Postagem em destaque

SEJA UM PADRINHO DO TUDO EM CIMA!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada ...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Breve nos cinemas: "Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem"

.
Repasso aos amigos reportagem de minha autoria publicada no site Cultura e Mercado a respeito do filme "Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem", que tem como protagonista o artista Jorge Mautner.

Conheçam o site do filme, com trailer e mais informações.



CIBERFILME
Uma câmera na mão e algumas idéias na cabeça.
O resto é KAOS!


“Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem” é o primeiro ciberfilme a ser lançado comercialmente nos cinemas brasileiros e deve estimular a diversidade e a democratização da produção cultural

- Texto e entrevistas por André Lux, jornalista

Escrito, dirigido, fotografado e editado por André Martinez e produzido em parceira com o Instituto Pensarte e a Deusdará, Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem tem como ponto central a figura de Jorge Mautner, artista multimídia que criou a mitologia do KAOS e já trabalhou em parceria com músicos como Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Muito mais do que um simples documentário sobre Mautner ou sua obra, o filme é uma experiência visual, literária e filosófica construída a partir da mitologia do KAOS, mas também da interação entre o diretor e o artista em questão. “Eu sabia e não sabia o que queria discutir a partir do privilégio de interagir com uma pessoa que tem uma riqueza como o Mautner, cuja obra é orgânica, complexa, genial, multidimensional. Sabia porque o Kaos tem tudo a ver com as minhas tentativas de interpretar e discutir o mundo. E não sabia porque meu processo é rizomático e o Jorge é uma explosão de possibilidades. O que eu tentei fazer foi estabelecer relações e conexões entre a construção do profeta do KAOS a partir de situações cotidianas”, explica Martinez.

Todas as imagens foram captadas em câmera digital fotográfica e editada em plataforma caseira. As locações e a estrutura narrativa do filme seguem uma lógica coerente à mitologia abordada. O filme começa em São Paulo, fixando-se na mítica Pirenópolis, no interior de Goiás, até chegar ao Rio de Janeiro. Martinez explica que, mais do que um fator limitante, a escolha desses cenários-protagonistas tem profunda relação com a obra e história de Jorge Mautner, não apenas porque o artista tem uma forte relação com Rio, São Paulo e Pirenópolis, mas também pelo que essas cidades têm de simbólico e universal.

“Em Pirenópolis você vê o centro da terra. No Rio e em Sampa você vê o mundo em uma perspectiva de organização, interpretação e visão que só o Brasil pode dar. São as nossas duas pontas, com todas as nossas contradições, e ao mesmo tempo representam duas possibilidades distintas que serão a nossa redenção quando você conseguir que o poder econômico, o trabalho, a informação, estejam organicamente associados à utopia de criar, re-criar o mundo e viver integralmente com prazer e liberdade. E o Brasil sintetiza essa possibilidade para o mundo. E parte significativa da construção da obra do Mautner, um filho do holocausto e cidadão do mundo, surge dentro desses dois cenários”, sintetiza o diretor.

Jorge Mautner aprovou a abordagem de Martinez e completa: “O André leu a mitologia do KAOS, se adensou na sua atmosfera e a interpretou. É o olhar dele e o filme é filosófico, ideológico, do KAOS com K, dos Pontos de Cultura, para onde sou arrastado sempre por aquela garotada que já têm o DNA, o sistema nervoso, os neurônios já para o além e é uma beleza. É essa alegria que o filme passa”, filosofa o artista.

Os Pontos de Cultura fazem parte do projeto Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC), sob a batuta do ministro Gilberto Gil, e têm por objetivo articular e impulsionar as ações culturais e de diversidade que já existem nas comunidades e contam hoje com mais de 650 unidades espalhadas por todo o Brasil. Jorge Mautner é um dos artistas que prestigia e dá vida aos Pontos de Cultura. Foi a partir dessa relação do artista com o projeto que nasceu a idéia que deu origem a “Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem”.

Quem explica é o presidente do Instituto Pensarte, Bento Andreato: “Dentro do Pensarte existe o Pontão de Cultura do KAOS (PCK), que é liderado e coordenado pelo Jorge Mautner e atua de maneira transversal aos Pontos de Cultura. Assim, surgiu a vontade de documentar esse trabalho de fomento à criatividade, desenvolvimento cultural e troca de experiências realizadas por ele nos Pontos de Cultura. O André Martinez, que é um dos protagonistas mais ativos da rede Pensarte, propôs fazer um filme sobre o Mautner e isso veio ao encontro dos anseios do grupo, confirmando a importância do trabalho do PCK nos Pontos de Culturas”.

O filme é uma parceria com a Deusdará, plataforma livre de atuação audiovisual que Martinez mantém com Leonardo Brant, que também assina a produção executiva do filme. Os dois, que realizaram juntos mais de uma dezena de ciberfilmes no último ano, também são sócios da Brant Associados, um ateliê especializado em Arquitetura Cultural, metodologia que trabalha cultura e sustentabilidade para grandes empresas como Avon, Comgás e Fundação Vale do Rio Doce.

Mas, o projeto que nasceu como um mero registro da atuação de Mautner nos Pontos de Cultura acabou crescendo e criou vida própria. André Martinez conta que desde que começou as experiências narrativas com a cybershot percebeu que existia uma sintonia muito grande entre a mitologia do KAOS, e a forma como o Mautner pensa, com a estrutura literária do trabalho realizado por ele. “Depois de ouvi-lo falar pessoalmente, pensei ‘Quero fazer sim um filme com o Mautner’. Conversamos e ele topou participar dessa aventura”, revela.

Martinez enfatiza que o processo de criação foi todo orgânico, construído a partir dos acontecimentos e dos argumentos trazidos por Mautner ao filme. “A partir daí iniciamos a nossa viagem e eu me mantive grudado nele, captando o máximo de material que podia. Havia, é claro, uma pré-construção do objetivo que gostaríamos de atingir, mas não havia roteiro nem planejamento de produção. Era basicamente uma câmera na mão e algumas idéias na cabeça. Porém, um trabalho de construção que não foi nem improvisado nem casual, embora buscasse no casual a sua matéria prima”.

Democratização e diversidade
O uso de câmera digital fotográfica de 8.0 Megapixels para a captação das imagens foi decisivo para o sucesso da abordagem utilizada. Quem explica essa opção é Fábio Cesnik, advogado especializado em cultura, responsável pela consultoria jurídica de grande parte dos filmes nacionais: “A idéia de filmar em cybershot começou em uma viagem que eu, o Leonardo Brant e o André Martinez fizemos ao Senegal, onde captamos imagens e acabamos fazendo um pequeno filme. A partir dali e de outras experiências com essa tecnologia percebemos as possibilidades que esse formato trazia, que culminou com a realização de ‘O Guru Selvagem’”.

Para Cesnik, que assina a produção executiva juntamente com Brant, o filme comprova que é possível criar uma obra audiovisual com o mínimo de recursos, fator que deve estimular a diversidade e a democratização da produção cultural, atualmente restrita só a quem tem acesso a grandes quantias de dinheiro. “Acho que isso vem totalmente ao encontro do papel dos Pontos de Cultura e também surge no espírito do Pontão de Cultura do KAOS, idealizado e criado pelo Mautner. Se o filme despertar essa consciência e reflexão sobre a democratização do processo de produção artística já terá cumprido seu papel”, conclui.

Tudo isso seria apenas uma feliz coincidência, se Martinez não tivesse no currículo uma passagem pela Fundacine, que foi uma das articuladoras do Congresso Brasileiro de Cinema e responsável pelo desenvolvimento audiovisual no Rio Grande do Sul. Além disso, o diretor assina o livro Democracia Audiovisual, que traz propostas de políticas para o desenvolvimento sustentável do audiovisual no país.

Martinez, que foi também responsável pela operação do equipamento, aprovou a experiência. “O processo de filmagem era orgânico, de investigação. A câmera cybershot pode não oferecer muitos recursos cinematográficos, mas ao mesmo tempo dá uma imensa liberdade de manuseio que era essencial para o projeto”. Martinez frisa, porém, que a opção por esse recurso não foi ideológica, nem política, mas sim por ser a tecnologia disponível e passível de ser dominada no momento. “Essa é a vantagem de se apropriar da tecnologia ao invés de ficar dependente dela, o que abre a possibilidade para que qualquer pessoa possa criar, dependendo apenas do talento. Embora eu não goste de colocar o filme a serviço de qualquer panfleto político, pois não foi feito para isso, por ser orgânico ele pode ajudar a democratizar o acesso à produção artística e gerar discussões nesse sentido, caminhando na contramão dos modelos de concentração tecnológica. Esse é um pensamento que permeia todo o trabalho que resulta de minha parceria com o Leonardo Brant”.

Jorge Mautner confessa ter ficado surpreso com o resultado final atingido pelo diretor com base nos recursos tecnológicos disponíveis. “Eu tive um espanto com o filme depois de pronto. Aquelas coisas eu falo, mas ele as interpretou, é o olhar dele, inclusive a câmera, sendo uma câmera simples, digital, ele consegue efeitos de atmosfera espantosos e aí é o olho que está ligado ao cérebro com os neurônios e domina a emoção”.

Todas as músicas utilizadas no filme são oriundas de gravações já existentes, selecionadas pelo cineasta a partir da pesquisa realizada sobre o material da mitologia do KAOS de Jorge Mautner. “Outros Viram”, a canção dos créditos finais, é do álbum “Revirão” e foi interpretada por Gilberto Gil. “Houve uma confluência natural entre as cenas do filme e a música. Se você está profundamente mergulhado num projeto multidimensional, e a apropriação tecnológica permite isso, vai rumar para o caminho certo, o universo vai se reconfigurar para caber nesse ponto central. Esse processo criativo funciona de fato”, teoriza Martinez.

Exibição e expectativas
Acontecerá nesta terça-feira, 11 de setembro, em Porto Alegre, no Cine Santander Cultural uma sessão de pré-estréia do filme. Mautner e o diretor André Martinez estarão especialmente em Porto Alegre para debater o filme em uma Sessão Comentada.

Graças a uma parceria entre os realizadores e a distribuidora Panda Filmes, “Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem” será a primeira obra filmada com tecnologia digital a ganhar as salas de cinema. Antes disso, porém, o filme será exibido simultaneamente em trinta Pontos de Cultura espalhados pelo Brasil inteiro. O responsável por esse processo é PX Silveira, vice-presidente do Instituto Pensarte, que está confiante no sucesso da empreitada. “O Mautner já percorreu todos esses Pontos de Cultura durante a formação do PCK, portanto não haverá dificuldades nesse processo. Queremos realizar a exibição do filme de maneira simultânea, com o Mautner ligado num bate papo on-line via internet aberto à participação de todos os presentes”.

Em relação à repercussão que o filme vai conquistar depois de lançado, Martinez é categórico: “Já estou extasiado só com a possibilidade dele ser lançado nos cinemas pela Panda Filmes. Minha única expectativa é que o máximo de pessoas vejam e cheguem a suas próprias conclusões. Tenho o maior orgulho dele, mas sei que é um filme difícil de ser digerido. Todo o processo é muito novo, inclusive para mim. Por isso, não estou preocupado se vai ser bem recebido pela crítica ou se vai fazer sucesso comercial, apenas quero conversar com todos os espectadores que puder, para saber o retorno das pessoas sobre o trabalho e o processo, comparar esse retorno com a minha visão de mundo. E se muitas pessoas assistirem, ficarei feliz por contribuir para a difusão da obra destes artistas imprescindíveis que são o Mautner e o Jacobina”.

Jorge Mautner também não está preocupado com o que vai acontecer depois do lançamento e parece satisfeito apenas por ter participado da empreitada, o que ele explica na sua própria maneira peculiar. “A gente nunca sabe o destino, ainda mais de um filme que tem uma preocupação puramente do âmago, artística, filosófica, mas que tem também uma grande comunicabilidade. Ele é cheio de humor, tem as palavras do novo sistema nervoso e, principalmente, aborda a emergência dessa amálgama brasileiro, que é o tesouro do mundo e que o Brasil, que é um gigante que se fingiu de invisível até agora, guardou para o século 21”.

Como se vê, é puro KAOS!
.

3 comentários:

Nezimar Borges disse...

“CARO AMIGO” . ESTOU FAZENDO UM TRABALHO DE DIVULGAÇÃO PELOS PRINCIPAIS MAIS VISITADOS BLOG´S DO PAÍS. POSSUO UM SITE INDEPENDENTE SOBRE A TRAJETÓRIA POLÍTICA E SOCIAL DESTE QUE É UM ÍCONE DA ESQUERDA BRASILEIRA, JOÃO CAPIBERIBE. SE POSSIVEL AJUDAR NA DIVULGAÇÃO, POIS PRECISAMOS QUE MAIS PESSOAS SAIBAM DA VIDA E DA LUTA DESTE AMAZÔNIDA PELAS CAUSAS SOCIAIS E AMBIENTAIS. POR FIM, SABER DA GRANDE FARSA MONTADA PELOS ADVERSÁRIOS DO SOCIALISTA NO AMAPÁ - E SEUS ALIADOS PARA TIRAR JOÃO CAPIBERIBE DO SENADO FEDERAL. E QUE CONSEGUIRAM A CONTENTO.
NAO HÁ DUVIDA QUE LUTAR CONTRA O “STATUS QUO” DA POLITICA BRASILEIRA - CORRUPÇAO DESCARADA - E PRINCIPALMENTE CONTRA OS CORRUPTOS DESSE PAÍS, PAGA-SE UM PREÇO MUITO ALTO. E CAPIBERIBE PAGA ESSE PREÇO. POIS QUANDO GOVERNADOR DO AMAPÁ NAO DEU BRECHA PARA A CORRUPÇAO: EXTINGUINDO AS APOSENTADORIAS DE TODOS OS EX-GOVERNADORES, IMPLANTOU O MAIOR PROJETO ANTI-CORRUPÇAO DESSE PAÍS-PROJETO TRANSPARENCIAS- ;FOI O PRIMEIRO GESTOR A TRABALHAR UM GOVERNO TOTALMENTE VOLTADO AO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL; ENFIM SABER SOBRE OS 10 ANOS DE EXÍLIO DO SOCIALISTA.

UM ABRAÇO
VISITE ; HTTP://WWW.HISTORIADOCAPI.COM.BR
Favor, fazer chegar esta mensagem aos seus contatos de e-mail.

MACAPÁ-AMAPÁ-AMAZONIABR
NEZIMAR BORGES

Rodrigo Leme disse...

Não sei...eu acho que a produção em si já está bem democratizada, o que me preocupa mais são os acessos. O maior custo não está em fazer arte (até pq eu faço arte com papel e caneta), mas sim em divulgá-la.

Não questiono a qualidade do filme assunto do texto (até pq não o vi), mas o Mautner goza de grande prestígio entre a classe mais intelectualizada, e mesmo assim o lugar ao sol de seu filme se restringe aos cinemas de arte. O q vai se dizer de outros filmes que nem essa forte figura central têm?

Acho que o grande pulo cultural aqui no Brasil é esse: ter os meios e canais para fazer essa arte aparecer. A internet é um belo de um meio, mas o Brasil precisa de algo mais emergencial do que algo que precisa de um projeto maior, de inclusão digital.

André Lux disse...

Os meios e os canais já existem e podem ser ampliados, porém são dominados pelo lobby das grandes distribuidoras estadunidenses que impedem qualquer tipo de democratização. Quando alguma rede de cinemas se atreve a furar o bloqueio e tenta exibir um filme independente é imediatamente retaliado pelas majors que, na maioria dos casos, vetam o acesso dessa rede a seus próximos blockbusters, por exemplo. É a lógica do neoliberalismo, infelizmente.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...