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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

(ATUALIZADO) Falta de sensibilidade e humanidade Operação "Saturação" nos olhos dos pobres é refresco!

Fiz algumas alterações no texto abaixo, pois achei que ficaria mais coerente assim.

Eu fico impressionado quando vejo pessoas ditas normais elogiando operações truculentas da polícia como as chamadas “Saturação” feitas em favelas de São Paulo e recentemente no bairro Jardim São Camilo de Jundiaí.

Não estou dizendo aqui que o tráfico de drogas não deva ser combatido com veemência, mas sim que os abusos praticados pela polícia contra pessoas pobres são simplesmente injustificáveis. Uma coisa é a PM atuar contra suspeitos descobertos por meio de investigações feitas por sua área de Inteligência, outra é tratar todo mundo como bandido e constranger todo e qualquer cidadão que more naquela área investigada e, mais grave, invadir e revistar suas casas sem qualquer tipo de mandato judicial ou justificativa plausível.

Se você que me lê, provável membro da classe média, acha isso correto, então imagine que a PM resolvesse também cercar as regiões onde existe suspeita de consumo de drogas. Assim, a operação “Saturação” da vez seria realizada em seu bonito bairro ou no seu condomínio fechado de alto padrão! Que tal?

Imagine que, toda vez que você tivesse que sair da sua casa, a PM te mandaria parar, descer do carro e te encostaria na parede, enquanto revistaria-o da cabeça aos pés com truculência. O mesmo aconteceria com o seu pai, sua mãe e seus irmãos. Nem mesmo sua pobre avó, que ia apenas dar um pulo no mercado, escaparia da “geral”.

Seus vizinhos e vizinhas também passariam diariamente pelo mesmo constrangimento e violência, sendo que alguns mais descolados iriam acabar levando umas pancadas dos policiais por terem “cara de maconheiro”. Na saída do barzinho da moda, todas as patricinhas e os mauricinhos com quem você convive teriam que provar para guardas furiosos e armados até os dentes que não usam drogas nem que nunca foram até uma favela comprar erva.

Não satisfeitos, os PMs também invadiriam a sua casa no meio da noite, enquanto você e sua família estivessem jantando, e virariam tudo de ponta cabeça à procura de drogas proibidas. Certamente vocês ficariam revoltados com tamanha invasão de privacidade, porém mesmo conhecendo seus direitos constitucionais, ficariam calados, caso contrário poderiam levar vários “petelecos” dos policiais ou quem saba até um tiro na nuca.

Mas, como apoiam incondicionalmente aquele político que manda na PM, jornalões e revistonas da mídia corporativa publicariam materias elogiosas às ações da polícia e mostrariam os "bandidos" consumidores de drogas proibidas sendo presos e algemados no meio da rua. Os "formadores de opinião" todos apoiariam a PM e escreveriam descando os "marginais" do seu bairro que insistem em alimentar o tráfico comprando tóxicos deles.

Imaginem a comoção que isso geraria entre seus amigos e familiares! Centenas de pessoas usando camisas brancas e abraçando lagoas contra a violência da polícia. Quando aquele político que manda na polícia aparecesse no seu bairro ou condomínio fechado anunciando planos sociais para ajudar os viciados em droga, receberia uma sonora vaia. Seu pai, que ficou louco da vida depois que um PM arrombou a porta da sua casa a pontapés e quebrou a coleção dele de vinis do Frank Sinatra, ameaça inclusive partir para a porrada! Aí, no outro dia, aquela mídia que não pode contrariar aquele governante publica a manifestação do pessoal do seu bairro numa notinha escondida dentro do jornal, mas não sem antes insinuar que a reação de vocês "pode ter sido orquestrada pelos maconheiros e cheiradores da região".

Não é difícil imaginar tudo isso, é?

Por isso que, na minha opinião, é uma falta de sensibilidade e humanidade tremenda apoiar ações absurdas como essas da polícia quando são dirigidas contra favelas ou bairros pobres, onde a maioria dos moradores é formada por trabalhadores honestos que não tem amigos na política, nem em cargos de autoridade importantes. Resumindo, pessoas que não podem dizer na cara de um policial coisas como “Você sabe com quem está mexendo?”.

Enfim, operação “Saturação” nos olhos dos pobres é refresco! Algo que o Max Gonzaga sumarizou de forma cabal em sua música "Classe Média":

11 comentários:

Ricardo Melo disse...

Não adianta tentar fazer com que a classe média "se ponha no lugar do outro".

A grande maioria não tem essa capacidade, não sabe nem o significado da palavra "altruismo".

Anônimo disse...

Você só esqueceu de dizer que as quadrilhas de traficantes estão entrincheiradas nas favelas, e não nos bairros de classe média. O alvo da polícia não é o consumidor, mas o traficante de drogas. Se é nas favelas que os traficantes se escondem, eis o lugar onde a polícia deve caçá-los. Você se ressente da inexistência de uma política indiscriminada de repressão, na qual a classe média sofra os mesmos abusos cometidos contra os pobres.

André Lux disse...

E vc, anonimozinho, esqueceu de dizer que quem compra dos traficantes malvados que estão nas favelas são na imensa maioria os playboys da classe média alta. Sem eles não existira o tráfico que vocês direitosos acham que é a causa de todo mal no mundo. Sem dizer que muitos políticos e até juízes falso moralistas lucram e exploram o tráfico de drogas e por isso lutam contra a liberação ou outro tipo de combate ao consumo de drogas.

Sem dizer que o que fiz aqui neste texto foi apenas um exercício de imaginar uma realidade paralela, onde a polícia usasse a força e a violência contra todas as camadas sociais.

Obviamente, na realidade em que vivemos nenhum governante de direita seria louco o suficiente para mandar sua força policial truculenta dar "Sufoco" nos bairros de classe média alta e das elites, pois é para eles que governam (mantendo seus privilégios intactos) e é por eles que são sustentados.

Ricardo disse...

Criticar é facil, sugerir é mais dificil, o que fazer para combater os traficantes extremamente armados?

entrar nas favelas carregando flores????

Daniel Lopes disse...

Parabéns pelo blog. Se puder, passa no meu:

www.blogdodaniellopes.blogspot.com

abr!!!

Christian disse...

Drogas são um problema de saúde, não de segurança pública.
Porém, para manter a população com medo e sem reclamar, nada melhor que um estado policial. Com a eterna desculpa de "fazer o bem ao povo", nem que seja na base da botinada.
Se você trata o cidadão feito cachorro, ele vai responder feito cachorro. Pavlov tinha razão.

Em tempo: o Serróquio já botou o rabinho entre as pernas, no primeiro contraditório do Ciro http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4008550-EI7896,00-Apos+ataque+de+Ciro+Serra+diz+que+nao+entra+no+baixo+nivel.html

Pedro Monteiro disse...

Que tal Urbanizar as favelas, abrir ruas, fazer escolas, áreas de lazer, levar agua e esgoto, levar o poder publico para perto das pessoas, fazer creches e postos de saúde.
Fazer conjuntos habitacionais pequenos e perto dos centros, mantendo assim as pessoas perto dos seus trabalhos e inseridas na sociedade.
Soluções não faltam meu amigo, faltam pessoas com coragem de aplica-las.

Pedro Monteiro

Ricardo disse...

Pedro, suas soluções são muito bonitas no papel, mas pratica é bem diferente.

Priscila disse...

é caro Andre se para vc tudo isso é um absurdo,imagine eu que cresci dentro do 11°BPMI e corpo de bombeiros com meu pai e ter sido abordada por dois vergonhosos Policiais que trabalham na 1ª cia do 11º com a arma em punho para verificar cinto de segurança e pior empunhada na direção da cabeça de meu filho de 13 anos.

E na segunda cedo ir a São Paulo e ter que olhar foto de Policias ,aquilo me doeu.

Imaginem o que eles não fazem com quem não conhece os procedimentos corretos de uma abordagem.

Eles trabalham, na mesma companhia que meu marido e na mesma equipe pode.

PARA QUEM SE INTERESSAR EXISTE UM ESTATUTO DO SEDH DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA QUE ESCLARECE AS FORMAS CORRETAS DE ABORDAGEM POLICIAIS.

Pedro Monteiro disse...

Ricardo,
É ai que você se engana, existem experiências bem sucedidas em Diadema e Santo André, fora muitas outras pelo Brasil, eu trabalhei nelas e vi os resultados.
Você precisa conhecer este tipo de trabalho, e não é na teoria, é na prática.
Se quiser algumas dicas de leitura estou a disposição.
Pedro Monteiro

JRB disse...

Aqui em Ribeirão Preto cansei de ver policiais abordando pessoas pobres ou negras sem motivo nenhum na rua. Concordo que há muita discriminação sim.

Seu exercício tentando imaginar o que aconteceria se a pimenta fosse no olho da classe média é válido. Só que eu concordo com o Ricardo Melo: essa turma não sabe o que é se imaginar no lugar do outro, ponto final. Enquanto a realidade ficar da porta do shopping (ou do clube) pra fora, eles pouco vão se importar. Vivem de aparências.

Aliás, André, uma dica: não me lembro de nenhum post seu falando de consumismo, ou do impacto que o mercado publicitário tem na alienação da classe média. A meu ver esse é um dos fatores mais importantes para distanciar as pessoas da reflexão política e social.

Um exemplo é o assédio que o Sistema Único de Saúde (SUS) sofre da publicidade do setor privado farmacêutico, que visa o lucro acima de tudo e tem no marketing um dos seus mais importantes sustentáculos.

Abs;

Cybershark

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