sábado, 13 de dezembro de 2008

A pergunta que não quer calar: Afinal, por que a Classe Média é tão burra?

Vira e mexe essas perguntas vêm à tona em discussões entre amigos: qual o problema com o pessoal da Classe Média, por que são tão burros e insistem em apoiar políticos que só querem tomar o poder para beneficiar meia dúzia de amigos bem nascidos, seus familiares inescrupulosos e aqueles que os financiam?

Um parêntese: esse tipo de político, que disfarça cinicamente suas verdadeiras intenções mesquinhas com um discurso moralista e conservador, está melhor representado hoje no Brasil em partidos como o PSDB e o DEMo (ex-PFL).

Mas isso pode mudar amanhã se os podres de ricos acharem que essas pessoas não os estão mais representando adequadamente...

Para mim, a resposta é óbvia: a turma da Classe Média não tem "consciência de classe". E você não precisa ler as obras do Marx para enteder o que isso quer dizer. É fácil.

Converse com uma pessoa pobre, à beira da miséria. Ela sabe que é pobre, não tem ilusões sobre a sua condição social. Pode ser que não faça nada para mudar isso e passe seu tempo dentro de uma igreja, onde é invariavalmente ensinada a se conformar com sua situação com frases do tipo "a pobreza é sua cruz e vai te garantir um lugar nos céus", ou vendo as alienantes novelas da Globo. Porém, mesmo que não se de conta disso racionalmente, essa pessoa tem consciência de classe.

A mesma coisa vale para os podres de rico. E aqui estou falando dos Antônio Ermírios, dos Daniel Dantas da vida, sujeitos que tem mansões (no Brasil e no exterior), fazendas, iates, helicópteros, aviões, carros, importados, ilhas, etc, etc - ou seja, um tipo de gente que pobres mortais como eu e você só vemos no cinema ou na capa da revista Exame. Esses caras têm cosciência de classe, podem ter certeza!

É só ver como adoram ver os outros (pobres e remediados) seguindo as Leis e os códigos morais que seus lacaios inventam e disseminam para controlá-los, ao mesmo tempo que infringem todos eles... Por que vocês acham que eles têm verdadeiros batalhões de advogados a servi-los 24 horas?

E é no meio disso que se encontra a Classe Média, que no Brasil se subdivide em três tipos:

1) Classe Média Alta - sabe aquele tipinho que trabalha como escravo num alto cargo de multinacional para manter uma casa de dois andares num condomínio fechado, três carros de luxo na garagem, um apê no Guaruja, paga alta mesada para aos filhos e centenas de plásticas à esposa perua (para não encherem o seu saco enquanto se esbalda com amantes e prostitutas de luxo) - e ainda assim se acha membro da "raça superior" só porque, um dia na festa de fim de ano, o dono da empresa deu um tapinha nas costas dele? Pois é, esse é o preferido dos podres de rico, o mais fácil de ser comprado e manipulado...

2) Classe Média Média - tem um nível de vida razoável, algum conforto, um apêzinho de três quartos na periferia, carrinho popular zero (com prestações a perder de vista), educa os filhos em colégios elitizados e vive no limite do cheque especial para manter isso. É o tipo que trabalha hoje para pagar as contas amanhã. Esse eu conheço bem, pois fui criado como um deles pelo menos até os meus 18 anos (saiba como consegui obter, às duras penas, minha "consciência de classe" lendo meus relatos "Eu Também Já Fui Papagaio da Direita" e "Como Comecei a Ver e Sentir a Matrix"). São aqueles que vivem com medo de perder tudo, sempre no limite do estresse e manipulados pelo terrorismo midiático, ao mesmo tempo que morrem de raiva de quem é igual a eles, porém está do "outro lado" do muro, à esquerda, lutando por um mundo melhor.

3) Classe Média Baixa - resumidamente, são aqueles que trabalham hoje para pagar as contas de ontem, mas mesmo assim ainda são capazes de morar numa casinha bonitinha, ter um carrrinho mais ou menos novo e dar um mínimo de conforto e educação aos filhos (de preferência em escolas estaduais gratuitas). Não são tão raivosos quanto o acima citado, porém num misto de conformismo, alienação e vontade de subir na vida, são capazes de tudo para agradar os "de cima". Esses, infelizmente, são os melhores tipos para serem usados como jagunços dos poderosos, como se fossem os capitães do mato pós-modernos (para quem não sabe, capitão do mato era um escravo recém libertado que acabava sendo contratado pelo ex-dono para perseguir escravos fugitivos).

Então, entre os pobres que mal conseguem se manter vivos e os podres de ricos que acham divertido pagar R$ 7.000 num sapato na Daslu, estão os pobres coitados da Classe Média. 

Espremidos entre a miséria total e a riqueza absoluta, vivem sonhando que um dia vão "chegar lá" no topo da pirâmide e virar um "chapa" do Antônio Ermírio.

E para isso, deliram: basta trabalharem bastante, serem bonzinhos, não questionarem as regras e, acima de tudo, defenderem os interesses daqueles chiques e famosos - afinal de contas, são seus próprios interesses já que um dia eles mesmo poderão também estar lá em cima comprando suas ilhas particulares, não é mesmo?

Essa foi, na minha opinião singela, a grande "sacada" dos podres de ricos: inventar a Classe Média dando um pouco mais de migalhas a uma parcela dos trabalhadores, para depois convencê-los por meio de seus aparatos midiáticos (cinema, televisão, jornais, revistas, etc, de que eles estão mesmo bem mais próximos do topo da pirâmide do que da base e que para chegar lá em cima não é difícil, basta ter esforço e dedicação...

É aquela velha piada do cara sentando em cima do trabalhador com uma cenoura na ponta de uma vara de pescar - o de baixo vai sair correndo para tentar pegar a cenoura, enquanto carrega o outro nas costas sem nunca coseguir alcançar seu "prêmio".

Se a turma da Classe Média tivésse a mínima consciência de classe, estaria sempre ao lado dos pobres e miseráveis lutando por melhor distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e por Justiça social. E não faria isso por altruísmo ou caridade, mas sim por necessidade, para garantir sua própria sobrevivência e um futuro melhor para seus filhos.

O motivo para isso é óbvio, não? Quanto menos pobreza e injustiças existirem no mundo e quanto menor for o abismo que separa as classes sociais, menos chance de perder tudo e viver na miséria as pessoas vão ter. Assim, ao invés de ficarem agarrados desesperadamente ao pouco que tem - tornando-se presa fácil do discurso cínico dos "conservadores" - a Classe Média poderia viver em paz, sem medo do amanhã e sem ódio dos que ousam ter consciência de classe e lutam por um mundo melhor para todos.

Enfim, ouçam abaixo a música "Classe Média", do Max Gonzaga, que resume bem o que eu tentei dizer aqui.

56 comentários:

Mário disse...

Ótima análise André. Abs.

Luiz.Monteiro4 disse...

Eu acho que ser de esquerda é ser decente. Quem não defende igualdade e distribuição de renda é porque é goísta, mau e portanto não tem caráter. O resto é enrolação.

Luiz Moura disse...

Muito bem colocado. Seu post reforça toda a minha crença na hierarquia das necessidades humanas elaborada por Maslow. Eu sempre pensei em escrever algo deste tipo, mas tive medo de não me conter com as palavras e produzir algo que soasse um tanto quanto rancoroso com a vida. Gostei muito mesmo desta postagem, já estou me sentindo até certo ponto bem aliviado.

Fernando Romano disse...

André, excelente post. Concordo com quase tudo, então faço só algumas colocações: Acho que não podemos generalizar, achar que toda a classe média é assim. Não; ela oscila entre a esquerda e a direita (de acordo com os seus interesses), como bem disse o Miguel, do Óleo do Diabo.

Classe média baixa, remediados e pobres: juntamente com esses setores da classe média que você citou (falo principalmente daqui de São Paulo, capital) esses estratos da sociedade muitas vezes não se vêem como tal, por inúmeras razões - podem votar na direita acreditando que essa é a senha para automaticamente "saírem" da situação em que se encontram, ou para igualar-se a eles, como se fazer coro com o reacionarismo fosse um passaporte para a burguesia nacional. Um verdadeiro "complexo de Dona Florinda"... Cheguei a conhecer um pedreiro assim. De difícil situação econômica, morava nos subúrbios e tinha ódio da Marta, da esquerda em geral e do povo. O porquê disso, só Deus sabe. Eleitor do Kassab, seu maior sonho era ser policial, pois simplesmente "queria matar bandido" e etc., etc. - o mesmo discursinho de sempre. Isso sempre me fazia lembrar aquela frase do Tim Maia: 'O Brasil é o único país em que p... tem prazer, cafetão tem ciúme e pobre vota na direita'.

Um ponto que eu acho principal: o que causa a falta de consciência de classe? A ignorância, a estupidez, a completa falta de esclarecimento de grande parte da sociedade que ainda se julga informada por ler a Veja ou assistir ao Jornal Nacional; em suma, a alienação que você diz. O povo brasileiro foi alienado durante muito tempo na nossa história, e 20 anos de ditadura só serviram para piorar a situação. Só nesse aspecto seria possível discorrer por uns 3 posts, no mínimo. Então nesse caso, a miséria intelectual, os desprovidos de memória, contam, e muitos, pontos a favor da direita. Já reparou que a direita não tem projeto? É só ódio, ódio - discriminação contra isto, contra aquilo, contra tudo, contra todos, não pode, não pode. Para odiar, não é necessário raciocinar. Basta ser canalha e pôr a culpa nos nordestinos, no PT, nas cotas, nos ainda "bicho-papões" comunistas, no Chavez, ou no Estado, que no final das contas, é quem acaba salvando os banqueiros da vida. Por quê? Ignorância. Culpe "essa raça" e exima-se da culpa, lave as mãos e o resto que se foda. É isso que determinados setores da classe média fazem.

E por último, a própria estrutura do sistema leva à isso - competitiva ao extremo, egoísta e individualista, do tipo "que se danem todos", eu quero só o meu. Uma espécie de corrida de ratos. Mas nisso, a melhor definição foi sua, ao dizer que, quanto mais a classe média opta por um "estilo apartheid" (nós x eles) mais a própria classe média sai perdendo, pois "quanto menos pobreza e injustiças existirem no mundo e quanto menor for o abismo que separa as classes sociais, menos chance de perder tudo e viver na miséria as pessoas vão ter. Assim, ao invés de ficarem agarrados desesperadamente ao pouco que tem - tornando-se presa fácil do discurso cínico dos "conservadores" - a Classe Média poderia viver em paz, sem medo do amanhã e sem ódio dos que ousam ter consciência de classe e lutam por um mundo melhor para todos." É isso aí...

bodegacultural disse...

Excelente artigo!

soldadonofront disse...

Excelente texto, bem traduziu a realidade de classes na Brasil.

Muito Bom. Andre Lux é um grande brasileiro.

!!@v@nte Andre!!

Ricardo Melo disse...

HAHAHA!!! Muito boa, André. Hoje você tá inspirado.

Pobre classe média, não é uma coisa nem outra.

Olha para o privilégio dos donos do poder e vê o reflexo dos seus desejos de poder e consumo.

Na proporção iversa da admiração que a classe média tem para com os "ricos e famosos", só recebe preconceito e desprezo do andar de cima.

Essa é uma relação de amor e ódio que surgiu na Revolução Francesa, quando a burguesia mobilizou o povo a favor do Iluminismo e dos interesses do liberalismo econômico.

No bojo dessa transformação, a aristocracia perdeu o seu lugar, dando lugar ao poder do dinheiro.

E esse é um problema que só vai aumentar, afinal a classe média brasileira - ainda bem - está em expansão.

Será que os novos componentes vão levar para a classe média uma visão menos preconceituosa e conduzida?

Ou será que os recém-chegados vão fazer de tudo para se encaixar nos padrões dessa camada, até mesmo em termos de concepção política alienada?

Luís Henrique disse...

"Capitão de mato pós-moderno"... grande André!

Mas uma cobrança: por quê tão raros as resenhas de filmes? As últimas, inclusive, nem tem seu link na coluna da esquerda...

Márcio Costa disse...

André,

excelente post, assim como os outros dois linkados no mesmo. Todos são uma excelente aula de política prática, explicada de maneira simples e objetiva, com ótima didática.

Já enviei os três posts a todos amigos, além de indicar seu blog.

Continue nesta linha, usando experiências própias e de terceiros, além de auto-críticas sinceras. Eu mesmo me indentifiquei com várias situações citadas por vc no "Já fui papagaio da Direita".

Vc escreve muito bem e tem excelente raciocínio lógico dentro do estilo causa-efeito, apesar de gostar de artes, o que não é muito comum em gente com este perfil.

Parabéns e continue na luta! Precisamos de gente diferenciada e de qualidade igual a vc.

Um abraço,

Márcio Costa

André Lux disse...

Agradeço a todos pelos elogios. Achei que ia ser sumariamente malhado por esse texto!

Fernando, concordo com você. Existem é claro excessões, mas na minha opinião elas só confirmam a regra, pois a imensa maioria dos "classe média" que votam com consciência são exatamente os que tem "consciência de classe".

Os outros, como vc bem colocou, oscilam entre a esquerda e a direita, mas sempre movidos por interesses mesquinhos e imediatistas, sem levar em conta a realidade da política e os verdadeiros interesses por trás dos partidos.

Abraços!

Fernando Romano disse...

De acordo, André.

Adhemar Santos disse...

Dizer que a classe média é burra é de um primarismo atroz....vá entender....

André Lux disse...

Onde você quer que eu vá para entender, Adhemar? E, por favor, não seja atroz em sua resposta...

Adhemar Santos disse...

Meu caro, por exemplo, de onde vc tirou isso:

"Se a turma da Classe Média tivésse a mínima consciência de classe, estaria sempre ao lado dos pobres e miseráveis lutando por melhor distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e por Justiça social."

De onde vc tirou que a classe média não quer melhor distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e por Justiça social? É óbvio que a classe média quer tudo isso.

André Lux disse...

Atingi no nervo, né Adhemar? É duro ter que se olhar no espelho e não ver o Brad Pitt...

Adhemar Santos disse...

Não, amigo, não atingiu no nervo. Você é classe média? O House é classe média?

André Lux disse...

Eu sou. E você? É rico, pobre ou dá pra viver?

Adhemar Santos disse...

Então, meio que plagiando o seu comentário.....o que vc vê quando olha no espelho? O Brad Pitt?

André Lux disse...

Hummm... isso que dá tentar usar metáforas coloridas com a turma da classe média!

André Lux disse...

Ah, respondendo sua pergunta "Adhemar", quando olho no espelho vejo-me a mim mesmo, com todas as qualidades e defeitos.

Sobre o personagem House, se morasse no Brasil, seria um sujeito de classe média alta, como quase todos os médicos particulares. A diferença é que House tem consciência de classe e, por isso, vota nos Democratas. É só reparar nas tiradas críticas que já deu contra o governo Bush e os republicanos em geral. Sem dizer que é um sujeito liberal, nada homofóbico, extremamente sincero e que tem horror de hipócritas...

Adhemar Santos disse...

André

Ok, se você é classe média, então você também é burro? Ou você acha que faz parte de uma pequena minoria da classe média que quer melhor distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e justiça social? Acho que você não tem parâmetros para afirmar que a maioria da classe média não quer isso aí.

André Lux disse...

Não sou burro, "Adhemar", justamente por ter conquistado consciência de classe e, assim, ficar entre essa minoria que você apontou.

E vc, meu caro, ainda não respondeu: é rico, pobre ou dá pra viver?

Adhemar Santos disse...

Sou classe média, meu caro....e não me considero burro. E você não respondeu, que parâmetros vc tem para afirmar que a classe média, a maioria dela, é burra?

André Lux disse...

É só ler tudo que você escreveu aqui até agora e qualquer um terá ótimos parâmetros...

Adhemar Santos disse...

Hahahaha, eu poderia dizer o mesmo sobre o que você escreveu para provar que, ao contrário do que pensa, você faz parte da classe média burra. Isso é uma falácia. Você está fugindo da resposta, simples assim, parece até que está fazendo simples propagando sem pensar o mínimo que seja. Vai, bota os 2 neurônios para pensar.

André Lux disse...

"Ademar", é motivo de orgulho para mim saber que você me acha burro.

Adhemar Santos disse...

Eu não te acho burro, meu caro....não te conheço suficiente para fazer tal afirmação. Mesmo que diga asneiras de vez em quando, isso não te classificaria como burro, na essência. Assim como, se dissesse coisas inteligentes de vez em quando, também não seria suficiente para classificá-lo de um cara inteligente.

Enfim, o que eu acho é que você não gosta de ser contrariado em suas análises e não consegue colocar os argumentos que o levaram a tal. Daí, parte para a desclassificação do comentarista. É uma tática manjada, meu caro. E feia, porque revela uma pobreza de argumentação e coloca em xeque tudo que você escreveu. Reformule o tipo de diálogo que vc leva com os comentaristas do seu blog, você só tem a ganhar, a não ser que você escreva coisas sem muita convicção, só para fazer propaganda. Pense nisso.

André Lux disse...

Adhemar, Adhemar... que feio. Você não gostou do que eu escrevi neste post, sentiu-se ofendido, mas ao invés de tentar provar que a classe média sem consciência de classe não é burra, fica pegando trechos do que escrevi e tirando do contexto, só para tentar distorcer o que escrevi e me provocar... E ainda me dá lição de moral!

Sinceramente, acho que já está na hora de você dar uma sumida e voltar depois com outro nome falso, não?

Só rindo mesmo...

Adhemar Santos disse...

Meu caro, acho que primeiro vc tem que provar o que escreve. Tirar do bolso do paletó, assim do nada, que a classe média é burra e que não quer melhor distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e justiça social? E eu é que tenho que provar que você está errado? Primeiro vc tem que me apresentar os argumentos que vc utilizou para validar sua teoria. Diz aí, vc utilizou alguma pesquisa? Entrevistou quantos componentes da classe média?

Vamos, vc pode fazer melhor do que isso. O ônus da prova é seu, cara.

André Lux disse...

Pelo contrário. Como você acha que eu estou errado em minha análise subjetiva, então é você que deve provar então que a classe média inconsciente é inteligente.

Fico no aguardo.

Adhemar Santos disse...

Sei, vc na sua subjetividade diz que viu um dragão rosa na sua garagem e eu é que tenho que provar que vc não viu? Acorda, cara!! O ônus da prova foi, é e sempre será de quem faz afirmações subjetivas.

André Lux disse...

Provar uma afirmação subjetiva? :-D

Adhemar Santos disse...

Afirmações subjetivas podem ser "provadas" (ou fundamentadas) a partir de dados estatísticos. No caso, vc acabou se traindo. Se suas afirmações são subjetivas, como vc mesmo afirmou, e não apresenta dados que as fundamentem, então tudo que vc escreveu não passa de uma grande bobagem.

André Lux disse...

A falta de auto-crítica por parte da classe média inconsciente é uma excelente prova estatística para meus argumentos.

Adhemar Santos disse...

André, vc se superou agora!! Vamos lá, por partes. Vc sabe que em estatística costuma-se falar em porcentagens de um grupo dentro de um universo de pesquisa, certo?
Então me diga, quantos % da classe média inconsciente estão contidos na classe média como um todo? Quantos % dos que não tem auto-crítica fazem parte da classe média inconsciente? Sem esses números, vc não prova seus argumentos.

André Lux disse...

"Ademar", só poderei responder suas brilhantes indagações se você passar no seguinte teste:

1) Qual é o seu nome?
2) Qual é a sua busca?
3) Qual a velocidade média de uma andorinha africana em pleno vôo?

Pense com cuidado, pois se errar será jogado no poço da eterna condenção...

(Impressionante o que uma pessoa faz para tentar provar que não é burro, não?)

Adhemar Santos disse...

1) Adhemar dos Santos
2) A do Cálice Sagrado
3) Velocidade da luz

Essas últimas do "poço da eterna condenação" e "de provar que não é burro" saíram daquele manual também?

André Lux disse...

Respostas 1 e 3 incorretas. Game over.

Adhemar Santos disse...

E a tecla "start new game"? Esqueceu dela?

Fátima disse...

Excelente análise. Você descreveu perfeitamente alguns colegas do meu trabalho, que trazem marmita, chegam todos suados porque pegaram metrô lotado e ainda votam no serra, porque se acham chique ao trabalhar de terno e gravata (aqueles ternos de quinta, todo amarrotado). kkkkk

Glauber Ataide disse...

Muito bom! Coincidentemente, este post estende uma reflexão semelhante que havia feito em meu blog: http://glauberataide.blogspot.com/2009/10/quando-pobres-defendem-interesses-de.html

Hasta la victoria, siempre!

Anônimo disse...

André, td bem? que v achou do site http://classemediawayoflife.blogspot.com/ ?
parece legal. um abraço!

Anônimo disse...

Sou seu leitor anônimo. Gosto muito da sua visão política, espelha bastante a minha. Por isto, me sinto na obrigação de te dar um conselho.rs Apesar de meu comentário estar bem distante do tempo de sua conversa com o Adhemar Santos, eu queria te pedir para rever os seus conceitos. Não acho que a sua consideração a respeito da classe média esteja certa, mas também não acho que você tenha enveredado por um caminho de todo errado. O importante, não é tanto a minha opinião sobre este assunto, e sim, a minha opinião sobre o que o Adhemar postou - infelizmente, ou felizmente, ele está certo, André! Como um seguidor seu, eu queria que vc reconsiderasse o que ele falou. Não faz vergonha admitirmos nossos erros, pelo contrário, nos enobrece! E caso você ainda esteja achando que o posicionamento dele foi equivocado, meu amigo, você está realmente encrencado com sua visão de mundo.

Almirante disse...

O seu artigo está excelente. Retrata mais o menos o que eu penso. Agora, não sei porque você perde seu tempo debatendo com tipos como esse tal de "Ademar".Basta simplesmente não publicar as idiotices que o cara escreveu e pronto. Se ele tem opinião diferente da sua (e pelo visto, da maioria dos seus leitores/seguidores)que se dane, problema dele.

carlos.samal disse...

Não concordo com muita coisa que escreveu. Penso que a pessoa tem todo direito de ser pobre, media ou rica, como ela quiser. Temos liberdade neste pais para sermos o que quisermos. A pobreza, é uma questão de querer ou não ser pobre, é um estado de espírito. Tenho vários amigos que eram pobres ou até mais que eu fui, no entanto, não ficaram a espera do Estado para mudarem sua condição, foram em busca de mais estudos, mais cultura e conseguiram com muito sucesso ocupar o lugar que queriam. O discurso dos pseudos comunistas, é sempre o mesmo, falando em luta de classes e tudo mais. Creio que é discurso de fracassado, que não consegue um emprego de alto salário em alguma estatal o outro órgão público. Existe sim varias indústrias da desgraça brasileira, que faz com que nos perpetuamos no terceiro mundo, dentre as quais posso citar, a indústria da paternidade irresponsavel, menor abandonado, trafico de drogas, trafico de armas, hospitais, creches, merenda escolar, penitenciarias, televisão, classe política, futebol. Poderia citar mais algumas, mas da para entender onde quero chegar. Estas indústrias, cada qual a sua maneira colabora em lucrar com nossa ignorância, com a ingenuidade do Brasileiro, com sua passividade. A classe política, que poderia mudar este moto continuo, tem muito a lucrar com esta desgraça, haja visto o partido do governo atual, mas nada faz a não ser em corrompe-la para ganhar facilmente seu precioso voto.

André Lux disse...

Carlos Samal, obrigado por comprovar minha teoria.

M. Nunes disse...

Cara, fantástico a sua teoria...
Deixo aqui o link do blog de um programa feito por adolescentes da TV USP http://quartomundotvusp.blogspot.com/
. O programa fala sobre cultura, comportamento, cidadania e política pelos olhos jovens.

Da uma olhada ai.. e se te interessar, podemos fazer uma matéria em parceria pra ser posta no nosso blog, já que é necessária a formação de uma juventude que pensa politicamente. Já haviamos feito um programa sobre Políticas públicas para jovens, mas no blog podemos falar a qualquer momento sobre tudo...

Abraços

Leonardo disse...

Bela síntese!

Tear disse...

- Mutchobom meu caro !!!...e eu que pensei que estava solitária no meu pensamento intitulado como "radical" pelos meus "pares"...tô mais tranquilia....valeu e até...
Rosi Alves

Anônimo disse...

Mas olha rapaz, cheguei aqui por acaso, depois, pelo retratinho, descobri que estás quase sempre lá pelo Nassif,mas o que vale é que gostei das primeiras coisas que estou vendo. Até coloquei o teu blog no meu caderninho como daqueles que a gente vê sempre.
Gostei da burrice da classe média (maioria,claro). Mas tem uma coisa que achei realmente uma grande sacada e que combina com tudo que penso (que advém das minhas experiências de vida e + 15% das mil teorias que a sobrevivência me fez engolir e que felizmente a maioria delas já consegui vomitar).
Trata-se (coisa que eu atribuo à competência dos poderosos) da certeza que os imbecis da classe social a qual pertencemos têm que estão tão próximos dos muito socil e econômicamente afortunados, que basta um esforcinho a mais e chegam lá. A media, a propósito, entre nós, tem um papel definitivo na construção desta certeza. E isso, definitivamente, aliado a sedução que os poderosos exercem sobre os quase caindo no buraco é uma verdadeira desgraça para uma leitura consistente de mundo.
Parabéns, inclusive pelos comentários sobre cinema.Euzinha

cesar augusto disse...

Belo texto, mas, às vezes, é preciso desenhar mesmo. Enão vamos falar em percentagens, nem como elas entraram no debate...Hilário. Gostei muito!

J.H.P. Yandeara disse...

Em partes você têm razão, como membro da classe media, e tendo um circulo social de maioria de membros dessa classe eu ja percebi o que você quer dizer, que as vezes a classe media é deprimentemente burra.

Porem, ser inteligente não tem nada haver com ter consciência de classe ou ser de esquerda, o maior exemplo disso, é que você é algum tipo de defensor do PT, logo é um membro iludido da classe media que acha que o PT foi diferente do PSDB ou de qualquer outro partido da Burguesia.

Mas tanto faz. A questão aqui é que eu concordo com você, e ainda adiciono mais...

A Grande parte da classe media esquerdista é tão burra quanto a classe media que apoia a direita.

E isso é deprimente também.

Mas sim, você têm razão, espero não ter-lo ofendido, papagaio do PT. :P... sacanagem. respeito seu trabalho aqui. boa sorte.

Matheus disse...

Concordo em alguns aspectos.
Eu sou classe média, sou totalmente a favor de distribuição de renda, mas sou contra a ideia assistencialista da esquerda de distribuição de renda.

Quem paga a conta do assistencialismo atual? São os ricos? Óbvio que não, é a classe média!

Acho a esquerda muito boa em alguns aspectos, que a alternância no poder tem feito bem ao país, mas a corrupção e o inchamento e ideologização da máquina pública é exagerado.

Alex Araujo disse...

A classe média é algo espantoso! Aliás difícil falar o que ela é, porque de fato não é nem uma coisa nem outra. É a tese, a antítese e a síntese, tudo junto no mesmo imbróglio. É a negação e a negação da negação. É o vir a ser, a dialética estancada. É o que desafia (haha) a nossa realidade. Coisa de louco. Mais espantado ficamos quando ela assume o poder e observamos os medíocres (que é como são chamados certos políticos sob o governo da classe média), que guiados pelos austeros princípios da mediocridade, implantam a mediocracia. Mediocracia esta que uns tantos afirmam, não sem razão, tratar-se de coisa do demo. E daí o nome popular sob a qual a conhecemos: democracia. Mais recentemente porém, uns tantos elementos tomaram uma boa dose de consciência de classe e, embriagados, perceberam que podem tomar o poder de assalto (consciência revolucionária). Fundaram um novo partido, o PiG, e que vive de jogar MÉRDIA no ventilador.

Alexandre Figueiredo disse...

O povão é manipulado todos os dias e não se dá conta disso.

Anônimo disse...

OI Gente:

Ao blogueiro que escreveu este artigo, gostaria de dizer que entre
aqueles, independente da posição de
classe média, que eu considero exemplo da mais vulgar vassalagem e
peleguismo são os profissionais
de RH(recursos humanos?) uma gente
capacha e servil, que se acha mais
realista que o rei e que no fundo
não passam de gente carreirista e
que são absolutamente infantilizados. Para eles, por
"interesses", podem exigir experi-
encia em viagens espaciais ou ino-
centes uteis como neto, o apresentador da band.Agora, quando
são demitidos, os profissionais de
rh -e dão uma de rícupero, só
mostram o lado "bom" - no fundo estão num nivel de indigencia e de
pespectiva pior do que população
de rua que pelo menos tem a liber-
dade de ir e vir e de não dar satisfação de suas vidas a ninguem,
diferentemente dos famigerados
profissionais de RH que tem que "se
apresentar ao mercado" e acionar
sua "rede de relacionamentos" (vulgo networking) e se anunciarem
em futilidades como facebook e linkedlin.
Outros famigerados "classes
médias" são essas pessoas ligadas
ao meio artistico, um bando de
gente que vive a dourar a pílua.

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