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domingo, 27 de dezembro de 2009

Crítica da crítica: O terrível Pablo me ataca no site da Fórum!

Minha crítica ao filme "Avatar" continua dando pano para manga. Nos comentários do site da revista Fórum, onde meu texto foi publicado, um tal de Pablo atacou-me de maneira grosseira. Uma vez já fui atacado por um Pablo pelas costas e na época não reagi muito bem, pois ainda não tinha clareza de que é melhor ser xingado por certas pessoas do que elogiado por elas (clique aqui para saber mais sobre esse triste caso e aqui para ver a bonita homenagem que fiz aos profissionais da opinião).

Será que é o mesmo Pablo? Acho que não. O original é um profissional da opinião super poderoso, que manda num site que recebe a visita de diversos adolescente nerds fanáticos por cinema todos os dias e tem suas opiniões sobre filme gloriosamente agrupadas no site "Tomates Podres", por isso duvido que se rebaixaria (de novo) para atacar um mero crítico-spam como eu!

De qualquer jeito, sintom-me lisonjeado com tamanha atenção ao que escrevo e também pelo fato de que minha humilde opinião gere reações tão apaixonadas e obsessivas mesmo que seja em seres humanos sem alta estima ou respeito próprio. Leiam o ataque abaixo e a minha réplica depois:

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A crítica não passa de um sofisma limitado e tão batido quanto os próprios argumentos do autor: vivemos numa sociedade de consumo; o filme estimula e enaltece tal sociedade, o filme é ruim.

Talvez o autor passe suas horas livres lendo Proust e Eric Hobsbawn numa comunidade alternativa em Paraty, mas se se desse ao trabalho de ler também Platão, entenderia que uma obra é uma forma expressão dos nossos desejos íntimos, e que, como faziam os gregos, muita gente vai ao cinema para se desligar por alguns minutos da vida real e participar de outros mundos - sejam eles fantásticos ou impossíveis.

Faz parte da nossa civilização; sempre fez parte, desde o teatro grego; e continuará assim porque as pessoas, intelectualizadas ou não, são seres humanos com desejos, angústias, medos, etc.

Não enxergar essa obviedade (para alguém que trabalha com comunicação) mostra uma visão obtusa, cujo ápice é um primor:

"O filme poderia ser resumido como “Pocahontas encontra Dança Com Lobos na Matrix” e tem uma história que não apenas é a mais batida de todos os tempos, como ainda por cima é altamente ridícula e absurda".

Desnecessário qualquer comentário. A frase fala por si mesma.

abs,
Pablo


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Pablo, seja lá quem você for, não é preciso citar autores como Proust ou Hobsbawn para tentar dar peso a um argumento quando ele não tem objetivo exceto tentar denegrir o autor do texto cuja opinião não bateu com a sua "verdade única". Isso apenas demonstra desespero, soberba e intolerância.

E também não precisa citar Platão para falar do desejo das pessoas de se desligarem e ir em busca de sonhos e delírios na arte. Isso é tão óbvio que qualquer executivo de Róliudi dos mais tacanhos faz uso desse fato para jogar mensagens em seus produtos culturais a fim de manipular a mente dos pobres incautos a favor de seus interesses de classe (procure conhecer os escritos de Karl Marx, que ele fala sobre isso). O problema, como eu já disse, é que fazem isso de maneira subliminar e, portanto, desonesta. O que é ainda mais grave quando o alvo de seu produto são as crianças e os adolescentes que não tem defesa contra esse tipo de mecanismo de doutrinação.

No mais, sua crítica à minha crítica comprova, mesmo que de maneira involuntária, aquilo que eu queria demonstrar analisando "Avatar": o cinema funciona perfeitamente como máquina para amortecer consciências e produzir conformidade social.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda sobre "Avatar"... Qual é a mensagem subliminar do filme?

- por André Lux, crítico-spam

Minha crítica ao filme “Avatar” gerou como eu esperava uma forte reação negativa de quem gostou do filme. O argumento deles é sempre o mesmo: filmes como esse devem ser unicamente avaliados como peças de entretenimento. Ponto final.

Eu não concordo. Ainda mais no caso desse filme, que traz em seu bojo uma pretensa mensagem política e ecológica. 

Para mim, quanto mais pretensioso é o filme em seus objetivos, maior deve ser a cobrança sobre ele. E quanto maior for sua pretensão, maior deve ser o cuidado do cineasta em embasar sua obra com conteúdo suficiente para que ela sobreviva a uma análise mais profunda e crítica.

Uma vez eu vi uma entrevista com o diretor John Carpenter onde ele era questionado sobre as possíveis conotações políticas do filme “Era Uma Vez Na América”, de Sergio Leone. Ao que o diretor de “Fuga de Nova York” responde: “Todo filme tem conotação política, até mesmo eu suponho ‘Plan 9 From Outer Space’”. Eu assino embaixo.

Muitas vezes um filme pode parecer que é apenas “entretenimento”, porém traz embutido nele centenas de mensagens, conceitos e valores sociais ou morais que vão manipular e moldar a mente do espectador. Algumas vezes, esses conceitos são explícitos, mas na maioria eles ficam implícitos. E em grande parte das vezes, os conceitos implícitos são diferentes dos explícitos embora, em última instância, sejam os últimos que vão formar a opinião de espectadores incautos.

“Avatar” é um desses casos. Apesar de possuir uma suposta mensagem altamente explícita contra o capitalismo e o exército e a favor da natureza e da ecologia, o que vale realmente é o que está por trás de tudo isso e que, na minha modesta opinião, vai contra ao que o autor da obra supostamente quer ensinar.

E como eu cheguei a essa "brilhante" conclusão? Bem, não é fácil explicar, mas vejamos se eu consigo.

Em primeiro lugar, filmes com mensagens pretensiosas que querem provocar a reflexão da platéia devem, como eu disse, embasar seus argumentos de maneira forte e coerente. “Avatar” para começo de conversa passa longe disso. Assim, ao invés de personagens complexos e humanos (leia-se, com problemas, dúvidas, fraquezas e conflitos), temos personagens unidimensionais (os bons, os maus, os ingênuos) e caricatos (maus são violentos ou gananciosos, bons são pacíficos, ingênuos querem o bem, mas fazem o mau por tabela, e assim por diante). 

Isso, já de cara, dilui completamente qualquer mensagem que o filme quer passar porque reduz tudo a um festival de clichês que não exige reflexão por parte da platéia e impede que nos identifiquemos com os personagens. Além disso, qualquer um é capaz de adivinhar o que vai acontecer até o final depois de 20 minutos de projeção.


Alguns podem argumentar que o protagonista, Jake Sully, seja matizado, afinal começa “vilão” (servindo aos interesses dos militares) e depois se torna “herói”, uma espécie de Che Guevara do futuro. 

Poderia até ser, porém o arco que o personagem passa é por demais primário e suas motivações nunca são expostas claramente para tornar sua “jornada” da direita para a esquerda sequer perto de algo interessante.

Compare, por exemplo, com o arco sofrido pelo personagem de Val Kilmer no filme “Coração de Trovão”. Naquele filme, Kilmer também começa à direita, fazendo o serviço sujo do governo dos EUA numa reserva indígena, para depois voltar-se para a esquerda, ajudando os nativos revolucionários que lutavam contra latifundiários que queriam explorar suas terras. 

A “jornada” do “Coração de Trovão” é extremamente complexa, pesarosa e cheia de conflitos – ele é filho de um nativo alcoólatra, rejeita sua herança e sempre se portou como um mauricinho de Washington até mergulhar de cabeça no mundo dos nativos e sujar suas mãos com o sangue de seus antepassados. 

Embora consiga desmascarar os envolvidos no esquema de morte e repressão dos nativos (inclusive dentro do próprio FBI) ele obtém uma mera vitória de Pirro e o filme termina de forma melancólica, deixando claro que as injustiças e as perseguições políticas denunciadas pelo filme continuariam ocorrendo.

Já em “Avatar”, o que ocorre é justamente o contrário. O protagonista sai da direita (representada por um comportamento desumano, frio, insensível, preconceituoso, egoísta, violento) e vai para a esquerda (o contrário de tudo aquilo) num piscar de olhos, sem passar por qualquer conflito ou drama interior. Ele começa caricato e termina caricato. 

Nem em “Star Wars” a jornada do herói é tão vazia e raza assim, pois lembremos que Luke Skywalker, além de sofrer o diabo nos três filmes da série, ainda descobre que o malvadão máximo da trilogia é ninguém menos do que seu pai! Eu vi “O Império Contra-Ataca” nos cinemas quando tinha uns 10 anos e lembro bem até hoje do impacto que essa revelação teve na gente.

Não importa se sejam comédia, drama, épico ou terror: filmes bons, que são lembrados com o tempo, são aqueles que conseguem deixar uma marca, uma idéia, uma reflexão, ou seja, algo mais do que simples imagens bonitas e maravilhosos efeitos especiais. Principalmente aqueles que tem a pretensão de nos fazerem pensar. E aí vamos chegando à conclusão do filme, que é onde tudo desanda de vez.

“Avatar”, assim como muitos outros filmes com mensagens fracassadas, erra feio justamente em sua conclusão ao apelar para o bendito final feliz e redentor. Se até então o que vimos na tela estava há mil anos luz de ser uma obra prima da dramaturgia, tudo fica ainda mais abominável quando o encerramento apela para o que há de mais pobre e batido. 

No caso, a vitória altamente improvável e esmagadora dos “heróis” contra os “vilões” e a transformação final do protagonista, que literalmente vira um dos alienígenas, jogando fora e rejeitando tudo que ela havia sido até então (aqui ainda temos uma mensagem implícita extremamente fascista para as pessoas portadoras de deficiências!).

Que tipo de reflexão isso gera nas pessoas? Será mesmo que alguém saiu do cinema pensando em se engajar politicamente para “salvar o planeta”, repensando seus conceitos em relação ao capitalismo e ao militarismo ou sobre o massacre de indígenas que ocorreu na conquista das Américas, que pareciam ser os objetivos do diretor James Cameron? 

É claro que não! O máximo de comentários que um filme desses gera é sobre seus efeitos especiais “revolucionários” e uma sensação do tipo “alguém precisa salvar a natureza” que se esvai assim que o sujeito chega ao balcão do próximo McDonald’s.

Cito aqui, a título de comparação, outro filme de fantasia e ficção que é o contrário de “Avatar” em tudo, menos na pretensão de nos fazer refletir sobre as injustiças e os absurdos de nossa sociedade capitalista opressiva. É “Brazil”, de Terry Gilliam. Repare que a jornada do protagonista é bem similar à de Jake Sully – sai da direita e vai para esquerda -, porém na obra de Gilliam não há lugar para finais felizes nem redentores. 

E é justamente quando confrontados com a duríssima realidade político-social do filme que percebemos que aquele absurdo todo visto na tela nada mais é do que um reflexo distorcido da nossa própria realidade.

E, por favor, não venham me falar que “Brazil” é filme cabeça, que só iniciados podem entender, porque eu o assisti quando tinha uns 16 anos e estava no auge da minha modalidade “papagaio da direita”, porém lembro até hoje do impacto que aquela obra – principalmente seu final terrível – teve no início da formação do meu caráter à esquerda.


Os filmes da trilogia "Matrix" também são exemplos de clichês sendo virados de ponta cabeça com o objetivo de gerar reflexão política naqueles que se incomodam de colocar seus neurônios para funcionar.

Mas, tenho certeza, algum leitor mais esperto vai me dizer: “Ora, mas o filme de James Cameron custou US$ 300 milhões! Você acha que o cara ia colocar um final triste desses aí que você gosta só pra fazer meia dúzia de chatos pensarem?”. Pois é. A pergunta que essa pessoa ia formular é justamente o que eu precisava para fechar meu texto. 

“Avatar” é um produto cultural feito para, única e exclusivamente, trazer lucros para as empresas e pessoas que nele investiram seu capital – inclusive seu super bem intencionado diretor. Não é, portanto, o mesmo objetivo da companhia “vilã” que estava explorando Pandora? Quais são então os valores que o filme realmente defende e passa em última instância e de maneira subliminar?

A resposta é simples, não? Simples até demais pro meu gosto...

Mas verdade seja dita: os executivos e acionistas do cinemão comercial estadunidense adoram ver revolucionários felizes e armados até os dentes derrotando opressores capitalistas na tela dos cinemas. Porque isso gera catarse e sensação de redenção (que são garantias de alienação e acomodação) e, acima de tudo, lucro. Já na na vida real os Jake Sullys não podem ganhar de jeito nenhum e são chamados de “terroristas” e outras aberrações do tipo. É ou não é?

E se você acha que tudo isso acontece por coincidência ou acidente, pense de novo. "Avatar" demorou 10 anos para ficar pronto e custou trocentos milhões de dólares. Não há um fotograma no filme que não tenha sido meticulosamente escrutinado e programado para passar o máximo de impacto possível. Na indústria cultural de propaganda do capitalismo não há nada que aconteça por coincidência ou acidente. 

Em tempo: há uma frase no filme que entrega totalmente o verdadeiro viés ideológico do seu realizador. É quando um dos milicos diz que lutava pela liberdade e pela democracia na Terra e completa: "Na Venezuela foi o inferno". Sim, referência explícita contra os governos bolivarianos de Hugo Chávez e seus aliados. Precisa mesmo dizer mais?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Tudo em Cima deseja: Boas Festas a todos!



Desejo a todos vocês que frequentam meu blog um ótimo Natal e um feliz Ano Novo, cheio de alegrias, vitórias para a esquerda e Dilma Presidente.

Abraços!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Filmes: "Avatar"

CRIMINOSO

Filme reforça o que existe de mais desprezível na sociedade e funciona como uma máquina de entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas frente à dura realidade.

- por André Lux, crítico-spam

Existem duas maneiras de se ver um filme como “Avatar”. A primeira é como pura peça de entretenimento da indústria cultural estadunidense e aí encher o texto com termos como “revolução digital” e outras tecno-baboseiras que vem junto com as suas campanhas publicitárias milionárias e são repetidas mundo afora pelos patéticos profissionais da opinião doutrinados pelo sistema. Outra é analisá-lo como o produto cultural de uma sociedade de consumo decadente e doente. Eu prefiro a segunda. Assim, a partir dessa visão, “Avatar” expõe e reforça tudo que existe de mais desprezível e grotesco nessa sociedade e funciona como uma verdadeira máquina de ludibriar e entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas e amorfas frente à dura realidade que as cerca.

O filme poderia ser resumido como “Pocahontas encontra Dança Com Lobos na Matrix” e tem uma história que não apenas é a mais batida de todos os tempos, como ainda por cima é altamente ridícula e absurda. Homem branco vai viver no meio dos “bons selvagens” e, depois de muita dificuldade e desconfiança, torna-se um deles, apaixona-se pela mocinha e luta com seus novos amigos contra seus próprios “irmãos” de raça, que querem destruir tudo em nome do lucro. Assim, os vilões do filme são os malvados executivos de uma corporação capitalista e, claro, os militares (que, ensina o filme, lutavam pela liberdade na Terra mas em Pandora não passam de mercenários sujos). Os primeiros querem devastar o planetinha dos bondosos aliens azuis para minerar suas terras e os segundos, bem, querem jogar prazerosamente o maior número de bombas em tudo e em todos. Clichês dos clichês!

Mas não seria essa uma mensagem ótima, especialmente para quem se diz de esquerda, ainda mais quando enfia no meio um monte de jargões ambientalistas e ecologicamente corretos que estão na moda atualmente? Poderia até ser, se os personagens não fossem incrivelmente rasos e caricatos e se tudo não fosse embalado por uma resolução catártica e redentora das mais podres que eu já vi na vida. É como se o diretor James Cameron tivesse investido 15 anos de sua vida na parafernália eletrônica que dá vida ao filme e cinco minutos na criação do roteiro. Mas, como eu disse antes, não é nem isso o que mais incomoda. O que é realmente repugnante é a maneira como todos esses clichês são elencados na tela até o final feliz abismal, que nos ensina que os bonzinhos sempre vencem e conseguem, inclusive, botar o terrível exército dos EUA para correr (como se eles não fossem voltar o mais rápido possível ao planeta e explodir tudo com bombas atômicas!).

E qual o sentido disso, o que está por trás desse tipo de mensagem aparentemente edificante em nível subliminar? Algo que ninguém parece perceber (ou prefere fingir não perceber): a necessidade de nublar a mente das pessoas e deixá-las acomodadas aos valores morais mais torpes e hipócritas que existem, já que podem ver realizados na tela do cinema todos os sonhos e desejos de redenção e vitória que nunca se realizariam no mundo real, deixando-as assim alienadas e entorpecidas. Ainda mais quando tudo vem reforçado com louvor a crendices sobrenaturais (que alguns chamam de “religião”), do tipo "reze bastante que um dia você será atendido"!

A serviço dessa mensagem obscena temos o que há de mais avançado em tecnologia digital disponível. E daí? Como bem disse minha esposa arquiteta, um projeto de arquitetura ruim não vai melhorar só porque foi apresentado no programa de maquetes eletrônicas mais poderoso que existe, certo? “Avatar” não passa então de um desenho animado feito em computador que vai ficar obsoleto daqui a alguns meses quando inventarem algo mais “revolucionário”.

Enquanto isso, somos ensinados por James Cameron e outros mal intencionados ou simplesmente ingênuos (de boas intenções o inferno está cheio, vide os igualmente catastróficos "Diamantes de Sangue" e "Wall-E") que não é preciso lutar contra o conformismo e as injustiças na vida real como fizeram Che Guevara, Ghandi ou Evo Morales, pois no mundo dominado pelo “american way of life” todos os seus problemas e erros serão resolvidos no cinema – de preferência embalados por uma trilha musical grotesca de James Horner (que após esse mico deveria se aposentar), centenas de efeitos visuais digitais e um óculos 3D na cara. Aí você pode sair do cinema de alma lavada, esquecer tudo o que viu e, de quebra, ganhar um bonequinho do filme ao comer um lanche venenoso do McDonald’s...

Criminoso.

Cotação: *

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Música de cinema: Saiba como são compostas as trilhas dos filmes

Trabalho complexo do compositor de cinema é muitas vezes subestimado pela maioria dos espectadores e críticos profissionais, infelizmente.

- por André Lux, crítico-spam

John Williams é o autor de algumas das partituras mais famosas do cinema
O cinema é a forma de arte que abre uma janela para um mundo mágico: o mundo da imagem, do som e da música. 

De todos os ingredientes na fórmula para o sucesso de um filme, a música é sem dúvida o mais sutil e eficaz, afinal é ela que sugere e pontua as ações vistas na tela.

Todavia, nem sempre você pode estar ciente disso, pois qualquer coisa desde uma trombada de carros a uma batalha feroz pode estar competindo pela sua atenção. Mas é fato que sem o toque musical de um compositor hábil até mesmo o ataque furioso de um tubarão de duas toneladas pode tornar-se monótono.

Jerry Goldsmith conduz a orquestra
São nomes como de John Williams, Jerry Goldsmith, Ennio Morricone, Bernard Herrmann, John Barry, Patrick Doyle, Basil Poledouris, Nino Rota, Alfred Newman e Howard Shore, entre tantos outros, que garantem a nossa emoção no escurinho do cinema.

Apesar disso, o compositor de música para o cinema possui um trabalho quase sempre subestimado. 

Ele pode ser ouvido diariamente nos cinemas ou em vídeo por milhões de pessoas, mas continua anônimo para a grande maioria. Mesmo entre os críticos profissionais as partituras musicais raramente merecem destaque nas análises ou então são tratadas com lamentável desdém.

Veja o caso da trilogia de ''O Senhor dos Anéis'', cuja trilha sonora de Howard Shore é de longe uma das melhores já compostas nos últimos 20 anos e foi fator imprescindível para o sucesso das produções. Agora tente lembrar quantas críticas destacavam esse impressionante trabalho...

A verdade é que muitos esquecem (ou não percebem) que é graças ao trabalho desses profissionais que somos induzidos a chorar quanto ''E.T. - O Extraterrestre'' deixa nosso planeta, a morrer de rir quando um ''Gremlin'' é cozido num micro-ondas, a ter nosso sangue gelado quando ''Drácula'' ataca o pescoço de sua vítima ou a ficar sem fôlego enquanto ''Indiana Jones'' luta à beira de um abismo.

Mas a música também tem um papel importante em filmes mais complexos e profundos, que são considerados por muitos como ''cinema de arte''. 

Se não concorda com essa afirmação então é bom você rever filmes como ''Psicose'' (de Alfred Hitchcock), ''Cinema Paradiso'', ''Ed Wood'', ''Cidadão Kane'', ''Freud'', ''Henrique V'' (de Kenneth Branagh), ''Ran'' ou ''Era uma Vez na América'' e começar a prestar atenção às suas trilhas sonoras...

Ennio Morricone perdeu a conta 
de quantas trilhas já compôs
Sociedade dos Poetas... Desconhecidos

Infelizmente isso acontece porque a maioria das pessoas não tem ideia do complexo processo que é a criação de uma trilha musical de qualidade. 

Tudo começa com a discussão entre o compositor e o diretor, na qual eles vão decidir como será a composição dos temas e passagens que, via de regra, devem estar de acordo com a cena para a qual destinam-se. 

Às vezes, essa sincronia é tão perfeita que chega a acompanhar os movimentos de algo na tela. Essa técnica pode ser vista em ''Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban'', de John Williams, nas cenas em que o protagonista examina o seu mapa - repare que a música segue as pegadas que aparecem nele!

O segundo e mais complexo passo é justamente o da composição e orquestração, que consiste no arranjo da partitura para as diferentes partes da orquestra, coral e solistas. Geralmente a orquestração é feita por outro músico, colaborador de confiança do compositor, que tem a função de ajudar no processo já que o tempo para completar todo o trabalho é sempre curto.

O último passo é a gravação da trilha musical. Nessa etapa a batuta do maestro deve conduzir os músicos a uma perfeita sincronia com a imagem. Compositores experimentados como Williams, Goldsmith e Morricone habitualmente regem suas próprias composições.

Esse processo é basicamente o mesmo, até quando as trilhas serão executadas em sintetizadores ou por um pequeno grupo de músicos. Mas a ordem dele não sempre é respeitada. 

Diretores como Spielberg, Tornatore, Felini e Leone muitas vezes pediam para seus compositores gravarem alguns temas ou mesmo passagens musicais antes mesmo da produção começar, usando-as depois durante as filmagens não apenas para pontuar a ação, mas também para servir de inspiração ao elenco e à equipe técnica.

Praticamente todos os filmes de Spielberg tem música de John Williams
Alguns exemplos dessa aproximação pouco ortodoxa aconteceram em filmes como ''Era uma Vez no Oeste'', de Sergio Leone com música de Ennio Morricone, e em ''Contatos Imediatos do Terceiro Grau'', onde Spielberg deixou Williams compor a música para a seqüência final da descida da nave mãe antes de terminar o processo de edição e finalização dos efeitos visuais.

Um outro passo que pode ou não se tornar uma realidade é o lançamento da trilha sonora em CD no mercado de discos. Isso acontece quando existe interesse por parte de alguma gravadora em investir na sua comercialização.

Trilha de "Alien" demorou décadas
para ser lançada completa
Alguns selos nos EUA e na Europa são especializados em músicas de filmes, como Varese Sarabande, Intrada ou Prometheus, e procuram lançar trilhas que normalmente não encontram espaço dentro de grandes gravadoras ou disponibilizam trilhas antigas em suas formas completas.

Eternamente Jovem

A verdadeira música de cinema nunca vai deixar de ser apreciada, mesmo com o passar do tempo. A trilha composta pelo grande Miklos Rosza para ''Ben-Hur'' vai continuar emocionando os ouvintes da mesma forma que fez na época em que o filme foi lançado nos cinemas em 1959. 

A complexidade das orquestrações e a mistura de estilos com que Jerry Goldsmith executou a música para o clássico ''Planeta dos Macacos'', de 1968, nos permite uma nova interpretação e descoberta a cada nova audição. 

A magnífica partitura que Howard Shore compôs para a trilogia de ''O Senhor dos Anéis'' certamente continuará impressionando qualquer um que tenha ouvidos sensíveis, mesmo quando os efeitos visuais do filme tiverem ficado obsoletos...

Obviamente nem todas as trilhas originais mereçam o mesmo respeito de algumas das citadas acima. O mesmo valendo para certos compositores, que não possuem o talento ou conhecimento técnico necessários para a empreitada e acabam prejudicando os filmes para os quais são contratados. 

Isso sem dizer que existem muitos cineastas que, a exemplo de alguns críticos, tratam as trilhas musicais de seus filmes com incrível menosprezo.

Mesmo assim, é impossível negar o forte apelo e a influência que a música de cinema exerce mesmo fora das telas. 

Saber apreciar as obras desses verdadeiros mestres da música erudita contemporânea, além de ser um privilégio, é uma forma prazerosa, sadia e instigante de cultivar o hábito necessário para a melhor compreensão do universo artístico como um todo.

Howard Shore na gravação da música para "O Senhor dos Anéis"

Trilha Sonora: "Tróia", de James Horner

Compositor criou uma boa partitura mesmo não tendo o nível de complexidade e originalidade da composta por Gabriel Yared que foi rejeitada

- por André Lux, crítico-spam

Imagino que qualquer pessoa que acompanhe a carreira do compositor James Horner desde o seu início se pergunte de tempos em tempos por que ele parece ser incapaz de escrever uma trilha sonora totalmente original, mesmo tendo demonstrado mais de uma vez ter o talento e a habilidade necessários para isso. Desde que iniciou seu trabalho no cinema, Horner já foi capaz de criar partituras que alternam com precisão momentos vibrantes e fortes com outros mais delicados e intimistas. Que ninguém aqui negue a capacidade que ele tem para manipular as emoções da platéia e de tirar performances grandiosas de uma orquestra! Agora, quando o quesito é originalidade...

O que nos traz à sua última partitura, ''Tróia'', que para início de conversa já chega cercada de controvérsia. Horner foi chamado às pressas para substituir Gabriel Yared, cuja trilha original foi rejeitada depois de algumas reações negativas em uma exibição teste. É possível comparar as duas agora que Yared disponibilizou várias faixas do seu trabalho na internet. De cara podemos perceber que a música composta pelo autor da belíssima trilha de ''O Paciente Inglês'' é muito mais rica e complexa do que a criada por Horner.

E talvez seja exatamente isso que tenha feito os produtores de ''Tróia'' entrarem em paranóia. Como é que as platéias de hoje em dia, acostumadas a ouvir músicas de baixíssima qualidade geradas por ''compositores'' canhestros como Hans Zimmer e seus clones, serão capazes de assimilar uma partitura cheia de nuances, riquezas e orquestrações complexas como a escrita por Yared? Perguntas como essa acendem imediatamente o sinal vermelho de alerta em se tratando de uma superprodução como ''Tróia''.

Assim, ao invés de apostar na inteligência do espectador e apoiar a riquíssima trilha original, o diretor Petersen deixou-se convencer que seu filme corria risco de fracassar por causa da música (!) e resolveu despedir Yared sem nem ao menos lhe dar uma chance de ''melhorar'' seu trabalho, o qual ele vinha desenvolvendo há quase um ano. Em pânico recorreram a James Horner, que já havia trabalhado com Petersen em ''Mar em Fúria''.

Sai Yared, entra Horner. Com menos de um mês para escrever, orquestrar e gravar a nova trilha, o compositor de ''Titanic'' não teve escolha senão correr contra o tempo, escrevendo a nova partitura a toque de caixa. Com todos esses fatores contrários, o desastre era quase certo. Afinal, se Horner não foi capaz de criar trilhas originais para bons filmes como ''O Homem Bicentenário'' mesmo trabalhando com vários meses de antecedência, imagine neste caso.

Mas, quem diria, sua trilha para ''Tróia'' traz alguns temas e passagens que soam tão originais quanto seus magníficos scores para ''Krull'' ou ''Cocoon''. Confesso que até a cena do desembarque das tropas gregas nas praias de Tróia, não tinha sido capaz de identificar nenhum trabalho de ''copiar e colar'' que virou a especialidade de Horner nos últimos anos. De fato, o tema que criou para o guerreiro Aquiles é sensacional e, até que me digam o contrário, soa bastante original (mas vale lembrar que todos pensavam o mesmo sobre o tema de ''Willow'', até que se descobriu ser um plágio descarado do primeiro movimento da ''Symphony No. 3 in E flat op. 97 - Rhenish", de Robert Schumann).

É na faixa ''Achilles Leads the Myrmidons'', sem dúvida o ponto alto da trilha, que temos a rendição triunfal do ''Tema de Aquiles'', tocado com vigor pelos metais. Mas é partir daí também que a partitura começa a descambar para os mais irritantes ''horneirismos'' (os chamados autoplágios usados pelo desavergonhado compositor), a começar pelo mais óbvio: aquele bendito tema de quatro notas que ele usa desde ''Jornada nas Estrelas 2 - A Ira de Khan'' e faz questão de incluir em quase todas as suas trilhas quando há uma situação de perigo na tela. Quem duvida, é só assistir ''Willow'' (é o tema do vilão general Kael), ''Círculo de Fogo'' (atenção para as aparições do vilão nazista interpretado por Ed Harris), ''A Máscara do Zorro'' e mesmo ''Mar em Fúria''. O pior é que esse tema nem mesmo é original, já que é uma mínima variação do motif dos invasores teutônicos escrito por Sergei Prokofiev para o filme russo de Eisenstein, ''Alexander Nevsky'' (1939), e que Horner já havia usado na íntegra em ''Mercenários das Galáxias'' em 1980!

E por falar em Prokofiev, Horner volta a recorrer à trilha de ''Alexander Nevsky'' para musicar a seqüência do primeiro ataque do exército grego às muralhas de Tróia. O início da faixa ''The Greek Army And Its Defeat'' é uma cópia em carbono de ''The Battle in the Ice'' do filme de Eisenstein. O mesmo tipo de problema ocorre com o tema de amor para ''Briseis and Achilles'', que é nada mais do que uma variação do usado pelo compositor em ''Coração Valente''.

É claro que poderíamos dar um desconto ao compositor por causa do pouco tempo que teve à disposição, mas como ele lança mão desses recursos discutíveis sempre acaba ficando sem sentido desculpa-lo. Ainda mais porque ele foi capaz de, mesmo com toda a pressão, criar alguns temas muito bons e mais originais do que faz quando tem tempo de sobra nas mãos. Outro exemplo de uma boa idéia é o motif para a cidade de Tróia, que é grandioso e funciona bem junto com as imagens.

Dito isso fica impossível não perceber o quanto a trilha de Horner é inferior à de Yared, particularmente nos quesitos originalidade e complexidade (compare, por exemplo, as faixas que ambos escreveram para o duelo entre Heitor e Aquiles). Mas é preciso ressaltar que, no filme, a música de Horner funciona bem e, sem dúvida, deixa ''Tróia'' com um apelo mais popular, já que foi escrita num idioma mais próximo do que estamos acostumados a ouvir em nossa cultura ocidental, enquanto Yared compôs sua partitura baseada muito mais no idioma oriental-europeu.

A verdade é que só será justo comparar as duas trilhas quando for possível ver o filme com a trilha de Gabriel Yared. Afinal, sua música foi composta para fazer parte de ''Tróia'' e, mesmo demonstrando qualidades de sobra ao ser apreciada em separado, só poderá ser analisada quanto à sua efetividade junto com as imagens. Existem muitas trilhas por aí que são ótimas em CD, mas não funcionam nem um pouco no filme (como ''As Horas'', de Phillip Glass, por exemplo).

Levando tudo isso em conta, sou obrigado a afirmar para minha própria surpresa que James Horner foi capaz de criar para ''Tróia'' uma trilha que se mantém no mesmo nível de seus melhores trabalhos, exceto é claro pela repetição insistente e vexatória do seu infame ''Tema de Perigo'' e pela lamentável e descabida canção pop que encerra o filme, cantada por Josh Groban.

Talvez o que Horner esteja precisando para mudar os rumos de sua carreira é justamente de mais trabalhos para fazer em cima da hora...

Cotação: * * *

Polêmica: 10 razões para legalizar as drogas

O texto abaixo foi publicado no jornal Le Monde Diplomatique de setembro e é de autoria do comandante John Grieve, da Unidade de Inteligência Criminal da Scotland Yard. Eu concordo plenamente com tudo que está escrito nele.

10 Razões para Legalizar as Drogas

- por John Grieve, da Unidade de Inteligência Criminal da Scotland Yard*

1 - ENCARAR O VERDADEIRO PROBLEMA

Os burocratas que constroem as políticas sobre drogas têm usado a proibição como uma cortina de fumaça para evitar encarar os fatores sociais e econômicos que levam as pessoas a usar drogas. A maior parte do uso ilegal e do uso legal de drogas é recreacional. A pobreza e o desespero estão na raiz da maioria do uso problemático da droga, e somente dirigindo-se a estas causas fundamentais é que poderemos esperar diminuir significativamente o número de usuários problemáticos.

2 - ELIMINAR O MERCADO DO TRÁFICO

O mercado de drogas é comandado pela demanda e milhões de pessoas demandam drogas atualmente ilegais. Se a produção, suprimento e uso de algumas drogas são criminalizados, cria-se um vazio que é preenchido pelo crime organizado. Os lucros neste mercado são de bilhões de dólares. A legalização força o crime organizado a sair do comércio de drogas, acaba com sua renda e permite-nos regular e controlar o mercado (isto é prescrever, licenciar, controle de venda a menores, regulação de propaganda, etc .. ).

3 - REDUÇÃO DRÁSTICA DO CRIME

O preço de drogas ilegais é determinado por um mercado de alta demanda e não regulado. Usar drogas ilegais é muito caro. Isto significa que alguns usuários dependentes recorrem ao roubo para conseguir dinheiro (corresponde a 50% do crime contra a propriedade na Inglaterra e é estimado em 5 bilhões de dólares por ano). A maioria da violência associada com o negócio ilegal da droga é causada por sua ilegalidade. A legalização permitiria regular o mercado e determinar um preço muito mais baixo acabando com a necessidade dos usuários de roubar para conseguir dinheiro.Nosso sistema judiciário seria aliviado e o número de pessoas em prisões seria reduzido drasticamente, economizando-se bilhões de dólares. Por causa do preço baixo, os fumantes de cigarro não têm que roubar para manter seu hábito. Não há também violência associada com o mercado de tabaco legal.

4 - USUÁRIOS DE DROGA ESTÃO AUMENTANDO

As pesquisas na Inglaterra mostram que quase a metade de todos os adolescentes entre 15 e 16 anos já usou uma droga ilegal. Cerca de 1,5 milhão de pessoas usa ecstasy todo fim de semana. Entre os jovens, o uso ilegal da droga é visto como normal. Intensificar a guerra contra as drogas não está reduzindo a demanda. Na Holanda, onde as leis do uso da maconha são muito menos repressivas, o seu uso entre os jovens é o mais baixo da Europa. A legalização aceita que o uso da droga é normal e que é uma questão social e não uma questão de justiça criminal. Cabe a nós decidirmos como vamos lidar com isto. Em 1970, na Inglaterra, havia 9.000 condenações ou advertências por uso de droga e 15% de novas pessoas tinham usado uma droga ilegal. Em 1995 os números eram de 94.000 e 45%. A proibição não funciona.

5 - POSSIBILITAR O ACESSO A INFORMAÇÃO VERDADEIRA E A RIQUEZA DA EDUCAÇÃO

Um mundo de desinformação sobre drogas e uso de drogas é engendrado pelos ignorantes e preconceituosos burocratas da política e por alguns meios de comunicação que vendem mitos e mentiras para benefício próprio. Isto cria muito dos riscos e dos perigos associados com o uso de drogas. A legalização ajudaria a disseminar informação aberta, honesta e verdadeira aos usuários e aos não-usuários para ajudar-lhes a tomar decisões de usar ou não usar e de como usar. Poderíamos começar a pesquisar novamente as drogas atualmente ilícitas e descobrir todos seus usos e efeitos - positivos e negativos.

6 - TORNAR O USO MAIS SEGURO PARA O USUÁRIO

A proibição conduziu à estigmatização e marginalização dos usuários de drogas. Os países que adotam políticas ultra-proibicionistas têm taxas muito elevadas de infecção por HIV entre usuários de drogas injetáveis. As taxas de hepatite C entre os usuários no Reino Unido estão aumentando substancialmente. No Reino Unido, nos anos 80, agulhas limpas para usuários e instrução sobre sexo seguro para jovens foram disponibilizados em resposta ao medo do HIV. As políticas de redução de danos estão em oposição direta às leis de proibição.

7 - RESTAURAR NOSSOS DIREITOS E RESPONSABILIDADES

A proibição criminaliza desnecessariamente milhões de pessoas que, não fosse isso, seriam pessoas normalmente obedientes às leis. A proibição tira das mãos dos que constroem as políticas públicas a responsabilidade da distribuição de drogas que circulam no mercado paralelo e transfere este poder na maioria das vezes para traficantes violentos. A legalização restauraria o direito de se usar drogas responsavelmente e permitiria o controle e regulação para proteger os mais vulneráveis.

8 - RAÇA E DROGAS

As pessoas da raça negra correm dez vezes mais risco de serem presas por uso de drogas que as pessoas brancas. As prisões por uso de droga são notoriamente discriminatórias do ponto de vista social, alvejando facilmente um grupo étnico particular. A proibição promoveu este estereótipo das pessoas negras. A legalização remove um conjunto inteiro de leis que são usadas desproporcionalmente no contato de pessoas negras com o sistema criminal da justiça. Ajudaria a reverter o número desproporcional de pessoas negras condenadas por uso de droga nas prisões.

9 - IMPLICAÇÕES GLOBAIS

O mercado de drogas ilegais representa cerca de 8% de todo o comércio mundial (em torno de 600 bilhões de dólares ano). Países inteiros são comandados sob a influência, que corrompe, dos cartéis das drogas. A proibição permite também que os países desenvolvidos mantenham um amplo poder político sobre as nações que são produtoras com o patrocínio de programas de controle das drogas. A legalização devolveria o dinheiro perdido para a economia formal, gerando impostos, e diminuiria o alto nível de corrupção. Removeria também uma ferramenta de interferência política das nações estrangeiras sobre as nações produtoras.

10 - A PROIBIÇÃO NÃO FUNCIONA

Não existe nenhuma evidência para mostrar que a proibição esteja resolvendo o problema. A pergunta que devemos nos fazer é: Quais são os benefícios de criminalizar qualquer droga? Se após analisarmos todas as evidências disponíveis concluirmos que os males superam os benefícios, então temos de procurar uma política alternativa. A legalização não é a cura para tudo, mas nos permite encarar os problemas criados com o uso da droga e os problemas criados pela proibição. É chegada a hora de uma política pragmática e eficaz sobre drogas.

*Channel 4, 27 de outubro de 1997; traduzido por Luis Verza.

DVD: "Freud - Além da Alma"

O PAI DA PSICANÁLISE

Filme foi concebido quase como um conto de suspense e mistério (às vezes parece mesmo de terror!), no qual a fotografia em preto e branco e a excelente música do mestre Jerry Goldsmith tem papel fundamental.

- por André Lux, crítico-spam

Finalmente é lançado em DVD “Freud – Além da Alma”, a biografia do pai da psicanálise, Sigmund Freud, transposta para o cinema pelo legendário John Huston em 1962. Houston interessou-se em filmar a vida de Freud depois que conheceu sua obra por volta de 1948. Encomendou então um roteiro ao famoso Jean Paul Sartre que entregou ao diretor um calhamaço que daria um filme de mais de 6 horas de duração. Houston pediu que ele reduzisse o tratamento, mas a segunda versão de Sartre ainda foi considerada infilmável e o escritor recusou-se a fazer mais concessões, sobrando para o diretor, Charles Kaufman e Wolfgang Reinhardt a tarefa de reduzir o material (Sartre pediu para ter seu nome retirado dos créditos).

Dado grau de complexidade e polêmica das descobertas feitas pelo protagonista, “Freud – Além da Alma” foi filmando quase como um conto de suspense e mistério (às vezes parece mesmo filme de terror!), no qual a fotografia em preto e branco de Douglas Slocombe e a excelente música do mestre Jerry Goldsmith (em sua primeira indicação ao Oscar) tem papel fundamental (a partitura é tão sinistra e atonal que teve trechos usados em algumas cenas de “Alien – O Oitavo Passageiro”).

Montgmory Clift interpreta o papel título com grande propriedade enquanto sobra para uma muito jovem Susannah York a personagem feminina que serve como um compêndio de várias pacientes histéricas de Freud que o levaram a formular suas teorias sobre o complexo de Édipo e a sexualidade infantil.

O filme comprime bastante o que foi a longa jornada de Freud em busca de suas descobertas, resume vários eventos e deixa de fora outros importantes na vida do protagonista, mas ainda assim vale a pena ser visto por quem se interessa pelo tema e continua sendo uma boa introdução às idéias desse verdadeiro gênio, cujas idéias ainda impressionam e repercutem até hoje.

Coincidentemente, a trilha musical de Jerry Goldsmith para "Freud - Além da Alma" acaba de ser lançada em CD pela primeira vez e em sua versão completa pelo selo Varése Sarabande, especializado em música de cinema, numa edição limitada a 3 mil cópias!

Cotação: * * * *

Nosso presente de natal à direita: Com 72% de aprovação, governo Lula bate novo recorde

Ao entrar no último ano do segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcança o mais alto patamar de popularidade desde a posse em 2003. Segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 14 e 18, 72% dos entrevistados consideram o governo de Lula ótimo ou bom, um crescimento de cinco pontos percentuais em relação à última sondagem, feita em agosto.

Trata-se da maior aprovação já obtida por um presidente desde que o Datafolha começou a fazer avaliações sobre o governo federal, em 1990.

Já 21% consideram o governo do petista regular, enquanto para apenas 6% a administração é ruim ou péssima. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Lula também obteve a melhor nota média (7,7), numa escala de 0 a 10, de toda a sua gestão até o momento.

Na pesquisa feita em agosto, 67% consideravam o governo de Lula ótimo ou bom. Os números mostram que, mesmo em um ano de crise e em que o governo esteve sob forte ataque da mídia - que investiu pesado nas críticas à política externa do país e em denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney -, a popularidade do presidente não sofreu abalos significativos ao longo de 2009, tendo a avaliação positiva oscilado entre 65% e 72%.

O Nordeste permanece como a região em que o presidente Lula apresenta o mais alto índice de popularidade, 81%, enquanto no Sul do país obtém o pior índice, ainda assim elevado, com 62% de aprovação. No corte por renda, a melhor avaliação de Lula é entre os que ganham de 0 a 5 salários mínimos, faixa em que chega a 73%.

Com agências

sábado, 19 de dezembro de 2009

Debate sobre o aquecimento global "Eu, o cético"

O texto abaixo foi enviado pelo amigo Ricardo Melo. Muito interessante.

Eu, o cético

- por Eugenio Hackbart (www.metsul.com/blog)

Seu nome é Jim Hansen. Cientista da NASA e consultor de Al Gore. Transformou-se numa das principais vozes no debate mundial sobre clima. Torce para que a COP15, a conferência do clima em Copenhague, seja um fracasso.

Seu nome é John Coleman. Meteorologista na Califórnia e fundador do mundialmente conhecido Weather Channel (Canal do Tempo). Também torce para que a COP15 seja um fracasso. Hansen acredita que a Terra está caminhando para um enorme desastre climático devido ao aquecimento global. Coleman afirma que o aquecimento é uma fraude, um estelionato científico. O cientista da NASA crê que as medidas propostas em Copenhague serão inúteis diante da gravidade da situação e do descontrole na ação do homem sobre o clima. Coleman diz que o homem nada tem a ver com o que ocorre hoje no clima.

Jim Hansen é chamado de apocalíptico. Coleman de negacionista. O debate das mudanças climáticas acabou por criar estas denominações para aqueles que ousam, em maior ou menor grau, contestar as teses dominantes sobre a influência humana e o aquecimento do planeta. Eu não me considero integrante de nenhum dos dois campos. Nem apocalíptico. Tampouco negacionista. E torço para que Copenhague ofereça soluções para reduzir o desmatamento e a poluição.

É um fato científico que o planeta esquentou nos últimos 150 anos, período de instrumentação meteorológica. Parece-me um fato inquestionável que houve influência humana para este aquecimento, seja pelas chamadas ilhas de calor urbano (grandes cidades), desmatamento ou uso/manejo do solo. O que divirjo é da teoria que desejam transformar em senso comum que o aquecimento global foi quase totalmente provocado pelo homem, dando pouco relevo a causas naturais que julgo da mais alta importância como atividade solar e ciclos oceânicos. O que contesto é a tendência da mídia, alimentada por pesquisadores, em sensacionalizar o clima e ligar ao homem todo e qualquer desastre natural ou evento extremo que ocorra nos dias de hoje.

O que me desagrada é o fato de tomarem como certos valores de elevação da temperatura do planeta nos últimos 150 anos, quando pairam acusações de fraudes sobre pesquisas e estão comprovadas deficiências gigantescas nas observações. O que me causa espanto é que a população está cada vez mais sendo doutrinada a acreditar que tudo que ocorre de ruim hoje no nosso clima é um fato novo, sem precedentes, inédito, ignorando-se por completo a história climática. O que me espanta é a incapacidade da imprensa de sustentar um debate sério sobre o tema, vendo-se hoje na mídia jornalistas que se transformaram em verdadeiros ativistas, seja a favor do negacionismo, seja em prol do catastrofismo.

Por essas e outras, com orgulho, declaro-me meramente um cético.

(Coluna publicada no jornal ABC Domingo de 13 de dezembro de 2009)

Mais uma coisinha... Sobre pessoas que usam o termo "mensaleiros"

Faltou eu dizer uma coisinha ao "jornalista" que manda jagunços ameaçar blogueiros que não concordam com sua opinião partidária travestida de notícia.

Para mim, quem usa a palavra "mensaleiros" atrelada a políticos do PT das duas uma: ou é ingênuo ou é canalha.

Porque só sendo muito ingênuo mesmo para acreditar que o termo "mensalão" não passa de um factóide criado nas agências de publicidade do PSDB para tentar derrubar o presidente Lula durante aquela campanha midiática golpista de 2005.

Infelizmente, existe muita gente ingênua por aí. Mas nunca conheci um jornalista entre eles...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Vestindo a carapuça Funcionário do PiG surta no Tudo em Cima!

O "jornalista" ilustre desconhecido que está ameaçando o blogueiro Carlinhos Medeiros, com o qual travei um bizarro diálogo em seu blog (reproduzido na postagem abaixo), visitou o Tudo em Cima e surtou geral.

Reproduzo abaixo sua mensagem de despedida, cheia de histeria e auto afirmação - coisa típica de quem sentiu o golpe, vestiu a carapuça e tenta explicar o inexplicável. Ou pior, tapar o sol com peneira. Freud explica com certeza! E sua reação desmedida (até então ele vinha mantendo um nível aceitável de conversação) me lembrou daquela máxima que dita que quando o comediante é obrigado a explicar a piada, é sinal de que ela não funcionou...

Leiam e tirem suas próprias conclusões sobre o tipo de profisssional que escreve para o esgoto do PiG. Depois não entendem porque não conseguem mais "formar a opinião" nem da velhinha de Taubaté...

Não sei não, mas agora tô achando que ele vai mandar seus jagunços me ameaçarem também. Estou com muito medo. Se bem que, se não me engano, o rapaz tentou me ofender no final de sua missiva auto indulgente. Mas não tem nada não. Já pensou se ele tivesse falado bem de mim?
___________________________

"Hahahahaha!

Esse Carlinhos é engraçado mesmo.

Ok, esse é o último comentário que faço sobre esse assunto.

Meus amigos, que não compartilham da opinião rançosa dos textos de vocês, acham que deveria não deveria me dar a esse trabalho.

Mas não resisti à piada.

Diz o JÊNIO (com jota mesmo):

"Ele, que jura ser de esquerda, acusa o presidente eleito do PT de chamar os 'mensaleiros' com (sic) Zé Dirceu e outros para fazerem parte da executiva do partido e cuidar da candidatura de Dilma Rousseff."

Pois bem. Vou desenhar agora.

O título da matéria da qual o rapaz reclama é o seguinte:

"Mensaleiros devem voltar a Diretório Nacional do PT, mas distantes de Dilma".

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/11/25/ult5773u3069.jhtm

DISTANTES.

1 afastado no espaço ou no tempo distant/-ante
uma época distante
2 pessoa fria, reservada distant/-ante
mostrar-se distante com alguém

Será que o rapaz sabe o significado da palavra DISTANTES? Será que quem o defende faz isso por inércia ou por convicção?

Será que ele entendeu o texto do qual reclamou? Eu acho que não.

Será que tem certeza de que eu o xinguei? Eu acho que não.

Será que é razoável esse nível de baixaria contra alguém que ele não conhece e que, inclusive, está sugerido como links no blog dele?

Eu acho que não.

Me parece um caso de jornalista frustrado samba de uma nota só. Não é o primeiro nem o último.

Ao dono deste blog, faço uma sugestão: leia direito. A sua simples olhada no meu blog não foi bem feita. Leia, faz bem à saúde. Você não é a referência mundial do que é de esquerda e do que não é.

E se seu raciocínio é complexo ao ponto de dizer que alguém que trabalha num lugar compartilha dos valores dos donos, sugiro a você ficar em casa desempregado. Pega mal alimentar o capitalismo.

Uma última: nem você nem seu amigo têm condição de dar lição de moral a ninguém. Assim como eu não tenho e não me reservo isso.

Poderia simplesmente não responder nada, dado o ridículo disso. Talvez devesse ser assim. Mas eu tenho responsabilidade por aquilo que digo e escrevo.

Também ouço os argumentos dos outros. Tenho como fiscais do meu trabalho milhares de pessoas que leram textos meus em empresas malvadas, como a ultrareacionária Agência Reuters ou o site megaconservador Opera Mundi. É só buscar no Google e vocês acham pelo menos 17 mil deles.

Eu tenho um monte de defeitos. Mas a desfaçatez não está entre eles.

Tenham uma boa vida.

Maurício Savarese"

Diálogos bizarros (atualizado): Eu versus o "jornalista" ameaçador

Travei o seguinte diálogo com o "jornalista" que está ameaçando de processo nosso colega blogueiro Carlinhos Medeiros, do Bodega Cultural. Leiam e tirem suas próprias conclusões...
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Eu:
"Prezado, o seu “jornalismo” é visivelmente partidário à direita. Qualquer pessoa minimamente sensata percebe. Mas é mais fácil tentar desqualificar os críticos do que assumir seu viés ideológico. Coisas de quem se vende ao PiG. Faz parte do jogo de “esconde-esconde” e do “faz de conta que somos imparciais” de vocês que dava certo até ontem. Felizmente, os dias desse tipo de “jornalismo” estão contados. Vocês são como dinossauros à beira da extinção. Por isso essa auto indulgência e agressividade toda. Freud explica… Você vai me processar também? Estou com medo."

Ele:
"Prezado, sou um jornalista tão partidário à direita que os ultradireitistas do blog Amigos do Presidente Lula me incluem entre os links recomendados. Inclusive seu amigo que copiou o mesmo template desse blog me xinga pessoalmente sem saber quem sou de um lado, mas no lado direito deixa escapar o link pro meu blog. Curioso demais. Mas você tem o direito de achar o que quiser. Só não tem direito, como eu também não, de fazer acusação sem provas nem de ofender de graça. Seus comentários são bem vindos. Até mais."


Eu:
"Prezado, conheço vários como você que se dizem de "esquerda" só para poderem dar maior peso à propaganda pró direita que escrevem e chamam de "jornalismo". Tenho certeza que seu chefe, o Tavinho "Ditabranda" acha o máximo isso. Ponto pra você, conseguiu ser linkado até em blogues realmente de esquerda! Uau! Estou impressionado, isso prova mesmo que você é de esquerda!

Seu sonho de virar o próximo Diogo Mainardi ou assessor de imprensa de algum aitolá do PSDB/DEM pode estar mais perto de chegar, mas antes um conselho: para isso você tem que ter mais maturidade e estar melhor resolvido para lidar com as críticas negativas que os ódios, recalques e preconceitos que você pubica travestidos de "jornalismo" vão provocar nas pessoas que não rezam pela cartilha daqueles que você quer agradar. Se tiver problemas com isso, sugiro uma boa terapia psicológica na qual vai certamente aprender que quem se incomoda com críticas negativas das duas uma: ou é porque não tem maturidade suficiente para encará-las ou é porque vestiu a carapuça.

Depois de ler esse texto primário, que publicou para se auto afirmar, dá a impressão que no seu caso é a segunda opção...

Por sinal, eu já escrevi sobre isso antes: "Infelizmente, existem muitos profissionais do jornalismo que se prestam ao degradante serviço de distorcer as informações no PiG e depõe contra sua própria profissão. Alguns fazem por medo ou falta de opção, outros por acreditarem realmente na ideologia de seus patrões, enquanto muitos o fazem em troca de saquinhos de moeda, tapinhas nas costas e convites para festinhas nas mansões do Morumbi." Dá uma lida no texto completo, se tiver coragem: http://tudo-em-cima.blogspot.com/2009/09/esclarecendo-de-uma-vez-por-todas.html

Enfim, desculpe se te ofendi. Foi sem querer. Por favor, não mande seus jagunç... digo, advogados me ameaçarem também. Eu tenho medo."

Ele:
"Temos opiniões diferentes, mas como você é respeitoso faço um último comentário sobre esse assunto. Não vou nem entrar na discussão ideológica, porque isso se faz melhor com outros debates. Você é bem vindo para fazê-los em outros posts meus se quiser, contanto que o respeito à civilidade seja mantido.

Agora me diga: não haveria problema se eu o citasse no meu blog e escrevesse, mesmo sem conhecê-lo, que você não gosta de pobre e de nordestino? É uma acusação séria, em especial no caso dos nordestinos: racismo. E esse é crime inafiançável. A outra acusação é de elitismo, mas essa não é crime e aceito que a façam os que não me conhecem.

Uma coisa é debater, como estamos fazendo. Pode ser com dureza, mas é preciso que haja boa fé. Outra coisa, como fez o seu amigo, é acusar uma pessoa de ter cometido um crime. Sem provas. Não cometi crime, não tenho passagem na polícia nem dívidas que me desabonem. Não sei se ele pode dizer o mesmo. Por mais que o blog do seu amigo seja pouco conhecido, embora provavelmente mais do que o meu, a referência é inaceitável.

Não posso chamar alguém de antissemita ou de simpático à Ku Klux Klan, por exemplo, só porque não gosto do que a pessoa escreve no lugar onde trabalha. Ou porque suspeito que deixou um comentário insultuoso no meu blog – o que não fiz, e seu amigo não tem como provar o contrário. Mesmo que tivesse feito, a postura é inaceitável. E a gritaria, coisa de quem quer chamar a atenção e envolver gente bem intencionada numa vendeta.

Só para encerrar, para mim os comentários do seu amigo – que de tão alucinado não notou ainda que dá link para o meu blog – são um problema maior para alguém que cresceu pobre e é filho de nordestina. Uma nordestina do Maranhão que também cresceu pobre. E que corre risco de ver esse tipo de referência no Google quando procura saber o que o filho dela tem feito no trabalho. Críticas ao trabalho, à vontade. Pessoais, sem prova, não.

Se não concordar com os argumentos, espero que ao menos esteja claro o ponto de vista. Repare que nem faço menção aos xingamentos rococós do seu amigo. São até engraçados. O problema é a acusação de crime.

Até mais"


Eu:
"Prezado, também não pretendo me estender no assunto. Apenas reafirmo o óbvio: se você se incomodou com o que o pobre blogueiro escreveu sobre você é porque não tem maturidade para lidar com críticas ou porque vestiu a carapuça. O "jornalismo" partidário à direita que você pratica no esgoto dos Frias é do tipo que ofende pessoas que não rezam pela cartilha daquela famiglia. Portanto, nada mais natural que vá provocar o tipo de reação inversamente proporcional daqueles que se sentiram ofendidos. Quem fala (ou escreve) o que quer, ouve (ou lê) o que não quer. Ação e reação. Princípios básicos da democracia e da física.

Falo isso por experiência própria. Já fui agredido pelas costas por dois críticos de cinema que não gostaram de eu ter apontado erros factuais grosseiros em seus textos. Infelizmente, naquela época eu não tinha maturidade suficiente para lidar com esse tipo de coisa e reagi mal. Tenho certeza que algum advogado de porta de cadeia teria achado mil motivos para que eu contratasse seus serviços para ameaçar os sujeitos. Mas por sorte não levei o caso adiante e hoje aprendi que é melhor que gente assim fale mal de mim mesmo. Já pensou se falassem bem?

Se foi você ou não que postou o comentário ofensivo anônimo contra o blogueiro já é outra discussão. Mas, mesmo que não tenha sido você, veja só o tipo de pessoa que te defende. Só esse fato já deveria servir de alerta caso você seja alguém realmente preocupado com valores éticos...

Sobre o debate ideológico, fico feliz que prefira se abster. Realmente, não tem sentido mesmo alguém que se declara de esquerda mas sai por aí mandando jagunços ameaçarem os outros querer falar de ideologia. Afinal, ameaça e censura são coisas de direitista."
___________

Não vou citar o nome do sujeito pois pode ser que ele me processe também. Mas quem quiser ver o diálogo do absurdo em seu blog, é só seguir este link.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sabujos do PiG incomodados Mais uma tentativa de censurar um blog!

Depois do Antônio Arles, intimidado pelo grupo Folha a tirar sua campanha pelo cancelamento do UOL do ar, agora é a vez do Carlinhos Medeiros ser ameaçado por um sabujo do PiG.

O sujeito, cujo nome eu nunca tinha ouvido falar (e não por acaso se vende ao UOL), mandou alguém intimidá-lo com ameaças "judiciais" só porque não gostou da opinião do blogueiro do Bodega Cultural sobre o lixo partidário à direita que deposita naquele portal podre.

A turma do PiG é assim: acham que só eles podem falar e opinar sobre o que bem entenderem. Ai de você se não concordar com as asneiras que proferem! Vem logo ameaçando de "processo judicial".

No fundo, são um bando de covardes fracassados com baixíssima auto estima, caso contrário nem perderiam tempo fazendo esse tipo de ameaça. Eu mesmo me sinto honrado quando um blogueiro direitoso ou sabujo do PiG fala mal de mim. Tipo aquele ex-Aspone da Soninha, Bravatai Mocorongo, que me atacou em seu mal cheiroso blog. Já pensou se esse tipo de gente falasse bem de mim? Aí sim eu ficaria preocupado! Um ex-chefe de redação meu uma vez falou algo que me marcou: "Quando alguém fala mal de mim, primeiro eu vou descobrir quem é a pessoa. Se for alguém que eu admire e respeite, vou ficar chateado e tentar descobrir onde foi que errei. Agora, se for alguém que eu despreze ou não mereça minha consideração, vou é ficar feliz". Corretíssimo!

Eu só moveria um processo contra alguém se fosse por uma causa muito, mas muito dramática. Tipo, me acusasse de um crime cabuloso ou então me ameaçasse fisicamente no mundo real. Caso contrário, deixaria pra lá. Quer falar mal do que eu escrevo? Que tenho mau hálito? Que solto pum em elevadores? Que sou "petralha"? Fiquem à vontade! Não estou nem aí.

Todo nosso apoio ao Carlinhos Medeiros e a todos os outros blogueiros que são ameaçados por essa corja de filhotes da ditadura, que trocaram as ameaças do "sabe com quem você está falando?" pelo "vou te processar!".

Clique aqui para saber detalhes sobre a sórdia história.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Simplesmente impagável: Filho do ultra-direitista Noblat é PETISTA!

Como diriam os Klingons, a vingança é um prato que se come frio...

Por Carlinhos Medeiros, no blog Bodega Cultural

O jornalista da Globo, Ricardo Noblat, tem um filho petista chamado André [Hahaha! Meu xará ainda por cima!]. Tem sempre um da família mais inteligente, que se destaca, seja na política, nas artes, na maneira de pensar e de agir, independente do pensamento neocon dos seus pais. Ainda bem.

Noblat postou em seu Twitter que André havia convidado 60 novos filiados petistas para um almoço hoje (13) em sua casa. [...]

Depois continuou a narrar no microbloggin o comportamento dos jovens militantes, demonstrando irritação e intolerância com a presença deles.

Foi quando um de seus seguidores anti-petista, @Kassatti, lhe fez a seguinte proposta:


Simples assim. Não sei por que tanto alarde quando os governadores demotucanos mandam descer a borduna nos manifestantes, como aconteceu em São Paulo, no Rio Grande do Sul e mais recentemente em Brasília.

É o "modus operandi" dos trogloditas da direita.

Atualizações Como o PiG noticiaria "Guerra nas Estrelas"

Acabei de colocar novas atualizações na saga de "Como o PiG noticiaria Guerra nas Estrelas", agora referente ao terceiro capítulo, "O Retorno de Jedi".

Confiram neste link.

Abertura da Confecom Lula da seu recado ao PiG

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ego inflado: Meu blog tem visitantes ilustres!

Estava eu dando uma checada nas estatísticas de meu blog quando me deparei com vários visitantes oriundos do orkut. Clicando no link, deparei-me com minhas paródias de "Como o PiG noticiaria Guerra nas Estrelas" postadas em comunidades de ficção científica por ninguém menos que Antônio Luis M.C. da Costa, jornalista fera que escreve na excelente Carta Capital, o nosso antídoto contra o PiG!



Confesso que fiquei atônito por saber que meu blog recebe tão ilustre visita. Tentei contactar o Antônio pelo orkut mas não consegui, então resolvi postar esse texto e repartir meu ego inflado com todos.

E, Antônio, se estiver por aí, mande um sinal de fumaça!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Trilha sonora: "Avatar", de James Horner

MAIS DO MESMO

Trilha é grandiosa e bem produzida, porém pedestre, medíocre, sem inspiração e uma colcha de retalhos dos trabalhos anteriores do compositor James Horner

- por André Lux, crítico-spam

É sempre difícil escrever sobre uma trilha sonora sem antes ter visto o filme, afinal a música foi composta para acompanhar as imagens. Todavia, as trilhas realmente boas são aquelas que mantém o interesse mesmo desconectadas das imagens. Infelizmente, esse não é o caso de “Avatar”, de James Horner, autor de centenas de trilhas, entre elas “Titanic” (pela qual ganhou o Oscar), “Aliens”, “Krull” e “Willow”. A decepção é ainda maior depois que descobrimos que ele teve quase um ano para compor a música do novo filme de James Cameron, algo que é um verdadeiro luxo na frenética realidade da indústria cultural estadunidense, onde a maioria dos compositores tem no máximo algumas semanas para finalizar o trabalho.

Também é impossível falar de James Horner sem esbarrar naquilo que é o seu defeito mais insuportável: o auto plagiarismo. Via de regra, o sujeito simplesmente coloca para tocar uma faixa ou um tema que compôs para outra trilha em sua nova obra, na maior cara de pau! Se você não acha isso estranho, então imagine se em toda trilha nova do John Williams aparecesse o tema do Darth Vader de repente, sem mais nem menos... Pois é, não estou falando aqui de estilo ou referências, mas de cópia pura e simples!

“Avatar”, assim como outras trilhas de Horner (principalmente as mais recentes), é uma verdadeira colcha de retalhos de seus trabalhos anteriores, mais especificamente “Titanic” (a melodia central é a mesma usada para acompanhar a letra “Near, far, wherever you are” da canção que compôs para Celine Dion!), o coral de “Tempo de Glória” (nas faixas “Climbing Up Iknimaya” e “Jake’s First Flight”), a flauta Sakauhachi japonesa de "Willow", as vocalizações eletrônicas de “Tróia” e as orquestrações tribais que usou em “Apocalypto”. Isso, claro, sem falar do infame “tema de quatro notas para perigo”, no qual a orquestra canta “Ta-na-na-naaaaam”, que o cidadão usa em quase todas as suas trilhas desde 1980 - era o tema do Khan em “Star Trek II”, do General Kael em “Willow” e do nazista vilão em “Círculo de Fogo”, só para citar os usos mais óbvios!

Não há um momento de brilho em “Avatar” que lembre as melhores trilhas para filmes de ficção ou fantasia de Horner (como “Krull”, "Cocoon" ou “Brainstorm”). Tudo é grandioso e bem produzido, porém pedestre, medíocre, sem inspiração. Nem mesmo as músicas de ação, como a faixa “War”, chegam a empolgar e Horner ainda piora tudo usando umas baterias eletrônicas e orquestrações pesadas que deixam tudo com jeito de cópia do abominável Hans Zimmer. Para piorar, ainda temos uma canção mela-cueca atroz, que bebe direto de “Titanic”, encerrando a trilha

Eu que acompanho a carreira de James Horner desde o começo e tenho mais de 80 trilhas dele em CD posso dizer com tranqüilidade que o compositor parece não ter mais nada a dizer. Ou perdeu a inspiração ou simplesmente cansou e agora limita-se a encher lingüiça para pegar seu cheque no final do trabalho. Só não consigo entender como um diretor como James Cameron permite que o compositor que contratou para musicar seu filme preencha as suas preciosas imagens com partituras já usadas em outros filmes.

Musicar um filme caríssimo e cheio de fantasia como “Avatar” deve ser o sonho de todo compositor de trilhas de cinema e, tenho certeza, qualquer um se esforçaria ao máximo para atingir um nível excelente de complexidade e originalidade – ouçam, por exemplo, a maravilha que Howard Shore compôs para a trilogia “O Senhor dos Anéis” ou a ótima partitura que Michael Giacchino criou para o novo "Star Trek". Já Horner foi na contramão e produziu mais do mesmo de sempre. Como eu disse antes, pode ser que a trilha de “Avatar” seja funcional junto com o filme (e duvido que vá além disso), porém como peça de música independente é uma grande e barulhenta decepção.

Cotação: * *

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

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