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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Universo paralelo: E se fosse na sua casa que caíssem os mísseis de Israel?



Os conflitos que acontecem no Oriente Médio são de difícil compreensão até para quem tem profundo conhecimento da história da região, pois envolvem disputas milenares por supremacia política, religiosa, comercial e tudo mais que diz respeito à condição humana.

Por isso, qualquer tipo de simplificação usada para tentar explicar o que ocorre por lá, do tipo “luta do bem contra o mal, de heróis contra bandidos ou de terroristas contra defensores da liberdade” é uma temeridade, quando não uma estupidez ou simplesmente canalhice. O que, convenhamos, não deveria acontecer na análise de qualquer tipo de conflito, seja lá onde for.

Mas, uma coisa é certa: massacre é massacre em qualquer lugar do mundo. O fato de a imprensa corporativa usar o termo “guerra” para descrever o que acontece hoje na faixa de Gaza já mostra bem a serviço de quem estão seus “jornalistas”. 

Como assim, guerra? Como pode haver guerra se o que vemos é um exército a serviço de um Estado atacando uma ocupação humana que nem mesmo governo pode ter, quanto mais um exército?

Outro dia, olhando (com nojo) a capa da Folha de S.Serra na banca, li uma chamada para um artigo de um sujeito que defendia o massacre dos palestinos fazendo a seguinte alegoria: imagine se o Uruguai e outro país vizinho declarassem guerra ao Brasil. Não teríamos nós, brasileiros, o direito de revidar a fim de garantir nossa sobrevivência?

Sinceramente, essa foi uma das coisas mais estúpidas que já li na vida. E olha que só o li o título e a chamada. Imagine o resto... Como assim, comparar uma declaração de guerra feita por um Estado contra outro Estado ao que ocorre em Gaza?



Lá assistimos a uma máquina de guerra oficial equipada com o que existe de mais moderno (e caro) no mundo em armamentos esmagando milhares de civis desorganizados que, no máximo, lançam uns foguetes a esmo em direção ao inimigo. Isso quando têm foguetes, pois o que mais vemos mesmo são pessoas jogando paus e pedras em tanques de guerra, antes de serem trucidadas por um míssil de longo alcance ou por uma bazuca!

Antes de me chamar de louco, anti-semita, nazista ou qualquer outro adjetivo idiota que os extremistas de direita usam para tentar denegrir quem ousa discordar de suas “verdades únicas” (até porque existem muitos judeus que são contra o Estado de Israel, enquanto outros recusam-se a entrar para o exército e por isso são presos), permita-me fazer uma alegoria parecida com o sujeito que escreveu para a Folha para tentar esclarecer meu ponto de vista.

O que acontece hoje na faixa de Gaza seria mais ou menos o seguinte. Imagine que um belo dia, um militante do PCdoB revoltado com as injustiças do mundo, explodisse uma bomba na embaixada dos EUA em São Paulo. Então, indignados com tal ato que feriu alguns de seus funcionários e danificou sua propriedade, os EUA declaram guerra ao... PCdoB e a todos os seus militantes, filiados e simpatizantes! E, no dia seguinte, começam a lançar mísseis e bombas sobre tudo que cheira a PCdoB em território brasileiro.

- Sabe aquele prédio de 20 andares em cujo 8º ficava a sede do PCdoB no Rio de Janeiro? Já virou escombros.

- Sabe aquele deputado Federal do PCdoB que mora na casa ao lado da do seu pai em Florianópolis? Já foi morto e a casa dele (junto com todas as outras casas do quarteirão, inclusive a do seu pai que só vota no PSDB) já foi reduzida a cinzas fumegantes.

- Sabe aquele blogueiro socialista que postava mensagens a favor de justiça social e contra o imperialismo dos EUA de um escritório que ficava no 5º andar daquele prédio no centro de Fortaleza? Já foi devidamente silenciado, depois que um avião estadunidense lançou toneladas de bombas sobre a edificação que agora não passa de um monte de ferro retorcido.

- Sabe aquele vizinho seu que era simpatizante do MST? Já era. Foi atingido por morteiros contendo fósforo branco disparado pelos bravos marines enquanto trabalhava como enfermeiro na maior maternidade de São Paulo. Metade do prédio veio abaixo devido à violência das explosões, inclusive a ala onde ficavam abrigados os recém-nascidos.

E por aí vai...

Mas, peraí, e todas as pessoas (incluindo velhos, mulheres e crianças) que não tinham nada a ver com os malvados comunistas e que também foram mortas durante os ataques ou tiveram suas propriedades reduzidas a pó? 

“Bem, sentimos muito, são os chamados ‘collateral damage’, coisas tristes da guerra que ninguém tem culpa, exceto os terríveis terroristas que nos provocaram... O importante é que os vilões estão sendo neutralizados pelos ‘ataques inteligentes’ feitos em nossa ‘incursão’ pelo Brasil e a democracia será em breve restaurada”, explicam os porta-vozes de Washington...

Absurda minha alegoria, não? Com certeza, para quem vive numa terra privilegiada como a nossa deve ser mesmo. Mais um motivo então para que nós, privilegiados cidadãos de um Estado democrático pacífico, fiquemos indignados com o que estão fazendo lá na faixa de Gaza, não é mesmo?

Ou será que você só vai conseguir se colocar no lugar dos oprimidos quando a água bater na sua própria bunda?

Veja as fotos abaixo. Elas falam por sí mesmas (embora eu ainda dei mais uma força para você entender o que realmente está acontecendo por lá).





8 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns. Bom texto em linguagem simples e eficaz. Gostei e recomendarei.

Inté,
Murilo

Carlos disse...

caro andé,
cada momento que vejo nesse massacre, mais me convenço que a única solução duradoura para o oriente médio seria um só estado, necessariamente laico, diga-se de passagem, com dois povos, duas línguas oficiais, árabe e hebreu, e uma franca, a inglesa.
está dando certo na áfrica do sul.
seria ingenuidade ou tô ficando doido?
abçs

ps: ontem vi na globo que a comissão eleitoral de israel proibiu a participação de partidos árabes-israelenses nas próximas eleições de fevereiro.insanidade total, meu caro.

monica disse...

seria engraçado se não fosse nojento ver na tv os jornalistas falando a todo momento "a ofensiva israelense contra o grupo extremista hammas" (sim, a frase é sempre esta)...para mim o conceito de extremo é bem claro na atitude israelense...de extrema violência, ignorância, desumanidade!!

parabéns pelo texto e até mais!

Jurandir Paulo disse...

Parabéns, ótima didática.

Você leu a Cora Rónai? Se tiver fígado tente, comentei em meu blog:

http://abundacanalha.blogspot.com/2009/01/os-protocolos-da-sbia-cora-rnai.html

Bira disse...

André, pegue minhas charges pra postar aqui no seu blog!
Abraço

Anônimo disse...

Caro,

Extra! Urgente! Atentado ao delegado Protógenes! Dantas e quadrilha tentam assassinar o delegado federal! Vejam no blog do Igor: http://alexeievitchromanov.zip.net

Anônimo disse...

Olá André.
Parou de atualizar o cyber boteco, porq?

Uso dizer q, qdo a coisa é boa prá tantos, nao dá saudades, faz falta.
Volte a compor e postar - precisamos continuar des-construindo a des-mídia q temos (será q "temos"?, acho q qem tem sao eles).

Inté,
Murilo

jose carlos lima disse...

Caríssimos, estou me dirigindo a este espaço que adoro para protestar contra uma injustiça, mais uma, mais uma injustiça praticada por causa de pré-conceitos que nos levam a ver uma coisa no lugar da outra, como dizem, este estado de espírito que nos fazem ver chifre em cabeça de cavalo. Estou me referindo à nova prisão da artista Caroline Pivetta da Mota, mais uma vez uma injustiça. Não podemos compactuar com isso. Aqui o link http://josecarloslima.blogspot.com/2009/01/artista-caroline-pivetta-da-mota-mais.html#links

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