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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A tragédia do jornalismo tupiniquim: Torquemada da Globo ataca de novo!

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Jornali$mo com $ maiúsculo
Livro que ensina a pensar aterroriza Ali Kamel, o Torquemada da rede Globo


Perigo para a mente dos jovens não é um programa infantil liderado por uma loira acéfala rodeada por “paquitas” usando micro-saias e botas de couro cuja maior contribuição para a humanidade é gerar capas para a Playboy, mas sim um livro de história com viés crítico...

- por André Lux, jornalista e crítico-spam

O atual defensor número 1 do feudo da família Marinho, a famigerada rede Globo, atende pelo nome de Ali Kamel. Jornali$ta com $ maiúsculo e dublê de escritor, Kamel tomou para si o papel de Torquemada da Santa Inquisição contemporânea, que tem como principal alvo a ditadura sindical lulo-petista que o “zé povinho” colocou no governo já há cinco anos.

Em sua última feroz estocada a favor da defesa da moral e dos bons costumes da nobre sociedade ocidental, o Torquemada da Rede Globo, canal de televisão responsável por fenômenos culturais riquíssimos como o “Show da Xuxa”, “Zorra Total”, “Domingão do Faustão” e as eternas novelas, investiu contra o livro “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt, da Editora Nova Geração, em sua coluna no jornal “O Globo”.

Entre várias pérolas do neomachartismo tupiniquim, o jornali$ta da Globo acusa o autor de fazer apologia do comunismo, aquele regime nefasto que, segundo os arautos da democracia sem povo da famiglia Marinho, tem como premissa básica a degustação de criancinhas e a formação de baderneiros profissionais, entre outras barbaridades. Kamel, aterrorizado, demonstra que “Nova História Crítica” é a prova cabal de que a ditadura sindical lulo-petista quer mesmo é fazer lavagem cerebral nos jovens em favor da ideologia demoníaca contra o saudável e irreversível sistema capitalista.

A argumentação de Kamel, todavia, não sobrevive a dois minutos de busca pela internet. O livro em questão, cujo destino certamente deveria ser a fogueira para o Torquemada global, foi aprovado pelo MEC durante a gestão do ministro Paulo Renato de Souza, ainda no governo neoliberal de FHC. E, pasmem, foi retirado de circulação justamente no atual governo Lula.

Qual a justificativa, então, para a publicação de uma peça de péssima qualidade jornalística num dos jornalõe$ mais tradicionais do Brasil?

Pistas para a resposta foram dadas na edição desta semana de revista CartaCapital. Apesar do tom moralista e ideológico do ataque de Kamel, o que aparentemente moveu o jornali$ta da rede Globo nada mais foram do que os cifrões. Ao tentar destruir a reputação do referido livro, de seu autor e, obviamente, da editora que o publicou, almejava mesmo era dar uma força às grandes editoras transnacionais que não vêem a hora de abocanhar ainda maiores fatias do bolo orçamentário do MEC.

Não por acaso, o nome do ex-ministro Paulo Renato de Souza figura na lista dos consultores pagos a peso de ouro para abrir as portas para essas mesmas editoras estrangeiras. Conflito de interesses pouco é bobagem para essa gente, não é mesmo?

Enfim, o que dizer de um cidadão que escreveu um livro defendendo como verdade absoluta a tese de que não existe racismo no Brasil e em seguida nos brindou com outro que, entre várias maravilhas, enaltece a política imperialista de George W. Bush Júnior? Ou que inventou uma nova modalidade de jornali$mo, o “testa-hipóteses”, para tentar explicar o viés partidário da cobertura da tragédia do vôo da TAM, o qual para o Torquemada global aconteceu por culpa de, quem mais, senão da ditadura sindical lulo-petista?

De acordo com a lógica de jornali$tas como Ali Kamel, perigo para a mente dos jovens não é um programa infantil liderado por uma loira acéfala rodeada por “paquitas” usando micro-saias e botas de couro cuja maior contribuição para a humanidade é gerar capas para a revista de sacanagem Playboy depois que completam 18 anos de idade, mas sim um livro de história com viés crítico que pretende ensinar as crianças a pensarem...

Deus nos livre dessa heresia! Afinal, se todo mundo for ensinado a pensar e questionar desde cedo, o que será de jornali$tas como o Ali Kamel, que são pagos pelos barões da mídia para defender aquela ideologia cujo dogma maior é justamente a busca desenfreada e desumana por $$$$$?

Primeira ilustração retirada do blog abundacanalha
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6 comentários:

Kelly disse...

parabéns pelo blog, pelas críticas publicadas, pela visita e citação ;)

Rodrigo Leme disse...

Hmmmmm, vamos separar as coisas. Não acho o livro em questão esquerdista como foi dito, mas ele também não ensina a pensar. Por conta de uma prima que ensina na rede pública (melhor: batalha para ensinar), consegui uma cópia do livro.

O q me revolta e ninguém cobre é como os livros de história, em qualquer níel do ensino, são simplistas e pouco atrativos. Eles se limitam ao uso de maniqueísmos (o regime Maoísta é descrito no sistema "é bom mas é ruim, porém é ruim mas é bom"), e parcas descrições históricas que pouco acrescentam cultralmente.

O buraco é bem mais embaixo dessas discussões superficiais sobre sabotagem ideológica: os livros de história não ensinam nada de pensamento crítico. São meros livrinhos de fatos colocados para serem decorados e respondidos nos vestibulares e ENEMs da vida. Não à toa, o brasileiro é tão pouco envolvido com seu país.

Claro que o que falo de história poderia ser aplicado a outras áreas da grade básica de ensino, mas acho que ao menos o ensino da história, que forma cabeças pensantes e ajuda a determinar o curso do país, deveria ser levado a sério.

André Lux disse...

Não, meu caro Rodrigo, o problema não é esse. O problema é um jornali$sta da rede Globo vir à público condenar um livro de história à fogueira usando para isso argumentos ideológicos e moralistas, quando na verdade ele está única e exclusivamente a serviço do capital representado por editoras transnacionais que querem, a todo custo, aumentar o volume de participação delas no orçamento do MEC.

O Torquemada da Globo sabia muito bem que o tal livro não foi instituído durante o governo Lula e sim no do FHC, mas mesmo assim deturpou os fatos para que se encaixassem na sua peça publicitária contra a editora em questão e, claro, o governo petista.

Se livros de história tivéssem participação no futuro pensamento ideológico de uma pessoa eu seria hoje um extremista de direita, pois fui educado durante a ditadura militar na base da decoreba inútil de datas e cantando musiquinhas "nacionalistas" em homenagem aos Bandeirantes e no pior estílo "vamos construir juntos"!

Rodrigo Leme disse...

Lux, vc não é a média. Eu me virei bem, apesar o baixo nível de ensino no Brasil, calcado em vestibulares e outros tipos de competição cretinos (e olha q estudei em escola particular!), mas isso não quer dizer que não é necessária uma boa base para formar um bom cidadão.

Existe gente que precisa de empurrão sim, e a escola deveria preencher este vazio, estimulando o pensamento, a criação e a participação na sociedade. Consciência é resultado de uma série de fatores, dos quais creio a escola ser um dos mais importantes.

E eu peguei o final da fase de ensino de "Educação Moral e Cívica" (depois virou "Estudos Sociais") na escola, e sempre achei um saco. Era um monte de gente dizendo q deveria amar o Brasil, mas nunca me dizendo pq. :)

André Lux disse...

Rodrigo, não discordo de nada do que você disse. Educação é tudo mesmo e, claro, a escola tem papel fundamental.

Mas o que tudo isso tem a ver com o meu texto sobre o Torquemada da Globo? Ou você acha mesmo que o ataque dele ao livro em questão está mesmo ligado à uma preocupação com a qualidade da educação das crianças? Um cara que trabalha na emissora do "Show da Xuxa"?

Criticar um livro é algo absolutamente normal e desejável. Agora, deturpar fatos incontestáveis para tentar fazer valer uma lógica absurda só para, veladamente, tentar dar uma forcinha aos barões das editoras multinacionais é outra, não acha?

Rodrigo Leme disse...

Foi justamente por isso q disse q o buraco é mais embaixo do q o texto do Kamel. Sinceramente, não dei muita atenção para essa polêmica justamente por ter certeza de q ela é pequena e mesquinha. Uma breve leitura do livro em questão aponta as incoerências do Kamel. Vou até ver se escaneio algumas páginas e ponho no meu blog.

Discutiria com vc se vc concordasse com ele, o q definitivamente não é o caso. ;)

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