quarta-feira, 30 de junho de 2010

O PiG na berlinda: 80% dos brasileiros duvidam das notícias

Os resultados da pesquisa abaixo dão uma boa dica dos motivos que tem levado muitos articulistas e editores do PiG (Partido da imprensa Golpista) a atacar a blogosfera independente. É que, por causa do partidarismo pró-direita e anti-esquerda que eles insistem em tentar disfarçar, a vaca está indo para o brejo. A cada dia, enganam menos gente e, de quebra, ajudam a aumentar a audiência de quem trata os leitores com respeito assumindo publicamente suas convicções e ideologias políticas...



80% dos brasileiros duvidam das notícias

A maioria absoluta dos entrevistados (57,3%) consideram tendenciosas as notícias veiculadas. 15,5% consideram a Internet o meio preferencial para obter informações, contra 6,4% dos jornais impressos e 0,5% das revistas.

- por Luis Nassif, em seu blog

Encomendado pela Secom (Secretaria de Comunicação do Governo Federal), o «Relatório de Pesquisa Quantitativa – Hábitos de Formação e Informação da População Brasileira» mereceu pouquíssima análise da imprensa escrita, apesar de já ter inspirado anúncios da Rede Globo sobre pontos que lhe são favoráveis.

Dados interessantes da pesquisa:

- A TV aberta é de longe o meio preferencial para obter informações.
- 15,5% consideram a Internet o meio preferencial para obter informações, contra 6,4% dos jornais impressos e 0,5% (meio porcento) das revistas.
- 80% dos entrevistados acreditam muito pouco ou nada nas notícias veiculadas pela mídia.


46,1% dos entrevistados afirmaram que costumam ler jornais; 34,9% lêem revistas. Dos que lêem jornais, 24,7% afirmam ler diariamente – ou seja, 11,4% do universo pesquisado. 30,4% dos leitores de jornais – ou 14% do universo pesquisado – afirmam ler em média um dia por semana.

A maior parte dos leitores de jornais está na Região Sul (54,1%) e Sudeste (52,7%). No caso das revistas, Sudeste (39,4%), Sul (38,0%) e Centro-Oeste (37,6%). O menor índice de leitores de jornais está no Nordeste (27,7%) e dos de revistas na Região Norte (29,4%) e Nordeste (30,7%).

Veja é lida pela metade dos leitores de revistas. Em seguida, bem abaixo, Época e IstoÉ. Mas apenas 0,5% (meio porcento) considera as revistas como seu meio preferencial para obter informações.

A Internet já tem alta penetração. 46,1% dos maiores de 16 anos já acessam. Desses, 66,5% a partir de sua própria residência; desses 66,5%, 65% já possuem banda larga.

Nas faixas de renda mais elevadas (acima de 10 salários mínimos), o percentual de acesso à Internet chega a 79,7%. Entre o público mais jovem (16 a 24 anos) o percentual de acesso à Internet chega a 68,8%, caindo para 14,9% acima de 50 anos.

Interessante a avaliação sobre o papel das lideranças comunitárias. 15% dos entrevistados as consideram fonte de informação. Desse total, 45,6% confiam mais nas suas informações, contra 49,6% que acreditam que as informações dos meios de comunicação (incluindo rádio e TV) são mais esclarecedoras.

Credibilidade da mídia

E aí se entra na credibilidade da velha mídia.

A maioria absoluta dos entrevistados (57,3%) consideram tendenciosas as notícias veiculadas, contra 24,3% que acreditam em notícias isentas e imparciais.

Quanto se pergunta da credibilidade dos meios de comunicação, 72,1% afirmam acreditar muito pouco; 7,2% não acreditam nada. 18,8% acreditam muito.

A população que mais acredita na mídia é a do nordeste, com 28% considerando as notícias isentas e imparciais e 25,7% acreditando muito no que é dito.

Já no Sul, comente 19,9% consideram as notícias isentas e imparciais; e meros 10,5% acreditam muito no que é dito pelos meios de comunicação.

O curioso é que dentre os consumidores preferenciais da mídia – classes de renda mais elevadas - é maior a proporção dos que consideram as notícias em geral tendenciosas e parciais.

Não significa que não consumam as notícias – 82,9% as utilizam no cotidiano e 62% admitem que, algumas vezes, mudam seus pontos de vista a partir de informações dos meios de comunicação.

Outros 26,5% nunca mudam seus pontos de vista em função das informações transmitidas pelos meios de comunicação.

Os meios mais confiáveis

Quando instados a identificar os meios de comunicações mais confiáveis, 69,4% apontam a TV aberta e 7,2% a rádio.

Em seguida vem a Internet (6,5%) acima do jornal impresso (6,3%) e das revistas (0,9%).

Veja a pesquisa completa no blog do Luis Nassif.

Vitória da democracia contra a censura: TSE confirma que internet é livre!

Os poodles raivosos da direita e seus papagaios amestrados na imprensa corporativa tem mais um motivo para estrebuchar de ódio além do naufrágio da candidatura de José Serra à presidência: os ministros do TSE negaram – por unanimidade – representação do MPE que atacava blogs pró-Dilma.

O relator, Ministro Henrique Neves, disse que “a internet é, sem dúvida, o maior espaço já concebido para o debate democrático”, aformando que os blogs e outros mecanismos são importantes veículos que permitem o debate de ideias e troca de informações o que é elemento essencial à democracia. "Manifestações de apoio, ainda que expressas, ou revelações de desejo pessoal que determinado candidato seja eleito, bem como críticas ácidas que não transbordem para a ofensa pessoal, quando emandadas de pessoas naturais que debatem política na Internet, não devem ser consideradas como propaganda eleitoral”, disse Henrique Neves.

Realmente, essa é uma pancada feroz na cabeça daqueles saudosos da ditadura que há pouco tempo estavam festejando as ações do MPE que tentavam censurar blogs de esquerda que apoiam explicitamente o governo Lula e sua candidata à sucessão, Dilma Roussef. Ou seja, deram mais tiros nos próprios pés, coitados, ao ficarem novamente - e perante toda a sociedade - ao lado da censura à livre expressão e do arbítrio!

Depois dessa, tenho certeza que os assessores de imprensa da direita (PSDB, DEMo e afins) que atuam na mídia corporativa travestidos de colunistas, articulistas e editores vão ter que deixar a blogosfera independente em paz um pouco e tentar arrumar outro motivo para falar mal da esquerda para agradar seus patrões e garantir seus empregos...

Leiam mais sobre o assunto no blog do deputado federal do PDT, Brizola Neto: "TSE confirma: a internet é livre. E Serra, reincidente"

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vox Populi: Dilma Rousseff (PT) 40% x 35% José Serra (PSDB)



- Do Blog do Fernando Rodrigues

Pesquisa Vox Populi sobre a eleição presidencial indica que Dilma Rousseff (PT) tem 40% das intenções de voto. José Serra (PSDB) tem 35%. Marina Silva (PV), 8%. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual. O Blog vai publicar mais resultados obtidos pelo Vox Populi assim que eles estiverem disponíveis.

Os resultados acima são da pesquisa estimulada (em que o entrevistador apresenta uma lista com nomes dos candidatos para o entrevistado). Na modalidade espontânea (em que o eleitor diz qual é seu candidato sem ver nenhuma lista de nomes), Dilma tem 26% e Serra tem 20%.

A pesquisa foi feita de 24 a 26.jun.2010 com 3 mil eleitores. Seu registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é o 16944/2010.

domingo, 27 de junho de 2010

Ex-donos da verdade incomodados: Ataques à blogosfera demonstram o desespero da direita

Eu fico cada dia mais feliz ao ver como a importância da blogosefera independente vem crescendo no Brasil no sentido de apresentar o contraponto às mentiras e distorções publicadas como "verdades únicas" pela imprensa corporativa e de formar opinião de quem busca honestidade e ética na defesa de uma ideologia, de um governo ou de políticos.

Não é à toa, portanto, que a blogosfera vem sendo alvo de ataques cada vez mais furiosos dos assessores de imprensa dos partidos de direita (PSDB, DEMo e afins) que atuam na imprensa corporativa travestidos de editores, articulistas e colunistas "isentos" e também de seus fiéis escudeiros infiltrados no Judiciário que tentam de forma arbitrária e imoral censurar blogs e intimidar seus autores.

Quanto mais o candidato José Serra da aliança conservadores/neoliberal afunda nas pesquisas, mais os seus capitães do mato caluniam e ofendem de forma genérica os blogueiros assumidamente de esquerda, que defendem o governo do presidente Lula e apoiam sua candidata, a ex-ministra Dilma Rousseff.

Isso dá um ótimo sinal de que a internet terá um papel crucial nas próximas eleições. E que a direita sabe disso e está desesperada porque não possui militantes ou simpatizantes apaixonados e abnegados como a esquerda, o que os força a apelar para táticas alternativas. Isso tanto é verdade que Serra contratou um exército de mercenários para atuar no twitter, nos blogs e nas caixas de comentários dos sites de notícias da rede espalhando mentiras, preconceitos e ataques chulos contra os canditados da esquerda progressista. Leiam neste link a denúncia feita pelo deputado federal do PDT, Brizola Neto, a respeito da atuação dos "brucutus" de Serra na internet.

Como bem disse o blogueiro Eduardo Guimarães, em seu Cidadania, os sabujos da direita do imprensalão "repetem e repetem e repetem a acusação covarde e genérica sobre 'blogueiros de aluguel' para tentar carimbar aqueles que se opõem aos serviços políticos que Globos, Folhas, Vejas e Estadões prestam a Serra e ao PSDB. Quem for honesto consigo mesmo não pode comprar acusações genéricas, sem citar nomes, feitas por quem, não tendo do que acusar aqueles aos quais se opõem, usam essa tática que, repito, é nazista, inspirada na tática do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, de repetir mentiras incessantemente na intenção de que passem a ser aceitas como verdades."

Tudo isso acontence porque os barões da imprensa corporativa morrem de medo de estamparem e defenderem de forma clara e honesta suas posições políticas, suas ideologias e os políticos que os representam. Preferem, de forma covarde e cínica, contratar capachos amestrados que se prestam ao serviço torpe de publicar editoriais onde defendem uma suposta "isenção" e atacam seus adversários, enquanto manipulam e distorcem as notícias para tentar enganar os incautos em favor de tudo aquilo que não tem coragem de assumir publicamente. É uma inversão total de valores que não apenas denigre os (poucos) profissionais sérios que ainda atuam na imprensa, como também mancha o próprio Jornalismo.

Ou, nas palavras do grande Jornalista Mino Carta em seu mais recente editorial na Carta Capital, "primor de jornalismo engajado. Partidário. E também hipócrita. Como é do conhecimento do mundo mineral, a rapaziada alega independência, equidistância, isenção.[...] Já me permiti comentar neste espaço o crescente fracasso dos persas, digo, da mídia nativa. Ficou claro em 2002, e mais ainda em 2006, que ela atira fora do alvo. A maioria a ignora e este é sinal peremptório de tempos diferentes. A habitual ofensiva contra o governo Lula, destinada agora a abalar a candidatura Dilma, atinge a obsessão e, frequentemente, beira o ridículo."

Realmente, ridículo é pouco para qualificá-los. E quanto mais eles batem, mais nós crescemos. Como um bonito e suculento bolo de chocolate. Quem viver, verá.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ibope finalmente admite a virada: Dilma, 40% x Serra, 35%

Antes que tucanos e demos venham minimizar o conjunto dos resultados, Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, já classificou a nova pesquisa do Ibope como “uma das piores notícias que o candidato tucano poderia ter nesta fase da campanha”. O jornalista lembrou que, “em maio, Dilma teve forte exposição nos programas partidários do PT. E a candidata subiu. Serra repetiu a receita, mas não deu certo”.

Com um mês de atraso, o Ibope confirmou o que institutos independentes de pesquisa — como a Sensus e o Vox Populi — já anunciavam em maio: Dilma Rousseff (PT) ultrapassou o tucano José Serra e lidera a corrida à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo levantamento do Ibope divulgado nesta quarta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a candidata petista chegou a 40% das intenções de voto, contra 35% de Serra e 9% de Marina Silva, do PV.

O resultado da pesquisa teve um sabor ainda mais amargo para o presidenciável tucano. Ao longo de junho, Serra apostou na propaganda ilegal e foi amplamente exposto nos programas eleitorais que PSDB, PTB e PPS veicularam na TV. A tática da oposição — resumida por um cacique na velha expressão “o crime vale a pena” — revelou-se inútil.

O Ibope mostra que a ascensão de Dilma é diretamente proporcional ao declínio de Serra. Na última pesquisa do instituto, feita a pedido do jornal O Estado de S.Paulo e da TV Globo e divulgado último dia 5, Serra e Dilma estavam empatados, com 37%, enquanto Marina aparecia com 9%. Já num levantamento anterior do Ibope, divulgado pela CNI em 17 de março, Serra ainda liderava as intenções de voto, com 38% dos entrevistados, contra 33 % de Dilma e 8% de Marina.

Segundo turno

Dilma também venceria um eventual segundo turno contra Serra. A pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira aponta a candidata de Lula com 45% das intenções de voto — Serra tem 38%. Na pesquisa anterior, feita em março deste ano, Dilma era apontada por 39% contra 44% de Serra.

Se Dilma disputasse o segundo turno com Marina Silva, ganharia com 53% (ela tinha 48% em março) contra 19% da candidata verde (17% em março). Já no caso de um segundo turno entre Serra e Marina, o tucano seria eleito com 49%. Em março, ele era apontado por 55% dos eleitores que responderam a esta hipótese. Marina Silva receberia 22% nesta situação, contra 17% aferido em março.

Espontânea

Dilma ainda aparece em primeiro lugar na pesquisa espontânea das intenções de voto feita pela CNI/Ibope com 22% da preferência do eleitorado. Na última pesquisa, em março, ela tinha 14%. Na espontânea, os entrevistados falam em quem pretendem votar para presidente sem que o entrevistador apresente antes o nome dos candidatos.

Nesse cenário, Lula — que não pode concorrer a um terceiro mandato — vem em segundo lugar, apontado por 20% do eleitorado. Em março, 9% apontaram Lula como sendo o candidato deles à Presidência este ano. Serra também cresceu, chegando a 16% contra 10% na pesquisa anterior. Já Marina passou de 1% para 3%. A pesquisa foi feita entre os dias 19 e 21 deste mês, com 2,2 mil entrevistados de 140 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

“Péssima notícia”

Antes que tucanos e demos venham minimizar o conjunto dos resultados, Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, já classificou a nova pesquisa do Ibope como “uma das piores notícias que o candidato tucano poderia ter nesta fase da campanha”. O jornalista lembrou que, “em maio, Dilma teve forte exposição nos programas partidários do PT. E a candidata subiu. Serra repetiu a receita, mas não deu certo”.

Mais lamentável ainda é a situação do próprio presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, e da revista Veja. Em agosto, a publicação maior da Editora Abril deu imensa visibilidade a uma entrevista na qual Montenegro previu a inevitável vitória de Serra.

“Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela”, declarou Montenegro, do alto de sua arrogância. A Veja não pensou duas vezes e escolheu uma manchete mirabolante: “Lula não fará seu sucessor”. Enfim, o presidente do Ibope foi “traído”... pelo próprio Ibope.

Da Redação, com agências

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dunga X Rede Golpe: Não é sobre futebol, é sobre tirania e juventude

- por Brizola Neto, deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro (www.tijolaco.com)

Esta madrugada “bombou” no twitter a palavra de ordem #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer emissora que não a Globo.

Não é uma campanha de “esquerdistas”, de “brizolistas”, de “intelectuais de esquerda”.

É a garotada, a juventude.

Também não é uma campanha inspirada na popularidade de Dunga, que nunca tinha sido nenhuma unanimidade nacional.

Na verdade, isso só está acontecendo porque um episódio sem nenhuma importância – um tecnico de futebol e um jornalista esportivo terem um momento de hostilidade – foi elevado pela própria Globo à condição de um “crime de insubordinação” inaceitável por ela.

As empresas Globo ontem, escandalosamente, passaram o dia pressionando a FIFA por uma “punição” a Dunga. Atônitos, os oficiais da FIFA simplesmente perguntavam: “mas, por que?”

A edição do jornal do grupo Globo, hoje, só não beira o ridículo porque mergulha nele, de cabeça.

O ódio a qualquer um que não abaixe a cabeça e diga “sim,senhor” a ela é tão grande que ela não consegue reduzir o episódio àquilo que ele realmente foi, uma bobagem insignificante.

Não, ela se levanta num arreganho autoritário e exige “punição exemplar” para técnico da seleção. Usa, logo ela, uma emissora de tanta história autoritária e tão pródiga em baixarias, a liberdade de imprensa e os “bons modos” como pretextos, como se isso ferisse seus “brios”.

Há muita gente bem mais informada do que eu em matéria de seleção que diz que isso se deve ao fato de Dunga ter cortado os privilégios globais no acesso aos jogadores.

E que isso lhe traria prejuízos, por não “alavancar” a audiência ao longo do dia.
Lembrei-me daquele famoso direito de resposta de Brizola à Globo, em 1994.

"Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou o nosso país."

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Pois o arreganho autoritário da Globo, mais do que qualquer discurso, evidenciou a tirania com que a emissora trata o evento esportivo que mais mobiliza os brasileiros mas que, para ela, é só um milionário negócio.

Dunga não é o melhor nem o pior técnico do mundo, nunca foi um ídolo que empolgasse multidões. A sociedade dividia-se, como era normal, entre os que o apoiavam, os que o criticavam e os que apenas torciam por ele e pela seleção.

A Globo acabou com esta normalidade. Quer apresentá-lo como um insano, um louco incontrolável. Nem mesmo se preocupa com o que isso pode fazer no ambiente, já naturalmente cheio de tensões, de uma seleção em meio a uma Copa do Mundo. Ela está se lixando para o resultado deste episódio sobre a seleção.

De agora em diante, a Globo fará com Dunga como que fez, naquela ocasião, com a Passarela do Samba, como descreveu Brizola naquele “direito de resposta”: “quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.”

Vocês verão – ou não verão, se seguirem a campanha #diasemglobo – como, durante o jogo, os locutores (aquele um, sobretudo) farão de tudo para dizer que a Globo está torcendo para que o Brasil ganhe o jogo. Todo mundo sabe que, quando se procura afirmar insistentemente alguma coisa que parece óbvia, geralmente se está mentindo.

Eu disse no início que esta não é uma campanha dos políticos, dos intelectuais, da “esquerda” convencional. Não é, justamente, porque estamos, infelizmente, diante de um quadro em que a parcela políticamente mais “preparada” da sociedade desenvolveu um temor reverencial pelos meios de comunicação, Globo à frente.

Políticos, artistas, intelectuais, na maioria dos casos – ressalvo as honrosas exceções – têm medo de serem atacados na TV ou nos jornais. Alguns, para parecerem “independentes e corajosos” até atacam, mas atacam os fracos, os inimigos do sistema, os que se contrapõem ao modelo que este sistema impôs ao Brasil.

Ou ao Dunga, que acabou por se tornar um gigante que nem é, mas virou, com o que se faz contra ele.

Eu não sei se é coragem ou se é o fato de eu ser “maldito de nascença” para eles, mas não entro nessa.

O ue a juventude está fazendo é o que a juventude faz, através dos séculos: levantar-se contra a tirania, seja ela qual for.

Levantar-se da sua forma alegre, original, amalucada, libertária, irreverente e, por isso mesmo, sem direção ou bandeiras “certinhas”, comportadas, convencionais.

A maravilha do processo social aí está. Quem diria: um torneio de futebol, um técnico, uma rusga como a que centenas ou milhares de vezes já aconteceu no esporte, viram, de repente, uma “onda nacional”.

Uma bobagem? Não, nada é uma bobagem quando desperta os sentimentos de liberdade, de dignidade, quando faz as pessoas recusarem a tirania, quando faz com que elas se mobilizem contra o poder injusto. Se eu fosse poeta, veria clarins nas vuvuzelas.

Essa é a essência da juventude, um perfume que o vento dos anos pode fazer desaparecer em alguns, mas que, em outros, lhes fica impregnado por todas as suas vidas.

E a ela, a juventude, não derrotam nunca, porque ela volta, sempre, e sempre mais jovem. E é com ela que eu vou.

O povo não é bobo: Abaixo a rede Globo!

domingo, 20 de junho de 2010

Ricardo Melo: Eu sou brasileiro e patriota, por isso não preciso torcer contra a Argentina

Sim, nesse campeonato da África do Sul eu torço pela vitória do Brasil. Nesse e nos próximos. E espero que o Brasil ganhe. E, se o Brasil não ganhar, eu torço para que a taça venha para a América do Sul, seja Paraguai, Chile, Uruguai e “até mesmo” a Argentina!

- por Ricardo Melo

Sim, caro leitor, eu não tenho nada contra a Argentina. Aliás, muitíssimo pelo contrário. Conheço esse país, conheço vários argentinos, tenho amizade com vários deles. É verdade que essas amizades são do Orkut, são virtuais, mas elas existem.

Mas qual é a explicação para essa rivalidade tão presente entre o Brasil e a Argentina? Eu tenho toda uma teoria a respeito, então senta que aí vem História.

Todos sabemos que o Brasil – ao contrário de quase toda a América Latina – não conquistou a sua Independência política através de uma guerra de independência. Aqui, o que sempre prevaleceu foi o chamado “acordo entre elites”, esse tipo de estratégia que possibilitou que um monarca de origem portuguesa declarasse a nossa independência.

E qual é o problema disso? O problema é que – apesar de o Brasil contar com todo um enredo heróico e patriótico – nenhum dos fatos históricos que conhecemos nas escolas foi suficiente para emocionar e unir a população em um forte espírito patriótico ou marcadamente nacionalista. Até mesmo à nossa Proclamação da República, o povo assistiu tudo "bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava".

Nesse tema a coisa no Brasil é tão feia que alguém já me contou que o único evento recente que galvanizou toda a população em um espírito cívico e patriótico foi o movimento das Diretas Já. Sim, aquele mesmo que ocorreu e não deu em nada!

É isso, não quero dizer que o brasileiro desconheça totalmente o patriotismo. Mas me responda: quando é que você vê multidões de pessoas gritando o nome do Brasil, se vestindo de verde e amarelo, comprando bandeirinhas ou as pendurando na janela do carro? Isso mesmo, isso não acontece todos os dias, não acontece no 7 de Setembro, nem acontece todos os anos.

Isso só acontece de 4 em 4 anos, quando o Brasil disputa o Campeonato Mundial de Futebol. É isso! O que nos une em espírito patriótico é um campeonato de futebol! É isso o que mais nos irmana, mais nos emociona. Isso nos emociona mais do que o uso da mesma língua ou mais do que o nosso enredo histórico ou nossas datas nacionais.

Na falta de um fato realmente significativo e duradouro, um fato histórico que galvanize e emocione a população, dependemos todos da Copa do Mundo para expressar um intenso amor patriótico ao Brasil.

Agora eu vou chegar justamente onde queria. Esse patriotismo futebolístico do Brasil não é patriotismo coisa nenhuma. Você duvida? Então me responda: o que vai acontecer com todas as roupas, bandeiras, cornetas e com todas aquelas quinquilharias verde-amarelas se o Brasil for eliminado do torneio mundial? Isso mesmo, vão parar todos na lata do lixo. E poderão ressurgir de novo somente daqui a mais 4 anos.

Então é isso, estou cansado desse pseudo-patriotismo, dessa patriotada. Milhões de brasileiros torcem contra a Argentina no Campeonato Mundial, pois entendem que o nosso patriotismo é futebol-dependente. Todos sabemos que o futebol da Argentina é o verdadeiro páreo contra o Brasil. É justamente por isso que as campanhas publicitárias no Brasil focam tanto a rivalidade entre os dois países. Os marketeiros e comentaristas de futebol (um deles, me recuso a nominar) sabem que, dentro dessa visão pseudo-patriótica, de 4 em 4 anos a Argentina pode ser pintada como se fosse o rival ao nosso “espírito patriótico”.

Horrível isso, não é mesmo? Depender da Argentina para cultivar o espírito patriótico brasileiro é a maior estupidez do mundo que podemos fazer contra nós mesmos. E isso aconteceu em anos passados, está acontecendo agora e poderá acontecer por muito tempo. Desse modo, eu sugiro que mudemos a nossa visão a respeito dos nossos “hermanos”, todos eles, não apenas os argentinos.

O futebol argentino é rival do futebol brasileiro, não é rival da Nação brasileira. O que o Brasil realmente precisa é crescer, se desenvolver, progredir em cidadania e em participação política da base populacional. Tenho absoluta certeza de que isso tudo um dia nos levará a construir um novo enredo histórico. Um enredo que emocione verdadeiramente a população.

Enquanto isso, com ou sem um enredo emocionante, mesmo em termos de futebol, eu venho aqui declarar que tenho um forte espírito patriótico e sou nacionalista também. É exatamente por isso que torço pelo Brasil na Copa. Eu sou brasileiro e patriota, por isso eu não preciso torcer contra a Argentina. E também é por isso que torço pelas seleções de todos os outros países irmãos do Brasil. A não ser que um deles jogue contra o nosso time, é claro...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Brizola Neto: Em nome do direito à liberdade

O Ministério Público Eleitoral, ao pretender tirar da internet os blogs – isto é, sites de natureza pessoal, não empresarial ou institucional – que, se manifestam ou acolhem manifestações pessoais favoráveis ou contrárias a candidatos penetra naquele terreno que o Ministro Celso de Mello definiu como proibido aos agentes públicos.

- por Brizola Neto, deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro

Quando se aplica uma lei, interpreta-se o seu sentido. Tenho dito aqui que é justamente por isso que juízes não poderão, jamais, ser substituídos por funcionários burocráticos. Juízes são imprescindíveis e juízes sábios são a mais completa realização do espírito da lei.

A lei que regula a propaganda eleitoral visa, essencialmente, duas coisas. Uma, garantir o equilíbrio de oportunidades entre cidadãos, candidatos e partidos. Outra, conexa, evitar o abuso do poder político, econômico e estatal – inclusive daquele que é concedido, nos meios de comunicação – na promoção de candidaturas.

Quando um partido monta um site, é uma pessoa jurídica de direito privado – sujeita, por ser pessoa jurídica, a funcionamento regulado, especialmente por lidar com recursos de origem pública - fica absolutamente restrito aos limites que a lei determina. E fica assim porque, como instituição à qual se concedem direitos especiais – recursos públicos, acesso a espaço nos meios de comunicação concedidos, privilégios de representação judicial – dela também se exigem deveres especiais. E isto permanece válido mesmo que se utilize dos serviços de uma terceira pessoa, uma empresa, para praticar seus atos.

Não é a mesma coisa o que ocorre quando um cidadão monta um site, menos ainda quando ele monta um blog que nem mesmo finalidade comercial possui.

E aí está o grande perigo às liberdades contido nesta investida do Ministério Público Eleitoral contra os blogs que assumem uma clara posição política e os desdobramentos desta no processo eleitoral que está em curso, e tão em curso está que em nome dele é que se tomam tais iniciativas.

O que há, neste caso, é apenas o exercício de sua livre expressão, o qual, vedado o anonimato, é absolutamente irrestrito, cabendo a ele responder, no campo cível e criminal, pela lesão a direitos de outrem, se estas ocorrerrem, ou à ordem pública. É o que decidiu, inclusive, o Supremo, na festejada e recente ação que anulou a aplicação da chamada Lei de Imprensa.

Citei aqui, outro dia, o exemplo da decisão do TSE sobre o uso de camisetas e bonés por parte de eleitores, permitido até mesmo no momento da votação, dentro de seção eleitoral. Por que permite isso o Tribunal? Porque é manifestação, expressão de opinião e preferência pessoal e, portanto, incoercitível direito constitucional do cidadão, desde que não interfira com a boa ordem. E, por isso, exige a Justiça que seja silenciosa esta manifestação, pois sem esse limite estaria ferida a ordem no ambiente eleitoral.

Nenhum cidadão pode ser punido se usar uma camiseta dizendo “eu quero Dilma Presidente” ou “eu quero Serra”, se ela não for produzida para seu uso pessoal ou até em maior número, se ele quiser dar a amigos ou à família. Isso, corretamente, não é permitido aos partidos, instituições ou empresas.

Ao contrário do que ocorre com os partidos – por serem pessoas jurídicas – autoridades públicas nos atos oficiais e empresas, nenhum cidadão pode ser punido por dizer que vai votar em um ou em outro ou que rejeita a um ou a outro numa roda de amigos, num papo de bar, numa conversa de porta de escola ou de fábrica porque este é seu livre – e constitucional – direito de manifestação.

A isso, dá-se o nome de liberdade de opinião.

A manifestação em sites e blogs é, obviamente, se exercida em nome pessoal, parte desta liberdade que é irrestrita, se não é anônima. Se ofende ou fere a honra, a dignidade ou a imagem de alguém cabe exclusivamente ao ofendido – pessoa física ou jurídica – o direito de contra ela representar. Não cabe ao Ministério Público agir espontanemente em nome deste.

A questão, portanto, passar a ser se interfere com a boa ordem pública.

O site ou blog não entra no computador de ninguém sem que a pessoa o acesse. Acessado, mesmo por engano, para de se comunicar a um simples gesto do receptor da mensagem. Em tudo assemelha-se a um encontro voluntário e aberto de pessoas, agora no mundo cibernético, e aí há outro direito constitucional em jogo, que é o direito de reunião.

Sobre ele, escreve o Ministro Celso de Mello, citado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, numa julgamento referendial, o da ADI 1969, de 2007, com grifos que faço:

O direito de reunião constitui faculdade constitucionalmente assegurada a todos os brasileiros e estrangeiros residentes no País;
Os agentes públicos não podem, sob pena de responsabilidade criminal, intervir, restringir, cercear ou dissolver reunião pacífica, sem armas, convocada para fim lícito;
O estado tem o dever de assegurar aos indivíduos o livre exercício do direito de reunião, protegendo-os, inclusive, contra aqueles que são contrários à assembléia;
O exercício do direito de reunião independe e prescinde de licença da autoridade policial;
A interferência do estado nas reuniões legitimamente convocadas é excepcional, restringindo-se, em casos particularíssimos, a prévia comunicação do ato à autoridade do local da assembléia;
O direito de reunião, permitindo o protesto, a crítica e a manifestação de idéias e pensamento, constitui instrumento de liberdade dentro do estado moderno.


O direito de reunião, porém, estaria restrito, porém, aos limites físicos de pequenos encontros, onde a manifestação de opinião restá limitada aos dons naturais de falar e de ouvir sem o uso de instrumentos tecnológicos que permitam que estes dons se projetem por mais que alguns metros no espaço? Ou a ele se incorporam meios técnicos de projetá-lo além destes limites, o que é, afinal, o que a internet nos permite?

No mesmo julgamento (de uma ação – vitoriosa – contra um decreto de Joaquim Roriz, então governador do Distrito Federal – que pretendia proibir o uso que equipamento sonoro nas manifestações públicas em Brasilía) o Ministro Lewandowsky diz cabalmente que sim , ao citar o Ministro Sepúlveda Pertence, que afirmou:

(…)daí a rombuda inconstitucionalidade que não tenho cerimônia de proclamar logo neste juízo preliminar, de um decreto na Cidade Moderna (Brasília) e numa das cidades de maiores espaços urbanos do mundo, com vistas a uma praça projetada na esperança de que um dia o povo a enchesse, a reunião fosse permitida, desde que, porém, silenciosa”.

Ora, não é a internet um espaço da vida moderna ainda mais amplo que os gramados de Brasília? Não podem nele se reunir pessoas, para trocar idéias, manifestar pensamentos ou preferências deles derivadas? Em que difere o uso de um computador ao de um amplificador de som eletrônico, um microfone e caixas acústicas, exceto no fato de que não incomoda ou interfere na vida ou nas atividades de qualquer outra pessoa que não queira adentrar neste “ambiente” virtual?

O Ministério Público Eleitoral, ao pretender tirar da internet os blogs – isto é, sites de natureza pessoal, não empresarial ou institucional – que, se manifestam ou acolhem manifestações pessoais favoráveis ou contrárias a candidatos penetra naquele terreno que o Ministro Celso de Mello definiu como proibido aos agentes públicos.

Não lhe cabe agir contra a reunião de pessoas que partilham preferências políticas por meio da internet, se estas reuniões e as manifestações que lhe são próprias não interferem com a ordem. Se há ofensa ou detratação de alguém, pessoa ou instituição, esta pode representar, sim. Se as pessoas querem eleger fulano ou sicrano é direito delas e o debate político é consequência inevitável deste exercício.

Isso vale para os pró-Dilma, vale para os pró-Serra, vale para os pró e contra qualquer um. Porque isso é a liberdade dos indivíduos que, como ensinavam Kant e a minha avó, só terminam quando tolhem a liberdade e os direitos alheios.

O abuso de poder político caracteriza-se exatamente pelo uso, segundo suas próprias convicções, das faculdades que se exerce em nome do povo. À instituição do MP, que tem os nobres propósitos de garantir a liberdade e os direitos constitucionais, mais que a qualquer um, cumpre repelir tal tentação.

PS. Aos amigos leitores que, gentilmente, se preocupam com a possibilidade de alguma ação contra nós, quero dizer que, embora grato pela preocupação, não a temo. Primeiro, porque o que digo aqui é sempre argumentado e inerente àfunção pública de representante do povo que o mandato me dá. Segundo, porque não há aqui nada contra a instituição e seu papel, mas sim a objeção de consciência – que não implica desobediência – a alguns atos e omissões que se praticam. Não tenho nenhuma dúvida que mesquinhos sentimentos de vingança são absolutamente estranhos a quem tem a alta função de procurador da República. Os poderes e seus integrantes não são incriticáveis e, como deputado, também não o sou.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Depois de 15 anos de PSDB no governo... O desespero dos paulistanos

Desgoverno, caos e sofrimento humano na degradada São Paulo

- por Mauro Carrara*

Você também não agüenta mais viver em São Paulo? Não vê retorno nos altíssimos impostos pagos ao Governo do Estado e à Prefeitura?

Você já se cansou de passar horas e horas no trânsito? Já não suporta ver semáforos quebrados ou desregulados? Já se indigna com a indústria de multas?

Já precisa tapar o nariz para andar pelas ruas lotadas de lixo?

Já teme perder seu carro numa enchente relâmpago?

Já se apavora ao saber que a cidade praticamente não tem mais polícia, e que são suas orações que protegem seus familiares nos trajetos urbanos?

Já se questiona se o suor do trabalho não é suficiente para lhe garantir um mínimo de eficiência nos serviços públicos?

Já se pergunta por que a imprensa nunca lhe dá respostas?

Já nota que o jornal e o portal de Internet nunca lhe fornecem a explicação que você procura?

Talvez, então, você esteja no grupo dos 57% de paulistanos que deixariam a capital caso pudessem, conforme apurou o Ibope.

Talvez, esteja no time dos 87% que consideram São Paulo um lugar completamente inseguro para se viver.

Mas, afinal, como chegamos a esta situação caótica na maior cidade do Brasil?

Analisaremos questões específicas (enchentes, trânsito, segurança, entre outras) do processo de degradação da qualidade de vida em São Paulo.

Porém, comecemos pelo geral.

1) Sua angústia, paulistano, tem basicamente três motivos:

a) A incompetência, a negligência e a imperícia dos grupos que, há muitos e muitos anos, se apoderaram da máquina pública no Estado de S. Paulo. Aqui, o “capitão da província” é sempre da mesma tropa.

b) O sistema desonesto de blindagem e proteção dessas pessoas pelos veículos de comunicação, especialmente a Folha de S. Paulo, o Estadão, a Rede Globo e a Editora Abril, aquela que publica a Veja.

c) A vigência de uma filosofia de gestão pública que nem de longe contempla as necessidades humanas. O objetivo da máquina de poder, hoje, em São Paulo, é privilegiar uma pequena máfia de exploradores do Estado e da cidade. O governo dos paulistas e dos paulistanos exige demais, mas oferece de menos.

2) Em pleno século 21, os velhos políticos ainda administram São Paulo como coronéis de província. São tão arrogantes quanto preguiçosos.

a) Não temos um plano coordenado de construção de “qualidade de vida” na metrópole, que coordene ações na área de saúde, educação, cultura, transporte e moradia. Todas as outras 9 grandes cidades do mundo têm, hoje, grupos multidisciplinares trabalhando duramente em projetos desse tipo.

b) Não temos um projeto sério, de longo prazo, para reestruturação e racionalização da malha viária.

c) Não temos um sistema de transporte coletivo decente. Entre as 10 maiores cidades do mundo, São Paulo é aquela com o menor número de quilômetros servidos por metrô.

3) Por que a doce chuva virou sua grande inimiga?

a) Porque os governantes de São Paulo não pensam em você quando autorizam a construção de novos condomínios e habitações. Onde havia terra e árvores, passa a existir concreto. O solo não absorve a água, que corre desesperadamente para o Tietê.

b) Porque a prefeitura simplesmente abandonou os trabalhos de construção dos piscinões. Você tem medo de morrer afogado no Anhangabaú? Pois bem, os recentes dramas no túnel teriam sido evitados se José Serra e Gilberto Kassab tivessem seguido o projeto de construção dos reservatórios de contenção nas praças 14 Bis e das Bandeiras. Até o dinheirinho já estava garantido, com fundos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas os dois chefões paulistas consideraram que as obras não eram necessárias. Agora, você paga por este descaso.

c) Lidar com água, uma das mais importantes forças da natureza, exige pesquisa e conhecimento. Em São Paulo, as obras são feitas de acordo com o humor dos governantes, muitas vezes em regime de urgência. Na pressa, o resultado quase sempre é desastroso. No Grajaú, por exemplo, os erros de engenharia na canalização de córregos acabaram por gerar entupimentos, enchentes e destruição. As famílias da região perderam móveis, eletrodomésticos, roupas e alimentos. Ou seja, obra sem planejamento gera mais prejuízo que benefício.

d) São Paulo tem a sua Veneza. É o Jardim Romano, que vai afundando a cada enchente. Como se trata de periferia, a prefeitura simplesmente abandonou os projetos de drenagem e captação de águas. O resultado é água imunda dentro das casas, doença e morte. Para minimizar o problema, o governo do Estado resolveu lançar um “carro anfíbio”, apresentado com pompa pelo bombeiros. Será que, não satisfeitos com o estrago, ainda querem rir da cara do cidadão?

e) O descaso com a cidade pode ser provado facilmente. Um levantamento técnico mostra que o número de pontos de alagamento aumenta assustadoramente de ano para ano. Em 2007, a cidade tinha 9 pontos fixos de alagamento. No ano seguinte, já eram 43. Atualmente, há 152 lugares por onde o paulistano pode perder seu carro durante uma chuva. É isso aí mesmo: 152! Sem dúvida, anda chovendo bastante. Mas não se pode negar que problemas de escoamento estão gerando o caos em áreas antes seguras. É o caso da Avenida Brasil com a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins. Quem podia imaginar que até mesmo a região nobre de São Paulo sofreria com alagamentos, lama e fedor insuportável?

f) O dinheiro que a Prefeitura gasta em câmeras, multadores automáticos e propaganda na imprensa poderia muito bem servir à erradicação de alguns desses problemas. No entanto, o drama da população parece não sensibilizar o prefeito nem o governador. Veja o caso dos alagamentos da Marginal Pinheiros com a Ponte Roberto Rossi Zuccolo. O problema já é grave, mas as obras nem foram contratadas, como admite a prefeitura. No caso da Zachi Narchi com Cruzeiro do Sul, na Zona Norte, a prefeitura limita-se a dizer que há um “projeto para futura implantação”. Tudo muito vago. Nenhuma pressa. No caso da Alcântara Machado (Radial Leste) com Guadalajara, a confissão oficial de incapacidade é assustadora: “as interferências não configuram possibilidades de obras para solucionar o caso de imediato”.

4) Por que São Paulo fede?

a) Porque a gestão Serra-Kassab simplesmente reduziu em cerca de 17% o investimento em varrição e coleta de lixo, especialmente na periferia. Aliás, limpeza urbana é algo que não se valoriza mesmo em São Paulo, vide as declarações do jornalista Boris Casoy sobre os garis.

b) Porque os projetos de coleta seletiva e de usinas regionais de reciclagem foram reduzidos, desmantelados ou sumariamente engavetados.

c) Porque a política de “higienização social” tem dificultado extremamente o trabalho dos catadores e recicladores.

d) Nem é preciso dizer que o lixo que se amontoa nas ruas da cidade vai parar nos bueiros. Vale notar que, nas enchentes, boa parte do lixo boiando está devidamente ensacado. Trata-se de uma prova irrefutável de que o “porco” nesta história não é o cidadão paulista, mas aquele que o governa.

5) Padarização: por que São Paulo é tão insegura?

a) O governo Serra praticamente sucateou o sistema de Segurança Pública. Paga mal os agentes da lei e ainda fomenta a rivalidade entre policiais civis e militares.

b) Em seu ímpeto privatista, o governo paulista incentiva indiretamente os empreendimentos de segurança particular.

c) Mal pagos, mal aparelhados e mal geridos, os policiais paulistas são o retrato da desmotivação.

d) Criou-se informalmente um sistema de “padarização” das patrulhas. Normalmente, os agentes da lei se mantêm na porta de uma padaria ou mercado, reduzindo drasticamente as rondas pelas áreas internas dos bairros. De certa forma, acabam se tornando uma guarda particular dos comerciantes locais. Esse fenômeno atinge não somente a periferia da Capital e de outras grandes cidades, mas também os bairros de classe média.

e) Essa mesma polícia invisível nas ruas, entretanto, ocupou o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) durante ato em defesa do Programa Nacional dos Direitos Humanos. Exigiam explicações sobre o encontro… Ora, que terrível bandido se esconderia ali? Ou será que voltamos à época da Operação Bandeirantes, que visava a perseguir os inimigos do regime militar?

f) Cabe dizer: o pouco que restou da Segurança Pública é resultado do esforço pessoal de policiais (militares e civis) honestos, dedicados, que ainda arriscam a vida para proteger o cidadão. Esses, no entanto, raramente são premiados por suas virtudes.

6) Politicalha na calçada, trânsito, impostos e desrespeito ao cidadão.

a) Sem qualquer fiscalização da imprensa, o governante paulista julga-se hoje acima da lei. Não precisa dar satisfações a ninguém.

b) É o caso da Calçada da Fama, já apelidada de Calçada da Lama, no bairro de Santa Cecília. Inspirada na homônima de Hollywood, foi condenada por todos os moradores locais. Mesmo assim, a prefeitura colocou 18 homens da Subprefeitura da Sé para trabalhar na obra (afinal, eles não têm bueiros para limpar). Cabe lembrar que os “testes” de homenagens foram realizados com a colocação de duas estrelas. Uma delas tinha o nome do ex-governador Geraldo Alckmin. A outra, do atual, José Serra, o único governador do Brasil que, entre amigos, se gaba de acordar ao meio-dia.

c) Para obras desse tipo, supõe-se, o prefeito Kassab busca um “aumentaço” no IPTU, tanto para imóveis comerciais quanto residenciais.

d) Cedendo ao cartel das empresas de ônibus, Kassab também decretou aumento nas passagens, de R$ 2,30 para R$ 2,70. A poucos metros da Câmara dos Vereadores, com bombas de efeito moral e balas de borracha, a polícia de Serra reprimiu violentamente os estudantes que tentavam se manifestar contra a majoração. Agressão desse tipo, aliás, já tinha sido vista na USP, em episódio que lembrou a invasão da PUC-SP por Erasmo Dias, em 1977.

e) Se o trânsito é cada vez mais caótico em São Paulo, raras são as ações destinadas a reformar a malha viária, revitalizar o transporte público e constituir um sistema inteligente e integrado de locomoção urbana. Os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego ainda planejam suas ações conforme modelos da década de 60. A obsolescência no campo do conhecimento é a marca da gestão da CET.

f) Se o tráfego paulistano é um horror, confuso e mal gerido, o mesmo não se pode dizer da indústria de multas. Em 2009, foram arrecadados R$ 473,3 milhões, valor maior do que o orçamento de cinco capitais brasileiras. Só 62 municípios do Brasil recebem, entre todos os tributos, aquilo que o governo paulistano obtém com esse expediente punitivo.

g) Com esse valor, seria possível instalar 2 mil semáforos inteligentes (raros aqueles em perfeito funcionamento na cidade) e 40 terminais de ônibus.

h) Curiosamente, se falta dinheiro para a reforma dos equipamentos de controle de trânsito, sobra para a compra de radares e aplicadores de multas. Foram 105 novos aparelhos em 2009. E a prefeitura projeta a instalação de pelo menos mais 300 em 2010.

i) Se os radares estão atentos ao motorista, dispostos a lhe arrancar até o último centavo, também é certo que não há olhos para as máfias de fiscais nas subprefeituras, especialmente na coleta diária de propinas nas áreas de ambulantes. Em 2008, membros da alta cúpula da subprefeitura da Mooca foram protagonistas de um escândalo, logo abafado pela imprensa paulistana. Hoje, os esquemas de cobrança ilícita seguem firmes e fortes. Faturam milhões, à luz do dia, na região do Brás, da Rua 25 de Março e da Lapa, entre outros, conforme denúncias dos próprios camelôs.

7) Até para fugir, o paulistano pagará caro… Dá-lhe pedágio!

a) Alguns governantes tornam-se conhecidos por construir estradas. Outros, por lotá-las de pedágios e fazer a festa de seus apoiadores de campanha. É o caso de José Serra. Em média, um novo pedágio é implantado em São Paulo a cada 30 dias. O ritmo de inaugurações deve crescer em 2010. Somente nas estradas do litoral, o governador quer implantar mais dez pedágios.

b) José Serra desistiu temporariamente de sua ideia obsessiva de implantar pedágios também nas marginais do Tietê e do Pinheiros. O desgaste político poderia inviabilizar, de uma vez por todas, seu projeto de ocupar a presidência da República.

c) Fora dos centros urbanos, entretanto, a farra do pedágio continua. Em Engenheiro Coelho, na região de Campinas, por exemplo, uma família já precisa pagar pedágio para se deslocar de um lado a outro de seu sítio, cortado pela rodovia General Milton Tavares de Souza (SP-332). Agora, para cuidar do gado, os sitiantes precisam pagar a José Serra e seus amigos da indústria do pedágio. Nessa e em outras cidades, o cerco dos pedágios deixam “ilhados” moradores da zona rural e de condomínios habitacionais. Nem mesmo o “direito de ir e vir” é respeitado.

Como resgatar São Paulo

Nos últimos anos, São Paulo vem sendo destruída e seus cidadãos humilhados. Está perdendo seu charme e carisma. Aumenta-se a carga de impostos, ao passo que os direitos básicos do cidadão são negados pela autoridade pública.

Mas nada comove a imprensa surda, muda e partidarizada. As enchentes, o lixo acumulado, as obras inacabadas, o apagão no trânsito, a fábrica de analfabetos do esquema de “aprovação automática”, as máfias de propinas, a falta de segurança e a fábrica de multas não sensibilizam os jornalistas.

A ordem nas redações é botar a culpa na sorte, nas gestões anteriores ou em São Pedro. Nenhuma tragédia é atribuída aos governantes locais. Jamais.

Quando a cratera do metrô engoliu trabalhadores, pais e mães de família, a imprensa silenciou sobre a culpa daqueles que deveriam fiscalizar a obra.

E o prefeito Gilberto Kassab ainda se divertiu, transformando a tragédia alheia em piada. Nem a Folha nem o Estadão escreveram editoriais indignados sobre o episódio.

A imprensa também se fez de boba quando a ponte do Rodoanel desabou sobre a pista, destruindo veículos e ferindo pessoas.

Aliás, os jornais estampam enormes manchetes quando se constata qualquer atraso em alguma obra do PAC. Mas não encontram relevância no atraso das obras do Rodoanel.

Já são doze anos de embromação, casos de superfaturamento e destruição do patrimônio natural nos canteiros de obras.

Na Capital, José Serra e Gilberto Kassab criaram fama ao inventar a lei “Cidade Limpa”, uma restrição sígnica ao estilo “talebã” que deixaria os habitantes de Nova York e Tóquio perplexos.

Eliminaram praticamente toda a publicidade local e, automaticamente, canalizaram milhões e milhões de Reais para jornais, TVs, rádios e portais de Internet. Um golpe de mestres.

Portanto, aquele que sofre diariamente em São Paulo precisa urgentemente revisar seus conceitos políticos, reeducar-se para a leitura dos produtos noticiosos e mobilizar-se para viabilizar a urgente mudança. Se São Paulo pode ser salva, será você, paulistano sofrido, o artífice dessa proeza.

*Mauro Carrara é jornalista, paulistano, nascido no Brás, em 1939.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Liberdade de expressão aterroriza os tucanos de Jundiaí: Prefeitura do PSDB tenta censurar meu blog na Justiça!

Mas não tem nada não. Quanto mais eles tentam nos cercear e intimidar, mais atiram nos próprios pés e demonstram para toda a sociedade quem são e quais são os valores que realmente regem suas condutas...

- por André Lux, jornalista

Fui informado por um amigo que a Prefeitura de Jundiaí, há mais de 20 anos nas mãos do PSDB, entrou com uma medida cautelar, em fevereiro deste ano, contra o meu blog e o do Beduíno, do Cesar Tayar. Ainda não descobri se eles querem censurar textos específicos ou o blog como um todo.

Trata-se de um atentado claro contra a minha liberdade de expressão, pois nada mais faço do que publicar minha opinião sobre a (péssima) administração que os tucanos fazem aqui na cidade. Jamais caluniei, difamei ou injuriei quem quer que seja.

Isso tanto é verdade que vejam só o que disse o Juiz a respeito do pedido de censura feito pelos donos do PSDB local:

"[...]a crítica veiculada não ostenta, a nosso viso, conotação ofensiva, não contrariando o princípio da razoabilidade, não sendo franqueado ao Poder Judiciário censurar a liberdade de expressão e pensamento de qualquer cidadão, que tem o direito, inclusive pela rede mundial de computadores, de criticar os administradores e homens públicos, dentro de certos limites, aqui não transbordados pelos requeridos, conquanto não se negue o tom jocoso da referida crítica[...]"

Pois é. Eu fico imaginando o nó que deve dar na cabeça dos manda-chuvas do PSDB local, que certamente se julgam donos da cidade por direito divino, lendo coisas como "liberdade de expressão e pensamento", "direito de criticar os administradores e homens públicos" e outros conceitos que obviamente não fazem parte de suas vidas.

Negada a cautelar que requeria a censura ao nossos blogs, agora o processo segue adiante aguardando nova manifestação da Prefeitura tucana.

Agora, imaginem vocês se fosse alguém do PT, do PCdoB ou de algum outro partido de esquerda aqui de Jundiaí que estivesse tentando censurar na justiça algum blog dos próceres da direita local. Não ia sobrar pedra sobre pedra. O PiG local ia estrebuchar em feridas e choveriam editoriais escritos pelos capachos dos poderosos denunciando o "atentando contra a liberdade de expressão" e as "práticas ditatoriais" desses comunistas comedores de criancinha!

Mas não tem nada não. Quanto mais eles tentam nos cercear e intimidar, mais atiram nos próprios pés e demonstram para toda a sociedade quem são e quais são os valores que realmente regem suas condutas...

Reproduzo abaixo uma cópia da página do Tribunal de Justiça com o despacho do Juiz ao nosso favor e contra os próceres do PSDB de Jundiaí (clique na figura para vê-la em tamanho real):

Contra a lama do PiG: Centro de Estudos Barão de Itararé lança site!



Está no ar o site do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. A entidade é fruto da união de lideranças sociais e comunicadores e foi fundada há quase um mês em São Paulo. A organização tem como objetivo se somar a luta pela democratização da comunicação, entre suas metas estão as de fortalecer a mídia alternativa, investir na formação de novos comunicadores, incentivar estudos de mídia e reforçar os espaços de discussão e atuação já existentes. Em seu nome, o Centro de Estudos homenageia o Barão de Itararé, pseudonimo do jornalista gaúcho Apparício Torelly, um dos precursores do jornalismo alternativo no Brasil.

Conheça mais sobre a iniciativa em www.baraodeitarare.org.br

Da esquerda para a direita: Marina, uma mercenária na linha auxiliar de Serra

Essa mulher destruiu a própria biografia aceitando o papel de mercenária a serviço do candidato daqueles que mais maltrataram o povo dela desde o descobrimento até hoje. Poderia ser um Lula, mas escolheu ser um FHC, ou melhor, no máximo um Alckmin, ou, no fim das contas, uma farsa.

- por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania

Ontem à noite, os telejornais – com destaque para o Jornal Nacional – deram talvez mais destaque à convenção do PV, na qual a ex-ministra Marina Silva foi sagrada candidata do partido à Presidência, do que têm dado ao candidato da grande mídia, ao tucano José Serra, apresentando um seu discurso de tom pretensamente apoteótico.

O discurso de Marina foi a quintessência do excludente conservadorismo da direita brasileira, mentalidade de classe e de raça que manteve a candidata verde analfabeta até os 16 anos. Pregou contra o “Estado Provedor que dá tudo”, ou seja, contra programas sociais como o Bolsa Família, no fim das contas.

Mas não é esse o maior drama que representa o desnudamento daquela que poderia ser um Lula, se quisesse, mas que optou por ser linha auxiliar de José Serra, pois é esse o papel de Marina nesta campanha, o de tirar votos de Dilma, de angariar simpatias à esquerda do espectro político para despejá-las no tucano no segundo turno.

Foi um erro de cálculo. Marina, nas pesquisas Sensus sobre a sucessão presidencial, aparece com a maior rejeição entre os candidatos a presidente. Mais de 34% do eleitorado disseram, em maio, que não votariam nela sob hipótese alguma. Isso se deu porque, para a esquerda, fica cada vez mais claro o papel que ela aceitou desempenhar.

Seus discursos pretensamente enaltecedores aos governos FHC e Lula tentam esconder apoio à versão da direita para a história brasileira dos últimos 15 anos ao conceder ao ex-presidente tucano méritos que ele não teve e ao endossar, de forma velada, a tese de que ele teria construído a base do sucesso de hoje do Brasil.

Marina é uma farsa por inteiro. Não tem pretensões de vencer, não tem base ou apoios políticos para vencer. Se vencesse por um desses fenômenos inexplicáveis da política, seu governo seria um governo do PSDB, do DEM, do PPS e, quem sabe, até do PV, partido pelo qual ela se candidatou.

O único objetivo da candidatura Marina Silva é o de enfraquecer a candidatura Dilma Rousseff com o bordão que a candidata “verde” entoou ao concluir sua fala na convenção partidária que a escolheu para disputar a Presidência da República, alguma coisa sobre pretender ser “a primeira mulher NEGRA a se eleger presidente”.

É uma enorme aposta da direita na qual está sendo investido muito dinheiro. A campanha, por um partido nanico, conta com um dos maiores e mais ricos empresários do Brasil como vice e com um investimento que beira os cem milhões de reais. Para se ter uma idéia, a campanha de Marina deverá custar quase tanto quanto as de Dilma e de Serra.

Só resta lamentar. Essa mulher destruiu a própria biografia aceitando o papel de mercenária a serviço do candidato daqueles que mais maltrataram o povo dela desde o descobrimento até hoje. Poderia ser um Lula, mas escolheu ser um FHC, ou melhor, no máximo um Alckmin, ou, no fim das contas, uma farsa.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Capitalismo selvagem: Especulação imobiliária na Serra do Japi faz nova vítima

Animal capturado próximo a área urbana é mais um triste sinal de que a pressão imobiliária sobre a Serra do Japi deve ser contida imediatamente

- Por André Lux, no blog do deputado estadual Pedro Bigardi


Sem lar: pressão imobiliária na Serra do Japi
expulsa
os animais silvestres de seu habitat natural

O deputado estadual Pedro Bigardi subiu à tribuna da Assembleia Legislativa nesta terça-feira, dia 08 de Junho, para exibir no telão do plenário uma reportagem da “TV Tem”, afiliada à rede Globo, que mostra a captura de mais uma onça em área urbana na região da Serra do Japi, em Jundiaí (que fica a 70km de São Paulo). Essa é a terceira onça capturada nessas condições em pouco mais de um ano.

A matéria mostra o trabalho dos bombeiros e da ONG Mata Ciliar na captura da Suçuarana (onça parda) e também a preocupação sobre as aparições cada vez mais frequentes de animais silvestres nas áreas urbanas. A Suçuarana foi encaminhada para a sede da ONG Mata Ciliar onde vai receber uma coleira de monitoração e deve ser devolvida à Serra nos próximos dias.

Na reportagem da “TV Tem”, Thiago Cabral, veterinário da Mata Ciliar (entidade especializada em tratar de animais silvestres vítimas da ação do homem), denuncia que o forte crescimento imobiliário nas proximidades da Serra do Japi faz com que os animais deixem seu habitat natural sem rumo certo e acabem sendo encontrados próximos a áreas urbanas.

Pedro Bigardi destacou, em sua fala aos outros deputados, que a criação do Parque Estadual Serra do Japi é a maneira mais eficaz de proteger esse importante patrimônio ecológico da ação predatória do homem. “As leis e as medidas que existem hoje não são suficientes para garantir a proteção integral da Serra do Japi, por isso faço um apelo a todos para que ajudem na aprovação desse projeto de Lei”, enfatizou Bigardi.

Charges do Bira: Rir para não chorar!









Carta Capital: Dilma solta o verbo

A pré-candidata do PT fala sobre continuidade, drogas, o papel do Estado, reforma agrária e, por que não?, seu novo visual

- Por Cynara Menezes e Sérgio Lírio, em Carta Capital

Um enorme painel da candidata ao lado de seu mentor, o presidente Lula, punhos cerrados no ar, emoldura o cenário da entrevista. Dilma Rousseff posta-se bem à frente da própria imagem. Desconfortável no início com perguntas pessoais, ela se solta aos poucos, enquanto defende as realizações do atual governo e explica o que pretende fazer se eleita. Basicamente, aprofundar o processo de inclusão social que, afirma, não se esgota em um ou dois mandatos.

Talvez por isso, ao se referir a uma eventual gestão sua, prefira a palavra "pe¬ríodo". No centro desse "período", promete, estará o compromisso de levar o País ao clube das nações desenvolvidas, com a erradicação da miséria, o foco na educação e na cultura. "Minha meta é levar nossa população à classe média, no mínimo."

Dilma não é Lula. E uma discípula, uma aluna. Mas uma aluna aplicada, vê-se. Como nunca disputou eleição, a ex-ministra da Casa Civil replica o "mestre" ao usar o recurso de contar historinhas nas respostas por vezes pouco concisas. Também se percebe na candidata o cuidado de evitar certas polêmicas durante a campanha, o que não inclui fugir às perguntas sobre seu envolvimento na luta armada durante a ditadura. "Tenho muito orgulho de ter resistido do primeiro ao último dia."

Alvo de seguidas denúncias, nunca comprovadas, desde que Lula anunciou ser ela a sua candidata ao governo, afirma não acreditar que a imprensa brasileira seguirá o exemplo da venezuelana e se tornar cada vez mais hostil diante da possibilidade crescente de permanência do PT no poder. Por ser contraproducente. "De que adianta? Mais do que somos criticados, e daí?" Na entrevista, a pré-candidata disse ser contra a descriminalização das drogas, defendeu a reconstrução do Estado e repeliu os estereótipos. "Nunca me senti uma pessoa infeliz. Não sou carente, sou alegre."

CartaCapital: Neste ano, o Brasil pode escolher a primeira mulher presidente. Faz diferença?
Dilma Rousseff: Faz toda a diferença, porque tem uma história de poucos direitos para as mulheres. Até o direito de voto para as mulheres é muito recente no Brasil, menos de cem anos. E ainda têm grandes desigualdades, que vão desde - apesar de as mulheres terem maior nível de escolaridade - ganhar dois terços do salário dos homens até o fato de existir violência familiar contra a mulher. Outro dia aproximou-se de mim um casal jovem, o rapaz carregava um menino de uns 3 anos, e a mulher, uma moça loira, vinha com uma menina, de vestido com¬prido, bonitinha, cabelo encaracolado. Chamava Vitória. E a mãe falou assim: "Eu trouxe a Vitória para que você diga a ela que as mulheres podem, que mulher pode". Eu olhei pra Vitória e perguntei: 'mulher pode o quê?' E ela: "ser presidente". Eu disse: 'Vitória, mulher pode ser presidente. Porque isso faz parte do sonho que toda criança tem: quero ser pirata, toureiro. Mas também pode querer ser presidente e mulher nunca quis. Uma menina que quer é sinal dos tempos. E ela se chama Vitória, achei simbólico'.

CC: Mas existe um modo feminino de governar?
DR: Tem um modo feminino inegável na vida privada. Nós cuidamos, providenciamos e incentivamos. E interessante levar isso para a vida pública. Vou contar outra historinha. Foi uma senhora, de seus 50 anos, a um sindicato, muito incomodada com a oposição homem e mulher. E ela sintetizou o problema da seguinte forma: "Somos 52% da população, mas os outros 48% são nossos filhos. De maneira que, se formos presidentes, fica tudo em casa. Ou seja, damos conta de cuidar das mulheres e dos homens, até porque a nossa relação com os homens não é de oposição. O olhar feminino não é excludente".

CC: Já foi, nos primórdios do feminismo.
DR: Talvez no começo, porque, sempre que se afirma alguma coisa, torna a diferença muito forte. A mulher, para ter consciência de que era discriminada, teve de fazer esse movimento. Mas não acredito que, hoje, esse seja um processo que crie diferenciação, desigualdade. Nenhuma política feminina é uma política anti-homem.

CC: Curiosamente, a senhora tem avançado menos no eleitorado feminino. Por que acha que isso acontece?
DR: Acho que tem razão o (cientista político) Marcos Coimbra. Ele fez uma avaliação correta: há o fato de a mulher não ter tanto acesso à informação quanto o homem. Muitas ainda não me conhecem. Quando se separa o universo das mulheres que me conhecem e as que conhecem o outro candidato, eu tenho mais aprovação do que ele.

CC: A senhora falou da menina que queria ser presidente, mas costuma dizer que este nunca foi um sonho seu. Agora que é candidata, acalenta algum projeto?
DR: Caminhar para que este seja um país desenvolvido. Foi o que o presidente Lula construiu e que a gente pode fazer.

CC: Se formos resumir, a marca do governo Lula é a inclusão. Qual seria a marca de um governo Dilma?
DR: Por que não pode ser a da inclusão também? Essa ânsia de novidade encobre uma questão seriíssima: este ainda é um país emergente, com um grau grande de desigualdade, e que pode, a partir de agora, porque acumulamos um conjunto de conquistas, trilhar o caminho do desenvolvimento. E isso não pode ser só com uma taxa de crescimento do PIB determinada, uma política de estabilidade macroeconômica. A minha meta é erradicar a miséria, levar nossa população, os mais pobres, à classe média, no mínimo. Isso é um projeto de desenvolvimento, mas eu também tenho um projeto de Nação. Este país não transitará para uma economia desenvolvida se não tivermos educação de qualidade, estando no centro da educação o professor, que tem de ter salário digno. Quem fala em educação de qualidade e não fala do professor está jogando pérolas aos porcos. Todo mundo diz que temos um bônus demográfico, que a nossa população em idade ativa é maior do que a população dependente, isto é, crianças, jovens e idosos. Outro dia fui brincar que o conceito de idoso estava mais flexível, porque tenho 62 anos e não sou idosa, e a imprensa toda deu que eu mexeria na idade da aposentadoria, que mudaria a previdência.

CC: E não será necessário, em algum momento?
DR: Não tem reforma da Previdência. Se você começar a fazer reforma da Previdência, acontece o seguinte: a primeira que fizemos deu uma corrida para a aposentadoria. Acaba criando um efeito contrário ao que se pretende. Mas, voltando, também vamos discutir a nossa cultura, a política cultural ocupará um espaço cada vez maior nesse processo. Não podemos permitir que não existam salas de cinema na periferia do Brasil, que o povo não tenha acesso a bibliotecas, à sua própria cultura.

CC: Em suma, vai ampliar o que foi feito durante o governo Lula?
DR: Não falo de só ampliar, não, falo de avançar. Se não avançar, não está continuando. O que o Lula construiu para o futuro? Um alicerce. Saímos de uma situação mais drástica, que foi a que nós recebemos do governo. Vamos relembrar bem: era uma situação de estagnação, desigualdade e desemprego. Podem falar o que quiser. Olhem estatísticas, meus filhos. E entramos numa era de prosperidade, que tem vários componentes: não é só inclusão, é mobilidade social, que significa que as pessoas podem subir na vida. É transformar as vantagens comparativas em competitivas, explorar as matrizes energéticas, o pré-sal, dar força à agricultura. Não somos aqueles países que têm petróleo e têm a maldição do petróleo, a pobreza no meio da abundância, o povo pobre e a riqueza do petróleo. Temos uma economia diversificada. Se a gente apostar na educação, vamos inovar também. Não se cria oportunidade no Brasil se não inovar. Se não formarmos engenheiros, físicos e matemáticos neste país, não vamos crescer adequadamente.

CC: A senhora promete erradicar a miséria em seu mandato. Mas o IPEA fala que erradicar a pobreza extrema só é possível em 2016.
DR: Miserável é quem tem renda de até um quarto do salário mínimo. Pobre é até meio salário mínimo. Em 2003, tínhamos um total de 77,8 milhões de pobres e passamos para 53 milhões no governo do presidente Lula. O contingente de miseráveis em 2003 era de 37,4 milhões e passou para 19,6 milhões. (Vira- se para o braço direito, Anderson Domeles: - Anderson, dá o meu papel. Já fiz essa conta. Prefiro o meu papel.) Então, a gente tem de buscar eliminar esses 19,6 milhões de miseráveis, mas acho que também temos de olhar os 24 milhões de pobres. Só não digo que será no meu período, nem estou dizendo que será em 2014. Mas, se você não colocar a meta clara e tornar isso um ponto político da pauta, passa batido. Erradicar a miséria está no centro da pauta do projeto de continuidade com avanço do governo Lula.

CC: Mas qual vai ser o caminho? A ampliação dos programas sociais ou o crescimento?
DR: As duas coisas. O aumento da renda em 70% se deve à formalização do trabalho. O fato de manter uma taxa de crescimento e torná-lo sistemático formaliza o trabalho. Mas quem ganha até um quarto de salário mínimo teve programas sociais de dois tipos: tem o de proteção da renda, que é o Bolsa Família, e tem programa social com uma certa perenidade. Exemplo, na área rural, onde se concentra um grande número de miseráveis, fizemos a política de agricultura familiar, multiplicamos por cinco o financiamento, criamos assistência técnica. E teve outro programa que beneficiou a pobreza rural no Brasil, o Luz Para Todos. Não se eleva socialmente ninguém se não olhar para as condições que se pode ter para fazer renda. E uma delas, imprescindível, é energia elétrica. A grande política do meu período é manter essa política rural e chegar a uma questão fundamental: as cidades. As cidades no Brasil são o local das desigualdades. Nas cidades se manifestou o que há de mais perverso no Brasil, a retirada do Estado - aí vale para município, estado e governo federal - das periferias. Uma grande conquista deste governo também foi indicar caminhos. Pega o que está sendo feito no Rio, em Manguinhos, no Alemão, Pavão- Pavãozinho. É a volta do Estado.

CC: Ainda é preciso fazer uma reforma agrária de grande monta?
DR: Tivemos um processo de reforma agrária muito significativo, foram 500 mil hectares. Não é trivial. Ainda tem gente para ser assentada, mas política de assentamento não é só comprar terra. A forma como se fazia assentamento antes era colocar o cara no meio do nada. A agricultura familiar no Brasil deu certo porque tem um suporte no programa de aquisição de alimentos. Tem seguro, garantia à safra, política de preço mínimo. Demos um tecido econômico social, de apoio, à pequena propriedade no Brasil, que responde por 40% da riqueza que se gera no campo.

CC: Mas se uma grande parte da miséria, como a senhora falou, está na zona rural, tem algum problema aí. Talvez tenha faltado reforma agrária.
DR: Vou repetir: não se resolve o problema do campo só dando terra. Tem de dar condições de produzir, sustentar a produção, apoio com assistência técnica, comprar a produção, garantir a comercialização, o acesso ao trator.

CC: A senhora acha que, se o PT vencer as eleições, a mídia tende a se tornar hostil, como ocorre na Venezuela?
DR: A Venezuela não é nem sequer parecida conosco. Lá é uma economia de dois setores, portanto, uma sociedade que tende a refletir dois setores. De um lado, tem o petróleo e, do outro, o resto. E só ver a participação que tem a renda do petróleo na Venezuela, ver a história da Venezuela. E dinheiro que eles não sabem o que fazer com ele, ainda é assim.

CC: Mas a imprensa brasileira, como a de lá, não tende a se tornar hostil a ama permanência a longo prazo do PT no poder?
DR: De que adianta? Qual a eficácia? Mais do que somos criticados, e daí? Qual a nossa aprovação? 76%...

CC: Como a senhora recebe essa acusação, que deve se intensificar durante a campanha, de ter sido "terrorista"?
DR: Tenho dúvidas de que vai se intensificar uma coisa dessas, porque é contraproducente. A discussão sobre a resistência à ditadura é contraproducente para quem não resistiu. Sinto muito orgulho de ter resistido do primeiro ao último dia, de ter ajudado o País a transitar para a democracia e de não ter mudado de lado. E muito interessante a forma como eles entenderam a metáfora que o presidente fez com o (Nelson) Mandela. O que ele falou foi o seguinte: o Mandela, talvez o maior pacifista dos últimos tempos, foi uma pessoa que recorreu à luta armada no país dele, porque não tinha outra solução. Parodiando Tolstoi, que disse que todas as famílias felizes são iguais e todas as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira, todas as ditaduras são iguais e todas as democracias são cada uma à sua maneira. As ditaduras têm uma mania muito peculiar que as caracteriza: excluir de forma violenta todos os que não pensam como eles. O que queríamos caracterizar naquele momento era a existência de uma violência de Estado que levou pessoas, nos mais variados locais, a tomar posições firmes diante da ditadura. Eu tomei.

CC: Por que a senhora apoiou a decisão do STF de não rever a Lei da Anistia?
DR: Eu sou a favor da legalidade. O Supremo decidiu e, até pelo que quero ser, não tenho a menor condição de ficar fazendo confronto com o Supremo.

CC: Discordar não é confrontar.
DR: Para o papel a que me proponho assumir, é sim.

CC: O que pedimos é uma opinião pessoal.
DR: Esta é a minha opinião pessoal. É ter consciência e maturidade para perceber que uma decisão do Supremo, num país como o Brasil, tem de ser respeitada. Como Presidente da República, que é o que quero ser, seria desrespeito. A partir do momento que se decidiu, está decidido. A não ser que se queira criar turbulência e instabilidade. Eu não quero.

CC: Como a senhora pretende lidar com o toma-lá-dá-cá no Congresso?
DR: Como lidei, uai! Eu lidei com esse toma-lá-dá-cá, ou não?

CC: Mas, e diante de um episódio como o do mensalão? Todo mundo fala que. não fosse por sua habilidade, o presidente Lula não teria se mantido no cargo quando se chegou a falar até em impeachment...
DR: A habilidade do presidente consistiu em ir para os movimentos sociais e deixar claro que impeachment não seria uma coisa adequada à democracia no Brasil. O presidente não fez nenhum toma-lá-dá-cá nessa questão.

CC: Mas é preciso negociar com o Congresso o tempo inteiro.
DR: Não concordo que a relação que tivemos ao longo desse tempo com o Congresso foi de toma-lá-dá-cá. Foi uma relação de negociar, porque tem oposição. O governo é a arte de negociar, não há nenhum mal em dialogar.

CC: Há uma crítica recorrente de que o Estado brasileiro tem cargos comissionados demais e isso serve para comprar apoio político.
DR: O Estado brasileiro ainda é um pouco desequilibrado. Herdamos um Estado que fazia corte linear, doa a quem doer. A manifestação maior desse modelo é o que encontrei nas Minas e Energia. Um engenheiro na ativa para 20 motoristas, em um ministério que cuidava de petróleo, de gás, biocombustível, energia elétrica... Não se pode ter uma visão simplificada do que se quer de um Estado. Eu quero um Estado meritocrático e profissional. Hoje, ele ainda está descompensado, começamos a remontar no governo Lula e vamos continuar. A questão das indicações políticas existe nos Estados Unidos, na França, na Alemanha, em todas as democracias. Essa conversa de aparelhamento do PT... Vamos lembrar o que houve em outros governos. Como se fosse só o PT a fazer nomeação política.

CC: O PT faz porque todos fazem, é isso?
DR: Não vou fazer tabula rasa disso. Pode ter, sim, nomeação política, o que não pode é não ter critérios técnicos. Posso receber uma nomeação política de um partido da minha base, ele vai me dar um nome, e nós vamos olhar.

CC: Não é o contrário? Olha-se o que tem para encaixar o apadrinhado?
DR: Não, normalmente indicam nomes com a ficha toda da pessoa. Essa conversa do aparelhamento do Estado é preconceito. Tentam estigmatizar, é uma coisa muito velha, lacerdista, de república de sindicalistas.

CC: Para alguns desenvolvimentistas, o Brasil está num processo de desindustrialização, por causa do câmbio. A senhora concorda?
DR: Não há nada que a gente não possa compensar com duas coisas: política industrial e financiamento. Mas acho importante que a taxa de juro real do País caia e convirja para as internacionais. Caminhamos celeremente para isso na próxima década. Se o Brasil mantiver uma taxa de crescimento de 5,5% ao ano, vamos ter uma redução do endividamento e aumento do PIB. E aí não há a menor possibilidade de não ter redução da taxa de juro real. O que não dá é achar que se faz isso por decreto.

CC: O Banco Central no seu governo será uma Santa Sé, como comparou José Serra?
DR: Acho inapropriada a comparação, é o tipo da problemática que não constrói nada. Não tenho o que falar a respeito.

CC: A senhora tem falado do combate ao crack, mas as políticas antidrogas têm fracassado. Sob que ótica se daria esse combate?
DR: O primeiro mecanismo é a prevenção. Não se combate droga sem repressão, tem de levantar a rota e combatê-la, mas só isso não adianta, está para lá de provado. Tem de fazer a prevenção e o apoio, e o apoio é complicado porque tem de apostar que tira o cara do crack depois que ele entrou. Há várias discussões a respeito, há casos que a pessoa saiu, mas não é fácil, não é igual às outras drogas. É altamente viciante e mata em seis meses. Não é algo, inclusive, que tenha tradição mundial, há dificuldade de fazer.

CC: O que a senhora acha da descriminalização das drogas, de maneira geral?
DR: Hoje não concordo. Não vou dizer que, numa crise de droga da proporção do crack no Brasil, caiba esse tipo de discussão agora. Não temos estrutura para isso e não temos como discriminar o que pode e o que não pode.

CC: A senhora foi muitos anos do PDT. Seu grande ídolo político é Leonel Brizola? Existe alguma idéia brizolista que poderá ser aplicada em seu governo?
DR: Admirei muito o Brizola. Tinha características muito importantes, uma grande noção de soberania. O compromisso com a educação conflui com o que a gente tem. A escola em tempo integral não basta mais, é pouco, o País mudou, mas a gente tem de reconhecer que ele deu uma grande contribuição. O Brizola pensou na educação em 1962, e o Miguel Arraes na eletrificação rural, na mesma época. Enxergaram problemas que no Brasil não se enxergava. Quando se olha para trás, a política de Arraes e de Brizola nos estados deles foi excepcional.

CC: O Chico Buarque, outro dia, disse que votaria na senhora por causa do Lula, mas que não via grandes diferenças entre um governo seu e um de José Serra. O que a senhora diria para o Chico?
DR: Talvez ele não me conheça (risos). Aliás, por culpa minha, eu é que tinha de procurá-lo. Até devo a ele um telefonema, não pude ir à casa dele no dia em que dona Maria Amélia, sua mãe, morreu. O presidente Lula foi e não pude acompanhá-lo. Mas pretendo procurar o Chico e agradecer pela opção.

CC: A senhora não pareça ter sido muito vaidosa no passado e agora ganhou um upgrade no visual. Está gostando?
DR: Ah, a gente sempre curte, sempre é bom. Mas é um cabelo mais simples, né? (Alisa o cabelo, mais curto, mais claro e sem um fio fora de lugar.) E mais fácil de arrumar do que o seu. Mas eu gosto, não acho ruim, não.

CC: Acha que vão surgir muitos pretendentes... presidente e de visual novo?
DR: É o tipo da coisa que não dá tempo nem de a gente pensar, nessa função. Agora, não sou contra, não, viu? As pessoas namorarem, coisas assim. Acho bom.

CC: Se a senhora fosse se comparar a uma mulher governante, estaria mais para Michelle Bachelet ou para Margaret Thatcher?
DR: Ah, Bachelet, sem dúvida, óbvio. Não tenho a posição conservadora da Thatcher.

CC: Mas a pintam como dama-de-ferro, não?
DR: É um estereótipo. Toda mulher é dama-de-ferro? Nunca vi um senhor-de-ferro, você já viu algum?

CC: Qual é, hoje, o maior entrave para o Estado brasileiro conseguir ser eficaz nos investimentos?
DR: Ainda tem muita burocracia herdada do período em que a ordem era não gastar. Houve um processo muito difícil de gestão da coisa pública e se criou uma série de entraves ao investimento. É fundamental reconstruir o planejamento, a capacidade de fazer projeto. O Estado pode demandar projetos.

CC: A senhora acha que as entidades fiscalizadoras, como o Tribunal de Contas da União (TCU), agem com excesso de zelo?
DR: Tive uma experiência muito boa com o TCU, que, inclusive, reconhece que o PAC tinha menos problemas do que qualquer outro programa do governo, pelo nível de acompanhamento direto nosso. Não acho que a questão de fundo seja essa. O que há é uma discrepância entre a qualidade da estrutura que fiscaliza, que se manteve ao longo dos anos intacta, que teve profissionalismo, que tem engenheiro ganhando a partir de 12 mil, e a estrutura que executa, onde o inicial é 4 mil ou 5 mil reais. Essa discrepância vai ter de ser alterada, tem de fazer plano de cargos e salários. Não pode ficar perdendo seus melhores quadros, senão não se consegue elaborar, olhar o futuro. E ninguém resolve isso no horizonte de um governo. Vamos ter de resolver a meritocracia no Estado brasileiro no horizonte de uma década. Levaram 20 anos desmontando, não se constrói de um dia para o outro.

CC: Privatizar é um tema banido no PT ou ainda existe algo privatizável?
DR: Privatizar patrimônio público, banco, estatal do nível da Petrobras e da Eletrobrás, é absolutamente absurdo e a vida nos deu razão. A crise mundial recente nos deu muita razão. Sem essas empresas não teríamos nos saído tão bem. A Caixa Econômica mudou, o Banco do Brasil mudou. O BNDES era uma central para fazer projetos para privatizar empresas brasileiras. Hoje faz projetos para expandir empresas brasileiras, é diferente.

CC: A senhora parece aquele tipo de mulher que as durezas da vida fizeram revestir-se de uma armadura. E difícil ter de se livrar dela agora, em campanha, ficar. como se diz, mais soft?
DR: Isso é um baita estereótipo. Quem não criou, depois de 60 anos de vida, vários mecanismos de defesa? Me mostre um bicho sem nenhuma carapaça que sobreviveu. Somos todos fundamentalmente muito parecidos. Nos defendemos, nos desmontamos, nos abrimos para as pessoas. Depende da circunstância. Não posso ficar chorando o dia inteiro sendo ministra-chefe da Casa Civil, me comovendo às lagrimas. Agora, se eu vir um filme comovente. choro. Como ministra, não podia ficar na emoção sistemática, porque ou eu segurava o touro a unha ou o touro picava a mula. O pessoal vende umas histórias esquisitíssimas. Talvez a suposição seja que sou um E.T. A verdade é que tive uma vida muito boa, tirando a prisão na época da ditadura. Casei, tive filho, vivi bem com meu marido, sou amiga do meu ex-marido, ele é que nem meu parente. Nunca me senti uma pessoa infeliz, não sou carente, sou alegre. Gosto de viver

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Voto Consciente: Mobilização pelo voto de qualidade nas eleições

Serra atira no próprio pé: A farsa do "dossiê" vem à tona

A fábrica de dossiês de José Serra foi desmascarada mais uma vez. Esse sujeito não tem mesmo o mínimo escrúpulo. Dá nojo! Leiam a matéria abaixo e comprovem até onde chega a selvageria do sujeito e de seus asseclas...

Amaury Jr diz que matéria de Veja foi fruto de roubo

O jornalista Amaury Ribeiro Júnior disse que aceita ser acareado com o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa.

- por RUBENS VALENTE, DE BRASÍLIA, na Folha de S. Paulo

Em entrevista à revista “Veja”, o delegado disse que recebeu pedido da campanha eleitoral de Dilma, durante uma reunião ocorrida em Brasília, em abril, para que investigasse “coisas pessoais” do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra (PSDB). Amaury, que participou do encontro, negou que o pedido tenha ocorrido.

Segundo o jornalista, na reunião o delegado relatou que pessoas ligadas ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estão levantando dossiês contra pessoas do PMDB, que vai indicar o vice na chapa de Dilma.

No sábado, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que pedirá uma investigação sobre a possível produção de dossiês pela campanha de Dilma Rousseff (PT).


A seguir, trechos da entrevista.

Folha – Foi pedido ao delegado Onézimo que investigasse José Serra ou foi sugerido grampo telefônico?
AMAURY RIBEIRO JUNIOR – Não tem nada a ver com José Serra. A questão [da reunião] era para saber quem estava vazando informações. E saber quem roubou [as informações]. Na verdade se fala muito em espionagem, mas o que aconteceu é que roubaram coisas. Roubaram o cartão do próprio delegado. Eu fui chamado exatamente para tentar ver o que estava acontecendo na casa, o que estava vazando na casa.

Não foi sugerido ao delegado algum tipo de investigação sobre a família de Serra?
O que está parecendo agora é uma retaliação. Ele está falando isso agora como uma retaliação porque ele não foi contratado. [...] Agora, sendo um cara araponga, ele tem que provar. Eu tenho como provar que não rolou esse papo na conversa. Ele vai se dar mal, porque vou processá-lo. Porque tenho como provar tudo que se passou naquela conversa.

Como você pode provar?
Detalhes, diálogo por diálogo. Eu tenho como provar tudo o que foi falado. Agora, eu fui [à reunião] porque conheço outra pessoa, um amigo dele. Ele [Sousa] trabalhou na inteligência do Itagiba, no Ministério da Saúde, que o Serra montou.

Por que ocorreu a reunião?
Não era só vazamento, começaram a roubar coisas lá dentro. Sabotagem. [...] O Onézimo chegou nessa reunião dizendo que ele tinha condições de destruir isso porque ele havia trabalhado antigamente, e que tinha brigado com o pessoal, da inteligência do Itagiba. [...] Quando o Serra assumiu o Ministério da Saúde, ele montou –com o pretexto de investigar laboratórios– uma central de espionagem, que era formado por quem? É só você ver quem estava cadastrado. Era um agente do SNI, o “agente Jardim”, que até pouco tempo estava no gabinete [de Itagiba na Câmara], um ex-delegado… Isso quem falou foi o próprio Onézimo.

Ele chegou nessa reunião [e disse]: “Pô, vocês estão atrasados, porque essa equipe está trabalhando há dois anos”. “Fazendo o quê?” “Ah, eles estão levantando dossiê contra o pessoal, esse povo do Itagiba está levantando 300 dossiês contra pessoas do PMDB, e quem do PMDB não votasse com o PSDB, estão fazendo chantagem, estão chantageando”. [...] E disse o seguinte: que tinha sido convidado, inclusive, para integrar esse grupo. “Então pra gente descobrir quem está com vocês, aí, é muito fácil, porque eu já trabalhei lá”. Ele contou também que trabalhou –o que facilitaria [seu trabalho]– que já tinha trabalhado no grupo de inteligência da campanha de Fernando Henrique em 1994.

Ele disse que esse grupo do Itagiba, depois de vasculhar a vida do Aécio Neves e da Dilma e não ter encontrado nada contra, eles estavam desesperados. E disse que tem uns 500 dossiês contra o pessoal do PMDB. Essa é a verdade. Então qual era a intenção –ele falou– “se esse pessoal [está atuando contra], nós temos que nos proteger”. Mas acontece que havia problemas, e isso eu concordo com ele, sobre o direcionamento da campanha. Porque eu achei confuso. Primeiro, que daí o pessoal da reunião começou a falar que estava desconfiando de fogo amigo. Aí ele falou, “vamos investigar o [grupo do] Serra ou vamos investigar o fogo amigo?”. E aí realmente não chegamos a um acordo. Eu abortei. Porque o pessoal que podia estar na casa, não podia fazer esse trabalho externo. Eram dois serviços: um era proteger a casa e outro era saber quem eram esses caras do Itagiba. Eu vou poupar o nome, mas ele chegou até a mandar um cara para conversar com o “Jardim”, saber o que ele estava fazendo, deu um relatório sobre o “Jardim”, tudo. [...] Então o que era o plano? Era desmontar essa base.

O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto seria o responsável por pagar os serviços?
Eu acho que ele é um cara que coordena a casa e estaria ali para saber como que seria o pagamento, se fechasse. Tanto que ele foi para a reunião acho que para… ele foi como representante do esquema da QI [a casa no Lago Sul onde funcionava a área de imprensa da campanha de Dilma].

Qual o interesse direto dele em pagar esse custo?
Ele ia ver as planilhas de custos, avaliar os gastos, se valia a pena, como qualquer contrato empresarial. Ele é amigo de Lanzetta e era tipo um contador da casa. Ele tinha uma equipe. A maior parte do staff da casa é ligada a ele. Lanzetta pegou uma pessoa para organizar. [...] Eles são sócios. Foi lá para dar um apoio. Pepper, americanos e Lanzetta fizeram um pool para tocar a casa. Parece que ele largou um monte de contratos [no governo] para participar da campanha.
Na área empresarial, ele pegou as empresas do pai e transformou a gráfica numa das maiores do Brasil, tem um faturamento de milhões. Ele transita em vários meios e é amigo de várias pessoas. Ele e Lanzetta são amigos inseparáveis, um não faz uma coisa sem o outro. Lanzetta chamou Benedito para organizar as finanças da casa, desde o aluguel, contratação de pessoas. Mas eu estou dizendo o que eu acho, aquilo que entendi.

Haveria pagamento em dinheiro?
Não, só em contratos. Isso ficou bem claro [na reunião]. O Benedito falou bem claro que não era esse tipo de pessoa, que emitiria comprovantes de pagamento e serviços. Seria tudo declarado.

E a presença de Idalberto na reunião?
Foi ele que levou o Onézimo. Eu conheço o Idalberto há muitos anos e ele nunca pegou, nunca…

Ele foi contratado pela campanha?
Não foi contratado, não. Ia se formar esse grupo que não se formou, entendeu? [...] Eu nem cheguei a fechar contrato, foi abortado, eu não entrei na campanha. Eu fui lá para tentar desmontar um sistema de espionagem. [...] Havia espiões lá dentro [da casa]. A “Veja” mostrou fotos de todo mundo, o cartão roubado do delegado. Eu falei [para um repórter da revista] que “sua matéria é produto de roubo, de sabotagem”.

Vocês chegaram a fazer uma denúncia sobre esse suposto roubo?
Eu procurei o Ministério Público Federal, um procurador da República amigo, mas mas fui demovido da ideia por Lanzetta, que pediu, encarecidamente, que eu não formalizasse a denúncia. Havia suspeitas sobre os próprios integrantes da casa, então como poderia ser uma denúncia contra? Eu não fiz na hora, mas agora vou entregar todos os documentos, junto com os resultados das minhas investigações, para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Foi o Lanzetta quem lhe convidou para a reunião?
O Lanzetta, porque ele não é da área, tem um perfil de empresário. Eu sou jornalista. Eu converso com esse povo há dez anos, como todo jornalista conversa.

Os achados que você fez para seu livro, sobre as privatizações, foram relatados a Fernando Pimentel, chegaram a conhecimento…
Não. Isso é um material que nunca passei para ele porque eu tinha feito em outra circunstância. (..) Na verdade, eles [PSDB] estão preocupados com o que eu tenho. Não é feito de espionagem, nada de grampo, nada de ilegalidade. O que importa é se o que eu tenho aqui é legal, se tem fé pública, se não tem. É isso que importa. Agora, ninguém quer saber disso, né? Ganhei mais de 30 prêmios de jornalismo e nunca fiz matéria com base em grampo telefônico. Nunca trabalhei assim.

Quando sairá o livro?
No livro eu vou contar a história desde o início. Toda essa rede de intrigas. Eu, como não tenho contrato com ninguém, posso falar de todos os lados. Tem fogo amigo dos dois lados. Vou publicar os documentos. Já estou procurando um laudo de um especialista, um tributarista com especialização em lavagem de dinheiro, para dar um parecer sobre todos os documentos. Vou entregar tudo para a Polícia Federal. Vou até o fim.
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