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quarta-feira, 27 de junho de 2007

Tréplica: Ainda sobre "O Labirinto do Fauno"

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Fiquei contente de perceber que uma opinião minha sobre o filme "O Labirinto do Fauno", publicada na Agência Carta Maior, tenha provocado polêmica a ponto de levar Katarina Peixoto (que eu não conheço) rebatê-la de forma extremamente contundente.

Mil vezes mais bem escrito do que o meu e repleto de citações a autores importantes, o texto de Peixoto é daqueles que fazem a gente se sentir ignorantes e iletrados - felizmente, eu não tenho pudores em admitir minhas próprias limitações e nunca tive qualquer pretensão de posar de dono da verdade.

Não vou analisar a fundo a crítica dela, até porque acho esse negócio de "crítico criticar crítico" algo chato e inútil. Mas, pontos do texto dela julgo merecerem comentários meus:

1) A autora diz que eu "ataquei" o filme em questão. Bobagem. Não ataquei nada, apenas escrevi minha opinião que, no caso, não foi tão favorável e busquei apontar as falhas evidentes (embora eu destaque também várias qualidades dele, como a primorosa trilha musical de Javier Navarrete, de longe a melhor coisa do filme, e a pertinente denúncia contra o fascismo). Não concordar com a minha análise totalmente subjetiva da obra é uma coisa, agora dizer que eu a ataquei já é um exagero desnecessário e injusto.

2) O título do texto dela é "Uma fábula para derrotar todos os fascismos". O que, convenhamos, não faz sentido, afinal é justamente o contrário que acontece: é o fascismo quem vence a fábula e não vice-versa. (não quero estragar o final do filme, portanto se não o viu ainda pule a próxima parte). A menina sonhadora que cria fábulas para fugir da realidade é assassinada pelo vilão, o qual só depois é morto pelos guerrilheiros. Ou seja, de acordo com o diretor e roteirista apenas um tiro na cabeça pode derrotar um fascista! Nesse ponto concordo que Del Toro ao menos é coerente com a História, afinal fábula nenhuma foi ou seria capaz de acabar com o fascismo real no poder, só mesmo uma resistência armada (o que é confirmado pelo próprio final do filme).

3) A fim de rebater meus argumentos, a autora defende a caracterização maniqueísta do capitão fascista, o qual, segundo ela, "é o próprio fascismo". Não concordo, pois ao retratá-lo de forma tão caricata, como se o sujeito fosse um simples monstro que gosta de praticar maldades, o diretor perde a chance de mostrar que a ideologia fascista é fruto das idiossincrasias do ser humano e, portanto, algo contra o que devemos estar sempre alertas. É só trazendo à tona o que existe de humano em personagens repugnantes como o em questão é que as pessoas conseguem perceber o quanto eles são assustadores e próximos. O seu amável vizinho pode endossar a ideologia política praticada pelo capitão e, numa situação extrema (de guerra, por exemplo), se tornar o próximo torturador.

Ao não conseguir fugir da caricatura para retratar o personagem (ele até que tenta, com aquela história do pai dele, mas sem sucesso) Del Toro enfraquece sua denúncia e iguala o capitão fascista a um vilão raso do estilo Jason ou Freddy Kruegger - fato que, inclusive, é coerente com o resto da obra do diretor, famoso por filmes de terror-trash rasteiros como "Hellboy", "Mutação" e "Blade II". Por mais que repudiemos a ideologia fascista e estejamos previamente inclinados a endossar qualquer obra que a ataque, não podemos esquecer que não estamos aqui falando de um cineasta do porte intelectual de um Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Ken Loach, Terry Gilliam ou Costra Gravas...

Enfim, uma crítica é sempre uma opinião, nada mais, nada menos. Eu procuro sempre analisar uma obra do ponto de vista de um simples espectador, a partir da minha visão de mundo é claro, mas principalmente pelo resultado final apresentando e não pela pretensão de seus realizadores ou explicações que dão em press-releases. Até porque bons filmes não precisam ser explicados por ninguém, embora seja uma realidade que as pessoas estão com cada vez mais preguiça de pensar e tirar conclusões por si mesmas.

Para ler a réplica de Karina Peixoto ao meu texto original, clique neste link.
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3 comentários:

Leonardo Petersen disse...

Li todas as suas críticas do Labirinto do Fauno e decedi manifestar minha opinião aqui. Espero que leia, mesmo o post sendo antigo.
Apesar de ter achado o filme um dos melhores dos ultimos tempos e então, pela lógica, discordar da maioria do seus motivos, devo concordar com sua opínião que diz que faltou humanidade no capitão fascista, aspecto básico que qualquer ser HUMANO possui, não importando seus ideais.

No entanto, só gostaria de retrucar duas coisinhas, sempre ressaltando que opinião é opinião.

- quando voce diz que o que acontece é o contrário do que Peixoto diz, que no fim o fascismo vence a fábula e que nenhuma imaginação vencerá nenhum poder, eu até concordo. No entanto, eu acredito humildemente que o que o filme quis passar não foi isso, mas sim que a fábula pode PREVENIR a crueldade. A fábula e os livros. E se esses não são fatores que podem acabar com algum fascismo, acho que são aspectos incitadores. Coisas que vem antes, e que servem de inspirações.

- outra coisa. Novamente, minha opinião, acho completamente desnecessário atacar o criador do filme, o chamando de 'nerd' 'cheio-de-moral', pois nada disso influencia em sua obra. E citar tambem suas obras anteriores para desmerecesser um pouco o filme, tambem nao acho muito válido. De resto, admito que voce tem as suas opiniões e elas devem ser respeitadas. Só queria ressaltar esses pontos mesmos.

Espero que me venha com o respeito que eu acredito ter vindo até voce.

Abraços,
Leonardo petersen.

Leonardo Petersen disse...

Perdão pelos grotescos erros ortográficos. Enviei o comentário antes de revisar.

Anônimo disse...

Como um filme tao diabolico pode fazer tanto sucesso...a menina desceu ao encontro de seu pai..inferno..toda de vermelho...entre muitas outra cenas de siimbolismo subliminar

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