quinta-feira, 31 de maio de 2007

"A Revolução Não Será Televisionada": Veja o documentário com legendas em português!

O jornalista Luiz Carlos Azenha colocou o documentário "A Revolução Não Será Televisionada", que mostra com riqueza de detalhes o golpe que a direita deu na Venezuela e a atuação vergonhosa da RCTV na manipulação das notícias, no youtube, com legendas em português!

Confiram neste link e entendam porque tudo que tem sido dito pela mídia corporativa sobre Chávez e seu governo na Venezuela é mentira...

Caso RCTV: Exposta a hipocrisia do imprensalão

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Não vou entrar no mérito da decisão do governo da Venezuela, eleito democraticamente três vezes, pela não-renovação da licensa da golpista RCTV. Os fatos falam por eles.

Para aqueles ingênuos que ainda acreditam que a nossa imprensa, principalmente a rede Globo, está preocupada com a defesa da "democracia", sugiro a leitura da capa do jornal O Globo, colocado nas bancas no dia seguinte ao golpe militar de 1964 aqui no Brasil...

Um belíssimo exemplo do que a elite predatória pensa do que é "democracia", exposto claramente por meio de seus veículos midiáticos e dos seus "vomitadores de opinião" - que nada mais são do que capitães-do-mato pós-modernos.

Clique na figura à direita para vê-la em tamanho maior.

Quem quiser ler bons e honestos artigos sobre o assunto, clique nos links abaixo:

- DIA HISTÓRICO PARA A HUMANIDADE, por Marcelo Salles.

- Por que a Globo é golpista, por Gilson Caroni Filho.

- Debilita-se a ditadura dos monopólios midiáticos, por Emir Sader.

- O fantasma socialista e outros artigos no blog do Eduardo Guimarães.

Quem não quiser... bom, que continue pagando mico ao repetir as mentiras e distorções que a mídia corporativa vende como "verdade única e absoluta"...
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terça-feira, 29 de maio de 2007

DVD: "ALIEN 3"

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AULA DE COMO NÃO FAZER CINEMA


Edição especial traz 30 minutos de interessantes cenas inéditas e documentários que desvendam sua caótica produção


- Por André Lux, crítico-spam

A edição especial de "Alien 3", que traz dois discos e pode ser adquirida junto ao Box "Quadrilogia Alien" com 9 DVDs ou separadamente, é uma verdadeira aula sobre como se faz cinema em Hollywood. Se bem que neste caso está mais para "como não se deve fazer" cinema.

O terceiro capítulo da série (e supostamente o último antes do péssimo "Alien: A Ressurreição") foi um grande fracasso de bilheterias e de crítica na época do seu lançamento. Embora tenha seus defensores, principalmente por causa do clima claustrofóbico, da perturbadora música de Elliot Goldenthal e do bom desenho de produção, é difícil negar que o filme não chega nem aos pés quando comparado ao suspense e ao horror do primeiro "Alien: O Oitavo Passageiro" ou ao ritmo frenético da continuação "Aliens - O Resgate".

E o que antes era mera conjectura acerca dos motivos que levaram o projeto ao naufrágio agora se transforma em fato, graças aos excelentes documentários que desvendam a produção de "Alien 3" desde a sua concepção até o lançamento nos cinemas: simplesmente não havia um roteiro pronto, nem mesmo durante as filmagens!

Não adianta, portanto, culpar o diretor David Fincher (que depois se consagraria em filmes como "Seven - Os Sete Crimes Capitais" e "Clube da Luta", aqui em sua estréia num longa-metragem), pois ele literalmente "pegou o bonde andando" herdando um projeto que vinha sendo desenvolvido há vários anos sem sucesso e já havia passado pelas mãos de Renny Harlin (de "Duro de Matar 2" e de Vincent Ward (de "Amor Além da Vida").

Sem ter um roteiro consistente para seguir e sofrendo constante pressão dos executivos da Fox, sobrou para Fincher a impossível missão de tentar salvar o projeto dando forma e conteúdo a toda aquela bagunça. O designer original do Alien, H.R. Giger, foi contratado para criar um novo modelo da criatura, supostamente mais ágil e veloz (na época diziam que seria um cruzamento entre "um jaguar e um trem de carga"), porém a maioria de suas contribuições foram descartadas (Giger acabou processando a Fox quando não recebeu créditos na continuação "Alien - A Ressurreição")

Confesso que ver "Alien 3" nos cinemas foi uma grande decepção. E o filme nunca melhorou numa revisão. Pelo contrário, ficou ainda pior principalmente por causa dos efeitos visuais lamentáveis que usaram para tentar movimentar a criatura - basicamente uma marionete fotografada contra um fundo azul. A coisa só melhorava um pouco quando filmavam um ator vestindo a roupa de Alien. Mas, fora isso, o resto do enredo era uma salada indigesta de todos os clichês de "filme de prisão", trazendo uma série de carecas fanáticos religiosos e irritantes cuja única função na tela era servir de jantar para o monstro-babão, que aqui não tem nada a fazer exceto ficar correndo de um lado para o outro. Sinceramente, nunca pensei que fosse torcer pelo Alien até ver este terceiro capítulo da série!

Mas o interessante é perceber que fica fácil ser mais condescendente com o filme depois que se assiste aos making-of, pois se levarmos em conta o caos que foi a produção de "Alien 3" é um milagre que tenham conseguido terminar as filmagens. E essa tolerância aumenta ainda mais na Versão Estendida a qual tem 30 minutos de imagens inéditas e apresenta algumas mudanças que, embora não sejam suficientes para salvá-lo, dão ao filme mais profundidade e riqueza.



Esta nova montagem não chega a ser a "Versão do Diretor", já que Fincher não aceitou se envolver na produção do DVD (tanto é que não há nenhum depoimento dele nos documentários). Ela é na verdade uma mistura da primeira edição do filme (e que foi rejeitada pelo estúdio) com a final para os cinemas, algo que poderia ser chamada de "Versão Bastarda" (clique na foto à direita para ver algumas cenas inéditas em tamanho maior).

Duas adições merecem destaque, já que mudam bastante o resultado. A primeira acontece no início do filme, quando o EEV cai no planeta Fiorina "Fury" 161. Diferente da versão cinematográfica, a tenente Ripley (Sigourney Weaver) é encontrada semimorta na praia pelo médico da prisão (Charles Dance), que a leva para dentro do complexo. Enquanto tentam reanimá-la, somos apresentados à concepção original do Alien no roteiro. Aqui ele sai de dentro de um boi, não de um cachorro. Há uma cena no matadouro que mostra os homens trazendo o bovino morto para dentro. No final da tomada, um deles mostra um facehugger (abraçador de rostos) diferente, maior e mais escuro, dando a entender que seria um modelo especial para depositar a futura Rainha-Alien no hospedeiro.

Várias dessas seqüências até então inéditas no começo do filme restauram imagens captadas pelo fotógrafo original de "Alien 3", o brilhante Jordan Cronweth (de "Blade Runner"), que estava sofrendo de Mal de Parkinson e teve que ser substituído por Alex Thomson após rodar tais cenas.

Outra mudança drástica em relação ao original diz respeito à seqüência na qual Ripley e os prisioneiros tentam prender o Alien. Na versão dos cinemas eles apenas conseguem explodir os túneis e matar um monte de gente, mas aqui a ação continua e eles realmente aprisionam a criatura! O personagem Golic, que estava preso numa camisa de força na enfermaria e não era mais visto na versão dos cinemas, acaba se soltando e, num arroubo de fervor religioso psicótico, liberta o Alien - que ele passou a considerar um "mensageiro de deus" depois de vê-lo matando o médico da prisão.

Outras adições servem para reforçar o aprofundamento psicológico de alguns prisioneiros (especialmente o líder Dillon, feito por Charles S. Dutton) e corrigem muitos furos que existiam na montagem que foi para os cinemas (o mais grave deles relativo ao desaparecimento de Golic).

Tudo isso não é suficiente, porém, para transformar "Alien 3" num grande filme. Existem ainda muitos pontos frouxos no roteiro - o mais gritante deles foi terem eliminado logo de cara o médico, que era o único personagem interessante da prisão - e os efeitos visuais de movimentação da criatura deixam muito a desejar...

Todavia, a nova edição do filme tem sim o mérito de trazer "Alien 3" mais próximo da visão do diretor Fincher e isso tende a deixá-lo um pouco melhor e mais interessante do que bagunça sem nexo que estávamos acostumados a ver até agora.

Cotação:
Versão dos cinemas: * *
Versão estendida: * * 1/2
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Sugestão: Blog hilariante!

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Graças a uma indicação do amigo Ricardo Melo, cheguei até o blog "Hariovaldo News", especializado na "defesa dos valores da família cristã, da moral e dos bons costumes".
É simplesmente hilariante! E, pior, deve ter um monte de gente que acha que é sério!
Vejam abaixo uma pequena amostra do que existe por lá:

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Lógica do Absurdo II: É mais fácil acreditar em duendes que na mídia corporativa...

Clique na figura para vê-la em tamanho maior:

A Lógica do Absurdo: "Vivo numa democracia, ergo, posso ofender e provocar"

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Vejo em muitos sites assumidamente de esquerdas, protestos de pessoas dizendo que seus comentários são “censurados” e que isso demonstra falta de democracia.

Não concordo.

Democracia não é sinônimo de permissão para dizer o que quiser, onde quiser e da maneira que achar melhor. Pelo contrário. Democracia é saber viver em comunidade pacificamente, respeitando a decisão da maioria, mesmo que isso o desagrade profundamente.

Se você não concorda, então considere a seguinte metáfora:

Você, um católico fervoroso, vestiu sua melhor roupa, passou gumex no cabelo, perfume francês e foi para sua tradicional missa de domingo naquela igreja chique que fica no bairro nobre da cidade. Você está lá rezando em êxtase religioso junto aos outros fiéis, quando de repente entra na igreja um ateu convicto que começa a jogar lama nas paredes e berrar coisas como “Religião é o ópio do povo!”, “O papa Ratzinger é um ex-nazista!”, “Prisão aos padres pedófilos!”, “A igreja católica é um câncer mundial!” e outras coisas do tipo.

O que você e o os outros fiéis fariam nesse caso?
a) Continuariam rezando calados mesmo a contragosto, pois entenderiam que numa democracia esse tipo de atitude é absolutamente normal;
b) Tentariam acalmar o sujeito e mostrar que respeitam a opinião dele, mas que ali não é lugar adequado para esse tipo de manifestação;
c) Chutariam o histérico para fora da sua igreja e chamariam a polícia para enquadrá-lo.


Não precisa ser muito inteligente para saber qual a opção seria escolhida no calor do momento, certo?

Transfiram a situação hipotética acima para uma sinagoga, um templo budista, uma reunião da TFP, um fórum de discussão sobre educação ou qualquer outro tipo de grupo ou seita nos quais as pessoas entram por livre e espontânea vontade, pois ela vale para qualquer uma delas – inclusive para páginas da internet.

Agora, só porque um(a) blogueiro(a) deixa que qualquer tipo de comentário seja postado em sua página, isso não quer dizer que ele(a) seja mais democrático(a) que aqueles que ignoram ou deletam ofensas, xingamentos ou provocações infantis. Apenas demonstra que, talvez, ele(a) seja mais tolerante a baixaria e ao lixo oriundo de mentes doentias de fascistas e de seus papagaios amestrados por Veja, Globo, Folha, Estadão e afins.

Aqui no meu blog esses tipos não têm vez. Podem ler o que quiserem e falar mal de mim entre si ou nos blogs dos lacaios da direita, mas na hora de tentar espalhar sua sujeira por aqui vão ficar esperneando lá fora, até aprenderem a terem bons modos e educação – coisas que deveriam ter recebido desde o berço, diga-se de passagem...

Mas, eu me pergunto: afinal, por que motivos alguém ficaria visitando sites e blogs que defendem justamente ideologias que ele (ou ela) não entende ao ponto de odiá-las de forma irracional e serem impelidas a escreverem coisas que certamente não teriam coragem de expressar na vida real? Seria masoquismo? Insegurança? Burrice? Medo? Tudo isso junto?

Ou será que estão apenas compartilhando aquilo que eles acham que têm de melhor?

Acho que nesse caso, nem Freud explica...

Mas, olha, se você ainda não concordou com nada do que eu disse e continua achando que democracia é sinônimo de sair por aí xingando a crença ou a ideologia dos outros, faça então o seguinte teste:

No próximo jogo do Coringão, entre no meio da Gaviões da Fiel fantasiado de palmeirense e comece a gritar: "Todo corinthiano é favelado, bicha e corno!!". Ou, para não me acusarem de parcial, vista-se de corinthiano e grite os mesmos slogans acima no meio da mancha-verde... Aí, se pintar algum estresse, você explica pro pessoal seus conceitos do que é uma democracia!

Ou será que você só tem coragem de praticar a sua interpretaçao do que é "democracia" no mundo virtual, protegido pela tela do seu computador?
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domingo, 27 de maio de 2007

Dois pesos e duas medidas: Retratos do Brasil

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Quando um empresário rico, uma celebridade ou um político é preso com a mão na massa, testemunhamos cenas ridículas como a ironizada abaixo pelo cartunista:



Já quando os acusados são pobres, não importando quais foram seus crimes...


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sexta-feira, 25 de maio de 2007

Blog do Bourdoukan: SOBRE A CORRUPÇÃO

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Muito bom esse pequeno texto publicado pelo jornalista Georges Bourdoukan em seu blog. Vale a pena ler e refletir...

Sobre a corrupção

- por Georges Bourdoukan, jornalista e escritor

Realmente não entendo essa discussão sobre corrupção. Se alguém acha que num sistema que admite a exploração do homem pelo homem pode existir a mínima possibilidade de honestidade, precisa reavaliar seus conceitos. Afinal, onde houve o mínimo de honestidade desde que o primeiro humano resolveu explorar a força de trabalho do próximo?
No sistema escravagista?
No feudalismo?
No colonialismo?
No imperialismo?
Onde?
No neoliberalismo?
No sistema financeiro parasitário que transformou o mundo numa imensa lavanderia?
Onde?
Nas 726 bases militares americanas distribuídas em 139 países ao custo de 1 trilhão de dólares por ano, para semear morte e destruição, quando milhões de pessoas morrem de fome sem a mínima perspectiva?
Onde?
E a humanidade permanece deitada em berço esplêndido...
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Agência Carta Maior: Mais uma crítica minha publicada

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. Mais uma crítica minha acaba de ser publicada no
. site Agência Carta Maior.

. Desta vez sobre o filme "Filhos da Esperança".

. Confiram neste link e deixem um comentário.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

H.R. GIGER: entre na mente doentia do criador do ''Alien''

























"Tal como Jerónimo Bosch ou Pieter Bruegel, Giger nos revela como as nossas realidades são construídas e destruídas. Nestes quadros, vemo-nos a nós próprios como embriões rastejantes, como fetos e larvas, protegidos pelo invólucro do nosso ego, aguardando o momento da nossa metamorfose e do nosso renascimento. Vemos as nossas cidades, as nossas civilizações, como colméias, como colônias de formigas, povoadas por criaturas rastejantes: nós" - Timothy Leary

- por André Lux, jornalista temente ao alien

Se você alguma vez acordou suado e tremendo de medo, depois de ter um obscuro pesadelo no qual criaturas rastejantes atacavam-no saindo de dentro de alguma parede pegajosa, não fique preocupado. Você não é o único. Desde o lançamento mundial de ''Alien: O Oitavo Passageiro'', em 1979, o mundo dos sonhos (ou pesadelos) nunca mais foi o mesmo. Mas o diretor Ridley Scott deve muito do sucesso de seu filme ao pintor e artista plástico suíço H.R. Giger.

Nascido em 5 de Fevereiro de 1940, na pequena Chur (Suíça), Hans Rudi Giger começou a mostrar ainda na infância interesse pelo sexo e pelo lado mais escuro do ser humano, duas constantes em sua obra. 

"Desde muito cedo me senti atraído pelo sexo oposto. Os locais que mais me interessavam eram os mais escuros", conta Giger. "Por isso, logo que deixaram me vestir sozinho, comecei a usar o preto. O local mais escuro da casa era debaixo da mesa, num porão pequeno e sem janelas, que me servia de quarto de brincar." 

Não demorou muito para que Giger começasse a demonstrar o seu talento para a arte. Entretanto, em sua cidade natal, "artista" era sinônimo de alcoolismo, prostituição, ociosidade e imbecilidade, por isso trabalhou como ajudante do pai farmacêutico. Foi só aos dezoito anos que teve sua primeira oportunidade de trabalhar como desenhista. "Como não conseguia boas notas, mandaram-me, como praticante não-remunerado, para uma associação de arquitetos. Isso foi decisivo para o meu gosto pelo desenho."

Giger também sempre foi obcecado por armas de fogo, outros objetos constantes em sua obra. "Quando se fala em revólveres e pistolas surgem logo pensamentos negativos, porque matam, ou nos fascinam, como fascinaram a mim aos oito anos de idade." 

A partir de 1964, ano em que morava em Zurique e cursava a Escola de Artes e Ofícios, começam a ser publicados seus primeiros trabalhos, em revistas contestatórias, como "Clou" e "Agitation" e em jornais locais. Depois de concluir seus estudos, Giger começa a trabalhar como designer de móveis de escritório. Nessa época casa-se com a atriz Li Tobler (musa inspiradora de muitos de seus quadros) e inicia a produção de desenhos cada vez maiores, culminando em sua primeira exposição individual, na Galeria Benno, em Zurique.

Entretanto, foi só a partir de 1979, depois de muitas exposições, publicações e de uma tentativa frustrada de Alejandro Jodorowsky em adaptar o livro "Duna" para o cinema, que seu trabalho passou a ser conhecido do grande público. 

Tudo isso graças à criatura que criou para o filme ''Alien: O Oitavo Passageiro'', fotografada magistralmente por Ridley Scott, que assustou os freqüentadores do cinema de tal maneira que tornou o filme um dos maiores sucessos daquele ano. 

Giger embarcou na produção de "Alien" depois que os realizadores tiveram contato com seu livro de ilustrações ''Necronomicon''. Entusiasmado com a chance de participar de um projeto de grandes proporções, Giger embarcou para Londres. As filmagens, entretanto, demonstraram-se estafantes e desapontadoras para o artista, principalmente por causa da pressão e pelos constantes cortes no orçamento.

É o próprio Giger quem reconhece suas limitações na época. "Quando pinto na privacidade de meu estúdio não há espaço para compromissos", explica . "Deve ser por isso que, durante a produção de 'Alien', eu ficava constantemente desapontado, confuso e impaciente. Eu sei também que, frequentemente, chateei meus colegas com minhas críticas indulgentes e minha insistência em manter meus designs. Ignorante como eu era das técnicas que envolvem as grandes produções, eu acabei não percebendo que havia também a possibilidade da improvisação."

Mas, mesmo com as frustrações e divergências, "Alien" rendeu ao artista suíço um merecido prêmio Oscar de Efeitos Visuais da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e o reconhecimento mundial do público à sua obra. Sua figura e seu jeito estranho de ser, todavia, continuaram a intrigar as pessoas. "Quando Giger começou a trabalhar em 'Alien', ele foi até a secretária de produção e disse: 'Eu quero ossos'", conta um dos membros da equipe. "Então, você entrava no seu estúdio e via aquele cara parecendo o conde Drácula, vestido todo em couro preto, com seu cabelo escuro, pele muito branca e olhos brilhantes, cercado por uma sala repleta de ossos e esqueletos. Era assustador!"

Esquisitices a parte, Giger encara suas obras como uma espécie de terapia contra seus medos e pesadelos. "Eu venho tendo sempre os mesmo sonhos, e são pesadelos. Eles são terríveis", conta. "Mas eu descobri que quando faço desenhos sobre eles, os sonhos vão embora. Eu me sinto muito melhor. É uma espécie de auto-psicanálise", conclui.

Não são todos que se fascinam com seus desenhos psicodélicos. "Pessoas às vezes olham o meu trabalho e só vêem as coisas terríveis, horríveis", diz Giger. "Eu peço para que olhem de novo e talvez elas vejam que eu sempre tenho dois elementos em meus quadros: as coisas horríveis e as coisas belas. Quer dizer, eu gosto de elegância, de art noveu; uma linha reta ou uma curva. Essas coisas estão muito na essência do meu trabalho".

Mas Giger nem precisa tentar nos convencer da horrível beleza de sua obra. Talvez seja o polêmico Timothy Leary quem melhor explique o impacto do seu trabalho em nossas vidas: "Tal como Jerónimo Bosch ou Pieter Bruegel, Giger nos revela como as nossas realidades são construídas e destruídas. Nestes quadros, vemo-nos a nós próprios como embriões rastejantes, como fetos e larvas, protegidos pelo invólucro do nosso ego, aguardando o momento da nossa metamorfose e do nosso renascimento. Vemos as nossas cidades, as nossas civilizações, como colméias, como colônias de formigas, povoadas por criaturas rastejantes: nós".

A verdade é que a obra de Giger foge a qualquer tipo de explicação ou rótulo. Seus desenhos e esculturas, imbuídos de forte carga erótica e emocional, onde figuras biomecanóides e infernais se digladiam e se entrelaçam, continuarão despertando o lado mais escuro da nossa imaginação. 

"Um dia, durante as filmagens de 'Alien', fizemos um picnic e todos tiraram as camisas. Exceto Giger. E todo mundo tentou fazê-lo tirar suas roupas, mas ele não o faria", conta o roteirista Dan O'Bannon. 

"Entenda, eu não acho que ele se atreveria a tirar aquelas roupas, porque se o fizesse todos veriam que ele não é humano. Ele é um personagem de uma estória de H.P. Lovecraft..."

Giger trabalhou também no design de produção de filmes como ''Poltergeist 2: O Outro Lado'', ''A Experiência'', ''The Killer Condom'' (literalmente ''A Camisinha Assassina'', filme trash inédito por aqui) e ''Alien 3'', embora nenhum tenha tido o mesmo impacto ou sucesso do primeiro ''Alien: O Oitavo Passageiro''.

Visite o site oficial do artista.
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segunda-feira, 21 de maio de 2007

Comentários

Parece que está havendo algum problema com a postagem de comentários do blogger. Muitos não estão sendo enviados para a aprovação. Por isso, se você reparar que não viu publicado algo que enviou (e não era lixo ofensivo ou provocação infantil), por favor, tente mais de uma vez. Obrigado.
- A ADMINISTRAÇÃO

sábado, 19 de maio de 2007

Leitura: Meus artigos publicados na Agência Carta Maior

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Abaixo, os links para os meus artigos sobre filmes e quadrinhos que têm sido gentilmente publicados na respeitada Agência Carta Maior. Convido todos a visitá-los e deixar um comentário.

'A Grande Ilusão': os fins justificam os meios?
Data:18/05/2007
Filme levanta importante questão, mas prefere deixar o espectador chegar às próprias conclusões, pois tudo é cinza, nebuloso e passível de diversas interpretações - exatamente como no mundo real.

Biografia de Che Guevara, feita pelo sul-coreano Kim Yong-Hwe
Data:12/05/2007
Livro é homenagem a um ser humano exemplar, o qual continua influenciando corações e mentes mesmo 40 anos depois de seu assassinato covarde na Bolívia, pelas mãos de mercenários financiados pela CIA.

Panfleto ideológico: "Falcão Negro Em Perigo"
Data:09/05/2007
É analisando peças de marketing desse tipo que podemos entender como é que tantos jovens alistam-se no exército dos EUA, só para serem mandados para países que não conhecem e lutar em guerras que não entendem.

"Uma Verdade Inconveniente", a herança do capitalismo
Data:04/05/2007
Documentário comprova que o sistema que visa ao lucro acima de tudo e de todos vai deixar registrada uma impressionante marca: a destruição do planeta Terra e a extinção da vida nele.

'Syriana', um filme que poderia chamar-se 'Corrupção S/A'
Data:03/05/2007
Qualquer um que acreditou na ladainha neoliberal sobre a honestidade das corporações privadas frente à corrupção do Estado terá que rever seus valores.

Apagão "made in USA"
Data:20/04/2007
O filme "Enron – Os Mais Espertos da Sala" é obrigatório para qualquer um interessado em conhecer os mecanismos que movimentam a lógica capitalista que, cedo ou tarde, provocará danos irreversíveis ao planeta e colocará de joelhos a raça humana - inclusive aqueles que se julgam os mais espertos da sala.

Esquerda ou direita?
Data:18/04/2007
Filme "300" provoca polêmica ao mostrar luta de trezentos espartanos contra a invasão do império persa. Alguns vêem nisso uma mensagem pró-Bush. Mais uma prova da atual confusão ideológica em que se encontra o mundo atual.
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quinta-feira, 17 de maio de 2007

Incoerência do Imprensalão: Afinal, direita e esquerda existem ou não?

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Direita existe sim, mas é só na França!

VEJA e seus pitubulls sempre xingam esquerdistas de “idiotas”, “fracassomaníacos” e “jurássicos”. Pois é, para a turma do “imprensalão” bom mesmo é ser de direita, igualzinho ao Sarkozy, não é?

- por André Lux, aquele que ri do "imprensalão"

A revista VEJA, sem dúvida o ponto máximo da expressão do pensamento único conservador, racista e elitista do nosso "imprensalão" neoliberal, se supera a cada edição em termos de estupidez e incoerência.

VEJA foi e é uma das principais defensoras da ladainha do "fim da história" - afirmação feita por um burocrata neoliberal que anunciava a vitória do capitalismo como algo natural e irreversível, a derrocada do socialismo e o fim do embate entre esquerda e direita.

Mas, em sua última edição (que traz o papa-opus-dei na capa), encontramos a seguinte pérola no destaque acima, à direita (epa!): "FRANÇA: a aposta em futuro de direita". Não vou entrar no mérito da afirmação ser absurda, já que Sarkozy venceu por uma margem apertadíssima, o que demonstra um país obviamente dividido para qualquer um que tenha um mínimo de bom senso.

Delírios dos capitães-do-mato da VEJA à parte, o que causa gargalhadas é o fato da revista confessar que existe sim direita e esquerda, contrariando tudo que seus "vomitadores de opinião" (que hoje estão mais para pitbulls enlouquecidos) vêm tentando enfiar goela abaixo dos incautos há décadas!

E VEJA identifica como sendo de “direita” justamente o político que defende o neoliberalismo (flexibilização das leis trabalhistas em favor dos empregadores, diminuição de benefícios, aumentos de impostos), é racista assumido (chamou os imigrantes pobres de “escória”) e adora Bush Júnior!

Aqui no Brasil temos políticos que defendem essas mesmas bandeiras e ideologias. Todo mundo sabe quem são eles, mas estranhamente aqui ninguém se assume como sendo de “direita”, embora vivam metendo o pau em quem se declara abertamente como sendo de “esquerda”.

VEJA e seus capitães-do-mato-pós-modernos acabam de atirar nos próprios pés! Afinal, eles sempre fizeram tanta questão de posar de imparciais para poderem xingar esquerdistas de “perfeitos idiotas”, “fracassomaníacos” e “jurássicos”.

Pois é, para esse pessoal do “imprensalão” bom mesmo é ser de direita, igualzinho ao Sarkozy, não é mesmo?

Que feio...
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quarta-feira, 16 de maio de 2007

Interação: Comentários de volta!

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Estou habilitando novamente a opção de comentários em meu blog.

Obviamente, eles serão moderados e o lixo ofensivo postado por nazi-fascistas ou pitbulls da revista VEJA em delírio não será publicado (especialmente se forem feitos pelos covardes anônimos de sempre).

Também não serei eu quem vai fazer a moderação, portanto, não adianta tentarem me ofender mesmo sabendo que não serão publicados, pois outra pessoa (imune à baba de raivosos) é que vai ficar encarregada de jogar a vossa sujeira na privada e dar a descarga...
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segunda-feira, 14 de maio de 2007

Receita Indigesta: Sexo, Poder e Religião

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- por André Lux, jornalista e ateu (graças a deus!)

Aproveitando que Ratzinger, o “papa” dos católicos, já foi embora do país, quero afirmar que fé é igual opinião: cada um tem a sua e ficar querendo discutir qual é a correta ou mais bonita é perda de tempo.

Cada ser humano tem o direito de seguir a religião que quiser e ninguém tem nada com isso. Assim como devemos ser livres para ter qualquer opinião sobre um determinado filme. Por exemplo, tem gente que como eu achou “Dogville” uma porcaria (leia minha crítica ao filme aqui). Já outros tiveram orgasmos durante a exibição. Vale a pena ficar tentando descobrir quem é o “dono da verdade” neste caso? Obviamente que não, porque não existem donos da verdade e quem se julga assim ao ponto de querer impor sua opinião sobre os outros provavelmente tem sérios problemas mentais.

Para mim, isso vale para questões ligadas à fé e às religiões. Até porque fé é uma coisa e religião é outra, assim como política é uma coisa e os partidos políticos são outra. E, assim como é possível se fazer política sem partidos, também é possível seguir uma fé sem abraçar nenhuma religião.

Agora, o que eu acho mais abominável nessa história toda é a tentativa de enquadrar a vida sexual das pessoas em determinadas regras que são absurdas e baseadas em conclusões totalmente subjetivas. O que o fato de Fulano optar por ser homossexual ou Beltrano ser bissexual ou Ciclana ser virgem até o fim da vida influencia a minha vida? Nada. O que eu tenho a ver com a opção sexual de cada um? Nada. Quem sou eu para julgar a forma de obter prazer e satisfação dos outros? Desde que todas as partes envolvidas no ato sexual estejam ali por livre e espontânea vontade e não estejam cometendo nenhum mal a terceiros, ninguém tem o direito de julgá-los.

Essa história toda de tentar reprimir o prazer sexual das pessoas só tem um objetivo: controle. Afinal, sexo é a única coisa que todos nós podemos fazer a hora que quisermos – seja solitariamente (masturbação) ou com um sem precisa pagar taxas, pedir empréstimos, ter emprego, ser rico ou emitir um documento. Aí vem a religião (falo da católica, que é a que eu conheço melhor desde criança, das outras não conheço a fundo a forma como encaram a sexualidade), que sempre esteve de braços dados aos poderosos, e reprime o sexo ditando que o ser humano só deve praticá-lo depois de casado e para fins de procriação. Isso, afirmam, é o que torna o homem mais próximo a deus...

Aqui abro parênteses para fazer uma pergunta óbvia: não são os animais irracionais que, desprovidos de consciência e noção de prazer, praticam sexo apenas para procriação? O ser humano, justamente por poder pensar e refletir, é o único animal que pode associar sexo ao amor ou ao carinho e, portanto, demonstrar esses sentimentos proporcionando, com total intimidade, prazer sexual ao seu parceiro ou parceira!

Claro que os religiosos vão se defender dizendo que a igreja condena o sexo APENAS antes do casamento, mas como explicar então que condene o uso de métodos contraceptivos, como a camisinha ou a pílula? Como os casais vão evitar gravidez indesejada? Ou vão dizer que, depois de casados, eles têm mais é que ter um filho por ano, toda vez que transarem? Deve ser por isso então que nossas bisavós tinham uma média de 15 filhos, dos quais a maioria não chegava nem à puberdade...

Na minha modesta opinião (porque não sou dono da verdade), a igreja católica reprime o sexo para obter o controle sobre as pessoas, já que continuarão transando, mas, como isso é condenado pela religião, sentirão uma terrível culpa. E é o medo das punições no “fogo do inferno” que vai impulsioná-las a correr para a igreja pedir perdão pelos “pecados” e, claro, pagar seus dízimos. Ajuda também o fato da imensa maioria ser extremamente mal resolvida em relação à própria sexualidade o que obriga um número enorme de pessoas a curtirem seus verdadeiros prazeres escondidos, fator que gera mais culpa e mais medo da condenação eterna.

Prova disso é que muitos seguem uma religião mais por medo do que por convicção. Toda vez que alguém vem justificar a “necessidade” da religião diz algo do tipo “Ah, mas você tem que acreditar em alguma coisa, né?” como que dizendo “Não acredito muito nesse negócio de céu e inferno, mas vai que existe mesmo...”. Depois eles dizem que são os agnósticos ou os ateus que não acreditam em nada! Existem exceções, é óbvio, mas elas só confirmam essa regra.

Como não estou aqui para julgar nem condenar ninguém, reafirmo: cada um que siga a religião que quiser e viva sua vida sob as normas e regras dela. Se o sujeito quer ficar virgem até casar, pois assim acha que vai para o céu, que seja feliz com essa opção. Nem eu, nem ninguém, temos nada com isso.

Agora, a recíproca teria que ser verdadeira. E, sabemos muito bem, quase nunca ela é.

Infelizmente, como bem disse o personagem interpretado por Robert De Niro no filme "Coração Satânico" (nada menos do que o capeta em pessoa), "existem suficientes religiões no mundo para fazer os homens se odiarem, mas não o suficiente para fazê-los se amarem"...

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Ditadura do Pensamento Único: Jornalismo corporativo está cada vez mais ridículo!

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Compare as capas dos dois jornais abaixo. Precisa dizer algo?



Leia a análise desse absurdo feita por André Cintra no site Vermelho (clique aqui), do qual reproduzo um trecho abaixo:

"Como bem sintetizou o jornalista e acadêmico Luiz Gonzaga Motta, "um dos setores mais arraigados ao pensamento único é o jornalismo liberal que se pratica entre nós, que não cede espaços ao pluralismo de idéias, nem para alternativas políticas ou econômicas". A novidade, viu-se agora, é a sintonia da linguagem. Até na escolha de palavras está tudo dominado."
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quinta-feira, 10 de maio de 2007

Agora Ferrou: Fiquei igual ao Maiquel Jaquison!

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Meu texto sobre o filme "Falcão Negro Em Perigo" foi publicado no site Vermelho, do PCdo B!

Agora não tem mais jeito: virei comunista e vou ter que começar a comer criancinhas, igual àquele dançarino, o Maiquel Jaquison!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Repercussão: Escritora cita minha crítica a "Syriana"

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O meu amigo Miguel do Rosário apontou em seu blog Óleo do Diabo um texto da escritora Márcia Denser (foto à direita) pubicado no site Congressoemfoco no qual ela cita a minha crítica ao filme "Syriana", que ganhou destaque recentemente na Agência Carta Maior.

Destaco abaixo alguns trechos do texto dela:

"(...) Segundo André Lux na Carta Maior, “qualquer um que algum dia acreditou na ladainha neoliberal sobre a suposta honestidade das corporações privadas frente à inerente corrupção do Estado, muito usada para difundir a tão propagada ‘necessidade’ das privatizações nas últimas décadas, terá que rever seus valores após assistir Syriana”, em artigo com o qual concordo bastante, por corresponder às minhas próprias impressões.
(...)
"Para mim, como para o articulista da Carta Maior, um dos aspectos mais relevantes do filme é a precisão cirúrgica (só de sacanagem, usando o mote deles mesmos da “guerra asséptica”, da qual o filme nos brinda com uma amostra, uma metonímia lapidar, na seqüência em que é detonada a bomba via satélite) na abordagem das interferências da CIA na região, em nome do governo norte-americano, garantindo a qualquer preço – seja tortura, seja morte, seja destruição de reputações, seja genocídio – que somente empresas ianques operem no Golfo Pérsico.(...)"


Ttexto completo de Márcia Denser: Syriana: geopolitic’s movie.

Minha crítica na Carta Maior: "'Syriana', filme que poderia chamar-se 'Corrupção S/A'".
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terça-feira, 8 de maio de 2007

Filme: "HOMEM-ARANHA 3"

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VENCIDO PELO EXCESSO

Terceiro filme da série do Homem-Aranha peca pelo exagero e decepciona

- por André Lux, crítico-spam

Depois de um primeiro filme fraco, o segundo da série do Homem-Aranha conseguiu atingir um quase perfeito equilíbrio entre aventura, comédia e drama, tornando-o uma das melhores adaptações de quadrinhos para as telas do cinema. Infelizmente, como quase sempre acontece em Hollywood, a receita desandou e esse terceiro capítulo é uma decepção.

Fica claro que o diretor Sam Raimi, também co-autor do roteiro, tentou pegar todos os elementos que fizeram do segundo filme um sucesso e aproveita-los ao máximo. Só que exagerou demais na dose. Então, o que antes era dramático e emocionante, agora virou piegas e o que era engraçado, ficou constrangedor. Os atores estão todos caricatos (especialmente Tobey Maguire que parece catatônico), há um excesso de personagens e vilões (nada menos do que três!) e o filme se arrasta na tentativa de unir sem sucesso todas as tramas e sub-tramas, ao ponto de parecer interminável.

As cenas de ação e perseguição também são excessivas e redundantes, quase sempre resolvidas em efeitos digitais óbvios. Chegou uma hora em que eu não agüentava mais ver tanta gente sendo lançada pro ar, caindo e batendo a cabeça em vigas e canos – e olha que ainda estávamos na metade da projeção!

O ponto mais baixo do filme é, sem dúvida, o incrível número de coincidências e situações inverossímeis contidas no roteiro. E veja que não estou falando do fato do ladrão que vira homem-areia, ou do alienígena malvado que se transfigura na roupa do herói, nem do novo Duende Verde que parece ser indestrutível. Não, estou me referindo a coisas ridículas como: Mary Jane ser sumariamente demitida do seu show na Broadway ao receber críticas negativas depois de uma única apresentação, o alienígena cair no parque bem no pé do protagonista, o mordomo que revela uma informação crucial que poderia ter evitado muitas desgraças só no último momento, o Aranha salvar a mocinha que é filha do comissário de polícia, sua colega de classe e namorada do novo fotógrafo do Clarim Diário, o qual quer roubar sua vaga no jornal e, de quebra, estava no mesmo lugar em que o protagonista lutava contra seu uniforme-vilão só para ser possuído por ele e virar o monstro Venom! Não há “suspensão de descrença” que resista a tanta besteira junta...

O único ponto positivo desse terceiro filme deve-se à saída do péssimo Danny Elfman da composição da trilha musical, sendo substituído pelo mais competente Christopher Young (de “Hellraiser”, “A Mosca 2” e “A Metade Negra”) que melhora o nível da partitura, embora infelizmente seja obrigado a recorrer toda hora ao irritante tema que Elfman compôs para o herói nos dois primeiros Homem-Aranha.

Mas é só e tirando algumas piadinhas mais divertidas (a melhor é a do restaurante francês que conta com a participação de Bruce Campbell, o Ash da série "Evil Dead"), o resto do filme é cansativo e, de quebra, ainda somos obrigado a aturar aquela bendita cena em que o herói desfila em frente à tremulante bandeira dos EUA. Desse jeito não há super-herói que resista mesmo...

Cotação: * *
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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Humor: Divirta-se com alguns quadros do Monty Python!

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Vários sketches (quadros) do programa de TV do extinto grupo inglês Monty Python estão disponíveis no Youtube, legendados em português!

Selecionei algumas que gosto demais, mas procure pois existem muitas outras:

NO RESTAURANTE

O PAPAGAIO MORTO

A PIADA MAIS ENGRAÇADA DO MUNDO (Essa é de chorar de rir!)

O MINISTÉRIO DOS ANDARES IDIOTAS

A CLÍNICA PARA DISCUSSÃO

Olha o que os nerds malucos fizeram com essa hilariante cena de luta de "O Cálice Sagrado":

CAVALEIRO NEGRO, VERSÃO STAR WARS!


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quarta-feira, 2 de maio de 2007

Memórias de um alienado - parte II: Como eu comecei a ver e sentir a MATRIX...

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Antes de prosseguir com o relato do meu processo de “abertura dos olhos”, gostaria de esclarecer um ponto. Pode ser que meu texto anterior tenha passado a impressão de que sou um sujeito rancoroso, recalcado, que culpa e recrimina os pais e os amigos pelo processo de alienação pelo qual fui submetido durante a infância e a juventude.

Embora seja verdade que esses sentimentos venham à tona quando você percebe que foi, para colocar de maneira bem simples, enganado e induzido por pessoas que gostava a pensar de uma certa forma que não condiz com a realidade, é verdade também que fica fácil entender suas ações e perdoá-los.

Afinal, eles também foram enganados e induzidos durante toda sua vida para pensar e agir daquela forma e, infelizmente, acreditavam estar fazendo o melhor, sem condições ou vontade de quebrar aquele ciclo de alienação e dominação ideológica que os massacrava e os manipulava como gado que vai cantando feliz rumo ao matadouro.

Quando lembro, com um frio na espinha, que eu mesmo poderia estar assim até hoje - cheio de medo, ódio, intolerância e preconceitos - e que, provavelmente, iria educar meus filhos da mesma maneira, fica mais fácil ainda ser condescendente...

Bom, dito isso, vamos prosseguir.

Afinal, como eu consegui “abrir meus olhos”, perceber a Matrix à minha volta e romper a prisão mental da alienação, do ódio e do medo? Vários fatores me ajudaram nessa jornada que, confesso, foi longa e nada fácil. Vou enumerá-los em ordem cronológica, para facilitar.

1) CINEMA: tudo começou quando me levaram para assistir “Guerra nas Estrelas”. Mas, o que esse filme-pipoca roliudiano tem a ver com isso? Antes de torcer o nariz, explico que assisti ao primeiro nos cinemas, quando tinha por volta dos 8 anos de idade. 

Não vou entrar em detalhes a cerca da minha adoração pela obra do George Lucas, que deve ter durado até pouco tempo (confesso), mas basta dizer que foi aquela obra que me abriu para o cinema e, por tabela, para o mundo das artes em geral.

E, mesmo que isso fosse imperceptível para meu limitado cérebro na época, tratava-se da história de um grupo de “rebeldes” idealistas que lutava para derrubar um império “fascista” (embora essa realidade tenha sido deturpada depois pelos extremistas de direita quando Reagan tomou o poder nos EUA, e foi usado como símbolo para a guerra fria, com o Império maligno representando a ex-União Soviética). 

Enfim, aquele filme mudou minha vida. Depois dele nunca mais fui o mesmo, para o bem e para o mal.

2) O MODO DE VIDA NERD: por causa do meu apego ao cinema e tudo que estava relacionada a ele, especialmente as trilhas sonoras dos filmes, nem preciso dizer que me transformei em um verdadeiro nerd. 

Assim, enquanto meus amigos começavam a gostar de tudo que era “normal” naquela sociedade (do rock n’ roll enquadrado aos parâmetros do consumismo, ao consumo de drogas e bebidas alcoólicas) lá estava eu tentando arrumar dinheiro para comprar o disco de “Jornada nas Estrelas” ou o álbum de figurinhas do “Flash Gordon”...

Embora nada disso tenha me ajudado a abrir os olhos naquele momento, certamente me transformou num sujeito meio estranho, marginalizado e com um forte sentimento de inquietação. 

Afinal, eu só tinha amigos nerds como eu e nunca conseguia me enturmar com os “descolados”, que adoram ridicularizar os “diferentes”. Eu comecei a sentir que alguma coisa estava errada, mas eu não sabia o que era e nem me preocupava muito em descobrir. Porém, já era um começo.

3) INFLUÊNCIAS DECISIVAS: fiquei mais ou menos na mesma até o meio da minha adolescência. Foi a partir dos 16 anos, quando um primo entrou na faculdade em Campinas e veio morar conosco, que as coisas começaram a mudar. Não sei dizer se ele era de esquerda ou de direita (talvez fosse ainda indiferente como eu), mas a verdade é que era um sujeito muito mais culto e antenado do que eu – até porque teve uma educação mais rica e politizada que a minha.

Foi graças a esse cara que eu comecei a gostar de qualquer tipo de filme (e não só de ficção científica, aventura e terror) e, mais importante, aprendi a decifrar mensagens e idéias que estavam contidas nas obras de arte. Até então, eu pensava, “um filme é só um filme, puro entretenimento, nada mais”. Ledo engano. Não fosse pelo meu primo, jamais teria assistido (e entendido) a filmes como “Brazil”, “A Missão”, “Coração Satânico”, “Amadeus”, conhecido o Monty Phyton ou lido quadrinhos como “Batman, O Cavaleiro das Trevas”, “Ronin”, “Watchmen” ou “V de Vingança”.

Foi nesse momento que eu comecei a perceber algumas coisas surpreendentes: não existem mocinhos e bandidos na vida real, o USA não era assim um país tão bacana e justo, a religião poderia causar (e causou) grandes males às pessoas e ao mundo, nem sempre quem era chamado de “terrorista” lutava por uma causa ruim, muita coisa que era vendida pela mídia como sendo uma verdade única ou normal tinha um outro lado que não era divulgado, etc. 

Mesmo assim, eu ainda não havia ligado os pontos para formar o grande quadro. Isso só aconteceu quando eu entrei para a universidade.

4) UNIVERSIDADE FEDERAL: ser um jovem alienado e perdido no mundo me trouxe uma grande vantagem naquele ponto. Eu não tinha a menor idéia do que fazer da minha vida. Assim, ao chegar à encruzilhada da adolescência e ter que escolher qual faculdade deveria fazer, mais perdido que cego em tiroteio, optei pelo curso de... Química! 

Prestei vários vestibulares e consegui entrar na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). E foi ali que tudo começou a mudar em minha vida. O ano era 1989 e estávamos prestes a ter a primeira eleição direita para Presidente da República em mais de 20 anos (embora eu não desse a mínima para esse fato, afinal “odiava política”, lembram?).

Meu primeiro choque, depois de ficar décadas praticamente falando besteiras sem sentido e me relacionando com gente vazia e alienada, foi perceber que existiam pessoas que conheciam, discutiam e debatiam diversos temas que eu não tinha a menor noção do que significavam. E eram jovens da minha idade! Como aquilo era possível? - eu me perguntava.

Obviamente, como eu não entendia quase nada do que discutiam, meus primeiros sentimentos em relação àquelas pessoas foram de raiva e inveja. E, como não poderia deixar de ser, comecei a entrar no meio das conversas transformando esses sentimentos negativos e mesquinhos em petulância, cinismo e provocações baratas. 

Foi naquele período que me tornei oficialmente um “papagaio da direita”, afinal de contas a maioria dos jovens que estudavam lá era de esquerda e defendia a candidatura de Lula contra o marajá das Alagoas, Fernando Collor. Nem preciso dizer que, para irritar “aqueles petistas” eu dizia que ia votar no Collor, que Lula era baderneiro profissional, etc, etc. Tudo aquilo que eu havia “aprendido” na escola da ditadura e que fora reforçado no ambiente em que fui criado.

Fiquei nessa um bom tempo, diria que uns seis meses mais ou menos. Então coisas estranhas começaram a acontecer.

Como é perfeitamente natural após um semestre inteiro de contato diário com um grupo, passei a gostar de várias pessoas e até admirá-las. Percebi que ali havia muita gente bacana, inteligente e companheira, que sabia ouvir meus problemas, me apoiava quando eu precisava de ajuda (principalmente nas matérias, pois eu “boiava” em quase tudo) e, acima de tudo, não me ridicularizava quando dizia que gostava de cinema, música erudita e quadrinhos – pelo contrário. 

Para aquelas pessoas, eu não era mais um “babaca” ou um nerd esquisitão, mas sim um sujeito sensível que gostava de arte! Descobri que muitos ali também gostavam das mesmas coisas, tinham inclusive os mesmos problemas familiares e carências afetivas.

Entretanto, quando eu entrava no modo “papagaio da direita”, aquelas pessoas que, no fundo eu invejava e queria impressionar, simplesmente me deixavam falar e, assim que eu terminava de vomitar minhas asneiras, continuavam o assunto de onde haviam parado. Ninguém me hostilizava, muito menos me ridicularizava. Simplesmente me ignoravam...

Depois de umas três ou quatro situações como essa comecei a me sentir constrangido e patético. Afinal, eu não gostava daquelas pessoas, não as admirava? Não gostava da maneira sensível e humana que me tratavam e ouviam? Então, por que diabos eu estava querendo provocá-las e irritá-las, repetindo coisas ditas pelos meus pais e por outras pessoas que nunca me respeitaram nem me ouviram antes? 

Para piorar tudo, comecei a perceber que os que repetiam aquelas mesmas asneiras provocativas e me davam força para que eu continuasse a proferi-las eram justamente aqueles tipos mais idiotas, os “mauricinhos” e os filhinhos de papai que me cercavam aos montes...

Lembro como se fosse hoje de uma festa realizada na casa da minha primeira namorada, onde toda a moçada estava reunida, tocando violão, comendo churrasco e bebendo cerveja. De repente, começou um papo sobre política e um rapaz, que era inclusive membro do DCE, colocou seu ponto de vista e defendeu Lula com muita propriedade e civilidade. 

Quando eu ia começar a falar asneiras contra o petista, outro sujeito passou na minha frente e verbalizou tudo aquilo que estava na ponta da minha língua. Olhei para ele e vi que era um tipinho que ninguém gostava, um playboy folgado e mesquinho, que chegava a exigir grana dos que moravam com ele para dar carona até a faculdade e vivia invadindo festas mesmo sem ter sido convidado.

Aquilo me transtornou. Quer dizer que eu era igual àquele imbecil? Não era possível! Logo eu, um cara que se julgava tão bacana, sensível, amante das artes, romântico e incompreendido, no fundo me portava igual aos tipos mais desprezíveis e irritantes? Não preciso dizer que foi ali que a ficha caiu e, finalmente, após longos anos de alienação e estupidez eu finalmente comecei a tomar consciência do mundo à minha volta e de todos os problemas reais que existiam nele.

Antes tarde do que nunca, não é mesmo? Ah, esqueci de um outro fator que também foi decisivo para o meu crescimento intelectual e espiritual:

5) AUSÊNCIA DE TELEVISÃO. Quando mudei para São Carlos, fui morar com amigos em uma república. 

Detalhe: ninguém conseguiu levar uma TV! Assim, passei praticamente um ano da minha vida impedido de alimentar meu vício de ficar horas sentado em frente àquela “máquina de fazer doido”. 

No começou quase tive um treco, mas depois de uns dois meses, me acostumei a viver sem aquele monte de lixo ideológico que era enfiado na minha mente e, assim, passei a investir meu tempo em coisas mais importantes, como debates, conversas e leituras.

Só quem passou por isso tem noção do quanto a vida melhora sem a influência nefasta da TV, principalmente a rede Globo que é um verdadeiro câncer que corrói corações e mentes todos os dias!

Tanto é que, depois disso, nunca mais consegui ficar mais de cinco minutos na frente de uma televisão que não apresentasse algo minimamente inteligente e instigante - que, convenhamos, se resume a 1% da programação das redes e olhe lá...

Mas, essa mudança toda em minha consciência trouxe várias conseqüências para a minha vida. Abordarei esse tema num próximo texto. Aguardem!

Leiam aqui a PARTE 3 das minhas "Memórias de Um Alienado".

Ego Inflado IV: Crítica de "Syriana" na Agência Carta Maior

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. .Mais um texto do crítico-spam,
. .desta vez sobre o filme "Syriana",
. .foi publicado hoje no site
. .Agência Carta Maior!

. Confiram neste link.
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