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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Debate: Verdade Factual versus Opinião Enviesada

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Vou usar esse espaço para responder aos comentários do leitor Rodrigo Leme no texto sobre a "Coleção Caros Amigos: A DITADURA MILITAR NO BRASIL", pois o assunto é muito pertinente. O que é verdade factual e o que é opinião enviesada?

Rodrigo Leme: Esse tipo de coisa me deixa bem satisfeito. Vivemos em um país onde qualquer ponto de vista sobre a ditadura, seja ele completamente à esquerda, completamente à direita ou no meio dos dois possa ser publicado. Fico mais satisfeito ainda em ver que a caros Amigos deixa claro que o publicado é o ponto de vista dela, ao invés de vender o publicado como verdade factual (apesar que a chamada de capa contrariar o q eles dizem, não há de ser nada). O período da ditadura no Brasil é um dos que mais me interessa, por ter tantas nuances, e ter diversos pontos de vista à disposição para mim, mesmo não concordando 100% com todos eles, só acrescenta. Parabéns pela iniciativa.

Ao que eu respondi: Pois é, Rodrigo. As únicas diferenças entre as visões é que a direita e sua mídia chamam o golpe militar de "revolução", a ditadura de "regime" e negam as torturas e as mortes até hoje. A mesma direita que, por exemplo, chama o governo Chávez de "ditadura" e condena a revolução popular cubana que depôs uma ditadura militar.

Como se vê, tirando a verdade factual, o resto é tudo diferença ideológica mesmo...

Réplica do Rodrigo Leme: Lux, o problema da verdade factual é que cada um a interpreta como quer. Existem verdades inalienáveis, como as q vc citou, e verdade determinadas pelo espectro ideológico. Assim como a direita acreditava estar libertando o Brasil (meu Deus!), alguns dos combatentes de esquerda acreditavam que a saída era não mudar o tipo de governo, mas sim a orientação da direita para a esquerda. E cada um esconde e mostra o q quer. Por isso q ressaltei a importância de ser honesto com o leitor q apontar que o escrito é um ponto de vista particular. Não peço imprensa imparcial, pq isso não existe; transparência e cara pra bater está bom demais.

Ao que eu respondo agora: Rodrigo, entendo seu raciocínio, mas é preciso diferenciar as coisas. Verdade factual é o fato puro e simples. Exemplos:

1) Em 1964 ocorreu um golpe de Estado no Brasil que depôs um presidente eleito democraticamente, efetivado pelos militares e respaldado por uma minoria (oligarcas + classe média alienada) e EUA;

2) Durante os 21 anos de Ditadura Militar, milhares de brasileiros foram presos arbitrariamente, torturados e/ou mortos.


Isso são fatos, não opiniões nem análises. O jornalismo sério e honesto deveria divulgá-los assim sempre, independente de qualquer posição política ou ideológica.

Se foram bons ou ruins, defensáveis ou não, aí sim vai depender da ideologia que cada um segue (conscientemente ou não) para analisá-los. Dessa forma, muitos acharam (e ainda acham) tudo isso lindo e correto, enquanto outros não.

Agora, a mídia de direita (que não se assume como tal) nunca divulga os fatos. Ela divulga opiniões travestida de notícia. Assim, golpe de Estado vira "revolução" e Ditadura Militar é chamada de "Volta da Democracia". Para os que se informam pela mídia de direita, as torturas nunca ocorreram, nem as prisões arbitrárias ou os assassinatos nos porões da ditadura. Quando muito, divulgavam que algum "terrorista" foi morto em combate com as "forças governamentais".

É por tudo isso que essa mídia e seus auto-proclamados "formadores de opinião" perdem a credibilidade e o respeito a cada dia - pelo menos entre as pessoas que têm um mínimo de consciência. E só vão ganhar de novo quando:

1) Assumirem suas posições ideológicas com franqueza e deixarem de tentar vender aos incautos que não divulgam uma ideologia, mas sim uma verdade única, quase um "fenômeno da natureza", icontestável e irrefutável;

2) Noticiarem os fatos sem contaminação político-partidária;

3) Explicarem em editoriais assinados porque defendem determinada ideologia e porque endossam, por exemplo, o golpe de Estado (que chamam de "revolução"), a Ditadura ("regime"), as torturas e os assassinatos políticos cometidos no Brasil de 1964 a 1985.

Enquanto isso não acontecer, nós vamos continuar sendo obrigados a testemunhar essas aberrações chamadas Veja, Folha, Estadão, Globo e afins que dão nó em pingo d'água para defender a ideologia que interessa aos seus barões, sempre por meio de ataques às idelogias que não gostam e pela manipulação grotesca dos fatos para que se encaixem na defesa de seus interesses.

Muita gente pergunta por que essa manipulação toda da mídia de direita ficou tão evidente agora, principalmente depois que o Lula ganhou as eleições. A resposta é óbvia, não? Porque agora, que um partido dito de esquerda chegou ao poder, os barões da mídia precisam voltar ao ataque para tentar defender seus interesses e suas ideologias. Igual fizeram em 1964.

Quando é a direita que está no poder, a imprensa corporativa respira aliviada e volta a desempenhar um papel mais ou menos decente. Você quer ver um exemplo de jornalismo razoável? É só ver a cobertura do PIG (Partido da Imprensa Golpista) do acidente da linha 4 do metrô de São Paulo. Foram divulgados os fatos, sem pré-julgamentos, acusações ou "teste de hipóteses". Por que? Ora, o governo do município e do Estado de São Paulo está nas mãos da direita.

Agora, compare com a cobertura do acidente da TAM. Os bombeiros não tinham nem apagado o incêndio e as notícias já vinham com apontamento das causas do acidentes e condenações sumárias - as quais muitos boçais repetiram feito os papagaios que são - sempre relacionadas ao governo Federal. Não preciso explicar o motivo disso, preciso?

Enfim, nem eu nem a maioria das outras pessoas de esquerda que eu conheço quer exigir da mídia corporativa "isenção", "imparcialidade" ou qualquer outra coisa que não existe. Ou que eles não divulguem notícias negativas sobre os governos ou os políticos que estão alinhados à nossa ideologia. Muito pelo contrário. Queremos apenas que assumam publicamente a ideologia deles e a defendam em editoriais assinados, deixando o espaço para a divulgação das notícias o menos contaminado possível.

Será que é pedir muito isso? Pelo nível de histeria que reagem os barões da mídia e seus sabujos quando alguém toca nessa assunto, parece que é...
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2 comentários:

George Pedrosa disse...

Realmente, o mínimo que a Veja poderia fazer é ter a decência de parar de tratar seus leitores como imbecis e assumir publicamente o seu viés direitista...

Vera disse...

Excelente comentário, André. Excelente debate com o Rodrigo Leme. Parabéns também ao Rodrigo. Vera Pereira

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