segunda-feira, 21 de julho de 2008

Partido da Imprensa Golpista Brasileira: O pior "jornalismo" do mundo

Quando a gente diz que o PiG (Partido da imprensa Golpista), além de corrupto e reacionário, produz o pior jornalismo do mundo tem gente que fica nervoso.

A prisão do banqueiro Daniel Dantas, como já escrevi mais abaixo, mostrou bem a quem servem os barões da mídia corporativa e seus lacaios nas redações - com raríssimas e honrosas excessões. Só quem se informa pela imprensa independente (que não coloca o lucro acima de tudo e de todos) - principalmente a revista Carta Capital - sabia quem era o "orelhudo".

Eu, que assumo publicamente ser petista em respeito àqueles que não gostam de ser tratados como otários, já sabia que era Dantas o mentor do tal do "mensalão". Ou seja: foi ele que, via seu testa-de-ferro Marcos Valério (que é cria do Senador Eduardo Azeredo, do PSDB), injetou dinheiro para ajudar a saldar as dívidas que o partido contraiu irresponsavelmente nas campanhas eleitorais. Mas por que ele fez isso? Óbvio: para ter poder de chantagem sobre os figurões do PT em caso de alguém tentar barrar seus esquemas de corrupção.

E foi o que aconteceu, graças à burrice ou ingenuidade de alguns petistas que acharam estarem cobertos, já que Valério era cria dos tucanos e, portanto, teriam um trunfo na mão caso o esquema vazasse para a imprensa. Santa estupidez! Como se o PiG não fosse dar um jeito de esconder a sujeira do PSDB e mostrar só a do PT... Dito e feito.

Mas, onde é que você leu isso no PiG? Em lugar nenhum. O nome de Daniel Dantas jamais foi ligado ao besteirol do "mensalão" no noticiário do PiG. Inclusive, quando o banqueiro depôs na CPI dos Correios, ficou aquele clima de constrangimento no ar, com os sabujos do imprensalão tentando fingir que não sabiam direito quem era aquele sujeito...

Agora, que Dantas foi preso e a casa caiu para ele e seus comparsas frente à opinião pública, o PiG foi obrigado a jogar seus holofetes nele, mas daquele jeito que só eles sabem fazer: fingem que o banqueiro não existia antes de Lula chegar ao poder e tentam a todo custo jogá-lo no colo do governo petista como mais uma prova dos "maiores esquemas de corrupção da história do Brasil". Só rindo mesmo...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Fique por dentro: Conheça a origem do Daniel Dantas

O texto abaixo foi escrito por Miguel do Rosário, no blog Óleo do Diabo.
Leiam e recordem:

"[...] Como surgiu Dantas?

Reproduzo abaixo um diálogo, interceptado pela PF, ainda no tempo de FHC, entre Ricardo Sérgio, diretor do BB, e um ministro de Estado, o Luiz Carlos Mendonça de Barros:

"Mendonça de Barros - Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?

Ricardo Sérgio - Acabei de dar.

Mendonça de Barros - Não é para a Embratel, é para a Telemar [nome de fantasia da Tele Norte Leste].

Ricardo Sérgio - Dei para a Embratel, e 874 milhões para a Telemar. Nós estamos no limite da irresponsabilidade.

Mendonça de Barros - É isso aí, estamos juntos.

Ricardo Sérgio - Na hora que der merda, estamos juntos desde o início.

*
E assim Dantas, com dinheiro emprestado pelo BNDES e fiança do Banco do Brasil, iniciou seu império no mundo das telecomunicações. Lembrem que, nesta época, o setor telefonico estava às margens de profunda revolução tecnológica. As empresas que receberam, de bandeja, o patrimônio comunicacional braileiro, ganharam uma mina de ouro virgem, ainda não explorada.

Quem sabia disso? Quem sabia que o setor de telecomunicações viveria uma revolução, com a entrada dos celulares e das novas tecnologias de fibra ótica e aparelhos sem fio? Alguns figurões do governo sabiam, e mesmo assim venderam nosso patrimônio a preço de banana. Não sou contra a pritazação da telefonia brasileira, mas ela poderia ter sido feita com exigências de contra-partidas que promoveriam importantes lucros sociais ao país. [...]"

Leiam o texto complete neste link.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Caiu a máscara: A diferença entre Jornalismo e Shownalismo

A prisão do banqueiro mafioso Daniel Dantas, que ficou bilionário durante as privatizações fraudulentas do governo FHC, acabou tornando-se um verdadeiro divisor de águas para quem acompanha de perto os movimentos da imprensa brasileira.

Depois de passar anos ignorando sumariamente ou tratando Dantas como um "gênio das finanças", a imprensa corporativa (que visa o lucro acima de tudo e de todos) finalmente deu destaque às falcatruas dele. E isso só porque ele foi preso pela Polícia Federal, junto com o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Ou seja, não tinha como ignorarem de novo. Deve ter sido uma enorme surpresa para quem só consome esse tipo de mídia para ficar "informado"...



Já para quem está acostumado a procurar informação em outro tipo de imprensa, aquela não comprometida com a defesa incondicional do "deus-dinheiro", Daniel Dantas é figurinha carimbada desde 1998, quando saiu a primeira capa sobre ele na Carta Capital.


E a revista comandada pelo jornalista Mino Carta nunca se furtou em mostrar as ligações do banqueiro mafioso tanto com tucanos, quanto com petistas - ao contrário do resto do PiG (Partido da Imprensa Golpista) que tenta vender Dantas apenas como o mentor do tal de "mensalão", fingindo que ele não tem nada a ver com os escândalos da era FHC.

A revista Fórum também já trouxe reportagens sobre Daniel Dantas em setembro ("O verdadeiro escândalo" ), novembro de 2005 ("Veja e decida: foi Opportunity?") e abril de 2008 ("A BrOi e Daniel Dantas me demitiram").

Isso sem falar no trabalho corajoso de jornalistas como Paulo Henrique Amorim, Bob Ferndandes e Luis Nassif, que também denunciam as tramóias do "orelhudo" há tempo.

No site da Carta Capital, um editorial prá lá de irônico acaba de ser publicado, tratando exatamente deste assunto. Seria cômico se não fosse trágico. Confiram:

Viva o 'jornalismo investigativo'

O resto da imprensa 'descobre' agora o que CartaCapital contou há mais de dois anos. Trágico ou patético?

O jornalismo “investigativo” brasileiro manifesta-se, em todo seu esplendor, nestes dias posteriores à Operação Satiagraha. Os bravos repórteres dedicam-se à estafante tarefa de recortar e colar partes do relatório parcial da Polícia Federal – ou reproduzir informações assopradas de afogadilho por alguma fonte com acesso privilegiado às investigações.

Análise, interpretação dos trechos truncados? Seria demais esperar isso, como seria demais que se dessem ao simples trabalho de checar se determinados “furos” já não são de conhecimento até do mundo mineral. (Clique na imagem ao lado para ver a reprodução das capas citadas)

Algumas das tantas “reportagens” que brotam na extensa cobertura da chamada “grande imprensa” foram relatadas em várias edições de CartaCapital em passado não tão longíquo. Era o auge do escândalo do “mensalão” e o dito jornalismo investigativo andava mais preocupado com o dinheiro na cueca de um assessor parlamentar no Ceará e os supostos dólares de Cuba.

Para facilitar o trabalho deste time de investigadores da imprensa, agora heróis da liberdade e da apuração exaustiva, a revista lista a seguir as edições onde eles podem achar mais informações para enriquecer seu trabalho. Bom proveito.

Continue lendo o texto neste link.

Prestigie a mídia independente: Minhas fotos na Fórum de julho!

O novo exemplar da revista Fórum já está nas bancas.

E, para minha satisfação e orgulho, algumas das fotos que tirei durante o Fórum Mídia Livre estão sendo publicadas para ilustrar a matéria do Anselmo Massad sobre o evento.

Vejam abaixo uma amostra da reportagem com minha foto.

Não deixe de comprar! Prestigie a mídia independente.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Diga Não às Drogas: DIGA NÃO AO PiG!


Clique na imagem para vê-la em tamanho real

A casa vai cair: Mafiosos do PiG na mira da Polícia Federal

A casa do PiG começa a cair de vez.

Só os muito ingênuos ou realmente mal-intencionados vão continuar tentando defender os jornalistas-canalhas do imprensalão em nome de uma suposta "liberdade de impresa" - que de liberdade não tem nada, mas de "libertinagem" tem tudo.

Depois de todos os acontecimentos "dantescos" que se desenrolaram bem em baixo dos nossos narizes neste último final de semana, não dá mais para tolerar essa situação. É a própria (frágil) democracia brasileira que está em jogo.

Não se trata mais de jogo político ou partidarização. Tem gente de todos os partidos (principalmente, é óbvio, dos de direita) envolvidos nessa máfia que tomou conta do Brasil a partir do governo do príncipe dos sociólogos, o infame Fernando Henrique Cardoso.

É por isso que eu sempre digo e repito aos esquerdistas metidos a puritanos: cuidado com esse negócio de ficar dizendo e escrevendo "o PT isso" ou "o PT aquilo", pois o Partido dos Trabalhadores não é formado por uma gigantesca entidade unicelular que sai por aí agindo e sim por milhares de pessoas que se unem sob uma mesma ideologia. E, como toda organização do gênero, está passível de abrigar tanto gente bem intencionada quanto canalhas ou simplesmente tolos.

É por isso que precisamos da fiscalização de uma imprensa séria e honesta, que assuma suas posições ideológicas abertamente em editoriais e deixe o espaço das notícias livre de distorções e manipulações que visam apenas enganar os incautos que acreditam na ladainha do "jornalismo imparcial", criada para enfiar goela abaixo das pessoas ideologias e opiniões como se fossem verdades absolutas.

Assim, apelo a todos que corram até a banca mais próxima e comprem a edição de CARTA CAPTIAL desta semana, que está antológica, principalmente nas análises certeiras das relações da máfia do Daniel Dantas com a mídia - especiamente Veja e Folha de S.Paulo.

Não deixem de ler também os artigos do Luis Nassif e do Gláuco Faria.

Nassif: PF acusa Mainardi, Veja e IstoÉ Dinheiro de colaborarem com organização criminosa

Faria: Folha ataca Protógenes para proteger a mídia

Não podemos mais aguentar essa canalhice do PiG calados. Temos que reagir! E nossa reação deve começar com o prestígio a publicações e jornalistas que têm compromisso com a verdade factual, doa a quem doer, e com a honestidade intelectual. Existem inúmeros exemplos por aí. Basta você querer encontrar!

Não adiantar ficar indignado, escrever textos ácidos, assinar petições por isso e aquilo se você compra (ou assina) a Folha, da Veja ou do Estadão.

Afinal, mesmo que seja apenas uma gota de água no oceano, você está contribuindo com SEU DINHEIRO para a manutenção desse lixo ideológico travestido de informação. E, lembre-se: eles não dão a mínima para suas reclamações, protestos ou abaixo-assinados. Já o SEU DINHEIRO eles adoram...

Fora, Canalha! Assine petição pelo impeachment de Gilmer Mendes

Não leva um minuto. Entre, preencha três dados, envie e confirme.

CLIQUE AQUI PARA ASSINAR A PETIÇÃO!

Ainda que não chegue a um milhão de assinaturas para poder ter validade como ação civil pública, poderá repercutir do STF.

Para entender o problema, o Judiciário se divide em 3 instâncias. Uma ação judicial só chega no Supremo Tribunal Federal, quando passa pelas instâncias anteriores.

É aquilo que se conhece por recursos. A gravidade do habeas corpus dado por Gilmar Mendes não é apenas porque liberou o acusado Daniel Dantas.

O problema está em que a própria hierarquia foi escandalosamente atropelada, de forma inédita na história do judiciário brasileiro.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

É piada: Presidente do STF manda soltar Dantas de novo!

Não há o que dizer. Faltam-me palavras.

Bastou o banqueiro mafioso ameaçar contar tudo que sabe sobre a corrupção que impera no país, que o presidente do STF, um tal Gilmar Mendes, mandou soltar Daniel Dantas de novo, correndo.

Confiram o texto de Bob Fernandes, no Terra Magazine, com exclusividade:

"Vou detonar! Vou contar tudo. Tudo sobre a corrupção no Judiciário, no Congresso, na imprensa!"

O ato absurdo do "ministro" provocou uma crise institucional imediata, com a divulgação de uma carta de protesto de Juízes e Procuradores. Confiram no site do jornalista Paulo Henrique Amorim:

MENDES É O GOLPE: JUÍZES E PROCURADORES PROTESTAM

Os agentes de Dantas infiltrados no PiG (Partido da Imprensa Golpista) ficaram em polvorosa com a segunda prisão de Dantas e trataram de aumentar a carga. O jornal-esgoto Folha de S.Paulo publicou matéria falsa afirmando que o Juíz De Sanctis, que havia expedido a segunda ordem de prisão contra o banqueiro, havia feito escutas na sala do "ministro" Gilmar Mendes.

Esse é o nível do "jornalismo" que se pratica na mídia corporativa, que visa o lucro acima de tudo e de todos. E o que dá mais lucro do que se associar a um notório mafioso que tem entrada em todos os círculos do poder e conta com a proteção de ninguém menos que o presidente do Superior Tribunal Federal?

Grostesco, simplesmente. Intolerável. Meu nojo me impede de continuar escrevendo.

Jornalismo de esgoto: Mídia esconde relação Dantas-PSDB

Tem gente que reclama quando eu digo que ninguém precisa enfiar a cara no meio do esgoto do PiG (Partido da Imprensa Golpista) todo santo dia para saber o que acontece em suas páginas ou transmissões. Afinal, são todos iguais (mudam só as moscas que sobrevoam suas redações) e quem já leu um, leu todos.

Deixo esse triste trabalho para quem realmente precisa fazê-lo.

Assim, reproduzo abaixo o artigo do Altamiro Borges, que trata da cobertura do imprensalão ao assunto "Daniel Dantas", não sem antes destacar o que Paulo Henrique Amorim e o Luis Nassif disseram sobre a convocação do repórter da Globo para depor na Polícia Federal. Todos eles apenas reforçam o que eu já havia opinado aqui no meu blog.

PH AMORIM:
"[...] Mas, uma pergunta que não quer calar: por que só o Tralli vai depor? Por que não convocar a repórter Andrea Michael, da Folha (da Tarde*), que publicou uma reportagem em que, com antecedência, avisou a Dantas que ele estava para ser preso. Foi essa reportagem de Michael que motivou os vários pedidos de HC de Dantas. [...] "Vazamento" por "vazamento", o que é mais grave: vazar a informação de que um quadrilheiro vai ser preso, ou vazar a imagem de uma prisão que já ocorreu?"

NASSIF:
"Esse carnaval em torno da exclusividade da cobertura da ação da Polícia Federal para o repórter César Tralli é factóide. O que está em jogo é algo muito mais amplo e profundo: a forma como Daniel Dntas conseguiu cooptar jornalistas e/ou veículos.. Cada jornal deveria se debrução sobre sua própria cobertura, se antecipar, identificar as jogadas que ocorreram e começar a limpar a área. Será a maneira da opinião pública saber diferenciar quais os veículos que foram apenas desatentos com a cobertura e quais os que se meteram nela até o pescoço."

Mídia esconde relação Dantas-PSDB

Defensora intransigente da privataria na era FHC, a mídia venal evitou vincular a fortuna obtida ilicitamente pelo mafioso com o processo da venda criminosa da estatal das telecomunicações. O seu banco, Opportunity, foi criado em 1996 e cresceu exatamente com a onda das privatizações, graças às íntimas relações com líderes do PSDB.

- por Altamiro Borges (http://altamiroborges.blogspot.com/)


A efêmera detenção de Daniel Dantas, que durou apenas um dia – bem que num dos telefonemas grampeados um serviçal do banqueiro garantiu que seu patrão temia apenas a Polícia Federal, já que no Supremo Tribunal Federal “ele resolveria tudo” – dá um baita alivio à mídia hegemônica. Afinal, ela estava fazendo de tudo para esconder as relações promiscuas entre o megaespeculador e vários tucanos de alta plumagem. A TV Globo, por exemplo, noticiou a cinematográfica prisão vinculando-a unicamente ao “escândalo do mensalão do PT”. Já a Folha de S.Paulo, da famíglia Frias, deu um título esquizofrênico na capa: “Defesa do banqueiro diz ter papéis contra o PT”.

Defensora intransigente da privataria na era FHC, a mídia venal evitou vincular a fortuna obtida ilicitamente pelo mafioso com o processo da venda criminosa da estatal das telecomunicações. O seu banco, Opportunity, foi criado em 1996 e cresceu exatamente com a onda das privatizações, graças às íntimas relações com líderes do PSDB. Nenhuma manchete para o fato do especulador ter sido diretamente agraciado pelo ex-ministro tucano das Comunicações, Mendonça de Barros, que acionou os fundos de pensão nas negociatas. Pouco destaque para outras figuras tucanas que assumiram altos cargos no Opportunity, como o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, e a ex-diretora do BNDES, responsável pela área das privatizações, Elena Landau.

Cadê a filha do governador Serra

No seu desespero para defender os tucanos, a mídia deixou de noticiar até que um dos presos na mega-operação da PF, Verônica Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, foi sócia de Verônica Serra, filha do atual governador paulista, na firma de consultoria Decidir. A empresa, que continua em atividade, registrou-se em Miami (EUA) em 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil e oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no seu site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”.

Durante a CPI do Mensalão, em 2005, a senadora Ideli Salvatti acusou Dantas de manter íntimas relações líderes tucanos, citando sua sociedade com Pérsio Arida e a empresa de sua irmã com a filha do então prefeito da capital paulista, José Serra. A denúncia causou alvoroço na época, mas a mídia venal sequer retomou o caso agora. Esquecimento ou cumplicidade? Bob Fernandes, jornalista do site Terra Magazine e o primeiro a denunciar as prisões desta semana, talvez tenha a resposta. Após anos averiguando as maracutaias do banqueiro, ele chegou à conclusão de que Daniel Dantas é “um dos personagens centrais da mais feroz e encarniçada batalha da historia do capitalismo brasileiro” e que esta “batalha feroz incluiria também jornalistas e publicações”.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Boa notícia: Daniel Dantas é preso novamente!



Deu no site da revista Fórum:

Após habeas, Justiça manda prender Dantas novamente

O juiz Fausto de Sanctis determinou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas. Ele foi libertado da sede da Polícia Federal após uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. As informações são da assessoria do Tribunal Regional Federal de São Paulo.

O habeas-corpus em favor de Dantas havia sido enviado ao Supremo no mês passado, com o objetivo de impedir uma eventual ordem de prisão ou de busca e apreensão. Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Najas são acusados dos crimes de gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas, entre outros.


O PiG e os aliados de Dantas no Congresso vão ficar novamente em polvorosa!

Em tempo: para quem não sabe ou não lembra, o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF que liberou Dantas da prisão em 48 horas, era Advogado Geral da União na época em que Daniel Dantas, FHC, PSDB e DEMo (ex-PFL) comandaram a roubalheira nas privatizações.

Azenha pergunta: Quem dava cobertura a Daniel Dantas na mídia?

- por Luiz Carlos Azenha

No escândalo do DETRAN, que enrolou a governadora Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, um detalhe que passou desapercebido pela mídia brasileira foi a acusação, contida em documentos do Ministério Público, de que a quadrilha contava com um esquema na mídia para plantar informações de seu interesse. O Marco Weissheimer, do RS Urgente, escreveu um artigo a respeito.

Agora, que a Polícia Federal alega ter desbaratado quadrilhas comandadas por Daniel Dantas e Naji Nahas, seria interessante levantar se jornalistas foram prestadores de serviço das duas quadrilhas na grande mídia brasileira. Quem são eles? Como foram pagos? Que tipo de favores prestaram e receberam?

Não contem com o PIG para isso: os jornalistas se protegem como se fossem integrantes de uma máfia. É hora da Polícia Federal agir e colocar na cadeia os jornalistas ou "comentaristas" quadrilheiros.

PS - Tentar comprar um delegado da PF por um milhão de reais aparentemente não é motivo, no Brasil, para ir em cana... Essa nossa mídia é uma comédia...

Jornalismo de esgoto: Matéria da Folha entregou "ouro aos bandidos"

O blogueiro Zé Augusto fez bem ao lembrar que o jornal golpista Folha de S.Paulo atuou em favor de Daniel Dantas e sua gangue bem antes deles serem presos. A Polícia Federal, inclusive, havia pedido a prisão da jornalista que escreveu a matéria. Confiram:

"A Folha de São Paulo ao antecipar a divulgação de informações sigilosas, antes da captura de criminosos, literalmente "entregou o ouro aos bandidos".

A notícia do jornal Folha de S. Paulo, de 26 de abril deste ano, foi peça jurídica oficial dos advogados de defesa de Daniel Dantas, para entrar com habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que negaram, em caráter liminar, o pedido.

[...] A reportagem da Folha trouxe a informação de que Dantas seria alvo de investigação da Polícia Federal pelas práticas de crimes financeiros, o que poderia culminar, inclusive, na sua prisão e na de outras pessoas.

Em vez de prestar serviço noticioso de interesse público, agiu no sentido contrário, colocando suas páginas a serviço da defesa e proteção da CORRUPÇÃO de organização criminosas."


Leia o texto na íntegra neste link.

A charge abaixo é a melhor reprenstação do jornalismo praticado nessas grandes corporações de mídia, que vendem suas ideologias travestidas de "informação".

(Atualizado) Justiça é só para os pobres: Daniel Dantas já está solto...

Como era de se esperar, Daniel Dantas já foi solto graças ao presidente do STF, Gilmar Mendes.

E o PiG, obviamente como não pode manter silêncio frente a uma operação enorme como essa, está agora fingindo que sempre cobriu os processos e os escândalos ligados ao assunto, mas dá nó em pingo de água para esconder as ligações do banqueiro com o PSDB e o PFL.

Ontem assisti um pedaço do Band News e lá estava a matéria sobre Dantas ligando ele ao "escândalo do mensalão" do PT. Nenhuma palavra sobre as ações dele antes do Lula chegar ao poder. Nenhuma...

Fiquei sabendo por meio de uma leitora que a Folha, jornal que só falava do Dantas em notinhas perdidas no meio de seus cadernos, dedicou 8 páginas aos esquemas de Dantas e sua turma!

Patético, simplesmente... Isso é o que se chama de "jornalismo de resultados", tí­pico do PiG.

Ainda bem que não perco meu tempo nem minha sanidade lendo esse lixo.

Vejam o que o blogueiro Eduardo Guimarães diz sobre o assunto:
"Apesar de a grande mídia, como era previsível, ter tentado jogar Daniel Dantas no colo do PT, conforme se vê no vídeo acima, a coluna de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo (outro veículo que tenta vincular o “gênio do mal” das privatizações ao partido do governo Lula), relata que jornalistas da Globo discordam da emissora e do resto da mesma grande mídia."

Leiam o que o jornalista Paulo Henrique Amorim diz sobre o caso:
- DANTAS: POR QUE MIRIAM QUER QUE A ORIGEM SEJA O MENSALÃO?
- DANTAS TINHA MEDO DA POLÍCIA FEDERAL: NÃO TEM MAIS
- CUIDADO, PRESIDENTE MENDES, A GLOBO JOGOU DANTAS ÀS FERAS

Bob Fernandes, que atualmente comanda o Terra Magazine, afirma que os esquemas de Dantas incluem também jornalistas e publicações:

Para o jornalista Bob Fernandes (foto), primeiro a noticiar a Operação Satiagraha, no Terra Magazine, Daniel Dantas é um dos personagens centrais na “mais feroz e encarniçada batalha da história do capitalismo brasileiro”.

Seu papel como protagonista, assinala, cresceu no governo Fernando Henrique Cardoso, especialmente na montagem do processo de privatizações no setor das telecomunicações. Essa batalha feroz e encarniçada, diz ainda o jornalista, não deixará de incluir também a jornalistas e publicações.

Bob Fernandes fala com conhecimento de causa. Como redator-chefe da revista Carta Capital, acompanhou o que chama de “outras manilhas de esgotos da história verde-amarela” por meio de reportagens especiais. Ele relaciona algumas delas:

- O caso Banestado. "O Brasil, a maior lavagem de dinheiro do mundo". Datada de 30 de maio de 1998, objeto da única - até hoje - edição extra na já longa história da revista Carta Capital. Caso este que freqüenta a investigação da PF agora em curso.

- A privatização do Sistema Telebrás e a queda de Mendonça de Barros, ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique. "Fitas Sujam o Governo", em 25/11/98. Reportagem esta que levou à queda de "Mendonção". Ali, uma das gêneses de tudo isso, assegura.

- A queda do delegado-geral da Polícia Federal, Vicente Chellotti. "Os Porões do Brasil", em 3 de março de 1999.

- As operações ilegais da CIA, DEA e FBI no Brasil, no mais das vezes, naqueles tempos, em vistoso pas-de-deux com aquela mesma Polícia Federal. (Uma dezena de reportagens de capa em Carta Capital, edições entre 12 de maio de 1999 e 21 de abril de 2004.) Alguns dos rapazes daquela mesma polícia estão de volta e operaram com denodo no caso agora em questão, e ao lado de Daniel et caterva.

terça-feira, 8 de julho de 2008

A casa caiu: PF prende Daniel Dantas, o banqueiro das privatizações

A casa caiu para Daniel Dantas. O banqueiro do Opportunity, símbolo maior das privatarias realizadas durante o governo tucano de FHC, está atrás das grades graças a uma operação da Polícia Federal.

Além dele, foram presos também o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e Naji Nahas.

A notícia foi dada com exclusividade pelo site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes:
- PF prende Dantas e organização criminosa.
- Inferno de Dantas - Um Raio X do Opportunity Fund
- Celso Pitta recebeu dinheiro vivo de Naji Nahas
- Saiba mais sobre o inferno de Dantas
- Dantas-Nahas: para entender a organização

Leia o resumo da notícia no site Vermelho: Dantas, magnata das privatizações, é preso pela PF.

Para quem só se informa pela mídia corporativa ou PiG (Partido da Imprensa Golpista), que visa o lucro acima de tudo e de todos e vende o sistema capitalista como sendo uma "lei imutável da natureza", Daniel Dantas é um ilustre desconhecido. Ou, no máximo, um empresário super bem sucedido, daqueles que saem sorrindo na capa da EXAME.

Mas, para quem busca informação na mídia independente (que tem valores mais importantes que o lucro), Dantas é figurinha carimbada. A revista CartaCapital, por exemplo, já dedicou dezenas de capas ao banqueiro que Mino Carta batizou de "orelhudo".

O jornalista Altamiro Borges resume bem o curriculo dele no artigo "Daniel Dantas, o símbolo da privataria":

"O engenheiro e economista Daniel Dantas iniciou sua meteórica trajetória capitalista na Bahia, ligado ao grupo do ex-senador ACM. Ele foi conselheiro do PFL e chegou a ser cogitado para o Ministério da Fazenda por Collor de Mello. Também foi sócio de Nizan Guanaes na agência de publicidade preferida dos tucanos. Após fazer doutorado nos EUA, trabalhou no Bradesco. Seu banco, Opportunity, começou a operar em 1996, exatamente quando ganhou impulso a onda de privatizações desencadeada por FHC. Sua fortuna desabrocha com a criminosa privataria e com suas obscuras ligações com o poder. Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central, foi seu sócio."

Dantas, inclusive, é acusado de montar uma rede de espionagem que espionou políticos petistas como Luis Gushiken e Lula, além de jornalistas como Paulo Henrique Amorim, que é um dos que mais investiga e denuncia as falcatruas de Dantas: "Leitor do PiG está perplexo. Quem é Daniel Dantas? E por que ele foi preso?".

O jornalista Luis Nassif afirma que a revista Veja faz lobby para proteger o banqueiro:

"Na série 'O Caso de Veja', leia o capítulo 'O Lobista de Dantas', mostrando o papel de Diogo Mainardi no lobby pró-Dantas na mídia, visando intimidar críticos e influenciar o Judiciário." - Leia a denúncia completa do Nassif neste link.

É sabido também que Dantas tentou se aproximar do governo Lula (direta e indiretamente) buscando manter seus tentáculos firmes no poder. Muitos afirmam que o tal do escândalo do "mensalão" foi engendrado por Dantas, via seu testa-de-ferro Marcos Valério, a fim de prejudicar os petistas que não aceitaram sua participação.

Não se espante, portanto, se a mídia corporativa (especialmente a Veja e a Folha) tentarem atrelar a prisão do banqueiro APENAS com o governo do PT, parindo assim mais um factóide que será usado para criar o "escândalo" da vez contra o governo Lula. As ligações de Dantas com o PSDB e o governo de FHC, por motivos óbvios, serão ignoradas.

Mas tanto Nassif quanto Bob Fernandes mostram que o buraco é bem mais embaixo:

NASSIF:
"1. Um de seus estratagemas, anos atrás, foi buscar aproximação com homens públicos e sociedade com seus parentes. Foi assim que sua irmã se tornou sócia de Verônica Serra, filha do José Serra. E ele próprio, Dantas, entabulou negociações iniciais com a Gamecorp do Lulinha. Como não era ainda um empresário marcado, nada há de ilegal ou imoral nos dois negócios.

2. Quando, no controle da Brasil Telecom, Dantas estava próximo de fechar com a Gamecorp, Lula foi alertado. Toninho Trevisan veio em socorro do presidente, conseguindo uma associação com a Telemar, que substituiu a associação com Dantas. Mas não a tempo de evitar que Dantas bancasse algumas operações iniciais da Gamecorp.

3. O trunfo de Dantas é tentar explorar ao máximo essa ligação com Lulinha. Tempos atrás, o Blog da Veja publicou diversos comentários “anônimos” falando de compras de fazenda de Lulinha, ora na Amazônia, ora em Araçatuba.

4. Não se sabe o que tem de blefe, o que tem de real nessa história. Mas o jogo é por aí. Não me surpreenderia se a próxima edição de Veja fosse uma capa sobre supostas ligações de Lulinha com Dantas. A própria nota de Lauro Jardim, aliás, (clique aqui) sugere a estratégia a ser seguida por Dantas e o papel a ser cumprido por Veja.

5. A incógnita do jogo é essa: Lulinha. Independentemente de ser blefe ou não, não há retorno: o governo vai ter que pagar para ver as cartas na mesa. Mas está soando blefe. (Segue link com entrevista do ainda dono da fazenda: clique aqui). "

BOB FERNANDES:
"Entenda-se, uma vez que, na praça, desinformados e desinformadas de vários matizes já excitam-se com "a volta do mensalão". Não, não é uma investigação que esbarra em maracutaias do "mensalão". É uma devassa que chega a bem antes. E chegará a bem depois. Algo muito maior, muito mais profundo e poderoso do que o mensalão. Que viceja, brota gloriosamente em meio à privatização do sistema Telebras, embora pensado antes ainda. Algo que mira também o presente e o futuro. Não, não é coisa de pés-rapados, adoradores de penosas, de pobres-diabos que recebem o "por fora" no guichê do Banco Rural - do Brasília Shopping. É fato inédito na história dos crimes financeiros. É coisa de uns 2 bilhões. De dólares. É coisa de quem montou, geriu, operou, opera o Sistema."

Muitas águas vão rolar e, podem ter certeza, muita, mas muita sujeira vai vir à tona. Por isso, fique ligado nos blogs e sites independentes para se informar sobre o assunto, doa a quem doer.

Caso contrário, vai ficar refém da manipulação e das distorções da mídia corporativa, que certamente vai dar nó em pingo de água para jogar tudo no colo do governo Lula e livrar a cara de tucanos e pefelentos envolvidos no escândalo.

Outras verdades: Um relato sobre a vida em Cuba

Para quem tem vontade de fugir do bloqueio da mídia corporativa, o texto abaixo vai trazer uma série de surpresas e novidades.

Já para os que conhecem a verdadeira história da revolução cubana e possuem um mínimo de sensibilidade e bom senso, o relato deverá provocar lágrimas nos olhos.

Para os outros que chamam Fidel Castro de "ditador" e Cuba de "um país atrasado"... bom, é para eles que são feitos a Veja ou a Folha ou o Estadão.

Boa leitura!

Uma visão sobre Cuba

O maior feito desta pequenina ilha, com um povo cheio de dignidade e coragem, terá sido o de mostrar ao mundo que e possível construir uma sociedade baseada no ser humano e não na mercadoria e na acumulação de capital. E isto ameaça o mundo capitalista, e é rejeitada pela imprensa burguesa e pelos setores médios que querem impor as condições de suas vidas para a totalidade do mundo.

- por Dirlene Marques, Economista, professora da UFMG, coordenadora do Fórum Social Mineiro

Participei de um grupo de mineiros que esteve em Cuba do dia 20 de janeiro a 5 de fevereiro de 2008, nas Brigadas de Solidariedade. A carta renuncia de Fidel e os comentários da imprensa e das diversas pessoas que encontro, me levaram a escrever este texto, considerando o que vivi, vi, ouvi, observei e estudei.

Como todas (os) brasileiras (os), influenciadas (o) pela intensa propaganda, fomos a Cuba procurando a miséria e a ditadura. E, no nosso subconsciente, o povo deveria ser muito passivo e muito bronco, para manter uma ditadura de 49 anos.

E o que encontramos? Tivemos um choque pois encontramos um povo com um nível cultural bem acima da media do povo brasileiro. Tivemos liberdade de ir e vir, de bisbilhotar, entrar em todos os lugares e de conversar com todos. Alias, ate de forma muito invasiva, entravamos nas casas, nas escolas infantis, nos n museus. Procurávamos crianças e adultos de pés no chão, mendigando, dormindo debaixo de marquises, casas miseráveis. Só então entendemos a verdade do outdoor próximo ao aeroporto: “Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma e cubana”. Outro: “A cada ano, 80 mil crianças morrem vitimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas e cubana”. E nos sabemos que milhares delas são da 8a. economia do mundo, a brasileira.

Além disto, chegamos um dia apos o encerramento do processo eleitoral, com a eleição do Parlamento, eleição não obrigatória que teve 95% de participação. E, para nossa surpresa, ficamos sabendo que o Partido Comunista Cubano não e uma organização eleitoral e portanto não se apresenta nas eleições e nem postula candidatos. Os candidatos são tirados diretamente, em assembléias publicas nas diversas formas de organizações existentes: do bairro, das mulheres, jovens, estudantes, campesinas. Que depois vão se reunindo por região, estado e finalmente, no nível nacional. Estes representantes nacionais, elegem o presidente e o vice. Todos os representantes podem ser destituíveis, a qualquer momento, pelas suas bases, caso não estejam respondendo ao projeto de sua eleição. E vimos como 46% dos eleitos são mulheres (no Brasil conseguimos as cotas de 30% para disputar e não eleitas). As estruturas de funcionamento são mais próximas de uma democracia direta. Parece-me um contra-senso chamar este processo de ditadura. Seguramente, e diferente da democracia burguesa, onde apos colocar o voto na urna finda a obrigação do eleitor. Os críticos valem-se da mágica de que “o que e bom para os EUA e bom para o resto do mundo”. Desconhecem, e não querem que seja conhecido, outro processo de participação popular, como o Cubano.

Tentando também entender o que víamos, um povo simples e culto, simpático e sem stress, procuramos estatísticas: alfabetização de 99,8% (no Brasil 86,30%) e que de 1959 a 2007, a quantidade de escolas passou de 7.679 a 12.717, os professores passaram de 22.800 para 258.000, com uma população em torno de 11 milhões de habitantes sendo o pais que o maior índice de professores por habitante do mundo. No IDH 2007 da ONU, o Brasil comemorou o fato de figurar em 70º lugar. Cuba figura em 51º lugar. O país conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2 milhões (1 médico para 160 habitantes); índice de mortalidade infantil de 5,3 para cada 1.000 nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27); 800 mil diplomados em 67 universidades gratuitas, nas quais ingressam, por ano, 606 mil estudantes. Dados da Unesco em 2002 relatavam que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% das brasileiras). Dados da CIA, central de inteligência americana, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba. No Brasil , segundo a mesma fonte, o índice era de 9,6% no ano de 2007. E que, a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos e no Brasil era de 71,9 anos.

Esses números a despeito de ser uma pequena ilha, ao alcance de um tiro de canhão disparado de Miami e que resistiu a uma tentativa de invasão norte-americana (Baía dos Porcos, 1961) e a várias outras de assassinato de Fidel Castro e ações terroristas orquestradas pela CIA, ter um bloqueio econômico e político apenas rompido por países com autonomia como Venezuela, Bolívia, China e alguns paises da Europa.

E nos, com a arrogância de quem tem toda a informações pela imprensa livre brasileira (sic) continuávamos procurando outros sinais de desmandos: e os presos políticos?

De fato, há pessoas detidas, mas não pelo que pensam, mas pelo que fazem, como o de organizar grupos financiados pela embaixada dos EUA. Fora isso, todas as personalidades importantes da dissidência estão em liberdade e tem suas atividades políticas como Martha Beatriz Roque, Vladimiro Roca e Oswaldo Paya. E importante ressaltar que Cuba sofreu intensamente com o terrorismo nos últimos 40 anos, perfazendo mais de 3500 mortos. E, fica fácil mostrar a postura dos EUA com documentos oficiais, confirmando o financiamento de cubanos exilados para promover ações contra o governo cubano. O museu na Praia Giron (ou Baia dos Porcos), e um monumento de denuncia as ações terroristas, iniciadas desde 1961 quando o se rompe às relações e se instaura o bloqueio. Em 1963 o democrata Kennedy, aprova o plano de manter todas as pressões possíveis com o fim de perpetrar um golpe de Estado. E, sabemos quantas vezes, ao longo destes anos, tentaram matar Fidel Castro, obrigando-o a sequer ter uma residência fixa. Nos anos 90, a Lei Torricelli reforça o bloqueio econômico e, na seção 1705 diz que “Os Estados Unidos proporcionara assistência governamental adequada para apoiar a indivíduos e organizações não governamentais que promovam uma mudança democrática não violenta em Cuba”. Esta lei vai ser reforçada na administração de Clinton, pela lei Helms-Burton quando diz: “O presidente dos EUA esta autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não governamentais independentes com vistas a construir uma democracia em Cuba”. E, o governo Bush não podia ficar atrás e, em 2004 aprovou um financiamento de 36 milhões de dólares para financiar a oposição a Cuba, em 2005 mais 14,4 milhões de dólares, em 2006 mais 31 milhões de dólares alem do financiamento de 24 milhões de dólares para a Radio e TV Marti, transmitida dos EUA para Cuba neste caso, infligindo a legislação internacional que proíbe este tipo de transmissão. Estes valores são fantásticos -105,4 milhões em apenas 3 anos.

Outra dificuldade e entender o funcionamento da economia cubana. Logo apos a revolução faz-se uma ampla reforma agrária, instalando uma via muito particular no campo, onde de um lado manteve alguns proprietários privados, como o de tabaco, e de outro, constituindo cooperativas voluntárias ao lado das propriedades estatais. O setor serviços foi todo ele estatizado. Apos os anos 90, com as dificuldades dada pela intensificação do bloqueio e com o fim da União Soviética, foi feita uma grande abertura para entrada do capital internacional no setor turismo, sem desconhecer o risco que isto poderia acarretar. O setor de transformação, inicialmente todo ele estatizado, hoje tem tido parcerias.

Com o nosso olhar de classe media, que podemos fazer uma viagem internacional, nos chocava alguns problemas com a vida cotidiana como habitações pobres, transporte publico precário, limitações econômicas para se ter ate papel higiênico (isto deixava a todos pensando, pobrezinho dos cubanos). Isso é verdadeiro, alem destes problemas da vida cotidiana, vários outros nos foram apresentados pelo secretario do partido comunista, que fez uma palestra para os brigadistas: o aumento da prostituição, dos pequenos delitos, da corrupção e da desigualdade social. Quando se investiu no turismo e posteriormente, com a criação da moeda turística (o peso conversível), cresce de um lado a entrada de divisas e de outro, possibilitou um rendimento, para os trabalhadores destes setores, acima do restante da população, ocasionando um aumento da desigualdade social. Afirma ele que vivem numa quádrupla ilha: geográfica; única nação socialista do Ocidente; órfã de sua parceria com a União Soviética e bloqueada há mais de 40 anos pelo governo dos EUA. E buscando respostas coletivas para estes problemas, desencadearam um processo interno de críticas e sugestões à Revolução, através das organizações de massa e dos setores profissionais. São mais de 1 milhão de sugestões que pretendem trabalhar, mas mantendo os princípios do socialismo: solidariedade e não a competitividade, o coletivo e não o individualismo.

Mas, para nos brasileiros de classe media (somos quantos? Depende da estatística mas varia de 5 a 10%), que podemos fazer uma viagem internacional e que não conhecemos a realidade dos 90% do povo brasileiro que não tem como pagar um plano de saúde, que tem pouca alimentação, que fica com os restos do desperdício dos 10%, com uma educação precária, e difícil entender a lógica econômica de uma sociedade voltada para os 100% da população. E ficamos horrorizados por eles não terem papel higiênico. Mas não nos deixam horrorizados que tenham bibliotecas e livrarias em toda escola e em toda cidadezinha. Ou que tenham acesso à saúde e educação da melhor qualidade, habitação com saneamento e aparelhos eletrodomésticos novos para economizar energia. Ou, que não tenhamos encontrado erosão por todos os lugares que andamos.

E a busca do conhecimento? E as escolas? Como e possível ver os círculos infantis, crianças de 1 a 4 anos, assentadas ouvindo historias, sem a professora estar gritando, mandando ficarem quietas? E ver os portões destas escolas abertas e as crianças não fugirem? Como e possível não ter o stress que, temos em nossas escolas? E, conversando com as crianças do pré-escolar e do escolar (5 a 11 anos), ficávamos surpresas com as perguntas cheias de inteligência e informação sobre nosso pais, que faziam aquelas pequenas crianças? E, como nos permitiam entrar nas salas de aulas, fotografar, bisbilhotar as bibliotecas onde encontrávamos livros de Marx a Lênin, de Jorge Amado, Machado de Assis, a Shakespeare. Imagine isto aqui no Brasil? Ficávamos encantadas. Eu, como professora da UFMG, tida como uma das melhores do Brasil, me encantava com aquelas bibliotecas. E as livrarias? Na pequenina Caimito onde ficava o acampamento, literalmente invadimos uma livraria, comprando tudo quanto e tipo de livro, pela sua qualidade e pelo preço (comprei um livro do Boaventura de Souza Santos por 8 pesos cubanos – que equivale mais ou menos a R$ 0,50 -, outro do Che Guevara sobre Economia Política de 397 págs. por 22 pesos cubanos, portanto em torno de R$ 1,40 (e dai para frente).

E o investimento na potencialidade do ser humano não pára ai. O desenvolvimento das artes – dança, pintura, musica, poesia, desportos – e encontrado em cada escola, em cada esquina, em cada cidade.

E claro que também tivemos as frustrações no contato com algumas pessoas, especialmente em Havana onde impera o espírito da cidade turística, onde se busca sempre ganhar alguma coisa, passar a perna, apenas diferenciando pela intensidade dos problemas, com as nossas cidades turísticas como Rio de Janeiro. Só que e mais ingênuo, meio estilo anos 60. De todo jeito, frustrante. Também nos entristeceu encontrar tantos cubanos sonhando em sair da ilha, acreditando, por exemplo, que o Brasil é um paraíso, visão que tem através das telenovelas (que todos assistem). E assim, uma sociedade muito diferente que nos estimula e atrae. Alias, nada melhor para expressar isto do que a crônica do Clovis Rossi (O “pop star” se aposenta) do dia 20 de fevereiro na Folha de São Paulo contando o episodio de um encontro do GATT, que contava com a presença dos chefes de estados, diferentes autoridades mundiais e jornalistas de todo o mundo. Onde o burburinho na sala do encontro e na sala dos jornalistas era enorme, com a atenção dispersa. Quando se anunciou Fidel Castro houve um grande burburinho, com todos procurando o melhor lugar para assisti-lo e “ao terminar, uma chuva de aplausos, inclusive de seus pares, 101% dos quais não tinham nem nunca tiveram nenhum parentesco e/ou simpatia com o comunismo. Difícil entender o que aconteceu ali.”

Para terminar, quero colocar uma idéia desenvolvida na mesa redonda integrada por vários cientistas cubanos e sintetizada pelo jornalista Jesus Rodrigues Diaz, falando sobre o potencial no desenvolvimento do conhecimento quando ele se da de forma coletiva. E que no capitalismo existe uma grande contradição entre o caráter social da produção e o caráter privado da apropriação. Dai, a reação do capitalismo ao papel crescente do conhecimento na economia e a busca da privatização do conhecimento, principalmente através da propriedade intelectual, das barreiras regulatórias e do roubo dos cérebros.

“Temos que insistir também que, quando falamos do Potencial Humano criado pela revolução, não nos referimos exclusivamente à quantidade de conhecimentos técnicos incorporados em nossa população. Mais importante ainda é a semeadura de valores éticos, de atitudes ante a vida. Na sociedade do conhecimento faz falta um cidadão com vocação de aprender e de criar, e de levar seus conhecimentos aos demais seres humanos. Os conhecimentos técnicos nos podem dizer como se trabalha, porem são os valores os que nos fazem compreender porque se trabalha e deles tiramos as motivações e as energias para seguir adiante.

Que se passa agora se os conhecimentos se voltem ao fator mais importante da produção, inclusive os bens de capital? Não e difícil de prever. A resposta do capitalismo e a intenção de converter também o conhecimento em Propriedade Privada. Porem, a boa noticia e que isto não vai funcionar. O conhecimento não e igual ao Capital. Esta nas pessoas e não se pode facilmente privatizar. O conhecimento requer circulação e intercambio amplo. As leis da propriedade intelectual inibem este intercambio. O conhecimento e validado pela sua aplicação social, não pela sua venda. O uso amplo dos produtos do conhecimento e o que os potencializa”, termina o jornalista. Esta e a grande limitação do raciocínio capitalista em entender a potencialidade da criação coletiva. Ignoram que a criação humana coletiva tem muito mais possibilidades do que as leituras positivistas do conhecimento.

O maior feito desta pequenina ilha, com um povo cheio de dignidade e coragem, terá sido o de mostrar ao mundo que e possível construir uma sociedade baseada no ser humano e não na mercadoria e na acumulação de capital. E isto ameaça o mundo capitalista, e é rejeitada pela imprensa burguesa e pelos setores médios que querem impor as condições de suas vidas para a totalidade do mundo. Mas, Cuba não esta só. Existe hoje uma rede internacional de solidariedade ocasionada pelos médicos e professores cubanos em mais de 100 países, pela Operação Milagros, pelas brigadas de solidariedade e por todos aqueles que acreditam que Um Outro Mundo é Possível e que lutam pela sua construção.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

DIGA NÃO Á CENSURA NA INTERNET: Aumenta a pressão contra projeto do Senador do PSDB

Cresce a mobilização na internet contra o projeto substitutivo 89/2003, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB). A campanha já conta com um abaixo-assinado na rede com mais de 1.900 assinaturas desde que foi criado, no domingo, 6.

O projeto cria um marco regulatório para crimes na internet, mas acaba considerando ilícitas operações como redes P2P e pode criar um sistema de vigilância na rede.

Participe do abaixo assinado aqui.

O texto do abaixo assinado lembra que, se valessem os termos da lei para as universidades, a ciência poderia ser uma atividade criminosa uma vez que em sua produção seja necessário "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", ou citar uma obra de referência "sem pedir a autorização dos autores". "Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos".

Entre os itens polêmicos estão:

- O uso de redes P2P (peer to peer), ou ponto a ponto, independentemente do conteúdo compartilhado nela, será criminalizado, mesmo que a obra seja de domínio público ou livre.

- O impedimento para se criar de códigos que podem levar a crimes impedirá a ação de de hackers contratados para descobrir falhas de segurança e ajudar a tornar os softwares mais protegidos.

- A privacidade poderia ficar comprometida, já que o provedor é obrigado a monitorar o conteúdo transferido.

- O provedor de acesso à internet terá de armazenar informações sobre a navegação e a informar as autoridades competentes sobre os endereços das máquinas (IPs) em caso de suspeita de violação, sem necessidade de pedido da justiça como ocorre com o sigilo telefônico por exemplo.

- A falta de precisão dos artigos permite que os juízes apliquem a lei a partir de interpretações diversas.

- Fraudes e pedofilia já são crimes, mas a regulamentação específica para a internet, caso aprovada, coibiria outras práticas junto dessas, como o compartilhamento de arquivos, a criatividade e inovação tecnológicas.

Leia mais:
- Campanha faz pressão contra projeto que inviabiliza redes abertas Pela liberdade na internet
Observatório Direito a Comunicação

- Projeto de lei sobre crimes eletrônicos ameaça liberdade na rede Internet brasileira precisa de marco regulatório civil, não criminal
- A cobertura de Sérgio Amadeu sobre o caso

Fascismo em ação na Colômbia: Ações para-militares continuam nas comunidades



Enquanto o mundo comemora a libertação de Ingrid Betancourt, movimentos de defesa dos direitos humanos denunciam que o horror paramilitar continua.

Leiam a denúncia da jornalista Brunna Rosa no site da revista Fórum.

A farsa do resgate heróico: Jornalista também acreditam em pagamento de resgate

O jornalista Eliakim Araújo, que também rompeu com o PiG e preferiu continuar praticando jornalismo sério, acaba de escrever um artigo sobre a libertação dos reféns das FARC que vale a pena ser lido.

Reproduzo abaixo alguns trechos:

"Antes da informação da rádio suiça sobre um possível acordo para o pagamento do resgate de 20 milhões de dólares a agentes das FARC, Jakobskind, mesmo não sendo o seu dia de enviar a coluna semanal, mandou uma extra com o título "O outro lado da história" , onde levanta alguns pontos que não mereceram a atenção da mídia conservadora. E deixou na ar a pergunta: resgate ou acordo com a guerrilha?"

"Depois do DR, profissionais independentes da imprensa brasileira, aprofundaram questões obscuras que estão sem resposta. A principal delas: como um grupo guerrilheiro que atua no interior da Colômbia há mais de 40 anos - e não é derrotado pelo exército regular do país - foi tão ingênuo a ponto de entregar Ingrid Betancourt, seu principal trunfo, a desconhecidos colegas de luta armada? Das duas uma: ou a guerrilha está tão enfraquecida que se vendeu por alguns milhões de dólares ou está completamente idiotizada e despreparada."

"Fico com a primeira hipótese. As FARC perderam em março deste ano seus dois principais dirigentes: Raul Reyes, que foi morto na invasão do território equatoriano pelo exército colombiano, e Manuel Marolanda, seu fundador, que morreu de ataque cardiaco. Além disso, há guerrilheiros depondo as armas. Um deles, segundo a rádio suíça, teria sido o intermediário das negociações para pagamento do resgate. É possível, assim, que ela esteja de fato perdendo forças, o que não pode ser interpretado como uma derrota definitiva."

"O governo americano dá substancial ajuda ao governo colombiano em conselheiros militares e dinheiro (fala-se em 5 bilhões de dólares), para o combate ao narcotráfico. E tinha o maior interesse na libertação de seus três cidadãos que são citados como “contractors”, mas na verdade são funcionários do Pentágono."

"De resto, fica a imagem extremamente saudável e alegre da ex-senadora Ingrid Betancourt em contraste com aquela do cativeiro, distribuída no mundo inteiro, onde ela aparece muito magra e de cabeça baixa. Na época, disseram que ela estava muito doente e teria pouco tempo de vida se não fosse libertada imediatamente. Felizmente, as previsões estavam erradas."

"A França, aliás, junto com Espanha e Suíça, foram os principais negociadores pela libertação dos reféns. O que torna perfeitamente factível a hipótese do pagamento do resgate e a consequente encenação."


Leia o texto na íntegra neste link.

Colômbia: O Preço da Liberdade

Ainda é difícil saber o que de fato aconteceu na selva colombiana no episódio da libertação de Ingrid Betancourt. Mas uma coisa é certa: a versão oficial é inverossímil. E as FARC estão pagando o preço do caminho que escolheram: o isolamento.

- por Flávio Aguiar

“Um grupo revolucionário que depende de assaltos a bancos para sobreviver, termina virando um grupo de assaltantes de banco”.

Quem disse isso, ou mais ou menos isso, não foi um ideólogo de direita. Foi Ernesto Che Guevara.

Infelizmente a frase se aplica às FARC colombianas, para quem, ao que tudo indica, o seqüestro virou uma indústria, e a extorsão, uma prática corrente.

Escrevo “ao que tudo indica” porque uma espessa cortina de fumaça cobre o perfil das FARC, e o que está acontecendo no seu interior, com as mortes de alguns de seus principais próceres. Um morreu de morte natural; dois foram assassinados, um pelo ataque do Exército colombiano em território equatoriano, o outro, com a companheira, pelo chefe de seus guarda-costas, numa operação mercenária.

Entretanto, deve-se dizer, essa cortina de fumaça não é apenas da responsabilidade de uma imprensa conservadora em escala mundial, ou das campanhas orquestradas a partir de Washington ou Bogotá. É conseqüência também do próprio caminho que as FARC percorreram, o de um crescente isolamento no plano continental.

Apesar dos esforços mais recentes do presidente Hugo Chavez que, ao contrário do que se propaga na imprensa conservadora, não é um “falcão” de lutas armadas, mas um presidente a quem não interessa um clima de guerra nas vizinhanças de seu país, as FARC não saíram de sua política ou condição de isolamento, pelo menos no que toca aos países da América do Sul.

Também não propiciaram uma resposta convincente à acusação freqüente de envolvimento com o narcotráfico. A política de seqüestros, herdeira dos movimentos desesperados dos anos sessenta para libertação de prisioneiros das ditaduras do continente, ameaçados de morte e torturados sistematicamente, tornou-se uma indústria de objetivos turvos, a não ser os de demonstração de poder e força sobre um território e pessoas, além de se presumir que seja rentável do ponto de vista de manter a sobrevivência dos mais ou menos 10 mil guerrilheiros que devem compor as suas forças.

Esse é o maior problema das FARC: nada é claro a seu respeito, exceto o fato de que sua trajetória é de imersão na falta de clareza política. Oriunda da junção de bases camponesas com egressos do Partido Comunista Colombiano e da Juventude Comunista em épocas de duríssima repressão, ainda nos anos sessenta, e depois de algumas tentativas infrutíferas de retornar à vida política tradicional, que provocaram também dissidências e divisões, as FARC deixaram-se envolver pela perda de nitidez de seus propósitos políticos.

O grupo está longe da desarticulação. Mas há sinais de desagregação. É tão difícil acreditar ao pé da letra na versão oficial apresentada pelo governo de Uribe, esse sim um “falcão” da guerra, sobre a libertação de Ingrid Betancourt, quanto acreditar que os últimos sucessos ou insucessos que atingiram as FARC foram possíveis sem algum tipo de infiltração ou, no mínimo, desagregação interna.

Em 1° de março pp., Raul Reyes, definido como o segundo homem das FARC, e seu “negociador” maior, foi assassinado no ataque que violou o território equatoriano. A seguir, outro alto dirigente, Ivan Rios, e sua companheira, foram assassinados pelo chefe de seus guarda-costas, numa operação que rendeu ao traidor 2,5 milhões de dólares (Cf. Libération, 04/07/2008). No mês de março morreu, ao que parece de morte natural, pois nem isso ficou completamente claro devido ao silêncio do organismo guerrilheiro, seu líder e fundador Pedro Antonio Marin, ou Manuel Marulanda, apelidado de “Tirofijo”, aos 80 anos de idade. Seu “sucessor” foi Alfonso Cano. Na versão oficial, alguém, se fazendo passar por Cano, telefonou para o Comandante César, no campo onde estavam Ingrid Bentancour e outros prisioneiros, “informando” que helicópteros de “uma ONG” iriam até lá para transportar os seqüestrados para outro lugar. A hipótese é muito estranha, para dizer o mínimo.

No mesmo dia da reportagem do Libération, uma rádio suíça anunciou a possibilidade de que um resgate teria sido pago pela libertação de Betancourt e dos outros, hipótese logo negada pelo governo francês e, é óbvio, pelo governo colombiano. Apesar das negativas, não se pode descartar essa hipótese, não só pelo que tem de plausível em si mesma, como também pelo fato de que, como a morte de Rios mostra, a infiltração de dinheiro para obter atitudes convenientes ao governo colombiano dentro da organização não é novidade. E a julgar pelo preço pago pelo assassinato do líder das FARC, 2,5 milhões de dólares, o caixa dessa movimentação não é pequeno.

O que vai acontecer a seguir vai depender de vários fatores. Um deles é a verificação sobre esse suposto pagamento. No caso dele ter ocorrido mesmo, numa operação nos bastidores da operação de fachada, deve-se perguntar: quem pagou, quem recebeu? Foi uma negociação com o próprio comando das FARC ou com algum setor? Qual será o efeito disso, se for real, dentro da organização? Se não houve esse pagamento, ou se ele tiver sido feito à revelia do comando, então o nível de desagregação das FARC pode ser maior do que o que aparenta ser.

Outro fator importante é o que vai acontecer nas eleições norte-americanas. A eventual eleição de Barack Obama pode não significar uma interrupção ou freio nessa política agressiva para consolidar a Colômbia como a cabeça-de-ponte de Washington no continente sul-americano; mas a eventual eleição de McCain certamente vai significar seu aprofundamento, como sua recente visita a Bogotá confirma.

Resta saber também qual será o efeito dessas operações agressivas, de sucesso no momento, para o governo de Uribe. Se no momento ele quer desfrutar das glórias da operação sem dividi-las com ninguém, e se isso o aproxima mais ainda de Washington, Uribe está muito isolado na América do Sul, e isso também o deixa numa posição incômoda e politicamente mais frágil do que seria conveniente. Seu contencioso com a Venezuela e com o Equador não é desprezível, e pode ter reflexos indesejáveis na sua relação com o Brasil.

Uma coisa é certa: o clima de enfrentamento e de impasse, que parece se aprofundar, na selva colombiana, numa guerra sem perspectiva de negociação, não tem nada de positivo para as forças populares e progressistas na América do Sul, só fortalecendo o ar guerreiro dos falcões norte-americanos e seus aliados e reforçando sua retórica belicista para se opor e criar empecilhos às políticas democráticas ligadas àqueles setores e suas aspirações.

sábado, 5 de julho de 2008

Cheiro de farsa no ar: Colômbia teria pago US$ 20 mi por Ingrid

Por mais que tenha gostado de ver os reféns mantidos pelas FARC sendo libertados, eu estava mesmo achando muito estranha essa história toda do super-resgate orquestrado pelo megafascista Alvaro Uribe. Tudo ficou ainda mais inverossímel depois que Ingrid Betancourt passou, de repente, a fazer campanha para um terceiro mandado do presidente da Colombia - que é apoiado por ninguém menos que Bush Júnior.

A notícia abaixo começa a lançar luz no que pode ter sido uma farsa midiática (mais uma!) montada pelo governo de extrema direita da Colombia, a fim de favorecer sua imagem depois do desastre provocado pela invasão do território do Equador e também dar uma alavancada na campanha do MacCain, do partido republicano.

Vejam bem: não acho nada demais o governo da Colombia ter pago para libertar os reféns. Nesse caso, acho que vale tudo para conseguir uma solução pacífica e sem derramamento de sangue. O que é absurdo, se for mesmo verdade, é eles terem ocultado essa informação enquanto vendiam ao resto do mundo como pura peça de marketing fantasiosa o sucesso da operação militar.

Quem viver (e ler a mídia independente), verá...

“A Rádio Suíça Romanda (RSR) afirmou hoje que a franco-colombiana Ingrid Betancourt e os outros 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não foram libertados através de uma complexa operação de inteligência militar, como foi divulgado pelo governo de Álvaro Uribe, mas através do pagamento de um "resgate" de US$ 20 milhões. A rádio cita uma fonte de alta confiança, que já deu informações privilegiadas confirmadas em seguida.

Segundo a emissora, um número indeterminado de soldados e dirigentes das Farc recebeu o que se poderia chamar de suborno político: cerca de US$ 20 milhões para entregar Ingrid e o restante do grupo ao governo colombiano.

A fonte cita nomes e sobrenomes, esclarecendo que a articulação secreta entre Bogotá e os guerrilheiros teria sido protagonizada pela mulher de Gerardo Aguilar Ramírez, guerrilheiro colombiano e carcereiro-chefe das Farc. Segundo as revelações, foi sua esposa quem conseguiu abrir um canal de negociação: Ramírez foi convencido, comprado e trocou a camisa.”


Leia o texto na íntegra neste link.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vox Populi aponta: PT é o partido preferido do eleitorado

- 67% dos brasileiros estão satisfeitos com o Brasil.

- 63% acham que o país melhorou nos últimos dois anos.

- 58% acham que o Brasil vai melhorar ainda mais nos próximos dois anos.

- O PT tem 25% da preferência partidária, seguido do PMDB com 7%,PSDB com 6% e do DEM com 2%.

- O PT é o partido mais lembrado por 36% do eleitorado.

- Para 63% do eleitorado, o PT ajuda o Brasil a crescer.

- O PT é considerado um partido de esquerda.

- 47% da população é favorável à fidelidade partidária e considera que o mandato pertence ao partido pelo qual o político se elegeu.

- 84% avalia positivamente o desempenho do presidente Lula.

- Para 34%, a principal realização do governo Lula é a implantação de programas sociais e para 20% é a política econômica. Destaque para o Programa Bolsa Família citado por 27% dos entrevistados.

Esses são alguns dos dados revelados pela pesquisa de opinião realizada pelo PT, através do Instituto Vox Populi, em todo o território nacional.

Para ver a pesquisa clique aqui.
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