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sábado, 23 de junho de 2012

O purismo e o verdadeiro Maluf

A estratégia era clara demais para comportar tergiversações. O Maluf atual, aquele que merece combate, aquele que é conhecido pelos métodos fascistas de lidar com adversários e movimentos sociais, atende por outro nome: José Serra. Será preciso desenhar?

- por Gilson Caroni Filho*, na Agência Carta Maior

O "Coiso" na Veja: esse é o novo Maluf
Ao firmar acordo com o deputado federal Paulo Maluf (PP), se deixando fotografar com seu adversário histórico, o ex-presidente Lula produziu a perplexidade que dominou, no primeiro momento, setores do próprio campo progressista. O debate que se seguiu foi - e é da maior seriedade - e da maior gravidade.

O purismo tem que despertar da frívola ciranda para a dura realidade do mundo adulto, do universo das relações reais entre pessoas e partidos. O erro maior de quase todos os revolucionários brasileiros, do século XIX em diante, foi não apenas ter frequentemente cometido equívocos nas análises das condições objetivas, mas também no exame da condição subjetiva fundamental, que é o alheamento político a que um modelo de exploração desigual submeteu nosso povo. A exclusão de processos decisórios torna-o cético diante do que não sabe, enquanto a classe dominante dá o exemplo com sua atitude invariavelmente cínica.

Analistas políticos que não percebem bem o que acontece por um misto de má-fé e preguiça mental - resultante da partidarização da imprensa e da academia - pontificaram sobre a logística comandada por Lula. E, triste, foram endossados por setores que se apresentam como a "esquerda autêntica". O papel de um operador político do quilate do ex-presidente é semelhante ao do regente de uma orquestra. Não faz a música, mas dá o compasso, define a harmonia do conjunto e tira de cada instrumento o som mais adequado.

Não pode ser confundido com alguém ocupado em arranjos paroquiais para colocar seu candidato em uma posição mais confortável. Não deve ser tratado como bufão que faz parte do espetáculo, mas não é bem-visto na peça. Não lhe faz justiça a roupagem de um Moisés a quem cabia levar seu povo à terra prometida, mas terminou por preferir ser adorador de um bezerro de ouro.

Não houve vacilações ou atitudes opacas, mas perfeito tino da logística requerida pela dinâmica política. A estratégia era clara demais para comportar tergiversações:aliança com ex-prefeita Erundina e o PSB, à esquerda, para garantir o apoio dos socialistas e neutralizar os descontentamentos do grupo ligado à senadora Marta Suplicy. Aliança com Maluf, à direita, para neutralizar parte do PSD de Kassab. Um tabuleiro sobre o qual havia que se debruçar meticulosamente, sem pruridos de uma ética de algibeira.

Esses apoios levariam o candidato do PT ao segundo turno até por que o partido tem históricos 30% dos votos na capital e, à exemplo de Dilma, a rejeição do Fernando Haddad é muito pequena em São Paulo. Para isso seria necessária a manutenção das candidaturas de Russomano e de Netinho, até então provável candidato do PC do B no primeiro turno. No segundo turno, ainda teríamos agregado o apoio de Chalita, do PMDB Apenas assim se conseguiria derrotar a máquina eleitoral do estado e do município de São Paulo pró- Serra, que tem cerca de 30% de rejeição dos eleitores na capital.

Pelo visto , faltou combinar com uma geração que gosta do suicídio político para expiar culpas sociais. Faltou dizer que o Maluf atual, aquele que merece combate, aquele que é conhecido pelas falcatruas e pelos métodos fascistas de lidar com adversários e movimentos sociais, atende por outro nome: José Serra. Será preciso desenhar?

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

6 comentários:

Anônimo disse...

sr. andré lux,
mais respeito!
o candidato tem nome e não é coiso!
favor colocar o nome correto:
çérra45 (vice índio).
emerson57

Ignez disse...

Teve gente que disse: "Erundina venceu!" Mas, uma nordestina sofrida e pobre, que conseguiu obter um diploma superior, e que trabalha prestando um mínimo de assistência social a uma população sofrida de um município paulista,respondeu: "Mas o povo perdeu!". Os 'esquerdistas autênticos' - como se denominam -dizem que primeiro é preciso que o povo tenha consciência. O discurso cheio de salamaleques academicistas, preconceituoso e enganoso faz páreo com a mídia patrimonialista tupiniquim que desinforma e aliena. Sou mais a nordestina pobre que só quer desbancar os demotucanos por não aguentar mais a exploração que gera sofrimento ao trabalhador e às suas famílias. Essa nordestina pobre - menosprezada pela "esquerda academicista autêntica" - merece o meu respeito e o reconhecimento de sua abedoria simples, construída em um contidiano massacrante. Fica explícito no golpe-renúncia de Erundina a vaidade, o personalismo e uma "ética" afeita mais aos discursos de Demóstenes Torres. Viva a sabedoria popular que elegeu Lula e Dilma!

ruy garcia disse...

Comentário de José Roberto Torero, publicado na Agência Carta Maior, ao lamentável texto do Caroni.
"Acho lamentável quando um argumento começa não com a oposição a outro argumento, mas contra os argumentadores. E foi assim que começou o texto de Gilson Caroni, tentando destruir quem tem uma ideia contrária à dele. Gilson classificou as pessoas que não aceitam a aliança do PT paulista com Maluf como “puristas”, como crianças que não despertaram para “a dura realidade do mundo adulto”, como analistas políticos de má fé ou preguiçosos. Geralmente este tipo de ataque, acontece quando não se tem uma boa ideia para defender. É algo como “Olhem só como são ruins este que não pensam certo como eu”. E realmente a aliança com Maluf é difícil de defender. Primeiro por uma questão matemática. Se Gilson afirma que o PT tem historicamente 30% dos votos, automaticamente, e sem Maluf, Haddad já está no segundo turno, a não ser que tenhamos dois candidatos com improváveis 35%. Também acho uma luta vã tentar dizer que não se trata de um arranjo paroquial para colocar Haddad em uma posição mais confortável. O que seria então? Um desejo de governar com Maluf? De aproveitar a sua experiência? Ora, ora... Não vamos transformar uma jogada claramente eleitoral num “perfeito tino da lógica”. Mesmo porque não houve nada de perfeito nesta aliança. Tanto que perdeu-se uma ótima candidata a vice. Lula foi apressado. Não preparou os ouvidos de Erundina para a aliança com Maluf e fez a aliança com Maluf, não com o PP. Ou seja, não houve um debruçar meticuloso sobre o tabuleiro como diz o colunista. Houve uma atitude afobada. Se a aliança com Maluf tivesse sido uma ação realmente inteligente, não teria perdido Erundina e não precisaria deste texto e de tantos outros para defendê-la."

Sandra disse...

Parabéns ao Gilson Caroni pelo excelente texto. Sem dúvida a ultra esquerda ainda não entendeu que o Brasil precisa da realpolitik para avançar. Azar deles!!

Anônimo disse...

'Perto do Lula, sou comunista', diz Maluf

Pivô da polêmica aliança PT-PP, ex-prefeito afirma que petista defende banqueiros com muito mais vontade que ele

Segundo o pepista, José Serra esteve duas vezes em sua casa para negociar apoio, mas a conversa não deu certo

MÔNICA BERGAMO
FOLHA de SÃO PAULO 26/06/2012

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP) recebeu a Folha ontem em seu escritório para mostrar as fotos de seu calendário com autoridades internacionais, como o papa João Paulo 2º e os ex-presidentes americanos George Bush e Bill Clinton.

Falou também da já célebre imagem com o ex-presidente Lula em sua casa e do apoio ao candidato do PT, Fernando Haddad, à prefeitura. Um resumo da conversa:

A foto
O que teve foi o seguinte: a mídia toda foi furada, inclusive a Folha. Publicavam sempre que o PP já estava fechado com o PSDB. Mas eu nunca fui consultado. Mandei aviso à imprensa de que, naquele dia, anunciaria em minha casa o nome de quem iria apoiar.
Quando abriu o portão, [os jornalistas] encontraram a mim e ao Lula. [rindo] Se sentiram provavelmente desinformados. Caiu o mundo.
Mas não caiu mundo nenhum. Em 2002, nós apoiamos o Lula [para presidente] e o [José] Genoino [candidato a governador de SP] no segundo turno. Em 2004, apoiei a Marta [Suplicy, candidata a prefeita].

Marta Suplicy
Ela não reclamou do meu apoio [em 2004], ficou feliz da vida. Nunca ouvi ela falar mal de mim. Mas eu entendo a Marta. Ela julgava que seria candidata a prefeita [neste ano]. Se fosse, ela teria sido agraciada com nosso apoio.

Apoio a José Serra
O Serra esteve em casa duas vezes -uma delas, há três semanas, com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que é meu amigo. Conversamos sobre tudo. Mas não deu certo [o acordo com o PSDB]. O Serra é bem vindo na minha casa dez vezes. Mas eu não sou eu, eu sou um partido. Tem deputados federais, estaduais, vereadores.

Gabriel Chalita
Da mesma maneira o Chalita [candidato do PMDB a prefeito] é bem vindo. Ele almoça em casa, janta em casa, está sempre comigo em Brasília. O Chalita é amigo da gente.

Lula constrangido
Fechado o acordo com o PT, fizemos um almoço em casa, algumas pessoas compareceram. E o Lula foi convidado. Constrangido? Ao contrário, ele estava alegre e feliz. Eu que inibi o presidente, 'não fala, presidente', por causa do problema na garganta.

Antigos adversários
Quem mudou? O Lula assumiu em 2003 sob a desconfiança de que era um Fidel Castro brasileiro. Achava que ele tinha que ter estágio no governo brasileiro até para o povo se decepcionar com ele. Mas, da maneira que exerceu a Presidência, diria que ele está à minha direita. Eu, perto do Lula, sou comunista.
Eu não teria tanta vontade de defender os bancos e as multinacionais como ele defende. Quando ele tira imposto dos carros, tira da Volkswagen, da Ford, da Mercedes. Quando defende sistema bancário, defende quem? Os banqueiros.
Eu, Paulo Maluf, industrial, estou à esquerda do Lula. De modo que ele foi uma grata revelação do livre mercado, da livre iniciativa.

Dilma e Alckmin
Em 2014, a minha chapa vai ser Dilma [Rousseff] para presidente e Geraldo Alckmin para governador. Ela está sendo uma excepcional presidente, além de todas as expectativas. E Alckmin está sendo muito bom governador.
Somos parte do governo federal, através do Ministério das Cidades, e aqui em São Paulo, com dois diretores da CDHU [companhia habitacional]. Na Assembleia Legislativa, votamos com o governador. Acabou a eleição, o que interessa é que haja governabilidade.

Apoio aos tucanos
Apoiei o [Mario] Covas no segundo turno [ao governo em 1994]. Ele foi lá, na sede do PPB, pedir apoio. E ganhou por diferença tão pequena que, se eu estivesse do outro lado, perdia. Em 1998, apoiamos FHC, que teve 51%. Se não fosse meu apoio, ia para o segundo turno contra o Lula.

Anônimo disse...

Pois é... a gente não lê o lixo da Folha de vem encontrá-lo depositado aqui nos comentários do Tudo em riba.. Ctrl c + Ctrl V da Mônica Bergamo é de lascar... Mas parece que os trolls são bem vindos , não só neste como em outros espaços dos ditos blogs sujos... O texto do Caroni está excelente, mas é claro, os "autênticos esquerdistas", que ainda estariam chorando as pitangas até agora se não fossem as decisôes "do direitista" Lula - eles sim é que sabem das coisas... Que nem torcedor , todo mundo diz que o técnico é burro, mas se o time ganhar o cara vira gênio assim que o jogo termina... Um abraço e boa sorte...Lais Sao Paulo

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