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quinta-feira, 12 de abril de 2007

O mundo como ele é: A Globalização da Miséria

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O texto "Da globalização" que o jornalista e escritor Georges Bourdoukan publicou em seu blog traduz com perfeição o que penso da atual situação do mundo (que, por sinal, não é muito diferente do que sempre foi).

Inclusive, esses eternos desentedimentos entre as ditas "esquerdas", citados pelo autor, me remetem àquela cena do filme "A Vida de Brian", do Monty Phyton, quando o chefe do grupo revolucionário Frente dos Povos Judáicos afirma que só existe uma coisa que eles odeiam mais que os Romanos, seus opressores. E aí cita o nome de todos os outros grupos revolucionários, inclusive o dele mesmo! O jeito é rir para não chorar...

Confiram abaixo o texto completo:

Da globalização

- Georges Bourdoukan

Quando escrevi, citando Samuel Johnson, que a pátria é o último refúgio dos velhacos, leitores me escreveram advertindo sobre o exagero da afirmativa. Agora recorro a Bertrand Russell para proclamar que o nacionalismo é um exemplo extremo de crença ardente a respeito de assuntos duvidosos.

Nunca acreditei nessa história de nações pobres e nações ricas. Desde que o primeiro homem passou a lucrar com o trabalho de outro, o que existe de fato são explorados e exploradores. Sejam eles de que nacionalidades forem. Ou alguém acredita que o empresário brasileiro é diferente do empresário americano, chinês ou somali?

Não há a mínima diferença mesmo porque, apesar de idiomas diferentes, eles falam e sempre falarão a mesma língua. Os explorados é que falam línguas diferentes, mesmo sendo de uma mesma nação. Alguém consegue imaginar uma briga entre a Federação das Indústrias com a Federação dos Bancos ou com a Federação da Agricultura?

Já o contrário está sempre acontecendo. Os sindicatos e as centrais sindicais que representam os explorados estão sempre discutindo entre si, quando não, brigando. Não é raro considerarem-se inimigas mortais. Como se o bancário, o metalúrgico e o camponês não fossem vítimas do mesmo sistema.

Por isso, sou um dos defensores incondicionais da globalização. E se hoje ela representa a Internacional Capitalista cabe aos que são contra a exploração do homem pelo homem transforma-la numa Internacional que pense na humanidade como um todo e no indivíduo como ser total.

A globalização é tão importante quanto o ar que respiramos. Falar em países é querer dividir o mundo em fronteiras, é apoiar as guerras onde as vítimas serão sempre os explorados. Ou alguém conhece algum rico que já morreu em combate?

Hoje a humanidade é administrada por um emaranhado que obedece a não mais do que quatro ou cinco corporações. E mesmo estas, têm ramificações entre si. Moldam os gostos de acordo com suas conveniências. Nos ensinam como amar, divertir, o que e como devemos ler, a que programas assistir, que esporte praticar, o que comer, impõem até o padrão de beleza.

É uma ditadura que nos faz crer que somos livres e independentes quando na verdade estamos subjugados. Transforma-nos em seres insensíveis, sem preocupação com o próximo, elimina do vocabulário a palavra solidariedade, nos torna impassíveis diante da fome, da miséria e das epidemias que matam seres humanos como se fossem insetos.

Transforma as guerras, um assassinato em massa, num jogo de videogame, para gozo e felicidade da indústria bélica. Mas como toda tese (globalização) carrega consigo a antítese (corporações exploradoras) cabe a nós lutarmos pela sua síntese (uma humanidade sem fronteiras e sem explorados).

Isso é o que conta. O resto são siglas.

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A imagem "globalização" foi criada pelo designer gráfico Jarbas Abdala
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