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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Emir Sader: Quem era terrorista? José Agripino ou Dilma?

Quem era terrorista? Os que lutavam contra a ditadura ou os que a apoiavam? Os que davam a vida pela democracia ou os que se enriqueciam à sombra da ditadura e da repressão?

- por Emir Sader, em seu blog

À falta de outros argumentos e propostas, com um mínimo de consistência, os opositores reiteram a imagem de “terrorista” de Dilma. Quem era terrorista: a ditadura militar ou os que lutávamos contra ela? Dilma estava entre estes, o senador José Agripino (do DEM, ex-PFL, ex-Arena, partido da ditadura militar), entre os outros.

O golpe militar de 1964, apoiado por toda a imprensa (com exceção da Última Hora, que recebeu todo o peso da repressão da ditadura), rompeu com a democracia, a destruiu em todos os rincões do Brasil, e instaurou um regime de terror – que depois se propagou por todo o cone sul do continente, seguindo seu “exemplo”.

Diante do fechamento de todo espaço possível de luta democrática, grandes contingentes de jovens passaram à clandestinidade, apelando para o direito de resistência contra as tiranias, direito e obrigação reconhecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Enquanto nos alinhávamos do lado da luta de resistência democrática contra a ditadura, os proprietários das grandes empresas de comunicação — entre eles os Frias, os Marinhos, os Mesquitas —, os políticos que apoiavam a ditadura — agrupados na Arena, depois PFL, agora DEM, como, entre tantos outros, o senador José Agripino —, grandes empresários nacionais e estrangeiros, se situavam do lado da ditadura, do regime de terror, da tortura, dos seqüestros, dos fuzilamentos, das prisões arbitrárias, da liquidação da democracia.

Quem era terrorista? Os que lutavam contra a ditadura ou os que a apoiavam? Os que davam a vida pela democracia ou os que se enriqueciam à sombra da ditadura e da repressão? Os que apoiavam e financiavam a Oban ou aqueles que, detidos arbitrariamente, eram vitimas da tortura nas suas dependências, fuzilados, desaparecidos?

Quem era terrorista? José Agripino ou Dilma? Os militares que destruíram a democracia ou os que a defendiam? Quem usava a picanha elétrica, o pau-de-arara, contra pessoas amarradas, ou quem lutava, na clandestinidade, contra as forças repressivas? Quem era terrorista: Iara Iavelberg ou Sergio Fleury? Quem estava do lado da Iara ou quem estava do lado do Fleury? Dilma ou Agripino? Quem estava na resistência democrática ou quem, por ação ou por omissão, estava do lado da ditadura do terror?

16 comentários:

Anônimo disse...

Então por que você não cita alguns trechos do manual de guerrilha urbana do Marighela e tenta nos convencer de que aquilo não é terrorismo?

André Lux disse...

Melhor: tenta você nos convencer que uma ditadura militar ilegal que prende arbitrariamente, tortura e mata é algo bacana...

Você, quando assiste Matrix, torce pelo Neo e pelo Morpheus (que eram chamados de "terroristas") ou pelos Agentes Smith (os torturadores e assassinos)?

Anônimo disse...

Não é preciso considerar que a ditadura militar tenha sido "algo bacana" para reconhecer que Mariguela pregava e praticava o terrorismo como luta política, tal qual ele próprio afirma no seu manual de guerrilha urbana.

Ricardo Melo disse...

Uma lista de "terroristas" da ditadura seria ernome.

Incluiria todos os dirigentas da grande mídia que articularam o golpe de 1964

Todos os grupos econômicos que se comprometeram com o golpe, todos os empresários - inclusive os da mídia - que participaram das organizações de repressão e tortura.

Incluiria também todos os que integraram os partidos que serviram de fachada institucional para a ditadura, como foi o caso dos integrantes da finada ARENA, hoje em "agremiações" como DEMos e quejandos.

André Lux disse...

Se Hitler tivesse vencido a guerra e dominado o mundo, os heróis da resistência francesa seriam hoje chamados de "terroristas" também.

Ricardo Melo disse...

O "anônimo" além de tudo se esquece de que o regime militar é que jogou propositalmente TODA a oposição na clandestinidade ao baixar o AI-5.

O Ato "Institucional" nº 5, baixado pelo ignóbil General-Presidente Costa e Silva em 1968 proibiu atividades políticas, proibiu até a reunião de pessoas.

Jogou um país inteiro na clandestinidade, fechou todos os canais políticos institucionais, amordaçou um país inteiro.

Com esse ato, o regime militar deu o empurrão para que milhares de jovens e adultos não tivessem outro canal de contestação que não fosse ligado à guerrilha.

Até mesmo o PCB, que não entrou na luta de guerrilha foi dizimado.

Na verdade, está claro que a estratégia dos militares foi essa mesmo: eles sabiam que estavam gerando um campo de radicalização.

Era justamente isso o que eles queriam, apostaram na radicalilzação e, quando ela aconteceu, a usaram como "justificativa" para tornar o regime cada vez mais fechado.

Acima de tudo, os militares sabiam que o Exército tinha toda a condição para eliminar os surtos de guerrilha que eles próprios ajudaram a criar. Isso aconteceu não só no Brasil, mas no restante da América Latina.

Não só "aconteceu", antes de "acontecer" todos os milicos já estavam perfeitamente preparados para debelar guerrilhas, pois tiveram assistência "técnica" prévia dos EUA, que deu todas as instruções anti-insurgência a partir de 1960 na famigerada e terrorista "Escola das Américas", então localizada na Zona do Canal do Panamá.

Então, foi tudo pensado, com grande antecedência.

E nesse regime fechado com a ajuda do AI-5 e a justificativa da "guerra contra os terrroristas" (criados por eles mesmos), os militares acumularam poder, assim como acumularam "poder para delegar poder" a "certos grupos" de civis, à mídia, aos grupos empresariais que estivessem "disponíveis" para apoiar e FATURAR MUITO com a falta de democracia no país.

Ou seja, o regime militar foi a esculhambação geral, até o Geisel e o Golbery - que não eram nada santos - entenderam isso e por isso tomaram medidas para uma abertura "lenta e gradual".

É que Geisel e Golbery sacaram que a "tigrada" repressora e os seus desmandos estavam levando o Brasil ao buraco, não havia mais controle.

Portanto, em vez de culpar os guerrilheiros, é melhor avaliarmos a culpa e as más intenções do militares e dos grupos civis que apostaram todas as fichas no fechamento do regime e na radicalização. Esses sim foram os verdadeiros "terroristas", os que, juntos com o poder econômico, amordaçaram e corromperam uma nação inteira.

André Lux disse...

Nossa Ricardo, agora você vai dar um nó na cabeça do nosso mascote anônimo. Dar uma aula de geopolítica e história a quem deve ter dificuldade de entender até o que o William Bonner fala não é mole não...

Carlos disse...

e sobre o Pedreiro assassinado pelos Castros em Cuba?Vc não vai falar nada?

Ricardo Melo disse...

André, pensando bem, a participação do "anônimo" foi até positiva.´A grande maioria das pessoas não teve ainda a oportunidade de estudar com algum cuidado a história da ditadura militar no Brasil.

Então é até compreensível que ainda nos deparemos com gente que coloca os articuladores civis e militares do golpe de 1964 e da longa ditadura no mesmo plano
dos grupos que se lançaram na luta armada contra a ditadura ou a favor de outro tipo de regime. Hoje está claro que foi a ala radical do golpe que jogou o Brasil inteiro na clandestinidade em 1968, impedindo qualquer chance para a sociedade se expressar ou combater o poder no plano legal ou institucional.

São pouquíssimos os estudantes que estão recebendo uma análise correta sobre esse tema, o sistema de ensino brasileiro não dá conta disso devido à sua precariedade.

Para piorar a situação, a mesma mídia que teve participação fundamental no golpe e no processo da ditadura, logicamente não se preocupa em aclarar a verdade, isso não lhe convém de modo algum.

Então, sem ensino adequado e com a cabeça lavada pelo besteirol midiático, milhões e milhões de pessoas ficam vulneráveis às distorções dos fatos.

Na verdade, embora a ditadura tenha acabado, as consequências dela continuam e continuarão nos atingindo.

Nesse caso, devemos olhar o "anônimo" como mais uma vítima da manipulação, assim como todo um povo foi vítima por décadas de um regime que lhe tirou a voz.

marciorsg disse...

Cara, não adianta argumentar com os reacionários. Os caras não aceitam nada que eles não querem, não aceitam o diferente. Aqui em Boa Vista estou sofrendo bastante com gente assim, pessoas que não aceitam a diferença dos outros. Inclusive quando trabalhei na vigilancia sanitária fui perseguido pela nora de um fazendeiro cujo nome apareceu muito na epoca daquele problema da Raposa Serra do Sol, e uma irmã de senador do PT, essa é a elite nojenta mostrando que não aceita deficientes físicos na sociedade. Hoje me arrependo de não ter processado as pessoas que me humilharam quando trabalhei naquele setor.

Anônimo disse...

"Vítima de manipulação", eu? Vocês são patéticos. Nem imaginam quão distante eu estou desse esqueminha teórico. Aliás, eu sou a refutação prática dele. Vocês combatem inimigos imaginários.

André Lux disse...

Opa, nosso mascote anônimo vestiu a carapuça! Isso é sempre um bom sinal!

Ricardo Melo disse...

O "anônomimo" "é a refutação prática" da nossa "teoria" da manipulação midiática. E opina que a guerrilha foi tão (ou mais) "terrorista" quanto o regime brutal e repressor que calou uma nação inteira e matou e torturou milhares. Certo, certo...

Anônimo disse...

"Vestiu a carapuça". O que isso pode significar? A expressão se refere à adeqüação entre um predicado qualquer e um sujeito concreto, isto é, significa que eu teria me reconhecido como o caso particular de uma proposição genérica. No entanto, ao me definir como "vítima de manipulação", o Ricardo não fez uma asserção geral, mas sim uma asserção particular diretamente dirigida a minha pessoa. Portanto é impossível que eu próprio tenha anuído com o argumento ao me reconhecer como alvo dele: porque o alvo já estava determinado pelo próprio juízo desde o início e não cabia a mim confirmar ou não uma proposição geral. Se digo que não sou uma "vítima de manipulação", como pensa o Ricardo, mas sim um indivíduo consciente de si, então o que estou fazendo é questionar a veracidade de um juízo particular, referindo-me à inadequação de minha pessoa com o predicado que lhe foi atribuído teoricamente. Em figura de linguagem, estou dizendo: "Esta carapuça não serve na minha cabeça" - isto é: exatamente o oposto do que você pensa ter ocorrido. E você me devolve em resposta uma frase de efeito cujo sentido é a negação abstrata do próprio conteúdo do debate. Então não posso discutir com você. Você é uma consciência proibida de reconhecer a manifestação do outro. E isso não mudaria se você soubesse o meu nome. Mesmo que eu não fosse um "anônimo", você não poderia absorver nada do que vem de mim.

André Lux disse...

Uau! Além de vestir a carapuça, nosso mascote anônimo agora ficou histérico! Prova que ele sentiu mesmo o golpe.

Nada mau para um "inimigo imaginário", não?

Ricardo Melo disse...

Não vou negar que o "anônimo" tem a capacidade de pensar autônomamente e até de formular uma reposta bastante complexa. Ô anônimo, isso não é o tema central da conversa aqui.

A questão é: você é vítima sim de um processo de emcobrimento da realidade, você é vítima sim de um sistema de mídia gerado durante o governo militar, você é vítima sim da manipulação midiática.

Na verdade, TODOS somos vítimas, de um modo ou de outro. TODOS precisamos fazer um grande esforço para fugir dos "sensos-comuns" plantados na "opinião pública" por grupos de poder que sabem que controle da informação é igual a poder de controle político e ideológico.

Quem pensa que está "isento" e "acima" de toda e qualquer manipulação midiática já se deu mal. A princípio, estamos todos enganados, "tapeados" mesmo.

Basta qualquer um aí pesquisar os ditos "sensos comuns" e verificar que QUASE TODOS têm um "sinal trocado" em relação aos fatos reais. É interessantíssimo notar que esse "sinal trocado" é normalmente invertido no sentido mais conservador e reacionário do tema abordado.

Diga o tema, escolha qualquer um: esquerda X direita, reforma agrária X modernização do campo, ditadura militar X guerrilha.

O mais comum por aí que o cidadão "regular" pense que guerrilheiros foram tão terroristas quanto os generais ditadores, que achem que Reforma Agrária é coisa de "comunista", que "esquerda" é sinônimo de "ditadura" e "direita" é sinônimo de "democracia liberal".

Quem, como e porquê conseguiram gerar essa desinformação em massa, essas inversões dos conceitos e da verdade?

Essa inversão toda é na verdade um trabalho FORMIDÁVEL, um resultado que não poderia jamais se alcançado sem a pronta ajuda da mídia, que não está aí para nos informar.

Quem pensar que supera essa lavagem cerebral toda com "facilidade" precisa mesmo é levar algumas respostas mais duras para acordar, exatamente como o André costuma fazer aqui.

O primeiro passo para sair dessa "ratoeira" é semelhante ao do processo feito pelos AA - Alcoólicos Anônimos.

O cara chega para a platéia e se apresenta:

- Olha, o meu nome é tal e eu sou "alcoólico". Ou no caso, eu sou "vítima da manipulação".

Esse é só o primeiro passo...

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