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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Miguel do Rosário: "Por que Chávez não daria certo no Brasil"

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Convoco a todos para a leitura do texto abaixo, maravilhosamente escrito pelo amigo Miguel do Rosário, o qual eu assinaria em baixo com tranqüilidade, caso possuísse o talento dele. Ele é um pouco longo, mas sua leitura chega a ser emocionante de tão honesta e afiada com a realidade...

Destaco alguns trechos abaixo, que achei brilhantes:

"De vez em quando ouço alguém lamentar não termos um Hugo Chávez no Brasil. Não é de hoje que escuto essa melodia, algo melancólica, de termos uma esquerda, encarnada no Lula, tão light, tão reformista, tão dócil às violências de nossa mídia golpista e nossas elites reacionárias. Não concordo. Para mim, o fenômeno Chávez é uma coisa lá dos venezuelanos. Aqui não teria nada a ver."

"Um dos graves problemas da esquerda, brasileira e mundial, é se deixar levar, muitas vezes, mais por discursos do que por resultados. Lula não faz discursos anti-imperialistas contra os EUA? Lula recebe Bush e aperta sua mão? Acho excelente. Lula sabe que temos 189 milhões de bocas para alimentar e não é para agradar um punhado de esquerdistas de classe média que deveríamos desempregar os milhões de trabalhadores que dependem de vendas de produtos brasileiros para consumidores americanos."

"Ao Brasil não interessam novas crises econômicas, turbulências políticas provocadas simplesmente por questão de comportamento do presidente. (...) Um estadista deve, sobretudo, evitar confusão, e procurar a paz, a estabilidade. Um país, quando está em paz, estável, bem consigo mesmo e com o resto do mundo, cresce naturalmente. Quando os trabalhadores (e estudantes) organizados não são reprimidos, conseguem conquistas. O governo cumpre a função de mediador social, vigilante da Constituição, indutor do crescimento e do bem estar social e, na medida do possível, agente protetor das camadas mais vulneráveis da população. Governo não é para criar confusão."

Leiam o texto completo no blog "Óleo do Diabo", do Miguel do Rosário.
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5 comentários:

wilson disse...

Desculpe, até agora vinha concordando com tudo o que você pensava, mas com relação a este artigo nos distanciamos. Não com relação ao Chávez servir pro Brasil(são realidades um pouco distintas), mas com a condescedência e aceitação da política americana para a América do Sul.

Ricardo Melo disse...

Eu acho muito delicada a situação do Presidente Lula. Ao contrário do Chile de Allende e da Venezuela de Chavez, no Brasil não existe uma forte organização político-sindical apoiando um presidente de esquerda. Muito da sustentanção política de Lula provém dos resultados econômicos, benefícios sociais e do seu carisma junto à massa da população. Sem o fator "carisma" de Lula, não acho que um presidente petista poderia ter aguentado o "tranco" da campanha difamatória do Imprensalão.
Por outro lado, se Lula tivesse o respaldo de uma população fortemente politizada, uma população muito organizada em termos político/sindical, como foi o caso do Chile nos anos 1970, a reação das elites poderia ser muito mais agressiva.
Allende não caiu somente por causa de uma campanha midiática.
Ele foi derrubado também por um boicote, uma greve patronal que paralisou a produção industrial do Chile, levando o país ao colapso.
E que não se pense que foram somente os industriais chilenos que levaram o país ao colapso econômico. Até o sindicato dos caminhoneiros entrou na conspiração, paralisando totalmente a distribuição no país.
O texto do Miguel do Rosário mostra que discursos retunbantes não nos levarão à sonhada Revolução Socialista. O nosso presidente está caminhando sobre "gelo fino" e não conta com fortes organizações populares para a sustentação do seu governo. Desse modo, a via que lhe resta é institucional. E um governo que depende de acordos institucionais precisa mesmo é ter resultados convincentes na condução do país. Sou anti-imperialista e gosto de discursos contra a opressão dos povos latino-americanos. Mas a realidade me leva a esperar do Presidente Lula um postura mais efetiva e menos loquaz.

André Lux disse...

Prezado Ricardo, concordo plenamente com a sua argumentação.

Zé Renato disse...

Resumiu o que tenho pensado sobre as atitudes do Lula e que, geralmente tenho guardado pra mim, em reflexões esporadicas e "sem importancia".
Abracos!

Miguel do Rosário disse...

obrigado andre. wilson, acho que ja nos entendemos la no meu blog, mas mesmo assim quero responder aqui, porque voce falou uma coisa interessante. Eh justamente disso que falo: a Venezuela hoje pode ser muito independente politicamente mas economicamente, é mais que nunca dependente dos EUA, principal destino de suas exportaçoes de petroleo e principal fornecedor de insumos e produtos industrializados. Enquanto isso, o Brasil, efetivamente, nunca foi tao independente dos EUA, visto que nossa pauta de exportaçao chega aos destinos mais variados, com crescimento destacado para paises latino-americanos, do oriente medio, China, Leste Europeu, Asia. Sem contar a continuade firme das exportaçoes para EUA e Europa. Ou seja, na pratica, estamos adquirindo uma independencia muito grande dos EUA, coisa que, na pratica, nao esta acontecendo na Venezuela.

Ricardo, concordo com voce. Quando voce diz: "a realidade me leva a esperar do Presidente Lula um postura mais efetiva e menos loquaz", acho que esse pensamento reduz inclusive a questao do apoio sindical, que alias é o grande forte de Lula. A CUT é muito poderosa e forte apoiadora de Lula. Na epoca da crise politica, foi a CUT que aguentou o tranco, quando o PT amarelava.

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