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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Alê Porto analisa: A saída de dois senadores do PT

Não podemos ter receio das 'contradições da sociedade', pois é ela que nos alimenta todos os dias. Na verdade, a crítica da atuação do partido na crise do Senado é uma triste capitulação de alguns senadores à chamada 'opinião publicada'. Essa, senadora, que lhe incensa agora, mas que não pensará duas vezes em lhe humilhar (como já fez várias vezes quando era ministra) se sua candidatura não estiver servindo aos seus propósitos.

- por Alê Porto

Ontem, dia 19 de agosto de 2009, o Partido dos Trabalhadores perdeu dois senadores de sua já mirrada bancada. Pela manhã a senadora e ex-ministra Marina Silva finalmente botou um ponto final na já irritante novela de sua migração para o Partido Verde, dos deputados federais Zequinha Sarney (MA), Vittorio Medioli (MG) e Fernando Gabeira (RJ).

Eu tenho uma militância ecológica já de algumas décadas, mas nunca me imaginei filiado a um partido que, em tese pelo menos, tenha uma bandeira temática por mais relevante que ela seja. A questão ambiental não pode estar desassociada a outras lutas, como inclusão social e redução da pobreza. O ministro da Cultura Juca Ferreira, filiado ao PV, foi muito feliz quando disse nessa tarde que "a sustentabilidade tem que ser articulada com outras demandas humanas. Os ambientalistas não podem ter uma postura da luta por uma causa tão transcendental que substitua as outras".

E por isso, mesmo me considerando um defensor da causa ambiental, nunca troquei o PT pelo PV. Nunca defendi um Partido da Educação, um Partido da Infra-Estrutura, um Partido da Cultura por mais relevantes que sejam esses temas. O PT, ao contrário, sempre incorporou todas essas frentes. Numa panorâmica do Brasil, mesmo que superficial, eu percebo que nosso maior desafio não é o ambiental, mas a exclusão social e a miséria, que são causadores em grande parte de nossas mazelas ambientais. Longe de mim querer minimizar o grande desafio ecológico desse milênio, mas ainda temos chagas mais profundas e urgentes a enfrentar, além disso, também não posso concordar com os que acreditam que a questão ambiental não está tendo um tratamento sustentável com o ministro Carlos Minc. Seu foco na inclusão dos trabalhadores e nas mazelas urbanas tem que ser incentivadas com entusiasmo. Minc coloca com muita propriedade o saneamento ambiental um alvo prioritário de sua gestão.

Por isso, antes de tentar desmoralizar a opção de Marina (que eu considero equivocada), prefiro destacar o papel de quem fica no PT e no governo. Por fim, concordo com o presidente do partido Ricardo Berzoini quando ele afirma que o partido não deveria tomar seu mandato na marra, mas ao mesmo tempo espero que ela tome essa iniciativa. Esse mandato é do PT e o presidente Lula está precisando de senadores mais compromissados com a defesa do governo contra os ataques da oposição escrita, falada, televisionada e política. É o que eu espero dela em nome de sua coerência.

Quanto ao senador paranaense Flávio Arns, ao contrário, deve ter o seu mandato reivindicado pelo partido, justamente pela forma vergonhosa como anunciou sua saída. Nós é que temos vergonha de vossa excelência, senador. Não que ele faça alguma falta, pois o Brasil mal notou sua passagem pela Câmara Alta nesses anos. O que esse senador fez, o que ele falou, que projetos relevantes aprovou? Ele já sabia que dificilmente teria legenda para voltar ao senado em 2010, pois o PT do Paraná já decidiu pela candidatura de Gleisi Hoffmann.

Arns era tucano, secretário de educação do governo Álvado Dias (PSDB-PR) nos anos 1990. Deixou o PSDB quando não aceitou retirar sua assinatura de uma CPI que investigaria o governo Fernando Henrique Cardoso. Com ele saíram os irmão Álvaro e Osmar Dias. O mínimo que se poderia dizer de Arns é que ele após tantos anos, ainda não entendeu o que é, e qual o preço a ser pago pela governabilidade. Ser governo tem ônus e bônus e todos sabem que para políticos como Arns nada melhor do que ser oposição, sem ter a menor responsabilidade sobre os destinos da nação.

Precisamos sim fazer um grande desagravo ao ministro Carlos Minc e colocar esse projeto de senador Flávio Arns em seu devido lugar, qual seja o limbo da história.

Acabo de ler um infeliz entrevista da senadora Marina Silva que sou obrigado a comentar.

Em entrevista à Jovem Pan, Marina Silva lamentou que o Partido dos Trabalhadores confunda seus ideais com o governo Lula. "Confundir o partido com o governo faz com que se veja envolto em contradições e prejuízos, não só para o partido, mas para questões da sociedade. É correto trabalhar a governabilidade, que não é algo que se possa conquistar a qualquer custo e preço. Tem que se respeitar a autonomia do partido. O PT tem uma contribuição na luta pela inclusão social e defesa dos direitos humanos, além da redemocratização do país. Ao se deparar com a realidade de dar sustentação ao governo, se depara com a realidade de contradições que está vivendo", reiterou.

Como assim não confundir o partido do presidente da República com seu governo? Não há confusão possível, pois esse é o governo do Partido dos Trabalhadores. Pode não ser o governo acalentado por nossas utopias históricas, em parte porque precisamos reavaliar algumas dessas utopias e em parte porque o partido não deu ao governo maioria parlamentar que pudesse garantir liberdade de ação.

E o que governo Lula tem de mais próximo da utopia petista é justamente a 'luta pela inclusão social e defesa dos direitos humanos, além da redemocratização do país'. Se a senadora não reconhece isso já deveria estar fora do partido há alguns anos, pois nesse campo as conquistas do governo vêm de há muito tempo e é o que garante os altos índices de popularidade do presidente Lula. A inclusão social é a nossa grande utopia e se tem uma área na qual o PT deve se orgulhar em se confundir com o governo é essa.

Não podemos ter receio das 'contradições da sociedade', pois é ela que nos alimenta todos os dias. Na verdade, a crítica da atuação do partido na crise do Senado é uma triste capitulação de alguns senadores à chamada 'opinião publicada'. Essa, senadora, que lhe incensa agora, mas que não pensará duas vezes em lhe humilhar (como já fez várias vezes quando era ministra) se sua candidatura não estiver servindo aos seus propósitos.

E agora a senhora precisará agora do PV para lhe defender.

3 comentários:

mariazinha disse...

Adorei seu texto. Exatamente o que desejaria falar.
Parabéns!

Anônimo disse...

O Bigardi pode sair do PT, mas a Marina e o Flávio Arns não pode? Estranho isso não? Já faz tempo que esse jogo do poder pelo poder ultrapassou alguns limites. Ninguém é puritano mas também não podiam ter exagerado, esse é o problema, a militância não aceita e não é por causa do PiG não, é por causa da vergonha mesmo, fazer de tudo, até livrar o Renan e agora o Sarney só para ficarem com a infidelidade do PMDB em todos os estados. Sair do PT não é a solução, nem para a Marina e nem para o Bigardi, não acham?

André Lux disse...

As pessoas podem sair do partido que quiserem e entrarem para os partidos que quiserem. A diferença entre elas é se continuam sendo coerentes com suas ideologias e lutas de vida. Ou seja, se saem de um partido e vão para outro onde possam continuar defendendo os mesmos ideais. O Pedro Bigardi é um exemplo disso. Já os outros, infelizmente, não podem dizer o mesmo, não é?

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