sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A polêmica continua... Por que eu considero "Tropa de Elite" um filme fascista?

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O meu amigo blogueiro Miguel do Rosário tem feito uma defesa ferrenha do filme “Tropa de Elite”, o qual ele não considera fascista, em seu blog Óleo do Diabo. Não quero aqui ficar pinçando trechos do texto dele e os contrapondo, pois acho isso enfadonho e meio injusto com o autor, pois tira suas idéias de contexto.

Vou, de maneira pontual e final, dizer porque eu acho o filme fascista. Até porque não quero mais falar desse filme canhestro que nem merece tantos holofotes assim.

1) A intenção do diretor era fazer um filme fascista? Pra mim ficou claro que não. O Padilha tentou sim fazer um filme que “mostra a realidade” da violência urbana no Brasil – especificamente nas favelas cariocas, e provocar polêmica no bom sentido.

2) Ele teve sucesso nisso? Em parte. Do ponto de vista de “mostrar a realidade”, ele consegue mostrar apenas uma parte dela. E é aí que os problemas começam.

3) Onde ele acertou? Primeiro, ao mostrar a corrupção e a desordem na polícia militar, bem como a parceria de seus membros com o tráfico e com esquemas ilícitos. Segundo, ao mostrar o envolvimento de políticos nos esquemas. Ponto para Padilha e sua equipe.

4) Os erros. Agora é que são elas. De boas intenções o inferno está cheio:

- “Tropa de Elite” escorrega feio em sua pretensão de “mostrar a realidade” ao pintar o BOPE como incorruptível e super-eficiente. Não é. Existem provas contundentes disso. Uma dessas provas está no próprio filme: os oficiais do BOPE são coniventes com a corrupção da PM, então no mínimo são omissos e corruptos por tabela. Mas o roteiro não chega nem perto de tocar nesse ponto e insiste em dar voz apenas aos discursos moralistas e incoerentes dos policiais, sem nunca questioná-los.

- O BOPE é mostrado torturando e executando pessoas de maneira criminosa. Igualzinho acontece na realidade. O problema é que todas as pessoas torturadas e mortas no filme são bandidos ou amigos e familiares dos bandidos. Só que na vida real, pessoas inocentes são mortas e torturadas pelo BOPE. Onde está isso no filme? Em lugar algum. Em “Tropa de Elite”, o BOPE é tão eficiente e “bonzinho” como o Rambo que, entre uma crise existencial e outra, também só mata bandidos e vilões, nunca inocentes. E quem optou por mostrar as coisas dessa forma distorcida e absolutamente parcial? Os críticos? A platéia? Não, os realizadores do filme. Portanto, não há desculpas.

- Estudantes de classe média usam drogas e acabam ajudando a sustentar o tráfico. Correto. Essa é uma questão importante no debate do combate à violência que ninguém tem coragem de tocar. “Tropa de Elite” ensaia colocar o dedo nessa ferida, mas logo depois mete os pés pelas mãos.

Primeiro, porque não são todos os estudantes que usam drogas. Muito menos todo estudante é esquerdista ou liberal. Em qualquer sala de aula também existem jovens que rezam pela cartilha da direita, que são fascistas, ou que ao menos são favoráveis ao “prendo e arrebento”. Onde estão eles no filme? Em lugar nenhum. Na classe do Matias (o policial negro), todos adotam uma postura “esquerdista” ou liberal na cena do debate, o que é absolutamente ridículo.

Ou seja, assim como o BOPE só mata e tortura bandidos no filme, os estudantes de classe média são todos retratados como liberais hipócritas que usam drogas ilícitas ao mesmo tempo que protestam contra a brutalidade da polícia em passeatas idiotas. Chamar isso de maniqueísmo é pouco... Ao optar por essa aproximação simplista, o cineasta inutiliza automaticamente sua proposta de “mostrar a realidade” do ponto de vista da classe média como parte do problema.

- Muitos dizem que o capitão Nascimento é “humanizado” no filme, pelo fato de narrar a trama e por sofrer de ataques de pânico, portanto não pode ser considerado fascista. Esse argumento é o mais fraco.

Primeiro, porque o Nascimento que narra é um e o que atua é outro. Enquanto ouvimos o personagem descrevendo as situações com ar de deboche, arrogância e onisciência (revelando inclusive fatos que não tinha como saber), o vemos agindo como um descontrolado inseguro, à beira de um ataque de nervos.

Ou seja, enquanto age como o protagonista de, na falta de um exemplo melhor, “Um Corpo Que Cai” (que tinha fobia de altura e cometia erros), ele narra o filme como se fosse o Rambo, fodão e infalível, porém injustiçado e incompreendido. No final das contas, o que prevalece é a narração, até porque é ela que se destaca mais no nível da consciência por ser dirigida diretamente ao espectador. Não há, portanto, humanização nenhuma do personagem. Pelo contrário. A narração tosca anula a suposta “humanidade” das ações e, mais grave, induz o espectador a "torcer" por ele.

- Matias, o policial que no final substitui Nascimento, é o verdadeiro protagonista do filme. É nele que está contido o arco moral do roteiro. É só perceber: Matias começa o filme de uma maneira e termina de outra, que é totalmente contrária à inicial. Seria dele também a narração do filme. É bem provável que assim ficaríamos sabendo mais sobre esse personagem e sobre a confusão mental que o levou a uma mudança tão radical de comportamento e filosofia de vida.

Mas, como o diretor resolveu mudar, na última hora, a narração para o Nascimento (certamente por questões mercadológicas), Matias virou um mero coadjuvante, sem qualquer profundidade ou nuance.

Sua transformação de idealista em torturador acontece de maneira brusca e forçada, apenas porque teve um amigo morto pelos bandidos. Explicação rasa e pobre, idêntica a de qualquer Rambo da vida: “Quero viver em paz, mas vou voltar para a guerra para vingar o meu amigo, que foi maltratado pelos vilões”.

Ao optar por todas essas simplificações extremas e por uma estética de filme de ação palpitante (especialmente na terceira parte), “Tropa de Elite” vai contra sua proposta inicial e, infelizmente, se iguala a qualquer filme do tipo “vingança e retaliação”, como “Gladiador” ou os já citados “Rambos”, onde os feitos questionáveis dos personagens acabam sendo justificados em nome de um “bem maior” – no caso, vingar a morte covarde do amigo policial.

E perceber isso não tem nada a ver com ser de esquerda ou de direita. Até porque não é todo direitista que é fascista ou violento, da mesma forma que nem todo esquerdista é comunista ou pacifista. Existem nuances nesse meio e é isso que torna o debate rico e profundo. E é justamente essa falta de nuances e de profundidade que transforma “Tropa de Elite” em produto fascista – no sentido de endossar, mesmo que sem querer, o uso da brutatlidade e do desrespeito às leis como única forma de combater o tráfico de drogas e suas conseqüências.

Enfim, um filme cheio de boas intenções que se perdem na falta de consciência, sensibilidade ou talento de seus realizadores.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Filmes: "Baixio das Bestas"


DEIXA DE SER BESTA, HOMEM!

O diretor parece viver pela tese “o ser humano é podre e o mundo está perdido”. E, para prová-la, faz filmes com cenas chocantes, escatologia e personagens caricatos

- por André Lux, crítico-spam

O diretor Cláudio Assis é um homem que parece viver pela seguinte tese: “o ser humano é podre e o mundo está perdido”. E, para prová-la, ele faz filmes recheados de cenas chocantes, escatologia e personagens que agem como se fossem bestas no cio, sempre drogados ou bêbados, correndo atrás de putas ou de menores de idade.

Foi assim em “Amarelo Manga” e é a mesma coisa em “Baixio das Bestas”. Só que, no primeiro filme, ele ao menos tentava construir situações e personagens com um mínimo de aprofundamento. Já no segundo, parece que não estava muito preocupado com esses detalhes e partiu logo para a nojeira pura e simples.

Assim, somos apresentados a uma gama de personagens caricatos e rasos como uma poça de água que existem unicamente para comprovar a tese original do cineasta: o velho pedófilo, incestuoso e hipócrita que explora a neta sexualmente, o estudante de classe-média vagabundo e drogado que anda fazendo maldades com amigos igualmente vagabundos e drogados, as prostitutas que reclamam da vida mas, no fundo, gostam mesmo é de apanhar, os peões ignorantes que vivem sambando e bebendo pinga e assim por diante. Chega às raias do preconceito.

Segue-se então duas horas de cenas nas quais essas “bestas em forma de gente” praticam seus atos nojentos, sempre de forma chocante e repulsiva. Não tenho nada contra o cinema ser usado para chocar as pessoas, desde que isso traga algum tipo de reflexão e análise da realidade. Mas, em o “Baixio das Bestas” assistimos ao choque pelo choque, sem qualquer conexão com um contexto minimamente ligado à realidade do povo brasileiro. E não é enfiando meia-dúzia de cenas que mostram o trabalho terrível dos cortadores de cana que vai resolver esse buraco negro no meio da narrativa.

Pior é que o filme tem uma excelente fotografia do mestre Walter Carvalho, que mesmo assim, repete tiques estéticos já usados em “Amarelo Manga” (como os travelings de câmera sobre os cenários, a imagem supersaturada e os altos contrastes). Sem falar da coragem que alguns atores consagrados, como Caio Blat, Matheus Nachtergaele e Dira Paes, tiveram de aparecerem em nu frontal em cenas carregadas de escatologia. Dá até para dar algumas risadas em algumas cenas em que os protagonistas disparam palavrões francos. Mas é só.

Em um momento de total auto-indulgência e pretensão do cineasta, um dos personagens vira para a câmera e diz, sem mais nem menos: “O bom do cinema é que você pode fazer o que quiser”. É claro que pode. Pode até “homenagear” o “Laranja Mecânica”, do Kubrick, na cena do estupro no cinema ou mostrar trecho de sexo explícito de “Oh, Rebuceteio” e seus protagonistas se masturbando.

Difícil, entretanto, vai ser Cláudio Assis convencer os espectadores de que a tese dele tem algum valor ou que ao menos é uma grande novidade. No fundo, o sujeito é um grande moralista que quer usar o cinema para ensinar uma lição à humanidade, no pior estilo do sueco Lars Von Triers e seu ridículo “Dogville”. Ou seja, a tese dele, na verdade é: “o ser humano é podre - menos eu, que sou um gênio incompreendido por esse mundo perdido”. Ah, deixa de ser besta, homem! Vai procurar um bom psicólogo...

Cotação: * 1/2

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"Tropa de Elite": FASCISMO NO CINEMA

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Ninguém nega a realidade na qual “Tropa de Elite” é baseado. Favelas como Complexo do Alemão parecem realmente zonas de guerra, onde a polícia é considerada um exército de ocupação. Mas o Brasil é também o país mais desigual do mundo e, ao ignorar as razões sociais da violência, o filme enaltece uma estratégia que por si só demonstra seu fracasso.

- Por Conor Foley – The Guardian (*)

A notícia de que “Tropa de Elite” ganhou o prestigiado prêmio “Urso de Ouro” do Festival Internacional de Berlim foi recebida com deleite no Brasil. O país deveria se envergonhar.

“Tropa de Elite” tornou-se o filme brasileiro mais popular de todos os tempos quando foi liberado ano passado. Estima-se que 11 milhões de pessoas assistiram às cópias piratas do filme antes do seu lançamento oficial, tendo quebrado recorde de bilheteria quando chegou aos cinemas.

O filme segue o sucesso de “Cidade de Deus”, que conta a árida história de como as favelas em volta do Rio de Janeiro gradualmente caíram nas mãos dos traficantes de drogas. “Tropa de Elite” se baseia no mesmo tema, tendo início, cronologicamente, de onde “Cidade de Deus” terminou. A cena de abertura mostra um baile funk no qual adolescentes narcotraficantes dançam ao mesmo tempo em que abertamente sacodem suas armas automáticas. Dois policiais à paisana tentam armar uma cilada, que não sai como esperado. Eles acabam encurralados na favela, sendo resgatados com a chegada do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro), comumente conhecido como “Tropa de Elite”.

O filme é visualmente impactante e a trilha sonora contribui para o drama, mas a trama é deplorável e os diálogos são fracos. O enredo se desenvolve em torno do destino de três homens: Capitão Nascimento, o chefe do Bope, e dois policiais que ele resgata, Neto e Matias.

Nascimento quer abandonar a polícia, pois sua esposa está grávida, mas primeiro ele deve encontrar alguém que o substitua, sendo este evidentemente o modo como o sistema de recrutamento da polícia brasileira opera. Neto e Matias decidem entrar para o Bope e se submetem ao processo de recrutamento, que envolve, principalmente, duro exercício físico, porque, como nos é dito, essa é uma boa maneira de arrancar-se a corrupção pela raiz. Matias, que é negro, freqüenta a faculdade onde seus colegas, universitários brancos, sentados em círculo, discutem Foucault e condenam a brutalidade da polícia. Poderiam os clichês serem mais banais?

Alguns dos estudantes, incluindo a namorada de Matias, estão envolvidos em um projeto social na favela, mas parece que não fazem muito além de fumarem maconha, fornecida por um traficante local. Eles são posteriormente assassinados pelos mesmos traficantes, que também mataram Neto e o desenlace sangrento do filme ocorre à medida que o Bope entra na favela atirando na busca dos assassinos.

O filme causou polêmica porque mostrou a polícia torturando mulheres e crianças para obter informações sobre o líder da quadrilha. Aparentemente, enquanto estava ocorrendo a filmagem no set, um oficial do Bope interrompeu os atores e lhes disse: “Olha, você está fazendo tudo errado. Você deve segurar o saco plástico assim, para que não fique nenhuma marca”. Nos cinemas Brasil afora, as pessoas gritaram e aplaudiram durante a cena e o capitão Nascimento fictício, que é baseado em personagem real, foi amplamente aclamado como um herói nacional”.

Ninguém nega a realidade na qual “Tropa de Elite” é baseado. Favelas como Complexo do Alemão parecem realmente zonas de guerra, onde a polícia é considerada um exército de ocupação. Mas o Brasil é também o país mais desigual do mundo e, ao ignorar as razões sociais da violência, o filme enaltece uma estratégia que por si só demonstra seu fracasso. Um governador populista do Rio uma vez ofereceu pagamento em espécie aos policiais que matassem criminosos, o famoso “bônus do oeste selvagem”, mas a taxa de crimes continuou a aumentar.

Aproximadamente meio milhão de brasileiros foram assassinados na última década, o que torna o país mais violento do que a maioria das zonas de guerra. Os brasileiros estão zangados e com medo do que está acontecendo em seu país, procurando desesperadamente por soluções.

Em um determinado ponto no filme, Matias confronta um grupo de pessoas em passeata protestando contra a morte de seus colegas universitários assassinados, acusando-os de só se importarem quando a violência atinge a classe média. Demonstrações como estas são comumente organizadas por ONGs como “Eu sou da Paz”, que também incrementa programas sociais em favelas. Uma série de estudos tem demonstrado que estes programas, que o filme extrapola ao difamá-los, têm obtido sucesso na redução dos crimes.

“Tropa de Elite” acusa a classe média brasileira de alimentar a onda de crimes através do consumo de drogas, o que é provavelmente verdade, mas sua mensagem excessivamente política é de cinismo e desespero. As cenas de tortura e violência não são apenas chocantes por causa do seu impacto, mas também porque desumanizam os moradores das favelas a quem são infligidas.

A violência no Brasil é um sintoma de um largo conjunto de problemas sociais, em relação aos quais os brasileiros devem assumir sua responsabilidade. A maioria da classe média brasileira nunca pôs o pé numa favela e fala sobre elas como se fossem outro país. Filmes como “Tropa de Elite” ajudam a mantê-la nessa alienação.

(*) Artigo publicado originalmente no jornal inglês ‘The Guardian’ em 18/02/2008, por ocasião da premiação do filme “Tropa de Elite” no Festival de Berlim. Tradução de João Paulo Gondim Cardoso, colaborador do Fazendo Media. Clique aqui para ler o original.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Marcelo Salles: Onde estão os aliados da vida?

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- por Marcelo Salles, do Fazendo Media

Lá está o diretor com sua touca laranja a comemorar o prêmio.

Lá está o ator principal a dizer que o prêmio cala a boca dos críticos.

Lá está a atriz a beijar o troféu, conquistado em cima do sangue daqueles que tombam pelas mãos das tropas das elites.

Lá estão os principais responsáveis pela obra que deixou extasiados os comandantes das tropas das elites mundo afora.

Lá está o deputado que tenta elevar o símbolo da morte à patrimônio cultural.

Lá estão as corporações de mídia a aplaudir o enredo macabro, seja nas páginas policiais ou segundos cadernos, internacional, economia ou política.

E onde estão os aliados da vida? Quando vão começar a articular uma rede de comunicação suficientemente grande para construir um novo discurso e, assim, enfrentar a barbárie?

A esses dirijo esta breve mensagem. Caso ela os alcance, por gentileza respondam: que avanços conseguimos na luta pela vida nas últimas décadas? A vida tem sido mais respeitada hoje?

E os milhões de seres humanos que são vitimados pelo sistema neoliberal? E os 14 milhões de brasileiros que passam fome, segundo o IBGE, num país rico e repleto de terras férteis? Não amigos, não estamos avançando. E estou convencido de que o inimigo se impõe justamente porque não dispomos dos meios de comunicação de massa que eles possuem.

Vocês, defensores dos direitos humanos, que estão nessa luta há mais tempo que eu, expliquem: como é que a direita pode estar no poder desde que eu me entendo por gente? Como, se é a direita quem mantém essa situação de exploração; se é ela quem sucateia os serviços públicos de qualidade; se é ela quem entrega a saúde, a educação, a própria vida dos seres humanos à cobiça das empresas privadas? Vocês podem me explicar como isso é possível? Sim, a direita tem dinheiro. E dinheiro compra belos slogans e propagandas publicitárias, cabos eleitorais e panfletos. Mas será que o dinheiro também não compra mídia?

Pra quem acha que estou falando de matéria paga, permita-me elevar o debate. Embora as reportagens encomendadas existam – e aos píncaros – a esquerda precisa atentar para algo maior: o sentido político da mensagem transmitida. Como as empresas que oligopolizam a mídia no Brasil defendem os interesses da direita, a subjetividade veiculada estará a serviço desses interesses.

Em outras palavras, o que chegará à população são estímulos a formas conservadoras/reacionárias de agir, pensar e sentir. De modo que a esquerda não pode se limitar à crítica do consumismo irrefletido; ela terá que buscar suas causas. Também a esquerda não poderá restringir-se à crítica das políticas fascistas de segurança pública; é sua obrigação denunciar os veículos de comunicação que sustentam este discurso. E assim por diante.

(continua)

Marcelo Salles escreve no blog Fazendo Media.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ricardo Melo: "Tropa de Elite é mesmo um filme bom?"

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Meu amigo Ricardo Melo deixou essa excelente contribuição para a polêmica em torno do grotesco "Tropa de Elite" na seção de comentários. Merece ganhar mais destaque.

Tropa de Elite é um filme bom?

- Por Ricardo Melo, geógrafo e escritor

O que é um filme bom?

Bom é um filme tecnicamente "bom" e que consiga transmitir uma "boa" estória.

Ao contrário do que parece, o fator "técnico" deve ser o mais subjetivo.

Afinal, um excelente filme pode ser repleto de imagens granuladas e cenas "tremidas" realistas, cheio de sombras.

Então, o fator técnico é importante, mas não é o principal.

Um filme barato pode ser tecnicamente melhor do que um filme caro. Existem vários exemplos disso.

Qual é o fator mais importante para um filme ser bom?

É contar bem uma estória.

E se essa estória causar um impacto em termos de novidade, melhor ainda.

Se a estória causar dúvida e questionamento no espectador, aí é excelente.

Quando o filme é tecnicamente "bom", conta bem uma estória, impacta a realidade com um ponto de vista diferente e, ainda por cima, obriga o espectador a pensar, aí você estará assistindo a um legítimo Stanley Kubrick. Ou um Bertolucci, ou um Luchino Visconti, ou...

Ora, Tropa de Elite é bom tecnicamente.

Mas a "mensagem" que ele passa não é impactante em termos de novidade.

Pelo contrário. O ponto de vista do Capitão Nascimento é muito, mas muito manjado.

Ninguém precisa pagar bilheteria para entender os "valores" que Tropa de Elite passa e defende com tanta convicção.

Mais do discurso de Tropa de Elite pode ser conseguido com coronéis torturadores e PMs descaminhados no cotidiano de São Paulo.

Pague uma corrida de taxi numa metrópole brasileira, fale com o motorista e você vai receber todos os "valores" de Tropa de Elite, não precisa gastar com ingresso no cinema.

Agora, em último lugar, isso faz alguém pensar?

Aí alguém pode perguntar:

- Pensar??? Do que esse cara está falando, o papo não é cinema?

É justamente por causa dessa indigência mental que o Cinema global perdeu certo vigor em todo o mundo e até premia Tropa de Elite em Berlim.

Tropa de Elite faz "pensar"! Faz a elite retrógrada brasileira "pensar" que precisamos de um exército de "Capitães Nascimento" para nos devolver a segurança.

Faz o cidadão médio "pensar" que o Brasil histórico do "Capitão do Mato" é a novidade do século. Uma tecnologia brasileira "for export" em técnicas de tortura eficientes e fatais.

Então o diretor de filme precisa ter cuidado com o que o espectador vai "pensar".

O filme pode induzir a uma dúvida, assombrar o cidadão com um aspecto inesperado?

Ou o filme, em vez de fazer o "freguês" refletir, vai apenas contribuir para que ele tenha ainda mais convicção no seu ponto de vista conservador e amendrontado?

Visto isso, qualquer um pode defender o ponto de vista de que Tropa de Elite é um filme "bom", afinal a opinião é pessoal.

Mas, se você pensar um pouco, vai concluir que Tropa de Elite não é tããããão bom assim.

Menos, mas bem menos mesmo...
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Estupidez Humana: Rambo tupiniquim ganha Urso de Ouro em Berlim

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Achei lamentável o fato do asqueroso "Tropa de Elite" ter ganho o prêmio máximo no festivel de Berlim. Ainda mais sendo presidido pelo venerável cineasta Costra-Gravas, que já fez filmes excepcionais como "Estado de Sítio", "Z" e "Amén".

A vitória do filme de Padilha, gentilmente apelidado por mim de "O Rambo dos Pobres", demonstra apenas que:

1) Festivais de cinema, sejam eles "cult" ou populares, provam-se cada vez mais inúteis e distantes da realidade.

2) Na certa, o júri do festivel de Berlim resolveu dar o prêmio ao "Tropa de Elite" simplesmente para gerar polêmica e alguma publicidade ao festival, que, convenhamos, é solenemente ignorado pela maioria das pessoas no planeta. Portanto, nada melhor do que premiar um filme que já chegou cercado de reações extremadas no estilo "ame" ou "odeie" e que fala de uma realidade (a violência nas favelas do Brasil) que os estrangeiros não conhecem, porém adoram dar pitaco;

3) Ganhar esse ou aquele prêmio não prova que um filme seja bom. Se fosse assim, o xaroposo "Titanic" seria o melhor filme de todos os tempos, assim como o ultra-fascista "Gladiador".

Ok, entendo e respeito as pessoas que gostam de "Tropa de Elite". Afinal, você gostar ou não de um filme é algo totalmente subjetivo. Agora, querer provar que o filme é bom só porque ele é "bem feito", "fez sucesso" ou "ganhou prêmios" não quer dizer nada. Pelo contrário.

Concordo que "Tropa de Elite" realmente é um bom filme no sentido de ser bem feito, ter narrativa trepidante, efeitos sonoros arrasadores, atuações convincentes e fotografia elaborada. Porém, a ideologia que o filme defende, dentro da estrutura narrativa escolhida pelos seus realizadores, é fascista do começo ao fim. É para isso que muitos críticos e curiosos tentam alertar, ao que parece em vão.

Eu mesmo cheguei a ver "Comando para Matar" e "Rambo II" nos cinemas umas 6 vezes na época (dá um desconto, pois eu tinha uns 15 anos!) e provalmente continuaria a me divertir com toda aquela baboseira bem filmada e montada até hoje. Agora, se alguém falar que são filmes fascistas, serei obrigado a concordar por mais que "goste" dos produtos...

Eu tenho certeza que o Padilha não teve a intenção de fazer um filme fascista, porém ele falhou em vários pontos e me parece que alguém o convenceu, na última hora, a trocar a narração que era feita pelo policial negro Matias e passá-la para o grotesco Nascimento, tirando assim qualquer possibilidade de crítica social ou aprofundamento psicológico do protagonista do filme (que é o Matias, não o Nascimento).

Assim, não adianta tentar justificar que o Nascimento é “profundo” por ser problemático ou sofrer de síndrome do pânico, pois, vale lembrar, o Rambo do Stallone também era um desajustado que tinha traumas psicológicos provocados pela guerra do Vietnã e dizia com orgulho que confiava "apenas no seu facão". Mas isso não o impedia de metralhar heroicamente os vilões malvados com frieza e requintes de crueldade em nome do imperialismo estadunidense para deleite da platéia, da mesma forma que faz o capitão Nascimento em nome de algo que nem fica claro no filme.

Bom, não quero me estender. Quem quiser ler minha crítica ao filme, feita na época em que estava nos cinemas, siga este link.

Fiquei feliz de ver que pessoas como o Mino Carta também pensam como eu. Vejam o que ele escreveu em seu blog:

"O prêmio conseguido em Berlim por “Tropa de Elite” não prova que o filme é bom. Prêmios sempre têm valor relativo e, além disso, Berlim fica muito longe, imensamente longe, do Rio de Janeiro. A gente sabe como funciona a nossa polícia e como é a favela, eles não. Vista da Europa, até a violência ganha um toque exótico. Não faltará quem diga: “Arrependam-se, este é o filme que teria de representar o Brasil no Oscar para o melhor estrangeiro”. Pois a comissão que não escolheu “Tropa de Elite” portou-se bem melhor do que os julgadores de Berlim."
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Jornalismo de Esgoto: Nassif mete a mão na lama e desmascara "jornalismo" de Veja

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É imperdível a série de reportagens que o jornalista Luis Nassif está publicando em seu blog a respeito do jornalismo de esgoto praticado por Veja.

O pior é que ele apenas está evidenciando, com muita propriedade, o que a maioria das pessoas de bom senso já havia percebido há anos. Como era de se esperar, os para-jornalistas da Veja e a editora Abril já estão ameaçando o Nassif com mega-processos na justiça, obviamente com a intenção de assutá-lo.

Clique nos links abaixo para ler cada uma das reportagens:

1) Momentos de catarse e a mídia Em PDF
2) A mudança de comando Em PDF
3) A guerra das cervejas Em PDF
4) O caso André Esteves Em PDF
5) O caso COC Em PDF
6) Primeiros ataques a Dantas Em PDF
7) Assassinatos de reputação Em PDF
8) O quarteto de Veja Em PDF
9) Os primeiros serviços Em PDF
10) O caso Edson Vidigal Em PDF
11) O dossiê falso
12) O bookmark de Mainardi
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Guerrilha Midiática: Revista Fórum dá destaque à blogosfera independente!

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Prezados leitores e leitoras, confiram no site da revista Fórum o destaque que está sendo dado à blogosfera independente e sua guerrilha midiática contra os grandes grupos da mídia corporativa!

Visitem, divulguem em seus blogs e dêem sugestões para a gente poder melhorar sempre.

A luta continua!

Ah! E reparem também que o crítico-spam que vos fala acaba de estreiar como colunista oficial na seção de crítica de cinema e DVD do site da Fórum...

Prestigiem! A imprensa independente, que precisa tanto do nosso apoio, agradece.

Rir para não chorar: A (IN)EVOLUÇÃO HUMANA

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Filmes: "Conversas Com Meu Jardineiro"

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ENCONTRO DE MUNDOS

Filme francês aborda questões complexas e faz crítica social de modo simples e humano, sem radicalismo, conflitos ou panfletagem.

- por André Lux, crítico-spam

É incrível a capacidade que alguns filmes têm de tocar em temas complexos e profundos sem serem panfletários, melodramáticos ou didáticos. “Conversas Com Meu Jardineiro”, filme francês dirigido por Jean Becker, é um desses raros exemplares.

Construído a partir do relacionamento entre dois personagens oriundos de classes sociais bem distintas, o roteiro aborda de forma sensível e discreta o abismo social que existe entre a burguesia e os operários. O primeiro é representado pela figura de um artista em crise conjugal e criativa (o sempre ótimo Daniel Auteuil) e o segundo por um ex-ferroviário que, aposentado, atua como jardineiro (Jean-Pierre Darroussin, que lembra o ator estadunidense Billy Bob Thornton).

Como uma relação próxima entre pessoas de classes sociais tão distintas seria inverossímil, mesmo num país do dito primeiro mundo, cria-se entre eles um passado em comum. Assim, ambos estudaram juntos na mesma escola quando eram crianças e acabaram expulsos depois de aprontar com um de seus professores. O mais rico prosseguiu os estudos, enquanto o outro largou tudo para pegar no batente. “Escola é o que acontece com a gente enquanto não temos idade para trabalhar”, ironiza o jardineiro.

Para o espectador mais atento aos problemas sociais do mundo, fica evidente o teor crítico das observações feitas pelo jardineiro, especialmente ao modelo neoliberal que, a exemplo do que aconteceu na América Latina, também foi implantado na França com resultados catastróficos para os mais pobres. “Hoje em dia, não existem mais empregos para os jovens”, reclama. Situação que tende a piorar ainda mais depois da eleição do extremista de direita, Nicolay Sarkozy.

Estabelecido o vínculo que permite aos protagonistas interagirem de forma convincente, “Conversas Com Meu Jardineiro” faz jus ao título e mostra uma série de diálogos entre os dois que variam do divertido ao lacônico. Aos poucos, a realidade de cada um começa a interferir na vida do outro.

Como era de se esperar, o convívio com o jardineiro e ex-ferroviário vai causar mais impacto no artista burguês, que vem de uma classe social geralmente alienada e insensível às questões sociais, colocando-o frente a frente com os problemas e injustiças sofridos pelos mais pobres – tais como atendimento médico precário, falta de opção de lazer e limitado conhecimento cultural. Tudo isso vai torná-lo uma pessoa mais sensível, ajudando-o inclusive a recuperar laços familiares e a inspiração perdida.

E é justamente a maneira que esse encontro entre mundos tão distintos é abordada que torna o filme especial. Sem discursos, conflitos nem radicalismos. Tudo muito humano e, em última instância, tocante.

Apenas duas coisas me incomodaram um pouco durante a projeção: a ausência de trilha musical e de canções (exceto por duas peças eruditas, uma delas de Mozart que também encerra os créditos) e o excesso de bate papo entre os protagonistas em algumas cenas que acabam se tornando redundantes. Mas é só. Nada que conte muitos pontos para tornar a experiência menos agradável e rica.

Cotação: * * * *
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Atirando no próprio pé: Revistonas da direita enterram ainda mais a pouca credibilidade que tinham...

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Acho que ninguém mais duvida que a imprensa corporativa, que visa o lucro acima de tudo e de todos, é parcial e partidária.

Tirando meia dúzia de direitistas e tucanóides hidrófobos, estamos todos carecas de saber que a dita "grande" mídia brasileira está nas mãos de meia dúzia de famílias podres de ricas que transformam o jornalismo em mais um meio de propagar suas ideologias e defender seus privilégios.

Todavia, o que mais impressiona é que, depois que Lula foi eleito, eles não conseguem nem mesmo disfarçar isso. Em nome da sua orientação golpista e anti-democrática, cometem erros grotescos (conhecidos como "barrigas" nos meios jornalísticos) que ferem de morte ainda mais a sua já combalida credibilidade, que acaba fazendo-os perder leitores, assinantantes e anunciantes todos os dias.

Um exemplo disso são as capas das três maiores revistas-panfletos - Época, Veja e Revista Semanal (uma espécie de Veja-light, obviamente para quem tem QI de ostra em coma) - que trazem nas capas o suposto "escândalo" dos cartões corporativos do governo Federal. Em nome da sua fúria anti-petista, as ditas revistas de jornalismo foram obrigadas a fingir que não sabiam nada sobre os gastos dos cartões corporativos do Governo do PSDB, em São Paulo, que mesmo reduzidos a um mero Estado apresenta gastos superiores aos da União! Notem que essa informação já era de conhecimento público desde sexta-feira, ou seja, eles não têm como afirmar que só ficaram sabendo depois que as edições já estavam impressas...


(clique na figura para vê-la maior)

Muita gente deve se perguntar por que eles insistem na prática desse jornalismo de esgoto já que estão sentindo no bolso faz tempo as conseqüências. A resposta é simples: não sabem fazer outra coisa. É algo instintivo, que faz parte da essência deles.

Existe uma fábula que ilustra bem esse caso:

"Um escorpião precisava atravessar um rio profundo, mas não sabia como. Aí chegou um elefante e ele disse "Por favor elefante, me carregue em suas costas para que eu possa atravessar o rio". O elefante olhou desconfiado e perguntou "Como posso confiar que você não vai me picar, animal peçonhento?" ao que o escorpião respondeu: "Se eu picar você, também vou morrer quando você se afogar no rio". O elefante ponderou e achou sensato o argumento do outro. Todavia, quando estavam ambos no meio do rio, o elefante sentiu a picada mortal do escorpião em suas costas e, antes de afundar, conseguiu perguntar "Mas por que você fez isso??". Ao que o escorpião replicou: "Infelizmente, não posso ir contra meus instintos primitivos..."

Seria cômico se não fosse tão trágico! Porque quando o jornalismo, que deveria atuar como o "quarto poder" (vigiando os outros três poderes), sucumbe à práticas partidárias e mesquinhas, quem sofre é a democracia e, claro, as pessoas mais necessitadas.

Mas, vamos esperar o que de uma imprensa que não apenas fomentou e participou ativamente do golpe militar de 1964, como cresceu e se multiplicou durante ele, servindo como órgãos "oficiosos" do regime de terror reinante...

E pensar que tem um monte de gente por aí que se diz democrata, liberal e ético que dá seu suado dinheiro para manter esse lixo golpista, seja comprando em banca, assinando ou dando Ibope pela TV. Quando será que vão aprender que a única coisa que os barões da mídia querem é a sua grana?
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Perguntar não ofende: Será que dona Cantanhede tomou a vacina?

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O blog "Amigos do Presidente Lula" publicou a notícia de que mais uma pessoa morreu por causa da vacina contra a Febre Amarela. A mulher tomou dose da vacina sem necessidade, pois morava em zona urbana e não ia viajar para zonas de risco.

Envei hoje o seguinte e-mail à colunista da Folha de S.Paulo, dona Eliane Cantanhede. Continuo aguardando a resposta:

"Prezada senhora Eliane Cantanhede,

Em artigo opinativo de sua autoria, publicado no jornal Folha de São Paulo, a senhora escreveu o seguinte:
"Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!...."

Gostaria de fazer a seguinte pergunta:
a senhora seguiu seu próprio conselho e também correu para o posto de saúde ou hospital que atende seu plano de saúde particular para se vacinar contra a suposta epidemia de febre amarela?

Se sim, por favor, envie os dados sobre o posto onde se vacinou e, se possível, algum recibo da vacina tomada (como eu não segui seu conselho, não sei se os vacinados recebem algum tipo de comprovante da vacina, mas suponho que sim).

Aguardo seu retorno.

Obrigado,
André Lux, jornalista"

Será que ela vai responder? O que vocês acham?
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Colunistas-Pitbulls em desespero: QUANDO FICA DIFÍCIL MENTIR

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No panfleto neoliberal chamado de "Folha de S. Paulo" de hoje dois de seus colunistas-pitbulls vomitaram sua bilis venenosa contra os blogs e as revistas virtuais independentes e assumidamente de esquerda, apelando inclusive para ataques e ofensas baixas.

Isso prova duas coisas:

1) A dita "grande" mídia corporativa, que visa o lucro acima de tudo e de todos, está cada vez mais aturdida com a disseminação das "outras verdades", que eles fazem das tripas coração para esconder, e com a conseqüente perda de credibilidade e de leitores que isso gera;

2) Os colunistas-pitbulls, que se prostituem a serviço da patrulha ideológica da direita golpista, estão cada vez mais desesperados pois percebem que não conseguem mais "formar as opiniões" da população em geral - excluindo aí, é claro, os hidrófobos da classe média alienada, cuja manipulação das mentes já adestradas há muito tempo não vai gerar orgulho nem caixa para eles.


O excelente texto do jornalista Laerte Braga, abaixo, escancara de forma magistral esse fato. Fico feliz de fazer parte dessa verdadeira "guerrilha virtual" que tem tirado o sono dos canalhas que comandam a imprensa golpista mundial.


QUANDO MENTIR FICA MAIS DIFÍCIL

A comunicação pela internet via blogs, revistas e jornais eletrônicos, listas de discussões, simples mails, começa a desmontar toda essa impunidade da grande mídia ou esse terreno fértil para manipular a opinião pública através de mentiras repetidas à exaustão até se transformarem em “verdade”, alternativa única diante dos interesses que representam.

- por Laerte Braga (http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/)

A jornalista Eliane Catanhede (o marido foi marqueteiro da campanha de Geraldo Alckimin) foi pega no contrapé da mentira pelos baianos quando inventou uma epidemia de febre amarela no Estado e agora, resvalou na raiva ao perceber o poder da comunicação via internet, blogs, revistas eletrônicas, jornais, na sua cruzada José Serra em 2010 a qualquer preço.

A jornalista, aparentemente, numa de suas colunas no jornal FOLHA DE SÃO PAULO, principal porta-voz do governador José Serra, dá a entender que petistas e tucanos ficariam perplexos se tomassem conhecimento das conversas entre os filhos de Lula, José Serra e dos elogios de José Dirceu a José Serra.

Fala dos entendimentos do prefeito Fernando Pimentel (Belo Horizonte) com o governador Aécio Neves (faz turismo em Minas, mora no Rio) em torno de candidatura única nas eleições municipais na capital este ano e vai por aí afora até desancar blogs petistas ou informações que contradizem seus escritos.

Há alguns aspectos importantes no que a colunista escreve. O primeiro deles é que a aparente indignação com erros tucanos e petistas é só aparente, reflete a raiva e a ira do descuido tucano de deixar rabos para todos os lados e não conseguir alcançar seus objetivos, como no caso do mensalão. Estavam prontos para pregar Lula na cruz e apareceu o irresponsável Eduardo Azeredo, senador por Minas, pai político de Marcos Valério (por sua vez testa de ferro de Clésio Andrade). Catanhede cita/lamenta que assim tenha sido.

Agora, no momento cartões corporativos, a senhora em questão diz que tucanos não conseguirão coisa alguma, tudo vai terminar em pizza, pois todos têm os respectivos rabos presos.O ataque aos blogs, revistas eletrônicas reflete, esse outro aspecto importante, a preocupação da chamada grande mídia com a crescente influência desses veículos e a um tal ponto que ameaçam a grande mídia, o que vale dizer inibe a mentira, o partidarismo descarado (caso da FOLHA DE SÃO PAULO).

Sem alternativa o jornal não teve como deixar de noticiar que no governo Serra o desmando de cartões assume proporções de epidemia de corrupção. Isso desagrada profundamente aos que controlam a FOLHA DE SÃO PAULO. Não há como esconder um fato com essa dimensão.

O jornalista Fernando de Barros e Silva, do mesmo grupo, segue na mesma linha.

Catanhede se refere ao blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA como “petistas e tucanos de internet, essas novas categorias do cenário político, irresponsáveis e agressivas ..."Fernando Barros de Lima fala “em termos de degradação moral e miséria intelectual, nada supera hoje certos blogs politicamente aparelhados ...”

Não é bem assim não. Só um exercício de raiva e frustração ao perceberem ambos e outros também, que aos poucos blogs e revistas eletrônicas, jornais na net, vão acabando com o monopólio da informação dirigida, voltada para os interesses dos grandes grupos que controlam a mídia no Brasil, desde as grandes revistas, os grandes jornais e as principais redes de tevê.

É só lembrar o que aconteceu com o JORNAL NACIONAL quando da queda do avião da TAM. Bonner quase voou em orgasmos múltiplos para dizer que o avião caiu por conta da pressa na inauguração de uma pista no aeroporto de Congonhas, sem as ranhuras devidas, sem os cuidados e zelos necessários, histeria que durou até se descobrir que o avião tinha um defeito no reverso, sofreu uma pane num dos motores (estava em chamas atestou a caixa preta) pouco antes da queda e que o serviço de manutenção da empresa era deficiente.

Aí, o piloto virou o culpado em capa da VEJA.

A comunicação pela internet via blogs, revistas e jornais eletrônicos, listas de discussões, simples mails, começa a desmontar toda essa impunidade da grande mídia ou esse terreno fértil para manipular a opinião pública através de mentiras repetidas à exaustão até se transformarem em “verdade”, alternativa única diante dos interesses que representam.

Isso é lógico, irritou Eliane Catanhede e Fernando Barros de Lima veio em seu socorro tentando, ambos, rotular, a melhor forma de desqualificar qualquer discussão, seja o blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, sejam outros que cumprem o papel de veicular idéias que a grande mídia não abriga, pois não são idéias que chegam depois de cheques das agências de publicidade dos donos do País.

Nem idéias e nem informações. Onde já se viu uma das matronas da imprensa escrita no Brasil ser contestada por um blog depois de falar/escrever uma asneira sobre a febre amarela na Bahia com interesses claros noutras direções?

Existe ainda outro dado importante. A circulação de jornais e revistas impressos cai de forma constante enquanto sobe a presença de veículos de comunicação na “net”. Como é que vão ficar as famílias quando um site como o UOL, da FOLHA DE SÃO PAULO, com parceria com a VEJA, tem o mesmo peso ou até menor que blogs e sites independentes?

O problema não é nem de “categorias irresponsáveis ou agressivas” como diz Catanhede e nem de “degradação moral e intelectual... de blogs politicamente aparelhados” no dizer de Fernando Barros de Lima.

É de independência e preocupação com os fatos. Nenhuma submissão a interesses de grupos econômicos, ou a agências de publicidade, ou a partidos políticos (braços, caso dos tucanos e democratas) de interesses dos donos.

Como é possível, na cabeça dessa gente, acostumada a mandar e desmandar na informação, controlar o que pode ou não pode, omitir, mentir, ser contestada por blogs? O palco para essa turma é vital, representa poder, representa faturamento, representa aplausos (adoram ser incensados).

O compromisso dos blogs, da comunicação independente via internet, é exatamente falar o que “catanhedes” não falam e na omissão enganam. Ou desmentir o que “fernandos barros” inventam e na invenção lucram.

As reações revelam a importância da comunicação independente, revelam que livre circulação de idéias é fundamental para o que chamam de “democracia” e mostram que autoritários e prepotentes, querem continuar senhores da “verdade”, mas da que representam e à qual servem.

Eu fico a imaginar se durante a campanha das diretas já tivéssemos a internet. Como ia ficar a GLOBO desconhecendo comícios gigantescos pelo País pelas diretas? Deputados e senadores que votaram contra?

Hoje há um medo específico de deputados e senadores, já que falei neles, das reações advindas de blogs e outras formas de comunicação na net. Sai lá a cara do dito que votou contra ou a favor e depois quer fazer média. Ao contrário da FOLHA DE SÃO PAULO que circula nas classes média e alta de São Paulo e de alguns estados brasileiros, os blogs e a comunicação via net chegam ao município, à casa do cidadão. E cada vez mais.

Lembram-se como os norte-americanos tomaram conhecimento da morte de milhares de soldados na guerra do Iraque? Uma foto divulgada na net da chegada dos corpos em caixões lacrados e em base secreta. A grande mídia dos EUA nem tocava no assunto. Quando um pai que perdeu seu filho na aventura das empresas de petróleo e de armas naquele país resolveu colocar a boca no trombone, os grandes não tiveram alternativa.

O pai viu a chegada do corpo do filho numa foto na net, num blog, em sua sala, em sua casa.

Categorias irresponsáveis ou degradação moral, mídia aparelhada, isso é coisa de GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, ÉPOCA, ESTADÃO, ESTADO DE MINAS, RBS.

A net, com toda o volume de informações que despeja, mesmo o lixo tipo pornografia, pedofilia, etc, é, justamente por conta dos blogs, dos jornais e revistas, a perspectiva de romper esse muro da informação única, da verdade absoluta construído pela grande mídia.

Aí, incomodados, desmascarados, os caras chiam.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Consciência de Classe é isso aí! Jornalões do PIG noticiam escândalo do PSDB igualzinho...

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Vejam só que engraçado, como os jornalões paulistas do PIG (Partido da Imprensa Golpista) se entregam na hora de noticiar algum "escândalo" que envolve um político ou partido da direita neoliberal... Não só eles escondem o nome dos envolvidos e seus respectivos partidos, como também usam o mesmo tipo de abordagem e até de manchete!

Que ninguém duvide mais que os barões da mídia nativa e seus capitães-do-mato têm total consciência de classe.

O texto é do amigo Renato Rovai, editor da revista Fórum, que de quebra cita meu nome.

A Folha deu hoje. O Estadão também. Igualzinho

- por Renato Rovai, editor da Fórum

A manchete principal da Folha de hoje trata dos gastos com cartões coorporativos no governo do Estado de S.Paulo. Notícia repercutida anteontem à noite aqui neste blog depois de publicada no Conversa Afiada.



Mas André Lux, nosso crítico spam, destaca num e-mail disparado hoje: “Nossa guerrilha midiática deu resultado... Embora apenas parcial, pois a manchete diz apenas que ‘SP gasta R$ 108 milhões’ e que "No governo paulista...’. Ou seja, não cita os mentores da desgraça: nem Serra nem o seu partido, o PSDB. De quebra, serve para os neoliberais falarem mal do Estado, esse ser horrível que precisa ser enxugado e minimizado.”

Segundo Paulo Henrique Amorim, em texto publicado anteontem à noite, a Folha teria recebido a denúncia com os gastos do governo do Estado antes dele.

Só queria acrescentar duas coisas ao comentário de Lux:

1 - O Estadão deu a matéria com uma chamada de capa em uma coluna. O título é o mesmo que o da Folha, com apenas uma diferença, usa o verbo no passado, ou seja, SP gastou 108 milhões com cartões. Ou seja, isso é coisa do passado.

2 - Curioso, né, como os fechadores de primeira página da Folha e do Estadão usaram a mesmíssima forma para abordar o assunto. Muito curioso.
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Filmes: "Desejo e Reparação"

NEM MAIS, NEM MENOS

De vez em quando surgem filmes que fazem a gente voltar a ter esperança na sétima arte. 

- por André Lux, crítico-spam

De vez em quando surgem filmes que fazem a gente voltar a ter esperança na sétima arte. “Desejo e Reparação” é um deles, onde todos os elementos que dão vida ao produto cinematográfico são de qualidade excepcional e existem somente para o benefício da história a ser contada e das emoções transmitidas. Nem mais, nem menos.

Uma cena que mostra a chegada dos soldados à desolada praia de Dunkirk, na França, durante a segunda guerra mundial, ilustra bem essa perfeição: são mais de cinco minutos de um plano-seqüência sem cortes, onde uma multidão de pessoas é movimentada com precisão, trazendo resultados arrebatadores.

Baseado no romance de Ian McEwan, o filme tem como tema central um erro irreparável que destrói a vida de quase todos os personagens principais, cometido de maneira consciente, porém ingênua, por uma criança movida por paixões que ainda não tinha maturidade para compreender ou controlar.

Assim, num momento de ciúme vingativo, a menina Brioni, a filha de 13 anos de uma família aristocrata da Inglaterra dos anos 1930, acusa o filho da empregada (o intenso James MacAvoy, revelado na mini-série “Os Filhos de Duna”) de um crime que não cometeu. Justamente no momento em que o amor que ele sentia pela irmã mais velha dela (Keira Knightley) foi revelado – e aceito.

A denuncia contra o preconceito social e a hipocrisia das ditas “elites” também se faz presente, pois a prisão injusta do jovem oriundo das camadas mais baixas acaba sendo uma espécie de “vingança” silenciosa dos aristocratas contra aquele insolente que ousou tentar melhorar de vida, fazendo planos inclusive de estudar medicina, recusando-se a aceitar “seu lugar” e, pecado dos pecados, engraçando-se com uma de suas filhas.

Gostei muito da montagem inventiva (de Paul Tothill), que surpreende ao retornar a cenas já exibidas, mas monstrando-as sob um outro ponto de vista como que para lembrar o espectador que nem tudo é o que parece ser. A bela trilha musical de Dario Marianelli, cujo talento já havia sido comprovado em filmes como “V de Vingança” e “Os Irmãos Grimm”, também é muito eficiente e torna-se marcante ao incorporar musicalmente os sons de uma antiga máquina de datilografar ao tema de Brioni.

É por tudo isso que a tragédia descrita no filme ganha contornos ainda mais tocantes, especialmente durante a conclusão, quando a excepcional Vanessa Readgrave tem uma cena solo capaz de arrancar lágrimas do mais duro espectador. Afinal, quem é que nunca cometeu (ou foi vítima de) um erro irreparável, consciente ou não, que trouxe conseqüências desagradáveis, quando não trágicas, a si mesmo ou a outras pessoas durante a vida?

Não por acaso, durante a exibição veio à mente “O Paciente Inglês”, outro filme excelente que tem temática e clima parecidos – e parece que eu não estava errado, já que o próprio diretor daquele filme, Anthony Minghella, aparece em uma ponta como o entrevistador no final.

Para quem gosta de dramas históricos com uma pitada de comentário social ou simplesmente de cinema feito com amor e requinte, “Desejo e Reparação” é uma ótima opção. Simplesmente imperdível!

Cotação: * * * * *
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Filmes: Immortel (Ad Vitam)

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O QUADRINHO É BEM MELHOR

É uma pena que Enki Bilal tenha errado a mão ao adaptar sua obra para o cinema. Deveria ter seguido mais à risca os originais ao invés de tentar deixar tudo mais moderninho sem necessidade.

- por André Lux, crítico-spam

Sou grande apreciador dos quadrinhos do artista Enki Bilal, nascido na antiga Iugoslávia e hoje radicado na França, principalmente das graphic novels “Os Imortais” e sua continuação “A Mulher Enigma”. Por isso, tinha grande expectativa em poder assistir “Immortel (Ad Vitam)”, a adaptação que o próprio Bilal fez da sua obra para o cinema. Já havia assistido a outro filme dele, “Tykho Moon”, que deixou boa impressão.

Depois de muito esperar (em vão) a chegada do filme ao Brasil, finalmente consegui assisti-lo depois de baixar pela internet. E o resultado é uma grande decepção. A beleza estética da obra do artista está impressa em cada fotograma de “Immortel (Ad Vitam)”, mas ficaram de fora o humor corrosivo e a crítica político-social geniais que fazem parte intrínseca dos quadrinhos.

Além disso, a trama é confusa e a conclusão não chega a fazer sentido, sendo vagamente inspiradas nos originais. O fato de ter seus cenários quase totalmente criados por meio de computação gráfica não é algo que incomode, porém a artificialidade com que os personagens interagem neles é gritante e deixa o filme sem peso e dramaticamente nulo.

A fusão entre atores de carne e osso (entre eles uma Charllote Rampling perdida) e os personagens humanos criados inteiramente por CGI não convence e a impressão que fica é que faltou grana para o projeto e Bilal, que assina a direção e o roteiro, foi obrigado no final a tampar os buracos com bonecos digitais (alguns bem fraquinhos, como a oriental que é assistente do político corrupto).

Mas, pior mesmo foi ter mudado completamente a personalidade do protagonista Nikopol (Thomas Kretschmann) transformando-o num antigo ativista político sorumbático e intelectual, quando no original era justamente a burrice tosca dele que deixava tudo muito mais divertido e servia de contraponto perfeito para as complexas maquinações diabólicas do deus egípcio Hórus.

Alguns mal informados acusam “Immortel (Ad Vitam)” de ter copiado filmes como “O Quinto Elemento” tanto no visual quanto na trama, mas é justamente o contrário: são eles que “beberam” na fonte de Bilal. Por isso, é uma pena que o próprio tenha errado a mão ao adaptar sua obra para o cinema.

Deveria ter seguido mais à risca os originais (e nos raros momentos em que segue, o filme melhora consideravelmente) ao invés de tentar deixar tudo mais moderninho inserindo na trama inclusive alusões à nova onda de clonagem e manipulação genética sem que houvesse necessidade.

Vale como curiosidade e pela beleza dos cenários, mas prefira os quadrinhos originais que são bem melhores.

Cotação: * * 1/2
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