenda 2 – as beneficiárias tratarão de ter mais filhos para receber mais auxílio.

O último censo comprovou redução geral da natalidade no país, mais ainda no nordeste, mais ainda entre os beneficiários do BF.

Lenda 3 – um mero assistencialismo sem desdobramentos.

Nos estudos com gestantes, as que recebem BF frequentam em 50% a mais o pré-natal; as crianças nascem com mais peso e altura; houve redução da mortalidade materna e infantil. Há maior frequência das crianças às escolas.

Agora, através do programa Brasil Carinhoso, se entra no foco do foco, as famílias mais miseráveis com crianças de 0 a 6 anos. No total, 2,7 milhões de crianças.

Em 9 anos, atendendo 13,5 milhões de família, o BF consegue uma avaliação refinada e de segurança para todos os parceiros.

Com Brasil Carinhoso pretende-se chegar a 2,7 milhões de crianças, em famílias pobres com filhos entre 0 e 6 anos de idade.

A grande preocupação da presidente, explica Tereza Campello, é que essas crianças não podem esperar: qualquer impacto da pobreza sobre sua formação, qualquer problema nutricional as afetará por toda a vida

Essas famílias representam 40% dos extremamente pobres do país. Primeiro, se levantará sua renda atual. O Brasil Carinhoso complementará até atingir R$ 70,00 per capita por mês.

Hoje em dia, não há um técnico de renome que tenha ressalvas maiores ao Bolsa Família. As críticas estão concentradas em colunistas sem conhecimento maior de metodologia de políticas sociais, de estatísticas.

No início do governo Lula, havia duas vertentes de discussão sobre políticas sociais. Uma, a do universalismo inconsequente, a do distributivismo sem metodologia – cujo representante maior era Frei Betto e seu Fome Zero. A outra, um modelo metodologicamente sofisticado,, tem como figura central (na parte de focalização) o economista Ricardo Paes de Barros.

Prevaleceu um misto do modelo, com as estatísticas sendo utilizadas para focalizar melhor os benefícios. Foi esse modelo que acabou consagrando universalmente o BF.

As críticas desinformadas - 1
Conhecido por sua militância conservadora, o colunista Merval Pereira (o Globo e CBN) apresentou como contraponto ao Bolsa Familia o que ele considerou uma proposta alternativa de esquerda. “O Fome Zero/Bolsa-Família, do jeito que estava montado pela turma do Frei Betto, era um projeto de reforma estrutural, da estrutura do Estado. Frei Betto queria fazer comissões regionais sem políticos, para distribuição do Bolsa-Família, e a partir daí fazer educação popular”.

As críticas desinformadas - 2
Continua o revolucionário Merval: “ Era um projeto muito mais de esquerda, muito mais voltado para mudanças estruturais da sociedade. O Bolsa-Família hoje é um programa para manter a dominação do governo sobre esse povo necessitado. Patrus transformou-o num instrumento político espetacular, que foi o começo da força do lulismo”. O conceito de educação popular significa fora da rede oficial, levando mensagens populares aos alunos.

As críticas desinformadas – 3
O que Merval descreve, em seu discurso, é modelo similar ao do MST e sua universidade popular. A troco de quê um comentarista claramente conservador de repente se põe a defender modelos revolucionários que levem a “mudanças estruturais na sociedade”? Primeiro, a necessidade de ser negativo em relação a tudo. Segundo, o despreparo para tratar com temas técnicos. Empunha o primeiro argumento que lhe vem à mão, mesmo sendo contra tudo o que defende.

As críticas desinformadas – 4
Quando foi lançado, o Fome Zero nem podia ser tratado como programa. Era um amontoado de iniciativas caóticas cerca de slogans vazios. O objetivo seria mobilizar a sociedade para receber ajuda, sem nenhuma preocupação com logística de distribuição, com levantamentos estatísticos. Não havia a preocupação mínima de integrar o auxílio com educação, meio social. Não gerou sequer um documento expondo qualquer filosofia.

As críticas desinformadas – 5
Todo defeito que Merval vê na BF era constitutivo do tal Fome Zero. E as principais críticas ao Fome Zero vinham justamente dos economistas “focalistas”, aqueles que em geral são mais acatados nos círculos políticos que Merval frequenta. Na época, defendia-se a focalização como maneira de focar os gastos nos mais necessitados, evitando desperdícios. A crítica contrária era a dos universalistas – que queriam políticas sociais para todos.

As críticas desinformadas – 6
O que o BF fez foi incorporar toda a ciência dos indicadores dos focalistas, montar sistemas exemplares de acompanhamento e avaliação, e universalizar o atendimento a todos os miseráveis. É essa visão, amarrada a metodologias de primeiro nível, que a transformou em modelo universal de políticas sociais, perseguido por países africanos, asiáticos, por ONGs europeias e norte-americanas.
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