quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Estudo comprova: A mídia tem lado, sim senhor!



Faz tempo que eu venho dizendo isso: mais importante do que fiscalizar o debate eleitoral ou as denúncias de corrupção é analisarmos o comportamento da nossa mídia corporativa quando o assunto é política.

Apesar de se venderem como "imparciais" e "isentos", está mais do que comprovado que a mídia tem sim lado, ideologia e partido - os quais podem variar de acordo com quem está mais alinhado à defesa dos interesses dos donos dos grandes meios de comunicação (no Brasil, não mais do que uma dúzia de famílias).

Se você duvida, então basta ler a matéria abaixo, publicada na revista Brasil número 4 a qual, ao contrário do resto da mídia corporativa que posa sempre de imparcial (com excessão de Carta Capital, que declarou apoio a Lula em 2002 e novamente agora, e o Estado de São Paulo, a Serra em 2002).

O importante desse tipo de análise e suas conclusões é que nos força a repensar certos conceitos, como por exemplo: "será que minha opinião sobre política é minha mesmo ou é uma mera repetição do que eu leio nos jornais ou do que ouço outras pessoas dizendo depois que leram a revista semanal ou viram o Jornal Nacional?".

Destaco um dos parágrafos do texto abaixo: "Para o diretor financeiro do Observatório, Kjeld Jacobsen, uma das finalidades do instituto é proporcionar ao pesquisador uma possibilidade de leitura mais qualificada das publicações. “A imprensa é tida como o quarto poder, mas a sociedade dispõe de pouquíssimos meios de verificar como esse poder é exercido”, explica. “A liberdade de imprensa é fundamental para a democracia, e a transparência também. Não vejo problema em uma revista ou jornal ter preferência por algum candidato, partido ou projeto. Problema é esconder isso dos leitores.

Pois bem. Agora leia e tire suas próprias conclusões...

CAPA

A mídia tem lado, sim

Observatório de mídia mostra, em números, que o tratamento dispensado pela chamada ‘grande’ imprensa aos candidatos a presidente pode desequilibrar o noticiário eleitoral

- por Paulo Donizetti

O mês de março deste ano foi o ápice daquilo que os veículos de comunicação transformaram em novela, com todos os temperos dramáticos: a escolha do candidato do PSDB para disputar contra Lula a eleição para presidente da República. No dia 14 daquele mês, o partido anunciou a opção pelo ex-governador Geraldo Alckmin em detrimento do então prefeito paulistano, José Serra. A busca por uma alternativa para enfrentar o favoritismo do candidato do PT foi tratada como se o país todo tivesse alguma dose de ansiedade pela definição tucana. No auge do drama, a segunda quinzena de março foi um festival de Alckmin por todos os lados, na tentativa da mídia de tirá-lo do anonimato – embora fosse “o nome que os empresários preferiam desde sempre”, como assinalou a Folha de S.Paulo em sua chamada de capa.

Para se ter uma idéia, somente Lula (o presidente, não o candidato) apareceu mais vezes que Alckmin no noticiário do Estado de S. Paulo naquele período. Ainda assim, apenas 13% das aparições de Lula tinham alguma conotação positiva, enquanto 42% eram negativas. Já as citações ao tucano tinham aspecto praticamente oposto: 10% eram negativas e 41%, positivas.

Esse é um dos tipos de aferição feitos pelo Doxa, nome do Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública, criado em 1996, no Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), da Universidade Cândido Mendes. O Doxa – www.doxa.iuperj.br – tem acervo de propaganda e jornalismo políticos e pesquisas de opinião, programas eleitorais desde 1988, telejornais, aparições de candidatos e documentários. Permite, mais que investigar históricos de políticos e partidos, analisar o comportamento da mídia.

Agora, no final de agosto, o Brasil ganhou mais um centro de pesquisa empenhado em destrinchar de que forma os principais acontecimentos do país são tratados pelos grandes meios de comunicação. O Observatório Brasileiro de Mídia, criado no Fórum Social Mundial e associado ao Media Watch Global, acompanha o noticiário dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, O Globo e Correio Braziliense, além das revistas semanais Veja, Época, IstoÉ e Carta Capital. E investiga os tratamentos dispensados a quatro candidatos à Presidência da República – Lula, Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Relatórios são divulgados semanalmente no www.observatoriodemidia.org.br.

O Observatório elaborou um relatório parcial que mediu como esses candidatos foram tratados pelos textos dos jornais citados no período de 6 de julho a 25 de agosto (veja gráficos). Segundo o estudo, o candidato Lula recebe tratamento positivo em 31,2% das oportunidades em que aparece nesses jornais, enquanto 47,41% das matérias têm abordagem negativa. Já o presidente Lula é citado de maneira negativa em 48,39% dos casos, ante 31,23% das menções positivas. Quando o personagem é Geraldo Alckmin, as curvas se invertem: as citações positivas são 44,56% e as negativas, 31,42%.

Na média de quatro edições analisadas das revistas – da última semana de julho até meados de agosto –, o presidente Lula aparece de forma negativa em 60% dos textos e positiva em 20%. Alckmin tem 54,55% dos tratamentos positivos e 18,18% negativos.

De acordo com o sociólogo Alexandre Nascimento, um dos coordenadores do Observatório, as diferenças de tratamento não parecem tão grandes quando vistas em termos relativos (percentuais), mas quando se verificam os números absolutos – que é concretamente a quantidade de vezes que o assunto aparece – são gritantes. O personagem Lula presidente é mencionado negativamente pelos jornais 330 vezes de um total de 682; enquanto seu principal adversário, Alckmin, recebe 153 abordagens negativas de um total de 487 aparições. “A maior quantidade absoluta agrava o peso das menções negativas e evidencia o desequilíbrio da cobertura”, avalia Nascimento.

Para o diretor financeiro do Observatório, Kjeld Jacobsen, uma das finalidades do instituto é proporcionar ao pesquisador uma possibilidade de leitura mais qualificada das publicações. “A imprensa é tida como o quarto poder, mas a sociedade dispõe de pouquíssimos meios de verificar como esse poder é exercido”, explica. “A liberdade de imprensa é fundamental para a democracia, e a transparência também. Não vejo problema em uma revista ou jornal ter preferência por algum candidato, partido ou projeto. Problema é esconder isso dos leitores.”

Jacobsen diz que o papel do Observatório Brasileiro de Mídia não se restringirá ao noticiário político. “No momento, é o tema mais relevante. Mas tudo que disser respeito ao mundo do trabalho, direitos humanos, educação, movimentos sociais e outros temas de interesse direto do cidadão será objeto de análise”, afirma. “É proporcionar aos leitores meios de verificar se o seu direito à informação é respeitado.”

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Opinião: A última cartada dos golpistas (antes das eleições, é claro)

Armação lacerdista & surto tucanóide

Esse negócio do dossiê contra Serra é típica armação do próprio Serra. Afinal, não era ele que estava sendo acusado pelo Vedoin de participar do esquema dos sanguessugas? O final de semana não começaria infernal para Serra, com a entrevista de Vedoin para a revista Istoé?

- Escrito por Miguel do Rosário


Os neogolpistas: Herr Bornahusen, presidente do PFL, Mello (primo
do Fernando Collor), presidente do STE, e Gereissat, presidente do PSDB.

Taí o derradeiro e desesperado golpe que tucanos e pefelistas tentam aplicar na candidatura do presidente Lula. A mídia, naturalmente, entra fazendo coro. A Polícia Federal pegou um petista com a mão na botija? Escrevam-se editoriais condenando todo um partido de mais de 1 milhão de filiados. Não há papas na língua na boca da imprensa quando se trata de condenar o PT. Afinal, não era o partido da ética? Se um dia um dos 1 milhão de filiados petistas matar o pai, eles escreverão: PT é partido do parricídio.

Esse negócio do dossiê contra Serra é típica armação do próprio Serra. Afinal, não era ele que estava sendo acusado pelo Vedoin de participar do esquema dos sanguessugas? O final de semana não começaria infernal para Serra, com a entrevista de Vedoin para a revista Istoé?

Então, vamos lá. Guerra de contra-informação. Vamos usar um de nossos X9. Alguém de dentro da campanha de Lula. Aí vamos denunciar à Polícia Federal e pronto. Criamos um escândalo.

Não é brincadeira. Estão jogando pesado. Agora, cabe a pergunta fatal, que qualquer um aprende jogando Detetive. A quem interessa o episódio?

Outra pergunta. Se o dossiê é falso, porque valia tanto? Ou ainda: se o dossiê é verdadeiro, e contém documentos lesivos à Serra e Alckmin, por que petistas comprariam o dossiê? Não seria melhor o PT simplesmente denunciar sua existência à PF?

Todavia, não gosto nem de pensar sobre a hipótese do dossiê ser verdadeiro, porque também abomino táticas dessa natureza. O que me incomoda mesmo é que, pelo visto, não poderemos mais ficar tranquilos. A oposição e mídia, mancomunadas, estão sempre inventando novas armações, eventualmente até coptando petistas para fazer o serviço sujo.

O fato é que o PT tem mais de 1 milhão de filiados. Muita gente do PT lida com dinheiro, em campanhas, em governos, em assembléias. O PT não é mais um PSTU, não é um PSOL. É um partido profundamente enraizado na sociedade brasileira, com presença política, participação social e inserção estatal. A corrupção, é bom lembrar, começa com um corruptor. Ética não é coisa de partido, é individual. Não existe partido ético. Existem pessoas éticas. Pode existir sim partido moderno, coeso, democrático. Enquanto o PSDB é um partido de caciques, oligárquico, com lideranças escolhidas pelos mais ricos e poderosos, o PT é um partido democrático, onde as lideranças são eleitas pelo voto de seus milhões de filiados. Por falar nisso, leio agora que o PSDB deverá sofrer uma guerra intestina para escolher quem será o candidato presidencial de 2010. Analistas prevêem feridas e fissuras no PSDB. Ora, porque esses analistas, que se revelam em algumas ocasiões, tão fanáticos defensores da democracia, não sugerem ao PSDB que, simplesmente, adote instrumentos democráticos na escolha de seus candidatos?

Voltando ao caso do dossiê, repito a pergunta: a quem interessa esse escândalo? Vê-se que a grita principal da oposição e mídia é pela imagem do dinheiro apreendido. Querem imagens. A armação seria perfeita. Isso é coisa de Antero Paes de Barro, de ACM, de José Serra. Quem fez a denúncia anônima? Ora, é claro. Quem fez a denúncia anônima à PF foi o mesmo que deu o dinheiro. O objetivo não era comprar um dossiê contra Serra. A meta era produzir um escândalo. A meta é eleitoral: blindar Serra e prejudicar Lula. Estou sendo paranóico? Ora, tenho a direito a sê-lo, não acham? Estou sempre pronto a rever minhas teses, claro. Quando não temos informações confiáveis, trabalhos com conjecturas, com hipóteses. Os romances policiais me ensinaram a trabalhar com suspeitas e motivos para um crime. Não foi à tôa que passei a adolescência lendo Agatha Cristhie e Conan Doyle. Os crimes perfeitos sempre ocultam seus verdadeiros autores, os quais descobrimos ser uma pessoa inesperada, alguém insuspeito. Entretanto, por mais insuspeito que seja o criminoso, um fator sempre o denuncia: o motivo. Quem é mais beneficiado pelo crime? Pois bem. O uso político e eleitoral que estão fazendo deste escândalo, desbaratado por uma PF independente e reformada, já está claro.

****

Um surto tucanóide sem uso de drogas - tirante um café especial da mogiana paulista, sem açúcar.

Mas posso estar errado, claro. O PT pode ser realmente um partido de bandidos. Como diz Alckmin, com sua costumeira sintaxe de Pindamonhangaba, cheia de pleonasmos e clichês pseudo-lacerdistas (pseudo porque são vulgares demais para fazer jus ao golpismo brilhante de Lacerda) "o PT é roubalheira, é ladroagem, é crime". Sempre que se descobre um crime, um roubo, uma corrupção, o PT está por trás, disse o Xuxu. É, ele está certo. O tráfico de drogas é dominado pelo PT. Outro dia mataram um cara aqui na rua. Provavelmente foi o PT que mandou matar. Aliás, só o fato de eu estar dizendo isso aqui, meio que de brincadeira, já representa um risco para mim, porque posso ser morto a qualquer momento, à mando de Berzoini.

Ou pior, posso ser preso com um dinheiro na cueca! Sem que eu ao menos soubesse que o dinheiro estava lá! Lula tem que sofrer um impeachment já. Como diz Reinaldinho Azeveduto, impeachment já! Não depois. Impeachment já, não mais tarde. Delenda Cartago. Delenda PT. Ó espírito de Lacerda, onde estás que não me escutas? Por favor (já notaram vocês que, no momento, eu estou dentro da mente de Fernando Henrique Cardoso), ó Lacerda, seja em que estrela estiveres, nos dê um pouco de sua luz. Ilumine nosso Alckmin e seus assessores na grande imprensa, para que não disperdicem essa última chance! Vamos lá, vamos nos dar as mãos, eu (FHC), Serra, Alckmin, ACM, ACM Neto, Reinaldinho Azeveduto, Olavo Caralho, Mainardi, Merdal Pereira, Miriam Porcão, Rober'Mala Freire, vamos fazer uma corrente e mentalizar profundamente para trazer o espírito de Lacerda.

- Tem alguém aí?
- Tem alguém aí?

O copo no meio da mesa se mexe.

- Se tem alguém aí, por favor se identifique.

O copo se movimenta na direção da letra L.

- É ele! É ele! Só pode ser. Lacerda!

O copo se movimenta na direção da letra A.

Resumindo a história. Infelizmente, não foi o espírito de Lacerda que baixou naquela noite. E sim do grande Lamartine Babo. Mas a esperança continua. Ainda temos 10 dias antes do Dia D. Caso o espírito de Lacerda não apareça, temos, como último recurso, aquele vídeo da Regina Duarte praticando felação no próprio Lula, no Salão Oval da Casa Branca. Isso é bomba! Se cai em poder do Noblat...

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Mídia: Jornalismo panfletário

O surrealismo da mídia e os novos bobos da corte neoliberal

O comportamento da mídia corporativa do Brasil é mesmo surreal. Onde mais um ex-guerrilheiro vira xodó da revista VEJA, de longe a mais reacionária e anti-democrática? Onde mais uma denúncia feita contra um candidato da direita é transformada numa denuncia contra um suposto comprador de dossiês? Onde mais acusadores confiáveis (quando atacam a esquerda), viram safados interesseiros (quando as mesmas denúncias são contra alguém da direita)?

- Por André Lux, jornalista

Caro leitor, não pretendo me aprofundar nas questões analisadas nem mesmo fazer julgamentos desse ou daquele personagem. Quero apenas evidenciar fatos que confirmam o quanto a nossa imprensa corporativa tem rabo preso com tudo, menos com os seus leitores. Se não, vejamos...

A família Vedoin é acusada de inventar (ou aperfeiçoar) o esquema das compras de ambulâncias superfaturadas, que já existia até mesmo antes do governo FHC. Foi só agora, no governo Lula, que esse escândalo veio à tona, por uma razão simples: nunca se investigou tanto os crimes do colarinho branco, aqueles que envolvem políticos, autoridades e outras figuras que a gente costuma ver apenas em revistas como Caras e nas colunas sociais da Folha de São Paulo.

Mas, surpresa das surpresas. Quando foram pegos com a boca na botija, os acusados da família Vedoin começaram a acusar membros do governo Lula! Até aí, tudo bem. Qualquer pessoal de bom senso sabe que, quando alguém é pego com a mão na cumbuca terá como primeira reação fingir-se de inocente e, depois, sair acusando aqueles que o flagraram para tentar desviar a atenção. Dito e feito. Mas, estranhamento (ou não?), toda a nossa imprensa "imparcial" saiu divulgando as acusações dos acusados contra petistas e afins em letras garrafais, como se fossem verdades factuais. Igual fizeram no chamado "mensalão", que alias nunca foi provado.

Infelizmente (para eles), essa tática suja não colou e Lula continuou subindo nas pesquisas. Pior, com o aprofundamento das investigações sobre os "sanguessugas" surgiram evidências cada vez mais fortes do envolvimento de políticos da direita (PSDB, PFL, etc.), especialmente o José Serra, então Ministro da Saúde do governo FHC. "Opa, sujou!", devem ter exclamado os capachos da direita que vendem seus corações e mentes para panfletos como a Folha de São Paulo, Estadão, Veja, Época e afins.

A partir daí, nada mais foi falado sobre o tal escândalo. Silêncio. Afinal, só vale dar destaque quando tem petista envolvido ou quando alguém aponta o dedo para um membro do PT. Se as acusações são feitas contra um direitista, a mídia reage com vigor e... duvida do acusador, o mesmo que antes era confiável!

No final de semana iniciado na sexta-feira, 15 de setembro, as tintas surrealistas dessa guerra de nervos chegaram à raias do absurdo. Mais um membro da família Vedoin foi preso. E disparou: "Quando Serra era Ministro, foi o melhor período para nós". Tirando as revistas IstoÉ (que trouxe na capa as denúncias contra o atual candidato ao governo de São Paulo) e Carta Capital, nenhum outro órgão de imprensa tupiniquim deu qualquer destaque à notícia bombástica. Pelo contrário. Analisem e tirem suas próprias conclusões:

1) A Veja trouxe uma matéria elogiosa ao deputado Fernando Gabeira, ex-comunista e ex-petista que agora adora atacar o PT. Além disso, é membro da CPI das sanguessugas, onde tem se destacado como um dos principais membros da tropa de choque que faz de tudo para blindar os políticos da direita. Para Veja, panfleto de extrema direita da família Civita, Gabeira é um exemplo de político do bem, responsável, ético, íntegro. É o tipo de "esquerdistas" que a direita adora, mais um bobo da corte neoliberal. Precisa dizer por quê?

2) Estadão e Folha de São Paulo trouxeram, no domingo, manchetonas idênticas na capa: "Petista comprou dossiê contra Serra". Vejam só, que engraçado. A notícia não é Serra ter sido acusado pelos principais envolvidos no escândalo, mas sim o fato de um suposto petista (ninguém sabe quem é) ter comprado um dossiê contra o Serra! E quem faz tal acusação contra o tal petista é o advogado de um dos acusados...

Seria até engraçado, se não fosse tão trágico. Seria patético, se não fosse tão assustador.

Depois quando alguém diz que existe uma conspiração golpista contra o governo Lula, para tentar colocar a turma da direita de novo no poder, dizem que essa pessoa é paranóica. Sinceramente, não acho que exista uma conspiração - que significa algo sendo feito às escondidas. Não, o que está acontecendo no Brasil hoje é simplesmente uma tentativa de golpe, clara e aberta, onde os donos da imprensa corporativa (via seus capachos e seus auto proclamados "formadores de opinião) fazem o papel das forças armadas no golpe de 64.

Não é à toa que qualquer proposta de redemocratização ou de controle da mídia seja atacada com fúria assassina pelos barões da mídia corporativa brasileira. Afinal, a troco do que eles vão aceitar ter que começar a jogar de acordo com regras democráticas e justas (como, alias, acontece na maioria dos países do dito "primeiro mundo") se hoje eles podem fazer de tudo para defender os seus interesses e daqueles que os financiam - inclusive acusar, linchar e denegrir seus inimigos -, sem que ninguém possa fazer nada contra eles?

A verdade é que o comportamento da mídia corporativa do Brasil é mesmo surreal. Onde mais um ex-guerrilheiro vira xodó da revista VEJA, de longe a mais reacionária e anti-democrática? Onde mais uma denúncia feita contra um candidato da direita é transformada numa denuncia contra um suposto comprador de dossiês? Onde mais acusadores confiáveis (quando atacam algum partido de esquerda), viram safados interesseiros (quando fazem as mesmas denúncias contra alguém da direita)?

Só mesmo no Brasil...

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Opinião: Sobre decepções e entusiasmos

Publiquei o comentário abaixo (ligeiramente alterado) no blog do jornalista Mino Carta, a quem muito admiro, porém cujas opiniões nem sempre endosso.



Sobre decepções e entusiasmos

Esperava bem menos de Lula. Torci para que o novo governo fosse capaz de segurar a economia, derrubar a inflação, parar de doar o patrimônio público e dar mais atenção ao social. Exigir mais de quem não tem maioria na câmara e enfrenta uma oposição forte e apoiada pelos barões da mídia? Como diria o sr. Spock: "ILÓGICO!". Mas não é que Lula e sua equipe conseguiram tudo isso e muito mais?

- Por André Lux

Entendo perfeitamente a posição do jornalista Mino Carta em relação ao PT, publicada em seu blog pessoal. Ele ficou decepcionado com o partido quando este chegou ao poder. Esperava mais, muito mais!

Sou petista desde que adquiri consciência política, aos 19 anos, depois de longo período de total alienação e defesa de valores conservadores que meus familiares "aspirantes à elite" e a mídia me enfiavam goela abaixo.Confesso que não estou decepcionado com o PT no poder. Talvez porque a decepção seja resultado de expectativas exacerbadas e ilusórias que se colocam sobre fatores que fogem ao nosso controle e a uma lógica linear. É a bendita exigência de perfeição que colocamos nos ombros dos outros, como vendas para nos cegar da nossa autocomiseração.

Sinceramente, eu esperava bem menos do governo Lula. Primeiro por causa do tremendo abacaxi-bomba que FHC e seu bando deixaram para trás. Segundo, porque sabia que a direita e sua mídia corporativa não iam dar trégua ao ex-metalúrgico nem por um minuto. Tendo em vista esse cenário altamente explosivo, torci para que o novo governo fosse capaz, ao menos, se segurar a economia, derrubar a inflação, parar de doar o patrimônio público para a corporatocracia e dar um pouco mais de atenção ao social. Exigir mais de um governo que não tem maioria na câmara e enfrenta uma oposição forte e apoiada pelos barões da mídia? Como diria o sr. Spock: "ILÓGICO!". Mas não é que Lula e sua equipe conseguiram tudo isso e muito mais? Portanto, decepcionado eu? Negativo, chefe!

Além disso, nunca achei que o PT fosse o partido dos "santos" ou mesmo extremamente coerente, formado apenas por vestais da ética e da lógica. Pelo contrário, sempre vi o Partido dos Trabalhadores como uma "panela de pressão" formada a partir das brutais lutas trabalhistas e da vontade de mudar a realidade do país para melhor. O PT é formado a partir de uma vasta gama de crenças, valores, origens sócio-econômicas e ideologias - muitas vezes contraditórias - misturadas numa salada meio indigesta, porém saudável e orgânica. Essa incongruência é ao mesmo tempo a força e a deficiência do PT, mas também é aquilo que lhe dá vitalidade representativa e capacidade de renovação.

Para mim sempre foi óbvio que, chegando ao poder máximo, muitos do partido iriam se corromper, se deslumbrar e até se debandar para o outro lado. Dito e feito. Porém, ao contrário de muitos esquerdistas, vejo isso como algo natural e até benéfico. Afinal, só se aprende, errando. E só erra quem tenta fazer, não é mesmo?

Felizmente, os petistas estão aprendendo com seus erros e tentando realinhar o partido em busca dos ideais que tanto nos emocionam. Uma postura muito mais digna e corajosa do que a daqueles que se debandaram para outras agremiações na hora que o caldo entornou. É nos momentos de dificuldades e de desafios que os covardes aparecem, fugindo da raia e se escondendo sob novas máscaras... Posar de vestal é sempre mais confortável do que meter a mão na lama, não é mesmo senhores Plínio de Arruda Sampaio, Heloísa Helena e afins?

Talvez o fato de eu ter sido um "direitista à reboque" até os meus 19 anos tenha me ajudado a não ser tão exigente com as pessoas que, bem ou mal, estão lá na linha de frente colocando suas caras para bater no dia a dia da terrível maneira de se fazer política no Brasil. Pessoas que têm que matar um leão por dia enquanto vêm suas vidas e reputações destruídas por uma mídia asquerosa que anda de braços dados com o que há de mais torpe e espúrio no mundo.

Isso não quer dizer que o governo Lula não mereça ser criticado. Nem que os que chafurdaram na lama não devam ser punidos. Longe disso.

Mas não podemos nunca esquecer que a direitona tupiniquim teve mais de 500 para testar e aperfeiçoar suas formas de dominação sobre as massas. O PT só tem 26 anos e chegou ao poder central há 3 para tentar mudas o estado das coisas.

Decepção? Pelo contrário! Entusiasmo seria a palavra certa. Entusiasmo e esperança. Sem isso, a vida não vale nada. Sem isso, a direita triunfa e nos humilha. Decepcionado estaria se Serra fosse o atual presidente. Ou se Alckmin estivesse à frente nas pesquisas. Ou se FHC fosse querido pelo povo...

Obrigado pela atenção.

* * * * * * * * * * * * *

E, por falar em decepção, o cartum abaixo expressa bem esse sentimento...
(Refiro-me ao Caetano Veloso, é claro, não aos tucanos que nunca enganaram ninguém.)


segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Manifesto a Lula: Nossa responsabilidade como cidadãs e cidadãos

Eu já assinei. E você?
Leia até o fim e tire suas próprias conclusões...

Não esqueçam de repassar para o maior número de pessoas possível! Vamos fazer a nossa parte. As futuras gerações do Brasil agradecem.


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Manifesto a Lula*

Nossa responsabilidade como cidadãs e cidadãos

Prezados amigos.

No dia 28 de agosto, o Manifesto Nossa responsabilidade como cidadãs e cidadãos, transcrito abaixo, foi lido por Luiz Alberto numa reunião de intelectuais, em São Paulo e, ao final, entregue ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o evento, outras pessoas presentes assinaram e seus nomes (ver abaixo), assim como os de outros que chegaram depois de domingo.

Queremos agradecer a todos os que assinaram e difundiram o texto, numa grande rede de solidariedade nacional. Queremos também agradecer aos que por diversos motivos não assinaram, dando assim uma demonstração de liberdade, de democracia, de pluralismo e de direito à diferença.

Solicitamos um novo esforço no sentido de difundir o texto final com as assinaturas pelos meios ao seu alcance.

Luiz Alberto Gómez de Souza
Jether Pereira Ramalho
Maria José Sousa dos Santos
Maria Helena Arrochellas

Abaixo, texto definitivo do Manifesto, com as sugestões dadas por varias pessoas no Brasil inteiro. Se estiver de acordo, favor assinar e encaminhar para Luiz Alberto Gomez de Souza: gomezdesouza@uol.com.br, simplesmente dizer "DE ACORDO, INCLUIR MEU NOME" (profissão, estado)

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Texto do documento:

Nossa responsabilidade como cidadãs e cidadãos



Nós, profissionais, universitários, artistas, líderes religiosos, dirigentes e assessores de movimentos sociais e de pastorais, participantes da sociedade civil, com ou sem filiação partidária, declaramos nosso firme apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para sua vitória no primeiro turno das eleições de outubro, somando-nos aos setores populares que já fizeram sua escolha pelo país afora, como indicam as pesquisas. Estes últimos sentem concretamente as melhorias em suas vidas e de suas famílias.

Vivemos novo momento de um projeto político de transformações sociais que avançou no Brasil com a eleição de um operário migrante em 2002 e se fortalece na América Latina nas últimas eleições, com a emergência de candidatos, vários dos quais vitoriosos, ligados a esses mesmos setores populares ou deles provenientes. Lula é hoje referência internacional, especialmente na América Latina e nos países pobres. Constatamos também, no atual mandato presidencial, uma política externa independente, firme e criativa, que terá de continuar no futuro, num cenário internacional cada vez mais conturbado, dividido e absurdamente violento.

No Brasil, recentes escândalos têm despertado perplexidades na sociedade. Condenamos com veemência todos os tipos de corrupção e de manipulação política. O processo vem de mais atrás, em muitos níveis da sociedade e do poder, mas agora atingiu fortemente setores da base de sustentação do governo. Isso não pode ser ignorado nem negado. O positivo é que todos os escândalos, velhos e novos, vêm sendo denunciados e divulgados, com destaque para o trabalho da Controladoria Geral, da Polícia Federal e do Ministério Público, o que pode favorecer a possibilidade de serem exemplarmente punidos, sem distinção de partidos ou entidades. Além disso, as próximas eleições, que não se reduzem ao nível presidencial, poderão, através do voto, afastar políticos corruptos, tarefa difícil, porém indispensável.

Assim se fortalece a luta pela ética na política, que não se confunde com os moralismos oportunistas e eleitoreiros, como foram no passado o de Jânio da vassoura e o de Collor dos marajás e que podem sempre reaparecer com outros disfarces.

Emprestamos nosso apoio para acelerar e ampliar políticas sociais, políticas educacionais e de segurança nacional, geração de emprego, reforma agrária, redução das desigualdades, com mudança na política econômica. Evidencia-se também cada vez mais a imperiosa necessidade de uma reforma política abrangente e profunda, com a participação não só dos partidos, mas de setores amplos da sociedade. Falta muito por fazer. Esse projeto não se realiza num curto prazo e sofre pressões de um poder real dominante na sociedade nacional e internacional que o tem deixado bem aquém das expectativas criadas. Compete a todos nós como sociedade civil organizada seguir pressionando os poderes da República para o seu cumprimento. Isso será muito mais eficaz com a reeleição de Lula no primeiro turno: ele sairá fortalecido, para estar mais livre diante de pressões poderosas em contrário; capaz, então. de realizar e ampliar transformações que a sociedade exige.

Em conseqüência, conclamamos diferentes segmentos da sociedade a se empenharem na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro de 2006.

* Assinaram até 27-8-06: 213

Candido Mendes, cientista político, professor e escritor
Leonardo Boff, escritor e teólogo
Luiz Alberto Gómez de Souza, sociólogo, assessor de movimentos e pastorais
Jether Ramalho, sociólogo, evangélico, assessor de pastorais
Maria da Conceição Tavares, economista, professora emérita UFRJ
Frei Betto, escritor
Jurandir Freire Costa, psicanalista, professor UERJ
Emir Sader, escritor, professor UERJ
D. Waldyr Calheiros, bispo católico
Sebastião Armando Gameleira Soares, bispo da Igreja Episcopal
Paulo Ayres Mattos, professor, teólogo metodista
José Oscar Beozzo, historiador, sacerdote, assessor de pastorais
Marcelo Barros, escritor, teólogo beneditino
Otávio Velho, antropólogo e escritor
Maria Helena Arrochellas, teóloga
Helio Saboya, jurista
Lygia Sigaud, antropóloga, Museu Nacional/UFRJ
Carlos Brandão, escritor e assessor de pastorais
Maria José Sousa dos Santos, médica
...

Confira a lista completa dos assinantes neste link.


sexta-feira, 1 de setembro de 2006

ELEIÇÕES 2006: Entre mortos e feridos, um balanço...

Somos testemunhas de um momento histórico!

Ainda falta um mês para as eleições, mas parece que tudo leva à reeleição de Lula e a uma derrota espetacular da aliança conservadora PSDB-PFL. Todavia, a canalhice da nossa mídia corporativa parece não ter limites.

Eles estão desesperados, não conseguem entender como e porque Lula não foi derrubado e, pior ainda, está para ser reeleito no primeiro turno depois da campanha sórdida e hipócrita que fizeram contra ele o PT.

Por isso, podem esperar que muito lixo ainda vai rolar. Eles não tem fundo do poço. A melhor solução para isso, penso, é fazer como nós aqui em casa: TV é só para ver filmes e olhe lá. Jornais e Revistas, nem pensar (exceto, é claro, Carta Capital, Caros Amigos e Fórum). Dói menos ficar sabendo dos absurdos e da canalhice da mídia lendo as análises e reações postadas nos blogs petistas ou nos sites assumidamente de esquerda (Vermelho, Informante, Carta Maior e afins).

Todavia, entre mortos e feridos, o que eu achei interessante nisso tudo foi que:

1) A mídia jogou pesado, tirou a máscara da imparcialidade e isenção pra valer e, mesmo assim, não conseguiu nada. Pelo contrário. Lula se fortaleceu e a credibilidade deles foi esgoto abaixo. De agora em diante, ou mudam e se reciclam ou vão entrar em séria crise financeira.

2) Jornalistas e colunistas pelos quais todos tinhamos um certo respeito e consideração também foram obrigados a tirarem suas máscaras e fizeram papelão, deram vexame total, batendo no presidente Lula sem dó nem piedade e blindando tucanada. Entre eles cito: Arnaldo Jabor, Jô Soares, Alberto Dines (e seu ridículo "Observatório de Imprensa"), Carlos Nascimento, Carlos Chagas, Paulo Markum (que comanda o grotesco "Roda Vida", na TV Cultura, atualmente conhecido como "Puleiro de Tucanos"), William Waack e tantos outros que nem valem a pena serem citados.

3) Por outro lado, alguns jornalistas e formadores de opinião mostraram que são realmente íntegros e honestos e, mesmo não defendendo Lula ou o PT, ao menos sempre buscaram analisar os fatos de maneira menos parcial e fascista. Aí entram: Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Franklin Martins, Bob Fernandes, Luis Nassif, entre (poucos) outros.

4) O mesmo acima valendo também para artistas e intelectuais, que num momento como o que vivemos, foram obrigados a descer do muro e assumirem suas posições políticas. A história será cruel com aqueles que, a exemplo de Tom Cavalcanti, Lima Duarte, Carlos Vereza, Regina Duarte e Cristiane Torloni, aproveitaram a crise para demonstrar suas vocações elitistas, preconceituosas e reacionárias... Já os que demonstraram coragem de defender, mesmo sofrendo constante retaliação da mídia, as conquistas atingidas pela governo do PT terão nosso eterno carinho.

5) Políticos que, até agora, eram eleitos a partir da defesa enganosa dos direitos do povão e de uma plataforma "à esquerda" também foram desmascarados ao se aliarem ao que existe de mais reacionário na política brasileira para tentar derrubar o presidente Lula. Pessoas como Fernando Gabeira, Heloísa Helena, Roberto Freire, Luciana Genro, Cristovam Buarque e tantos outros certamente vão ter muitos problemas para voltarem a ocupar um cargo público depois de terem aparecido de braços dados com coisas comoACMs, Bornhausens e Virgílios da vida. "Os fins justificam os meios", provavelmente vão dizer. Mas aí, as pessoas vão pensar: "Ué, se é assim então prefiro ter o PT lá fazendo acordos e pagando 'mensalão' para tentar melhorar a vida das pessoas mais pobres do que ver esses caras aí fazendo o mesmo tipo de sujeira, mas só para enriquecerem às nossas custas".

Apesar dos pesares, estou feliz por estar vivendo esse momento, que julgo ser crucial para a melhoria do Brasil. O governo do Lula e sua provável reeleição serão um divisor de águas fortíssimo no cenário político brasileiro. Acabou, assim, "o medo do PT" que sempre foi usado pela direita para se manter no poder. Por causa disso, o discurso deles ficou totalmente vazio e estão tão desnorteados e sem rumo que roubam até os slogans do próprio PT!

Hoje eu vi um carro de luxo, guiado por um mauricinho de terno, gravata e cavanhque finamente escovado, com um adesivo que me fez gargalhar: "VOTE 45 POR UM BRASIL DECENTE". Digam a verdade, é ou não para chorar de rir??

Mas não podemos esquecer nunca que a direita ainda tem muita força (e grana) para reagir e certamente vão tentar de tudo para voltar ao poder do jeito que der, seja no voto (enganando a população novamente com falsas promessas e discurso demagógico) ou pela força mesmo, como já fizeram antes várias vezes.

Por isso, não vamos baixar a guarda. A luta continua! O Brasil e o povo brasileiro merecem...
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