terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reportagem da Record News sobre o esgoto da Veja

José Dirceu é responsabilizado por furacão Irene

Imagens do circuito interno do inferno mostram o momento exato em que José Dirceu convence o cantor Prince a cancelar seus shows no Brasil

- por The Piauí Herald

INFERNO – Em franca hiperatividade facinorosa, José Dirceu foi flagrado ontem ameaçando membros da base aliada com uma foice emprestada do MST ao mesmo tempo em que alterava os ventos da costa norte-americana. "Dirceu direcionou o furacão Irene para Nova York com o claro intuito de pressionar a ONU a se posicionar em favor de Kadafi. A tormenta só perdeu força quando Obama aceitou contratar os seus serviços de consultoria", explicou o blogueiro Romualdo Azeredo.

Na semana passada, jornalistas já haviam fotografado o ex-ministro da Casa Civil retirando os parafusos da placa tectônica que dá sustentação à costa leste dos Estados Unidos. “Como se veria depois, naquela mesma semana estavam reunidos nos EUA os presidentes dos maiores bancos centrais do mundo, e Dirceu quis abalar o sistema financeiro internacional”, prosseguiu Azeredo.

"Há seis meses, havíamos flagrado o capiroto do PT fazendo marola na direção de uma usina nuclear do Japão. Como se sabe, há muitos japoneses no Brasil e a maioria deles vota em Dilma", explicou Assis Francis Nunes, repórter de uma revista investigativa. “Dirceu estava passando um recado.”

Fontes do serviço de informação do Zimbábue citadas pela revista garantem que o ex-Ministro da Casa Civil vem recebendo atores de malhação, pôneis malditos, duplas sertanejas e fãs da banda adolescente Restart numa tenda montada sobre uma estrela de cinco pontas em Brasília. "O local tem forte cheiro de enxofre, é decorado com crânios de filhotes de panda e o pior: dizem que propaga o comunismo", garantiu Assis.

Dirceu também seria responsável por convencer o sobrinho de Ayrton Senna a retornar à Fórmula Um. “Com isso, Dirceu alcançou o seu objetivo malfazejo de trazer Galvão Bueno de volta à tevê”, indignou-se o filósofo Luiz Felipe Pondé.

Durante o dia de ontem, que passou espetando crianças órfãs com um tridente, Dirceu foi acusado de produzir o CD de Susana Vieira, de ter sugerido as piadas de Cilada.com, de provocar a derrota do Corinthians, de afastar Steve Jobs da Apple e de não usar capacete nas suas aparições no Jornal Nacional.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Repórter não é Polícia; Imprensa não é Justiça

Não tenho procuração para defender o ex-ministro José Dirceu, nem ele precisa disso. Escrevo para defender a minha profissão, tão aviltada ultimamente pela falta de ética de veículos e profissionais dedicados ao vale-tudo de verdadeiras gincanas para destruir reputações e enfraquecer as instituições democráticas.

- por Ricardo Kotscho, jornalista, em seu blog

Ao voltar de Barretos (ver post anterior), o meu correio eletrônico já estava entupido de mensagens de amigos e leitores comentando e me pedindo para comentar a reportagem da revista "Veja" sobre as "atividades clandestinas" do ex-ministro José Dirceu, um dos denunciados no processo do "mensalão", que tramita no Supremo Tribunal Federal e ainda não tem data para ser julgado.

Só agora, no começo da tarde de segunda-feira, consegui ler a matéria. Em resumo, como está escrito na capa, sob o título "O Poderoso Chefão", ao lado de uma foto em que Dirceu aparece de óculos escuros e sorridente, a revista faz uma grave acusação:

"O ex-ministro José Dirceu mantém um "gabinete" num hotel de Brasília, onde despacha com graúdos da República e conspira contra o governo da presidente Dilma".

Para justificar a capa, a revista publica dez reproduções de um vídeo em que, além de Dirceu, aparecem ministros, parlamentares e um presidente de estatal entrando ou saindo do "bunker instalado na área vip de um hotel cinco-estrelas de Brasília, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas".

Nas oito páginas da "reportagem" _ na verdade, um editorial da primeira à última linha, com mais adjetivos do que substantivos _ não há uma única informação de terceiros que não seja guardada pelo anonimato do "off" ou declaração dos "acusados" de visitar o bunker de Dirceu confirmando a tese da "Veja".

Fiel a uma prática cada vez mais disseminada na grande mídia imprensa, a tese da conspiração de Dirceu contra o Governo Dilma vem antes da apuração, que é feita geralmente para confirmar a manchete, ainda que os fatos narrados não a comprovem.

Para dar conta da encomenda, o repórter se hospedeu num apartamento no mesmo andar do ex-ministro. Alegando ter perdido a chave do seu apartamento, pediu à camareira que abrisse o quarto de Dirceu e acabou sendo por ela denunciado à segurança do hotel Naoum Plaza, que registrou um boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial de Brasília, por tentativa de invasão de domicílio.

Li e reli a matéria duas vezes e não encontrei nenhuma referência à origem das imagens publicadas como "prova do crime", o primeiro dos mistérios suscitados pela publicação da matéria. O leitor pode imaginar que as cenas foram captadas pelas câmeras de segurança do hotel, mas neste caso surgem outras perguntas:

* Se o próprio hotel denunciou o repórter à polícia, segundo "O Globo" de domingo, quem foi que lhe teria cedido estas imagens sem autorização da direção do Naoum?

* Se foi o próprio repórter quem instalou as câmeras, isto não é um crime que lembra os métodos empregados pela Gestapo e pelo império midiático dos Murdoch?

* As andanças pelo hotel deste repórter, que se hospedou com o nome e telefone celular verdadeiros, saiu sem fazer check-out e voltou dando outro nome, para supostamente entregar ao ex-ministro documentos da prefeitura de Varginha, são procedimentos habituais do chamado "jornalismo investigativo"?

As dúvidas se tornam ainda mais intrigantes quando se lê o que vai escrito na página 75 da revista:

"Foram 45 horas de reuniões que sacramentaram a derrocada de Antonio Palocci e durante as quais foi articulada uma frustrada tentativa do grupo do ex-ministro de ocupar os espaços que se abririam com a demissão. Articulação minuciosamente monitorada pelo Palácio do Planalto, que já havia captado sinais de uma conspiração de Dirceu e de seu grupo para influir nos acontecimentos que ocorriam naquela semana (6,7 e 8 de junho, segundo as legendas das fotos) _ acontecimentos que, descobre-se agora, contavam com a participação de pessoas do próprio governo".

A afirmações contidas neste trecho provocam outras perguntas.

* Como assim? Quem do governo estava conspirado contra quem do governo?

* Por acaso a revista insinua que foi o próprio governo quem capturou as imagens e as entregou ao repórter da "Veja"?

* Por que a reportagem/editoral só publica agora, no final de agosto, fatos ocorridos e imagens registradas no começo de junho, no momento em que o diretor de redação da revista está de férias?

Só uma coisa posso afirmar com certeza, depois de 47 anos de trabalho como jornalista: matéria de tal gravidade não é publicada sem o aval expresso dos donos da empresa ou dos acionistas majoritários. Não é coisa de repórter trapalhão ou editor descuidado.

Ao final da matéria, a revista admite que "o jornalista esteve mesmo no hotel, investigando, tentando descobrir que atração é essa que um homem acusado de chefiar uma quadrilha de vigaristas ainda exerce sobre tantas autoridades (...) E conseguiu. Mas a máfia não perdoa".

Conseguiu? Há controvérsias... No elenco de nomes apresentados pela revista como frequentadores do "aparelho clandestino" de Dirceu, no entanto, não encontrei nenhum personagem que seja publicamente conhecido como inimigo do ex-ministro Antonio Palocci.

O texto todo foi construído a partir de ilações e suposições para confirmar a tese _ não de informações concretas sobre o que se discutiu nestes encontros e quais as consequências efetivas para a queda de Palocci.

Não tenho procuração para defender o ex-ministro José Dirceu, nem ele precisa disso. Escrevo para defender a minha profissão, tão aviltada ultimamente pela falta de ética de veículos e profissionais dedicados ao vale-tudo de verdadeiras gincanas para destruir reputações e enfraquecer as instituições democráticas.

É um bom momento para a sociedade brasileira debater o papel da nossa imprensa _ uma imprensa que não admite qualquer limite ou regra, e se coloca acima das demais instituições para investigar, denunciar, acusar e julgar quem bem lhe convier.

Diante de qualquer questionamento sobre as responsabilidades de quem controla os meios de comunicação, logo surgem seus porta-vozes para denunciar ameaças à liberdade de imprensa.

Calma, pessoal. De vez em quando, convém lembrar que repórter não é Polícia e a Imprensa não é Justiça, e também não deveria se considerar inimputável como as crianças e os índios. Vejam o que aconteceu com Murdoch, o ex-todo-poderoso imperador. Numa democracia, ninguém pode tudo.

Filmes: "O Planeta dos Macacos - A Origem"

MACACO BANAL

Lição de moral maniqueísta contra a ciência dilui qualquer pretensão maior desse prólogo de uma das maiores obras primas da ficção científica.

- por André Lux, crítico-spam

O “Planeta dos Macacos” original, de 1968, é considerado por muitos com uma obra prima da ficção científica no cinema. Seu impacto e sucesso na época foram tão grandes, principalmente pela conclusão que impressiona até hoje, que o filme deu origem a quatro continuações caça-níqueis (uma pior que a outra), uma série de TV e até uma refilmagem ridícula dirigida por Tim Burton recentemente.

Chega agora “Planeta dos Macacos – A Origem”, que os estadunidenses chamam de “prequel”, ou seja, uma espécie de prólogo do filme original. Só que se a gente pensar bem, o novo filme nada mais é do que uma refilmagem do terceiro episódio da série original, “A Conquista do Planeta dos Macacos”, que mostrava uma revolução simiesca liderada pelo filho de Cornélius e Zira.

Esse novo filme elege a ciência e sua busca por novas curas para doenças como os vilões da história. Assim, os macacos evoluem por causa de experiências feitas no laboratório de uma grande indústria farmacêutica, na qual os cientistas fazem o mal involuntariamente enquanto os homens de negócios são mostrados como gente sem qualquer escrúpulo.

O problema dessa abordagem é que esse é um conceito por demais complexo para ser pintado de forma tão maniqueísta. Tudo bem, mal tratar animais é algo abominável, assim como podemos questionar a ética de usá-los como cobaias em experiêncais. Todavia, quantas vidas foram salvas nos últimos séculos justamente por causa dessas experiências? No filme toda essa dualidade desaparece e, devido à abordagem preto-no-branco, somos forçados a torcer para os macacos em sua luta por liberdade, o que transforma o líder César numa espécie de Che Guevara símio, outro sinal da esquizofrenia de uma cultura flácida e escapista que, na vida real, trata o revolucionário argentino como um enviado do diabo. Ou seja, tudo bem você se identificar com a luta e torcer por personagens iguais a Guevara no cinema, mas nunca no mundo real!

Existem várias referências ao filme original, porém nenhuma delas é inteligente o suficiente para se tornar marcante (por que mostrar o ator Charlton Heston em uma imagem de filme na TV e não no embarque da nave que seria a usada pelos astronautas na obra de 1968?). Tecnicamente o filme é bem feito, tem uma direção segura, excelente edição e trilha musical adequada de Patrick Doyle (dos filmes de Shakespeare de Kenneth Branagh).

Os efeitos especiais também seguram bem o fato de serem macacos digitais, criados a partir da captura dos movimentos e expressões de atores humanos (Andy Serkis, que foi o Gollum na trilogia “O Senhor dos Anéis” dá vida ao protagonista César).

Porém, com uma lição de moral tão óbvia e maniqueísta, qualquer pretensão que o filme poderia ter acaba sendo diluída, transformando-o apenas em uma ficção científica banal e sem maiores consequências. Nem mesmo o final chega a ter qualquer impacto (sem dizer que é idêntico ao do filme "Os Doze Macacos"!) e deixa aberta a porta para continuações que certamente virão, já que o filme foi um grande sucesso de bilheteria e de crítica nos EUA.

De qualquer forma, nada supera a grandeza e o impacto, inclusive político, do filme original, dirigido por Franklin Schaffner que, entre outras qualidades, contém uma trilha musical incrivelmente inventiva e marcante do mestre Jerry Goldsmith. Vale mais a pena revê-lo.

Cotação: * * 1/2

Filmes: "Deixe-me Entrar"

UMA GRATA SURPRESA

Filme serve também de alerta para pais que não dão aos filhos a atenção necessária nesse mundo cada vez mais violento e individualista

- por André Lux, crítico-spam

O diretor Matt Reeves confirma seu talento para o gênero terror e suspense com o ótimo “Deixe-me Entrar”, que é uma refilmagem de um filme sueco de 2008. 

Totalmente diferente do sua obra anterior, “Cloverfield”, que possuía a estética frenética de algo que havia sido filmado durante a ação por um dos protagonista, “Deixe-me Entrar” é lento e investe na construção do suspense em cada fotograma, emoldurado por enquadramentos muito bem feitos.

A história gira em torno de duas crianças, sendo uma delas um vampiro, que iniciam uma amizade inusitada. Os atores mirins Kodi Smit-McPhee (do assustador “A Estrada”) e Chloe Moretz dão um show a parte em atuações precisas e muito bem dirigidas por Reeves. 

A luta pela aceitação é o tema básico do filme, já que ambas crianças tem dificuldade imensa em se inserir no mundo que as cerca. Uma delas é atormentada pela violência latente de um grupo de valentões no colégio e sofre também com o divórcio dos pais. A mãe, além de fanática religiosa, é totalmente ausente (ao ponto de nem vermos seu rosto durante o filme todo) fator que apenas aumenta ainda mais as inseguranças da criança.

A outra é uma criatura que vive em corpo de criança mas tem idade muito acima das aparências e necessita de sangue humano para viver. Aos poucos, vai nascendo uma amizade entre ambos, enquanto eventos trágicos vão se acumulando durante a projeção. 

Apesar de ser sobre vampiros, o filme não prioriza as cenas de violência ou de efeitos sanguinolentos, preferindo investir num clima sombrio e trágico, que vai aumentando à medida que a trama avança – no que a trilha musical discreta e assombrosa de Michael Giacchino ajuda muito.

Num gênero que caminha a passos largos para a saturação, “Deixe-me Entrar” é uma grata surpresa e serve também de alerta para pais e mães que não dão aos filhos a atenção necessária para garantir sua proteção nesse mundo cada vez mais violento e individualista no qual vivemos.

Cotação: * * * *

domingo, 28 de agosto de 2011

A Polícia Federal já está no caso da Veja e Hotel Naoum


- por Conceição Lemes, no Vi o Mundo

O principal cenário da “denúncia” da Veja desse final desse final de semana é o Hotel Naoum, em Brasília. Nele, segundo a revista, José Dirceu tem um “gabinete” instalado, onde “o ex-ministro recebe autoridades da República para, entre outras atividades, conspirar contra o governo Dilma.”

A matéria traz uma sequência de dez fotos tiradas do andar em que fica o apartamento de José Dirceu. Numa delas, aparece o próprio. Nas demais, ministros, deputados, senadores que lá estiveram. Por isso, entrevistei há pouco Rogério Tonatto, gerente geral do hotel.

Viomundo — No seu ramo de negócio, privacidade é vital. A do Naoum, porém, foi quebrada com a reportagem da Veja. O senhor não teme que, por isso, clientes deixem de se hospedar no seu hotel?

Rogério Tonatto — Eu não acredito, não, porque todo mundo conhece a nossa respeitabilidade. O hotel tem 22 anos, é considerado o melhor da cidade. É o hotel que mais recebeu comitivas oficiais em todo o país, da Princesa Diana a Fidel Castro. São mais de 150 comitivas oficiais.

O que foi feito aqui é uma coisa criminosa, que a gente repudia. Nós estamos realmente chocados, pois temos uma história muito forte com a cidade. Não vamos deixar que episódio isolado como esse abale o nome do hotel.

Viomundo – Acha mesmo que não vai ter repercussão na sua clientela? As fotos exibidas na Veja demonstram que a privacidade do seu cliente está em risco.

Rogério Tonatto – A privacidade de clientes está sob risco em qualquer lugar do mundo. O que fizeram no hotel é um crime. Aliás, muitos clientes têm-nos ligado para prestar solidariedade, dizendo que o hotel não merece isso.

Viomundo – O senhor sabe como foram feitas as imagens?

Rogério Tonatto — A gente não sabe ainda com certeza, pois a questão está sob investigação. A nossa suspeita é de que essa câmera foi plantada. Achamos que não saíram do circuito interno do hotel.

Viomundo — Não saíram mesmo do circuito interno?

Rogério Tonatto — Nós estamos investigando. Mas tudo indica que não. Até porque a maioria dos nossos funcionários tem muito tempo de casa, são pessoas comprometidas com o hotel. Eu sinceramente não acredito que possa ter saído de forma inconseqüente do hotel. Nisso, a gente está bem tranqüilo.

Já falamos com todos os funcionários, a começar pelo pessoal de segurança. Está todo mundo muito chateado, muito perplexo. São pessoas que têm um carinho muito grande pelo empreendimento. Você não tem noção do que a gente realmente está passando…

Viomundo – É possível dizer com 100% de certeza que as fotos não foram tiradas do seu sistema de segurança?

Rogério Tonatto – Neste instante, não tenho condições de precisar 100%. A principal hipótese é a de que uma câmera tenha sido plantada no hotel. A gente trabalha mais com essa hipótese.

Viomundo – A sua equipe tem condições de avaliar se as imagens saíram ou não do circuito interno, não tem?

Rogério Tonatto – Tem, sim, e já detectaram algumas diferenças em relação às fotos publicadas. Por exemplo, são horas diferenciadas em relação às presenças das pessoas citadas. Mas isso a Polícia Civil de Brasília e a Polícia Federal estão apurando. Agora, é precipitado eu falar mais coisas. Não quero atrapalhar a investigação. O que eu posso dizer é que vamos apurar todo esse delito até o final.

Viomundo — Tem ideia de quem teria filmado o andar do apartamento do ex-ministro José Dirceu?

Rogério Tonatto — Não temos a menor ideia. Sabemos que um repórter esteve lá, que tentou invadir um dos apartamentos. Prontamente nosso staff não deixou. É um staff bem preparado, conseguiu detectar a tentativa de invasão. Demos queixa na polícia. Enfim, tomamos todas as medidas que medidas que tem de ser adotadas nessas circunstâncias.

Esse é um caso que tem de ser apurado pela polícia especializada, porque a gente não compartilha com esse tipo de conduta, independentemente de quem seja o cliente.

Viomundo – O senhor disse que a Polícia Federal está apurando o caso…

Rogério Tonatto — A Polícia Federal foi acionada, está tomando providências, já está no caso, assim como a Polícia Civil. Elas já estão no encalço de quem cometeu esse crime. Nós estamos trabalhando em todas as frentes para que ele seja solucionado o mais rapidamente possível.

Viomundo — Que medidas o hotel vai tomar em relação à Veja?

Rogério Tonatto – Amanhã às 9 horas da manhã já temos uma reunião agendada com os nossos advogados. Neste momento, não tenho condições de dizer se a gente a vai processar a Veja. Não sou competente na área, preciso de orientação jurídica sobre as medidas a serem tomadas.

Viomundo – Quem vai pagar os prejuízos do hotel, já que a imagem dele foi manchada?

Rogério Tonatto — Nós estamos realmente indignados e preocupados com tudo isso. Mas uma coisa garanto: alguém vai pagar. Não sei lhe precisar quem neste momento, mas alguém vai pagar. Vamos tomar todas as medidas para que esse episódio não fique impune. Nós estamos muito seguros da nossa importância. E o hotel não merece um espetáculo criminoso como este.

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Veja e o crime: O Poderoso Pastelão

- por pagina2

1. Operação Portugal é um código interno da Folha. Reportagens encomendadas pelo falecido seu Frias tinham essa alcunha. Era a matéria do dono do jornal. Ruim ou boa, com ou sem fatos, teria que sair. A revista Veja desta semana cometeu uma Operação Portugal. Na tentativa de publicar uma matéria contra o ex-ministro José Dirceu, meteu os pés pelas mãos, fez uma lambança danada e pode ter cometido vários crimes pelo caminho. Primeiro, tentativa de invasão de domicílio, em seguida estelionato, compra (ou tentativa) de correspondência violada. Como provavelmente os editores da revista sabiam das tentativas do repórter Gustavo Nogueira Ribeiro, inclui-se formação de quadrilha. À lista pode crescer. Veja acusa o Hotel Nahoum de incriminar Nogueira injustamente, instado por Dirceu. Neste caso, Veja afirma que o Hotel fez uma falsa comunicação de crime.

2. A tentativa, de tão patética, lembrou o assalto em 1980 à uma agência do Bradesco na Avenida Paulista. O plano, proposto por um amalucado que teria uma “denúncia” contra a Eletronorte foi bancado pelo jornal. O chefe de reportagem na época não só despachou uma equipe junto com o assaltante, como pagou o taxi que levou o doido até a porta do Bradesco.

3. A farsa da matéria que tentou desmascarar José Dirceu como “homem que age nas sombras de Brasília” começou a se desfazer no ar quando o ex-ministro de Lula denunciou a tentativa de invasão de seu quarto no Hotel Nahoum pelo repórter Gustavo Nogueira Ribeiro. O que saiu na Veja desta semana é ruim de doer. A revista conseguiu a proeza de fazer um relato da agenda de Dirceu, dos deputados e senadores que ele recebe em Brasília. Se isso é crime, os jantares na casa do Andreas Matarazzo também o são.

4. Na tentativa de conseguir algo mais concreto que as “amizades” de Dirceu para bancar o lead da matéria, segundo o boletim de ocorrência, Gustavo teria tentado dar um passa moleque na camareira dizendo que havia se hospedado no quarto pertencente a Dirceu e perdera a chave. Diante da insistência do repórter a camareira checou a lista de hóspedes. Enquanto a camareira acionava a segurança, Gustavo deixou o hotel. O boletim não é claro o suficiente, mas, ao que tudo indica, Gustavo voltou mais tarde e hospedou-se em um quarto ao lado do de Dirceu, mas deixou o hotel sem fazer check-out ou pagar a conta. Neste caso, hospedar-se em hotel e deixar o quarto sem pagar conta caracteriza crime de estelionato.

5. O Hotel também não é santo nesta história. Além de deixar uma pessoa que não é hospede circular pelos seus corredores sem ser notado, ainda vazou imagens do circuito de câmeras que mostra Dirceu e os senadores petistas Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Faria. Afinal as câmeras são usadas para segurança e não para espionagem. Mesmo cooperando com a revista, a máfia não perdoa, como lembra Veja no final de sua reportagem. A revista acusa o Hotel de ter comunicado um falso crime – a tentativa de invasão do quarto de Dirceu – para defender o cliente. Segundo a revista, o Hotel, instado pelo sócio de Dirceu levou o repórter, que apenas fazia seu trabalho, à polícia. Temos mais um delito: falsa comunicação de crime.

6. Mas o mais grave foi descoberto devido à inépcia de Gustavo. O repórter da Veja passou por normas básicas da reportagem. Fez contato via twitter com Douglas Lopes. “@douglaslopesweb Sou repórter da Veja. Preciso conversar com você. Qual seu email?”.


Malandro é malandro. Douglas, depois de algum tempo, tuita sem dizer com qual arroba está falando: “Meu Gmail é esse: douglaslopesweb@gmail.com Quem quiser add no gtalk e pegar algum suporte. Se quiser mandar virus tb adoro testar vírus”.


7. Douglas Lopes é evangélico e hacker. Jovem da periferia de Brasília, ele invadiu (não sem ajuda do UOL) e copiou 25 mil e-mails do ex-ministro José Dirceu e tentou vender as informações à oposição. Mais uma vez, malandro é malandro. Segundo a IstoÉ de 1 de julho, o “hacker procurou o ex-deputado Alberto Fraga, presidente do DEM do Distrito Federal, para vender sua muamba por R$ 300 mil. Antes, ele teria procurado líderes do PSDB e oferecido o material por um valor superior”.

8. Fraga é mais malandro que Douglas. Segundo ele, quando recebeu o rapaz no dia 9 de junho em Brasília, viu alguns emails de Dirceu e da presidente Dilma Roussef e gostou da história. Faria a república tremer. Mas Fraga é ex-deputado. Ex não tem foro privilegiado, não tem imunidade. Estaria recebendo o material, fruto de roubo e quebra de sigilo e seria cúmplice do crime.

9. Como na escala darwiniana de manés e malandros de Brasília o repórter da Veja está mais para plâncton, mesmo com a PF na cola de Douglas, Gustavo Nogueira Ribeiro procurou o hacker. Certamente queria dele os 25 mil emails de Dirceu. Se Gustavo não esperava ter o material de Dirceu nas mãos, na semana em que tentou invadir o quarto do ex-ministro, teria ele ido apenas tomar café com Douglas? Supostamente não. Esperava lá encontrar lastro para a matéria de capa da Veja desta semana.

10. Se a PF não começou a investigar o repórter da Veja, uma vez que o crime de tentativa de invasão de domicílio tem um menor poder destrutivo e estar circunscrito na esfera da Polícia Civil do DF, há bons e novos argumentos para enquadrar Gustavo Nogueira Ribeiro em uma investigação. Douglas, o hacker pobre e evangélico, não copiou somente emails de Dirceu. O ex-deputado do DEM admitiu ter visto emails pessoais da presidenta Dilma. Dirceu não tem foro, mas, no caso da presidenta, trata-se de uma questão de segurança nacional.

11. Mais, a PF pode ter em seu poder material suficiente para enquadrar o repórter da Veja, uma vez que Douglas está sob investigação federal.

12. No assalto ao Banco Bradesco, cometido em mancomuno com jornalistas do Estadão, o chefe de reportagem, e mentor do “furo” virou um zumbi na redação. De setor em setor, até ser demitido, havia os que nem lhe falavam bom-dia. A máfia não perdoa. Especialmente os manés.

sábado, 27 de agosto de 2011

O ponto sem retorno de Veja

Veja hoje é uma ameaça direta ao jornalismo da Folha, Estadão, Globo, aos membros da Associação Nacional dos Jornais, a todo o segmento da velha mídia, por ter atropelado todos os limites. Sua ação lançou a mancha da criminalização para toda a mídia.

- por Luis Nassif, em seu blog

Veja chegou a um ponto sem retorno. Em plena efervescência do caso Murdoch, com o fim da blindagem para práticas criminosas por parte da grande mídia no mundo todo, com toda opinião esclarecida discutindo os limites para a ação dá mídia, ela dá seu passo mais atrevido, com a tentativa de invasão do apartamento de José Dirceu e o uso de imagens dos vídeos do hotel, protegidas pelo sigilo legal.

Até agora, nenhum outro veículo da mídia repercutiu nenhuma das notícias: a da tentativa de invasão do apartamento de Dirceu, por ficar caracterizado o uso de táticas criminosas murdochianas no Brasil; e a matéria em si, um cozidão mal-ajambrado, uma sequência de ilações sem jornalismo no meio.

Veja hoje é uma ameaça direta ao jornalismo da Folha, Estadão, Globo, aos membros da Associação Nacional dos Jornais, a todo o segmento da velha mídia, por ter atropelado todos os limites. Sua ação lançou a mancha da criminalização para toda a mídia.

Quando Sidney Basile me procurou em 2008, com uma proposta de paz – que recusei – lá pelas tantas indaguei dele o que explicaria a maluquice da revista. Basile disse que as pessoas que assumiam a direção da revista de repente vestiam uma máscara de Veja que não tiravam nem para dormir.

Recusei o acordo proposto. Em parte porque não me era assegurado o direito de resposta dos ataques que sofri; em parte porque – mostrei para ele – como explicaria aos leitores e amigos do Blog a redução das críticas ao esgoto que jorrava da revista. Basile respondeu quase em desespero: "Mas você não está percebendo que estamos querendo mudar". Disse-lhe que não duvidava de suas boas intenções, mas da capacidade da revista de sair do lamaçal em que se meteu.

Não mudou. Esses processos de deterioração editorial dificilmente são reversíveis. Parece que todo o organismo desaprende regras básicas de jornalismo. Às vezes me pergunto se o atilado Roberto Civita, dos tempos da Realidade ou dos primeiros tempos de Veja, foi acometido de algum processo mental que lhe turvou a capacidade de discernimento.

Tempos atrás participei de um seminário promovido por uma fundação alemã. Na mesa, comigo, o grande Paulo Totti, que foi chefe de reportagem da Veja, meu chefe quando era repórter da revista. Em sua apresentação, Totti disse que nos anos 70 a revista podia ser objeto de muitas críticas, dos enfoques das matérias aos textos. "Mas nunca fomos acusados de mentir".

Definitivamente não sei o que se passa na cabeça de Roberto Civita e do Conselho Editorial da revista. Semana após semana ela se desmoraliza junto aos segmentos de opinião pública que contam, mesmo aqueles que estão do mesmo lado político da publicação. Pode contentar um tipo de leitor classe média pouco informado, que se move pelo efeito manada, não os que efetivamente contam. Mas com o tempo tende a envergonhar os próprios aliados.

Confesso que poucas vezes na história da mídia houve um processo tão clamoroso de marcha da insensatez, como o que acometeu a revista.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Quem vence na Líbia? O “povo”? Os “rebeldes”?

- Por Antonio Luiz M. C. Costa, na CartaCapital


Repete-se há seis meses que “a queda de Kaddafi é iminente”, mas com grande parte de Trípoli nas mãos dos revoltosos, inclusive o complexo de governo, pode-se finalmente acreditar nessa frase sem correr o sério risco de superestimar a competência dos rebeldes. Demonstrado, mais uma vez, na noite de 22 de agosto. Todas as mídias anunciaram a captura de Saif al-Islam, filho e principal porta-voz de Kaddafi, supostamente confirmada pelo Tribunal Penal Internacional, mas ele apareceu num hotel cheio de jornalistas, dirigindo seu próprio carro, para assegurar que controlava a cidade e “escorraçaria as ratazanas”. Muhammad, o filho mais velho também “capturado”, escapou à prisão, segundo os rebeldes. Faz lembrar a frase feita sobre pessoas a quem não se deve dar duas tartarugas para cuidar ao mesmo tempo.

Em todo caso, o regime que dominou a Líbia por 42 anos foi derrotado. Menos pela “primavera árabe”, neste caso pouco mais que pretexto, do que pela intervenção direta dos EUA e seus aliados sob a folha de figueira do mandato da ONU para “proteger os civis” por meio de uma zona de exclusão aérea. Foram decisivos não só os ataques diretos dos aviões e navios da OTAN às tropas e instalações civis e militares de Kaddafi, como também a participação discreta, em terra, de conselheiros e instrutores militares da SAS (Special Air Service, força especial secreta do exército britânico) e de espiões do MI-6 no planejamento das ofensivas militares. Sem isso, a rebelião, ao que tudo indica, teria sido destroçada há meses.

Mas quem venceu? “Os rebeldes” é uma resposta que, além de ingênua, não quer dizer muita coisa. A oposição a Kaddafi é um saco de gatos que inclui monarquistas pró-ocidentais do antigo regime, islamistas originados da Al-Qaeda (como reconhece a própria OTAN), socialistas e empresários, além de muitas figuras importantes do regime teoricamente deposto. Os conflitos internos foram brutais mesmo durante a luta, como mostrou o assassinato do ex-ministro do Interior de Kaddafi e comandante militar rebelde Abdul Fatah Younis em 28 de julho, supostamente por rebeldes islamistas. Deixados a si mesmos, os rebeldes estariam prontos para outra rodada de guerra civil.

A vitória, por enquanto, pertence aos norte-americanos e europeus, que tentarão colher os louros na forma de petróleo. Os rebeldes já deram várias indicações de que os premiarão com contratos e concessões e punirão as estatais da Rússia, China e Brasil, países que se recusaram a apoiá-los e romper com Trípoli. Assim, uma leitura possível é que as velhas potências do Atlântico Norte tenham vencido a primeira batalha de uma nova guerra fria, que as opõe aos BRICS. Se consolidarão essa vitória, só o tempo dirá: o Afeganistão e o Iraque mostraram que uma invasão bem-sucedida é apenas o começo de uma longa dor de cabeça.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Jundiaí: uma cidade dominada pelo medo


Infelizmente a Folha do Japi não será mais impressa e distribuída pela cidade. Durante esses quatros meses, tentamos levar até a população de Jundiaí informações, questionamentos e debates sobre temas que raramente são abordados pelo restante da mídia local. Mostramos que nossa cidade está muito longe de ser essa “Ilha da Fantasia” que o governo do PSDB, que já está há 20 anos no poder, tenta vender por meio de caríssimas peças de marketing – inclusive durante o horário nobre da rede Globo, um dos mais caros do planeta.

Nesse período, a Folha do Japi recebeu inúmeras mensagens de apoio e carinho, bem como ofertas de ajuda inclusive na distribuição do jornal. Mas, lamentavelmente, foi no aspecto financeiro que a coisa desandou. Mantido com recursos próprios e com pequenas contribuições dos poucos anunciantes que ousaram comprar um espaço no jornal, chegamos a um ponto em que não havia mais condições de manter a publicação do jornal.

E é ai que se revela o aspecto mais triste dessa história: muita gente que prometeu ajudar o jornal comprando espaço para publicidade desistiu da ideia quando percebeu que a Folha do Japi primava por manter uma postura firme e crítica frente ao poder público local. A justificativa para a desistência? Medo.

Sim, isso mesmo. Medo de sofrer represálias desse mesmo poder público. Inclusive, é preciso dizer, alguns de nossos anunciantes sofreram ameaças anônimas por terem aparecido em nossas páginas! Isso sem falar nos donos de bancas que receberam, logo no início da distribuição da Folha do Japi, uma carta com ameaças veladas feitas pelo maior distribuidor de jornais e revistas da cidade. A quem será que interessa ameaçar anunciantes e donos de bancas só porque compraram espaço publicitário e distribuíram um jornal que manteve postura independente e não alinhada com a propaganda oficial do governo tucano? Isso não podemos responder, infelizmente.

E nem vamos aqui falar das inúmeras falsas acusações, ameaças e difamações feitas contra o jornal e seus colaboradores - proferidas inclusive por funcionários de cargo comissionado da Prefeitura de Jundiaí durante o horário de expediente de trabalho nas redes sociais. Esse descaramento e falta de respeito aos valores democráticos e republicanos já nem impressiona mais ninguém.

Todos esses fatos lamentáveis demonstram que, apesar de já estarmos em pleno século 21, em Jundiaí ainda vivemos num clima antidemocrático, de terror e de ataques à liberdade de expressão que remetem aos períodos mais obscuros da ditadura cívico-militar que tomou o Brasil de assalto no golpe de estado de 1964 e durou 22 amargos anos, durante os quais centenas de homens, mulheres e até crianças foram presos, torturados e mortos simplesmente por discordarem dos “coronéis” de plantão.

Assim, incapaz de continuar arcando com os custos da produção impressa do jornal, a Folha do Japi vai continuar existindo apenas virtualmente, aqui no blog, nas redes sociais e nas inúmeras listas de e-mails que os cidadãos com caráter progressista da cidade possuem. Vamos tentar, quando possível, imprimir edições especiais do jornal quando houver algum tema de grande pertinência.

Perdemos uma batalha, é verdade. Mas não perdemos a guerra. Na verdade, quem sai perdendo mesmo é justamente a população de Jundiaí, que a partir de agora será privada de obter informações que mostram o outro lado da moeda da realidade local e também de conhecer opiniões que não se alinham com o que vende como “verdade única” a imprensa local e as milionárias peças de publicidade do governo do PSDB.

Entretanto, saímos com as cabeças erguidas e cientes de ter feito um bom trabalho, fato que pode ser medido facilmente pelo nível de ódio e de desespero das campanhas de difamação feitas contra o jornal por pessoas incivilizadas e de sem caráter que não aceitam ser contraditas ou sequer questionadas.

Dizem que o caráter de uma pessoa pode ser medido pelo tipo de amigos e inimigos que ela tem. Se for assim, a Folha do Japi e todos aqueles que ajudaram esse sonho a se tornar realidade, mesmo que por um breve período de tempo, tem um excelente caráter.

E vamos em frente, porque amanhã vai ser outro dia...

Obrigado a todos.

- André Lux, editor da Folha do Japi

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Filmes: "Super 8"

**ATENÇÃO: Essa crítica contém spoilers!**

SEM MAGIA

Roteiro mais furado que queijo suiço e repleto de absurdos detona pretensão de capturar o espírito dos filmes de aventura dos anos 80

- Por André Lux, crítico-spam

"Super 8" é uma tentativa do diretor J.J. Abrams (da série "Lost" e do novo "Star Trek") de reviver a época mágica dos filmes de aventura e ficção que fizeram a festa da garotada nos anos 80. Não é a toa que Steven Spielberg atua na produção.

Mas a receita desandou nessa espécie de "Os Goonies encontram E.T." que contém todos os ingredientes (ou clichês) que ajudaram a fazer o sucesso dos filmes originais (como dramas familiares, turma de amigos inseparáveis, o primeiro amor, etc). O problema inicial são os garotos escolhidos por Abrams para os papéis principais. Nenhum deles tem carisma ou talento suficientes para gerar empatia - alguns chegam a ser realmente chatos, como o gordinho que dirige o filme em Super 8 e o dentuço que adora fazer bombas (que, obviamente, serão usadas num ponto chave da trama). O romance do casalzinho central também não convence nem um minuto.

O segundo (e maior) problema é o roteiro, mais furado que queijo suiço, repleto de absurdos e falta de lógica. Por exemplo: como é que um monstro daquele tamanho ia ficar andando pela cidade roubando motores de carros e fornos de microondas de casas sem que ninguém o visse? Outra besteira enorme: até parece que os militares (que são os verdadeiros vilões, no limite do caricato) iam deixar um cientista que participou das pesquisas com o alien livre e solto depois que se rebelou contra o exército! Quer mais uma? Que tal deixarem os objetos que seriam usados para a construção da nave bem no meio da cidade? Eles não queriam capturar a criatura novamente? Então no mínimo iam levar os tais dispositivos para bem longe...

E por aí vai. Nem vale a pena ficar enumerando tudo. Outra coisa que detona o filme e suas pretensões é o fato do alien ser realmente malvado durante todo o filme, no estilo do terrível "Cloverfield", destruindo carros, ônibus e casas e literalmente comendo pessoas!  Então, quando tentam fazer um final no estilo emocionante de "E.T.", tudo soa absolutamente forçado e ridículo, por mais que tentem nos convencer que ele estava apenas bravo por ter sido mal tratado pelos milicos. Outro problema grave: os meninos, que deveriam ser os protagonistas da história, não tem realmente o que fazer ao ponto de a resolução da trama não ter qualquer participação deles (exceto como observadores), tão diferente de "E.T." ou mesmo "Os Goonies".

A única coisa boa do filme é a trilha musical de Michael Giacchino (colaborador constante de Abrams) que realmente contém um pouco da magia que o filme tenta capturar em vão. Nem mesmo o Super 8 rodado pelos meninos consegue ser trash o suficiente para ao menos gerar riso.

Esse é o típico caso em que o feitiço se virou contra os feiticeiros. O que é uma pena, pois um bom e divertido filme de ficção e aventura seria muito bem vindo nesses tempos de abominações insuportáveis como "Transformers" e "Fúria de Titãs 3D"...

Cotação: * *

sábado, 6 de agosto de 2011

Filmes: "Capitão América: O Primeiro Vingador"

DIVERSÃO PURA

O filme é muito bom e não tem nada de patriotadas irritantes pelas quais os estadunidenses são famosos

- por André Lux, crítico-spam

Tinha tudo para dar errado mais esta adaptação de um super-herói da Marvel, a começar pelo nome “Capitão América”, que evoca as piores bravatas patrióticas pelas quais os estadunidenses são famosos.

Mas, por incrível que pareça, o filme é muito bom e não tem nada de patriotadas irritantes (que destruíram, por exemplo, “Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles”). Pelo contrário, deram até um jeito de ridicularizar o herói quando é reduzido a um mero garoto propaganda do exército para angariar dinheiro em bônus de guerra.

O diretor Joe Johston, que veio dos efeitos especiais e não tem lá um currículo muito brilhante (seu filme melhorzinho era “Rocketeer”), até que se sai bem aqui, equilibrando satisfatoriamente cenas de ação com outras mais intimistas que ajudam a gerar simpatia pelos personagens, essencial para que esse tipo de filme funcione.

O desenho de produção é muito bom (bem diferente do horrível “Thor”) e evoca com maestria o clima dos anos 40 (a história passa em plena segunda guerra mundial). Ajuda muito o elenco, principalmente os coadjuvantes, que dão força ao ator principal Chris Evans como Capitão América (aqui num papel bem diferente do arrogante e cheio de si Tocha Humana que interpretou nos filmes do “Quarteto Fantástico”). Mas quem brilha é o sempre excelente Hugo Weaving, o eterno Sr. Smith de “Matrix”, como o vilão Caveira Vermelha.

Os efeitos especiais são bons e na medida certa, o que é sempre uma surpresa já que hoje em dia, depois do advento da computação gráfica, a maioria dos filmes de ficção e aventura desse tipo acabam poluídos pelo excesso deles. O irregular compositor Alan Silvestri, da trilogia “De Volta Para o Futuro”, acerta também ao compor uma trilha musical adequada e sem exageros, muito bem orquestrada e executada, que atua em favor do filme – principalmente nas cenas de ação.

O filme também tem bastante humor (do tipo inteligente, não igual ao “Thor”, onde quase todas cenas cômicas mostravam o herói batendo a cabeça em alguma coisa) e, maior dos méritos, não se leva a sério. Nesses quesitos lembra bastante o “Superman” de 1978, com Christopher Reeve. É diversão pura e sem pretensões além disso. Por tudo isso, vale a pena ser visto.

Cotação: * * * *

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A importância da escolha de Celso Amorim

- por Luis Nassif, em seu blog

Celso Amorim foi, de longe, a melhor escolha para Ministro da Defesa. Militares que eventualmente tenham manifestado contrariedade – nas matérias do Estadão – não têm a menor ideia sobre a importância desse movimento.

Dado o avançado da hora que Amorim foi anunciado novo Ministro, é impossível que jornalistas – mesmo setoristas – tenham ouvido um número representativo de militares. Ouviram aqueles com quem tinham maior afinidade política.

A reestruturação da Defesa passou por uma primeira etapa, de conceituação do seu papel. O grande organizador foi Roberto Mangabeira Unger; e a implementação tocada por Nelson Jobim.

Faltava à Defesa consolidar sua perna externa. E uma dessas pernas centrais são os grandes acordos internacionais. No seu período de chanceler, a estratégia diplomática de Amorim se baseou, em muitos momentos relevantes, na visão estratégica de Defesa. A razão de ter apoiado o Irã foi a de preservar, para o Brasil, o direito de enriquecer urânio.

Hoje em dia, a transferência de tecnologia militar depende não apenas de compras da França, mas de acordos com China (para satélites), Argentina, países de fora da órbita da OCDE.

No período de Amorim-Guimarães a política externa do Itamarati sempre se pautou pelos conceitos de Nação, autodeterminação, não-alinhamento, todos muito caros aos militares. As relações acumuladas por Amorim com países das mais diversas extrações políticas serão preciosas para a consolidação de uma política integrada de Defesa.

Não tenho a menor dúvida de que e elite militar - aquela que pensa estrategicamente o papel da Defesa - viu com bons olhos essa indicação.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vox Populi: 71% dos brasileiros aprovam governo Dilma

Pesquisa encomendada pelo PT ao Instituto Vox Populi apontou que 71% dos brasileiros fazem avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff. O levantamento, feito junto a 2.200 entrevistados, foi divulgado nesta quinta-feira (4).

Para 4%, o desempenho da presidente é ótimo, enquanto 40% apontaram como bom, e 37% como regular positivo. A pesquisa foi feita em todo o país na 1ª quinzena de junho.

Os dados foram divulgados pela assessoria do PT, mas ainda não foram detalhados os 29% de avaliação negativa. Os resultados do levantamento nacional foram discutidos na manhã desta quinta-feira (4) durante reunião da executiva nacional do PT, no Rio de Janeiro.

Segundo a assessoria, 48% dos entrevistados consideraram o PT o maior partido do Brasil. Já 81% apontaram a legenda como "forte" ou "muito forte".

Em outra questão, 66% disseram que o PT atua de forma positiva e 15% afirmaram que o partido tem "os políticos mais honestos". Neste último quesito, segundo a assessoria do PT, outros partidos tiveram em torno de 7% de citações.

Da Redação, com informações da Agência Estado
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