quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

DVD: "Uma Verdade Inconveniente"

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ESTAMOS FERRADOS!

Documentário comprova que o destino da raça humana está nas mãos dos políticos dos EUA, que são financiados por grupos que querem manter tudo como está.

- por André Lux, crítico-spam

Se você acha que o aquecimento global é só uma invenção de ambientalistas histéricos, melhor rever seus conceitos. O documentário "Uma Verdade Inconveniente", que é o registro de uma longa e bem intencionada palestra do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore (aquele que foi derrotado por Bush Júnior na mais fajuta eleição de todos os tempos), demonstra clara e didaticamente os efeitos que a superpopulação, o desmatamento e a emissão de dióxido de carbono estão provocando no ecossistema mundial.

São alterações espantosas que, infelizmente, já começaram a provocar graves conseqüências tais como furacões cada vez mais violentos, derretimento de geleiras, aumento do nível do mar, estações do ano desreguladas, entre muitas outras. Já é possível, por exemplo, prever que mais de 50% da população da Terra vai ter problemas com a falta de água nos próximos anos, causada principalmente com o derretimento das geleiras cuja água é usada para abastecer enormes comunidades.

Contudo, o mais perturbador nessa história toda é descobrirmos que mais de 30% das emissões de CO2 são feitas pelos Estados Unidos, nível superior à soma de tudo que é lançado pela América do Sul, Ásia e Europa. Ou seja, o destino da humanidade está nas mãos dos políticos daquele país.

Não quero soar pessimista, mas vamos ser francos: estamos ferrados! Sim, porque as medidas que podem vir a surtir algum tipo de efeito real sobre o problema dependem quase que totalmente das decisões políticas dos governantes das grandes potências, os quais, como bem sabemos, são financiados e dominados justamente por grupos que querem manter tudo como está.

É óbvio que cada pessoa no planeta pode tomar medidas que ajudem a melhorar o problema e é por aí que sempre vão as campanhas de "conscientização" produzidas pela grande mídia corporativa. Mas, será que você realmente acredita que trocar algumas lâmpadas ou usar menos o seu carro vai fazer grande diferença quando são lançados diariamente na atmosfera cerca de 70 bilhões de toneladas de poluição, a imensa maioria oriunda de grandes fábricas e da queima de plantações, carvão e petróleo? Só para se ter idéia do tamanho da encrenca, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, o "Exterminador do Futuro" em pessoa, tentou aprovar leis que exigem a redução da emissão de CO2 nos carros em seu Estado, mas já está sendo interpelado judicialmente pelas grandes montadoras que não aceitam esse tipo de controle. Seria cômico se não fosse absolutamente trágico!

E isso não é o pior, pois mesmo que sejam tomadas todas as medidas radicais necessárias para minimizar o problema, o ecossistemas do planeta já está de tal forma prejudicado que no máximo vamos impedir que ele se deteriore ainda mais. Para voltar tudo ao normal, só daqui a centenas de anos ou mais.

Como se vê, o sistema capitalista, que visa o lucro acima de tudo e de todos, enfim vai deixar registrado uma impressionante marca para todo o sempre: a destruição do planeta e a extinção da vida nele. E o mais incrível é que nem mesmo seus mais ferrenhos defensores percebem que não vão estar vivos para poder festejar essa conquista "invejável"...

Cotação: * * * *

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Filmes: "BORAT"

RINDO DO GROTESCO

Não vejo nada de genial num sujeito que, usando bigodão falso e sotaque esdrúxulo, sai provocando pessoas com frases ofensivas ou promovendo ações escatológicas chocantes

- por André Lux, crítico-spam

Ok, "Borat" é um filme engraçado. Dei muitas risadas durante a projeção. Mas, daí a chamar seu autor de gênio ou achar que é extremamente politizado e quer "desmascarar" o racismo e a intolerância do povo estadunidense, como muitos profissionais da opinião têm feito, já é ir longe demais.

Sinceramente, não vejo nada de genial num sujeito que, usando um bigodão falso e sotaque esdrúxulo, sai por aí provocando as pessoas com frases ofensivas ou promovendo ações escatológicas chocantes (os comediantes do "Casseta & Planeta", quando ainda eram engraçados, cansaram de fazer esse tipo de coisa).

Assim, quando vai "entrevistar" um grupo de feministas, Borat profere comentários chauvinistas e denigre a inteligência das mulheres. Ao entrar numa arena de rodeio, infestada por caipiras preconceituosos e fundamentalistas, ridiculariza os esforços de guerra dos EUA e o hino nacional deles. Quanto se vê "cercado" por judeus, age como pavor e joga dinheiro neles. E assim por diante... Isso quer dizer que seu método de provocar risos é primitivo, embora eficaz, afinal todo mundo gosta de ver os outros sofrendo "pegadinhas" e sendo vítima de discursos nada politicamente corretos. Ou seja, qualquer criança de seis anos de idade já está acostumada a fazer esse tipo de coisa com seus amiguinhos. Que garoto nunca teve suas cuecas puxadas para cima da calça no meio de uma festa, por exemplo? Todo mundo ri, menos a vítima da piada.

É partindo desse princípio humorístico que Sacha Baron Cohen concebe seus quadros, ligados por um fiapo de história que o tira de sua terra natal, o Cazaquistão (que logicamente é retratado de maneira extremamente ofensiva e nada tem a ver com o país real), para os EUA, a fim de "aprender com a cultura" daquele país. Infelizmente, o filme peca por tentar esconder que quase tudo aquilo que vemos na tela foi combinado previamente. E, mesmo quando algo acontece supostamente de maneira imprevisível (como o jantar, a entrevista da TV ou o rodeio), fica sempre a impressão de engodo, pois nunca somos informados sobre como Borat conseguiu chegar lá. As pessoas sabiam que se tratava de um comediante fazendo um filme ou achavam que ele era realmente um jornalista do Cazaquistão em visita pela América? Essa interrogação paira sobre quase todo o filme e acaba desviando o foco da atenção.

Além disso, o ator não sabe tirar proveito máximo de seu personagem, caindo muitas vezes para o exagero e para a afetação, quando a situação exigia uma atuação mais fria e séria justamente para servir de contraponto à bizarrice que ocorre à sua volta.

Sacha, evidentemente, não é John Cleese, muitos menos Peter Sellers, cujas inacreditáveis caras-de-pau transformavam sketchs muitas vezes banais em clássicos da comédia, seja nos shows do grupo Monty Python ou nos filmes da "Pantera Cor de Rosa", respectivamente.

Quando eu tinha uns 16 anos e morava com um primo sarrista, tivemos a grande idéia de dublar filmes. Para tanto, escolhíamos uma cena, definíamos quem dublava quem e pronto, saíamos falando no gravador qualquer asneira que viesse à mente. Nem preciso dizer que chegamos a literalmente chorar de rir quando ouvíamos as pérolas que saíam no meio daquela histeria toda. Imagino que se eu embalar tudo aquilo num formato "pretensioso" e soltar na internet, vai ter muita gente entoando loas à nossa "genialidade em lapidar frases e piadas em cima de filmes clássicos". Se bobear, somos até indicados ao Oscar de melhor roteiro original...

Menos, por favor, menos. Rir de besteiras e cenas grotescas, tudo bem. Agora, querer enxergar genialidade e politização nesse tipo de humor rasteiro e primário já é demais, não? Fala sério...

Cotação: * * *

Homenagem a um gênio da música: BRAVO, ENNIO!

Emocionante. Essa é a melhor palavra para descrever o que senti ao ver o grande Ennio Morricone finalmente recebendo seu mais do que merecido Oscar - só que pelo conjunto de sua carreira. Para ser bem sincero, foi a única coisa que prestou naquela chatíssima cerimônia na qual desfilam as celebridades da indústria cinematográfica estadunidense, muitas delas em vestidos que mais parecem cortinas de bordel ou embalagens de bombons...

Enfim, adorei ver Morricone, que já compôs mais de 400 trilhas para o cinema, agradecer pelo prêmio em italiano, dando assim uma banana para os imperialistas que, fossem mais inteligentes, já teriam dado dezenas de Oscars para o genial compositor, autor de algumas das mais importantes e maravilhosas trilhas sonoras - entre as quais destaco minhas favoritas: "A Missão", "Os Intocáveis", "Era Uma Vez na América", "Cinema Paradiso", "Era Uma Vez no Oeste", "Quando Explode a Vingança", "Uma Simples Formalidade", "A Lenda do Pianista do Oceano", "O Bom, O Mau e O Feio", "O Enigma de Outro Mundo", "Orca" e tantas outras...

Essa semana foi especial para mim, pois não apenas pude ver Morricone falando ao vivo pela primeira vez, como acabei de receber meu CD duplo da trilha de "Quando Explode a Vingança" - também conhecido como "Duck, You Sucker!", "Giu La Testa", "A Fistfull of Dynamite" ou "Era Uma Vez na Revolução" (título francês) -, penúltimo filme do genial cineasta Sergio Leone.

Além disso, encontrei um DVD excelente numa dessas megastores, "Morricone conducts Morricone", que é a gravação de um concerto regido pelo compositor realizado na Alemanha com orquestra completa, coral e solistas. As perfomances de "Era Uma Vez na América", "Cinema Paradiso", "A Missão", "Pecados de Guerra" e das trilhas dos filmes de Sergio Leone fizeram eu e minha esposa chorar de emoção!

Fiquei muito feliz também por saber que o concerto que Morricone apresentou na ONU há algumas semanas, chamado de "As Vozes do Silêncio", era uma cantata pela paz escrita logo após o 11 de Setembro, mas “dedicada às vítimas silenciosas de tantas tragédias com menor visibilidade”. Por alguns instantes, fiquei com medo que ele havia se rendido ao politicamente correto e à hipocrisia, igual àqueles que só são capazes de fazer homenagens a vítimas de tragédias ocorridas entre a elite mundial.

Felizmente, Morricone demonstrou que sua inteligência também está a serviço das causas políticas e sociais.

Bravo, Ennio!

Abaixo, a homenagem que o jornalista Mino Carta prestou a Morricone em seu blog:

O digno Morricone

"Às vezes me alegro pela minha origem italiana. Disse às vezes, e sublinho. Por que, por exemplo, posso pensar em Berlusconi, em Andreotti (um dos maiores tartufos do século passado), nem se fale de Mussolini e da Praça Veneza apinhada de camisas pretas. Etc., etc. Tenho, neste momento, o consolo oferecido por Ennio Morricone, velho e grande músico, o do seu comportamento na hora de receber o Oscar. Digno, composto, comovido na medida certa. Não se esforçou para falar na língua do lugar, usou a dele, com Clint Eastwood, o ator dos spaghetti westerns musicados por Morricone, a funcionar como intérprete, este Clint merecedor de prêmio bem mais que Scorsese, outro italiano que não me convence. Acompanhava-o a mulher, trajada como convém a uma velha dama, ao contrário de muitas no auditório. E dedicou o seu Oscar a todos aqueles que não o receberam, embora fizessem jus à estatueta. Em compensação, a ganharam Titanic e O Gladiador, para falar de eventos recentes."

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Minuto Auto-Ajuda: Elogios ao crítico-spam!

Postei um comentário no blog do escritor Miguel do Rosário, pessoa a qual admiro muito, sobre o filme "Cidade dos Sonhos", do charlatão David Lynch.

E, para minha alegria, ele respondeu com um elogio, o qual transcrevo abaixo:

"ah, andre, entrei no seu blog e fiquei viajando por lá um tempo. tem umas coisas muito interessantes. me diverti muito com um texto sobre como você se tornou critico-spam."

Visitem o blog Óleo do Diabo mantido pelo Miguel, pois vale a pena.

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Filmes:"ROCKY BALBOA"

TRISTE FIM

Decadência do ex-garoto propaganda do imperialismo dos EUA transforma despedida do "Garanhão Italiano" num show deprimente

- por André Lux, crítico-spam

É um pouco chocante testemunhar nas telas a decadência, tanto física quanto artística, do canastrão Sylvester Stallone. O ex-fortão, que outrora foi um dos mais orgulhosos garotos-propaganda das políticas imperialistas de extrema-direita dos EUA nos cinemas, transformou-se hoje em um sessentão perdido e esquecido.

Sem muitas opções para tentar recuperar o velho prestígio e os dólares, resolveu ressuscitar o personagem do boxeador Rocky Balboa, que lhe rendeu um inacreditável Oscar de melhor filme em 1976 (para você ver como devemos levar a sério esse tipo de premiação da indústria cinematográfica estadunidense), dividendos generosos e uma série com cinco filmes progressivamente piores.

Nessa suposta despedida do “Garanhão Italiano” (nunca diga nunca em Hollywood, que ninguém fique surpreso se amanhã aparecer um "Rocky no Espaço"...), Stallone não tem muito o que fazer, exceto passar metade do filme repetindo o mote do bobo-bonzinho que deu o tom aos dois primeiros filmes da série - isso antes de Rocky virar o “Rambo dos Ringues” na parte III e IV, aonde ele chega a desbancar, enrolado na bandeira dos EUA, um monstruoso boxeador comunista, cujas cenas em que devorava criancinhas certamente foram cortadas na última hora.

Já na parte final, repete as manjadas seqüências de treinamento e da luta propriamente dita, agora contra o atual campeão mundial de pesos-pesados (30 anos mais jovem), que é interpretado por um sujeito franzino e sem graça, que de peso-pesado não tem nada. De tão inverossímil, tudo acaba ficando até desfrutável. Ao menos a música do veterano Bill Conti continua empolgante, embora reciclada.

Stallone sabe como manipular sua platéia, injetando altas doses de sacarose (nas lamentações à esposa morta e no seu indefectível olhar de peixe-morto) e de frases feitas dignas do que existe de pior na literatura de auto-ajuda (principalmente no relacionamento entre pai e filho) que seriam intragáveis, não fosse a sua sinceridade macarrônica - o ator/diretor/roteirista realmente tem fé naquilo tudo, coitado!

Mas acima de qualquer outra coisa, impressiona e deprime a presença física do ator, completamente deformado e inchado (provavelmente pelo excesso de anabolizantes ingeridos durante sua vida), o que acaba transformando “Rocky Balboa” num show triste e melancólico, de fim de carreira mesmo - no pior sentido que o termo possa significar. Chegou a me provocar lágrimas, confesso. Afinal, em tempos de alienação e ignorância, eu também torcia empolgado pela vitória dos Rambos e Rockys da vida em favor do "american way of life"...

Felizmente, hoje em dia essa ladainha não convence mais ninguém. Sem dúvida, um triste fim.

Cotação: * * 1/2

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Rede Globo humilhada: Momento histórico do "jornalismo" brasileiro



Clique AQUI e veja um momento histórico do "jornalismo" brasileiro!

Reparem na cara de enterro do apresentador Cid Moreira...

(pode clicar sem medo, que é apenas um link para um vídeo do YouTube!)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Golpe midiático: A Revolução Não Será Televisionada

A história do golpe contra Chávez

Finalmente consegui assistir ao filme "A Revolução Não Será Televisionada", feito por cineastas canadenses. Ele começou como um documentário sobre o governo de Hugo Chavez, na Venezuela, e terminou como um poderoso registro do golpe midiático patrocinado pelos EUA para tentar depor o presidente democraticamente eleito. Deu no que deu: o golpe fracassou e Chávez foi trazido de volta nos braços do povo venezuelano (clique nas imagens ao lado para vê-las em tamanho real).

O filme mostra os depoimentos de Chávez, o apoio que tem da imensa maioria da população pobre e marginalizada, a campanha difamatória feita pela mídia privada do país (em conluio com os falcões de Washington), os protestos grotescos das dondocas e playboys da classe média contra o presidente e, finalmente, as impressionantes imagens do fracassado golpe de Estado e da manipulação das notícias.

Durante o golpe, a mídia privada local "omitiu" o fato de que misteriosos atiradores de elite estavam disparando contra manifestantes, tanto a favor como contra Chávez, e mostraram apenas os pró-Cháves de armas em punho, dando a falsa impressão de que eram eles quem atiravam contra a marcha da classe média! Na verdade, eles estavam disparando contra os "snipers" escondidos em locais estratégicos. Essa manipulação é confirmada, no filme, por Andres Izarra, que era na época um dos produtores do telejornalismo da TV local, que pediu demissão por não aceitar essa conduta anti-jornalística.

Reparem como toda a estratégia montada pela elite venezuelana, via os políticos da direita e a sua mídia corporativa, são idênticos à campanha anti-Lula e anti-PT que aconteceu aqui no Brasil durante todo o ano de 2005 e 2006.

A única diferença é que aqui não houve confronto armado, como lá. Mas, as mentiras, as distorções, as omissões, as acusações de corrupção e conluio com Fidel Castro e as patéticas marchas da classe média são idênticas... Não é coincidência que o grupo Cisneiros, dono da maior rede de TV privada da Venezuela, é hoje um dos maiores acionistas da editora Abril, que publica a revista VEJA.

Tudo isso você vê nesse impressionante documentário.
CLIQUE AQUI e não deixe de ver!

Veja abaixo o que diz o repórter da rede Globo (sim, existem bons jornalistas lá ainda!!), Luiz Carlos Azenha, em seu blog:

O golpe do século 21: como os Estados Unidos promovem a "intervenção branca"

Finalmente alguém botou a versão completa do documentário A Revolução Não Será Televisionada no YouTube.

É em espanhol, com legendas em inglês.

Dá uma idéia clara de como funcionam os golpes do século 21, precedidos pela guerrilha midiática.

É a intervenção externa através do marketing político, com o uso clandestino de Organizações Não Governamentais (ONGs) que se dedicam a "promover a democracia".

Nos Estados Unidos existe uma organização que responde pela alcunha de NED - National Endownment for Democracy, ou Fomento Nacional pela Democracia.

Ela engloba os braços internacionais dos partidos Republicano e Democrata, entidades ligadas ao comércio e centrais sindicais.

É financiada com dinheiro público e privado.

E atua no exterior, junto com outros órgãos do governo americano - como a USAID - para promover objetivos estratégicos dos Estados Unidos.

É uma forma de intervenção branca, uma vez que os golpes da CIA já estão muito manjados.

Aqui você pode ler sobre os "investimentos" que o NED está fazendo na Venezuela.

Leia aqui outro texto sobre como funciona essa nova forma de intervenção.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Terrorismo Midiático de Veja: O medo a serviço da extrema direita

Graças à editora Abril e a sua grotesca revista semanal Veja, o simples ato de ir até uma banca em busca de uma leitura se tornou algo extremamente penoso e desagradável. Ser obrigado a deparar com as odiosas capas daquele instrumento de provocar medo e outros tipos de sentimentos nada nobres na classe média faz mal para o estômago e para a alma.

Se não enojam pelo que "noticiam", o fazem pelas inacreditáveis omissões - como no caso da tragédia do buraco do metrô em São Paulo, que mesmo matando sete pessoas e destruindo a casa de dezenas de famílias não mereceu manchete na capa nem mesmo foi citada nas páginas internas da revista! Será que o fato de Geraldo Alckmin, José Serra, Banco Mundial e grandes empreiteiras estarem diretamente envolvidos na tragédia tem algo a ver com essa bizarra omissão?

E quando você pensa que os "jornalistas" da Veja não podem se superar, vêm com essa capa asquerosa que explora de maneira lamentável a tragédia ocorrida com uma família de classe média no Rio de Janeiro, cujo filho de 6 anos foi morto barbaramente por bandidos durante um assalto.

Já não basta termos que conviver com esse tipo de violência execrável todos os dias (sim, porque centenas de outros meninos morrem no Brasil diariamente sem que os sabujos da Veja fiquem indignados), ainda temos que aguentar esse lixo panfletário que quer única e exclusivamente aterrorizar os incautos e manipulá-los para que defendam seus interesses mesquinhos e espúrios - os quais, como bem sabemos, não têm nada de democráticos ou sociais! Ou alguém aqui esqueceu ou não sabe que a revista Veja, bem como vários outros órgãos de imprensa que hoje se dizem "democráticos", deram apoio incondicional à ditadura militar no Brasil, que torturou e matou centenas de pessoas, inclusive crianças, por 21 anos?

Na manchete da sua capa torpe e apelativa, Veja pergunta: "...NÃO VAMOS FAZER NADA?". Mas, afinal, o que é os sabujos da Veja querem das pessoas? Você decide:

1) Façam mais uma daquelas ridículas e inúteis passeatas contra a violência;
2) Votem em políticos reacionários, daqueles que pregam "bandido bom, é bandido morto" e redução da idade penal;
3) Comprem armas, alarmes e travas e se tranquem em suas casas, ficando cada vez mais paranóicas e alienadas da vida pública;
4) Coloquem a culpa da violência nos "pobres, pretos e vagabundos" e ajudem a aumentar os níveis de intolerância e racismo no mundo;
5) Voltem-se contra qualquer um que defenda direitos humanos, porque isso "só serve para defender vagabundos e bandidos";
6) Exijam que mais e mais prisões sejam construídas;
7) Todas as opções acima...


Só para aprofundar o que eu já disse, reproduzo abaixo um texto do editor da revista Fórum, Renato Rovai.

Os urubus da barbárie

Como jornalista, sinto raiva de ver veículos de comunicação e coleguinhas se comportando como urubus. Usando o corpo de uma criança para vender sua ideologia sanguinária, racista e discricionária.

- Escrito por Renato Rovai, editor da Fórum

O assassinato do menino João Hélio, 6 anos, revolta pelo sadismo da ação e traz à tona os nossos mais desqualificados sentimentos de reação. Agora, fazer de uma barbaridade como esta um show midiático e torná-la bandeira de debates que deveriam se dar com seriedade e serenidade é deprimente.

Crimes com esse tipo de componente repetem-se a cada tempo. Podem acontecer na Zona Norte do Rio de Janeiro ou numa cidade rica dos EUA. Às vezes têm jovens pobres envolvidos, outras têm filhos de famílias ricas de Brasília. Em alguns momentos são pretos ou mulatos os que os praticam, em outros só ricos brancos.

Se fosse pai de João Hélio, talvez também clamasse por vingança. E se tivesse a oportunidade de matar cada um dos canalhas que participaram da ação, não perderia a chance.

Como jornalista, sinto raiva de ver veículos de comunicação e coleguinhas se comportando como urubus. Usando o corpo de uma criança para vender sua ideologia sanguinária, racista e discricionária.

Os assassinos de João Hélio são os responsáveis diretos por um ato de barbárie. Mas os que lucram com esse tipo de barbárie são outros.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Rir para não chorar: PFL agora é "Partido Democrata"

MUITO BOA ESSA!

(Para quem ainda não sabe, o PFL, antigo PDS, antigo ARENA, antigo UDN, agora vai mudar de nome: PD - Partido Democrata... )

Quando a pessoa adere ao PT diz OpTei.
Quando adere ao PD, diz o que?

- por Zeno José Otto
http://www.zenosr.com

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Obra do Serra: Kassab, o prefeito "pitbull"

Aos gritos e empurrões, prefeito de SP
expulsa manifestante de hospital

Prefeito chamou de 'vagabundo' homem que protestava contra lei.

Clique aqui para ver o "Prefeito-Pitbull" colocando em ação a famosa truculência da direita, no pior estilo "Você não sabe com quem está falando!" ou "Eu prendo e arrebento!"...



Se fosse mulher, seria histérica; como é homem, perdeu a cabeça.

Se fosse de esquerda, ditador; como é de direita, errou politicamente.

Se fosse sindicalista, um boçal; como é da elite, saiu da linha.

Essa lista pode ficar muito maior.

Escrito por Renato Rovai (editor da revista Fórum)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Rir é o melhor remédio: Pérolas do pensamento tucano-pefelento



Eleitores do PSDB, do PFL, do Maluf e afins são bichos estranhos. Em sua maioria, são aqueles sujeitos que detestam política, acham História um coisa chata e inútil e só costumam ler a capa dos jornais e revistas que assinam (isso quando lêem algo!). Todavia, quando chega a hora de falar mal do PT ou do governo Lula, eles têm opiniões fortíssimas e irredutíveis!

Essas figuras são mesmo muito estranhas: ao mesmo tempo em que adoram Pink Floyd, Beatles e "Matrix" e condenam a ditadura militar iniciada com o golpe de 1964, defendem a pena de morte, o porte de armas de fogo e acham que pobre é tudo vagabundo...

Sobre os desastres ocorridos nos oito anos de governo FHC, já ouvi deles as mais risíveis e inacreditáveis justificativas (as quais eles defendem com fúria exemplar):

1) "O país não quebrou três vezes, apenas foi vítima da terrível situação de crise que afetava TODOS os países do mundo, ao contrário do governo Lula, que pegou o mundo sem qualquer crise e, mesmo assim, só cresce míseros 3%!"

2) "Os empréstimos bilionários feitos pelo FMI para impedir a falência completa do país são absolutamente normais. Estranho é o Lula pagar esses empréstimos! De onde veio tanto dinheiro?? Aí tem..."

3) "Apagão? A culpa foi da falta de chuvas!" (essa é a melhor, sem comentários...).

4) "Risco país galopante? A culpa foi do Zé Dirceu, que escreveu um artigo no site do PT e apavorou os investidores do mundo todo"!

5) "Igualar o Real ao Dólar à força foi uma manobra exemplar. Se algumas indústrias nacionais quebraram, paciência, é o preço a se pagar pelo progresso. Já o Real valorizado naturalmente no governo Lula é algo abominável, um absurdo!"

6) "Privatizações? Ok, venderam o patrimônio público a preço de banana e o dinheiro não foi usado para nada, mas em contrapartida veja só: hoje todo mundo tem celular e as estradas de SP quase não têm buracos. Se a gente paga as maiores tarifas do mundo por isso, azar de quem é pobre, vagabundo, que não estudou e não tem MBA, oras!"

7) "A taxa SELIC está hoje em 13%, um absurdo, é inaceitável! Chegou a 50% no governo FHC e agora é a mais baixa dos últimos 20 anos? E daí, nem sei o que é isso! E ninguém na mídia falava dessa tal de SELIC naquela época, portanto não era importante. Agora todo mundo fala, então é importante!"




Isso só para ficar nas mais óbvias, porque tem muitas outras...
Como sempre, em se tratando dessas figuras bisonhas, é rir para não chorar!
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