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quarta-feira, 30 de março de 2011

Deputado Jair Bolsonaro será processado por homofobia e racismo

Conselho de Direitos Humanos da Câmara se reúne para decidir como irá agir em relação à entrevista concedida por Jair Bolsonaro (PP) ao programa CQC

- por Bruno Huberman, CartaCapital

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, reunida nesta terça-feira 29, irá entrar com uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Só resta decidir qual: se uma representação parlamentar na Câmara ou se uma ação judicial.

O pepista virou alvo de críticas nas últimas horas após a entrevista à cantora Preta Gil durante o programa CQC, da rede Bandeirantes, na noite da segunda-feira 28, quando ao ser questionado se deixaria o seu filho namorar uma negra, respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco, e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

“Eu acho lamentável. Isso é um abuso da representatividade parlamentar. Ele se utiliza do seu cargo para ofender. Eu fiquei chocado. Independente de filiação partidária, ele é um deputado e tudo tem um limite”, afirma o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), que ao lado dos deputados Manoela D’Avilla (PCdoB-RS) e Brizola Neto (PDT-RJ), decide como a Comissão irá agir. “Ele ataca a comunidade LGBT há muito tempo, mas só agora que ofendeu os negros é que caíram em cima dele.”

“O Bolsonaro feriu o código de ética da Câmara. Ele se utilizou da sua representatividade política para praticar homofobia e racismo”, reitera o deputado Chico Alencar (PSol-RJ), membro do Conselho de Ética da Casa, que também analisará a situação de Bolsonaro.

Em nota oficial, Bolsonaro tentou se defender: “A resposta dada deve-se a errado entendimento da pergunta – percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay. Daí a resposta. Todos aqueles que assistam, integralmente, a minha participação no programa, poderão constatar que, em nenhum momento, manifestei qualquer expressão de racismo. Ao responder por que sou contra cotas raciais, afirmei ser contrário a qualquer cota e justifiquei explicando que não viajaria em um avião pilotado por cotista nem gostaria de ser operado por médico cotista, sem me referir a cor.”

“O Bolsonaro, por meio desta nota oficial, quer escapar da acusação de racismo, que como é crime pode ser considerada quebra de decoro e pode causar a sua expulsão da Casa. Ele quer ficar apenas com a acusação de homofobia, que não é crime e é considerada apenas injúria”, analisa Wyllys.

O apresentador do programa, o humorista Marcelo Tas, em entrevista ao Terra Magazine, reforçou a tese: “Ele manifestou dois preconceitos, contra os negros e contra os gays.” A apresentadora Preta Gil, por meio do seu advogado, disse que irá entrar com um processo por danos morais

terça-feira, 29 de março de 2011

A importância de Zé de Alencar em 2005

- por Renato Rovai, editor da Fórum

Lula e Dilma choram a morte de José de Alencar


Em 2005, no meio da crise do mensalão, Jorge Bornhausen, então presidente do PFL, teria tido uma reunião com a direção da Rede Globo logo depois do depoimento de Duda Mendonça na CPI. A conversa foi para avaliar a possibilidade do impeachment de Lula.

Bornhausen disse aos Marinhos que havia condições jurídicas de encaminhar a cassação.

Irineu Marinho teria, então, perguntado quem seria o presidente caso Lula caísse? Bornhausen sem entender direito qual era a intenção do herdeiro do Seu Roberto, respondera, José de Alencar, o vice.

Com ele não tem papo, disse o manda-chuva das Organizações Globo.

Bornhausen ainda tentou uma cartada de mestre e disse que o vice poderia cair junto, já que a revelação de Duda Mendonça era de esquema de caixa 2 na campanha da chapa.

Mas o próximo da lista sucessória era Severino Cavalcanti. E Irineu Marinho avaliou que tirar Lula para torná-lo presidente da República poderia causar uma convulsão social no país.

Se tivesse papo com José de Alencar, a história de 2005 poderia ter sido outra.

Quantos vice-presidentes não abririam espaço para o “papo” naquele momento.

A grandeza de José de Alencar não se mede apenar por esta história. Mas essa talvez seja simbólica.

Conservadores ou revolucionários, pessoas com essa característica moral fazem falta no processo democrático.

Zé de Alencar já faz falta.

Lula homenageado em Lisboa e Coimbra

- Por Domingos G. Serrinha, Correspondente Brasil

Dilma acompanha Lula na cerimônia
O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva vai receber hoje na Assembleia da República, em Lisboa, o Prémio Norte-Sul, atribuído pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa. A homenagem, que Lula receberá ao lado de Louise Arbour, presidente do International Crisis Group, a outra galardoada, antecederá outra importante distinção, a de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra.

O Prémio Norte-Sul distingue anualmente personalidades que, pela sua acção e exemplo, contribuem para a promoção da solidariedade e interdependência mundiais. Lula foi escolhido este ano, segundo o Centro Norte-Sul, pelo dinamismo que imprimiu às relações Sul-Sul e por ter conduzido uma política externa apostada em promover à escala mundial a luta contra a pobreza, o desenvolvimento económico e a igualdade social.

Amanhã, Lula receberá em Coimbra o doutoramento honoris causa pela Faculdade de Direito, uma honra que, há anos, seria inimaginável para um operário pobre e pouco instruído. Um dos símbolos dessa ligação definitiva que Lula passará a ter com uma das mais antigas universidades europeias é um anel de ouro português. Criado pelo joalheiro António Cruz, o anel, maior do que o usual para estes casos, tem 13 gramas de ouro e um rubi cor de sangue de pombo, remetendo para as insígnias vermelhas do Direito.

A seu lado, amanhã, Lula terá outra mulher que faz história no mundo, a actual presidente do Brasil. Dilma Rousseff efectua uma visita de três dias a Portugal, a convite do homólogo Cavaco Silva. A presidente visita hoje, a título particular, a Universidade Coimbra, estando também presente amanhã na cerimónia de doutoramento do seu antecessor. De regresso a Lisboa, Dilma encontra-se com o presidente da República e com o primeiro-ministro José Sócrates.

domingo, 27 de março de 2011

Informação a todos

Informo a todos os meus leitores e leitoras que não estou mais filiado a nenhum partido político. Também não tenho mais qualquer ligação com a assessoria do deputado estadual Pedro Bigardi.

Em breve, estarei alçando novos vôos.

Fiquem ligados!

sábado, 26 de março de 2011

Filmes: "INVASÃO MUNDO: A BATALHA DE LOS ANGELES"

VIVA OS SOLDADINHOS DO TIO SAM!

Propaganda descarada em favor do exército dos EUA estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena

- por André Lux, crítico-spam

O que aconteceria se o ET de Varginha e seus colegas resolvessem invadir a Terra para usurpar seus recursos naturais e dizimar os humanos? A resposta é óbvia: teriam que enfrentar os destemidos fuzileiros navais do poderoso exército dos Estados Unidos!

Esse é o mote de "Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles", filme que eu não ficaria nem um pouco surpreso se fosse anunciado ter sido escrito e financiado pela área de Relações Públicas do Pentágono, com direito a comitê de recrutamento na saída dos cinemas. Afinal, o exército do Tio Sam estava mesmo precisando de uma boa publicidade depois das malfadadas invasões do Iraque e do Afeganistão.

Pior é que essa propaganda descarada e ridícula em favor dos soldadinhos estadunidenses estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena, cheio de som e fúria. Mas perto dessa estupidez toda, até "Independence Day" vira um clássico de sutileza!

O mais estranho é que o filme parece muito com o recente "Skyline - A Invasão", só que agora tudo é mostrado pelo ponto de vista de um pelotão dos fuzileiros (marines) no meio da guerra num bairro de Los Angeles. Mas, mesmo comparada com o anterior, esse novo perde feio. As irritantes explosões de patriotada pró exército dos EUA, que acontecem a cada cinco minutos, aniquilam qualquer vontade que você poderia ter de torcer pelos protagonistas - e isso é fatal em qualquer filme de monstro.

É um barbudo? É um comunista? Não, é um ET
O galã Aaron Eckhart, como o sargento durão mas de bom coração, até que tenta levar o filme nas costas, mas é derrubado também por um elenco de apoio muito fraco, uma fotografia estourada e trêmula (que tenta imitar "O Resgate do Soldado Ryan" e suas centenas de imitações) e por uma música bombástica e opressiva escrita por Brian Tyler, um bom compositor que deve ter sido forçado pelos realizadores a compor uma trilha no "estilo" do abominável Hans Zimmer.

O desenho dos ETs e suas naves também é bem sem graça e o fato de você nunca conseguir vê-los direito também atrapalha muito - embora os soldadinhos do Tio Sam arrumem tempo para torturar um deles, igual faziam com os prisioneiros no Iraque!

Mas, tudo bem. Contra ETs malvados vale tudo. Pena que na vida real os marines não enfrentem inimigos tão definitivamente maus e nem de perto sejam tão bravos e moralmente superiores como as suas caricaturas mostradas em filmes idiotas como esse.

Cotação: *

sexta-feira, 25 de março de 2011

Filmes: "O MÁGICO"

AO MESTRE, COM CARINHO

Desenho animado é uma bonita homenagem ao genial comediante Jacques Tati

- por André Lux, crítico-spam

Que delícia poder assistir a um desenho animado à moda antiga (sem computação gráfica) baseado num roteiro inédito do mestre Jacques Tati, o genial realizador que nos brindou com obras maravilhosas como "Meu Tio" e "As Férias de Ms. Hulot".

Tati era um comediante do tipo que não existe mais, dono de um humor fino, delicado e discreto, onde as gags geralmente aconteciam em volta de seu personagem Hulot, que praticamente não tinha falas em seus filmes.

O longa de animação "O Mágico" é uma belíssima homenagem ao legado deixado por Tati, dirigido por Sylvain Chomet, o mesmo que fez o delicioso "As Bicicletas de Belleville", onde já apareciam discretas citações aos filmes de Tati.

O filme conta a história de uma mágico (ou ilusionista, conforme o título original) que vai aos poucos vendo sua arte e a de seus outros colegas de origem circense sendo ignorada em favor de novos tipos de entretenimento - aqui representados por um grupo de rock no estilo dos Beatles, chamado no filme de The Britoons.

É apenas durante uma turnê no interior Escócia que seu talento é devidamente valorizado - e aqui entra um dos temas favoritos de Tati: o conflito entre a frieza da gente cidade grande versus a delicadeza e sensibilidade das pessoas mais simples.

Tati era um crítico feroz da perda da humanidade gerada pela vida agitada e cheia de traquitanas eletrônicas da modernidade. Essa crítica pode ser encontrada em sua forma mais bem acabada em sua obra prima "Meu Tio", filme que, por sinal, aparece de forma hilariante em "O Mágico".

O desenho é muito bem feito, com traços elegantes e finos, editado de forma primorosa para construir as pequenas e discretas gags e conta com uma trilha musical delicada. Mas nem tudo é comédia, principalmente no final, que é extremamente melancólico e pode até fazer chorar.

Enfim, "O Mágico" é uma pequena jóia da sétima arte que certamente vai agradar quem procura no cinema o tipo de entretenimento que somente um gênio como Jacques Tati sabia produzir.

Cotação: * * * * *

terça-feira, 15 de março de 2011

Leandro Fortes: como jornalistas brasileiros servem à Casa Branca

Entre todas as bizarrices expostas pelo WikiLeaks, a mais interessante é a revelação, sem cerimônias, de que a Embaixada dos Estados Unidos mantinha (mantém?) uma verdadeira sucursal informal no Brasil, na qual se revezavam jornalistas (de uma só tendência, é verdade), a elaborar análises políticas – todas furadas, diga-se de passagem.

- por Leandro Fortes, em seu blog Brasil Eu Vi

Na redação da embaixada brilharam, primeiro, os colunistas Diogo Mainardi, da Veja, e Merval Pereira, de O Globo. Segundo despacho de Arturo Valenzuela, secretário adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, em 2009, o “renomado colunista político” Mainardi, em almoço privado (?), disse que uma coluna propondo que a ex-candidata presidencial do Partido Verde (PV) e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva se tornasse candidata a vice do tucano José Serra havia nascido “de uma longa conversa” entre os dois, Serra e Mainardi, na qual o ex-governador de São Paulo afirmara que Marina seria sua “companheira de chapa dos sonhos”. De acordo com Valenzuela, Serra alinhou naquela conversa com Mainardi as mesmas vantagens que o colunista, mais tarde, iria listar em sua coluna: a história de vida e as “credenciais esquerdistas impecáveis” de Marina poderiam bater o apelo pessoal de Lula aos brasileiros pobres e colocar Dilma Rousseff em desvantagem com a esquerda. Ao mesmo tempo, a vice verde ajudaria Serra a “mitigar” sua associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso. Mainardi ainda preconizou que, mesmo sem sair como vice, Marina poderia apoiar Serra num segundo turno contra Dilma. Também apostou que Aécio Neves iria se juntar à chapa de Serra. Um profeta, como se vê.

A mesma lengalenga Arturo Valenzuela ouviu do colunista Merval Pereira, que rememorou uma conversa tida entre ele, Merval, e Aécio Neves, um dia antes do jornalista se reportar à Embaixada dos EUA, em 21 de janeiro de 2010. Ou seja, informação quentíssima! A Merval, informou Valenzuela à Casa Branca, Aécio Neves teria dito estar “firmemente compromissado” em ajudar Serra de qualquer maneira, inclusive se juntando à chapa. Uma chapa Serra-Neves, opinou Merval Pereira ao interlocutor americano, venceria fácil. “(Merval) Pereira pessoalmente acredita que não só Neves concorreria com Serra, mas que Marina também apoiaria Serra em um segundo turno”. Outro profeta.

Agora, sabemos pelo WikiLeaks que Humberto Saccomandi, editor de notícias internacionais do jornal Valor Econômico, acompanhado do analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, também foram convocados pela sucursal da Embaixada a analisar a candidatura de Dilma, mas estes acertaram: a subida de Dilma Rousseff nas pesquisas iria favorecê-la no congresso nacional do PT, no fim de fevereiro de 2010, onde se esperava que ela anunciasse sua candidatura oficialmente.

Classificados de “críticos mais duros de Rousseff”, os jornalistas William Waack, da TV Globo, e Hélio Gurovitz, da revista Época, também foram à Embaixada dos Estados Unidos dar pitaco, mas em clima de torcida organizada pró-Serra. Waack descreveu para o Consulado Geral, em São Paulo, sua ida a um fórum de negócios do qual José Serra, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Ciro Gomes tinham participado. A análise, não fosse surreal, é pouco mais do que rasa. “De acordo com Waack, Gomes foi o mais forte no geral, Neves o mais carismático, Serra desligado, mas claramente competente (grifo meu), e Rousseff, a menos coerente”, escreveu, à Casa Branca, o embaixador Thomas Shannon, editor-chefe da sucursal. Crítica duríssima, essa de Waack.

Helio Gurovitz, diretor da Época, foi mais adiante ao se reportar à Embaixada do EUA. Descreveu o Brasil como similar ao Chile (onde a esquerdista Michelle Bachelet perdeu a eleição para o direitista Sebastián Piñera). Argumentou que a “base social do país” se desenvolveu de maneira que esta “base” – seja lá o que for isso, o povo é que não era – preferiria alternar partidos no poder para manter continuidade (sic), em vez de manter um partido no poder no longo prazo, “com isso provocando uma guinada na direção daquele partido no espectro político”. O embaixador, creio, não entendeu nada. Mas registrou, por via das dúvidas.

Com analistas assim, não é a toa que o governo Obama se encontra na situação que está.

domingo, 13 de março de 2011

Quem tem medo da verdade?

A grande imprensa brasileira é contra a investigação dos crimes cometidos pela ditadura. Por que será?

- por Cynara Menezes, na Carta Capital

Temos diante de nós uma oportunidade de ouro: a de colocar em pratos limpos quem é democrata de fato no País e quem usa a democracia como uma bandeira de conveniência. Durante oito anos, a grande imprensa brasileira cobrou do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fictícios atentados contra a liberdade de expressão. Acusavam Lula de possuir “anseios autoritários”. Nunca antes na história viram-se jornais tão zelosos do sagrado direito do cidadão de se informar. Mas quem agora, dentre estes baluartes da democracia, será capaz de se posicionar ao lado da presidenta Dilma Rousseff em favor da instalação da Comissão da Verdade, que pretende apurar os crimes cometidos durante a ditadura? Ou isto não é direito à informação?

Dilma tem manifestado a auxiliares seu interesse em proporcionar uma satisfação oficial do Estado a familiares e vítimas da ditadura, como fizeram nossos vizinhos na Argentina, Chile e Uruguai. Faz parte da agenda da ex-guerrilheira, presa e torturada, destacar-se na defesa dos Direitos Humanos. A titular da pasta, ministra Maria do Rosário, declarou, de chegada, ser assunto prioritário do governo a instalação da comissão. Mas foi só a presidenta assumir que sumiram das páginas mais “liberais” de nossa imprensa os artigos dos colunistas fixos em defesa da comissão. Foram suplantados por textos em defesa da… Defesa, o poderoso ministério que abriga os militares das três Forças.

No final do governo Lula, um articulista da nobre página 2 da Folha de S.Paulo, por exemplo, chegou a publicar várias colunas cobrando do presidente mais vigor na investigação do período militar, que tirasse a Comissão da Verdade do papel. Depois que Dilma demonstrou estar decidida a encarar o desafio, nunca mais. O que se vê atualmente são matérias, à guisa de furos de reportagem, ecoando a opinião dos militares mais obtusos da ativa, se não simplesmente já em seus pijamas. Em editoriais, mesmo, nenhum dos nossos grandes e democráticos jornais foi capaz de defender a instalação da comissão.

O Globo, aliás, fez justamente o contrário: espinafrou qualquer possibilidade de se mexer num passado que não lhe foi, afinal, o que poderia se chamar de “período de vacas magras”. Em editoriais, o jornal dos Marinho, sempre tão vigilante na hora de apontar tendências antidemocráticas em Lula, chamou a comissão de “orwelliana” e “encharcada de revanchismo”. Uma verdadeira “CPI da Ditadura” – como se isso não fosse algo a celebrar. O diário carioca fez malabarismos ao aliar o suposto “autoritarismo” de Lula a uma comissão “ao gosto dos regimes stalinistas”. É certo que Stalin reescreveu a verdade a seu bel-prazer. O Globo, porém, parece preferir que ela não seja nem sequer contada.

No início deste ano, a Folha bem que tentou disfarçar sua real opinião sobre o período que alcunhou de “ditabranda”, intercalando artigos de convidados contra e a favor da instalação da comissão. E uma ou outra carta apareceu em seu painel do leitor francamente favorável à investigação do passado. Mas a posição oficial do jornal é de editorial publicado em 31 de dezembro de 2009. Os crimes da ditadura, assegurava a Folha, “foram cometidos pelos dois lados em conflito”. Revisar a Lei da Anistia, nem pensar, publicou no editorial: “Não há nenhuma vantagem para a democracia em atiçar ressentimentos”. Para concluir: “O passado não deve ser esquecido – mas que não seja entrave e fonte de perturbação para o presente”.

A mim parece no mínimo curioso que órgãos de imprensa tão ciosos da democracia acatem os argumentos dos generais que impingiram ao país – eles sim, não Lula – uma ditadura. O projeto da Comissão da Verdade inclusive contempla a caserna, ao propor também a investigação de possíveis abusos cometidos pelos que lutaram contra o regime militar. Exigência, como se vê, dos militares, aliados aos jornais, e levada a cabo pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que por fim conseguiu embuti-la no texto levado ao Congresso. Ainda assim, continuam as restrições à comissão, pelos soldados armados e os de papel.

Um observador atento diria que a atitude reticente dos jornais em relação à Comissão da Verdade deixa transparecer um certo temor das investigações. Mas por que a grande imprensa brasileira teria medo da verdade? Acaso seria uma verdade inconveniente? Tempos estranhos estes em que democratas preferem o obscurantismo à luz.

Uma nota: O Estado de S.Paulo fica de fora desta análise apenas porque não encontrei em seu arquivo online e na internet nenhuma opinião do jornal sobre a Comissão da Verdade. Teria optado pelo silêncio?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Edição não finalizada de "Bruna Surfistinha" vaza na internet

Versão do filme nos camelôs e internet tem quase meia hora a mais de duração

- por Marco Tomazzoni, iG São Paulo

Sucesso nas bilheterias brasileiras, com 1,2 milhão de espectadores em pouco mais de uma semana em cartaz, "Bruna Surfistinha" não conseguiu escapar da pirataria. Mas não foi através dos famigerados screeners, cópias feitas a partir da filmagem das telas de cinema. Assim como no primeiro "Tropa de Elite", a versão que chegou aos camelôs e caiu na internet é uma cópia de trabalho da equipe, não-finalizada.

Por conta disso, o DVD pirata tem 22 minutos a mais do que o longa-metragem oficial, com 109 minutos. A trilha sonora não é a mesma – saem brasileiros como Holger e Céu, entram os nova-iorquinos do Yeah Yeah Yeahs e mais Radiohead, que já tinha garantido presença com o hit "Fake Plastic Trees". Quem imaginava que, proporcionalmente, haveria mais cenas de Deborah Secco, protagonista do filme, nua, se enganou – a maior parte das imagens que ficaram de fora da versão final é da fase adolescente da personagem principal, sua família e do dia a dia com as outras garotas de programa na casa de prostituição.

Percebe-se sem muito esforço que se trata realmente de um trabalho em evolução. A edição é claudicante, um esboço daquela que chegaria aos cinemas. Os créditos iniciais não existem – aparecem apenas "Produtor 1, Produtor 2 apresentam" e o antigo nome do filme, "O Doce Veneno do Escorpião" –, nem os finais. Letreiros técnicos com tela preta mostram que tomadas seriam adicionadas posteriormente ("Macro: gelo e canudo caindo no copo", "pés de Deborah saindo de quadro na chuva"), assim como grafismos e textos que Bruna escrevia em seu famigerado blog.

Embora o diretor Marcus Baldini e a equipe de "Bruna Surfistinha" tenham se recusado a comentar o assunto, a distribuidora Imagem Filmes divulgou um comunicado. A empresa não confirma datas, mas garante que a cópia pirata é uma das primeiras ideias do filme, "um rascunho sem sentido que não tem nada a ver com o que foi lançado nos cinemas", e nega que seja uma "versão sem cortes" ou o "filme na íntegra". Não é demais supor, porém, que se trata de uma montagem feita pouco depois do final das filmagens, realizadas no segundo semestre de 2009, e da revelação dos negativos.

A Imagem admite que houve um "furo" no esquema de segurança, cercado de todas as "medidas possíveis". "Nenhuma cópia em DVD saiu da nossa distribuidora e só profissionais da nossa confiança tiveram acesso a esse material", diz o texto. Não foi o suficiente.

Escaldada pela dura experiência de "Tropa de Elite" em 2007, que chegou aos camelôs antes da estreia nos cinemas e esvaziou o impacto que o filme teria nas bilheterias, a Zazen Produções blindou todas as informações sobre a sequência. Pouquíssimas pessoas tiveram acesso ao roteiro e menos ainda sabiam onde "Tropa 2" estava sendo editado. "Onde existia o filme em formato digital havia câmeras, senhas de acesso e nenhuma conexão de internet. Finalizamos o longa apenas em película, então para roubá-lo a pessoa precisaria pegar sete rolos enormes de negativos, exibir o filme no cinema e filmá-lo com uma câmera", revelou o diretor José Padilha no ano passado, em Paulínia.

A Imagem Filmes informa estar tomando "todas as providências legais" para combater o crime. Foi contratada uma empresa especializada em crimes online, embora seu nome e ações estajam em sigilo para "facilitar as investigações". Até o momento, não foi identificado o responsável pelo vazamento.

Filmes: "BRAVURA INDÔMITA"

OS IRMÃOS CARA DE PAU

Comédia traz as marcas registradas dos irmãos Joel e Ethan Coen, o humor seco e muito negro

- por André Lux, crítico-spam

Li várias críticas a esse "Bravura Indômita" mas nenhuma disse o óbvio sobre o filme: que se trata de uma comédia que traz as marcas registradas dos irmãos Joel e Ethan Coen, o humor seco e muito negro. Assim, essa nova obra deles lembra muito seu melhor filme, "Fargo", e também o anterior "Onde os Fracos Não Tem Vez".

Não assisti ao original com John Wayne, considerado um clássico, por isso não dá para comparar. Mas os Coen estão muito mais interessados em montar suas gags visuais e verbais do que necessariamente contar a história da menina que contrata um veterano delegado federal (feito de forma impagável por Jeff Bridges) para caçar e prender o assassino de seu pai.

Os pontos altos do filme são as disputas verbais entre o delegado e o Texas Ranger (muito bem interpretado por Matt Damon), que ficam o tempo todo discutindo quem é o mais macho e tem a melhor pontaria. "Bravura Indômita" tem duas cenas antológicas: a da chegada do homem barbudo vestindo (literalmente) uma pele de urso (com cabeça e tudo) e o concurso de tiro usando como alvo pães, depois que os dois protagonistas brigam para saber quem foi que acertou o ombro do Texas Ranger durante um tiroteio! Há também uma cena impagável dentro de uma cabana onde dois bandidos (um deles na pele de John Goodman, que esteve em "Barton Fink" dos Cohen) discutem com o delegado e termina com um deles arrancando os dedos do outro (humor mais negro, impossível).

Os irmãos Coen sabem como ninguém criar um timing perfeito para suas gags, deixando os atores livres para usarem sotaques totalmente esdrúxulos enquanto disparam suas frases absurdas e depois param estupefatos para ouvir os absurdos disparados pelos seus interlocutores. A montagem também é excelente na construção dessas piadas e deixa o tempo entre os duelos verbais correr de forma perfeita para gerar a comédia.

Eu gosto muito desse tipo de humor e, confesso, me diverti bastante durante o filme. Prefiro muito mais esse estilo de comédia do que o mais rasgado e histérico que os Coen imprimiram a filmes como "Os Matadores de Velinhas" e "O Amor Custa Caro". Estranhamente, "Bravura Indômita" fez grande sucesso nos Estados Unidos, o que não é nada comum acontecer aos filmes dos irmãos Coen, que são mesmo dois grandes caras de pau (no bom sentido)!

Cotação: * * * 1/2

Vídeo mostra como a TV e a propaganda fazem mal às crianças

quarta-feira, 9 de março de 2011

Alê Porto debulha novo texto do charlatão a serviço do "pensamento único blogosférico"

O charlatão a serviço do "pensamento único"
De tempos em tempos surgem na blogolândia alguns charlatões que passam a dar "pitacos" sobre assuntos espinhosos como política e economia mesmo sem entender nada sobre eles.

E, para piorar, alguns outros blogueiros que estão se esforçando para criar um "pensamento único" na blogosfera - movidos por vaidades e egocentrismos -, dão cartaz a esses charlatões quando eles escrevem algo que ajude a reforçar essa agenda deles.

Não importa se o que o charlatão escreve é um amontoado de bobagens, inverdades, delírios ou rancores pessoais. O que interessa é fazer valer a máxima que aquele grupelho de blogueiros que se ungiram os "oráculos da blogosfera" definiu como sendo "a verdade".

Um desses charlatões é um tal de Maurício Calheiros, cujo texto anterior eu já havia destroçado neste link. Agora, é a vez do excelente blogueiro Alexandre Porto, que também nada contra a corrente do "pensamento único blogosférico", debulhar o novo texto do sujeito.

Agradeço ao meu amigo Ricardo Melo que me passou o link. Leiam e divirtam-se!

Não duvidem dos compromissos assumidos pela nossa presidenta

Eu votei Dilma, não num anti-Serra, encerro, para governar o país nos próximos quatro anos - não apenas um - mantendo e aprofundando o legado das administrações Lula, e para preparar o caminho de sua reeleição em 2014. Assim como derrotaram Lula já em 2003 vão fazer o mesmo com Dilma em 2011?

- por Alexandre Porto, em seu blog

Em pleno Carnaval me deparei com um texto do Maurício Caleiro (Dilma e o retrocesso que a direita adora), que a rigor tem se mostrado nas últimas semanas um tanto quanto 'desgostoso' com os primeiros passos do governo Dilma Rousseff. Há poucos dias chegamos mesmo a debater os rumos econômicos nos limitados 140 do Twitter. De fato pouco avançamos no convencimento mútuo até que ele tentou me mostrar qual era a 'verdade'. Como eu não confundo opiniões com verdades, encerrei por ali. Diante desse novo texto e incentivado por alguns colegas resolvi contrapor alguns de seus argumentos no blog.

Inicialmente ele cita uma suposta volta ao que ele chamou de 'economicismo'. Segundo Caleiro, a política econômica do nascente governo Dilma dá sinais de volta ao "velho neoliberalismo via corte de R$50 bi do Orçamento, suspensão de concursos e de contratações e anúncio de que a meta é zerar o déficit nominal".

Eu gostaria de entender como podemos voltar para onde nunca estivemos. Se ele está se referindo à Era FHC, sinto lhe dizer que economistas adeptos da linha liberal (ou neoliberal se preferir, pois de resto este é um conceito bastante vago) ficariam ruborizados em terem suas teses confundidas com o governo Fernando Henrique Cardoso. A política econômica de FHC no pós real foi um desastre, mas com um nível de intervenção inimaginável para o receituário de um Roberto Campos ou mesmo do jovem Rodrigo Constantino.

Imagine se tucanos ou neoliberais aprovariam os aportes que Mantega tem anunciado para o BNDES? Que política neoliberal é essa com tão agressiva política industrial? Leio todos os dias na imprensa comentários críticos ao suposto caráter "contraditório" do pacote anunciado. Como sempre, questão de ponto de vista.

Cortes no Orçamento - É preciso entender que não aconteceu nem de perto o corte de gastos exigido pela agenda neoliberal. Nem a fernadista Miriam Leitão ficou muito satisfeita. Uma analise mais detida dos números, me leva a crer que houve mais uma tirada do pé no acelerador, pois se Dilma em 2011 poderá gastar mais do que Lula em 2010, como podemos chamar isso de 'corte'. Temos sim alguma tesoura em gastos supérfluos de custeio, expectativas realistas de receita, um tranco no aumento do funcionalismo e principalmente um freio em despesas que não poderiam mesmo ser realizadas nesse ano fiscal. Sim, em grande medida o governo está sinalizando que quer diminuir o estoque dos restos a pagar. O que os fiscalistas estão chamando de "maquiagem", certos esquerdistas chamam de "política neoliberal".

E no caso específico do Programa Minha Casa, Minha Vida, é do que se trata. Como mostrei em post recente, a segunda fase do programa sequer foi aprovada pelo Congresso e o Orçamento destinado a ela na melhor das hipóteses se transformaria em restos a pagar para 2012. Ao mesmo tempo, o Orçamento do MCMV 1.0 já tem R$ 6 bi disponíveis para investimentos em 2011, valor maior que o supostamente 'cortado' agora. Os números são claros, não haverá solução de continuidade no programa, as metas habitacionais estão mantidas.

Segundo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), "o bolo de despesas iniciadas em 2010 - incluindo aí restos a pagar de anos anteriores - cujo pagamento ficou para 2011 foi de R$ 128,8 bilhões". Esse valor não aparece no Orçamento de 2011, ou seja, o corte não o afetou. Pelos cálculos do economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, a quitação de atrasados em janeiro de 2011 pode ter sido da ordem de R$ 5 bilhões. Entendo que para ser de forma justa tachada de neoliberal, a dupla Mantega/Dilma deveria cortar o Orçamento em R$128,8 bi. Aí sim ela agradaria de fato esse ente chamado Mercado.

Outro ponto citado por Caleiro é "o salário mínimo merreca, que pode ser compensado no futuro, se seguido o acordo, o que duvido".

Como assim 'duvida'? O governo Dilma transformou esse acordo em Lei - contestada no Supremo pela oposição. Não há em condições normais de temperatura e pressão, hipótese dele não ser cumprido. Por outro lado, a correção 'merreca' em 2011 além de responder a esse acordo é uma medida prudente diante dos números da inflação. Eu sei que para muitos um pouco de inflação não faz mal a ninguém, mas o aumento de preços é sempre dramático para os que menos ganham. Se você costuma, como eu, comprar leite todas as semanas, sabe bem que o aumento dos preços, em plena safra, tem muito a ver com o aumento da demanda consequência direta da empregabilidade dos últimos anos. E que não dá mostras de arrefecer.

A atuação do ministro da Fazenda Guido Mantega, responsável por muitos pelas conquistas efetivas do segundo mandato de Lula, nesse início de mandato não deveria chocar tanto os devotos da heterodoxia radical, pois era ele o ministro do Planejamento, o ministro da tesoura, no primeiro ano do governo Lula, quando o aperto fiscal foi muito mais violento. Ainda mais se considerarmos que naquele período, diante da herança, não havia sequer estímulos privados para atender as demandas de investimentos, renda e crédito. Em 2003, o país cresceu 1% (na revisão) e os mais pessimistas esperam 4% para 2011, o que deixa qualquer previsão recessiva, uma piada. Nesse cenário, ainda termos uma forte criação de empregos, aumento da massa salarial e investimentos em infraestrutura.

Há um voluntarismo e uma urgência nessas críticas que não contemplam a real necessidade de um planejamento de médio e longo prazo. Em tudo na vida é preciso fazer alguns recuos que preparam novos avanços. As pessoas estão angustiadas porque estão sensíveis com o drama da sociedade. A dívida social é gigantesca, sabemos todos. O que não se pode é transformar sua justa angústia, que é fruto de solidariedade, em açodamento, trocar os pés pelas mãos e amanhã fazer uma bobagem que venha contra aquilo que já foi feito e considerado 'avanços'.

Não há o menor sinal de que é o "mercado quem dita os rumos do governo" e o legado de Lula se deve em grande parte a uma pouco reconhecida - pela direita e pela esquerda - política fiscal austera. Vou lembrar o que disse o ministro Paulo Bernardo em recente entrevista a blogueiros. "Os 5 maiores superávits primários das últimas décadas aconteceram no governo Lula", afirmou o Bernardo.

Cooptação - Caleiro também perfila com os neo-indignados no que chamou de "aparições mulherzinha nos programas da Hebe e da Ana Maria Braga e a clara estratégia de cooptar a classe média conservadora, dispensando os radicais".

Não sei se estou entre os radicais, provavelmente não no olhar dele, mas um movimento de cooptação de uma classe média conservadora, não me afasta um milímetro de Dilma e seu programa. Pesquisas internas devem ter dito à nossa Presidenta em que nichos ela precisa entrar para manter nosso projeto de poder. Sua ida a programas populares voltados ao público feminino, na semana em que se comemora o Dia da Mulher, é um detalhe sem a menor importância política e não significa mudanças de rumo ideológico. Ao contrário, ajuda a diminuir sua distância em relação justamente ao eleitor menos politizado. Creio que os 'radicais' votaram em Dilma sem a menor confiança no seu taco e não tenho a menor preocupação com a cooptação de Dilma por essa "classe média conservadora". Seria menosprezar demais a inteligência de nossa Presidenta.

Caleiro acrescenta: "Dilma venceu as eleições, mas o programa que adotou é do agrado da velha mídia e da direita nacional".

Meus Ateus. Acho que voltei aos velhos debates - pré-Twitter - nas listas de discussão em 2003. A frase parece ter saído daqueles que lamentando o "paloccismo", poucos anos depois deixaram o PT para fundar o PSOL. Mas foi esse mesmo governo, com praticamente a mesma equipe que deixou o tal legado desenvolvimentista que deveria ser seguido por Dilma? O governo Lula nos oito nos, teve início, meio e fim; Lula II foi a continuidade possível a partir das políticas pragmáticas de Lula I.

Eu votei Dilma, não num anti-Serra, encerro, para governar o país nos próximos quatro anos - não apenas um - mantendo e aprofundando o legado das administrações Lula, e para preparar o caminho de sua reeleição em 2014. Assim como derrotaram Lula já em 2003 vão fazer o mesmo com Dilma em 2011? Tenho convicção de que pelo rumo da política econômica, ela está no caminho certo para cumprir os compromissos de campanha. Vamos chegar em 2012 com as contas em dia e o país pronto para pisar novamente no acelerador e os críticos estarão presos ao seu imediatismo.

Para twittar: Não duvidem dos compromissos assumidos pela nossa presidenta. http://bit.ly/icWc2W #eblog (via @aleportoblog)

Vozes no deserto

Assim como dizemos a respeito dos jornalões, revistonas e tevezonas, a mim me parece que na parte da blogosfera também existe o seguimento se não a uma determinada pauta mas ao menos a cópia de um único estilo de manifestação especialmente sobre a política nacional que consiste em replicar as publicações de meia dúzia de sítios que dizem todos exatamente a mesma coisa.

- por Jonas de Carvalho, no blog Deu Saúva no Jardim

Melhor falar de tudo um pouco, Todos nós desafinamos Mocinhos e bandidos, A banda do sargento Jotagebece e o clube dos tuiteros solitários, Das relevancias, Vivamos e deixemos viver  

Todos esse links ai em cima levam às publicações que fiz nos últimos dias e todas batem praticamente na mesma tecla: apesar dos novos modelos e conceitos de convivência política, apesar dos discursos igualitários, há uma nítida tendência de repetir-se entre os blogueiros a mesma coisa que aconteceu nas outras mídias tradicionais, que é o nascimento de blocos homogêneos quanto às preferências ideológicas e culturais e que acabarão isolando os que deles divergem, formando uma ditadura internética que pretende criar um segundo pensamento único.

Nessas publicações que cito ai em cima cometi o pecado da excessiva sutileza contando com o já conhecido ditado que diz que para bom entendedor meia palavra basta. Ou pode ser que eu não tenha sido competente em dizer de modo claro essa minha impressão. Ou por fim quem sabe se por receio de ferir suscetibilidades acabei deixando por menos essa coisa que me atazana que é a sensação de que sou uma voz no deserto.

Assim como dizemos a respeito dos jornalões, revistonas e tevezonas que parecem seguir uma pauta ditada pela imprensa do Grande Irmão do Norte, a mim me parece que na parte da blogosfera habitada pelos ditos blogueiros progressistas e que chamaram-se de sujos a época das últimas eleições também existe o seguimento se não a uma determinada pauta mas ao menos a cópia de um único estilo de manifestação especialmente sobre a política nacional que consiste em replicar as publicações de meia dúzia de sítios que dizem todos exatamente a mesma coisa. Fica parecendo algo como assistir aos telejornais televisivos: todos transmitem as mesmas noticias e dão as mesmas informações.

Essa meia dúzia que é replicada foi incensada por seus seguidores talvez em razão de sua contundente militância em favor do projeto de Lula e Dilma. Essa meia dúzia teve altares erigidos cujos alicerces são compostos pela entrevista com Lula, pelas fotos ao lado de Dilma, por conhecimentos anteriores aos fatos do segundo semestre do ano passado, pelas profissões que exercem que lhes permite exercer full time a pratica de escrever em seus sítios e tudo isso recoberto pelas centenas de seguidores conseguidos justamente as custas da excessiva exposição promovida entre essa meia dúzia mesmo.

Sustentada por esse altar a meia dúzia trata com ironia excessiva, com exagero verbal, com palavrões, e muitas vezes de maneira infundada todos os assuntos da política - e vejam bem: somente da política - brasileira. Política tornou-se uma espécie de oxigênio para a blogosfera. Parece que o país não precisa de mais nada que não seja o que pensam e fazem os envolvidos em política.

Isso chama-se desinformar, fomentar pensamentos belicosos e acirrar a animosidade contra tudo aquilo que a meia dúzia não gosta.

Eu também fui contundente na defesa do projeto de Lula e Dilma. Aliás defendo o projeto petista desde sua nascente em S Bernardo. Eu também soube discernir em muitos momentos o que foi pura politicagem e o que foi discurso e esforço honesto. Eu também repliquei noticias e informações de vários cantos - tenho toda a lista dos "sujos" em meus favoritos - e que eu julguei, naquela hora, algo importante de mais gente conhecer. Mas nesse momento sou um desprivilegiado geográfico e não posso sentar-se a mesa de botecos paulistanos para erguer brindes à vitória da militância dessa meia dúzia.

Sendo assim estou bem longe de conseguir minha primeira centena de seguidores, talvez eu nem consiga, mas gosto de olhar para meus generosos e pacientes leitores como seres humanos e confesso que hesito muitas em abrir em profundidade o que penso para não passar a impressão que de mim deve emanar luz sobre toda a escuridão da ignorância humana. Prefiro ao contrário colocar um pouco de poesia e romantismo nessa conversa toda, pois acho que esse pode ser um bom caminho para o definitivo entendimento entre as pessoas e não dos modelos que elas gerenciam.

Prefiro convidar meus generosos e pacientes leitores a refletirem com um tantinho mais de humanidade e sem nada de raiva e ironia a respeito dos contratempos, circunstancias crenças e comportamentos das pessoas.

E estou escrevendo tudo isso por que ouvi ecos de minha voz no deserto vindo lá dos lados de dois blogs: um é o Tudo Em Cima do André Lux e o outro é o Abra a Boca, Cidadão! da Sonia Amorim e que souberam com muito mais competência que eu escrever sobre essa triste realidade que parece desenhar-se no horizonte, mas que ainda dá tempo de transformá-la.

E como já é praxe aqui no Saúva faço conexão com quase tudo que escrevo com alguma música que quase invariavelmente é do repertório daqueles moços lá de Liverpool.

Fiquem em paz,
Jonas

segunda-feira, 7 de março de 2011

O podre "latifúndio" blogosférico (em apoio ao André Lux)

Blogosfera não tem dono. Pioneirismo, número de seguidores, organização de atos públicos, entrevista com Lula... não são credenciais pra ninguém se colocar em torre de marfim, em altar, como semideus. E exigir dos demais coluna vergada, incensamento.

- por Sonia Amorim, no blog Abra a Boca, Cidadão!


Bom saber que não estou sozinho neste luta
contra o nascimento do PiG blogosférico
 
Desde a histórica entrevista do presidente Lula a um grupo de blogueiros autodenominados "progressistas", em 24.11.2010, vimos alertando a blogosfera sobre as atitudes autoritárias, preconceituosas e antidemocráticas de alguns destes blogueiros em relação aos demais editores/redatores de blogs independentes.

Começamos a manifestar preocupação com o comportamento destes "colegas de ciberespaço" no post Fogueira de vaidades e demos continuidade nos posts O "grito dos excluídos", Sabujice blogosférica, Em nome da verdade, Alerta geral: risco à blogosfera e Rebelião blogosférica, todos publicados aqui no final de novembro do ano passado.

O Abra a Boca, Cidadão! é um blog novo, completará 5 meses na próxima semana. Estes posts alertando sobre os riscos de um "pig blogosférico" tiveram pequena repercussão. A questão não foi amplamente debatida, esta reles blogueira foi desautorizada por gracejos e insinuações de alguns blogueiros "medalhões" e o problema continua.

Felizmente, há "vida inteligente" na blogosfera. Gente que pensa com a própria cabeça, que não precisa de "mentores", que rechaça e denuncia intolerância, autoritarismo, vaidade doentia, arrogância, prepotência e outras atitudes típicas da velha mídia reproduzidas em alguns setores da blogosfera.

É o caso do jornalista e blogueiro André Lux, que lucidamente vem postando em seu blog Tudo Em Cima artigos sobre esse grupelho de blogueiros "tubarões", que se dizem "progressistas", mas se comportam ridiculamente como proprietários do ciberespaço, transformando-o numa espécie de feudo, onde eles são os senhores e os demais (nós todos), reles vassalos, relegados ao papel de elogiá-los, aplaudi-los, incensá-los.

Adeptos do pensamento único, não admitindo opiniões divergentes nem vozes dissonantes, costumam falar em nome da blogosfera, sem que tenhamos dado qualquer procuração a eles. E é aí que está o problema.

E quando criticados, denunciados, se colocam como vítimas, ridicularizam, menosprezam, diminuem, fazem pouco. Mas nunca descem do pedestal onde se colocaram.

Se não nos posicionarmos e denunciarmos tais atitudes, se permitirmos, podem vir a criar oligarquicamente alguma regulamentação, "carteira/registro de blogueiro", crachá, anuidades e outras espertezas mais...

Blogosfera não tem dono. Pioneirismo, número de seguidores, organização de atos públicos, entrevista com Lula... não são credenciais pra ninguém se colocar em torre de marfim, em altar, como semideus. E exigir dos demais coluna vergada, incensamento.

O ABC! não aceita e não faz idolatria de quem quer que seja. Muito menos de reles, imperfeitos e falíveis mortais.

domingo, 6 de março de 2011

Meu desabafo acertou o alvo, fez alguns vestirem a carapuça e, claro, partirem para o ataque

Reis da cocada preta da blogolândia não
estão nem um pouco felizes comigo...
Eu sempre digo: a melhor forma de você avaliar se uma teoria sua tem fundamento é analisar a reação daqueles que poderiam vestir as carapuças. E isso já aconteceu.

Meu texto "Há algo de podre no reino da blogolândia" foi distribuído por várias redes de emails da net e, em uma delas, gerou a reação extremada de dois blogueiros que certamente sentiram o golpe das minhas denúncias e prontamente passaram a me atacar.

Reproduzo abaixo o que um desses blogueiros escreveu em relação ao meu texto só para vocês terem idéia. Como o email foi enviado abertamente ao grupo não vejo problemas em reproduzí-lo - embora mantenha os nomes dos envolvidos ocultos para não fazer com eles o mesmo que fazem comigo (meus comentários estão em negrito):

"********,
como você sabe, nesses quase seis anos como blogueiro construí uma rede de amigos que chega aos milhares. Recebi umas três centenas de e-mails e mensagens privadas no blog. A intenção desse moço está muito clara para quantidade de gente que ele nem cogita."

Aqui se percebe a necessidade quase patológica desse blogueiro em obter aprovação e se autoafirmar citando as milhares de mensagens e emails de apoio que recebeu (acho até que foi modesto: devem ter sido milhões!). Além de tudo é paranóica ao extremo, pois vê intenção oculta nos meus atos, a qual, segundo ele, está clara para muito mais gente do que eu possa sonhar (o Obama não deve estar nada feliz comigo, imagino...)

"Ainda tentará manter o assunto vivo por mais alguns dias, mas o grupo que embarcou na dele não representa nada. Está se queimando a cada post. Em vez de desafiar os grandes poderes que mantêm este país no atraso, fica se masturbando com meros blogueiros."

Aqui fica claro que existe mesmo na cabeça dessas pessoas uma divisão de grupos na blogosfera. Tem o grupo deles (os "reis da cocada preta" e seus zangões) e o resto desprezível (que não os encara como oráculos da blogsfera). O blogueiro afirma que estou me "queimando" a cada novo post. Queimando para quem? Meu pai? Minha mãe? Minha esposa? Meus amigos verdadeiros? Ou será que é para o grupelho de blogueiros estrelas que querem virar os xerifes e porta vozes da blogolândia? Também fica claro a grosseria e a falta de decoro da pessoa ao se referir ao ato da masturbação de maneira degradante e desrespeitosa.

"Não dê bola, *******. Ignore. Só um demente pode acreditar na teoria que esse texto patético difunde, de que haveria algo de "podre" na blogosfera. Eu nem li. Tenho mais o que fazer. Estou preocupado com assuntos de interesse público e os anseios para se projetar nas costas de blogueiros conhecidos só interessa a esse sujeito."

A pessoa afirma que "nem leu" meu texto, porém sabe tudo que eu escrevi e sentiu-se ofendido por aquilo que nem leu. Em seguida demonstra novamente sua necessidade patológica de autoafirmação ao citar todos os "assuntos de interesse público" que está envolvido e no final deixa claro seus delírios de grandeza ao se auto proclamar um "blogueiro conhecido" em cujas costas pessoas "dementes" querem se projetar!

"As pessoas não querem saber de fofocas, querem informação, análise, querem saber de temas relevantes.
Beijo
***"

O blogueiro despede-se do seu interlocutor novamente fazendo questão de se autoafirmar como uma espécie de oráculo da blogolândia, provedor de informação, análise e temas relevantes. Como se vê, humildade e bom senso são seus fortes.

Depois de tantas revelações chocantes sobre a minha pessoa, confesso que fiquei muito preocupado, ao ponto de ter resolvido dormir em cima da pia da cozinha esta noite! Não adianta tentarem me convencer do oposto, pois já me decidi! Agora consigo imaginar mais uma diálogo entre esses super blogueiros:

- Ei, tudo bem? Você leu o novo texto do tal de Lux?
- Li sim. Não concordou de novo com a gente! Esse cara é louco?
- É sim, eu sei. Recebi milhares de mensagens confirmando isso.
- O sujeito não percebe que assim está se queimando?
- Pois é. Quando formos escolher quem serão os blogueiros a entrevistar a Dilma ele estará fora!
- Com certeza! Queimou o filme!
- Pior que eu sei qual é a verdadeira intenção dele!
- Jura? Qual é?
- Ele quer ....... (complete a frase com qualquer loucura do tipo "dominar o mundo e fazer de todas as mulheres suas escravas sexuais").
- Não me diga! Você tem certeza?
- Absoluta! Isso me foi confirmado por milhares de emails que recebi. Você sabe que fiz milhões de amigos e sou  uma pessoa muito importante, né?
- Cara, você é demais! No próximo encontro de blogueiros você vai estar na mesa principal de novo!
- Que é isso... Só se você estiver também!

Enfim, se vocês ainda tinham alguma dúvida de que existe realmente algo de podre no reino da blogolândia, acho que não tem mais...

Desabafo: Há algo de podre no reino da blogolândia...

Grupo de blogueiros ataca em bloco a fim
de formar opinião única na blogolândia
Hoje vou tocar num assunto muito delicado e que certamente vai causar polêmica na blogolândia, mas que vem me incomodando já há algum tempo. Não falei sobre isso antes para não ser acusado de disparar “fogo amigo”, principalmente durante as sofridas eleições do ano passado.

Mas sinto que agora é a hora de colocar o dedo na ferida. O assunto diz respeito ao comportamento de alguns blogueiros ditos progressistas ou de esquerda que, de uns tempos para cá, vem atuando em bloco para construir uma espécie de “pensamento único” dentro da blogolândia e também para barrar qualquer um que pense diferente deles. Ou seja, começam a atuar justamente como o PiG que tanto criticam! Não vou citar nomes aqui porque minha intenção não é acusar ninguém, mas sim desabafar e, quem sabe, chamar a atenção das pessoas para esse fato que certamente vem incomodando outros blogueiros como eu.

O episódio da participação da Dilma na festa da Folha de S.Paulo foi o divisor de águas que finalmente, na minha opinião, escancarou a prática dessa turminha que, infelizmente, está agindo assim por vaidade, soberba, sectarismo, necessidade de autoafirmação ou algum outro motivo obscuro que só seus membros podem conhecer.

O fato de esse grupo ter se ofendido com a participação da presidenta na citada festa não é o problema em si, mas sim a maneira como seus membros agem em bloco para vender a idéia de que a blogolândia em peso possui a mesma visão deles e, pior, a forma grosseira e intolerante como tentam enquadrar os que pensam diferente.

A impressão que dá é que agem da seguinte forma. O blogueiro A liga para o blogueiro B e diz:
- Você viu que absurdo a Dilma na Festa da Folha?
- Vi sim, fiquei revoltado!
- Pois é, depois de tudo que a gente fez para eleger ela, é inadmissível que vá até a Folha!
- Concordo, eu mesmo me sacrifico todos os dias na minha luta contra a imprensa golpista e agora a Dilma vai lá na festa deles, na maior tranqüilidade?
- Faz o seguinte: publica um texto criticando essa atitude dela no seu blog que eu publico depois no meu, com grande destaque. Você sabe que o meu blog é super bem visitado, né?
- Sei sim, o meu também. Inclusive vou ligar para aquela blogueira C amiga nossa e falar para ela também criticar a Dilma e publicar no blog dela outros textos do mesmo naipe dos amigos dela.
- Legal! Aí tenho certeza que toda a blogosfera vem na nossa onda.
- Com certeza, afinal eles devem muito a nós por tudo que fizemos esses anos todos para eles.
- Mas e se alguém reclamar, ficar contra a gente?
- Aí a gente usa aquela velha tática. Eu me faço de vítima no meu blog, jogo na cara de todo mundo o quanto sofro e o quanto já fiz pela blogosfera e você repercute tudo no seu blog.
- Isso, boa!

Esse diálogo acima é totalmente fictício, porém não ficaria surpreso se ele tivesse realmente ocorrido. O que interessa é que esse grupo de blogueiros que se julgam os “reis da cocada preta” começa então a atuar em bloco para vender uma opinião deles como se fosse a voz da blogosfera. E aí, caso alguém ouse discordar deles, passam a atacar essas pessoas da pior forma possível: se fazendo de vítimas (alguns chegam ao cúmulo de dizer que foram ameaçados de censura!) ou simplesmente denegrindo quem ousou discordar deles.

Talvez o fato de terem alcançado seus 15 minutos de fama por causa da blogagem tenha cegado os componentes desse grupelho para um fato importante: a blogolândia não tem dono, nem voz única, muito menos xerife. E quem tenta ser dono, porta voz ou xerife da blogolândia apenas se expõe ao ridículo.

Eu sei bem do que estou falando porque justamente nesse episódio “Dilma na festa da Folha” fui vítima de ataques e retaliações por parte de gente que jura de pé junto que é democrata e defensor da diversidade de opiniões e da liberdade de expressão. Um desses blogueiros, que realmente passou a se julgar o “guru da blogolândia”, chegou a enviar um email pedindo que eu tivesse “grandeza” nesse assunto. No começo não entendi nada, mas depois percebi que na verdade ele tentava me fazer parar de criticar uma blogueira descontrolada que estava agredindo e ofendendo a todos que discordaram dela, inclusive pelo twitter. Quando, depois de argumentar que eu estava apenas defendendo meu ponto de vista e reagindo aos citados ataques, eu perguntei ao sujeito se ele estava querendo que eu oferecesse a outra face, pronto, fez-se de ofendido e cortou relações comigo. Chegou ao ponto de tirar meu blog da lista de indicados do dele - vejam só que coisa terrível, por pouco não me suicidei!

O mais engraçado da história é que esse tal blogueiro não teve nenhuma “grandeza” quando foi ele o alvo de ataques semelhantes ao que eu sofri, os quais ele revidou de forma bastante veemente e, inclusive, contou com o meu apoio, pois as críticas eram infundadas e injustas. Mas, no meu caso ele fez o contrário: escreveu um texto elogiando justamente a tal blogueira histérica que ofendia a todos que discordavam da opinião dela! Isso que é companheirismo, não?

Muita gente deve ficar triste e preocupada com esses fatos que estou narrando e não entende como isso pode acontecer. A verdade é que blogosfera é um micro cosmo do que é a esquerda na vida real. E, assim como na vida real muitos projetos e sonhos esquerdistas são destruídos por causa da vaidade, do sectarismo, da soberba e da necessidade de autoafirmação de algumas pessoas (mesmo das mais bem intencionadas), a blogosfera também sofre desse mesmo mal. É uma infelicidade, porém algo bem palpável.

Eu depois de ser atacado novamente pelos que
se julgam os "reis da cocada preta" da blogolândia
Da minha parte, espero que esse meu texto sirva para que esses blogueiros parem e reflitam um pouco sobre o que andam fazendo e sobre a forma como agem quando alguém discorda de seus pontos de vista - até porque tenho certeza que são pessoas bem intencionadas.

Mas, como conheço bem a natureza humana, duvido muito que isso vai acontecer. O mais provável é que amanhã pipoquem textos me detonando (direta ou indiretamente), o que no final das contas será apenas uma prova de que vestiram a carapuça mais uma vez. Eu nem ligo. Para quem já foi difamado publicamente pelo editor do jornal mais lido de Jundiaí e por poderosos profissionais da opinião, ser xingado por um blogueiro com delírios de grandeza é fichinha.

Finalizo afirmando que a verdadeira militância não condiz com cobranças, rabos presos ou ataques de estrelismo. Quem se dedica a uma causa de maneira sincera e abnegada não sente jamais necessidade de ficar jogando na cara dos outros o quanto se sacrifica por aquilo ou de ficar enumerando tudo que fez pelo bem daquela causa. O verdadeiro militante é, acima de tudo, um anônimo – e tem orgulho disso! Desconfie sempre, portanto, de quem faz o contrário.

sábado, 5 de março de 2011

Morre Alberto Granado, companheiro de Che em sua viagem de motocicleta

Opera Mundi

Alberto Granado, amigo e companheiro de Ernesto Che Guevara em sua viagem de motocicleta pela América do Sul, morreu neste sábado (05/03) em Havana, aos 88 anos, confirmaram fontes familiares.

Granado, nascido em 8 de agosto de 1922 em Córdoba (Argentina) e estabelecido em Cuba desde 1961, morreu de causas naturais, explicou seu filho, também chamado Alberto.

A televisão estatal cubana definiu neste sábado Granado como um "fiel amigo de Cuba" e detalhou que, segundo sua vontade, será cremado neste sábado em Havana e suas cinzas serão espalhadas por Cuba, Argentina e Venezuela.

Amigo de infância de Che Guevara, foi seu acompanhante na viagem que realizaram de motocicleta em 1952 pela América do Sul, um percurso que despertou a consciência política do guerrilheiro argentino.

Sobre "La Poderosa", o moto de Granado, os dois percorreram juntos boa parte do Cone Sul até que, nove meses depois, se separaram na Venezuela.

A viagem foi levada ao cinema em 2004 pelo filme "Diários de Motocicleta", dirigido pelo diretor brasileiro Walter Salles e protagonizado pelo mexicano Gael García Bernal, no papel de Che, e pelo argentino Rodrigo de la Serna, como Alberto Granado.

Grando e Guevara na balsa Mambo-Tango
Após essa viagem, Granado retornou à Argentina para trabalhar como bioquímico, mas, após o triunfo da revolução cubana, Che o convidou para ir a Havana e, um ano depois, decidiu ficar na ilha com sua esposa e seus filhos.

Em 2008, Alberto Granado viajou à Argentina para participar das comemorações do 80º aniversário de nascimento de Che Guevara na cidade de Rosário.

Sua última viagem ao exterior foi ao Equador há alguns meses, disse seu filho, que destacou que Granado foi um "grande revolucionário" e um homem que amava muito a vida.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sobre a participação Dilma na Ana Maria Braga. E um recadinho aos que se julgam os "donos da cocada preta" da blogolândia

Toda vez que algum blogueiro dito progressista se apresentar como provedor da verdade esquerdista ou posar de dono da cocada preta da blogolândia, lembre-se que esse tipo de coisa não existe exceto na cabeça daqueles que deixaram os 15 minutos de fama subir à cabeça e por isso se julgam no direito de inclusive tentar dar lições de moral e de grandeza em quem não concorda com a "verdade" deles.

Ontem, conversando com uma amiga sobre a participação da presidenta Dilma Roussef no programa da Ana Maria Braga (na Globo), obtive a seguinte resposta:

"Puxa, eu achei ótimo! Sabe por que? Minha sogra é extremamente alienada e por isso mesmo tem ódio do Lula e de tudo que cheire a PT ou esquerda. Mas ela não perde um programa da Ana Maria Braga e ontem por coincidência eu estava na casa dela justamente na hora em que a Dilma apareceu no programa. A minha sogra assistiu ao programa inteiro, não tirou do canal por nenhum momento. E eu pensando: caramba, essa mulher que até ontem tinha ódio mortal da Dilma está assistindo a ela falar e cozinhar numa boa, está tendo uma outra visão daquela mulher, algo que jamais teria se ela não tivesse ido ao programa da Ana Maria. Tenho certeza hoje que ela não sente mais o mesmo ódio que sentia da Dilma".

É por isso, meus caros leitores, que eu faço questão de deixar claro aqui que muita gente que condena as atitudes recentes da Dilma não tem a menor noção do que é política e de como se faz política na vida real. São pessoas que enxergam o mundo de forma compartimentada, estanque e por isso acham que somente a opinião delas é a correta e não suportam ler ou ouvir opiniões contrárias às deles - mesmo quando tem seus ataques de estrelismo e fazem questão de escrever longos e tediosos textos querendo provar justamente o contrário, que são exímios democratas e defensores furibundos da liberdade de expressão. Não serviriam nem para serem síndicos em seus condomínios...

São em momentos cruciais como esse em que vivemos que temos a oportunidade clara de separar o joio do trigo e constatar que na maioria das vezes os pretensos defensores da democracia e da liberdade de expressão estão na verdade querendo apenas alisar os próprios egos ou dar estocadas naqueles que não concordam com suas visões de mundo. Ou seja, agem da mesma forma que os vomitadores de opinião do PiG e nem se dão conta disso, tão cegos que estão pela própria soberba.

De minha parte podem ter certeza: vou continuar falando sempre livremente sobre qualquer assunto e deixando claro minhas opiniões, mesmo que isso machuque o ego daqueles pavões misteriosos que passaram a se achar mais importantes que a própria blogosfera. Até porque eu não devo nada a nenhum blogueiro, nem eles a mim, portanto, cada macaco no seu galho.

terça-feira, 1 de março de 2011

Vocês querem revolução? Então comecem ela em suas casas!

O coerente: ele odeia a Folha,
mas assina e lê todos os dias!
Olha, eu vou ser bem sincero com vocês: já está enchendo o saco esse escândalo todo que alguns blogueiros ditos progressistas estão fazendo em torno da presença da presidenta Dilma na festa da Folha de S.Paulo (e agora no programa da Ana Maria Praga).

Primeiro por um motivo simples: a Dilma tem o total direito, como presidenta eleita pela maioria da população do Brasil, de ir aonde bem entender.

Segundo: tem muita gente que fica aí batendo nela por ter ido na Folha ou na rede Globo, porém não fica um dia sem comprar a sua edição do jornal ou de assistir a uma novelinha, um BBBosta ou um joguinho de futebol na vênus platinada. Estou mentindo? Vocês sabem que não. Eu conheço pessoalmente uma meia dúzia de odiadores da Folha e da rede Globo que dão TODOS OS DIAS seu dinheiro ou audiência para o mesmo lixo que eles tanto criticam!

Isso tem um nome: HIPOCRISIA. Pra não dizer CINISMO ou simplesmente ESTUPIDEZ!

Eu, por exemplo, não dou meu dinheiro para o PiG (exceto no ano passado quando comprei o Estadão e a Folha para proteger o chão da minha casa durante a pintura das paredes) e não sintonizo na rede Globo há mais de 9 anos. Assino Carta Capital, Caros Amigos e Le Monde Diplomatique. Quantos aí que vivem esperneando contra a mídia corporativa fazem o mesmo? Deve dar pra contar nos dedos, podem crer!

Essas pessoas precisam aprender que não cabe a um governo democraticamente eleito peitar ou combater o PiG (Partido da imprensa Golpista). Ao governo cabe ter relações institucionais com esses representantes da midia corporativa, assim como deve ter com a Fiat, o Bradesco, a IBM ou qualquer outro organismo privado da nossa sociedade. Essa ideia de que governo de esquerda tem que detonar a iniciativa privada é conversa de lunático da ultra esquerda e eu já estou farto dela.

Nós vivemos num sistema chamado CAPITALISMO e isso não vai mudar só porque meia dúzia de super-heróis abnegados da blogolândia querem. E governo nenhum, sujeito às regras e práticas desse sistema, vai ter como enfrentar esse monstro de frente. O que sobra aos governos mais à esquerda é simplesmente ir comendo pelas beiradas - que é o que Lula fez com maestria e agora a Dilma vai tentar fazer DO JEITO DELA.

Santo dio! A mulher está há apenas dois meses na Presidência e já tem neguinho e neguinha rotulando o governo dela disso e daquilo! Ah, vão plantar batatas!

E, olha, eu acho que a Dilma tem mais é que tentar estabelecer relações pacíficas com o PiG. Se eles querem fazer isso para tentar cooptá-la, deixem que façam! Tenho certeza que a Dilma tem discernimento e inteligência suficientes para saber onde está pisando e quem são seus verdadeiros inimigos e aliados. Eu quero viver num país civilizado, calmo e tranquilo, onde as pessoas não precisem viver a cada dia um novo sobressalto causado por uma nova denúncia falsa contra o governo, feita com a única intenção de causar rebuliço na sociedade (principalmente na classe média ignara) e pânico nos políticos!

Por isso tudo, acho mais do que saudável ver uma presidenta podendo fazer esse tipo de aproximação e tentando arranjar algum tipo de trégua com essa parte podre, porém muito real, da nossa sociedade. Algo que Lula não tinha como fazer, devido à sua rejeição total entre eles justamente por causa da sua origem humilde e falta de "diproma" superior.

Infelizmente, quanto mais o tempo passa, mais algumas pessoas vão demonstrando claramente que não possuem nem a maturidade nem a visão necessárias para opinar sobre política. Acabam se tornando a outra face da moeda que tanto criticam. E pior: ainda se acham no direito de ficar dando lição de moral nos outros ou então de se fazerem de vítimas quando confrontados com opiniões contrárias às suas!

Eu, sinceramente, já me enchi desse povo. Se querem revolução, eles que vão para as ruas então e tentem convencer o povo a nunca mais ligar sua TV na Globo ou então a cancelar suas assinaturas da Folha, do Estadão ou da Veja. Mas, que nada! Se eles mesmo não tem coragem e força de vontade para fazer isso, que moral tem para cobrar dos outros? É como eu sempre digo aos meus amigos: a revolução começa na sua casa!

O que esse pessoalzinho precisa mesmo é de um bom psicólogo, isso sim.

Filmes: "BRUNA SURFISTINHA"

SEM HIPOCRISIA

É um bom filme, interessante, bem humorado, bem interpretado e isento de lições de moral hipócritas ou psicologismos baratos

- por André Lux, crítico-spam

É bem melhor do que eu esperava esse filme baseado no livro "O Doce Veneno do Escorpião", escrito pela garota de programa Bruna Surfistinha, codinome de Raquel Pacheco, que hoje virou celebridade e vive com ex-cliente.

O diretor estreante Marcos Baldini consegue disfarçar bem a escassez de recursos técnicos com uma boa direção de atores e ausência de moralismos baratos que seriam fatais para quem almeja contar as história de uma prostituta - tema que ainda é tratado com grande hipocrisia e falso moralismo pela maioria das pessoas, infelizmente.

A boa sacada do roteiro é não tentar "desvendar" os motivos que levaram Raquel a se prostituir, embora ele mostre sua vida anterior, com a família e na escola, mas sem didatismo ou excesso de clichês. Pelo contrário, apesar de um pouco secos e distantes, seus pais (adotivos) parecem gostar genuinamente dela, o que de cara já neutraliza aquele irritante clichê de filmes sobre prostitutas: de que são todas crianças mal amadas ou abusadas em casa. Bruna/Raquel passa pela sua cota de abusos e humilhações, mas nada que justifique tamanha guinada na vida tranquila e boa que levava com sua família.

A verdade é que muitas meninas viram mulheres de programa porque querem (por inúmeros motivos que não cabe aqui citar) e muitas delas se dão bem nessa vida - o que o filme mostra de maneira bem realista. O que torna "Bruna Surfistinha" interessante é que ela, mesmo depois que casou e ficou famosa, não renega sua origem e faz questão de mostrar que fazia tudo aquilo por que queria e que também gozava em vários de seus programas.

Deborah Secco, por incrível que pareça, surpreende numa atuação despojada e corajosa, inclusive em cenas ousadas que certamente vão chocar os puritanos (como na que faz "chuva dourada" em um de seus clientes) e muita nudez. A atriz mergulha de cabeça naquele universo e não deixa a peteca cair em nenhum momento - nem quando Bruna/Raquel fica viciada em cocaína e aí faz de sua vida um inferno.

Interessante também é que o filme serve como um ótimo estudo dos motivos que levam os homens a procurarem as profissionais do sexo e, felizmente, mostra-os como pessoas normais e não como degenerados nojentos como gostam de pintar os falsos moralistas (mostre-me um homem que nunca transou ou ao menos teve fantasias ardentes com uma prostituta e eu te mostrarei um mentiroso).

Nisso o filme é bem fiel ao livro, pois em momento algum faz julgamentos morais dos clientes de Bruna/Raquel e mostra inclusive casais liberais que procuram a garota para satisfazerem juntos as suas fantasias sexuais.

"Bruna Surfistinha" é um bom filme, interessante, bem humorado, bem interpretado, com uma boa trilha musical e, felizmente, isento de lições de moral hipócritas ou psicologismos baratos. O que, convenhamos, não é pouco nos dias de hoje!

Cotação: * * * 1/2
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