quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

2010: ano dos blogs sujos e do Sujinho

2010 foi intenso. Só comparável a 1989, quando eu ainda era um estudante e militante nas ruas – sem internet, com mais esperanças e também com mais ilusões. Daquela vez, senti o gosto da derrota. Dessa vez, sinto-me vitorioso – como tantos brasileiros. Mas sem ilusões. O que talvez seja uma vantagem.

- Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Esse foi dos anos mais duros – e mais ricos – na minha vida de jornalista, blogueiro e cidadão.

Fui a Johannesburgo, no meio de 2010, cobrir a Copa do Mundo. Adorei ver de perto a engrenagem do futebol – essa mega empresa mundial. E adorei, sobretudo, conhecer a África – ainda que de forma limitada, com as lentes embaçadas pelo espetáculo da bola.

Muitas lembranças boas ficaram.

Uma tarde de rugby no Soweto – o bairro negro tomado pelos torcedores brancos! Negros abriram suas casas para os brancos – muitos nunca tinham pisado ali. Cena inusual. Emoção verdadeira.

Depois, a boa conversa com a bailarina que, durante o apartheid, dava aula de dança para negros e brancos, desafiando o regime racista. Detalhe: a bailarina era judia, ouvira do pai o que significava viver em guetos. Resistiu com a dança.

A visita ao Cabo da Boa Esperança, ou Cabo das Tormentas. As histórias de navegantes portugueses sempre me emocionam. Mar bravio, terrível. Paisagem maravilhosa. E a Cidade do Cabo tão linda. Quero voltar pra lá em breve.

Foram 50 dias longe de casa. E antes disso o ano já tinha sido cheio. De coisas boas. E de alguns sustos na vida familiar (já superados).

No primeiro semestre, fundamos o Centro de Estudos Barão de Itararé. Idéia do Altamiro Borges. Quando ele me ligou, no fim de 2009, com o convite para que eu entrasse na diretoria do Barão, cheguei a desdenhar: “Mas, Miro, pra que outra entidade na área de comunicação?” Ele me convenceu. E o Barão já fez muito. Foi no lançamento do instituto que surgiu a idéia de organizar um Encontro Nacional de Blogueiros. Idéia do Azenha – que viu esse movimento florescer nos Estados Unidos. E nós botamos em prática aqui no Brasil.

Foi uma delícia organizar o encontro. Primeiro, pelas reuniões. Todas elas no glorioso “Sujinho”, o bar-restaurante paulistano. Serra deve ter ficado sabendo, por isso resolveu chamar (acusar?) os blogueiros de ”sujos”. Assumimos o apelido, como uma medalha!

Mas o melhor foi ver o evento acontecer em São Paulo, no mês de agosto. 300 e tantos blogueiros de 19 estados. Uma trabalheira organizar isso tudo. Mas uma delícia conhecer tanta gente boa.

Logo depois,a pauleira da eleição. A mais suja da história: e aí a culpa não foi nossa. Era bola cantada. O embate entre Serra e Aécio já fora sujíssimo (todo mundo conhece os bastidores: dossiês, ameaças, “pó parar, governador” etc e tal). Quando Dilma disparou nas pesquisas, em agosto, era só esperar. Serra não decepcionou quem conhecia a fama dele – desde os anos 80. Foi uma campanha tensa, a mexer com os nervos e o estômago de qualquer um.

Tive a o orgulho e a felicidade de participar das batalhas – ajudando a desmontar farsas, e a iluminar um pouco o caminho: a bolinha de papel, o aborto, a gráfica dos panfletos…

Naquele sábado em que os panfletos foram encontrados em São Paulo, passei a madrugada com mais dois companheiros internéticos fuçando arquivos e documentos que ajudaram a descobrir a verdade: a gráfica pertencia à irmã de um dos coordenadores de campanha de Serra. Foi furo nosso, da blogosfera, e o Escrevinhador deu a história em primeira mão!

Tenho orgulho também de ter dito, três semanas antes do primeiro turno, que a bala de prata não era uma só. Mas uma sequência de balas. Dilma – que se preparara pra responder aos ataques sobre o passado de guerrilheira – não percebera o trabalho sujo feito nas igrejas, nos púlpitos, no boca a boca que disseminou o medo e o ódio religioso. Aqui no blog, gastei o verbo falando sobre isso. É a força da internet. Leitores de várias partes do país me avisavam: olha, a coisa está feia nas igrejas. Simplesmente registrei e dei o alerta. Mas a campanha de Dilma só acordou na última semana do primeiro turno, quando o estrago já estava feito.

Aí veio o segundo turno. Horrível. Mas com momentos hilários – como a tentativa de Serra de virar um Lacerda. Em vez de tiro no pé, levou bolinha de papel na cabeça. De todo jeito, foi tiro no pé.

A vitória de Dilma foi importante. Histórica. Todos os grandes jornais alinhados com o adversário, a Globo com o adversário… E Dilma ganhou. Derrotou Serra, derrotou a direita religiosa. Mas derrotou também Ali Kamel, Otavinho e o bando tresloucado de colunistas de “Veja”, “Estadão” e adjacências.

O que não deve nublar a verdade: o PT tentou ganhar sem fazer política. Tentou ganhar no embalo da popularidade de Lula. Quem politizou a eleição de 2010 foi Serra. Pela direita. Obrigando (?!) Dilma a buscar apoio da militância no segundo turno.

O Brasil conheceu uma nova direita. Parte da velha classe média tem medo e raiva – e a velha imprensa espelha esse setor. Mas a nova classe média – gestada na era Lula – nasceu já conservadora. A médio prazo, a equação pode não fechar para a esquerda. Isso ficou claro na campanha dominada por aborto, bispos, padres, pastores e reuniões com milicos de pijama.

O PT mostrou-se uma máquina eleitoral: cada vez mais afastado do “voto de opinião” e das antigas bases. Elegeu bancada forte, com apoio do prestígio de Lula. Mas abriu mão de sustentar valores de esquerda. Essa omissão (ou opção) pode custar caro mais tarde. Mas esse é tema para outros textos…

Novembro ainda foi mês cheio de emoções: a entrevista de Lula aos blogueiros foi histórica. Um marco que muitos não entenderam. “O Globo” entendeu, e desceu o sarrafo, passou recibo com chamada em primeira página. Algo se moveu na comunicação.

Tive a alegria, também, de ver uma série de reportagens sobre sítios clandestinos de tortura ser premiada pelo Movimento de Direitos Humanos, de Porto Alegre. Foi trabalho árduo: começou antes da Copa, e enquanto eu estava na África correndo atrás do Dunga uma equipe grande da TV Record seguia apurando e produzindo -com destaque para Luiz Malavolta e Tony Chastinet.

No mesmo ano, o trabalho na TV me deu a alegria de ir à Copa e de recontar um pedaço perdido da história da ditadura. Nada mal. Sem falar em mais uma meia dúzia de séries de reportagens especiais e de entrevistas (na “Record News”) das quais – quase sempre – só tenho motivos para orgulho.

2010 foi também o ano em que passei a escrever para a revista “Caros Amigos”. Estreei a coluna “Tacape” no mês em que meu ídolo -o doutor Sócrates – era capa da revista. E o mais curioso: o “colega de página” era Fidel Castro. Que responsa!

Cheguei a dezembro quase sem gás. Tirei uma semanade férias no Uruguai. Visitei as ruas, os cafés e as livrarias de Montevidéu, conheci praias lindas e travei de novo contato com a prosa e a poesia de Mario Benedetti. Um respiro, ao lado de minha mulher.

Quando voltei ao Brasil, havia se instalado um pandemônio na blogosfera. Tiroteio geral. Mais desgaste… A crise passou, felizmente. Mas o ano não terminou.

Descanso agora em São Paulo - a cidade está estranhamente vazia, uma delícia. Mas, no dia 30, pego o avião pra cobrir a posse de Dilma e a despedida de Lula – para a Record. De lá, pretendo atualizar o blog com as impressões do dia primeiro de janeiro. A era Lula acabou. Acabou? tenho dúvidas…

Obrigado a todos os leitores que fizeram o Escrevinhador explodir de audiência em 2010. Especialmente em outubro – quando passamos de 1 milhão de “páginas vistas” e batemos em 600 mil visitantes. O blog saiu do ar duas vezes: uma por ataque de hackers; a outra por excesso de tráfego!

Obrigado aos que me ajudam a fazer o blog, especialmente ao Leandro Guedes e à Juliana Sada – além dos colunistas e amigos mais próximos.

2010 foi intenso. Só comparável a 1989, quando eu ainda era um estudante e militante nas ruas – sem internet, com mais esperanças e também com mais ilusões. Daquela vez, senti o gosto da derrota. Dessa vez, sinto-me vitorioso – como tantos brasileiros. Mas sem ilusões. O que talvez seja uma vantagem.

Até 2011. É logo ali!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Abrir caminho, sempre

Ser blogueiro “progressista”, “de esquerda”, “independente”, “sujo” ou o que quer que seja é isso: abrir caminho, ousar, desafiar o lugar comum, peitar o discurso único e, acima de tudo, se divertir com a incompetência, o horizonte limitado e a submissão intelectual de nossas grandes redações.

- por Luiz Carlos Azenha

Nas últimas semanas uma fatia significativa da direitona brasileira admitiu o óbvio: o presidente Lula foi melhor que o presidente FHC e não apenas uma continuação dele.

A Folha de S. Paulo, doente de pesquisismo, escondeu seu diagnóstico atrás da “descoberta” de que 83% dos brasileiros consideraram o governo Lula ótimo ou bom.

A gente, da blogosfera progressista, já sabia disso.

“No pós-ditadura, nenhum presidente eleito diretamente deixou o cargo tão bem avaliado, o que se explica sobretudo pela melhora do emprego, da renda e de sua distribuição”, escreveu a Folha em um caderno especial, publicado no mesmo dia em que o jornal, em editorial de primeira página, admitiu: o governo Lula, cheio de defeitos, foi bom.

E, no entanto, por dizer exatamente isso na campanha eleitoral nós, blogueiros progressistas e leitores progressistas, fomos tachados de sujos, de chapa-branca, de vendidos e de outros adjetivos. O resumo dos xingamentos está no inesquecível discurso do deputado derrotado Marcelo Itagiba, no Congresso. Os impropérios continuam, como notou o Miguel do Rosário a propósito do texto de um colunista do Estadão. São tão poucos os leitores deles que já não vale a pena promovê-los.

O que isso nos diz sobre a blogosfera progressista? Diz que em 2010 fizemos, sim, a diferença. Enquanto alguns se entregavam ao onanismo intelectual, perguntando se “progressista” não era algo datado, do século 19, se não seria melhor usar “independente”, “de esquerda” ou “do diabo”, nós fizemos a diferença ao desmoralizar a bolinha de papel, ao desencavar o que foi dito sobre a privatização da Petrobras, ao demonstrar que o candidato da direita não era apenas o do atraso, mas também da hipocrisia e da mentira. O que quero dizer é que fomos suficientemente ágeis, pragmáticos e leais uns aos outros e às nossas ideias e que isso deu mais resultado que qualquer debate estéril sobre o sexo dos anjos.

Fiquei igualmente satisfeito pelo fato de que um grupo de blogueiros sujos conseguiu, no Palácio do Planalto, algo que o PIG não conseguiu ao longo dos dois mandatos de Lula: definir claramente os limites do governo que finda.

Hoje, na Folha, em “Ecos da Ditadura”, o articulista Fernando de Barros e Silva lamenta o papel de Nelson Jobim no debate sobre a Comissão de Verdade. Barros atribui a Jobim “pressão obscurantista”. Isso também a gente já sabia. Está na pergunta que Leandro Fortes fez ao presidente no Palácio do Planalto. Assim como estiveram nas perguntas de Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira e Altamiro Borges os limites de Lula nas questões da comunicação, educação e direitos trabalhistas.

Nós, da dita blogosfera progressista, fomos os primeiros a reconhecer a ousadia do Itamaraty na política externa, quando os chanceleres de pijama que frequentam as colunas de opinião dos grandes jornais pregavam a invasão da Bolívia e a derrubada de Hugo Chávez. Só depois de descobrir que o Departamento de Estado de Hillary Clinton estuda o Itamaraty para descobrir como o Brasil ganhou peso internacional sem uma única ogiva nuclear é que a grande mídia brasileira vai dizer, sobre a política externa de Lula, o que nós já sabíamos.

Afinal, foi só depois do vazamento dos telegramas diplomáticos do WikiLeaks que nossa mídia “descobriu” o que denunciamos na campanha eleitoral: na questão do pré-sal, José Serra era owned pelas petroleiras.

Ser blogueiro “progressista”, “de esquerda”, “independente”, “sujo” ou o que quer que seja é isso: abrir caminho, ousar, desafiar o lugar comum, peitar o discurso único e, acima de tudo, se divertir com a incompetência, o horizonte limitado e a submissão intelectual de nossas grandes redações. Feliz 2011 a todos!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Partido da imprensa Golpista (PiG) termina década no fundo do poço

Um bom indício desse fato é o de que, desde a redemocratização até 1998, o país elegia o candidato a presidente que essa parte da imprensa apoiava – foi assim com Collor e com FHC em três eleições. A partir da década que vai terminando, em três eleições presidenciais os veículos perderam as três.

- por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania

Em 31 de dezembro próximo, encerrar-se-á a primeira década do século XXI e do novo milênio. A imprensa escrita chega a esse momento histórico com a credibilidade abalada e despida de um poder que deteve durante o século passado, o de influir decisivamente nas decisões políticas dos brasileiros.

Dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação) de 2000 e de 2010 (estes, aproximados), se comparados mostram muito mais do que a queda na circulação dos grandes jornais do eixo Rio-São Paulo, que pautam politicamente todos os outros veículos impressos menores, mas de maior porte entre o universo total da imprensa escrita.

No início da década, a Folha de São Paulo vendia 471 mil exemplares/dia e hoje vende 295 mil; o Estadão vendia 366 mil e hoje vende 213 mil; O Globo vendia 336 mil e hoje vende 257 mil; a revista Veja vendia 1,9 milhão de exemplares por semana e hoje, vende 1,2 milhão.

A situação é muito pior do que parece, porque, durante a década que termina, jornais e revista passaram a doar exemplares aos leitores perdidos, ou seja, enviando esses exemplares a eles gratuitamente, de forma a sustentarem os números da tiragem cadente.

Finalmente, há que lembrar que, em 2000, o Brasil tinha 170 milhões de habitantes e hoje, tem 190 milhões. Enquanto a população cresceu quase 12 por cento nesse período, a tiragem dos jornais e revista mencionados caiu de 3 milhões de exemplares por edição para 1,9 milhão, ou seja, uma queda de quase 37 por cento.

Fazendo bem as contas, se a relação entre a tiragem dos jornais e da revista e o conjunto da população no início da década era de 1,76%, hoje essa relação caiu para 1%, ou seja, uma perda de 43% do mercado.

Alguns dirão que esse leitorado migrou para a internet, onde lê os grandes portais de notícias, todos controlados pelos grupos empresariais donos dos jornais e revistas em questão. Contudo, essa premissa desconsidera a queda de receita e a quebra de fidelidade, pois é muito diferente ler os portais sem pagar nada e comprar a assinatura desses veículos.

A queda de tiragem, porém, não dá a dimensão da perda de credibilidade e de influência desses veículos no conjunto da sociedade, pois, aí, a queda é muito maior.

Um bom indício desse fato é o de que, desde a redemocratização até 1998, o país elegia o candidato a presidente que essa parte da imprensa apoiava – foi assim com Collor e com FHC em três eleições. A partir da década que vai terminando, em três eleições presidenciais os veículos perderam as três.

A razão de fundo para essa perda de credibilidade – e, conseqüentemente, de mercado – foi explicitada por um homem que conhece a fundo o mainstream midiático, o atual ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, egresso da TV Globo, onde foi comentarista político por anos a fio.

Segundo Martins,”Um grande número de leitores não acredita mais no que o jornal diz” porque “Percebeu que havia má vontade com o governo e leniência com a oposição”. Há que acrescentar que essa “leniência” se estende, até o momento, às administrações estaduais e municipais em que a oposição federal é governo.

O exemplo mais clamoroso é o do governo de São Paulo e o da capital desse Estado, em que o consórcio tucano-pefelê governa há muito tempo, sendo que em nível estadual o PSDB já caminha para vinte anos no poder.

A degradação da qualidade de vida em São Paulo (Estado e capital) é visível. Quem vem a São Paulo se horroriza sobretudo com a capital, que se tornou violenta, poluída, assolada por tragédia sobre tragédia cotidianamente, com serviços públicos como saúde e educação em situação calamitosa etc.

Não há cobertura crítica do péssimo governo tucano do Estado ou da administração municipal desastrosa do DEM na capital. Escândalos, incompetência, perda de importância do maior Estado da Federação, tudo isso sucumbe, em São Paulo, a um noticiário absolutamente chapa-branca.

No apagar das luzes da primeira década do século XXI, dois fatos exemplificam a razão dessa débâcle da grande imprensa escrita no Brasil.

Na semana passada, foi concluído o inquérito da Polícia Federal sobre o caso do grampo telefônico que Globos, Folhas, Vejas e Estadões sustentaram que o governo Lula teria mandado fazer contra o então presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador goiano Demóstenes Torres, do DEM. Concluiu-se que não houve grampo algum.

Na edição do último domingo do ano do jornal Folha de São Paulo, a ombudsman, Suzana Singer, apresenta uma “prova” de que seu jornal, apesar das acusações múltiplas e crescentes que recebe, “não é tucano”. A “prova” seria editorial que o jornal publicou durante a semana em que reconheceu méritos em um governo apoiado por mais de 80% da sociedade (?!).

O ridículo nunca parece suficiente para essa parcela ainda vistosa – mas totalmente decadente – da imprensa escrita. Acreditando-se extremamente espertos, comandantes das redações esbofeteiam um público que freqüentemente é mais bem informado do que eles devido à multiplicidade de fontes de informação de que dispõe.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Leandro Fortes: Orgulho de ser blogueiro sujo

Meus caros amigos blogueiros,

2010 foi uma no duríssimo para todos nós, eu sei. Por isso mesmo, foi um ano fundamental na luta dos blogs contra essa triste mídia hegemônica que ainda se sobrepõe à civilização brasileira. Em maior e menor grau, construímos pontes e erguemos cidadelas maravilhosas nessa luta. Eu, particularmente, sinto um imenso orgulho de, ainda que forma periférica, ter participado (e ainda participar) desse movimento tão importante para o Brasil.

Uma honra enorme estar ao lado de vocês. Fizemos o encontro nacional dos blogueiros progressistas (sim, progressistas) e desembocamos naquela entrevista coletiva com blogueiros com Lula. Não podemos, portanto, nos dividir – o que não significa que não devamos divergir uns dos outros. A divergência, a discussão, o processo dialético, disso tudo, não podemos abrir mão. Na guerra pela liberdade de expressão, somos a infantaria da internet.

Nos veremos, pois, em 2011.

Um natal de paz e tranquilidade para todos.

Forte abraço.

Leandro Fortes

- Assino em baixo!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lula sai da presidência e entra para a história como o melhor Presidente do Brasil

O mico do ano: Assange detona Folha por Censura e comunicado sigiloso da Ombudsgirl vaza!

- do site Desculpe a Nossa Falha

Como vocês devem imaginar, não foi fácil para o Estadão publicar um petardo contra sua compadre da Barão de Limeira. O jornal quis cortar o trecho em que Assange referia-se à Falha, mas o pessoal do WikiLeaks que acompanhava o Assange não deixou. Tinha uma exigência clara de não se vetar nenhuma das partes da entrevista, segundo confirmação de fontes do próprio Estadão. Uma vez impedido de censurar a censura, a direção do jornal dos Mesquita teve que travar um saboroso e constrangedor diálogo com a direção da Folha, diálogo esse que eu pagaria mil reais para ouvir uma gravação.

O resultado foi a publicação do trecho da Falha mais o box-outro lado da Folha, aquele texto risível em que o jornal do Otavinho nega a censura (disponível apenas para assinantes). Não sei porque, mas ver a Folha repetindo freneticamente “Eu não censurei!”, lembra aquele personagem do Casseta & Planeta que, dentro de uma sauna gay, rodeado de marmanjos e só de toalha, bradava “Eu não sou gay!”.

Curiosidade besta antes do filé: no Jornal da Tarde a notícia saiu sem box do outro lado surrealista. Pô Folha, assim não dá, processa o Grupo Estado!

Agora o melhor: vazou para nós, a la WikiLeaks, a crítica interna da ombudsman da Folha, Suzana Singer, que circulou entre os jornalistas da Folha agora à tarde, com um aviso bem grande pedindo para “NÃO DIVULGAR”:

Documento secreto da Folha vazou!
FALHA DE S. PAULO
A incrível capacidade de mobilização dos irmãos responsáveis pelo site Falha de S.Paulo, processado pela Folha, obteve uma vitória impressionante hoje, quando Julian Assange, o símbolo do momento da luta pela liberdade de imprensa, defendeu o site. Está na entrevista exclusiva publicada no Estadão. “Entendo que há um grande escândalo em relação ao ao blog Falha de S.Paulo, que é uma sátira ao nome do jornal com o qual temos uma parceria no Brasil. Entendo a importância de proteger a marca e temos sites similares que se passam pelo WikiLeaks. Mas o blog não pretende ser o jornal e acho que deve ser liberado. A censura é um problema especial quando ocorre de forma camuflada. Sempre que há censura, ela deve ser denunciada”. Tem um box de outro lado, com a Folha negando que seja censura.

Os dois blogueiros já tinham conseguido que os Repórteres sem Fronteiras condenassem o processo, por considerarem difícil que um jornal do porte da Folha tenha sofrido danos á imagem por causa do site. Também dizem que os irmãos Bocchini não terão dinheiro para pagar a indenização. A Global Voices, comunidade internacional de blogueiros, também apoiou os irmãos. O site da Wired contou a história, sem emitir opinião. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo condenou a atitude da Folha.

O jornal precisa noticiar o processo, fazer reportagem ouvindo os dois lados, explicar melhor sua posição. Não dá mais pra fingir que nada está acontecendo.

Suzana, apesar do apoio de muita gente incrível que recebemos aqui no Brasil (a quem somos imensamente gratos), tivemos que ir buscar o aval dos gringos para a Folha acordar. Longe de mim querer dar pitaco no seu trabalho, mas para quem quer ser o “Jornal do Futuro”, todos os detalhes desse caso mostram que ainda há um longuíssimo caminho a percorrer.

Homenagem ao melhor Presidente da história do Brasil

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Regulação não é censura

A velha mídia confunde o público e foge do debate sobre a questão

- Por Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor da ECA/USP; diretor e apresentador do programa VerTV, da Tv Brasil e da Tv Câmara; autor dos livros A Melhor TV do Mundo e A TV sob controle, da Sumus Editorial; e ouvidor-geral da Empresa Brasil de Comunicação.

Jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão descobriram um novo assunto: a volta da censura no Brasil. Não passa um dia sem que um deles alerte contra esse perigo. Veem em cada esquina monstros prontos a atacar. Realmente eles não existem. São fantasmas criados com objetivos muito precisos. Trata-se de uma atitude preventiva dessa mídia acostumada a dizer o que pensa sem dar à sociedade direitos iguais de resposta. E muito menos de admitir a necessidade de regulação do mercado editorial e do espaço público ocupado pelas emissoras de rádio e de televisão. Temerosos com a possibilidade de terem de se submeter a leis democráticas, tentam confundir o público chamando qualquer regulação de censura. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Censura é um instrumento usado por ditaduras para impedir, antecipadamente, a divulgação de fatos, nomes ou ideias.

A regulação dos meios de comunicação existe em todas as grandes democracias do mundo. E estabelece regras para permitir que mais pessoas ou grupos sociais possam se expressar pela mídia. As regras são necessárias para conter, de alguma forma, a lógica da acumulação capitalista, que é implacável. Qualquer atividade comercial sem regulação tende a se tornar monopolista. O dono da mercearia da esquina sonha em abrir outro estabelecimento num bairro próximo ou adquirir a loja do vizinho. E, a longo prazo, montar uma rede de supermercados capaz de dominar o comércio varejista de todo o país. Se não houver controle do Estado e se o empresário tiver sucesso, em pouco tempo ele poderá ser o único no mercado, estabelecendo a seu critério os preços aos fornecedores e clientes.

Apesar de produzirem mercadorias diferentes, os meios de comunicação comerciais operam sob a mesma lógica. Disputam o mercado como mercearias ou supermercados. Só que não admitem regras para essa disputa. Quando elas são sugeridas – como ocorre agora no Brasil -, imediatamente as taxam de censura.

É isso que explica a existência no país de uma elevada concentração dos meios de comunicação em mãos de poucas empresas. Empresários que iniciaram seu império com um jornal foram aos poucos controlando outros meios, publicando revistas, obtendo concessões de rádio e de TV, abrindo gravadoras, montando serviços de televisão por assinatura, investindo na internet, num processo que, aos poucos, ocupou amplas faixas do mercado, tendendo ao monopólio, vedado pela Constituição brasileira.

Convencionou-se chamar esse fenômeno de “propriedade cruzada”dos meios de comunicação, prática proibida em vários países do mundo, inclusive nos Estados Unidos, a pátria do livre mercado. Mas, aqui, não há limites. Daí a necessidade do controle social. Não para censurar conteúdos. Mas para dar vazão à ampla diversidade existente no país.

Quanto ao rádio e à televisão, especificamente, a regulação deve ser ainda mais minuciosa. As empresas que operam esses serviços utilizam o chamado espectro eletromagnético, um bem público por onde trafegam sons e imagens. Trata-se de espaço limitado e finito. Ou seja, nele cabem poucos. É só ver o caso de São Paulo, onde não é possível instalar uma emissora de rádio ou de tv. O espaço está todo ocupado. E quem ocupa é um privilegiado, que pode se dirigir a milhões de pessoas ao mesmo tempo para vender mercadorias, fazer política, pregar valores religiosos. E, como não há mais espaço, quem não tem esse privilégio é obrigado a ficar calado.

A ocupação do espectro é realizada por meio de concessões públicas, com duração definida: dez anos para as de rádio e 15 anos para as de televisão. Ao fim de cada período, deveria haver uma avaliação para saber se o serviço prestado atendeu às necessidades do público ou não. Em caso negativo, seriam substituídas por outra empresa ou instituição, como ocorre regularmente em vários países do mundo. É disso que os atuais concessionários têm medo. Eles, que exigem – quando lhes interessa – transparência dos órgãos públicos, temem um debate aberto quando se trata da própria atividade.

Na Inglaterra, a outorga de concessões de rádio e TV é precedida de um amplo debate na sociedade e no Parlamento. As empresas candidatas apresentam propostas ao órgão regulador combinando valores financeiros a serem pagos pelo aluguel da concessão com uma carta de intenções em que detalham que tipo de programação será colocada no ar. Às vezes, a escolhida não é a que ofereceu mais dinheiro, mas a que propôs programas capazes de atender novos públicos, ainda não cobertos pelas ofertas televisivas.

É tudo absolutamente simples e democrático. No entanto, quando se tenta estabelecer esse debate no Brasil, a reação dos grupos que controlam a mídia é violenta, revelando o grau de atraso cultural em que nos encontramos. Para enfrentá-lo, o primeiro passo é desmascarar mitos como o da censura e compreender quais interesses estão em jogo. E denunciá-los onde e como for possível.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Miguel também pensa como eu. Que alívio!

Miguel também não gostou
da arrogância do "professor"
Aos poucos a blogosfera de esquerda (ou progressista) vai voltando ao normal. No rescaldo da tempestade em copo d'água causada recentemente, o blogueiro Miguel do Rosário também detonou o grotesco texto do arrogante Idelber Avelar, que se queimou totalmente ao atacar o Nassif e os outros que organizaram o encontro dos blogueiros em São Paulo.

Confiram um trecho:

"O texto de Idelber, com toda sua pompa, faz uma série de generalizações rasas. Ele usa a reação de alguns comentaristas de seu blog como exemplo, além das observações de botequim de uma amiga, para fazer um julgamento absolutamente empírico sobre todos os homens do planeta Terra, acusando-os por sua vez de emitir opiniões empíricas e rasas sobre o feminismo. Ou seja, ele pode fazer um julgamento empírico, os “homens” não".

Fico feliz de estar em tão boa companhia nesse caso. O legal da blogosfera é que aqui a gente mata a cobra e mostra o pau ao vivo e a cores, on line!

Leiam o texto completo do Miguel: Professor, posso falar?

Reflexões depois da tempestade (em copo d'água)

Esse dramalhão todo que atingiu alguns blogs de esquerda nos últimos dias serviu pelo menos para que a gente analise a questão e tire algumas conclusões. As minhas foram essas:

1) Não aconteceu "racha" nenhum na blogosfera progressista (ou de esquerda, se preferirem), simplesmente porque essa blogosfera é rachada por natureza. Temos centenas (milhares?) de blogs editados por pessoas dos mais variados tipos, gêneros e culturas. O que nos une é a luta contra o inimigo comum: a direita. De resto, podem acontecer discordâncias e debates acalorados o tempo todo sobre qualquer assunto. E isso é muito saudável, desde que seja feito de maneira sensata e respeitosa. E outra: ninguém é melhor só porque tem o "blog mais velho" ou o "mais visitado" ou o com "mais comentários". Todos tem o seu valor e a sua importância.

2) Quem age movido por ego inflado, ataque de histeria (sejam homens ou mulheres) ou rancores pessoais e sai atirando para todos os lados vai fatalmente atingir aliados e o próprio pé. Enquanto isso acontece, nosso inimigo em comum se diverte e faz de tudo para jogar mais lenha na fogueira.

3) Podemos sempre contar com os patéticos militantes da ultra esquerda utópica para se aliar aos ególatras, histéricos e trolls da direita quando o alvo dos ataques é alguém da "esquerda traidora" (leia-se: qualquer um que não faça parte do grupelho deles) que eles tem ódio e rancor.

4) Críticas são sempre bem vindas, desde que não venham acompanhadas de ataques pessoais, generalizações canhestras, sofismas e soberba.

5) Tentar enquadrar e se apoderar de qualquer tipo de movimento social, como o feminismo, é inútil e estúpido, pois esse tipo de manifestação sociológica é por demais complexa e subjetiva para que alguém se julgue dono dele ou de seus conceitos. É aquela velha história: se você perguntar a dez mulheres feministas o que quer dizer feminismo (ou socialismo) provavelmente vai receber dez respostas diferentes.

6) Só porque uma pessoa se diz feminista isso não quer dizer que se trata automaticamente de uma santa, de esquerda ou que não possa ser alvo de críticas. Para entender isso, basta lembrar que Anna Ardin, uma das moças que está se deixando usar para incriminar o criador do Wikileaks, é uma ativista feminista conhecida na Suécia que escreveu em seu blog (annaardin.wordpress.com) um post com o título "Sete passos para uma vingança judicial", incluindo instruções sobre incriminar alguém usando acusações de teor sexual. Seu blog faz referências a outros como Generación Y (de Yoani Sánchez) e Desde Cuba, ambos de dissidentes cubanos. Preciso dizer mais?

7) Nenhum blogueiro ou blog de esquerda está isento de errar ou ser criticado por isso. Faz parte do jogo democrático e da liberdade de expressão que conquistamos a duras penas. O que acho condenável é alguém usar de artimanhas desonestas para fazer essa crítica, como por exemplo, enfiar acusações e insinuações maldosas contra blogueiros em um texto que finge defender o feminismo (ou qualquer outro tema altamente polêmico) apenas para se blindar de críticas tentando fazer valer a seguinte lógica absurda: "quem me criticar é machista". Isso é desonestidade intelectual da grossa, típica de quem escreve no PiG, e pode torrar o filme até do mais empedernido e respeitável "doutor".

8) Algumas pessoas simplesmente não tem maturidade e/ou alta estima suficiente para ver colegas de outros blogs ganhando a luz dos holofotes e aí começam a agir como crianças mimadas cujas chupetas foram roubadas. O episódio da entrevista com o Lula foi exemplar.

Por enquanto é só. Concordem ou discordem à vontade.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sobre o feminismo: será que estão mesmo querendo defender as feministas ou é algo mais?

Está dando pano para manga a polêmica que começou com a publicação de um texto que usava o termo "feminazi" pelo jornalista Luis Nassif em seu blog. O texto não era dele, mas o fato de tê-lo publicado o transformou em alvo de vários grupos que tem interesses distintos nos assuntos envolvidos - tanto o feminismo quanto a blogosfera.

Algumas defensoras do feminismo passaram a atacar o Nassif com fúria desmedida, no que foram seguidos por ultra esquerdistas utópicos que pegaram carona no episódio para também atacá-lo só porque tem ódio do jornalista por ele ter ousado defender o governo Lula (que para os ultra esquerdistas utópicos é a reencarnação do Belzebu). Aí, claro, juntaram-se a eles os trolls da direita que jogaram mais lenha na fogueira e começaram a culpar o Nassif pelo naufrágio do Titanic e coisas parecidas.

De repente, no meio dessa confusão e baixaria toda, alguns começaram a juntar alhos com bugalhos e usaram o episódio narrado acima para fazer generalizações ridículas em textos intermináveis e autobajuladores. É o caso do blogueiro Idelber Avelar, que escreveu uma besteira enorme que intitulou de "A busca incansável por um feminismo dócil, ou, não é de você que devemos falar", no qual finge defender com unhas e dentes o feminismo fazendo uso de generalizações canhestras e citações a autores e personalidades obscuras para tentar parecer culto e letrado, quando no fundo está apenas tentando desmoralizar as pessoas que organizaram o primeiro encontro de blogueiros em São Paulo e a entrevista com o presidente Lula.

Alguns exemplos de generalizações: "quando homens emitem “opiniões” sobre o feminismo, elas não costumam vir embasadas em bibliografia ou sequer em escuta da experiência das mulheres narrada por elas próprias. Arma-se alguma capenga simetria entre machismo e feminismo, decreta-se que “as” feministas são isso ou aquilo e encerra-se o assunto sob viseiras, em geral acompanhado de algum choramingo contra “elas”, que são “radicais” ou “patrulheiras” (confesso que “barraqueira” eu ouvi pela primeira vez esta semana), sem que nenhum esforço tenha sido despendido na escuta do outro, neste caso na escuta da outra."

Já no próximo trecho o blogueiro tenta claramente acusar os que organizaram a entrevista de machistas: “composição de gênero marcadamente desequilibrada do grupo que realizou a histórica entrevista com o presidente Lula” (isso quando é do conhecimento geral que nada menos do que quatro mulheres foram convidadas para a entrevista, porém não puderam comparecer e só avisaram em cima da hora o que impossibilitou outros convites).

Esses exemplos demonstram claramente a má intenção do autor. Existem casos como o narrado pelo cidadão? Claro que sim. Mas todos os homens são assim? Óbvio que não. Então pra que começar um texto supostamente erudito e cabal com afirmações assim tão ridículas?

Até porque o feminismo é um movimento complexo, multifacetado e passível de diversas análises. Tenho certeza que se perguntarmos o que é feminismo para dez mulheres, dez respostas diferentes vão aparecer. O que é feminismo para mim? Simples: lutar para que as mulheres conquistem direitos iguais aos dos homens, lutar contra o machismo e contra a discriminação sexual. Tem gente que vai dizer que feminismo não é nada disso. Tem gente inclusive que acha que feminismo é sinônimo de "todos os homens são maus e devem ser combatidos". Já conheci algumas que pensam isso mesmo. Mas ai dizer que TODAS as feministas pensam assim também seria ridículo.

Não satisfeito em apelar para generalizações na tentativa de validar seu ponto de vista, o Avelar ainda faz uso de sofismas: "O progressismo blogueiro é visivelmente masculinista, e que ele reaja com tão ruidosa choradeira ao mero aflorar de uma crítica feminista é só mais uma óbvia confirmação do fato". Ou seja, se alguma mulher fizer uma crítica que eu não goste, tenho que ficar calado caso contrário estarei provando que sou machista. Artimanha pura e simples para bloquear qualquer crítica ao seu texto infeliz travestida de retórica repleta de soberba e arrogância favorável ao feminismo.

O pior é que esse tipo de artimanha insidiosa acaba gerando reações de mulheres que infelizmente se encantam com essa suposta defesa do feminismo e passam também a disparar generalizações canhestras contra todos, como a postada pela Conceição Oliveira (@maria-fro) no twitter: "Já disse aqui uma vez pra gente muito querida, não conheço nenhum homem feminista. Nenhum. Conheço os q se exercitam p/controlar machismo". Ao que respondi: "Eu sou feminista", só para receber como resposta: "Sorry, existem um monte de mulheres machistas, mas tô pra conhecer um homem feminsta o caldo cultural é muito denso". Se ela não conhece um homem assim é problema dela, não acham?

Tudo isso demonstra apenas uma coisa: quando as pessoas agem movidas por rancores ou por necessidade de alisar o próprio ego as coisas fatalmente desandam. Eu não sou contra a crítica, o debate até acalorado, mas o que não dá para suportar é gente subindo num cavalo branco para tentar mostrar que é superior aos outros colegas fazendo uso de generalizações canhestras e sofismas.

No fundo só querem aparecer. Ou será que tem algo mais por trás disso tudo? O blogueiro Eduardo Guimarães, um dos que foi arrastado para a polêmica e ofendido também, tem uma teoria sobre as atitudes de gente como o tal Idelber Avelar, que até ontem para mim era um sujeito de confiança. Hoje já fico em dúvida...

Jundiaí é a terra das coincidências...

Meu amigo Edgar Borges, Secretário de Juventude do PCdoB de Jundiaí, aponta mais uma incrível coincidência em nossa querida Jundiaí, terra governada pelo PSDB há 20 anos...

Jundiaí, o público e o privado

- por Edgar Borges, no blog Pitacos Genéricos

Vejo muitas pessoas dizerem que, na vida, nada acontece por acaso. Em algumas situações, isso se prova como verdadeiro.

Vejamos algo muito interessante que ocorreu em Jundiaí neste mês que encerra 2011 e a primeira década do século XXI. Há umas duas semanas, publicou-se com toda a pompa e circunstância que o "Miguel" vai construir um Jardim Botânico no bairro Jardim das Tulipas (sempre achei muito engraçado os jornais locais tratarem o prefeito pelo prenome; deve ser alguma tática de conferir intimidade do cidadão leitor com o prefeito). Até aí, tudo perfeito, aquela região está crescendo muito e precisa de uma área de lazer mesmo.

Naquele momento, surgiram alguns boatos, tímidos, que seria lançado um loteamento residencial próximo ao novo parque. Pensei que o grupo que domina Jundiaí, econômica e poiticamente, há 20 anos, não seria capaz de tamanha desfaçatez, assim, tão na cara de todos. Mas ontem comprei um dos pestilentos jornais locais e no meio veio encartado mais um daqueles folhetos de propaganda de condomínios e loteamentos. Advinhem:

- onde é o novo loteamento?
- qual é a construtora que está realizando o empreendimento?

Sei que meus leitores são inteligentes e já sacaram; o loteamento lançado é ao lado desse novo Jardim Botânico e pertence à Santa Angela Construtora, do grupo Benassi. Pros mais novos, o Benassi foi prefeito de Jundiaí na década de 1980 e depois no período 1993-1996 e deputado federal entre 1999-2002. É um dos cardeais locais do PSDB, advogado, e sua família e seu grupo tem diversos empreendimentos no CEAGESP de São Paulo e no ramo imobiliário.

O mais impressionante é que no folheto do loteamento Residencial Santa Giovana o principal atrativo do empreendimento é a sua localização privilegiada ao lado no novo Jardim Botânico. Portanto, é a sua chance de comprar um lote lá, ir construindo e quando for inaugurar a sua piscina e sua chrurasqueira, poder levar seus convidados para uma volta no novo parque. Legal, não?

Fica assim: se você mora em algum bairro com pouca infraestrutura aqui em Jundiaí, torça pra Santa Angela ter terras no local. Assim, quando decidirem que é a hora de investir na especulação imobiliária da região, a Prefeitura, de forma desinteressada, vai construir um parque ou algum outro equipamento público no bairro. Se você contar com a sorte de o interesse público coincidir com os interesses privados, talvez alguns dos problemas do seu bairro sejam resolvidos.

Direita, PiG, complexados e supostos donos do "Santo Graal da Verdade Esquerdista" tentam desunir a blogosfera progressista

Maturidade na blogosfera: 
"Não concorda comigo? Aqui ó!"
Está rolando uma polêmica muito desagradável na chamada blogosfera progressista que começou com um texto sobre feminismo que o Luis Nassif postou no blog dele.

O texto é bem bobo e merece ser ignorado, porém gerou uma reação histérica que descambou para as ofensas puras e simples que envolveram inclusive blogueiros famosos como o Eduardo Guimarães, o Azenha, o Rovai e outros que nada tinham a ver com o fato.

O Nassif publicou um texto sobre o assunto, pedindo desculpas por uma série de erros que ele julga ter cometido, e o Eduardo Guimarães quer saber "A quem interessa desagregar a blogosfera?".

Eu não quero entrar nessa história do texto sobre feminismo que gerou a polêmica, mas deixo claro que estou com o Guimarães e com o Nassif. Por tudo que fizeram e fazem pela blogosfera e pela esquerda. E isso não quer dizer que concordo com tudo que escrevem. Pelo contrário.

A verdade é que essa história toda está muito mal contada e eu fico chateado vendo que isso está abalando as pessoas que estão sendo alvo da fúria de gente visivelmente desequilibrada.

Peço encarecidamente: não se deixem abalar! Até porque achar que dá para unir a blogosfera progressista é um sonho impossível. Temos pontos em comum, mas somos diferentes (o que é muito bom) e ninguém precisa concordar com tudo que o outro escreve (o que também é muito saudável). Se não fosse assim, seríamos iguais aos veículos do PiG cuja única diferença entre eles são as moscas, porque a m.... é sempre a mesma.

Esse papo de machismo (por causa da bobagem que o Nassif publicou) e a polêmica em torno do termo "progressista" usado para dar nome ao primeiro encontro entre os blogueiros (que é ridícula) e da escolha dos blogueiros que participaram da entrevista com Lula parecem mesmo cortina de fumaça para tentar desagregar a blogosfera e afastar dela os nomes mais conhecidos. Aquela velha estratégia de "dividir para conquistar".

E só existem quatro facções que lucrariam com isso: a direita, o PiG, os ególatras com complexo de inferioridade e, claro, aqueles fundamentalistas histéricos que se julgam os donos do "Santo Graal da Verdade Esquerdista" que tem ódio mortal do Lula e de todos nós que apoiamos seu governo e ajudamos a eleger a Dilma (lembrem-se que os candidatos deles não somaram 2% no pleito!). É só entrar nos blogs deles para perceber que batem mais no PT e nos partidos de esquerda que o apoiam do que em qualquer partido de direita ou mesmo no PiG.

Tem um rapazola que se julga um dos donos do "Santo Graal da Verdade Esquerdista" (cujo nome não vou citar para evitar dar-lhe ibope) que ficou, por exemplo, a campanha toda denegrindo o PCdoB e seus candidatos (principalmente o Netinho por ser pagodeiro para alegria do candidato do PSDB)  via blog e twitter (até o retirei da minha lista de blogs recomendados, embora de vez em quando ele apareça para defecar em minha caixa de comentários).

O coitado chegou até a publicar um texto em seu blog tentando me rotular de "sectário" e "fanático" só porque tirei sarro dele e de seu patético candidato à presidência - logo eu, que tenho verdadeira alergia a qualquer tipo de sectarismo e fanatismo! Para vocês verem que suas verdadeiras faces aparecem nas entrelinhas quando tentam agredir quem os desmascara.

Sinceramente, não podemos nos deixar abalar por esse tipo de escória.

Nossa luta é muito maior que eles.

Aos colegas que estão se deixando abalar por esse tipo gente, aconselho: façam como eu - ignore-os ou ridicularize-os! Levá-los a sério e tentar argumentar com eles é a pior besteira. Isso só alimenta ainda mais os complexos, as patologias e os rancores deles - principalmente os que se julgam donos do "Santo Graal da Verdade Esquerdista" (afinal, se dependesse deles estaríamos sendo governados pelo PSDB/DEM até hoje).

De certas pessoas e de seus ridículos dogmas a melhor coisa é simplesmente... rir.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dilma é diplomada presidente e promete honrar as mulheres e cuidar dos mais frágeis

Um dia histórico para o Brasil!
A presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, foram diplomados na tarde desta sexta-feira (17) em cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral. Num breve discurso, ela prometeu honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis, e priorizar os investimentos em saúde, educação, segurança e estabilidade econômica.

"Procedo à entrega do diploma à primeira presidenta da República eleita", disse o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, antes de entregar o documento nas mãos de Dilma.

O texto do diploma tem a seguinte redação: "Pela vontade do povo brasileiro expressa nas unas em 31 de outubro de 2010 a candidata pela coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Vana Rousseff, foi eleita presidente da República Federativa do Brasil. Em testemunho desse fato a Justiça Eleitoral expediu o presente diploma que habilita a investidura do cargo no dia primeiro de janeiro de 2011, nos termos da Constituição."

Grande responsabilidade

O documento – assinado pelo presidente, ministros do TSE e procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel – é um “comprovante” da Justiça Eleitoral que habilita a presidente eleita e o vice a tomar posse no dia 1º de janeiro.

Após receber o diploma de presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff disse que é uma “grande responsabilidade” suceder um presidente da “estatura” de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela prometeu “honrar as mulheres, cuidar dos mais frágeis e governar para todos". A cerimônia começou às 17h20. Dilma vestia um traje azul com detalhes de renda vermelha e foi conduzia ao plenário pelos ministros Arnaldo Versiani e Cármem Lúcia.

Cerca de 250 pessoas foram convidadas para a cerimônia. Além de dez familiares da presidente eleita e de quatro do vice, participam da diplomação no TSE indicados a ministros de Estado do governo Dilma que ainda não tomaram posse e governadores eleitos.

A posse de Dilma será no dia 1º, a partir das 14h. Confirmaram presença na posse pelo menos nove chefes de Estado, entre eles os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, Bolívia, Evo Morales, Uruguai, José Mujica, Guatemala, Álvaro Colom, Chile, Sebástian Piñera, El Salvador, Maurício Funes, Guiné Conacri, Sékouba Konaté, Peru, Alan García e Colômbia, Juan Manuel Santos.

A posse também contará com a presença dos primeiros-ministros de Portugal, José Sócrates, da Coreia do Sul, Lee, Myun-Bak, do Japão, Naoto Kan, do Qatar, Hamad Bin Jassim, do Haiti, Jean Bellerive, e do Marrocos, Habbas El Fassi. A Espanha será representada pelo príncipe Felipe de Bourbon.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Será mesmo que são os nordestinos que não sabem votar, hein paulistada xenófoba?

'Estou feliz e preparado para mais 4 anos', diz Maluf após decisão do TSE
TJ-SP inocentou deputado em ação, e TSE liberou para assumir mandato.
Barrado pela ficha limpa, ele foi reeleito deputado com quase 500 mil votos.


Mariana Oliveira
Do G1, em São Paulo


O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) afirmou nesta quinta-feira (16) que ficou "muito feliz" com a liberação de seu registro de candidatura. Ele recebeu quase 500 mil votos e seria reeleito, mas tinha sido barrado com base na Lei da Ficha Limpa.

Nesta quinta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou o registro, uma vez que a condenação que o impedia de assumir a vaga foi suspensa no começo desta semana.

"Eu confio na Justiça e já disse isso muitas vezes. Eu já dizia, quando fui impugnado, que não tinha condenação, mas vocês não acreditaram em mim. Me sinto feliz porque as pessoas acreditaram em mim e votaram apesar do que dizia a Justiça [que a candidatura estava impugnada]. Estou muito feliz e preparado para mais quatro anos", disse ao G1 na noite desta quinta.

Maluf teve o registro de candidato negado a pedido do Ministério Público por causa de uma condenação, de abril deste ano, por improbidade administrativa. Ele foi acusado por uma suposta compra superfaturada de frangos para a Prefeitura de São Paulo, em 1996, quando era prefeito.

Ele recorreu e, na última segunda-feira (13) o Tribunal de Justiça de São Paulo o inocentou da acusação. Com isso, Maluf será diplomado nesta sexta-feira (17) e poderá assumir um novo mandato na Câmara dos Deputados.

O deputado reeleito comentou ainda o fato de ter recebido votação inferior na eleição deste ano na comparação com a eleição de 2006, quando teve cerca de 740 mil votos.

500 mil paulistas votaram nesse sujeito...
"Sabe como é, como convencer o eleitor, que ouve o tribunal dizer: 'se você votar no Maluf, seu voto será anulado'? Mas você ter 400 mil, 500 mil, 600 mil votos, está eleito, não tem problema que a votação tenha sido menor", afirmou. "Eu tive meio milhão de votos com todo mundo dizendo: 'não votem em Maluf, senão vai votar nulo'", completou.

A decisão que liberou Maluf nesta quinta é do ministro Marco Aurélio Mello, que relatou o caso. "As idas e vindas no campo eleitoral geram sempre perplexidade. No entanto, o que incumbe perceber é que o motivo do indeferimento do registro já não subsiste, ante a decisão prolatada pela Sétima Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo", argumentou Mello.

Descaso e incompetência dos tucanos: Carro cai em cratera da 9 de Julho em Jundiaí

O jornalista Thiago Godinho denunciou no blog Mais Jundiaí: "Sem sinalização na via, motorista de Fox perdeu o controle do veículo e caiu numa cratera medindo cerca de 4 metros de comprimento por 2 metros de largura, na esquina da avenida 9 de Julho com rua Eduardo Tomanik, por volta das 18 horas desta quinta-feira".




A imprensa local certamente vai tratar o assunto apenas como uma "casualidade do trânsito" para que a população não associe o acidente como causa direta da irresponsabilidade e incompetência dos políticos do PSDB, que se enfiaram nesse atoleiro na Av. Nove de Julho há mais de dois anos e ainda não tem data para terminar as obras inúteis e infernalmente caras... Se bobear ainda colocam a culpa na "oposição rancorosa", que é como eles chamam qualquer um que se oponha ao coronelismo dos tucanos que já dura 20 anos!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ibope: 62% dos brasileiros estão otimistas com o governo Dilma; Lula tem 87% de aprovação

- por Chico de Góis, em Globo OnLine

BRASÍLIA – A expectativa com o governo de Dilma Rousseff, que toma posse em 1º de janeiro, é otimista para 62% dos brasileiros, segundo dados da pesquisa CNI/Ibope, divulgada na manhã desta quinta-feira. Para esses eleitores, ela fará um governo ótimo ou bom. Comparativamente ao governo do presidente Lula, 18% acreditam que Dilma será melhor, 58% acreditam que será igual e 14% acham que será pior.

Já a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a bater recorde em seu último mês de mandato. Lula, que em outubro tinha 85% de aprovação pessoal, agora tem 87%.

O percentual de eleitores que confiam no presidente também é recorde: 81%. O governo do petista, que em outubro era considerado bom e ótimo por 77%, agora tem 80% de aprovação.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre os dias 4 e 7 de dezembro, em 140 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nordeste é a região que mais aprova Lula; Sul é a mais crítica

A região Nordeste é a que mais aprova o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 95% dos entrevistados na área, Lula é aprovado. Já no Sul, esse percentual cai para 80%. É também nessa região onde a avaliação do governo é mais crítica. Do total, 20% responderam que consideram a gestão do petista regular e 13% disseram que é ótima. No Nordeste, 37% acham que o governo é ótimo e somente 11% o avaliaram como regular. No Sudeste, os índices foram de 25% ótimo e 18% regular. O Sudeste é também a região que menos confia no presidente. Foram 19% os que responderam negativamente. No Nordeste, 91% afirmaram que confiam em Lula.

Quando a análise é feita levando-se em conta o grau de instrução, 19% dos que têm nível superior avaliaram como ótimo e 54% como bom. Outros 22% disseram que o governo é regular. Ruim e péssimo, nesse extrato, somaram 5%. Entre os que estudaram até a quarta série do ensino fundamental, 28% o consideram ótimo, 52% como regular, 15% como regular e 3% ruim ou péssimo.

A aprovação do governo é maior entre os que têm mais de 50 anos. Nesse segmento, 30% avaliam o governo como ótimo. Os mais críticos estão na faixa etária entre 40 e 49 anos, onde 19% o consideram regular.

Saúde e educação são prioridades para população

A pesquisa CNI/Ibope mostra ainda quais são as principais expectativas da população sobre o futuro governo de Dilma Roussef. Na ordem, são saúde, educação, segurança pública, combate à fome e à pobreza, combate às drogas, geração de empregos e combate à corrupção.

Sobre o futuro governo, 51% dos entrevistados disseram que a saúde deve ser a área prioritária a ser tratada por Dilma. Para 11%, deve ser a Educação, 7% responderam que é a segurança pública, 6% o combate às drogas e igual percentual o combate à fome e à pobreza.

De acordo com o instituto, de nove áreas avaliadas, sete tiveram variação positiva no governo Lula. Pela primeira vez, a segurança pública destacou-se com aprovação: 49% dos entrevistados disseram que aprovam as políticas adotadas na área, contra 46% que desaprovam. Em relação à pesquisa anterior, a aprovação subiu nove pontos percentuais nessa área.

O combate ao desemprego, com 66%, e o combate à fome e à pobreza, com 71%, são as áreas com maior aprovação. Os pontos negativos estão na saúde e em impostos. Noprimeiro caso, 54% desaprovam a condução do governo e, com relação aos impostos, 51% os consideram altos.

Quando questionados sobre quais os assuntos mais lembrados pelos eleitores sobre o governo Lula, 32% relataram a ação das Forças Armadas no Rio no combate ao tráfico e 11% disseram que a formação do novo governo da presidente eleita teve mais destaque.

A frase do dia é de Franklin Martins, ministro de Comunicação Social

"Regulação de conteúdo não é censura. Regulação não é feita a priori, não diz o que pode e o que não pode, mas sim estabelece regulações que os veículos são obrigados a cumprir, como a proteção à criança, à produção nacional, à produção regional, a necessidade de equilíbrio, dizer que não pode racismo e discriminação. Isso é feito no mundo todo. Quando se levanta que a liberdade de imprensa está ameaçada está se pegando um ‘não assunto’ para interditar a discussão. Esse assunto não está em discussão. O governo Lula tem história em matéria de respeito e defesa da liberdade imprensa".

- Frase do ministro Franklin Martins (Comunicação Social) que defende um novo marco regulatório para a comunicação social e que o debate não pode ser feita com o “fantasma” de ameaça à liberdade de imprensa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Na Jundiaí do PSDB, o público está a serviço do privado

O prefeito Miguel Haddad (PSDB) transformou, com o auxílio da maioria dos vereadores de sua base política, a dívida da DAE S/A em participação acionária para a Prefeitura

- por Durval Orlato, vereador do PT no blog Mais Jundiaí

Prefeito do PSDB transformou dívida privada em pública
É o puro exemplo de descaso com o dinheiro e o (ainda) patrimônio público. O prefeito transformou, com o auxílio da maioria dos vereadores de sua base política, a dívida da DAE S/A em participação acionária para a Prefeitura. Isso não significa que ela aumentou seu percentual, mas sim que “transformou em papel” mais de R$ 17 milhões de dívidas. Assim, ó: puft, sumiu! E a DAE se livrou das dívidas e as passou para a Prefeitura.

Há 10 anos votamos contra a transformação do DAE de Autarquia Municipal para Sociedade Anônima. Mas ele, o mesmo prefeito Miguel Haddad na época, conseguiu maioria na Câmara Municipal numas das manobras mais “sem sentido” feitas na cidade. Nosso DAE só não teve suas ações vendidas a particulares porque abrimos um processo na justiça.

Mas, como a DAE S/A se tornou uma empresa regida pelo direito privado, pagaria impostos e outras obrigações que antes não tinha. Calculamos, à época, que os impostos aumentariam os custos em cerca de 30%. Dito e feito: A DAE, superavitária enquanto autarquia, acumulou dívidas e dúvidas sobre sua existência como uma “Empresa S/A”. Por que foi feita essa manobra? Alguém se arrisca a responder?

OBS: O Projeto de Lei foi apresentado hoje na Câmara Municipal e votado em regime de urgência horas depois. O prefeito Miguel Haddad só faz audiências públicas quando lhe interessa!

OS CORONÉIS ERRAM E O POVO PAGA

- por Cesar Tayar, Presidente do PPS no blog do Beduíno

PROJETO DE LEI N.º 10.778/2010 - MIGUEL MOUBADDA HADDAD (PREFEITO MUNICIPAL) - Altera o Plano Plurianual-PPA 2010/2013 e a Lei de Diretrizes Orçamentárias-LDO 2011, para prever ampliação da cota acionária do Município em empresas; autoriza-a em relação a DAE S.A. Água e Esgoto; autoriza crédito orçamentário correlato (R$ 17.550.000,00); e altera a Lei 5.308/99, para reformular nessa empresa o custeio dos servidores que especifica. (APROVADO EM REGIME DE URGÊNCIA)

JUSTIFICATIVA

Os direitos creditícios a que se faz alusão no § 2º do art. 3º do projeto de lei são decorrentes de obrigações assumidas pela Sociedade que não foram honradas no momento oportuno, quais sejam:

a) O inadimplemento dos valores relativos ao uso remunerado de bens municipais que com a transformação da Autarquia em Sociedade de Economia Mista passaram a integrar o patrimônio do Município, no período de 2005 a 2008;

b) O não reembolso das importâncias relativas ao custeio da folha de pagamento dos servidores que se encontram à disposição daquela Sociedade na forma autorizada no art. 4º, parágrafo único da Lei municipal nº 5.308/99, no período de 2005 a 2007.

Meus amigos. Eis aí mais um exemplo de descaso com o dinheiro e o patrimônio público. A DAE S/A, superavitária enquanto autarquia, acumulou dívidas na sua existência como S/A na ordem de R$ 17 milhões. O prefeito interino transformou, com o auxílio da maioria dos vereadores de sua base política, a dívida da DAE S/A em participação acionária para a Prefeitura. Isso não significa que ela aumentou seu percentual, mas sim que transformou em papel mais de R$ 17 milhões de dívidas.

Assim sendo, a DAE S/A se livrou de suas dívidas e as repassou para a Prefeitura. Detalhes: 1) O Projeto de Lei foi apresentado hoje na Câmara Municipal e votado em regime de urgência horas depois; 2) Existe uma Ação Civil Pública sobre o assunto, elaborada pelo promotor Claudemir Batalini após 7 anos de investigações, tramitando na Vara da Fazenda Pública de Jundiaí e que já está em fase de sentença. Esta ação, onde Miguel Haddad e Ary Fossen são os réus, pede a devolução de R$ 15 milhões aos cofres municipais e ainda a condenação dos tucanos por improbidade administrativa. Aí está a cidade exemplo em saneamento básico.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Universidade do Vale do Rio dos Sinos entrevista este humilde blogueiro

Fui contactado por Marco Ries, membro do grupo de pesquisa Cepos, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), que está desenvolvendo uma pesquisa sobre a influência de blogs/sites de jornalismo tratando sobre política e demais assuntos. Para tanto, explicou-me, eles selecionaram blogs/sites de influência e desenvolveram um questionário básico, o qual respondi e reproduzo abaixo.


1. De onde surgiu a idéia de criar o blog/site? Obteve alguma inspiração em algum blog ou site para começar a publicar?

Criei meu blog em maio de 2005, no auge da crise do chamado "mensalão", quando senti que o governo Lula estava sob ataque de golpistas da direita e da mídia. Minha inspiração foi o site Vermelho, do PCdoB, e alguns outros blogs e comunidades do Orkut que já começavam a fazer o contraponto ao ideário partidário e golpista da mídia corporativa. Eu precisava de alguma maneira extravasar toda a indignação que sentia naquele momento - principalmente em relação à postura claramente antidemocrática da mídia corporativa - e o blog foi a ferramenta que encontrei para fazer isso.

2. Quais as motivações para manter blog/site? Por quê?

A principal motivação é poder expressar livremente a minha opinião sobre os acontecimentos políticos e culturais do mundo e do Brasil. É também uma forma de desabafo contra a manipulação grosseira que a mídia corporativa faz dos acontecimentos, sempre puxando para a defesa dos interesses da elite que a mantém.

3. Qual a maior dificuldade em manter o blog/site?

Não tenho dificuldades.

4. É possível viver como blogueiro profissional em tempo integral?

Não sou blogueiro profissional. Tenho outras fontes de renda. Nunca ganhei dinheiro com meu blog, embora já tenha gasto do meu próprio bolso para cobrir eventos que me interessavam. O único retorno que tive com esse trabalho de blogueiro foi indireto, pois chamei a atenção de políticos de esquerda da minha cidade que me contrataram para realizar trabalho semelhante para eles.

5. Qual o interesse dos visitantes no blog/site? Que tipo de informação procuram? Como você mede isso?

A maioria vem atrás de informações e opiniões sobre política e cinema que não encontra na mídia corporativa, que só fala em nome de uma elite predatória que a usa para manter seus privilégios seculares. Percebo isso pelo contador de visitas que gera relatórios das postagens mais acessadas e também pelos comentários deixados no blog.

6. Para quem é direcionado o que você escreve, qual o público alvo?

Meu público alvo são as pessoas que se colocam à esquerda no ideário político-ideológico. Mas também penso que, com meus textos e denúncias, posso ajudar algumas pessoas que se deixam manipular pela mídia corporativa a enxergarem o mundo pelos olhos de alguém que não tem medo de se assumir publicamente como de esquerda - diferente da mídia corporativa, que se traveste de "imparcial" e "isenta", quando isso não existe. Eu mesmo sou um exemplo vivo de alguém que saiu da direita e foi para esquerda graças ao contato (no meu caso real, pois foi bem antes da internet) com pessoas assumidamente de esquerda (tratei desse assunto em meu blog neste link).

7. Acha que o blog/site tem a visitação esperada? Como você mede?

Meu blog tem uma média de duas mil visitas diárias, às vezes isso aumenta quando algum texto meu é divulgado em outros blogs e sites, principalmente nos mais famosos. Meço isso pelo contador de visitas. Nunca esperei nada em relação à visitação. Na verdade, fico até surpreso com o número de visitas que recebo.

8. Qual o papel do blog como meio de comunicação?

Depende da orientação política do blog. Se for de direita, vai ter o papel de reforçar os conceitos e preconceitos vendidos pela mídia corporativa da direita e seus representantes na política e na sociedade. Se for de esquerda, vai tentar furar esse bloqueio e levar outro tipo de informação e análise dos acontecimentos a partir de um ponto de vista que a mídia corporativa censura.

9. Como os blogs/sites se relacionam com a mídia em geral? Costuma replicar ou complementar informações de outros meios? Quais?

A mídia corporativa igou ignorava ou ridicularizava os blogs de esquerda no início. Mas, de uns tempos para cá, tem atacado e denegrido os blogueiros de esquerda. Isso é sinal de que já incomodamos e não podemos mais ser simplesmente ignorados. Eu mesmo já fui alvo de ataques de baixo calão do editor-chefe do Jornal de Jundiaí (o mais lido da cidade) devido a um texto meu que rechaçava uma opinião dele publicada no jornal (veja neste link). O próprio candidato da direita à presidência, José Serra, gastou grande parte de seu tempo atacando os blogs de esquerda na campanha, chamando-os de "sujos", por exemplo. Isso apenas confirma que o poder da blogosfera de esquerda está aumentando na formação da opinião dos cidadãos em geral e isso incomoda muito a direita e seus representantes na mídia corporativa que até então mantinham o monopólio da opinião e da informação.

10. É possível considerar um blog/site como uma ferramenta jornalística? Explique sua resposta.

Sim, porque no blog podemos publicar denúncias, entrevistas, fotos, críticas e opiniões sobre qualquer assunto. Jornalismo é isso. A diferença maior entre os blogs e a mídia tradicional é que a segunda tem muito mais recursos financeiros para bancar reportagens, enquanto os blogs, pela falta de recursos, ficam mais restritos à opinião e ao contraponto às mentiras e distorções publicados pela mídia corporativa como "verdades absolutas". Outra diferença é que, diferente da mídia corporativa, os blogueiros de esquerda não tem pudores em assumir publicamente sua ideologia, o que na minha opinião é sinal de respeito para com os leitores e um dos principais motivos do sucesso da blogosfera.

11. Ao que se deve a migração ou colaboração de jornalistas em blogs/sites?

Penso que nos blogs os jornalistam encontram a verdadeira liberdade para falar sobre qualquer assunto sem ter que se preocupar em agradar seus chefes ou serem censurados. Essa liberdade dá ânimo redobrado para quem luta por um mundo mais justo, igualitário e pacífico.

12. Os blogs permitem que qualquer indivíduo edite materiais de cunho jornalístico, esse fator é positivo ou negativo? Explique.

Acho positivo, pois quem julga o valor e a credibilidade do que foi publicado é o leitor. A partir do momento em que você deixa claro qual sua visão de mundo e qual é a sua ideologia, não precisa se preocupar em "enganar" o leitor por meio de manipulações ou distorções. Assim, qualquer um pode usar o blog para expressar uma opinião ou publicar uma denúncia. Se for bem escrita e fundamentada terá tanto ou mais valor do que qualquer coisa publicada na mídia corporativa. Por sinal, acho risível as propagandas da mídia corporativa quando se tenta se vender como digna de "credibilidade", pois como já afirmei esse é um valor que vem de fora, do leitor. A revista Veja pode publicar mil anúncios afirmando que tem credibilidade, mas para mim não tem nenhuma. Mas sei que existem pessoas que pensam diferente de mim. Ou seja, é algo completamente subjetivo, que fica ridículo quando é tratado como uma ciência.

13. A internet está mudando a maneira de fazer o jornalismo? Explique sua resposta.

Acho que a internet prorpociona uma liberdade e uma democracia que não existem nas redações da mídia corporativa. Essa democracia e liberdade estão sim mudando a maneira de se fazer jornalismo, pois os leitores tem agora a oportunidade de ler o contraditório ao que a mídia corporativa publica de forma arrogante e prepotente como sendo uma "verdade única". Na internet, fica claro para quem quiser pesquisar sobre qualquer assunto que não existe "verdade única" sobre nada. E isso é algo extremamente positivo, pois cria e fortalece o pensamento crítico das pessoas em relação aos acontecimentos do mundo e do país.

14. Como funciona o relacionamento entre blogueiros de interesses comum ou contrário?

Como qualquer relacionamento humano: somos atraídos pelas afinidades. Quando um blogueiro publica algo que eu gosto faço questão de elogiar na caixa de comentários e até republicar em meu blog com os devidos créditos. E vice versa. Todos os blogs que aprecio e sigo faço questão de dar o link no meu, para que meus leitores possam conhecê-los também. Já fiz amizades na vida real que se iniciaram na caixa de comentários de um blog. Sobre blogs contrários, quando são inteligentes e bem fundamentados, não tenho nada contra. O problema é que, infelizmente, a maioria dos blogs contrários aos de esquerda são feitos por pessoas agressivas e truculentas, que não aceitam o contraditório e usam a ferramenta apenas para atacar aqueles que odeiam, nunca para defender a ideologia deles. Isso, por sinal, é a característica mais marcante da direita e sua mídia: eles nunca defendem seus políticos ou ideologia, apenas atacam e denigrem a esquerda tentando vender subliminarmente o conceito de que o ideário da direita é uma "verdade absoluta". Essa prática, na minha opinião, é sinal de desonestidade e covardia. Desonestidade porque todo mundo sabe, principalmente os jornalistas, que não existe "verdade absoluta". E covardia porque quando você defende algo isso te expõe e pode te deixar aberto a cobranças e questionamentos futuros - e disso eles fogem como o diabo da cruz.

15. Já participou de algum blogcamp/barcamp ou evento semelhante? O que acha desses eventos?

Já participei de enventos que tinham como tema a blogosfera e segui o primeiro encontro dos blogueiros progressistas pela internet, pois não pude comparecer. Acho positivo, pois possibilita uma interação real entre pessoas que só se conhecem virtualmente e pode fortalecer os laços.

16. É possível que blogs possam interferir no resultado de uma eleição? Explique sua resposta.

Pesquisas indicam que a internet teve um papel fundamental nas eleições de Obama, nos EUA, e de Dilma, no Brasil. Isso inclui todas as ferramentas sociais da rede que atuam interligadas, como Facebook, Orkut, Twitter, emails, sites e, claro, blogs. No Brasil, nós testemunhamos uma verdadeira "guerra" na internet durante a campanha de 2010. Foi amplamente divulgado que o candidato da direita, José Serra, chegou a pagar um milhão de dólares para um "guru" indiano especialista em espalhar boatos, calúnias e difamações pela internet. É o mesmo sujeito que fez a anti-campanha contra o Obama nos EUA. E os blogs estão inseridos nessa onda toda. O grande erro da campanha da Dilma, por exemplo, foi ignorar a onda de boatos e calúnias disseminados pela internet, principalmente pelos emails e pelas redes sociais que, no final das contas, ajudou e muito a levar a eleição para o segundo turno. Felizmente, eles acordaram a tempo e passaram a combater nos programas de TV e na própria internet os ataques maldosos feitos a partir da estratégia virtual do candidato da direita. E a blogosfera de esquerda teve papel fundamental nesse processo todo de desmontar a onda de calúnias e boatos contra Dilma. Cito um caso real, que acompanhei on-line, que demonstra bem a força das redes sociais virtuais: o da apreensão daquele material com calúnias contra a Dilma. Toda a denúncia e movimentação da militância, que chegou a cercar a gráfica cujos donos eram ligados ao PSDB, até que a Polícia Federal chegasse, foi feita a partir dos blogs e do twitter. Eu mesmo já fui vítima de um processo judicial por parte do PSDB de Jundiaí que, usando os recursos e o nome da Prefeitura, tentou censurar meu blog, me intimidar e causar prejuízo financeiro - sem sucesso, diga-se de passagem: clique aqui para ler mais. Isso tudo são provas vivas que os blogs podem sim influenciar em eleições.

17. Como o blog/site se mantém? Conta com algum apoio ou patrocínio?

Não conto com qualquer apoio financeiro para manter meu blog. O único retorno financeiro que o blog trouxe para mim foi indireto, pois a partir do meu trabalho amador nele fui contratado pelo deputado estadual Pedro Bigardi do PCdoB para trabalhar junto à assessoria de comunicação dele, principalmente na criação e manutenção do seu blog e site.

18. Qual a projeção do blog/site, isto é, onde almeja que ele chegue futuramente?

Não tenho qualquer pretensão com meu blog, exceto a de poder expressar livremente minhas opiniões e visões de mundo para quem se interessar por ler.

19. Como blogueiro, que tipo de retorno espera obter?

Apenas a esperança de estar ajudando o Brasil e o mundo a se tornar mais democrático, livre e justo.

20. A tendência é a blogosfera aumentar? O que esperar dos blogs para o futuro?

Blogs vão e vem. Muitos blogs bons sumiram e muitos outros foram criados recentemente. Acho que a tendência é as pessoas, principalmente os jovens, passarem a procurar mais esse tipo de ferramenta para buscar informações e visões de mundo que se contrapõem à defesa do capitalismo e do imperialismo estadunidense disseminada como "verdade única" pela mídia corporativa. Acho que, num futuro próximo, o jornalismo da mídia corporativa tal qual ele existe hoje vai entrar em colapso pela total falta de credibilidade e também pela impotência de lidar com a velocidade das notícias na internet. Mas eles (da direita) já sentiram o golpe e estão se adptando, inclusive no sentido de tentar criar mecanismo de censura à opinião livre nas redes (existe um projeto de Lei do deputado Eduardo Azeredo, do PSDB, conhecido como o AI-5 Digital, que tem claramente essa intenção). Ainda é cedo para afirmar se esse tipo de coisa vai vingar ou não, mas a verdade é que quem realmente ama a democracia e a liberdade precisa ficar atento 24 horas para impedir que esse tipo de ação tenha efeito.

André Lux, jornalista

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PSDB começa a cobrar pedágio na rodovia Jundiaí-Itatiba antes de finalizar duplicação

A sociedade civil, vereadores das duas cidades e opinião pública foram unânimes em pressionar para que a cobrança não acontecesse antes do final das obras de duplicação. Abaixo-assinado foi criado e até uma ação civil foi movida na promotoria pública.

- por Thiago Godinho, no blog Mais Jundiaí

Com o PSDB no governo é assim: você paga a
conta antes e só recebe o serviço depois
Anos e anos e a manchete se repete nos jornais da região: “Acidente e morte na Estrada Jundiaí-Itatiba”. As tristes estatísticas da rodovia Engenheiro Constâncio Cintra são tão recorrentes que, às vezes, nem paramos mais para prestar a atenção.

Tão comuns quanto as matérias sobre os acidentes, vinham as promessas da duplicação da estrada. E, finalmente, parece que a obra vai sair. Recentemente, porém, e infinitamente mais rápido do que pudéssemos vislumbrar a duplicação, começaram as instalações das cabines de pedágio.

A sociedade civil, vereadores das duas cidades e opinião pública foram unânimes em pressionar para que a cobrança da tarifa não acontecesse antes do final das obras de duplicação. Abaixo-assinado foi criado e até uma ação civil foi movida na promotoria pública.

Tais iniciativas pareciam ter surtido efeito. E realmente surtiram. Até o final das eleições, é claro. Tão logo acabou o processo eleitoral, vem a notícia de que a cobrança de R$ 1,85 para carros e R$ 0,90 para motos iria começar. E começou, hoje, desde a meia-noite.

Então, você amigo de Jundiaí que trabalha ou estuda em Itatiba, terá de engolir o pagamento do pedágio diariamente. Ah, a duplicação? A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos apenas em dezembro de 2011. Palavras do governador Goldman.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Lula dá um pau no EUA e defende WikiLeaks e a liberdade de expressão

- por Renato Rovai, em seu blog

Assista o vídeo abaixo, onde o presidente Lula diz aquilo que se espera de um democrata em relação à perseguição que Julian Assange e o WikiLeaks estão sofrendo dos EUA. Enquanto isso, nossa velha mídia brazuca silência. A verdade é que eles estão se lixando pra liberdade de imprensa.

Site do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí repercute minha vitória sobre os coronéis do PSDB

Confiram neste link.

Chega de intolerância! Homossexuais são da Terra

Homossexuais podem ser seus filhos, irmãos, tios ou pais, meninos. Homossexuais podem ser até vocês, que punem com fúria a diferença que não aceitam em sua própria pessoa. Homossexuais não são de Marte nem de Vênus, boys. Homossexuais são da Terra, feras.

- por Urariano Mota no Direto da Redação

As recentes e documentadas agressões a homossexuais em São Paulo me obrigam a refletir, ainda que breve e superficial, sobre o tema. Mais de uma vez, homossexuais, travestis, têm cruzado o meu caminho no trabalho de repórter, de escritor ou como amigo.

Lembro de uma entrevista que fiz no V Encontro de Travestis e Transexuais do Nordeste, em 2008. À minha pergunta de se, num mundo ideal, Flávia Desirée seria travesti, ela assim me respondeu:

- Não. Eu mesma já disse à minha mãe: “quando um dia eu morrer, eu não quero reencarnar no corpo de uma travesti mais não. Porque eu não aguento mais”.

Em outra oportunidade, um funcionário do Ministério da Cultura me contou, numa mesa de bar, a história de Dona Maria, uma senhora prostituta que, na altura dos 84 anos, era cuidada por um casal de gays. E sobre o seu relato, assim escrevi:

“Dona Maria é cuidada, penteada, lavada e medicada hoje por um casal de homens. José e Jeová, a quem chamaremos assim, em respeito à liturgia do nome da única mulher a quem se devotam, têm os ofícios de advogado e de enfermeiro. Jeová cuida dos assuntos mais altos, dos papéis, documentos e males gerais da vida exterior, pública, de Dona Maria. José, cuida de sua vida mais privada, pois lhe dá remédios, arruma, lava e espana os móveis, e tem uma paciência infinda em tratar da erisipela, que hoje teima em marcar a mulher, a ‘ex-prostituta’, como corre na boca das mais virtuosas famílias do Edifício Califórnia...

O funcionário conta a história até o ponto em que alguém na mesa, de forma elogiosa, afirma que somente um gay poderia despir, dar banho em uma mulher. E com um tom cínico, o elogiador completa:

- Só um gay poderia dizer pra ela, ‘abra as pernas’, sem nada sentir.

O morador do Califórnia, que conta o caso, a isso não responde. Ele olha de lado, como se procurasse algo mais concreto para além da mesa, em outro lugar, em outra terra, que expressasse um sentimento. Algo como, por que dividir assim a humanidade? Por que não ver nesse carinho a expressão de uma esperança? Por que não ver nisto algo tão simples quanto um afeto, afeto sem adjetivo, afeto, afeto, simplesmente? As pessoas na mesa riem diante do “abra as pernas”, mas o contador da história, não”.

Em outro dia, em uma entrevista com a escritora espanhola Rosa Regàs, ela me surpreendeu neste passo, quando lhe perguntei :

“- O que Proust escreveu sobre a homossexualidade, pra você, não foi uma revelação, uma descoberta?

- Não, não foi uma revelação nem uma anormalidade. Durante minha infância, à época do ditador Franco, quando reinava na Espanha a moral da Igreja Católica, minha mãe viveu com uma mulher uma bela história de amor. Isso durou cinquenta anos, até que ambas morreram, com meses de diferença, em 1999”.

E Rosa Regàs me surpreendeu de tal modo, que achei fosse erro de minha filha, que sabe espanhol e me ajudava na tradução. Ao que ela me respondeu: “Pai, se for erro, é do gravador. Escute”. Mas eu escutava e não entendia, até o momento em que a escritora me confirmou por email o que dissera.

E no entanto, eu não precisava ir tão longe. Todos os meus amigos no Recife lembram do nosso amigo mais brilhante, sobre quem soubemos da homossexualidade muitos anos depois da sua morte. Somente hoje sabemos: ele atravessou, naqueles anos difíceis da ditadura, além do terror que atravessamos, também a angústia de não nos revelar de quem gostava, mesmo nas maiores bebedeiras. É que esse grande companheiro possuía vergonha do próprio ser, porque todos nós teríamos tido vergonha dele também, se soubéssemos.

Na esquerda recifense da época, ser homossexual era algo tão grave quanto entregar um companheiro à repressão. Como era difícil, para a nossa “dialética” nos anos 70, assimilar, por exemplo, que Pasolini era comunista e gay. Isso era tão absurdo, que um dos nossos, mais exaltado, protestava:

“Se ele é comunista, não é gay. Mas se for mesmo gay, então Pasolini é... uma parcela avançada”.

Não sabíamos que homossexuais, por essa condição, não poderiam ser de direita ou de esquerda, assim como ninguém é comunista ou fascista por ter nascido homem ou mulher, ou por se chamar Antonio ou Elenice.

Essas lembranças nos vêm quando vemos jovens na televisão, tidos como normais, agredindo outros jovens tidos como anormais, apenas porque as vítimas se mostravam pouco viris. O quanto ainda temos por crescer, como homens e gente. Se houvesse um castigo que redimisse tal violência, creio que os agressores deveriam ler até o fim dos seus dias, como uma tarefa de casa, até que a evidência lhes entrasse no cérebro:

Homossexuais podem ser seus filhos, irmãos, tios ou pais, meninos. Homossexuais podem ser até vocês, que punem com fúria a diferença que não aceitam em sua própria pessoa. Homossexuais não são de Marte nem de Vênus, boys. Homossexuais são da Terra, feras.
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