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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Viana: PT rumo ao centro e oposição na UTI

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010.

- por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Dias atrás, escrevi um modesto balanço, centrado nas ações econômicas de Dilma nos primeiros dias de governo. Clique aqui para ler Dilma – balanço 1.

Agora, faço um balanço político.

Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher José Alencar para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002. Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com PMDB, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.

O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).

É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!

Isso sufoca a direita e a oposição. E aí chegamos a outro ponto importante. Não é à toa que Kassab movimenta-se para romper com o demo-tucanismo e aderir ao lulismo. Kassab sente-se sufocado e percebe que pode perder suas bases conservadoras para o lulismo. O melhor, talvez, seja juntar-se a esse impressionante movimento político (o lulo-petismo) que – nascido na esquerda - capturou a centro-esquerda e agora se expande rumo ao centro.

Vejam o tamanho da hecatombe vivida pela oposição. Katia Abreu, a chefe ruralista, deve seguir os passos de Kassab, rompendo com o condomínio PSDB/DEM. Katia deu entrevista à “Folha”, avisando: “a oposição está na UTI”. Kassab vai levar com ele quase duas dezenas de deputados federais do DEM, 3 ou 4 do PPS e mais alguns tucanos desgarrados. A oposição vai minguar. Essa gente toda deve-se acomodar num “novo” partido, mas o projeto final é terminar no PSB de Eduardo Campos (partido que desde 1989 integra a base lulista).

Esse movimento de ocupação do centro pelo lulismo é fruto, também, dos erros de Serra durante a campanha de 2010. Muita gente avalia que a votação expressiva (de 44 milhões de votos no segundo turno) signficou uma meia-derrota para o paulista da Mooca. Do ponto de vista numérico e eleitoral, isso é verdade. Mas a derrota política de Serra foi acachapante.

Vejamos. Serra abriu mão de defender o programa liberal e privatizante do PSDB, e escondeu o ex-presidente FHC. Depois, tentou-se mostrar como o “verdadeiro” herdeiro de Lula, ajudando assim a legitimar o lulismo. Na reta final, de forma errática, aderiu a um discurso conservador amalucado, trazendo temas morais como aborto para o centro do debate (pra isso, apoiou-se nas tropas de choque monarquistas, na turma da TFP e da Opus Dei).

Serra fez, portanto, um duplo tuiste carpado rumo ao precipício: primeiro, legitimou o lulismo; depois, afundou-se rumo à direita. Achou que podia ganhar assim. E, de fato, ficou perto de ganhar (dados os erros da campanha pouco politizada de Dilma). Mas, no fim, a “meia derrota” eleitoral significou “derrota e meia” política.

Restou a Serra (e a parte do tucanismo) brigar para liderar a direita no Brasil. Aécio quer o PSDB no centro. E Kassab quer ser, ele mesmo, o novo centro.

Lula e Dilma sabem que é mais fácil enfrentar os tucanos desde que eles se mantenham na direita. Por isso, Dilma ocupa o centro. Certamente, com aval de Lula.

Nassif acaba de escrever um artigo excelente, tratando exatamente desse tema:

“Primeiro, não há a menor possibilidade de apostar em um rompimento dela com Lula. Ambos são suficientemente maduros e espertos para não embarcarem nessa falsa competição.

A sensação que passa é de uma estratégia combinada, na qual caberia a Lula manter a influência sobre movimentos populares, sindicalismo e PT; e a Dilma aproximar-se e desarmar os setores empresários e políticos mais refratários ao lulismo-dilmismo.

Do ponto de vista de estratégia política, conseguiram fechar o melhor dos mundos: o antilulismo está sendo carreado pela velha mídia para um pró-dilmismo, resultando um xeque- mate: se o governo Dilma for bem sucedido, ela é reeleita; se for mal sucedido, Lula volta.” (L. Nassif)

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno de 2010.

Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.

Qual o risco disso tudo?

O risco é embaralhar a política e apagar as diferenças. Relembremos o que ocorreu no Chile, ao fim do governo Bachelet. Ela tinha claro compromisso com direitos humanos, com a civilidade e com os valores tradicionais da esquerda… Mas na política e na gestão da economia no dia-a-dia, o governo da “Concertación” (coalizão de centro-esquerda que governou o Chile desde a queda de Pinochet) assumiu o programa liberal da direita. Embaralhou-se tudo. Bachelet saiu do governo bem avaliada, mas não fez o sucessor (até porque o candidato dela, Frei, tinha imagem envelhecida e desgastada). Se não há mesmo diferença, pra que votar na “Concertación” de novo? Foi o que levou o eleitorado chileno a escolher Pinera – um megaempresário ligado à Opus Dei e a setores pinochetistas.

Pinera é um Berlusconi sem os arroubos sexuais do italiano. Paulo Henrique Amorim costuma dizer que, sem politização, a classe “C” de Lula vai eleger um Berlusconi em 2014. O Chile já fez isso: escolheu Pinera.

A tática de Dilma e Lula, de ocupar amplo espectro (da esquerda ao centro), parece inteligente. Mas ao embaralhar o jogo, permite que a direita faça 0 mesmo e caminhe para o centro. Desfeitas as fronteiras (Kassab no PSB seria o sinal derradeiro desse movimento), abre-se a incerteza no horizonte, rumo a 2014.

O petismo conta com Pelé no banco. Se o quadro ficar confuso, chama-se Lula. Arriscado. Mas esse parece ser o jogo. Gostemos ou não.

Histeria e sectarismo de alguns expõe a blogosfera ao ridículo

Num momento em que muitos blogueiros de esquerda perdem a cabeça por causa de sectarismos ou de surtos de estrelismo, reproduzo o texto abaixo do meu amigo Edgar Borges, o qual assino em baixo.

O necessário e a perfumaria. Ou: unidade, companheiros!

No momento, o inimigo joga em dois campos: aprecia os rumos iniciais do governo e se diverte com a nossa desunião perante o gesto simbólico da Presidenta ir a ao evento da Folha. Pra eles, é o melhor dos mundos: enquanto nos matamos pela ida da Dilma ao aniversário do jornal, esquecemos que os juros aumentaram, o corte de gastos atinge setores essenciais da economia, o salário mínimo não cresceu como poderia e a Lei dos Meios vai sendo esquecida

- por Edgar Borges, no blog Pitacos Genéricos

Dilma na Folha assusta alguns blogueiros,
que gritam: "É o fim do mundo!!!"
A ida da Presidenta Dilma Rousseff ao aniversário de 90 anos da Folha de São Paulo, na última segunda-feira, suscitou uma enorme polêmica entre os blogueiros progressistas. Uma parte se mostrou descontente e até indignada com essa atituda da Presidenta, uma vez que todos sabemos do papel muitas vezes nefasto desse jornal em nossa história, como o apoio a ditadura, ideológico e material, emprestando seus carros para o transporte disfarçado de presos políticos, e os inúmeros factóides por ela criado durante o governo Lula e a última eleição (culpar o Presidente Lula pelo acidente da TAM em Congonhas, ficha falsa da Dilma, menino do MEP e tantos outros). Em suma: a revolta dessa ala dos blogueiros é sim justificada pelos fatos. Dilma foi congratular com o antigo algoz.

Faço parte da outra ala, por assim dizer. Não é todo dia que um jornal de grande circulação completa 90 anos, e os números redondos sempre trazem maiores comemorações, hipocritamente ou não(vide as chamadas bodas de ouro, aos 50 anos de casamento, e tantos outros exemplos em que números redondos recebem mais atenção que uma data ou número quebrado). Assim, a Folha organizou uma grande festa na Sala São Paulo, repleta de líderes e autoridades, e convidou a Presidenta.

Já enfrentamos, injustamente, acusações de sermos contra a liberdade de imprensa, por querer regulamentar a mídia e por fim aos seus abusos. A não ida da Presidenta ao evento certamente traria essas críticas e muitas outras, por algo muito pequeno, perto do que realmente importa: a disputa de rumos deste novo governo. Por isso o título da postagem.

Esse início de governo, como explicitaram o Altamiro Borges, Rodrigo Vianna, Luis Carlos Azenha, entre outros, é preocupante: o receituário ortodoxo e liberal da economia voltou a ser plenamente aplicado. Um duríssimo ajuste nas contas, que atinge setores básicos da economia e do estado, como corte de verbas nas universidades federais e suspensão dos concursos públicos (alguém acha que o número de médicos e professores, atualmente, é satisfatório?). Aumento da taxa de juros, que traz ainda mais capital especulativo ao país, fazendo o real se valorizar e prejudicando nossas exportações e a nossa indústria, com a invasão de produtos chineses.

Outro tema, caro a todos nós da militância digital, onde o governo parece tergiversar, é a chamada Lei dos Meios de Comunicação. A concentração e monopólio das comunicações é a face visível e propagandística desse capitalismo selvagem e excludente que combatemos. Se queremos mudanças de fato no Brasil, passa necessariamente por democratizar os meios de comunicação e evitar que os grandes conglomerados façam vítimas em seu caminho, sem a punição devida. Sem isso, é impensável que teremos um povo mais consciente de sua cidadania e melhor preparado para a crítica necessária ao capital.

O Rodrigo Vianna escreveu há pouco, no Escrevinhados, uma boa análise dos rumos políticos deste governo. A Presidenta Dilma rumo ao centro do espectro político, e o ex-presidente Lula trata de segurar os sindicatos e movimentos sociais com seu enorme prestígio. A questão é que as atitudes efetivamente tomadas por este novo governo contrariam os interesses da grande massa da população. E o projeto, claramente, vislumbra deixar o PT o máximo de tempo possível no Planalto.

Temos que ficar atentos, e ver até onde o projeto do PT atende aos anseios do povo. As mudanças promovidas no governo Lula são apenas o início do que esperamos para o Brasil. Se isso for esquecido, em prol do projeto de um Partido, temos que esquecer os belos olhos do ex-presidente Lula e ir pra luta. Ir pro pau, movimentos sociais mobilizados, botando gente na rua em defesa dos interesses da população. Pelo que podemos perceber, os movimentos iniciais deste governo são para agradar a parte conservadora do país. Fiquemos atentos até onde vai esse chamego da Presidenta Dilma com os meios conservadores do país, e a contrapartida necessária aos anseios da população. É nessa gangorra que os rumos do país serão decididos.

Dilma ir ao aniversário da Folha é, portanto, o menos importante destes dias iniciais de seu governo. No momento, o inimigo joga em dois campos: aprecia os rumos iniciais do governo e se diverte com a nossa desunião perante o gesto simbólico da Presidenta ir a esse evento. Pra eles, é o melhor dos mundos: enquanto nos matamos pela ida da Dilma ao aniversário da Folha, esquecemos que os juros aumentaram, o corte de gastos atinge setores essenciais da economia, o salário mínimo não cresceu como poderia e a Lei dos Meios vai sendo esquecida.

Portanto, a hora é de cabeça fria, no lugar. Política é feita com a cabeça, não com o fígado. Vamos nos lembrar daquilo que nos une e que gerou o belo evento de juntar mais de 300 blogueiros em São Paulo: a democratização dos meios de comunicação, em especial. Nesse item, temos muito a oferecer e agregar.

Lendo o discurso protocolar da Presidenta Dilma na Folha, enxerguei de forma semelhante ao Stanley Burburinho: uma grande ironia e tiração de sarro pra cima da Folha. Todos os presentes sabiam que a Dilma falava aquilo tudo da boca pra fora, todos sabiam que era tudo falsidade. Deve ter constrangido o Otavinho e o pulha do Reinaldo Azevedo correu a se aproveitar do discurso.

Fico com a imagem que a Cynara Menezes descreveu no twitter: era a General Vitoriosa pisando no campo dos derrotados da guerra, a lembrá-los de sua humilhação.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Blogueiro que se julga o "dono da verdade esquerdista" tenta dar lição de moral no resto da blogosfera. Pra cima de mim não, violão!

Por meio do blog da Maria Frô tomei conhecimento de um texto publicado por um tal de Maurício Caleiro, em seu blog Cinema & Outras Artes, que se porta como o porta voz de uma suposta "blogosfera iluminada" e ataca de forma genérica toda a blogosfera de esquerda (pois não dá nomes aos bois), como se fosse uma espécie de dono da verdade esquerdista (mais um!), daqueles que acham que estão acima do bem e do mal e por isso tem direito de tentar dar lições de moral em todos que discordam dele. Abaixo a minha resposta ao texto dele.

Esse aí se acha o "dono da verdade"...
Desculpe amigo, mas sou obrigado a discordar do seu texto, que é bem primário e cheio de inverdades por sinal.

Explico.

Primeiro, você apela para um sofisma para desqualificar a blogosfera ao afirmar que ela tenta "canonizar e beatificar" Lula. Não vi ninguém fazendo isso. O que vejo são simplesmente pessoas dando a Lula o crédito que merece: o de melhor presidente da história do Brasil - e isso nem era algo difícil de conquistar, já que os presidentes anteriores a ele (ditadores inclusive) foram muito, mas muito ruins. Desafio você a dar o link para todos esses textos que querem "canonizar" o Lula na blogosfera - até porque quem acusa tem que provar, a menos que eu tenha me enganado.

Segundo: você tenta qualificar como "herança maldita" o abacaxi que Lula deixou para Dilma como sendo fruto de incompetência ou de erros dele. Aí é ingenuidade sua. Todos nós sabíamos que as coisas não andavam tão bem com a economia - em grande parte devido à crise gravíssima que o capitalismo mundial atravessa. Mas o fato é que ano passado era ano eleitoral e seria suicídio político para um governo (qualquer governo!) começar a tomar atitudes impopulares para tentar regular a situação - ainda mais quando o adversário da esquerda era um psicopata como Serra que ainda por cima contava com apoio total do PiG. Dilma, portanto, sabia o que a esperava (assim como qualquer um com bom senso) e está fazendo o certo dentro das circustâncias: tomando medidas impopulares, porém necessárias, no início do governo quando ainda pode se dar ao luxo. Sim amigo, a política é algo complexo e é preciso jogar o jogo com lucidez e visão a longo prazo, sabendo a hora de atacar e de defender, algo que certamente incomoda muito os puristas e os ingênuos. Que bom que eles não estão no governo! Se eu estiver errado, por favor, me aponte UM governo no mundo inteiro que tomou medidas impopulares em ano eleitoral e mesmo assim elegeu seu sucessor. Um só está bom.

Terceiro. Você novamente apela para um sofisma para desmerecer aqueles que criticam o PiG sem tréguas ao dizer que ele possui milhares de profissionais ao seu serviço - muitos dignos do nosso respeito sim - porém "esquece" do principal: quem tem a palavra final do que sai e de que maneira sai no PiG são os editores chefes. E aí a coisa complica, pois estes são pessoas da total confiança dos donos do PiG que, como todos sabemos, são reacionários, elitistas, autoritários, soberbos e antitrabalhistas até os ossos. Portanto, o trabalho daqueles "milhares", no final das contas, tem muito pouco peso frente às decisões de meras "centenas", talvez "dezenas", de manda chuvas totalmente alinhados às doutrinas e ideologias de seus patrões.

Quarto. Você surta e rompe com Dilma porque ela teve a "audácia" de aceitar um convite da Folha para participar da comemoração dos 90 anos do jornaleco golpista. Você e alguns outros encararam isso como uma traição. Direito seu ter essa reação, mas quem lida com política no mundo real e não apenas no mundo das idéias sabe que muitas vezes um gesto de grandeza fere o inimigo muito mais do que um gesto de violência. Ao aceitar ir ao evento e ser a principal oradora, Dilma dá uma estocada de mestre em toda aquela corja de papagaios e capachos que tanto a agrediram só para agradar o chefinho deles. E uma estocada ainda maior no próprio chefinho! Afinal, todos tiveram que engolir a presença dela na festa deles como a PRESIDENTA DA REPÚBLICA, eleita democraticamente, a despeito de TUDO que fizeram para impedir tal ato. Eu, se estivesse no lugar dela e com a experiência que tenho hoje, faria EXATAMENTE a mesma coisa. E sairia de lá gargalhando. Muito melhor do que dar uma de orgulhoso e não ir ao tal evento, só para no dia seguinte ser chamado de "pequeno", "mesquinho", "indigno de ocupar a Presidência da República" e outras ofensas que eles estavam loucos para escrever ao meu respeito, não? Se amanhã eu virar Prefeito de Jundiaí e o Sindey Mazoni tiver que me convidar para a festa de aniversário do "Jornal de Jundiaí" eu vou comparecer com o maior prazer do mundo - com  direito a tapinha nas costas e pose para fotos!

Por fim, o seu texto que tanto bate na blogosfera de forma geral (já que não tem coragem de dar nomes aos bois) e tenta de tudo para pintá-la como "radical", "maniqueísta" e "simplista" é, no fundo, radical, maniqueísta e simplista ao extremo, além de demonstrar uma vontade imensa de provar algo que, cá entre nós, só interessa a você e ao seu psicólogo.

Desculpe a minha franqueza, mas minha ética de blogueiro me obriga a ser assim. Sem dizer que fogo amigo como o que você disparou só merece mesmo esse tipo de tratamento mesmo.

Fico pasmo, entretanto, com o número de pessoas bem intencionadas e inteligentes que concordou com tudo isso aí que você escreveu - alguns chegaram até a reproduzir em seus blogs!

Sinta-se livre para me ofender da melhor forma que você sentir necessidade.

Sem mais,
André Lux - blogueiro de esquerda (na alegria e na tristeza)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Defensores da Democracia? Folha de S. Paulo reconhece que apoiou e serviu o Golpe de 1964

Folha: um jornal a serviço da ditadura
Matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo de sábado, dia 19 de fevereiro de 2011 (grifos meus):

A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.

Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.

As tensões características dos chamados “anos de chumbo” marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.

A entrega da Redação da “Folha da Tarde” a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos ‘terroristas’ mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.

Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da “Folha da Tarde” à repressão contra a luta armada.


Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Filmes: "TROPA DE ELITE 2"

CONSCIÊNCIA PESADA

De certa forma o diretor José Padilha acaba confirmando que quem acusou o primeiro "Tropa de Elite" de ser fascista estava certo

- por André Lux, crítico-spam

A impressão nítida que fica depois do final de "Tropa de Elite 2" é que o diretor José Padilha ficou com a consciência pesada por causa da mensagem fascista (involuntária) embutida no primeiro filme (que agradou a extrema direita brasileira a ponto de ganhar uma capa positiva do maior panfleto nazi-fascista do país, a revista Veja) e tentou se redimir na continuação.

De certa forma ele acaba confirmando que quem acusou "Tropa de Elite" de ser fascista estava certo (eu entre eles, clique aqui para ler minha crítica ao filme e aqui para uma análise mais profunda).

Por isso, o segundo filme é bem diferente do original. O Bope, a chamada tropa de elite, e o personagem André Matias (que era o narrador original da história e verdadeiro protagonista do primeiro filme) aparecem bem pouco e o foco fica em cima do capitão Nascimento (Wagner Moura) que, depois de uma ação violenta no presídio Bangu I que cai no gosto da população de classe média para a qual "bandido bom é bandido morto", é promovido a subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro.

Nesse sentido, "Tropa de Elite 2" não tem qualquer sutileza devido à ânsia do cineasta em provar que não é de direita. Assim, o herói do filme é um professor de História e defensor dos direitos humanos (dizem que esse personagem foi inspirado em um político do PSOL), que acaba ganhando os holofotes da mídia e é por isso eleito deputado estadual, gerando à princípio profundo ódio no Nascimento (no início do filme ele xinga o sujeito de "intelectualzinho de esquerda que ganha a vida defendendo vagabundo").

Mas, devido a uma série de circunstâncias descritas no roteiro, o defensor dos direitos humanos e o capitão Nascimento acabam tendo que unir forças para lutar contra os bandidos (no caso, policiais e políticos corruptos que comandam as milícias nas favelas cariocas).

"Tropa de Elite 2", entretanto, segue muito mais a linha dos filmes de ação estadunidenses do que os de denúncia no estilo de Costa-Gravas e, por isso, acaba não tendo o impacto necessário para mudar consciências (o estrondoso sucesso de bilheterias confirma isso, já que filmes que fazem as pessoas pensarem não fazem muito sucesso).

O exagero no didatismo ideológico, a falta de nuances e a unidimensionalidade dos personagens "maus", o primarismo psicológico dos protagonistas (Nascimento é de uma ingenuidade incompatível com sua experiência como comandante do Bope e o ativista de esquerda parece um super-homem!) e a maneira idealizada com que encara o trabalho da mídia (jamais uma denúncia daquelas contra políticos da direita seria publicada na imprensa corporativa) tira a chance do filme atingir patamares mais elevados.

Herói é esquerdista defensor dos direitos humanos!
Todavia, no aspecto técnico o segundo filme perde feio para o primeiro. O que o "Tropa de Elite" original tinha de dinâmico, ágil e forte este tem de lento e sem graça. A fotografia, um dos pontos altos do primeiro, não tem a mesma vibração e naturalidade na continuação.

Um dos pontos mais baixos do segundo é o seu elenco de apoio, principalmente o defensor dos direitos humanos que é feito por um ator pavoroso que às vezes mal consegue pronunciar seus diálogos. Nem mesmo Wagner Moura tem muito a fazer e fica quase o filme todo com cara de coitado, embora sua narração insista em retratá-lo como se fosse alguém descolado e esperto.

Entre mortos e feridos, "Tropa de Elite 2" é bem menos nojento que o primeiro filme, porém, paradoxalmente, tem bem menos impacto e por isso mesmo gera muito menos polêmica. Mas o importante é que o diretor Padilha teve a chance de se redimir e deve agora estar dormindo mais tranquilamente.

É o primeiro caso que eu conheça de uso do cinema para expiar uma crise de consciência! A revista Veja não deve ter gostada nem um pouco.

Cotação: * * 1/2

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Primeira Vitória: "Jundiaí Livre" obriga tucanos a madrugar na prefeitura e mandar seu peão midiático para o sacrifício

Direita em xeque: tucanos mandam 
Sindey Mazoni para o sacrifício de novo!
Se eu fosse comparar a política a um esporte, certamente seria o xadrez. E uma das melhores maneiras de se avaliar o sucesso de um movimento seu, tanto na política quanto no xadrez, é analisando friamente a reação do seu oponente.

Em Jundaí, a esquerda movimentou suas peças com o lançamento do Movimento Jundiaí Livre, que tem como objetivo dar voz às forças que querem uma nova forma de governar a cidade depois dos 20 anos de (des)governo do PSDB. O sucesso dessa iniciativa pode ser medido claramente nos movimentos realizados em seguida pela direita.

O primeiro deles foi convidar o senador Eduardo Suplicy, do PT, a visitar o prefeito Miguel Haddad e os deputados Ari Fossem e Luiz Fernando Machado no paço municipal após o final do evento de lançamento do Movimento Jundiaí Livre. O fato de Suplicy ter ido pouco importa para o movimento, afinal trata-se de um senador progressista que, por isso, tem obrigação republicana de manter um bom relacionamento com todas as autoridades públicas do Brasil. O que realmente importa é que o prefeito interino de Jundiaí, os deputados e seus assessores foram obrigados a ficar, em plena sexta-feira, na prefeitura até depois das 22h30 - que foi o horário que Suplicy deixou o evento.

Digno de nota também é o fato de repórter e fotógrafo do "Jornal de Jundiaí" terem ficado todo esse tempo junto ao interino para garantir que, pasmem, a matéria e a foto desse encontro irrelevante fosse publicada com destaque na edição do dia seguinte. Quem entende um pouquinho de jornalismo sabe que o fechamento da edição de um jornal só é postergado assim quando acontece um fato muito, mas muito importante. Convenhamos que um encontro meramente burocrático entre um senador e um prefeito não é um desses fatos.

E daí vem o segundo movimento da direita em Jundiaí: fazer o Sindey Mazoni, seu principal porta voz na imprensa corporativa municipal onde atua travestido de editor chefe do mesmo "Jornal de Jundiaí" (coincidência?), usar esse fato para tentar menosprezar o Movimento Jundiaí Livre. Vejam o que escreveu Mazoini em seu editorial semanal, esbanjando como sempre toda a sua sutileza digna de um rinoceronte correndo em um loja de cristais: "O senador Eduardo Suplicy (PT), pelo visto, não entrou no clima futebolístico-eleitoral em que está metida a política jundiaiense. Após a reunião com as oposições, foi ao encontro do prefeito Miguel Haddad e dos deputados Luiz Fernando Machado e Ary Fossen para presenteá-los com um livro".

Traduzindo tudo isso: o Movimento Jundiaí Livre está incomodando tanto os donos do poder em Jundiaí que eles já foram obrigado a movimentar suas peças no tabuleiro do xadrez político de maneira defensiva. Além de obrigarem seu rei e seus bispos a madrugar na Prefeitura à espera do senador Suplicy só para tentarem lucrar politicamente em cima do fato, ainda mandaram seu principal peão midiático para o sacrifício, fazendo-o tirar sua máscara e novamente jogar às favas a ética jornalística em favor de seus reais mandatários!

Ainda são movimentos sutis, que passariam em branco para a maioria das pessoas. Mas não menos importantes. Muitas jogadas ainda acontecerão nesse intricado tabuleiro, mas o fato é que o Movimento Jundiaí Livre, um dia após ter seu lançamento oficializado, já conquistou sua primeira vitória.

Movimento Jundiaí Livre: Foi dada a largada para a corrida da mudança

A idéia é que o movimento mobilize toda Jundiaí em 2011, denunciando as malfeitorias da prefeitura, principalmente do prefeito Miguel Haddad (PSDB) e colocando toda a sociedade jundiaiense em um embate de idéias.

- por Felipe Andrade, no blog Japi Pelo Prisma da Esquerda

Lançamento do Movimento Jundiaí Livre mobilizou autoridades e sociedade civil
 Na última sexta-feira (18) ocorreu o primeiro ato do Movimento Jundiaí Livre, organizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), pelo Partido dos Trabalhadores (PT), pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e pela União da Juventude Socialista (UJS). O lançamento do movimento contou com a presença do Senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

A mesa foi composta pelo presidente do PCdoB de Jundiaí, Tércio Marinho, pelo presidente do PSOL de Jundiaí, Vanderlei Victorino, pelo presidente do PT de Jundiaí, Paulo Eduardo Malerba, pelo presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e região, Edegar de Assis, pela vereadora do PT em Jundiaí, Marilena Negro e pelo deputado estadual eleito pelo PCdoB de Jundiaí, Pedro Bigardi.

A tônica de todos os discursos e força motriz do movimento é a palavra mudança, e seguindo as diretrizes de seus partidos, os presidentes falaram de diferentes formas porque Jundiaí precisa mudar, porque o atual modelo de gestão que impera na cidade não atende as demandas da população, e todos afirmaram que o atual prefeito governa de forma excludente, deixando a população mais carente da cidade fora das ações de benfeitoria do governo municipal.

A vereadora Marilena Negro (PT) externou suas dificuldades na câmara municipal, denunciando o compadrio que impera naquela casa, explanando sobre as dificuldades de ser oposição em uma casa de leis onde a bancada do governo ocupa 14 das 16 cadeiras. O presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região, Edegar de Assis, abordou que somente a união trará bons frutos para a cidade.

O Deputado Pedro Bigardi (PCdoB) denunciou que o atual grupo que governa Jundiaí está preocupado, somente, com seus próprios negócios, transformando Jundiaí em um eldorado para negócios imobiliários. O Senador Eduardo Suplicy (PT) apoiou o movimento, e salientou que é deste modo que se faz cidadania.

População cansada dos desmandos dos governo do PSDB lotou o auditório
A militância presente recebeu com entusiasmo os discursos e mostrou que o movimento nasceu com força. A idéia é que o movimento mobilize toda Jundiaí em 2011, denunciando as malfeitorias da prefeitura, principalmente do prefeito Miguel Haddad (PSDB) e colocando toda a sociedade jundiaiense em um embate de idéias.

Na mesma noite foi lançado o manifesto do movimento, para que as idéias oposicionistas estejam claras para toda sociedade. A juventude esteve presente, mostrando que o interesse pela mudança está em todas as faixas etárias.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Manifesto de lançamento do “Movimento Jundiaí Livre”

O Movimento Jundiaí Livre é formado por cidadãos e cidadãs de diversos setores da nossa sociedade, que compartilham dois objetivos em comum: tornar a nossa cidade mais democrática e socialmente inclusiva. Envolve entidades e pessoas que amam Jundiaí. Pessoas nascidas, criadas ou que escolheram esta terra para levar a vida e cuidar de suas famílias. Que acreditam na democracia e na soberania popular para decidir seus caminhos.

Jundiaí possui um incrível potencial. Situada entre as duas das mais importantes cidades do Brasil, tem o privilégio de ser servida por grandes rodovias, como a Anhangüera e a Bandeirantes. Além disto, conta com reservas naturais significativas, fontes de água, como rios, represas e a Serra do Japi, um patrimônio da flora e da fauna. Esta é uma situação privilegiada e que pode beneficiar nossa cidade e toda população.

Mas, infelizmente, temos visto a falta de planejamento, o poder econômico e a especulação imobiliária desgastarem dia após dia a esperança de vermos efetivamente uma cidade que contemple o desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural de nosso povo. Um mesmo grupo governa esta cidade por longos vinte anos consecutivos, articulando interesses econômicos e políticos de um pequeno grupo em detrimento dos mais de 370 mil habitantes de Jundiaí. Isto é algo que gravemente nos preocupa.

Não apenas a falta de alternância no poder que justifica esse tipo de análise, mas, principalmente, o modo como se executa a continuidade política e os métodos utilizados para a dominação política local. Um grupo no poder que se perpetua através do uso da burocracia e do conhecimento da máquina política. Aproveitando-se do acesso a informações e da posição privilegiada na pirâmide do poder, a atividade política passa a ser exercida a fim de conseguir prosperar um projeto de continuidade nas esferas decisórias, tornando comum o uso privado do setor público. Esse grupo ainda estabelece o controle dos recursos financeiros conforme seu projeto de domínio; influencia os meios de comunicação e divulgação de informações para atender seus próprios interesses; barra novas iniciativas que possam expor ou colocar em risco sua manutenção no poder e busca deter por todos os meios qualquer movimento articulado de oposição, como acreditamos que também seremos vítimas. Mas resistiremos.

O grupo no poder também organiza a estrutura política em benefício de seu projeto de manutenção – ou seja, seus interesses não são os mesmos daqueles que deveria representar. Dessa forma, a participação dos indivíduos torna-se segmentada, limitada e amplia-se o poder da classe dirigente, o que permite que quaisquer resistências a estes mecanismos sejam minadas. Em Jundiaí, o trabalho para conseguir romper esta lógica é árduo, de tão enraizados que estão os mandatários locais, acostumados a tantas décadas de controle da política. Eles apenas trocam de siglas e de nomes, mas sempre representam os mesmos interesses.

Somos um Movimento de Oposição, consciente de nosso papel como agente político e capaz de mobilizar a sociedade para uma alternativa bastante diferente desta que esta colocada pelo Prefeito. Não queremos falar de eleições, mas inserir a população em debates sobre temas fundamentais, como educação, saúde, mobilidade urbana, entre outros. Desta forma, realizaremos nossos próprios debates, ouvindo e dialogando com toda a sociedade e apontando outros caminhos. Queremos chamar a juventude para esta discussão, pois sabemos o quanto Jundiaí precisa de políticas para jovens, com acesso ao esporte, cultura e lazer de qualidade, algo que não ocorre atualmente. O jovem quer participar da vida pública e necessita de espaços que lhe dêem esta condição verdadeiramente, sem as amarras do grupo no poder. Este Movimento convida o jovem para esta participação livre.

É hora de discutir uma alternativa de cidade: mais justa, sustentável e voltada para o interesse da maioria. Modificar essa realidade política sufocante e projetar um novo futuro para Jundiaí é uma exigência de vastos setores da sociedade e uma forma de honrar a luta e o trabalho, ao longo da História, de tantos cidadãos e cidadãs que se dedicaram à nossa cidade.

Assinam este Manifesto (Partidos em ordem alfabética):
Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
Partido dos Trabalhadores (PT)
União da Juventude Socialista (UJS)

Clique aqui e visite o blog do movimento Jundiaí Livre

Convite: É HOJE, COMPAREÇA!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

"Jornal de Jundiaí" distorce os fatos para proteger incompetência da Prefeitura do PSDB

Promessas do PSDB saem do papel
só depois das denúncias de Bigardi
Meu blog tem repercutido as denúncias feitas pelo deputado estadual Pedro Bigardi que, mesmo sem ter ainda assumido o mandato oficialmente, está cumprindo com uma das funções do Poder Legislativo: fiscalizar o Executivo.

As denúncias feitas pelo deputado são referentes ao descaso da Prefeitura do PSDB de Jundiaí com a educação pública na cidade. O prefeito interino Miguel Haddad prometeu entregar material escolar para os alunos, mas até a visita de Bigardi às escolas nada tinha sido feito. O mais interessante, contudo, é que assim que o deputado do PCdoB denunciava o descaso em seu blog, a Prefeitura de Jundiaí corria até as escolas que ele visitou e entregava o material prometido!

Hoje, o "Jornal de Jundiaí" que, assim como o Poder Legislativo, teria a obrigação de fiscalizar os outros Poderes, distorceu esses fatos para, pasmem, proteger a incompetência dos tucanos da Prefeitura!

Confiram a notinha publicada hoje no referido jornal sobre o assunto (grifo meu): "Enquanto isso...- Já Pedro Bigardi (PCdoB), eleito para o mandato 2011 - 2014, enquanto não assume sua cadeira na Assembleia, procura fiscalizar a administração municipal. Ontem enviou vários e-mail à redação sobre denúncias de falta de material escolar, mesmo depois que os estudantes já haviam recebido os kits. E informou que vai fiscalizar a fundo também o setor da saúde.(R.D.)"

Preciso dizer mais alguma coisa? Depois quando a gente diz que esses órgãos de imprensa funcionam como verdadeiros panfletos do PSDB tem gente que reclama...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Bigardi constata: sem material, alunos são obrigados a utilizar folhas de papel e cadernos usados na rede pública de Jundiaí

Deputado Pedro Bigardi denuncia
Alunos da Escola Municipal de Educação Básica (Emeb) Rotary Club, no Anhangabaú, estão tendo de se valer de folhas de papel e cadernos usados nas salas de aula por causa da falta do material escolar prometido pela Prefeitura de Jundiaí. A constatação foi feita na manhã desta quarta-feira (16) pelo deputado estadual Pedro Bigardi. A direção da escola afirmou que até aquele momento ainda não havia recebido os materiais e não havia previsão para a entrega.

“Após denúncias de algumas escolas, estive no Rotary nesta manhã e pude conversar com os pais dos alunos durante a entrada dos estudantes. Nesta unidade escolar também constatamos a falta do material que a Prefeitura alardeou por toda a cidade já ter entregado”, destacou o deputado. “As crianças receberam um bilhete (veja imagem abaixo) da escola, no dia 14. Ele dizia que os pais deveriam providenciar cadernos, nem que fossem usados, porque o poder público ainda não havia enviado os kits. Por enquanto, elas estão escrevendo em folhas de papel.”

De acordo com Bigardi, a direção da Emeb Rotary Club confirmou o atraso na entrega. “Até esta manhã, a diretora e a vice-diretora disseram que não havia previsão para que os alunos recebessem o material. Isso mostra a total falta de respeito da Prefeitura com os pais, estudantes e profissionais da Educação. Eu sou professor e sei como é difícil para o aluno uma situação desta. O que mais me entristece é que o governo municipal gasta milhões com propaganda e enviou cartinhas para os pais dos alunos anunciando a entrega dos kits. Até agora, no entanto, existem criança sem o material, ou seja, somente a propaganda eles fizeram bem”, ressaltou.

Professoras são obrigadas a pedir aos pais que
enviem cadernos à escola, mesmo se forem usados!
Professores
A falta de professores na rede pública também é outro fator que prejudica os alunos, segundo o deputado. “Não há previsão para a contratação de professores, o que considero inaceitável. Vamos continuar fiscalizando esta situação até que a Prefeitura tome providências”.

Na segunda-feira (14), Pedro Bigardi denunciou a falta de material escolar e de professores nas escolas de período integral da rede municipal – intitulado programa ‘Escola Nota 10’. Em um artigo, o deputado apontou o prejuízo à grade curricular destas unidades, uma vez que atividades como música, teatro e dança (estipuladas pela Prefeitura para os alunos) sequer têm definido quem serão os responsáveis.

No panfleto da Prefeitura, muitas promessas não cumpridas até agora

Panfleto do PSDB entrega o ouro: Movimento Jundiaí Livre já incomoda donos do poder antes mesmo de ser lançado!

Ao invés de ficar ridicularizando item por item a "matéria" do JC, o Movimento Jundiaí Livre deve enxergar nessa inciativa no mínimo anti ética mais um motivo para comemorar

Manipulação: panfleto tucano tenta diminuir
importância do movimento e provocar racha
- por André Lux, jornalista

O Jornal da Cidade, que já há alguns anos funciona como um mero panfleto do PSDB de Jundiaí, tentou desmoralizar o Movimento Jundiaí Livre e, de quebra, provocar um racha entre os partidos progressitas que encabeçam a iniciativa por meio de uma "matéria" não assinada em sua página 3 na edição de quarta-feira, 16 de fevereiro.

A manipulação e a distorção das informações são tão óbvias que saltam aos olhos.

Primeiro, o JC tenta diminuir a importância do lançamento do Movimento Jundiaí Livre dando destaque apenas à presença do senador Eduardo Suplicy que, segundo o jornal, estará "em visita a Jundiaí para participar de um evento do PT". A meta do JC ao fazer isso é tentar provocar um celeuma entre os partidos que organizam o evento, PCdoB, PPS, PSOL e PT, afirmando que é um evento do PT e dando destaque apenas à fala do presidente do Partido dos Trabalhadores.

Em segundo lugar, o panfleto tucano dá nó em pingo de água para não revelar o real objetivo do evento, que é o lançamento de um movimento de oposição organizado pelos partidos progressistas da cidade ao PSDB que domina Jundiaí já há 20 anos. A "matéria" do JC afirma que o objetivo do evento é "discutir os avanços (?) da cidade e seu crescimento futuro". Notem a sutileza da manipulação da informação, digna de um elefante correndo em uma loja de cristais. Nem o marketeiro do PSDB faria melhor.

Enfim, ao invés de ficar ridicularizando item por item a "matéria" do JC, o Movimento Jundiaí Livre deve enxergar nessa inciativa no mínimo anti ética mais um motivo para comemorar. Afinal, se os donos do poder local sentiram a necessidade de acionar um de seus panfletos midiáticos para atacar o movimento isso é sinal de que ele já os incomoda muito antes mesmo de sequer ser lançado oficialmente!

Por tudo isso, o Movimento Jundiaí Livre deve agradecer ao Jornal da Cidade pelo excelente serviço prestado à causa dessa iniciativa corajosa, que tem como principal objetivo a mudança deste modelo político falido que Jundiaí foi vítima nas duas últimas décadas.

Eu amo Jundiaí, por isso Quero Mudança!



Lançamento do Movimento Jundiaí Livre

Data: 18 de fevereiro (sexta-feira)
Horário: 19h00
Local: Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e região
Endereço: Rua XV de Novembro, 1336 - Centro - Jundiaí/SP

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Deputado Pedro Bigardi denuncia falta de professores e material didático para alunos das escolas municipais de Jundiaí

Para Bigardi, a Educação é primordial
para a valorização do ser humano
O programa ‘Escola Nota 10’, da Prefeitura de Jundiaí, não começou como os pais de alunos gostariam – e muito menos como se vê nas propagandas. Nesta segunda-feira (14), por meio de um artigo, o deputado estadual Pedro Bigardi denunciou a falta de professores nas escolas de período integral e também o fato do poder público não ter entregado ainda o material escolar para alunos da rede municipal de ensino.

De acordo com Bigardi, os professores da escolas que, a partir deste ano, atuam em período integral estão tendo dificuldades. “Eles estão tendo de se virar para entreter os alunos e até histórias infantis contaram às crianças para preencher o tempo. Não há, também, definição de quem dará as aulas de música, teatro e dança estipuladas na grade”, afirmou o deputado, num dos trechos.

Eleito com quase 70 mil votos nas eleições do ano passado, o parlamentar (que também é professor) cobrou uma posição da Prefeitura de Jundiaí em relação ao problema. “Em Jundiaí, onde a Administração Municipal insiste em não admitir a existência dos analfabetos funcionais, precisamos mais do que marketing político para nossas crianças.”

As aulas na rede municipal de ensino tiveram início no dia 7 de fevereiro. Nas escolas integrais, os alunos deveriam entrar às 7h30 e sair as 16 horas. Na primeira semana, contudo, estudantes deixaram as classes às 11h30, sob alegação de “adaptação” ao novo sistema. Nesta segunda-feira (14), de acordo com denúncias de pais, os alunos tiveram horário normal, mas as aulas foram prejudicadas devido à falta de professores estipulados na grade disciplinar da Secretaria Municipal de Educação.

Leia, na íntegra, o artigo assinado pelo deputado:

Nota 10 só para os professores

- por Pedro Bigardi, engenheiro civil, professor de Planejamento Ambiental e deputado estadual

O tão propagado programa ‘Escola Nota 10’ que a Prefeitura de Jundiaí anunciou para a rede pública de ensino começou a ser colocado em prática segunda-feira (7) e já merece um puxão de orelhas. A iniciativa é das melhores possíveis, já que algumas escolas passaram a ter ensino em período integral. Além disso, o poder público resolveu distribuir materiais escolares aos alunos – ideia que constava em nosso plano de governo nas eleições para prefeito, em 2008.

Acontece que mal as aulas começaram e os pais de alunos já estão preocupados com a situação. Faltam professores nas escolas de período integral e o material escolar ainda não chegou – embora a Prefeitura já tenha comunicado a iniciativa aos pais, por meio de uma pomposa carta. Pelo volume de dinheiro destinado à Secretaria Municipal de Educação, a atitude tomada somente este ano deveria acontecer há muito tempo.

Nas reclamações que recebemos, os pais de alunos afirmam que a justificativa à falta de professores se deve à desistência de alguns profissionais – que não teriam concordado trabalhar 40 horas semanais. E que, por isso, as vagas demorarão pelo menos 15 dias para serem preenchidas. Quanto à falta do material escolar, nenhuma justificativa foi dada.

No primeiro dia de aula, de acordo com os pais, os professores que atuam em período integral (esses, sim, merecem nota 10) tiveram de se virar para entreter os alunos – até histórias infantis eles contaram às crianças para preencher o tempo. Não há, também, definição de quem dará as aulas de música, teatro e dança estipuladas na grade. Já se passou uma semana e a situação é a mesma.

A Educação é primordial para a valorização do ser humano e também para garantir-lhe um futuro. Em março do ano passado, estivemos na manifestação dos professores estaduais, realizada em São Paulo, justamente por apoiar as reivindicações destes profissionais e exigir que o Governo do Estado dialogue com a categoria.

Em Jundiaí, onde a Administração Municipal não admite a existência dos analfabetos funcionais, precisamos mais do que marketing político para nossas crianças. Continuaremos o trabalho de fiscalização para o bem da população jundiaiense e esperamos que a Prefeitura resolva imediatamente esta situação. Senão, todos nós seremos reprovados nesta matéria e o preço será pago lá na frente.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

DVD: "JORNADA NAS ESTRELAS - O FILME" (Versão do Diretor)

PRESENTE PARA OS FÃS

Sai em DVD a versão definitiva da primeira e mais problemática viagem da Enterprise nos cinemas

- por André Lux, crítico-spam

"Jornada Nas Estrelas - O Filme" marcou em 1979 a volta da tripulação da nave Enterprise para as telas (no caso a do cinema) após ficar quase uma década afastada com a extinção da série televisiva. Mas esse retorno decepcionou muitos fãs, que acusaram o filme de trair o espírito original da série, cujo mérito era driblar habilmente a falta de recursos técnicos e financeiros com idéias engenhosas, roteiros enxutos e muito bom humor.

Mas, ao que parece, esqueceram de tudo isso ao transpor a série para os cinemas. O maior defeito deste filme é basicamente a falta de humor. Os personagens estão secos e arredios, quase não interagindo entre si, o que impede o surgimento da boa e velha química que mantinha a série original sempre atraente. Isso deve-se, em grande parte, à direção fria e distante de Robert Wise que, embora fosse um veterano da ficção-científica ("O Dia em que a Terra Parou" e "O Enigma de Andrômeda") não era a pessoa mais indicada para dirigir ""Jornada nas Estrelas".

A história sobre uma nuvem de energia desconhecida que vai destruindo tudo em seu caminho até a Terra é bastante interessante, mas o filme acabou sendo derrubado pelas infinitas discordâncias entre o criador da série, Gene Rodenberry, e sua equipe de roteiristas. São famosas as histórias das mudanças de última hora no roteiro, realizadas às vezes antes das cenas serem gravadas. Só para se ter uma idéia da confusão, na primeira versão do roteiro Spock fora deixado de fora - isso porque o ator Leonard Nimoy recusava-se a voltar a interpretar o vulcano de orelhas pontudas.

E para piorar tudo, a empresa de efeitos especiais contratada não conseguia dar conta do recado e teve que ser substituída na última hora pela de John Dykstra (de "Star Wars") e de Douglas Trumbull (de "Contatos Imediatos de Terceiro Grau").

O filme terminou de ser montado e mixado apenas dois dias antes da sua estréia, o que resultou numa série de problemas. Várias cenas incompletas tiveram que ser eliminadas e muitas sequências com os efeitos especiais foram adicionadas do jeito que vieram, pois não havia tempo para editá-las - o que resultou nas infames seqüências onde somos obrigados a observar a Enterprise deslizando interminavelmente pelo vazio, enquanto os atores fazem cara de impressionados.

Nova cena em Vulcano, com efeito melhorado
Muitas dessas falhas foram finalmente resolvidas nessa "Versão do Diretor" lançada em DVD. O diretor Wise, com a ajuda da atual tecnologia em computação gráfica, pode melhorar algumas cenas (como as do planeta Vulcano) e acrescentar detalhes que antes não foram possíveis de serem realizados. Isso ajuda muito o filme, deixando-o mais dinâmico e humano, principalmente no último ato que ganhou em dramaticidade, com a inclusão de cenas que haviam sido cortadas na época (como Spock chorando por V'Ger) simplesmente por não haver efeitos visuais suficientes para intercalá-las.

Essas melhorias ainda não resolvem todos os problemas, mas mesmo assim "Jornada Nas Estrelas - O Filme" ainda continua sendo um belo exemplar de ficção científica da melhor qualidade (embora mantenha-se um pouco distante do universo criado pela série original). E a trilha sonora do maestro Jerry Goldsmith (de "Alien: O Oitavo Passageiro" e "Instinto Selvagem") continua sendo uma das mais impressionantes da história do cinema.

O DVD duplo traz ainda vários extras bacanas que certamente vão fazer a cabeça dos fãs da série, tais como uma faixa de comentário em áudio com o diretor Wise, os supervisores de efeitos Trumbull e Dykstra, o compositor Goldsmith e o ator Stephen Collins. Há também, no segundo disco, um ótimo documentário retrospectivo divido em três partes que analisa todos os aspectos da produção, além de 16 cenas deletadas e adicionais (oriundas das várias versões do filme), storbyboards e diversos trailers e teasers de TV. Imperdível para os fãs.

Cotação: * * * 1/2

Pausa para apreciar a paisagem...


A atriz Natascha McElhone. Belíssima!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"O Discurso do Rei" é acusado de ignorar antissemitismo

"
Eu avisei que o filme era superficial
O longa O Discurso do Rei, que estreou nesta sexta-feira (11/2) e lidera o número de indicações ao Oscar 2011- 12 ao todo - pode não reinar na noite do dia 27 de fevereiro devido a uma recente polêmica de bastidores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ligando seu protagonista, o rei George VI, ao nazismo.

Um e-mail anônimo circula entre os membros da Academia alertando para indícios de que o rei era antissemita e simpatizante das ideias de Adolf Hitler. O e-mail cita trechos de documentos oficiais e alerta para o fato de que a suposta inclinação do rei George VI ter sido ignorada no filme O Discurso do Rei.

Por tocar o antissemitismo, assunto sabidamente sensível à Academia, que tem um grande número de judeus como membros, o longa-metragem pode ser rejeitado por muitos votantes e acabar prejudicado na cerimônia do Oscar.

Em defesa do filme, os produtores alegam que o roteiro foi escrito por David Seidler, judeu que teve familiares mortos no Holocausto.

Fonte: Cineclick

Comentário: Eu já havia avisado que o filme em questão é bem superficial e mais parece ter sido feito por encomenda dos relações públicas da família real inglesa... Agora está comprovado.

A insustentável leveza das ditaduras

Podem durar décadas valendo-se da força, mas não conseguem se manter indefinidamente. Vejam o caso da ditadura egípcia. Nem o apoio americano ou da grande mídia internacional foi suficiente para impedir que o povo colocasse um ponto final naquilo.

- por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania

Contra a vontade soberana do povo não há ditadura que resista!
Após quase três semanas de luta, dezenas de milhões de egípcios conseguiram fazer renunciar um dos ditadores “do bem” da direita mundial, Hosni Mubarak, encastelado no poder havia trinta anos. Um déspota contra quem nunca se ouviu ou leu um milésimo do que a imprensa internacional não pára um só dia de dizer contra Cuba ou contra o Irã.

De repente, de algumas semanas para cá, no entanto, a ditadura egípcia entrou no noticiário e não saiu mais. Não era mais possível esconder que um dos tentáculos dos Estados Unidos no Oriente Médio estava se putrefazendo em alta velocidade.

Mas a questão que me acorre à mente diante de um desfecho da crise institucional no Egito que muitos – este blogueiro incluído – duvidaram de que pudesse ocorrer é sobre a natureza das ditaduras, sobre como vão levando as sociedades sobre as quais se abatem a um ponto de esgotamento como esse a que chegou o país do Oriente Médio.

Ditaduras são insustentáveis. Podem durar décadas valendo-se da força, mas não conseguem se manter indefinidamente. Vejam o caso da ditadura egípcia. Nem o apoio americano ou da grande mídia internacional foi suficiente para impedir que o povo colocasse um ponto final naquilo. E não foi por falta de tentativas.

Mubarak, a mídia e os EUA tentaram enrolar o mundo com aquela tal de transição “lenta, gradual e segura” que já foi imposta ao Brasil, mas no Egito não rolou. Na manhã de hoje, já se falava em uma mobilização de VINTE MILHÕES de pessoas. Além disso, o país estava paralisado. Nada funcionava. Imaginem tudo parar por quase três semanas.

Nesse momento, lembro-me de Cuba. Jamais houve nada parecido por lá. Não se tem nem notícia de repressão de manifestações contra o governo. Figuras isoladas promovem greves de fome que são recebidas com frieza pela população, apesar de a mídia lhes dar extrema visibilidade, como se tais ações tivessem alguma representatividade.

O regime cubano não cai e não é contestado pelo povo. Por que? Os cubanos não saem às ruas porque são covardes? A repressão em Cuba seria maior do que em qualquer outra nação supostamente submetida a ditadura? Não creio. O que me parece é que não há, naquele país, um sentimento de que vive sob regime ditatorial.

Acima de tudo, portanto, o que se deve extrair do que aconteceu no Egito é um modus operandi de luta pela liberdade que promete infernizar ditaduras nos quatro cantos da Terra. O povo mostrou que tem o poder. Que é só sair as ruas e se recusar a permitir que o país funcione sob o jugo de ditadores.

Ditaduras não têm base popular e, assim, não têm o peso de governos legitimamente constituídos, ungidos pelo desejo das maiorias democráticas. Essa “leveza” das ditaduras, portanto, é o que as torna insustentáveis, como o Egito acaba de mostrar ao mundo, para desespero de todos aqueles aos quais as ditaduras beneficiam.

Vitória da democracia: Ditador amigo dos EUA renuncia ao poder no Egito!

No 18º dia de protestos, o chefe do regime ditatorial do Egito, Hosni Mubarak, declarou a renúncia ao cargo de presidente, após 30 anos de permanência no cargo. O anúncio foi feito pelo vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, que também apresentou sua renúncia.

O povo está em festa nas ruas do Cairo e em todo o país. As gigantescas manifestações populares abriram o caminho à democratização do país e mudanças sociais e políticas mais profundas.

O desfecho é uma derrota não só do ditador como também, e principalmente, do imperialismo estadunidense e de Israel, que até ontem clamava ao mundo por apoio a Mubarak.

Os Estados Unidos se comportaram feito barata tonta ao longo dos últimos dias, com sinalizações contraditórias, mas sem nunca colocar em questão o apoio ao ditador, um velho e fiel aliado do império e de Israel.

Renúncia surpreende

Os milhares de manifestantes que estavam reunidos na praça Tahrir, no centro da cidade do Cairo, comemoraram a decisão. Uma multidão foi às ruas de várias cidades do Egito no início da noite no país, para festejar a decisão.

A surpreendente renúncia do ditador, que na noite de quinta-feira em um discurso à nação assegurava que se manteria no cargo até as eleições de setembro próximo, ocorreu no momento em que se encontrava com sua família no balneário de Sharm El-Sheikh, na costa do Mar Vermelho.

Até a semana passada, a repressão policial às manifestações causou a morte de pelo menos 300 pessoas — segundo um relatório não confirmado da ONU — e milhares de feridos, de acordo com fontes oficiais e médicas do país.

Uma explosão de protestos nesta sexta-feira (11) em rejeição ao "fico" do chefe do regime aparentemente fez com que os militares agissem e forçassem a queda de Mubarak e de seu vice-presidente.

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas ao longo do dia em várias cidades do país em protesto pela permanência de Mubarak na presidência. Manifestantes cercaram o palácio presidencial no Cairo e em Alexandria e cercaram também o edifício da TV estatal. Um governador de uma província do sul foi pbrigado a fugir diante das manifestações realizadas contra o poder vigente.

Este foi o dia das maiores manifestações do levante iniciado em 25 de janeiro, quando todos os setores da sociedade civil se uniram para ir às ruas em protesto contra a permanência de Mubarak.

"Diante das graves circunstâncias que o país atravessa, o presidente Mubarak decidiu deixar o cargo de presidente da república", anunciou em tom grave na TV estatal o ex vice-presidente Suleiman. "Ele designou as o Conselho Supremo das Forças Armadas para dirigir de agora em diante o Estado".

Com agências

Band censura a deputada Luiza Erundina

Reproduzo mensagem enviada pela assessoria da deputada federal Luiza Erundina. A denúncia é grave e merece ampla repercussão:

Veto ao interesse público e ao direito à informação

A produção do programa Manhã Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes de São Paulo, agendou uma entrevista por telefone com a deputada Luiza Erundina para esta quarta-feira, 9 de fevereiro, às 10h30. A pauta seria o Projeto de Lei n° 55/2011, apresentado pela deputada Erundina na Câmara, que institui referendo popular obrigatório para a fixação dos vencimentos do Presidente da República e dos parlamentares.

O projeto é de notório interesse público visto que o reajuste de 62% nos subsídios dos parlamentares aprovado no final de 2010 foi implacavelmente criticado por grande parte da população brasileira e pela imprensa.

Inclusive, no dia anterior à entrevista com a deputada Luiza Erundina, o apresentador do programa Manhã Bandeirantes, José Luiz Datena, questionou a dificuldade para o reajuste do salário mínimo dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros enquanto que, o reajuste de 62% para os parlamentares foi votado e aprovado em caráter de urgência pela Casa, com voto da imensa maioria dos congressistas.

Nesse contexto estávamos, a deputada Luiza Erundina e sua assessoria, aguardando a ligação para a participar do programa quando, 1h antes da possível participação, recebemos uma outra ligação cancelando a entrevista. Tratava-se de um veto da direção do grupo. Questionados sobre o por que da censura, do veto à fala de uma parlamentar brasileira em um veículo da imprensa livre, sobre projeto de interesse público, fomos surpreendidos com uma justificativa de cunho absolutamente pessoal: “Este veto é uma resposta aos ataques que a deputada vem fazendo à Rede Bandeirantes”.

Ora, a deputada Luiza Erundina apresentou requerimento junto à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, para a realização de audiências públicas com o objetivo de debater a renovação de concessões públicas de rádio e TV. E ela não fez isso como um “ataque” pessoal à Rede Bandeirantes. Ela apresentou requerimentos solicitando audiências públicas para debater o processo de renovação de emissoras ligadas à Rede Globo, à Rede Record e à Rede Bandeirantes, não como um ataque a essas emissoras, mas com o objetivo de motivar mais democracia e transparência no processo de renovação das concessões públicas de rádios e TVs. (REQ-205/2009 CCTCI e REQ-220/2009)

O pleito da deputada Luiza Erundina foi absolutamente isento de pessoalidade. Apenas suscita o uso de instrumentos democráticos do Congresso – as audiências públicas – para a avaliação de um serviço de interesse público, antes da sua renovação por mais 15 anos. Já o posicionamento da rede Bandeirantes revela exatamente o contrário: numa retaliação ao exercício parlamentar da deputada, priva a sociedade de ter mais informações sobre um Projeto de Lei de absoluto interesse público, já que os subsídios dos representantes do povo são oriundos do orçamento público, que pertence ao povo.

Episódios como este violam o direito à informação, e revelam que a liberdade de expressão no Brasil, definitivamente, não é uma realidade. Isenção, impessoalidade, interesse público, direito à informação ainda são expressões estranhas à maioria dos meios de comunicação. Lamentável para as comunicações. Lamentável para o Brasil.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Chomsky: EUA estão seguindo seu velho manual no Egito

Para Noam Chomsky, a Casa Branca nada diz sobre os protestos no Egito. "Obama está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”.

Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now, o linguista e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Noam Chomsky, analisa o desenrolar dos protestos no Egito e o comportamento do governo dos Estados Unidos diante deles. Na sua avaliação, o governo Obama está seguindo o manual tradicional de Washington nestas situações.

Nas últimas semanas, os levantes populares ocorridos no mundo árabe provocaram a destituição do ditador Zine El Abidine Bem Ali, o iminente fim do regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, a nomeação de um novo governo na Jordânia e a promessa do ditador de tantos anos do Iêmen de abandonar o cargo ao final de seu mandato.

Noam Chomsky fala nesta entrevista sobre o que isso significa para o futuro do Oriente Médio e da política externa dos EUA na região. Indagado sobre os recentes comentários do presidente Obama sobre Mubarak, Chomsky disse: “Obama foi muito cuidadoso para não dizer nada; está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”. Veja abaixo a entrevista completa.

Democracy Now: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?
Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak.

O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer.

Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o controle ou está em risco de perdê-lo. Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome.

Presumo que é isso que está ocorrendo agora. Estão vendo se Mubarak pode ficar. Se não aguentar, colocarão em prática o manual.

Democracy Now: Qual sua opinião sobre o apelo de Obama para que se inicie a transição no Egito?
Noam Chomsky: Curiosamente, Obama não disse nada. Mubarak também estaria de acordo com a necessidade de haver uma transição ordenada. Um novo gabinete, alguns arranjos menores na ordem constitucional, isso não é nada. Está fazendo o que os líderes norteamericanos geralmente fazem.

Os Estados Unidos têm um poder constrangedor neste caso. O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda militar e econômica de Washington. Israel é o primeiro. O mesmo Obama já se mostrou muito favorável a Mubarak. No famoso discurso do Cairo, o presidente estadunidense disse: “Mubarak é um bom homem. Ele fez coisas boas. Manteve a estabilidade. Seguiremos o apoiando porque é um amigo”.

Mubarak é um dos ditadores mais brutais do mundo. Não sei como, depois disso, alguém pode seguir levando a sério os comentários de Obama sobre os direitos humanos. Mas o apoio tem sido muito grande. Os aviões que estão sobrevoando a praça Tahrir são, certamente, estadunidenses.

Os EUA representam o principal sustentáculo do regime egípcio. Não é como na Tunísia, onde o principal apoio era da França. Os EUA são os principais culpados no Egito, junto com Israel e a Arábia Saudita. Foram estes países que prestaram apoio ao regime de Mubarak. De fato, os israelenses estavam furiosos porque Obama não sustentou mais firmemente seu amigo Mubarak.


Democracy Now: O que significam todas essas revoltas no mundo árabe?
Noam Chomsky: Este é o levante regional mais surpreendente do qual tenho memória. Às vezes fazem comparações com o que ocorreu no leste europeu, mas não é comparável. Ninguém sabe quais serão as consequências desses levantes.

Os problemas pelos quais os manifestantes protestam vem de longa data e não serão resolvidos facilmente. Há uma grande pobreza, repressão, falta de democracia e também de desenvolvimento. O Egito e outros países da região recém passaram pelo período neoliberal, que trouxe crescimento nos papéis junto com as consequências habituais: uma alta concentração da riqueza e dos privilégios, um empobrecimento e uma paralisia da maioria da população. E isso não se muda facilmente.

Democracy Now: Você crê que há alguma relação direta entre esses levantes e os vazamentos de Wikileaks?
Noam Chomsky: Na verdade, a questão é que Wikileaks não nos disse nada novo. Nos deu a confirmação para nossas razoáveis conjecturas.

Democracy Now: O que acontecerá com a Jordânia?
Noam Chomsky: Na Jordânia, recém mudaram o primeiro ministro. Ele foi substituído por um ex-general que parece ser moderadamente popular, ou ao menos não é tão odiado pela população. Mas essencialmente não mudou nada.

Fonte: Carta Maior
Tradução: Katarina Peixoto

Filmes: "SKYLINE - A INVASÃO"

VALE QUANTO PESA

Se gosta do gênero, não dê bola para os profissionais da opinião e mergulhe de cabeça que não vai se arrepender

- por André Lux, crítico-spam

Depois de perder meu tempo vendo vários filmes péssimos altamente recomendados pelos profissionais da opinião mundial, resolvi partir para a direção oposta. 

Assim, assisti a um filme que foi literalmente massacrado pela crítica, no caso "Skyline - A Invasão". 

E olha que acertei: o filme é bem divertido e desfrutável, nada a ver com as análises furiosas dos que vivem de tecer opiniões sobre o trabalho alheio.

Trata-se de um filme de ficção científica e terror que mostra uma invasão alienígena nas ruas de Los Angeles. No gênero, é um dos melhores que eu já vi, deixa no chinelo porcarias como "Guerra dos Mundos" que o Spielberg fez com o Tom Cruise ou "Sinais", com Mel Gibson! 

A obra também tem certa semelhança com "Cloverfield - Montro", já que mostra a invasão pelo ponto de vista de um grupo que está fechado dentro de um apartamento de luxo.

O importante é que "Skyline - A Invasão" vale o quanto pesa. Ou seja, entrega o que promete: muita ação e suspense, efeitos especiais excelentes (os monstros e as naves são bem convincentes), uma trilha musical adequada, surpresas e alguns sustos reais. Tudo na medida certa, sem mensagens pretensiosas, explicações didáticas ou exageros, nem mesmo de cenas nojentas.

Ajuda também os atores serem todos desconhecidos (e meio canastrões também), pois assim nunca sabemos qual será a próxima vítima dos ataques extremamente selvagens dos aliens. 

É muito interessante a maneira que as criaturas atraem os humanos, por meio de uma luz azul que lembra aquela que usamos para atrair as moscas para armadilhas letais.

Se você gosta do gênero, não dê bola para os profissionais da opinião e mergulhe de cabeça que não vai se arrepender (rola até uma explosão nuclear!). É diversão garantida.

Cotação: * * *

Cine-Trash: "REQUIEM PARA UM SONHO"

MAS QUE DROGA!

Boa premissa é destruída pela mão pesadíssima do diretor, que apela a todo momento para moralismos totalmente descabidos e maneirismos estéticos excessivos

- por André Lux, crítico-spam

O diretor Darren Aronofsky virou queridinho de pseudo-intelectuais depois de realizar o obscuro e pretensioso ''Pi '' (daqueles que ninguém entende e, por causa disso, ficam achando que viram algo genial). Seu próximo filme, ''Réquiem para um Sonho'', foi também louvado por muitos mesmo sendo uma grande e inegável porcaria.

Explico. O filme pretende mostrar a dura realidade de vários tipos de drogados, não se limitando somente ao universo dos usuários de entorpecentes ilegais, mas abordando também aquelas pessoas que são viciadas em outros tipo de drogas, as legais (TV, remédios, alcool, etc). Num mundo onde somente os usuários de drogas proibidas são alvo de campanhas e ataques da sociedade hipócrita, a intenção é até louvável, embora obviamente pretensiosa (a começar pelo título). Pena que ela seja destruída pela mão pesadíssima do diretor, que apela a todo momento para moralismos totalmente descabidos e maneirismos estéticos excessivos. No final, não da nem para entender direito o que Aronofsky quis dizer com seu filme, já que muda a todo momento os rumos e as características de seus personagens viciados em drogas.

O principal exemplo dessa "esquizofrenia" conceitual já é notada logo de cara no próprio protagonista (o sempre péssimo Jared Leto, de ''O Quarto do Pânico''), pintado como um jovem desajustado e bandido, que inicia o filme roubando a TV da própria mãe (Ellen Burstyn) para trocá-la por drogas. Ele e sua namoradinha (Jennifer Connelly, que tem uma rápida e gratuita cena de nudez frontal a qual a atriz hoje deve repudiar), também mostrada como sendo uma jovem despudorada e sem o menor escrúpulo, passam o filme transando em lugares proibidos e causando pequenas delinqüências, enquanto injetam drogas pesadas nas veias. Não faz o menor sentido, portanto, quando ambos têm arroubos de bom-mocismo (ele tentando mostrar para a mãe que drogas fazem mal e ela ficando toda enojada e com crises existenciais ao fazer sexo oral em um negro - ela é racista? - e participar de uma orgia para descolar drogas). Moralismo dos mais estúpidos e canhestros, diga-se de passagem, sem dizer que essas reações são incompatíveis com a personalidade que o autor imputou a eles no início.

É estranho também o rumo que Aronofsky dá à trama. No início todos vão muito bem, enquanto a dupla de amigos (completada pelo horrível Marlon Wyans, cujo curriculo inclui coisas como ''Todo Mundo em Pânico'' e ''Dungeons and Dragons'') consomem suas drogas sem parar e aproveitam para ganhar dinheiro fácil, diluindo e vendendo o que sobra (é assim que pretendem realizar os tais ''sonhos'' aos quais o título do filme se refere!). A coisa só fica ruim mesmo quando o traficante do bairro é morto e não conseguem mais comprar seus entorpecentes.

Parece que o diretor quer dizer que você só terá problemas com drogas se elas faltarem em sua casa, afinal é só a partir dai que passam a se dar mal - e sempre por causa da falta de droga, nunca pelo seu uso! E tudo fica ainda mais ridículo quando a dupla sai da sua cidade para tentar buscar a razão de seu vício em Miami, uma viagem de mais de 600 km. Só sendo muito ingênuo mesmo para acreditar que numa magalópole como Nova Iorque iam conseguir comprar drogas só de uma pessoa!

"Socorro, minha geladeira quer me pegar!"
Triste mesmo é ver uma grande atriz como Ellen Burstyn interpretar uma senhora obesa (nem isso é convincente, pois percebe-se claramente que ela é uma pessoa magra usando roupas folgadas) que passa o resto de seus dias vendo programas de TV do tipo "auto-ajuda" (encenados de maneira incrivelmente estereotipada) e que fica viciada em remédios para emagrecer (baseados em anfetaminas) depois que é convidada para participar de seu show favorito. Para se ter uma idéia da fria em que a atriz se meteu, o ponto alto de sua participação no filme é quando passa a alucinar e fugir dos ataques da sua geladeira psicopata! Sua indicação ao Oscar, portanto, deve ter sido fruto da simpatia que os membros da academia sentiram por sua coragem de submeter-se a tão humilhante experiência.

Se não bastasse toda essa bobagem, o diretor ainda cisma em prender a câmera nos atores e filmar tudo em velocidada acelerada, talvez para tentar passar a sensação de "viagem" que estão tendo. Mas o efeito é usado à exaustão e cansa. Há também, a cada dez minutos de projeção, a inserção de uma cena rápida de aplicação de droga e regozijo (com direito a efeitos sonoros do tipo "Fzzzz-Shiiiii-Ahhhh!!"), que parece ter sido extraída de algum video-clipe psicodélico, sem falar do excesso de efeitos visuais e do uso de lentes angulares que nada acrescentam à trama, exceto para deixá o filme com aquele aspecto "moderninho" a lá MTV.

E quanto mais perto da conclusão chega, mais ridículo ''Réquiem para um Sonho'' fica, ao ponto de virar fita de terror em seus momentos finais, com direito a longas sessões choques elétricos (sem que haja a menor razão ou lógica para isso), membros esquartejados e bacanais sado-masoquistas doentios. E dizem que a versão que saiu aqui no Brasil é censurada. Isso quer dizer que a sem cortes deve ser ainda mais exagerada e repulsiva. Se quiser ver um filme que trata o problemas das drogas de forma muito mais lúcida e pertinente, prefira ''Traffic'', pois esse aqui é, me perdoem o trocadilho, uma verdadeira droga.

Cotação: *
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