sábado, 29 de maio de 2010

A hora da esquerda: Política externa e opinião pública

Em vez de perceber qualquer problema na “esquerdização” da política externa, a opinião pública vê a atuação do governo e, especialmente, de Lula nas relações internacionais como um de seus maiores trunfos. Nenhum presidente recebeu, antes dele, tanto destaque nesse campo.

- Por Marcos Coimbra, na Carta Capital

Dentre os muitos descompassos que existem entre os sentimentos da maioria da população e o que dizem a oposição e a grande imprensa, um dos maiores acontece na avaliação da política externa do atual governo. Onde alguns só veem equívocos, ela enxerga, quase sempre, sucessos.

Quem, nas últimas semanas, leu os principais jornais deve ter ficado com a impressão de que a nossa política de relações exteriores será um problema para Dilma Rousseff. Como ela conseguirá defendê-la, se pouco ou nada se salva no que o governo faz? Irresponsável, inconsequente, atrapalhada, é assim que pintam sua condução. Para quem tem a missão de propor a continuidade, seria um fardo e tanto para carregar.

Há tempos que a política externa é um dos alvos preferidos da oposição. Já na eleição de 2006, os estrategistas da campanha de Geraldo Alckmin viram uma oportunidade para enfraquecer a vantagem de Lula nas pesquisas no episódio da nacionalização das reservas bolivianas de petróleo e gás natural, feita pelo recém-empossado governo de Evo Morales. Não funcionou, e gorou a tentativa de transformar o assunto em tema eleitoral.

Ao longo do segundo mandato, foi subindo o tom das críticas, seja contra a política latino-americana do Itamaraty, seja em relação a outras questões, de comerciais e tarifárias a disputas por posição em organismos multilaterais. A compreensão e, às vezes, a simpatia do governo para com os bolivarianos do continente chegou a provocar, pelo que se ouviu no período, tremores de raiva em muita gente.

Em um importante jornal carioca, lemos, faz pouco tempo, uma pergunta que exemplifica esses sentimentos. Escrevendo sobre o que terá mais peso na decisão dos eleitores em outubro, o colunista se indagava se seria a satisfação das pessoas com o presidente e a constatação de que sua vida melhorou, ou “a percepção de parte do eleitorado de que uma política externa radicalizada à esquerda tem reflexos inevitáveis na maneira de conduzir a política interna”.

Essa “radicalização à esquerda” terá se acentuado depois das gestões brasileiras para resolver a crise nuclear iraniana. Nelas, não só a preferência do governo Lula pelos “radicais” se manifestaria, mas ficariam evidentes os traços que a oposição identifica como mais característicos de nossa política externa, nos quais se inclui a falta de compreensão do papel internacional do Brasil e de sua diplomacia.

Ao ouvir os especialistas convidados pelas grandes redes de televisão (a maioria ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso), os espectadores poderiam se perguntar como um governo tão canhestro é tão respeitado pelo resto do mundo. Enquanto o coro dessas críticas só aumenta aqui dentro, o de elogios sobe a cada dia lá fora. Vindos de gregos e troianos.

Em vez de perceber qualquer problema na “esquerdização” da política externa, a opinião pública vê a atuação do governo e, especialmente, de Lula nas relações internacionais como um de seus maiores trunfos. Nenhum presidente recebeu, antes dele, tanto destaque nesse campo.

Nas pesquisas qualitativas feitas atualmente, o que se encontra é uma sensação de orgulho do cidadão comum pelo que avalia ser um crescente reconhecimento internacional do Brasil, seu governo e sua economia. Predomina a visão de Lula como um presidente que busca e consegue acordos com outros países, favoráveis aos interesses nacionais. Simplesmente não se ouvem ecos do que a grande imprensa publica. Conciliação, bom senso, entendimento, afirmação nacional, é com palavras como essas que as pessoas caracterizam a política externa.

Ela é (mais um) exemplo da surpresa positiva que a população teve com Lula e com o PT no governo. Muita gente temia pelo desempenho internacional de uma liderança como Lula, que poderia não estar à altura do que o País necessitava. Velhos preconceitos cercavam de expectativas cautelosas o que ele seria. Pelo que as pessoas sentem hoje, no entanto, nenhuma se confirmou.

Assim, Dilma Rousseff não terá dificuldades com esse tema na campanha. Ele nunca foi central nas nossas disputas presidenciais, mas vai subir de importância agora e nos próximos anos. Se desejar, Dilma pode promovê-lo desde já, e tem tudo a ganhar com isso.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Filmes: "Alice no País das Maravilhas"

TIM BURTON E SUAS HISTERIAS

Todos os defeitos do diretor estão aqui também, com a novidade de, como foi rodado em 3D, a cada cinco minutos alguém jogar um objeto em direção à câmera.

- por André Lux, crítico-spam

Esse “Alice no País das Maravilhas” do Tim Burton é muito ruim. Todos os defeitos do diretor presentes em sua obra, exceto "Ed Wood" e "Peixe Grande e Suas Histórias", estão aqui também: histeria, péssima direção de atores, roteiro pífio, trilha musical amadorística de Danny Elfman, com a novidade de, como foi rodado em tecnologia 3D, a cada cinco minutos alguém jogar um objeto em direção à câmera.

Novamente Jonnhy Depp, agora caracterizado de Elijah Wood, se presta ao papel ridículo de ficar fazendo micagens neste filme que, na verdade, é uma espécie de continuação da história original e traz uma Alice adolescente (interpretada por uma atriz péssima que fica o filme todo com a mesma cara de emburrada) que volta ao país das maravilhas sem lembrar que esteve lá. Não há história e o roteiro resume-se a uma série de encontros da garota com os personagens clássicos, tudo intercalado com os ataques histéricos da ridícula Rainha de Copas (a horrível Helena Bonham Carter, atual “musa” do Tim Burton) e mais micagens da Rainha Branca (a coitada da Anne Hathaway, maquiada para ficar parecendo uma múmia).

No final, o filme descamba para o besteirol puro, com a franzina Alice enfrentando o terrível monstro Jabberwoky e matando-o com a maior facilidade (não estou revelando nenhuma surpresa, pois um “oráculo” conta o desfecho logo de cara). Mas nada é mais ridículo do que a heroína voltando para casa e transformando-se, do nada, em uma excepcional “mulher de negócios”, abrindo rotas de comércio até a China.

Não vale a pena escrever mais sobre essa porcaria. Nem como trash pode ser considerado, pois não chega a provocar riso involuntário, apenas constrangimento e tédio.

Cotação: *

terça-feira, 25 de maio de 2010

Meus 20 filmes favoritos de todos os tempos

Em ordem alfabética:

2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (2001 – A Space Odyssey), de Stanley Kubrick




A VIDA DE BRIAN (Monty Phyton's Life of Brian), do Monty Phyton





ÁGORA (Agora), de Alejandro Amenábar





ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO (Alien), de Ridley Scott




APOCALIPSE NOW REDUX (Apocalipse Now Redux), de Francis Ford Coppola




BLADE RUNNER (Blade Runner), de Ridley Scott




BRAZIL - O FILME (Brazil), de Terry Gilliam




CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (Raiders of the Lost Ark), de Steven Spielberg




CIDADÃO KANE (Citizen Kane), de Orson Welles



CINEMA PARADISO (Nuovo Cinema Paradiso), de Giuseppe Tornattore




ERA UMA VEZ NA AMÉRICA (Once Upon A Time In America), de Sergio Leone

MAD MAX 2 (The Road Warrior), de George Miller




MATRIX (The Matrix), dos irmãos Wachowski




MEU TIO (Mon Oncle), de Jacques Tati




O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (The Empire Strikes Back), de Irvin Kershner



O SENHOR DOS ANÉIS – A SOCIEDADE DO ANEL (The Lord of the Rings – The Fellowship of the Rings), de Peter Jackson




PULP FICTION (Pulp Fiction), de Quentin Tarantino




RAN (Ran), de Akira Kurosawa




SYRIANA (Syriana), de Stephen Gaghan




TEMPOS MODERNOS (Modern Times), de Charles Chaplin

segunda-feira, 24 de maio de 2010

DVD: "O Solista"

COLUNISTA TAMBÉM É GENTE 

Não era um mendigo negro qualquer, não senhor! Ele havia estudado na Unicamp e sabia tocar violoncelo!

- por André Lux, crítico-spam

Era um belo dia ensolarado em São Paulo. Colunista da Folha de São Paulo (Robert Downey Jr.) dirigia-se para a sede do jornal para começar mais um dia de trabalho quando foi surpreendido por uma cena no mínimo exótica: um mendigo negro (Jamie Foxx) tocando violoncelo no meio da praça da República.

Num ímpeto instintivo, o Colunista parou o carro e foi até o artista insólito. Tentou conversar com ele, saber mais sobre sua vida, mas ouviu apenas um monte de frases desconexas. No meio daquilo tudo conseguiu descobrir o nome do sujeito e que ele havia estudado música na Unicamp.

Perplexo, o Colunista da Folha voltou para seu carro e, chegando ao jornal que publica suas opiniões, tentou descobrir mais sobre o mendigo negro que tocava violoncelo. Soube que ele tem uma irmã e que realmente estudou na Unicamp, embora tenha sido apenas dois anos antes de abandonar o curso misteriosamente.

O faro do Colunista, especialista em nutrir seus leitores pseudo-intelectuais de classe média com artigos atrativos e de fácil consumo, sentiu que tinha uma ótima oportunidade em mãos. Assim, ao invés de escrever ataques contra Lula, Evo Morales, Hugo Chávez ou qualquer outra coisa que cheirasse a esquerda progressista, o Colunista da Folha reservou seu espaço para falar do bizarro mendigo negro. 

Mas não era um mendigo negro qualquer, não senhor! Ele havia estudado na Unicamp e sabia tocar violoncelo! O artigo, recheado de passagens edificantes e emocionantes, foi publicado em página nobre do jornal da “Ditabranda”.

No dia seguinte, o Colunista foi surpreendido com a reação que seu artigo provocou nos leitores. Uma enxurrada de mensagens elogiosas chegou à sua caixa de emails. O telefone não parava de tocar, todos querendo saber mais sobre o mendigo preto que tocava violoncelo. 

Emocionada, Dona Lu Alckmin organizou uma vaquinha entre suas amigas frequentadoras da Daslu e conseguiu comprar um violoncelo novo para o andarilho. José Serra, então prefeito da cidade, tocado pelo texto da colunista, anunciou que liberaria mais verbas para atender à população carente. 

Um outro membro do PSDB, que chorou ao ler o artigo da Folha, conseguiu um apartamento para alojar o mendigo negro que tocava violoncelo. Outro sugeriu que se agendasse um concerto dele em espaço nobre e que se convidassem várias personalidades importantes da alta roda da sociedade paulistana para o evento.

Todo feliz, o Colunista foi procurar o andarilho para contar-lhe as boas novas. Estranhamente, o mendigo não ficou nada animado com as novidades e começou a proferir frases sem sentido por vários minutos.

Novamente tocado pela loucura e pelo talento daquele mendigo negro que tocava violoncelo soberbamente, o Colunista escreveu mais uma coluna sobre o assunto, agora descrevendo sua experiência ao acompanhar o sujeito em suas andanças pelo centro da cidade, no meio daquela massa mal cheirosa que tanto apavorava os frequentadores do shopping Iguatemi. Mas valia o sacrifício para agradar seus leitores.

Os meses se passaram e o Colunista continuou acompanhando o mendigo e escrevendo sobre suas façanhas bizarras e exóticas no meio da gentalha. 

O sucesso de suas colunas foi tão grande que logo um editor famoso, conhecido pelo seu prodigioso talento para descobrir obras que calariam fundo na alma da classe média apavorada e cheia de culpas, fez uma oferta milionária para publicar os artigos da colunista em forma de livro.

Quando atingiu as livrarias, foi um sucesso estrondoso. A revista Veja dedicou capa ao assunto e o livro ficou vários meses na lista dos mais vendidos. Não demorou muito para que a obra fosse comprada por um grande estúdio de cinema e transformada em um bonito e edificante drama que apresentava ao mundo a exótica história do violoncelista preto e mendigo que, por causa de sua doença mental, abandonou os estudos na prestigiosa Unicamp e virou andarilho.

Voluntarioso, o Colunista prometeu doar 1% de todos os seus lucros a uma instituição de caridade mantida por Dona Lu Alckmin. Orgulhoso de sua jornada insólita entre os membros da massa mal cheirosa, o Colunista da Folha de São Paulo percebeu que a experiência o transformou numa pessoa melhor, mais sensível e carinhosa, fator que reascendeu inclusive a chama da paixão em seu casamento com uma publicitária do PSDB.

Assim, depois de mais uma noite de sono tranquila e livre de culpas, o Colunista acordou renovado e pronto para escrever novos ataques contra Lula, Hugo Chávez, Evo Morales e qualquer outra coisa que cheirasse a esquerda progressista.

Cotação: *

Observação: O texto acima é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é uma mera coincidência.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vale a pena conhecer: A Essência do Eneagrama

Eu utilizo o Eneagrama há anos e garanto que é uma ferramente excepcional para quem busca melhorar a si mesmo por meio do auto-conhecimento. Não tem nada a ver com esoterismo ou aquelas baboseiras de auto-ajuda. É um estudo profundo e científico das personalidades do ser humano. Vale a pena conhecer. O texto abaixo traz mais informações sobre o assunto.

A Essência do Eneagrama

- por Cris Travassos, no site Olhar Analítico

Os livros de autoconhecimento são uma boa ferramenta para aperfeiçoarmos nossa personalidade. Alguns são puro apelo comercial deixando a desejar e nos levando a acreditar que todos são ruins. É inerente ao ser humano, generalizar a partir do número dois. Pode parecer engraçado, mas é um fato. Se desacreditarmos pela segunda vez, dificilmente voltaremos a acreditar naquilo.

Para os crentes e os descrentes, indico o livro A Essência do Eneagrama (Dr. David Daniels – Virginia Price, PhD.). Livro de fácil leitura, cumpre o que promete e nos mostra como podemos corrigir erros de personalidade e ter uma vida melhor.

Descrevo a orelha do livro:

“O que é o eneagrama?
O Eneagrama é um sistema de personalidade poderoso e dinâmico que postula a existência de nove padrões de pensamento, sentimento e ação, definidos e fundamentalmente diferentes entre si.

Cada um dos nove padrões baseia-se numa tendência explícita de percepção. Essa tendência, ou filtro, determina os objetos aos quais você presta atenção e o modo pelo qual você dirige o uso da sua energia. Cada um dos nove padrões é um postulado básico, uma crença, acerca do que você precisa para sua sobrevivência e satisfação.

Cada pessoa desenvolveu um dos nove padrões para proteger um aspecto do seu ser que parecia ameaçado quando da fase de desenvolvimento da personalidade.

Quando você descobrir o seu tipo de personalidade segundo o Eneagrama, vai saber mais coisas acerca do seu eu integral e original. Vai, também, compreender um pouco melhor quais são as motivações inconscientes que determinam o seu modo de agir.

A descoberta do tipo eneagramático também pode ajudar você a fazer mudanças positivas no seu modo de viver; pode ajudá-lo a mudar o modo pelo qual você se relaciona consigo mesmo e com as outras pessoas, bem como dar-lhe uma compreensão mais acurada das circunstâncias e problemas com os quais você se depara”.

De fato, deveria tornar-se o nosso segundo livro de cabeceira. Tem exercícios fáceis que nos levam a descobrir qual das nove personalidades se assemelha a nossa e após essa descoberta, podemos fazer mudanças nos tornando seres melhores, mas felizes e em plena harmonia. Conhecendo e dominando o lado negativo do nosso comportamento, fica muito fácil o crescimento de nossa personalidade de forma agradável para nós e para quem nos cerca.

A indicação é de cunho pessoal, aproveitei para pesquisar o preço que orça em torno de R$ 20,00.

CNT/Sensus: Dilma chega a 35,7% e Serra cai para 33,2%

A pré-candidata do PT à sucessão do presidente Lula, Dilma Rousseff, com 35,7% e José Serra, candidato do PSDB, com 33,2% dos votos, aparecem em empate técnico, de acordo com os números da pesquisa CNT/Sensus divulgada na manhã desta segunda-feira, 17, pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

José Maria Eymael, do PSC, recebeu 1,1% das intenções de voto. Os outros sete pré-candidatos de partidos nanicos receberam menos de 1% cada.

Em outro cenário, porém, quando a pesquisa Sensus apresenta uma lista apenas com os nomes dos principais candidatos - Dilma, Serra e Marina - o ranking se inverte. O candidato do PSDB recebe, nesta situação, 37,8% das intenções de voto, batendo Dilma Rousseff, com 37% e Marina Silva, com 8%. O restante dos entrevistados votaria branco ou nulo.

Em janeiro deste ano, quando a CNT/Sensus apresentou esta mesma lista aos entrevistados, José Serra estava bem na frente da candidata do PT, com 40,7%. Dilma Rousseff recebeu, naquele mês, 28,5% das intenções de voto. Marina Silva havia ficado com 9,5%.

A 101ª. pesquisa entrevistou 2 mil eleitores, em 126 municípios de 24 estados. A margem de erro é de mais ou menos 2,2%.

Segundo turno

Se a eleição de outubro para presidente da República fosse decidida em segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra, a candidata petista venceria com 41,8% dos votos, contra 40,5% do ex-governador tucano. Isso é o que aponta pesquisa Sensus divulgada hoje pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT).

Na pesquisa feita em janeiro, Serra estava na frente com 44%. Dilma Rousseff recebeu 37,1% da preferência.

Outro cenário, com Dilma Rousseff e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV) disputando o segundo turno, a petista venceria com 51,7%, deixando Marina com 21,3%. Esta é a primeira vez que a Sensus simula esta hipótese de segundo turno.

Com José Serra e Marina Silva disputando o segundo turno, o tucano seria eleito com 50,3% e a ex-ministra ficaria com 24,3%. Também é a primeira vez que os dois aparecem num cenário simulado pela pesquisa.

Espontânea

Dilma Rousseff, pré-candidata do PT, também aparece em primeiro lugar na pesquisa espontânea da 101ª. pesquisa CNT/Sensus, divulgada na manhã desta segunda-feira, com 19,8%.

Nesta pesquisa, os entrevistados apontam quem eles pretendem votar na eleição de outubro, sem que o entrevistados apresente nomes. Esta é a primeira vez que a petista fica na frente do presidente Lula na pesquisa espontânea de intenção de voto.

José Serra, pré-candidato do PSDB, vem em segundo lugar em 14,4%. O presidente Lula, em terceiro lugar no ranking, foi citado por 9,7%, Marina Silva (PV), Ciro Gomes (PSB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Aécio Neves (PSDB) foram citados por menos de 1% dos entrevistados.

Na última pesquisa espontânea divulgada pela CNT/Sensus, em fevereiro deste ano, 18,7% dos entrevistados disseram que votariam em Lula para presidente. A ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) foi apontada por 9,5%. O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) por 9,3%. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV) por 1,6%.

A preferência por Aécio Neves tinha ficado em 2,1%, Ciro Gomes, 1,2%. Outros 2,6% votariam branco ou nulo. A 101ª. pesquisa entrevistou 2 mil eleitores, em 126 municípios de 24 estados. A margem de erro é de mais ou menos 2,2%.

Transferência de votos

A pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira mostra que o presidente Lula, do PT, tem maior poder de transferência de voto que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Os entrevistados tiveram que responder se votariam ou não votariam no candidato a presidente apoiado ou indicado por Lula: 27,1% responderam que este candidato seria o único em que ele votaria, enquanto 33,7% disseram que poderiam votar. Não votariam: 20,7%. Só conhecendo o candidato: 15,6%.

Em novembro do ano passado, a mesma pergunta foi feita pela pesquisa Sensus e o resultado foi: 20,1% só votariam no candidato de Lula e 31,6% poderiam votar, enquanto 16% não votariam e 27,4% teriam que conhecer o candidato para decidir.

Quando a pesquisa aborda a mesma questão envolvendo Fernando Henrique Cardoso, apenas 5,7% afirmam que só votariam num candidato indicado pelo ex-presidente tucano, e 17,8% poderiam votar. Na pesquisa passada, em novembro, 3% votariam unicamente num candidato apontado por FHC e 14,2% poderiam votar.

Não votariam num candidato de FHC: 55,4% Só conhecendo: 16,4%. Em novembro, os números foram: 49,5% e 26%.

PAC

Criado em janeiro de 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é desconhecido por 46,6% do eleitorado, segundo pesquisa Sensus divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Em abril de 2007, a mesma pergunta foi feita aos entrevistado e 59% não conheciam o programa.

Em três anos, porém, aumentou de 11,3% para 20,8% o número de pessoas que tem acompanhado a evolução do PAC. Também aumentou de 20,9% para 30,1% a quantidade de entrevistados que já ouviu falar no programa. O PAC é um dos carros-chefes do governo Lula e da pré-candidatura de Dilma Rousseff.

Entre os que afirmam conhecer o PAC, aumentou de 57,9% para 68,9% o índice de eleitores que avaliam que o projeto tem ajudado o País a crescer.

- Fontes: www.estadao.com.br e gráfico de eduardo guimarães (http://twitter.com/eduguim)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

No programa do PT... Lula exalta Dilma

Cine-Trash: "Hulk", de Ang Lee

MONSTRUOSAMENTE RIDÍCULO

Gorila verde com cara de "bebê Johnson" é a estrela do primeiro (e, torçamos, último) pretenso filme-de-arte baseado em quadrinhos

- por André Lux, crítico-spam

Tudo o que tem sido dito sobre "HULK" é, infelizmente, verdade. O filme é realmente um horror. Chega a ser monstruosamente ridículo em praticamente todos os seus intermináveis 138 minutos de duração! É inacreditável que a Universal tenha gasto 120 milhões de dólares para produzir essa que é, de longe, a pior adaptação de um personagem de quadrinhos, indefensável em todos os aspectos, mesmo para os admiradores mais fanáticos (perto disso até mesmo o fraquinho "HOMEM-ARANHA" vira uma obra-prima). Uma total abominação que, tudo indica, pretendia ser o primeiro "filme de arte" baseado num comic book. Tomara que seja o último...

Essa pretensão "artística" fica evidente na tentativa de aprofundar os personagens inserindo alguns subtextos psicológicos e nuances pseudo-filosóficos que poderiam até ser louváveis, caso tudo não fosse destruído pela direção totalmente inadequada e, pior, pretensiosa-até-a-última-gota do chinês Ang Lee (o mesmo dos superestimados "RAZÃO E SENSIBILIDADE" e "O TIGRE E O DRAGÃO" e que só acertou em "BROKEBACK MOUNTAIN"). E é exatamente aí que reside o maior erro do filme: ele se leva a sério do começo ao fim, parece até novela mexicana. Não há um momento de humor sequer, exceto aqueles involuntários que fazem a gente rir e sempre nos momentos errados. Mesmo defeito, diga-se de passagem, do filme anterior de Lee no qual guerreiros "ninja" trocavam diálogos risíveis sobre o sentido da vida antes de sairem voando e andando em paredes.

Falando nisso, existem três seqüências em "HULK" que já merecem entrar de cara para a antologia das cenas mais ridículas da história do cinema: a luta do gigante verde contra três cães-monstros (incluindo aí um hilariante "poodle do inferno"), o vilão loiro (Josh Lucas) todo engessado dando choques no pobre Bruce Banner e, obviamente, toda a seqüência na qual o pai do monstro (Nick Nolte, que só pode ter atuado em estupor alcoólico) grita e baba, culminando com ele mordendo alucinadamente um fio de alta tensão!

E, por falar no papai Banner, toda a trama envolvendo a história do cientista louco que injeta em si mesmo suas experiências, passando os resultados para o seu filho, é inútil e redundante. Poderia ter sido eliminada sem maiores prejuízos. Ao menos deixaria o filme mais curto e menos tedioso, livrando-nos da penosa experiência de sermos obrigados a ouvir diálogos pretensamente profundos que soam incrivelmente rasos e fora de lugar, já que são calcados em psicologia de almanaque. Que besteira é aquela sobre "memórias reprimidas"? Trata-se de um filme sobre um homem que fica nervoso e vira um monstro verde, pelo amor de deus!

Mas nada pode salvar um filme que traz como principal chamariz uma criatura tão lamentavelmente criada como o "HULK" em questão. Os efeitos não são ruins, pelo contrário. O problema é mesmo o design do monstro, que ficou parecendo um gorila verde com cara de bebê-Jonhson. Pior, Hulk é oco, sem vida. Seus ataques não têm peso (tudo é filmado em velocidade acelerada, o que impede que se criem relações de escala), suas motivações não existem, seus gritos histéricos são patéticos. Com um material como esse em mãos, nem mesmo os melhores técnicos em computação gráfica podem salvá-lo do desastre. O fracasso da figura do monstro é tão evidente que nem mesmo os brinquedos derivados do filme seguem o design do Hulk visto nas telas!

E se não bastasse tudo isso, escolheram para fazer o papel de Bruce Banner um sujeito com talento limitado e carisma zero (Eric Bana). Nem mesmo sua relação com Betty Ross provoca qualquer tipo de emoção, primeiro porque o casal já inicia o filme em fase de separação (não trocam nem mesmo um carinho que seja durante toda a projeção!) e, segundo, por causa da magreza excessiva de Jenniffer Connelly que parece ter optado definitivamente pelo visual "mulher-palito", típico de modelos de passarelas. Continua bonita e talentosa (embora aqui atue no piloto automático), mas não tem mais o mesmo charme e exuberância que mostrou em filmes como "O PREÇO DA TRAIÇÃO" ou mesmo "ROCKETEER". Ou seja: a química entre o casal é inexistente, não há qualquer erotismo ou mesmo romance e, por causa disso, não convence nem um pouco quando usam a moça para tentar acalmar o Hulk e todo o pretenso "drama" que decorre disso.

Como era de se esperar a trilha musical do amador Danny Elfman (que ao menos tem a desculpa de ter substituído na última hora o compositor Mychael Danna, cuja partitura original foi rejeitada) também atrapalha, principalmente quando insere solos de instrumentos étnicos (como um duduk e percussão africana) ou vocalizações de estilo oriental que destoam completamente tanto da proposta do projeto quanto do que se vê na tela.

Sinceramente, daria pra ficar falando dos aspectos negativos do filme por horas. Por isso, para encurtar, basta dizer que ele é tão ruim, mas tão ruim, que chega a ser até engraçado. Quem quiser ver para tirar sarro do que vê na tela, "HULK" do Ang Lee é a escolha certa. Um filme que, sem dúvida, já figura entre os maiores clássicos do cinema-trash-involuntário, ao lado de preciosidades como "PLAN 9 FROM OUTER SPACE", de Ed Wood, e "CIDADE DOS SONHOS", de David Lynch. Ou seja: é um filme que como aventura dá sono e como drama só provoca o riso.

Interessante, todavia, é notar que alguns críticos tentam nos convencer que o novo filme do chinês é uma "obra-prima" da sétima arte! Duvido muito que se "HULK" tivesse sido dirigido por um Peter Jackson (de "O SENHOR DOS ANÉIS") ou mesmo pelos irmãos Wachowsky ("MATRIX") e tivesse resultado exatamente igual ao filme de Ang Lee, esses senhores o estariam louvando tanto... Mais uma prova de que certos cineastas possuem prestígio inatacável, não importando a qualidade real de seus filmes. É ver para crer.

Cotação: Abaixo de zero

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Serra: Vários pregos, sempre a mesma ferradura

Fica evidente que o teor programático das intervenções do candidato tucano é não ter teor algum. Serra não pode expor o “verdadeiro” programa que se trama no seu bastidor.

- por Flávio Aguiar, na Carta Maior

O incômodo de Serra com a entrevista de dois de seus agentes econômicos revelando como a coligação tuco-dema vai ferrar o Brasil, impondo-lhe uma recessão como a que o FMI e UE agora fazem cair sobre a Grécia é muito expressivo.

Mas não só do passa-moleque que se está preparando para o eleitor. É claro que a função do candidato, nessa altura, fica sendo mais a de espalhar uma cortina de cinzas sobre o verdadeiro Cavalo de Tróia que querem por de volta na economia brasileira, além do freio nos dentes do povão brasileiro – essa eterna “fonte de inflação” para os economistas desse grupo.

Também fica evidente que o teor programático das intervenções do candidato é não ter teor algum. Serra não pode expor o “verdadeiro” programa que se trama no seu bastidor, ou até nas suas costas. Então suas frases e intervenções ficam assim como desossadas, sem esqueleto que as sustente, como uma geléia exposta ao sol e sem prato que a sustente pelas laterais.

O candidato vai a Minas e desqualifica o Mercosul. Diante da grita dos nossos vizinhos, mais a que certamente ouviu de alguns empresários de seu apoio, apressa-se a correr para a Folha de S. Paulo para dizer que pretende “flexibilizar” o Mercosul para permitir mais acordos bilaterais. Quer dizer: diz e não diz, sofisma, tergiversa, quer convencer os ouvintes/leitores que vinho, vinagre, e ainda água e azeite são a mesma coisa.

Depois vai a um “programa policial” e anuncia que vai criar um Ministério da Segurança. A declaração – estapafúrdia em si – provoca mal-estar em suas hostes, pois vêm nisso um estado a inchar. Ele vai logo corrigindo, dizendo que em contrapartida vai fechar a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Bom, há algum sentido nisso, porque para a visão tuco-dema o Brasil não precisa de uma SAE. Já temos o Departamento de Estado em Washington, o FMI, o Banco Mundial e os Chicago Boys para nos orientar, para que mais? Além disso, o que a coligação tuco-dema talvez queira fechar mesmo são as bocas dos ministros Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães.

Mas a única comparação numérica que se pode fazer entre as duas entidades citadas, uma projetada e a outra existente, é a da quantidade de letras que compõem os seus nomes. Agora já não se trata de introduzir um Cavalo de Tróia, mas um Elefante Branco. É algo como dizer: “eu vou construir um novo edifício de dez pisos na Esplanada dos Ministérios, com trinta escritórios por andar, mais o bar, o restaurante, o cafezinho, a segurança, e ainda o anexo que sem dúvida virá depois, criando uma certa confusão redundante com o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Secretaria de Assuntos Penitenciários, talvez o Ministério da Defesa também. Em contrapartida, vou fechar esses três andares no Bloco O da mesma Esplanada, onde funciona a SAE, e redirecionar seus funcionários não sei bem para onde ainda, mas isso se arranjará”.

Quer dizer, sem plano consistente ou inconsistente que seja, a que se referir como horizonte ou moldura, a fala do candidato fica ao sabor da sua circunstância. Está certo que Ortega y Gasset nos disse que “o homem é o homem e suas circunstâncias”. Mas nos disse também que “o que não é destino é frivolidade”. Sem destino manifesto, a fala do candidato fica dispersa em sua circunstância, como a biruta dos aeroportos, ao sabor dos ventos. E quem nasceu para biruta de aeroporto jamais chegará a galo de campanário.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pior que é verdade... Novo dicionário da imprensa brasileira

- por Maurício Caleiro, Cinema & Outras Artes

Censura - Refere-se a toda e qualquer regulação que afete o sagrado direito da imprensa de difamar, mentir e agir como máfia.

Checagem de informação - Hábito dispendioso e supérfluo. Pode perfeitamente ser substituído pela publicação da seguinte nota: “Não foi possível confirmar a informação, tampouco desmenti-la”.

Diploma de Jornalista - Papel pintado e sem valor. Deveria ser vendido em papelarias.

Direito à informação - Direito assegurado ao público de receber as versões dos fatos tais como auferidas, editadas e formatadas pela imprensa de modo a moldá-las aos interesses desta.

Direito de Resposta - Extinto pelo venerando Gilmar Mendes após o fim da famigerada “Lei de Imprensa”, foi substituído pelo direito da mídia de continuar reiteradamente produzindo acusações, mesmo sem provas (ver verbete Presunção de Culpa).

Expert - Como a etimologia do termo sugere, jornalista que se destaca por ser especialista em sua área. Ou seja, especialista em justificar ou defender, em linguajar a um tempo acessível e pseudo-técnico (para simular conhecimentos superiores, inacessíveis aos demais mortais) políticas econômicas, administrativas e fiscais que interessem à corporação midiática para a qual trabalha.

Imparcialidade - Diz-se da capacidade de um órgão de imprensa (e, em decorrência, de seus jornalistas) de apoiar determinado candidato ou partido político sem assumir tal apoio.

Jornalista profissional - Serviçal mal remunerado, cuja função é repercutir os interesses da empresa em que trabalha. Servilismo, capacidade de bajulação, pouca bagagem cultural e ausência de espírito crítico são suas principais qualidades, ao lado da falta de caráter.

Liberdade de expressão - Diz-se do direito da imprensa de publicar o que quiser e como quiser, de acordo ou não com parâmetros éticos e deontológicos consagrados. Inclui o direito de omitir, reduzir a trecho(s) ou editar de forma manipulatória - inclusive para produzir sentido contrário ao que foi dito ou constatado - relato de atos, fatos, discursos e falas de terceiros.

Liberdade de imprensa - Segundo tese defendida publicamente pelo ministro do STF Carlos Ayres Britto, sumarizada em artigo de Eugênio Bucci, “A liberdade de imprensa deve ser entendida como um direito não limitado por outros direitos. Ela é um direito absoluto.” Estando acima da lei, a imprensa se considera, portanto, livre para publicar o que lhe der na telha, mesmo se mentiroso, difamante, criminoso ou racista. Não deve satisfações a ninguém.

Pesquisa eleitoral - Se feita por instituto correlato à empresa de comunicação, trata-se de evidência inquestionável do que acontecerá nas eleições. Se efetuado por terceiros, trata-se de uma simulação não confiável e tendenciosa, que deve ser posta sob suspeita e questionada judicialmente.

Presunção de Culpa - Inovação cívica trazida pela mídia ao anacrônico modelo jurídico do país. Ao invés de seguir o artigo 5º., inciso VLII da Constituição (“ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”), a imprensa, como Primeiro Poder que é, se dá ao direito de exigir que o acusado prove que não é culpado. Foi identificada pelo professor da UnB e crítico de mídia Venício A. de Lima.

Tendências - Quesito particularmente importante na área econômica e em pesquisas eleitorais, deve ser auferido através da consulta a fontes, porta-vozes do mercado e eleitores em potencial que tenham em comum o fato de vocalizarem as tendências que o órgão de imprensa quer ver divulgadas em prol de seu próprio interesse.

domingo, 2 de maio de 2010

Revisão do Plano Diretor de Jundiaí: Prefeitura do PSDB deixa a população de fora

A revisão do Plano Diretor de Jundiaí, feita em moldes anti-democráticos e não participativos, interessa a quem? À população, que está sendo deixada de fora do processo, certamente que não

- Por Pedro Bigardi, deputado estadual do PCdoB

Acompanho com grande interesse a revisão do Plano Diretor da cidade que a Prefeitura de Jundiaí está realizando e preocupa-me bastante o fato da população não estar sendo ouvida nessa questão. Quem acompanha o ótimo trabalho da ONG Voto Consciente e do Movimento Cidade Democrática, sabe que eles obtiveram um abaixo-assinado com mais de 3.400 assinaturas, que cobra da Prefeitura a realização de uma audiência pública para explicar as mudanças que pretende promover no Plano Diretor do Município.

A Prefeitura afirma que promoveu uma audiência pública sobre o tema, mas o formato escolhido para o evento, no qual estive presente, não promoveu a efetiva participação da população, já que não foi dado espaço para que as pessoas fizessem uso da palavra para apontar seus questionamentos. Ao invés disso, a população só podia se manifestar por meio de filipetas de papel que eram lidas e respondidas pelos representantes da Prefeitura, o que não permitia direito a réplicas, ao debate de ideias ou ao contraditório. Além disso, essa audiência foi realizada em local, dia e horário inacessíveis para a maioria dos cidadãos. Tudo isso vai contra o que prega o Estatuto das Cidades em relação à elaboração de um Plano Diretor Participativo, o que levou o CONDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) a registrar uma moção de repúdio à Prefeitura pela forma como foi realizada a suposta audiência pública.

Infelizmente não pude estar presente na Audiência Pública Livre promovida pela ONG Voto Consciente, no dia 26 de abril, que contou com palestra do arquiteto e professor Nabil Bonduki, especialista no assunto. Todavia, estive representado por vários de meus assessores diretos que me informaram sobre o teor e do alto nível do debate, durante o qual o Voto Consciente revelou que a condução do Plano Diretor pela Prefeitura tirou a vergonhosa nota de 3.2 (sendo 10 a nota máxima), depois de uma extensa avaliação do que havia sido feito até então.


Vergonha para Jundiaí: condução do Plano Diretor
feita pela Prefeitura do PSDB tira nota 3.2


Além de endossar o que disse o prof. Nabil, que coloca como fundamental a participação popular nas revisões do Plano Diretor, sublinho que é justamente o que foi feito nos municípios onde participei de revisões de seus Planos Diretores, como Várzea Paulista, Hortolândia e Amparo. É impensável, por exemplo, que a população de um bairro não seja consultada sobre uma mudança de categoria dentro de sua área, que o faz passível de abrigar comércio de grande porte ou edifícios altos. Afinal, é um tema que afeta a todos os munícipes e eles devem ser envolvidos diretamente em toda essa discussão.

Todos esses fatores geram uma situação bastante grave em Jundiaí, pois em nenhum momento a população foi efetivamente consultada sobre as mudanças e a audiência pública promovida pela Prefeitura não foi adequada ao que pede o Estatuto das Cidades. Se não bastasse tudo isso, a administração do PSDB nem se dignou a dar uma resposta oficial para os mais de 3.400 cidadãos que solicitaram uma audiência pública em moldes democráticos, por meio do abaixo-assinado da ONG Voto Consciente e do movimento Cidade Democrática – o qual demonstra claramente a insatisfação da população de Jundiaí com a forma com que o processo de revisão do Plano Diretor está sendo conduzido.

Fica então a pergunta: a revisão do Plano Diretor de Jundiaí, feita nesses moldes anti-democráticos e não participativos, interessa a quem? À população, que está sendo deixada de fora do processo, certamente que não.

Clique aqui para ler o relatório da ONG Voto Consciente.

Clique aqui para ler a matéria sobre a péssima avaliação do Plano Diretor no "Jornal de Jundiaí".
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