Postagem em destaque

SEJA UM PADRINHO DO TUDO EM CIMA!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada ...

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Corrupção tucana: A verdade sobre a origem do esquema dos "sanguessugas"

Governo FHC fez três quartos dos contratos com firma sanguessuga

O candidato presidencial geraldo Alckmin pode ter de morder a língua, depois de acusar o governo Luiz Inácio Lula da Silva de ser a "matriz" da máfia das ambulâncias, investigada pela CPI dos Sanguessugas. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26), a Controladoria Geral da República indicou que três quartos das licitações com a empresa Planam, sob suspeita de fraude, foram feitas no governo Fernando Henrique Cardoso.

O gráfico abaixo resume os lúmeros levados à coletiva, pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage. Entre 2000 e 2004, a Planam, dempresa do capo mafioso Luiz Antonio Trevisan Vedoin, ganhou 891 licitações (num total de 3.048) para fornecimento de ambulâncias com recursos federais, a partir de emendas parlamentares aos orçamentos anuais da União. Todos mostram "fortíssimos indícios de fraudes". Desse total, 74,7% licitações foram ganhas até 2002 (os números de 2004 ainda não estão todos processados).




A lista dos prefeitos envolvidos

O esquema de licitações fraudadas com a empresa de Vendoim envolve também uma conexão em prefeituras. Das administrações que se envolveram com a Planam, 128 têm prefeito do PSDB; 107 do PFL; 106 do PMDB; e 19 do PT. O jornal Valor Econômico fez um cálculo da proporção entre o número de prefeitos eleitos em 2000 por cada partido e o número de envolvidos: em primeiro lugar figura o PDT (17%). Seguem-se o PPS (14%), PTB (13,6%), PSDB (12,9%), PT (10,9%), PFL (10,4%), PL (9,8%), PMDB (8,4%) e PP (5,9%).

Depois de apresentar os dados, Hage indagou -- sem citar a cobertura que a grande mídia tem dado ao escândalo dos sanguessugas: "Por que o governo que estourou e investigou o esquema tem de ser posto na condição de réu? Não se trata de jogar os sanguessugas no colo do governo passado, mas de repelir o escamoteamento da verdade. A fonte da CGU não é A ou B nem quem está interessado em delação premiada. São dados objetivos. Desafio qualquer um a refutá-los", disse o ministro-chefe da CGU.

A propósito: até abril de 2002, quando foi fechado o grosso dos contratos, o ministro da Saúde do governo Fernando Henrique era José Serra. Deixou o ministério para concorrer à Presidência da República pelo PSDB; hoje disputa pela mesma sigla o governo de São Paulo.

Com agências

Texto publicado no site Vermelho.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Entrevista: Oscar Niemeyer revela apoio a Lula



"O Lula é um operário no poder. Se importa com a pobreza.
Esse governo não tem o ímpeto de mudança que a gente esperava, mas a outra opção é pior".

- por Marcelo Salles (www.fazendomedia.com)

Há os que logo cedo perdem a esperança. Outros, nunca a tiveram. Há também os que são cínicos, céticos e conformados com a injustiça. Estes, não raro chamados de velhacos, reacionários ou simplesmente burgueses. Compreenda-se: seu lucro nasce da desigualdade e seu medo de perdê-lo é maior que tudo. Maior, inclusive, que sua insegurança e descontentamento consigo mesmos, que os levam a traduzir seu ódio em destruição por toda parte.

Oscar Niemeyer é a antítese disso tudo. Desprendido do materialismo, em cada ato seu percebe-se que ser é mais importante que ter. A começar pelo modo de se vestir: sapato marrom de costura lateral, meias marrons, calça cáqui, camisa branca de malha por baixo e outra, também branca, de botões, por cima, a combinar com seu cabelo. Completa o visual um relógio preto de plástico, desses que se encontram no camelô, e uma cigarrilha holandesa entre os dedos da mão esquerda.

Comunista assumido, chegou aos 98 anos de idade com a saúde de um guerreiro. Fala com desenvoltura, traz lembranças nítidas da infância e se movimenta sem precisar de ajuda. Sequer a de uma bengala. O poeta das linhas curvas foi camarada de Luís Carlos Prestes, João Saldanha e outros personagens ilustres, como ele mesmo, da nossa história. Segundo Eduardo Galeano, trata-se do único brasileiro que será lembrado daqui a 500 anos. Ao que Oscar responde, com espantosa humildade: "Isso é besteira. Eu não sou importante. O sujeito que vai num protesto é mais importante do que eu".

Reconhecido mundialmente por sua obra e pensamento, Niemeyer recebeu a equipe de reportagem da revista Caros Amigos em seu escritório, em Copacabana. Durante a memorável entrevista, faz uma pausa e desabafa: está cansado de responder sempre às mesmas perguntas. Mas retoma o fôlego e garante que com a gente é diferente:

"Vocês são progressistas. São mais evoluídos. Sentem como eu que o mundo precisa ser mudado".

As paredes de Oscar registram este anseio por mudança. Na parte oposta à entrada, há rascunhos de suas principais obras arquitetônicas, como o Congresso Nacional e o MAC, todas acompanhadas por um texto: "O mais importante não é a arquitetura, mas a vida, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar".

Na lateral que acompanha a vista de quem chega, há o desenho de uma família pobre, e a inscrição: "Quando a miséria se multiplica e a esperança foge do coração dos homens... só a revolução".

É imbuído dessa certeza revolucionária que o poeta das linhas curvas analisa a conjuntura política mundial: "A América Latina está caminhando para a revolução. Já compreendeu que precisa se armar, pois não sabe o que vem por aí. Bush está desmoralizado".

Sobre o Brasil, é esclarecedor ouvir de sua boca o que pensa do governo Lula. Isso porque, agora sei, em sua entrevista apresentada na televisão sua fala foi descontextualizada, o que prejudicou o sentido. No vídeo devidamente editado, foi mostrada apenas uma parte do que ele falou: "Lula quer melhorar o capitalismo, mas o capitalismo está morto". Trata-se de meia verdade, pois seu pensamento não termina aí. Mostrado assim, parece que ele está contra Lula.

Ao vivo, entretanto, a realidade desmoraliza a ilha de edição. Niemeyer diz assim: "O Lula é um operário no poder. Se importa com a pobreza. Esse governo não tem o ímpeto de mudança que a gente esperava, mas a outra opção é pior". Pode-se discordar à vontade de sua opinião. Mas telejornais não deveriam alterar o pensamento de ninguém impunemente.

Após noventa minutos de conversa, levantamos todos e saímos de seu escritório para a sala, onde seriam feitas as fotos. O poeta das linhas curvas, 98 anos, é o antepenúltimo a deixar o cômodo. Na passagem, cavalheiro, segura a porta para a jornalista Marina Amaral.

Dento de cada um de nós, certamente algo havia mudado. Em mim, pelo menos, surgiu uma certeza: mesmo diante da maior dificuldade é preciso lutar para modificar este mundo injusto e apoiar todos os que lutam nesse sentido.



***

A edição da Caros Amigos com a entrevista de Oscar Niemeyer está nas bancas desde o dia 14 de julho. Também pode ser solicitada a partir de sua loja virtual em www.carosamigos.com.br.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Por que votar no PT? Imagens valem mais do que mil palavras...

Por que votar no PT e coligados e não no PSDB / PFL e afins?
As imagens abaixo valem mais do que mil palavras...

O PT É O POVO. O POVO É O PT.











JÁ OS OUTROS...
"Diga-me com quem andas que direi quem tu és!"















Será que é preciso dizer mais? Então tá:

Ameaça à democracia: Jornalista denuncia manipulação e distorção das notícias

Vejam abaixo como funciona a manipulação e a distorção das notícias, em uma denúncia do jornalista Germano Leite, editor de país e mundo do jornal "Agora".

Não se deixe enganar mais.




NOS BASTIDORES DA IMPRENSA

- Escrito por Eduardo Guimarães

Reproduzo, abaixo, novo e-mail que recebi do jornalista Germano Leite, editor de País e Mundo do jornal "Agora", da cidade de Rio Grande, interior do Rio Grande do Sul. Antes, porém, relembro que, no último sábado, publiquei e-mail anterior dele (vide nota de 22/07, abaixo) em que relatou que seu jornal mantinha dois contratos com a Folha de São Paulo que permitiam ao veículo gaúcho reproduzir o conteúdo do veículo paulista, e que o "Agora" estaria para romper esses contratos por julgar que o "conteúdo editorial" da Folha vem se tornando "inadequado". Na nova mensagem, o jornalista comunica que seu veículo rompeu efetivamente um dos contratos e mostra por que rompeu.


"Prezado Eduardo,

Sobre aquele assunto sobre o qual escrevi ao Marcelo Beraba, envio hoje mais duas matérias da Folha (versão 1 e versão 2, "oficializada") que demonstram como funciona a manipulação de notícias em um jornal. A primeira, no início da tarde, tem um título bem mais em consonância com o conteúdo. Já na segunda versão (a que vai para a edição), a impressão que passa é que o senador ("petista", claro, no melhor sentido pejorativo, pois jamais se veria "pefelista" ou "tucano" com essa pecha) está diretamente envolvido ("é acusado", diz a chamada) no caso das ambulâncias.

A propósito, enviei hoje pedido de rescisão de um dos dois contratos que o Agora tem com a Agência Folha, em função de "inadequação quanto ao conteúdo editorial", conforme salientamos.

Um abraço,
Germano. "


Folha de São Paulo

Ambulâncias-Investigação:
13:38 - 24/07/2006

Por Andreza Matais

Vice da comissão diz que Sibá pode ser processado

BRASÍLIA, DF, 24 de julho (Folhapress) - O vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse hoje que o senador Sibá Machado (PT-AC) poderá responder por quebra de decoro se ficar comprovado que ele levou um assessor para um reunião secreta da comissão.
Sibá teria "infiltrado" um assessor da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) na reunião da CPI que colheu o depoimento de Darci Vedoin, proprietário da Planam, principal empresa da quadrilha dos sanguessugas.
A petista é uma das parlamentares apontadas pela família Vedoin como tendo envolvimento no esquema de vendas superfaturadas de ambulâncias a prefeituras. Ela nega a acusação.
Para o vice-presidente da CPI, mais do que ser punido com o afastamento da comissão, Sibá poderá enfrentar um processo por quebra de decoro parlamentar.
"Se é verdade isso e se é verdade que ele [Sibá] foi o responsável, é uma falta e tem que ser punida regimentalmente, é uma quebra de decoro", disse Jungmann. A punição nesse caso é a cassação do mandato. "Essa questão transcende a CPI", reiterou.


Ambulâncias-Investigação - (Atualizada)
20:15 - 24/07/2006

Senador petista é acusado de facilitar irregularidades na CPI

SÃO PAULO, SP, 24 de julho (Folhapress) - O senador Sibá Machado (PT-AC) corre o risco de ser representado no Conselho de Ética por quebra de decoro. Ele é acusado de permitir que um assessor da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) acompanhasse o depoimento à CPI dos Sanguessugas do empresário Darci Vedoin - apontado como líder da quadrilha que fraudava compras de ambulâncias com verbas do Orçamento.
O vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), levantou hoje a hipótese de processar Sibá por quebra de decoro, mas defende que o caso seja mais bem esclarecido. "Se é verdade que ele [Sibá] foi o responsável, é claro que é uma falta e tem que ser punida de acordo com o regimento" disse ele. A informação de que um assessor da senadora petista assistiu ao depoimento, que ocorreu em 11 de julho, só foi revelada hoje pela "Folha de S.Paulo".
A participação do assessor foi observada pelos integrantes da CPI perto do fim do depoimento de Vedoin. O empresário revelou que Serys também havia apresentado emendas para compra de ambulâncias.
Integrantes da CPI suspeitam que Serys e Sibá já sabiam que Darci citaria o nome dela durante o depoimento, por isso fizeram com que um assessor dela acompanhasse a reunião.
No depoimento que concedeu à Justiça Federal do Mato Grosso, Luiz Antonio Vedoin, filho de Darci e também apontado pela PF como líder da quadrilha, disse que pagou R$ 35 mil a uma pessoa identificada como Paulo Roberto, que seria genro da senadora. Serys nega participação no esquema.

Outro lado
Procurado pela reportagem em seu gabinete, Sibá Machado não foi encontrado ontem para comentar a acusação. A reportagem também entrou em contato com a assessoria de imprensa dele no Acre, onde passou o dia. A reportagem apurou que Sibá irá argumentar que o depoimento de Darci Vedoin não ocorreu em "reunião secreta", mas sim em "reunião reservada", que permite a participação de assessores de parlamentares."

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Filmes: "KING KONG"

MACACO HISTÉRICO

Novo “King Kong” é mais uma prova que dinheiro e recursos ilimitados acabam tolhendo a criatividade e o bom senso de qualquer realizador.

- por André Lux

O sucesso fez mal ao diretor Peter Jackson. Depois de conquistar a aclamação de público e crítica com a trilogia “O Senhor dos Anéis”, embarcou num projeto duvidoso de refilmar pela terceira vez a batida história de “King Kong”. E, para isso, recebeu um cheque em branco da Universal, liberdade total de criação e um arsenal ilimitado de efeitos visuais digitais. Maus sinais, pois bons filmes raramente resultam dessa combinação. 

E não deu outra. Seu “King Kong” é uma aberração total, interminável (tem quase três horas de duração, mas já está para ser lançada uma versão estendida com 40 minutos de cenas inéditas!), histérico e, em última instância, vazio de qualquer emoção.

Não consigo entender como um filme tão ruim, chato e por vezes repugnante pode ter recebido tantas críticas positivas. Será que é por causa do recurso usado por Jackson de fazer várias citações ao filme original e ficar prestando reverência à sétima arte por meio do personagem de Jack Black, um diretor de cinema canastrão com mania de grandeza? Pode ser, pois como sabemos os profissionais da opinião adoram esse tipo de coisa, já que se sentem inteligentes e cultos quando conseguem identificar “trivias” nos filmes.

O fato é que Jackson enrola demais no primeiro ato com uma história idiota sobre o cineasta que precisa fugir dos investidores para tentar ir até a Ilha da Caveira, gravar cenas para seu novo filme. E dá-lhe declarações de amor ao próprio umbigo e diálogos pseudo-espertos numa série de seqüências que poderiam ter ficado no chão da sala de montagem sem nenhum prejuízo à trama central – é só perceber que toda essa besteira das filmagens não chega a lugar nenhum e é descartada da metade para o fim.

Os atores escolhidos pelo diretor não convencem em momento algum, especialmente Adrien Brody, que tentam transformar num sub-Indiana Jones sem sucesso, pois o coitado parece o Gonzo dos "Muppets" e não tem nenhuma pinta de galã. Pior mesmo é Naomi Watts (do abismal “Cidade dos Sonhos”, de David Lynch), que passa o filme inteiro com a mesma expressão e não tem nem beleza, muito menos carisma para provocar tanto amor no macaco gigante, quanto mais empatia na platéia.

Mas tudo desanda de vez com a chegada da trupe à ilha e “King Kong” vira filme de terror quando são atacados por um bando de nativos malvados e repulsivos, com direito a violência explícita em câmera lenta e tremida. Daí para frente, somos forçados a assistir a uma corrida histérica e sem freios, com os heróis sendo perseguidos e mortos por centenas de dinossauros, insetos gosmentos (a seqüência mais grotesca do filme), morcegos gigantes e pelo próprio Kong em cenas alongadas que não passam qualquer tipo de emoção, de tão ridículas e exageradas. Por sinal, se a gente somar o número de mortos chegamos à conclusão que o navio que os levou até lá ficou sem qualquer tripulante!

O visual da ilha é totalmente falso, baseado única e exclusivamente em efeitos digitais, parecendo mais cenário de vídeo game. Muito longe da beleza realista das locações utilizadas em “O Senhor dos Anéis”. Pior mesmo para a coitada da protagonista que, não bastando ser uma atriz deficiente, ainda foi obrigada a contracenar com um gorila inexistente, fato que proporciona riso involuntário em várias cenas, especialmente quando ela tem que “seduzir” o monstro com uma dancinha lamentável para que ele não a devore viva.

O Kong, criado totalmente em computação gráfica em cima das reações do ator Andy Serkis (o Gollum, que tem um papel de destaque como o cozinheiro), também não convence, pois é exageradamente humano em suas expressões e nem chega a ser muito grande. Enfim, não impressiona, muito menos emociona. Por causa disso e da inexpressividade da protagonista o tema “A Bela que matou a Fera”, que deveria permear a história e dar contornos dramáticos à sua resolução, simplesmente não funciona.

Outro erro de Jackson foi insistir em usar música praticamente o filme todo, do início ao fim, o que deixa o espetáculo supersaturado e cansativo, ainda mais quando a trilha é do medíocre James Newton Howard (é particularmente canhestro e irritante o tema principal associado à ilha e depois ao gorila gigante). Pelo menos ele tem a desculpa de ter substituído na última hora o compositor original, Howard Shore (da trilogia “O Senhor dos Anéis”), que saiu da produção alegando diferenças de opinião com o diretor. Depois de ver o filme não fica difícil adivinhar quem estava com a razão...

Impressiona o fato de terem gasto tanto dinheiro e esforço para fazer um “King Kong” ainda pior do que a adaptação de 1976, que trazia Jeff Bridges e Jessica Lange às voltas com um homem vestido com roupa de macaco pisando em miniaturas ou, em algumas tomadas, com um boneco de 20 metros de altura que só mexia o braço. Sem dizer que não consegue nem de longe cumprir as pretensões de Peter Jackson de prestar homenagem ao original de 1933, que foi feito com bonecos fotografados quadro-a-quadro (recurso que pode até deixar o filme ingênuo nos dias de hoje), mas que ao menos era mais convincente e emocionante - tudo que a nova versão não consegue ser.

“King Kong” é mais uma prova que dinheiro e recursos ilimitados acabam tolhendo justamente a criatividade e o bom senso de qualquer realizador.

Cotação: *

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Eleições 2006: Meu voto é Mercadante!

Não vamos esquecer que, além de reeleger Lula para Presidente, temos também que eleger o maior número de políticos de esquerda para o Congresso Nacional e para os governos estaduais.

Em São Paulo, temos uma ótima opção para governador: MERCADANTE! Não vai ser fácil, mas cabe a nós fazermos a diferença na luta para desalojar a tucanalha que está infestando o palácio dos Bandeirantes há 12 anos.

Abaixo, a agenda do candidato petista no Estado.

Mercadante visita Alto Tietê nesta quinta-feira

O senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo, cumpre agenda na região do Alto Tietê nesta quinta-feira (20). Ele estará às 10h em Mogi das Cruzes, ao meio-dia em Suzano, às 14h30 em Itaquaquecetuba e às 17h em Guarulhos, onde também será realizada uma plenária às 19h.

Em Suzano, Mercadante será recepcionado por militantes e lideranças petistas da cidade e da região na Praça dos Expedicionários, caminhará pela rua General Francisco Glicério até a Praça João Pessoa e em seguida almoça no Restaurante Pague Pouco (rua Felício de Camargo, Centro).

Artigo: Por que votar em Lula de novo?

Excelente o texto abaixo.
Vale a pena ler até o fim.
O futuro do nosso país está em jogo, novamente.
Não podemos nos deixar enganar pelas velhas raposas de sempre...



Lula de novo

Nunca é demais lembrar que, em política, é legítimo avaliar um acusado pela trajetória dos acusadores. Vale, então, reparar quem são muitos daqueles que abriram fogo contra Lula. São os mesmos que não hesitaram em apoiar o Golpe de 64, que sabotaram as Diretas Já, que apoiaram Collor e defenderam o programa neoliberal de FHC até o fim.

- por Gilson Caroni Filho

Lendo Horácio
Mesmo o dilúvio
Não durou eternamente.
Veio o momento em que
As águas negras baixaram.
Sim, mas quão poucos
Sobreviveram.

(Bertold Brecht)

Aos mais novos é necessário revelar quem são os autores dos roteiros repisados da política brasileira. A construção simbólico-política da persona do presidente Lula não oferece elementos novos. Sequer a estrutura discursiva é alterada. Tal como em antigas tragédias não faltam catarses, mas as narrativas guardam tão pouca preocupação com a verossimilhança que talvez seja mais apropriado falarmos em farsa. Um gênero tão recorrente em nossa história que com ela se confunde.

Nunca é demais lembrar aos jovens que, em política, é legítimo avaliar um acusado pela trajetória dos acusadores. Abre-se espaço para o exercício do contraditório, bem como se amplia o campo de visão. A historiografia só é possível se comporta tensionamentos. E são eles, em sua centralidade, os alvos móveis que os aparelhos ideológicos buscam ocultar nos relatos de conflitos. O ódio de classe aparece travestido de indignação cívica.

Uma leitura ligeira dos principais veículos da grande imprensa dá conta do seguinte quadro: Lula e seu partido, transformaram-se, após as eleições realizadas em 2002, respectivamente, numa liderança conservadora e em um partido sem projeto de nação. Reiteradamente se afirma que a não-ruptura com a política econômica do governo anterior demonstra que o país foi vítima de um estelionato eleitoral. Tanto mais grave se a ele somarmos supostos esquemas de corrupção, com destaque para o "mensalão'. É assim, com simplificações grosseiras e distorções calculadas, que os bolsões antipetistas tentam conformar o senso crítico do eleitor mediano. Apostam em duas variáveis: desencanto e desinformação. Misturando moral privada e pública, embaralham as cartas que dão sentido à política desde a modernidade. Mas, afinal, o que move os "soldados cívicos" encastelados em redações e blogs ? O que torna o presidente da República um ator político imperdoável? A tal ponto que a oposição não hesita em chamá-lo de bêbado e analfabeto. O que classificam como debate qualificado não passa de baixaria, ofensa pessoal. Mas o que leva o fígado a ditar os termos do discurso? A moralidade pública? A traição programática e o aliancismo decorrente? Afinal, o que empolga os Corifeus?

A ofensiva da direita já não esconde objetivos nem atualiza métodos. Deixa claro o jogo e mostra o cacife que dispõe. No limite, aposta no esquecimento do passado recente para agir com desenvoltura. Como assinalou Mauro Santayana, ''enganam-se os que pensam que a oposição a Lula é mobilizada pelo combate à corrupção''. Em que pese às concessões ao capital e o transformismo de seus principais quadros, o governo possui, após meses de intenso bombardeio, uma significativa base popular de apoio. Fato tão novo quanto incômodo para uma classe dominante acostumada a transitar com desenvoltura em sociedade fracionada. O que fazer? Não nos iludamos com retórica de ocasião. Os condestáveis do patrimonialismo não têm qualquer compromisso com ética na política, estabilidade institucional e consolidação democrática. Jogam sujo e pesado. E nisso contam com inequívoca colaboração das oficinas de consenso das grandes redações.

Na verdade, o que aflige o reacionarismo é o êxito das políticas sociais do governo. Dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) registram recuperação do rendimento médio da população, em queda desde 1997. O nível de ocupação atingiu 56,3%, o maior desde 1996. O Índice de Gini demonstra queda na concentração de renda, com metade da população que ganha os menores rendimentos obtendo ganho real de 3,2%. O melhor resultado nos últimos 24 anos. Adicionemos a isso o Bolsa-Família, programa de renda familiar básica, que atende a oito milhões de famílias.

Como destacamos, em artigo publicado nesta agência, "Poderíamos citar a recuperação do salário mínimo e a taxa básica de juros, no menor patamar desde 2001, como exemplos de cegueira monetarista? E o que dizer dos avanços na reforma agrária e do diálogo com os movimentos sociais? A política externa não luta por uma integração soberana na região? Por que não debatemos isso? Por que afirmar continuidades onde há disjunções? A resposta é simples: os dados acima mostram o inaceitável. Há, apesar dos pesares, uma política redistributiva em andamento. E isso é inconcebível para os setores que, como destacava Hebert de Souza, o saudoso Betinho, vivem um liberalismo de pernas curtas e consciência culposa. Uma prática política que só existe no reino do poder e do Estado patrimonialista".

E como soa aos ouvidos da direita furiosa, a informação publicada na grande imprensa, no início do mês? " O governo Lula produziu uma melhora considerável na classificação econômica dos eleitores a partir de 2003, revela pesquisa Datafolha. Cerca de 6 milhões de eleitores saíram da classe D/E. A maioria migrou para a C. Praticamente a metade dos 125,9 milhões de eleitores (49%) considera hoje que sua situação econômica vai melhorar. Ao mesmo tempo, houve um aumento no consumo, sobretudo de alimentos -37% dos eleitores passaram a consumir mais desde 2003. A melhora na renda se dá por uma combinação de cenário econômico positivo e forte aumento do gasto público dirigido aos mais pobres". (Folha de São Paulo,9/7) Um soco no estômago dos que apostavam no desastre de rupturas voluntaristas ou na inépcia da política macroeconômica. Um desconforto inédito para quem não se livrou do legado escravagista.

Não se iludam, eleitores mais jovens. O antilulismo deita raízes nos extratos sociais que só concebem democracia sem povo. E povo sem Estado e nação. Para eles, os princípios democráticos terminam na entrada da favela ou nas portas de fábrica. Endossaram todos os retrocessos políticos vividos no Brasil desde o Estado Novo. Por sua inserção subalterna no cenário internacional não foram capazes de elaborar um projeto de país. Para maximizar seus interesses, não hesitaram em apoiar todas as violações de normas constitucionais, dos direitos humanos, incluindo a tortura e os assassinatos políticos promovidos pelo regime militar de 64. Sabotaram, enquanto puderam, a campanha das Diretas Já. Apoiaram Collor e seu programa econômico. E só aderiram ao impeachment quando se asseguraram que ocorreria nos marcos de um pacto intraelites. Durante oito anos, sob a batuta de FHC, levaram o país à beira do precipício financeiro. Derrotados eleitoralmente em 2002, mantêm considerável capilaridade política e apoio incondicional da mídia.

Daqui a pouco mais de três meses, o eleitorado precisará decidir novamente. Desta vez, contudo, a escolha será mais dramática. Alckmin representa o retrocesso, a diminuição dos gastos públicos, a retomada das reformas neoliberais e a supressão de direitos. Contará em sua campanha com especialistas em terrorismo eleitoral. Gente do naipe do senador Jorge Bornhausen, ACM e Agripino Maia. Terá, ainda, o apoio coerente de Roberto Freire, um ex-comunista que nunca pestanejou em aderir aos projetos da direita. A vitória deste grupo confirmará nossa história como produção de desigualdade. Formação política onde princípios fundamentais tais como igualdade; liberdade, diversidade, solidariedade e participação são penduricalhos sem sentido.

Por isso, peço aos mais jovens cautela e reflexão. É preciso aprender com os erros recentes. Resgatar um projeto contra-hegemônico requer coragem e coerência. A ação da esquerda nos marcos do Estado de Direito deve conciliar política institucional com a dinâmica dos movimentos sociais dos quais se origina. E o único avanço possível tem nome e sobrenome. Luís Inácio Lula da Silva: político orgânico, cidadão do agreste pernambucano. Pensem nisso, mais uma vez.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha) e colaborador do Jornal do Brasil, Observatório da Imprensa e La Insignia.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Filmes: "SUPERMAN RETURNS"

SUPERMANCADA

Apesar de ser vendido como continuação-homenagem, novo filme da franquia do homem-de-aço não passa de uma refilmagem canhestra e sem brilho do original

- Por André Lux
Esse “Superman Returns” é um erro total, uma verdadeira supermancada. Eu até tinha esperanças de que o filme poderia ser razoável, afinal foi dirigido pelo competente Bryan Singer (dos dois primeiros “X-Men” e “Os Suspeitos”) e idealizado como uma continuação-homenagem aos dois primeiros filmes estrelados por Christopher Reeve (“Superman – O Filme” e “Superman II”, rodados simultaneamente em 1977, enquanto as partes III e IV foram ignoradas). Tanto é que escolheram até um ator parecido com Reeve, o novato Brandon Routh, usaram o mesmo tema criado por John Williams e até imagens de arquivo de Marlon Brando, como Jor-El, o pai do herói.

Mas, embora seja bem feito tecnicamente, não deu nada certo e o resultado chega a ser canhestro. A começar pelo elenco, que é totalmente inadequado. O protagonista é particularmente inexpressivo e ficou ainda pior ao ser forçado a clonar os trejeitos e expressões inventadas por Reeve para os filmes originais. A magrela e antipática Kate Bosworth não convence nem um minuto como Lois Lane e Kevin Spacey não tem o que fazer como Lex Luthor, que virou um personagem bobo e mal estruturado - sem dizer que também parece ter sido obrigado a imitar os tiques do vilão original (não seria mais lógico chamar Gene Hackman, ainda na ativa, de volta?).

O erro mais gritante, todavia, é que venderam “Superman Returns” como uma continuação-homenagem quando é na verdade uma mera refilmagem do primeiro filme, lançado em 1978, com ligeiras mudanças e novos personagens para tentar disfarçar. Mas, repare, a estrutura narrativa é a mesma: herói chega à Terra, fica um tempo no campo, vai para a cidade grande, flerta e voa pelos céus da cidade com a Lois Lane e enfrenta o vilão Lex Luthor, que quer provocar desastres naturais para obter lucros com terras. O roteiro inclusive aproveita dezenas de diálogos idênticos usados em “Superman – O Filme” (o que serve apenas para enganar nerds mais agressivos que confundem preguiça criativa com auto-reverência).

Por causa dessa necessidade de disfarçar a reciclagem de idéias, o filme acaba ficando com uma história totalmente absurda, que nem chega a fazer sentido. Já começa mal, com o Superman voltando à Terra depois de ficar cinco anos procurando sobreviventes do seu planeta natal, Krypton (por que, se ele sabia que havia sido completamente destruído?). Sua amada Lois Lane está de namorado novo (James Mardsen, o Ciclope dos “X-Men”, perdido num personagem ridículo) e tem um filho de cinco anos, cuja vida ela arrisca de maneira irresponsável – e não precisa ser gênio para adivinhar quem é o verdadeiro pai da criança (mas nem isso é bem aproveitado e o menino é péssimo ator). O vilão Luthor tem um plano mirabolante de criar novos continentes no mar, usando os cristais que roubou da Fortaleza da Solidão do homem-de-aço (no filme de 78 ele usa mísseis nucleares). Já o Superman fica reduzido a uma mera massa de músculos cuja única função na trama é ficar salvando pessoas dos estragos e sofrer de dores de cotovelo por ter sido dispensado pela Lois Lane. Afinal, que herói é esse que não vai investigar o sumiço dos seus preciosos cristais, muito menos o estranho pulso magnético que provocou um desastre quase mortal para sua amada?

Parece que o objetivo de Singer e da Warner era o de acender uma vela para dois santos, ou seja, desejavam agradar aos fãs dos filmes originais, ao mesmo tempo em que conquistariam apreciadores nas novas gerações de cinéfilos. No final, não conseguiram nem uma coisa nem outra. Se pelo menos tivesse cenas de ação fortes e emocionantes ainda valeria o ingresso, mas nem isso. Chega a ser arrastado, modorrento mesmo, e as tentativas de deixar a trama com pretensos ares místicos-religiosos (como comparar Superman com Jesus Cristo ou deus) são patéticas. Nem mesmo o tão falado visual retrô chega a marcar, já que tudo é filmado apressadamente em enquadramentos sem qualquer brilho. E é inacreditável que mesmo “Superman Returns” tendo consumido US$ 300 milhões em plena era da revolução digital, a gente continue achando que o filme de 1978 tem efeitos visuais mais convincentes e um visual bem mais bonito (e olha que ele está cheio de calças boca-de-sino e costeletas)!

As únicas duas coisas que prestam no filme são os créditos de abertura e o tema principal de John Williams, iguais aos do filme de Richard Donner de 1978, porém sem o mesmo brilho ou vigor.

Mas, cá entre nós, se o objetivo desse projeto (que ficou em gestação por anos e passou pelas mãos de dezenas de diretores, roteiristas e atores) era meramente fazer a Warner lucrar mais em cima da franquia, teria sido mais lógico dar um upgrade em “Superman – O Filme” e relançá-lo nos cinemas ou então fazer um longa com os personagens da boa série "Smallville". Ao menos poderíamos assistir novamente a um filme realmente bem feito e divertido ou a uma produção original, além de sermos poupados de ver a asquerosa "atriz" Parker Posey usando uma peruca sarará e fazendo caretas como a horrível assistente do Lex Luthor...

Cotação: *

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Direita dividida: Falta de escrúpulos de tucanos causa protestos até da Veja!

Inacreditável!

A falta de caráter e escrúpulos dos políticos do PSDB e do PFL atingiu proporções tão grandes que está causando revolta até mesmo entre aqueles que os têm apoiado sem restrições na imprensa, obrigando-os a atuarem como jornalistas de verdade (algo que deve irritá-los muito!).

Confiram abaixo o que escreveu o anti-PT de carteirinha André Petry, na famigerada revista VEJA - que pode ser acusada de tudo, MENOS de ser petista:


Trololó tucano

O episódio (dos ataques do PCC) é uma demonstração constrangedora do esforço dos tucanos para se eximirem de responsabilidade numa crise em que estão cobertos de responsabilidade. O tucano José Serra, virtualmente eleito para o governo paulista, passou a semana dizendo que Lula era o responsável pela crise em São Paulo e que, em vez de tomar as providências necessárias, optou por fazer "demagogia e trololó".

- Por André Petry, da revista Veja

Dá gosto ver como os tucanos reagem quando a vaca vai para o brejo. São Paulo virou show da bandidagem, e Geraldo Alckmin, governador do estado até quatro meses atrás, percorreu um calvário de explicações: começou a semana falando em "números europeus" e encerrou insinuando que o PT pode estar por trás das ações criminosas do PCC. Vale a pena acompanhar a evolução:

Domingo, dia 9. Ao embarcar para a Europa, Alckmin não enxerga crise alguma, diz que os presídios paulistas estão sob controle e que o índice de fugas das penitenciárias do estado é de apenas 0,13%, "um número europeu".

Segunda, dia 10. Já na Europa, Alckmin descobre a América, vislumbra um pedacinho de crise e faz um diagnóstico ululante: "Nosso problema são os presos, temos 140.000 pessoas em presídios, inclusive líderes de facções criminosas".

Quarta-feira, dia 12. De volta a São Paulo, Alckmin vai mais longe e explica que a nova onda de atentados do PCC decorre de um acerto do governo paulista. "É reação a uma ação da polícia, que prendeu um dos grandes traficantes, líder do crime organizado no estado." (Referia-se ao bandido Emivaldo Silva Santos, de 30 anos, preso no dia anterior.) No mesmo dia, o senador Jorge Bornhausen, a Bia Falcão da política nacional, diz suspeitar que o PT está por trás das ações do PCC. Por quê? Porque as ações criminosas recrudesceram no dia em que uma pesquisa eleitoral apontava crescimento de Alckmin...

Quinta-feira, dia 13. Alckmin finalmente enxerga uma crise importante, mas agora acha que Bornhausen pode ter razão e tudo muda: "Estranhas a forma como a coisa ocorre, a época em que ocorre, a maneira como os atos são desencadeados".

Como assim? A coisa não ocorre porque "nosso problema são os 140.000 presos, inclusive líderes de facções criminosas"? A época em que a coisa ocorre não é por causa da "ação da polícia, que prendeu um dos grandes traficantes, líder do crime organizado no estado"?

O episódio é uma demonstração constrangedora do esforço dos tucanos para se eximirem de responsabilidade numa crise em que estão cobertos de responsabilidade. O tucano José Serra, virtualmente eleito para o governo paulista, passou a semana dizendo que Lula era o responsável pela crise em São Paulo e que, em vez de tomar as providências necessárias, optou por fazer "demagogia e trololó". Serra até encampou, com mais ênfase que Alckmin, a tese de que o PT anda dando a linha para o PCC...

Lula não fez nada na área da segurança pública. Na campanha de 2002, disse que seria sua prioridade, apresentou um programa bonitão e, depois de eleito, engavetou todas as letras. Prometeu que faria cinco presídios federais de segurança máxima. Se conseguir um milagre, encerra o mandato com dois. Mas, cá para nós: os tucanos governam São Paulo há doze anos, governaram o Brasil por oito anos e Lula, há quatro no poder, é o único culpado pelo caos?

Ora, senhores: dizer isso é combinar demagogia com trololó.

************************************************************************************

Obs.: Não serão aceitos comentários ofensivos escritos por covardes anônimos.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Violência gera violência: Discriminação e truculência do governo tucano contra os pobres



Reproduzo abaixo um comentário que foi postado no site Observatório de Imprensa (mais um daqueles "Vocês fingem que nos criticam e a gente finge que existe liberdade de imprensa"), pois ele diz tudo sobre a atual situação caótica que se instalou em São Paulo, resultado direito da política de segurança pública truculenta e discriminatória da dobradinha PSDB/PFL há 12 anos à frente do governo paulista. Omiti o nome da pessoa para preservar sua privacidade.

"Estive há poucos dias, por algumas horas na polícia militar para obter um BO, devido a um acidente de trânsito. Este acidente me ajudou a entender melhor o país em que vivo. Vou relatar: - A vítima era um ciclista velho e pobre; o CET apareceu e não interrompeu o tráfego na avenida, o pessoal do resgate resmungava dizendo: -“Se fosse gente rica esses “#@&???” teriam interrompido as duas vias”. O190 não me atendia, a PM passou pelo local e não parou. Enfim, eu quis fazer BO e fui à delegacia da polícia civil mais próxima, quase fui presa lá, por estar tentando exigir um documento que esclarecesse que prestei atendimento a vítima, etc.

Liguei para um advogado que pediu que eu fosse a PM num bairro de classe média a alta. Foi o que fiz, não posso dizer que fui bem tratada, mas no tempo que fiquei lá os mais humildes que chegaram eram tratados MUITO mal. Lá chegou um garoto querendo um BO de um acidente no qual ele havia sido vítima, ele sabia o local, a data, mas com certeza não obteve o que queria, pois os PM exigiam que ele soubesse detalhes, placa do carro etc. Como ele poderia saber se foi atropelado e só foi acordar no hospital?

Meu Deus!!
De que Paz estamos falamos? De que violência estamos reclamando? Acho que o Lembo está certo. De que sabemos nós elite branca, sobre violência? E que pacto que a mídia (parte muito importante da elite branca, formadora de opinião) pode promover para resolver o problema da violência? Ficar se dizendo surpresa cinicamnete) com os filmes do MV Bill? Quando a mídia vai realmente ser porta-voz da opinião pública? Vocês acham que atendendo ao pedido da polícia para não denominar o PCC de facção criminosa, a mídia colabora com o combate a violência?Quando a mídia vai abordar o problema das drogas de fato como ele é?

Quando a mídia vai se comportar de forma democrática para que este país tenha chance de diminuir a desigualdade social? Nas academias temos teses e teses sobre violência (causas, conseqüências, combate, experiências mal e bem sucedidas, etc), no Brasil e no mundo todo.; às quais os jornalistas têm livre acesso. A mídia jornalistas) não tem direito ser hipócrita. Mais que os políticos, a mídia usa o problema da violência em benefício próprio. Tenho certeza que existem jornalistas com informações sobre o que realmente está acontecendo em São Paulo, no entanto, o que podemos obter/comprar como “informações” é um amontoado de “baboseiras”. Por favor, me explique o quê, de concreto, você vislumbra que esta tua idéia de pacto pode conseguir? O que temos de mudar é a cabeça do PM que discrima seus irmãos, a cabeça da empregada doméstica que não quer ter direito e sim o sub-emprego. Por que será que a mídia não se preocupa com isto?"

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Caos: São Paulo nas mãos de bandidos da imprensa e do PCC

IMPRENSA BANDIDA

Os paulistas têm um governo e uma imprensa criminosos, irresponsáveis, corruptos e cínicos. O Estado mais rico da Federação está à mercê do PCC, de Alckmin, da Folha, do Estadão, da Veja etc. Inseguros, enganados, desinformados, desorientados. Nossa única saída é o voto em outubro. Devemos votar contra os bandidos de todos os tipos que nos aprisionaram e que, enquanto sofremos, vão todos pimpões a festas chiques de aniversário de dondocas.

- por Eduardo Guimarães



A volta dos ataques do PCC em São Paulo comprova definitivamente que existe um complô da imprensa para eleger Geraldo Alckmin presidente da República, mesmo que esses ataques demonstrem que o tucano não é só um administrador medíocre envolvido em casos nebulosos como o da filha que entrou na "organização criminosa" Daslu (conforme o Ministério Público) como "vendedora" e, em poucos meses, virou "diretora", ou como o do pagamento ilegal com dinheiro público a órgãos de imprensa que o elogiaram, ou como o da doação que sua mulher recebeu de centenas de vestidos de alta costura que, somados, igualam ou até superam o valor dos bens que declarou em seu imposto de renda. O ex-governador paulista é também um covarde, mentiroso e cínico, porque não tem coragem de assumir a responsabilidade pela Segurança do Estado que governou por cinco anos até três meses atrás, porque mente ao tentar repassar a responsabilidade pelo caos no sistema carcerário paulista ao governo federal e porque diz tudo isso com a maior cara-de-pau que já vi na vida.

Até as balas que o PCC está despejando contra São Paulo sabem que a origem dos ataques está no estado de calamidade do sistema carcerário paulista, de responsabilidade exclusiva dos últimos dois governadores de fato de São Paulo, Alckmin e o falecido Mário Covas. Foi a gestão truculenta, burra, desumana e incompetente ao impensável do sistema carcerário do Estado mais rico da Federação que fez o PCC se organizar. Foi a condição insustentável de vida dos presídios paulistas que gerou um caos que não se vê em nenhuma outra parte do país. Montanhas de dinheiro foram gastos em um Rodoanel até hoje inútil - porque não diminuiu um nada o trânsito caótico da capital paulista - em vez de se investir na organização de um sistema prisional que não expusesse a sociedade a uma situação que, guardadas algumas proporções, já pode começar a ser comparada à de Bagdá, no Iraque.

Então você pega os dois maiores jornais paulistas, e o que lê? Na Folha de São Paulo, na seção opinativa, só um texto menciona, de passagem, o nome Geraldo Alckmin, enquanto que o nome do presidente Lula aparece incontáveis vezes sendo responsabilizado. Além disso, uma ampla "reportagem" repercute acusação criminosa do presidente do PFL, Jorge Bornhausen, de que o PT é aliado do PCC, e insinua que o partido do presidente da República estaria por trás dos atos terroristas. O segundo maior jornal paulista, O Estado de São Paulo, só toca no assunto numa seção de cartas de leitores inteiramente voltada para responsabilizar o presidente da República pela situação carcerária paulista, que está na origem dos ataques da facção criminosa e que é de responsabilidade exclusiva do governo do Estado. Nenhum, absolutamente nenhum órgão de imprensa teve a coragem de chamar à responsabilidade o homem que é o maior responsável vivo pela Segurança Pública paulista e pela gestão do sistema carcerário do Estado.

Os paulistas têm um governo e uma imprensa criminosos, irresponsáveis, corruptos e cínicos. O Estado mais rico da Federação está à mercê do PCC, de Alckmin, da Folha, do Estadão, da Veja etc. Estamos, os paulistas, isolados numa zona de guerra que não encontra paralelo em nenhum outro lugar do país. Inseguros, enganados, desinformados, desorientados. Nossa única saída é o voto em outubro. Devemos votar contra os bandidos de todos os tipos que nos aprisionaram e que, enquanto sofremos, vão todos pimpões a festas chiques de aniversário de dondocas.

Basta: Mesquinharia da direita prejudica o povo de São Paulo

É inacreditável que o os governantes de São Paulo continuem recusando ajuda Federal para combater o crime por meros motivos eleitorais, só para continuar tentando blindar o Alckmin pelo desastre da segurança pública no Estado depois 12 anos sob a aliança PSDB-PFL...

Tem gente inocente morrendo!
Será que a turma da direita não consegue deixar de lado seus interesses mesquinhos e pensar na população, só para variar um pouco?

A charge abaixo resume bem o que está acontecendo hoje:

terça-feira, 11 de julho de 2006

Filme: "O LIBERTINO"

Prazer pela tragédia

Filme explora protagonista que é um retrato das incongruências e idiossincrasias que inviabilizam a existência humana

- por André Lux

Fazia muito tempo que não assistia a um filme tão perfeito e intelectualmente desafiador como esse “O Libertino”. Ao contrário do que sugere o pôster ou as chamadas publicitárias, não se trata de uma obra cômica ligeira, no estilo “Casanova”, que também tinha como protagonista um hedonista inveterado, ficando mais próximo da acidez trágica de “Ligações Perigosas”. Aqui, conta-se a história do poeta inglês John Wilmont, Conde de Rochester, talentoso artista que destrói a própria vida graças à busca desenfreada pelo prazer e pela rebeldia sem causa. Mas, a sua verdadeira busca era mesmo pela tragédia. Tanto é que o próprio Wilmont (Johnny Depp) já avisa no monólogo que abre o filme: “Vocês não vão gostar de mim”.

Centrado nos últimos anos de sua vida, “O Libertino” é um denso e afiado estudo sobre a busca pela autodestruição que guia, em maior ou menor grau, a maioria dos seres humanos e, como conseqüência, nossa sociedade como um todo. Interpretado de maneira soberba por um sensual e maduro Johnny Depp, o protagonista é uma pessoa vazia e perdida que, plenamente consciente da sua existência pueril e inútil, busca desesperadamente por fortes emoções regadas sempre a sexo, drogas e álcool (não necessariamente nessa ordem). E quanto mais radical se tornam suas experiências, maiores tornam-se o seu cinismo, o seu ceticismo e o desprezo que sente por si mesmo e mais fundo ele mergulha no próprio flagelo – chegando literalmente a se “desfazer” em sangue e muco, corroído pela sífilis e pelo alcoolismo, com meros 33 anos de idade (o que é mostrado em tintas realistas que poderão chocar) e justamente quando começa a dar sinais de que poderia estar amadurecendo psicologicamente.

O roteiro de Stephen Jefreys, baseado em sua própria obra teatral, é muito bom e traz diálogos forte e extremamente afiados, perfeitamente encenados por excelentes atores. Palmas também para a direção precisa do estreante Laurence Dunmore, que não tem medo de estampar de forma clara a hipocrisia e a falta de escrúpulos da elite dominante no século XVII (que, infelizmente, não mudou em nada até hoje), muito menos as várias facetas do Conde, o qual passa de sedutor a repugnante em questão de segundos.

“O Libertino” é ainda tecnicamente brilhante e conta com uma fotografia primorosa (que às vezes parece mesmo uma pintura), toda granulada e esmaecida graças à iluminação das cenas feita sempre com luz natural que dão ao filme um ar quase de sonho (ou pesadelo). A música do minimalista Michael Nyman (de “O Piano” e dos filmes de Peter Greenway) também é perfeita e ajuda a construir o clima hipnótico que conduz toda a projeção.

Mas que fique bem claro. Esse é o tipo de filme feito para chocar, mas não aquele choque oriundo de recursos dramáticos vulgares, gratuitos ou forçados, pelo contrário. Cada fotograma foi meticulosamente construído para explorar e destacar as diversas nuances e facetas do protagonista que, no final das contas, nada mais é do que um retrato das incongruências e idiossincrasias que praticamente inviabilizam a existência humana. Por tudo isso, vai provocar reações extremadas de amor ou ódio que vão depender do estímulo que cada espectador receber do material apresentado. Confesso que sempre tive atração por esse tipo de enredo e abordagem, portanto, fui fisgado logo de cara. Mas é bom estar preparado e ciente do que está por vir, pois esse prato pode ser indigesto.

Cotação: * * * * *

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Agressão de Zidane: Destempero ou indignação?

A Copa do Mundo 2006 acabou como começou: chata e sem emoções. Os times apresentaram futebol modesto, para não dizer medíocre e acovardado. E sobraram pontapés e retrancas na defesa. Isso sem falar na seleção brasileira, que foi a coisa mais patética da disputa, digna das piores vaias. Enfim, coisas da globalização neoliberal...

Mas, eis que no último jogo acontece um lance polêmico: o excelente jogador Zidane perde seu famoso auto-controle a agride o zagueiro italiano Materazzi com uma cabeçada no peito. Muitos narradores e comentaristas apressaram-se para condenar o ato do astro da França. Ok, qualquer tipo de violência física não se justifica, muito menos se enaltece. Mas, o que dizer da atitude do jogador italiano, que xingou a irmã de Zidane de prostituta e, ao que tudo indica, o chamou de "terrorista islâmico" (ou "sujo", segundo a Ong SOS Racismo) - numa alusão racista ao fato de Zidane ser argelino.

A rede Globo, expoente máximo do ufanismo mercadológico idiota e cego, fez leitura labial das agressões verbais proferidas por Materazzi contra a irmã de Zidane, mas "esqueceu" de destacar as ofensas racistas. Por que será? Aí tem...

Ainda não foi comprovado que o zagueiro italiano realmente chamou o francês de "terrorista" - só mesmo Zidane poderá confirmar ou não essa tese. Mas, a verdade é que, tendo proferido ofensas racistas ou não, fica claro que houve agressão verbal violenta por parte do italiano, tão repulsiva e absurda quanto a cabeçada desferida por Zidane.

Agora, se Materazzi realmente chamou Zidane de "terrorista sujo" vai ficar muito, mas muito feio para a seleção que ganhou a Copa do Mundo que trouxe, no início de todos os jogos, mensagens contra o racismo e o preconceito... Além de explicar com clareza a revolta do jogador francês que, indignado, perdeu o controle e partiu pra cima daquele que o ofendeu com alcunhas intoleráveis.

Desabafo: O Lula é culpado!

Simplesmente sensacional o texto abaixo!
Leiam, reflitam e disseminem para todos que puderem...


O Lula é culpado!

Pobre, nordestino, ex-peão de fábrica não pode continuar acertando assim, é uma vergonha pra burguesia insensível e démodé, operário não tem o direito de tentar acertar em médio prazo uma redistribuição de renda, quando outros tentaram e foi uma sujeira só, tudo ficou por isso mesmo.

- Poeta Silas Correa Leite

Culpado de não ter estudado, de não ter feito universidade e nem ter títulos acadêmicos; de ser nordestino de origem cabocla e humilde, de ser operário aleijado por uma máquina; de ser pobre e ainda assim dirigir melhor o Brasil S/A do que a corja neoliberal que o antecedeu impune e vergonhosamente no poder, caterva formada por máfias e quadrilhas de privatarias (privatizações-roubos); de incompetentes, corruptos e ladrões ordinários que inventaram o mensalão para pagar o rombo do PROER de bancos ligados ao crime organizado do lucro amoral, e a re-eleição roubada do ególatra ex-sociólogo, todos bem posudos e falantes, bons de estudos e dialéticas que assim insensíveis acabaram néscios e apoiados por parte de uma midiota, e que nos suspeitos tempos palaciais tenebrosos conspiraram contra a maioria absoluta da população de milhões de brasileirinhos carentes e excluídos sociais, que na verdade deveriam ser a própria razão de ser de um estado público.

O Lula é culpado!

Culpado principalmente de ocasionalmente fazer parte do mesmíssimo viciado jogo político-eleitoreiro e de governabilidade; de clandestino concluo com os sórdidos bastidores do poder que sempre foi o mesmo dos decrépitos tucanos canalhas que o precederam, mas, estranhamente antes passaram em brancas nuvens na imprensa denuncista e na justiça tendenciosa, entre tramóias tucano-liberais de riquezas injustas, lucros impunes, infames novos ricos, que sujamente antros palaciais e valeram-se do abuso de poder, de estelionatos de planos econômicos dúbios e oligopólios eleitoreiros, mas o Lula não, o Lula não pode, o Lula é culpado até de sonhar em querer mudar o que não deve ser mudado, para sorte dos mesmos desde 1500 e que voltarão depois ainda mais podres e historicamente nefastos, nivelados por baixo, jogando mentiras no ventilador das aparências que enganam, corvos das instituições democráticas.

O Lula é culpado!

Culpado por manter a inflação sob controle – pensaram que com ele tudo iria despencar e iriam ganhar muita grana suja – culpado por manter a cotação do dólar lá embaixo – acharam que ele era estúpido como os estúpidos Fernandos (o janota e o ególatra boçal) – e o dólar iria lá nas nuvens; culpado porque o Risco Brasil com o Lula tido como inexperiente iria quebrar bolsas e fundos – mas com ele ficou melhor do que com todos os outros governos civis anteriores juntos; aliás, no governo anterior tachado de tão certinho (pra quem?) era exatamente o contrário, inflação alta, dólar alto, risco Brasil alto, mas tudo ficou por isso mesmo (quem ganhou com isso?), só o Lula não pode dar certo, é inaceitável, o Lula não pode errar, se não errar a gente inventa e AUMENTA (e veicula na mídia tendenciosa e parcial à exaustão para os tolos e incautos serem dopados como foram na Era Collor acreditando em meias mentiras ou verdades inventadas sem provas), sim, vamos culpar o LULA por 505 anos desse Brasil varonil deitado eternamente em berço esplêndido, só sendo rico para os ricos, para os pobres não. O Lula não pode, não ele, não agora, não assim. Vamos montar um circo de hienas contra ele e o Zé Dirceu.

O Lula é o culpado!

Culpado por ser simples como todo brasileirinho, de ter as mãos bem mais limpas que os seus sujos acusadores (nenhum de seus acusadores é honesto cem por cento); de não ser uma banana como um antigo ex-comunista, ex-sociólogo, ex-ateu babaquara como FHC o Pai da Fome, nem ser como esse mesmo sem-vergonha que quebrou a classe média, vendeu as lucrativas empresas públicas, deu lucro para um bando de ladrões tupiniquins e agiotas do capital estrangeiro (criando news rics tucanos), e para fazer tanta sujeira esteve bem mancomunado com uma reacionária mídia baseada em podres poderes de capital volúvel em bandas cambiais de paraísos fiscais. Todos podem tudo. Mas o Lula não pode nada. Por isso o Lula é culpado. O capitalhordismo americanalhado e a corrupção que bancam tudo isso desde 1500, não querem o Lula e o PT no poder. Se fosse um doutor ou um general seria um gênio o governo atual. Mas o Lula não. O Lula não pode. O Bush é mais burro do que o Lula, mas incompetente do que o Lula, no seu hitlerismo violento mais nefasto do que o Lula, mas ele pode, ele está do lado certo, ele defende o império do inumano capital insano, o Lula está do lado errado, está do lado dos que têm que aceitar a miséria.

O Lula é culpado!

Fizeram o Jânio Quadros renunciar, o João Goulart ser deposto, o Getúlio Vargas se matar, o Lula não pode dar certo como vem surpreendentemente dando – e ainda tudo isso apesar de tudo com um foro suspeito de denuncismo sem provas e denunciadores sem moral – imaginem se o deixassem governar em paz? Pobre, nordestino, ex-peão de fábrica não pode continuar acertando assim, é uma vergonha pra burguesia insensível e démodé, operário não tem o direito de tentar acertar em médio prazo uma redistribuição de renda, quando outros tentaram e foi uma sujeira só, tudo ficou por isso mesmo. Antros de escorpiões têm que fazer com o Lula o mesmo que fizeram com outros esquerdistas que tentaram mudar o Brazyl S/A e foram alijados do poder de forma torpe e amoral por abutres do arbítrio, os corvos da democracia, hienas do retrocesso humano com um neoliberalismo globalizado que quer tomar a Base de Alcântara, a Alca e a Amazônia, e com o Lula vai ser impossível.

O Lula é culpado!

Vamos trazer de volta o bando de canalhas que estava lá (nunca vi uma pessoa que preste falando mal do Lula), e ainda estão de alguma maneira reinando, rifando egos e dando cartas maquiavélicas nos podres porões palaciais, entre canalhas de paletó, terno, gravata, toga, túnica, soldo, dólmã-de-tala; os corruptos e ladrões que ainda de forma camuflada mandam em tudo, estão bem enraizados por séculos em clãs lá, e têm medo de não fazerem falta; já pensou? - perderem poder, perderem mando, perderem o status quo. Não é possível isso. Corruptos unidos jamais serão vencidos. Liberais bandidos, jamais serão banidos.

O Lula não é culpado se o PSDB se aliou ao PCC e tem agiotas de banqueiros-quadrilhas neoliberais que o atacam porque tem interesses escusos para os cofres públicos.

O Lula é culpado?

E os Direitos Humanos do Lula?

“Quando a economia capitalista entra em colapso, e a classe trabalhadora
marcha para o poder, então os capitalistas se voltam para o fascismo”

(Leo Huberman, in, História da Riqueza do Homem, Zahar Editores)

Fonte: NovaE

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Governo PT: Notícias que não estamos acostumados a ver...

Reproduzo abaixo algumas notícias ótimas, do tipo que a gente nunca leu antes em relação ao Brasil.

E tem gente que ainda não entende por Lula continua liderando as pesquisas de votos, mesmo depois do massacre que seu partido e seu governo vêm sofrendo há mais de um ano da direita, via seu braço midiático...

Agora, pergunte-se: por que esse tipo de notícia não recebe o mesmo destaque dado a outras negativas ou às denúncias contra o PT? Por que não interessam a ninguém? Ou é por que a nossa imprensa tem rabo preso com tudo, menos com seus leitores? Quem acertar a resposta ganha uma foto do Alckmin autografada pelo FHC!

Inflação em São Paulo é a menor dos últimos 12 anos

O município de São Paulo encerrou junho com deflação de 0,31%, acumulando no primeiro semestre do ano variação positiva de 0,1%, melhor desempenho para o período desde o início do Plano Real -implantado em julho de 1994. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (5) pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP).

A deflação foi menor que a projetada pelo coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, Paulo Picchetti, que previa recuo próximo de 0,4%. Já os analistas de mercado, segundo pesquisa semanal realizada pelo Banco Central, projetavam uma retração de 0,17%. A queda média de preços verificada em junho é também a maior para um mês fechado desde maio de 1999, quando a deflação atingiu 0,37%.

Tanto no mês quanto no semestre o destaque de queda em São Paulo ficou com os alimentos. Os preços do grupo Alimentação recuaram, em média, 1,36% em junho e registraram em seis meses retração de 3,72%. Os demais itens que fazem parte da pesquisa da Fipe apontaram as seguintes variações no mês passado: Habitação (0,17%); Transportes (-0,32%); Despesas Pessoais (-0,30%); Saúde (0,06%); Vestuário (0,45%); e Educação (0,04%).

A previsão da Fipe para o ano é de inflação em torno de 4%. Entretanto, com os dados de junho, o coordenador da pesquisa da fundação, Paulo Picchetti, poderá alterar essa projeção. Para o segundo semestre, o economista avalia que os insumos, as matérias-primas e a possibilidade de realinhamento do câmbio deverão pressionar um pouco a inflação. Ainda assim ele prevê que o IPC-Fipe continuará baixo na segunda parte do ano.

Folha Online

Contas de telefone ficam mais baratas, na 1ª redução desde 98

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou nesta quarta-feira (5) que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou reajuste negativo para as tarifas da telefonia fixa local, o que significa que as contas ficarão mais baratas. Trata-se da primeira redução linear desde a privatização das teles, em 1998. Os índices são diferentes para cada companhia. A queda será de até 0,5134%, que corresponde à correção das tarifas da Telemar.

As contas da Telefônica terão queda de 0,3759%; da Brasil Telecom, de 0,4222%; da CTBC, 0,4009%; e da Sercomtel, 0,3759%. Os índices terão validade para todos os itens da cesta de serviços: habilitação, assinatura e pulso. Os cartões para uso em telefones públicos também terão redução, de 0,43%. O índice de produtividade, conhecido como Fator X, ficou próximo de zero. As concessionárias chegaram a propor um aumento de 4,5% nas ligações locais, usando um dispositivo contratual (excursor), que permitia o reajuste de um dos itens da cesta, desde que houvesse redução proporcional em outro item. Segundo o ministro, as próprias empresas se convenceram de que não era possível aplicar um aumento de tarifas.

Ele disse ainda que a correção determinada pela Anatel não compromete o equilíbrio econômico-financeiro das companhias. Hélio Costa explicou ter conversado com as empresas sobre o aumento, pedindo a elas que fizessem um esforço para que houvesse um bom resultado para o consumidor, já que esta é a primeira vez que está sendo aplicando o novo índice de correção (Índice de Serviços de Telecomunicações - IST) no lugar do IGP-DI.

Com informações das agências

Notícias como essas e muitos mais você pode encontrar no site O INFORMANTE.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Mídia: Ombudsman, de novo...

Bastou eu escrever, postar e enviar por email o artigo "Para que serve um Ombudsman, afinal? Ou... Você finge que nos critica e a gente finge que é plural", e o Ombudsman da Folha de São Paulo finalmente respondeu as questões que havia mandado para ele, já há mais de uma semana (conforme publiquei neste link).

Coincidência? Deve ser.

De qualquer maneira, reproduzo abaixo a "resposta" que o sr. Beraba deu às minhas indagações.
----------------------------------------------------------------------
Caro André, não cabe a mim, como ombudsman, responder às suas indagações. Não sou porta-voz da Folha. As críticas que tenho ao jornal, eu as faço diariamente na Crítica Interna e aos domingos na coluna publicada pelo jornal. Se você quer que estas perguntas sejam respondidas pelo jornal, posso encaminhá-las. Caso eles respondam, lhe encaminharei. Se você tiver alguma crítica específica, também encaminharei ao jornal. Se apontar um erro de informação, pedirei correção.

Grato,
Marcelo Beraba
Ombudsman - Folha de S.Paulo

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Bonita resposta, não? Faz a gente se perguntar, pra que então serve esse Ombudsman, se não pode responder nem as perguntas mais óbvias? As minhas teorias sobre sua verdadeira função você encontra no artigo abaixo, que cada vez parecem mais verdadeiras.

Abaixo, minha resposta enviado por e-mail ao Ombudsman da Folha:

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Caro Marcelo, faça o que achar melhor (ou o que seu contrato ditar). Quem se importa?

Pode continuar fingindo que critica a Folha para que os Frias e seu jagunços possam continuar posando de plurais enquanto atacam a "nossa raça" livremente. FHC e sua corja neoliberal agradecem (e o cheque está no correio).

Acho que você nem leu o que perguntei, senão ao menos poderia ter explicado o erro grosseiro que cometeu em sua coluna ao chamar a CPI DA COMPRA DE VOTOS como "CPI do mensalão". Por que? Um ato falho? Ou, de tanto ler a Folha, também já dá o tal "mensalão" como fato comprovado?

Melhor eu perguntar para o ombudsman do ombudsman...

Sem mais,
André Lux

segunda-feira, 3 de julho de 2006

De olho na mídia: Para que serve um Ombudsman, afinal?

Ou... “Você finge que nos critica e a gente finge que é plural”

A Folha de SP teve e tem participação decisiva na campanha anti-PT e jogou às favas as recomendações contidas em seu próprio Manual de Redação. Mas, o que esperar de uma imprensa que não respeita os conceitos básicos do jornalismo, como ouvir o outro lado e não publicar denúncias sem prova?

- Por André Lux

Antes de qualquer coisa, vou deixar bem claro: 1) sim, sou de esquerda por ideologia e petista por opção (embora não ache o PT o “Partido dos Santos”, muito menos a oitava maravilha do mundo) e 2) não acredito em imparcialidade jornalística, pois o ser humano é parcial por natureza (como tentei deixar claro em meu artigo “O mito da imparcialidade de imprensa”). Dito isso, fico à vontade para deixar registrada a minha opinião sobre o trabalho da mídia e, mais propriamente, do Ombudsman, baseado em minhas próprias experiências, como os e-mails que troquei com o referido profissional, e em relatos que li.

O termo Ombudsman, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, “é uma palavra sueca que significa representante do cidadão. Designa, nos países escandinavos, o ouvidor-geral - função pública criada para canalizar problemas e reclamações da população. Na imprensa, o termo é utilizado para designar o representante dos leitores dentro de um jornal. A função de ombudsman de imprensa foi criada nos Estados Unidos nos anos 60. Chegou ao Brasil num domingo, dia 24 de setembro de 89, quando a Folha, numa decisão inédita na história do jornalismo latino-americano, passou a publicar semanalmente a coluna de seu ombudsman”.

Lembro bem quando o cargo foi criado na Folha. Eu ainda cursava a faculdade de Jornalismo e todos celebraram a iniciativa inédita do jornal. Parecia uma atitude louvável, afinal, dava a entender que era um veículo plural, disposto a receber críticas de um profissional da imprensa isento, pago pelo próprio veículo para exercer essa função, com total liberdade e sem censura. Ingenuidade típica dos estudantes, sempre distantes anos-luz da realidade do mercado.

Enquanto a direita se manteve no poder, nada que abalasse essa crença aconteceu. Todos que passaram pelo cargo de Ombudsman exerceram sua função com esmero e certo grau de acidez, ajudando a reforçar o faz-de-conta do jornalismo-mercadoria travestido de imparcial. Todavia, desde que Lula chegou à Presidência da República e o PT deixou de ser um mero partido de oposição, virando uma ameaça real ao status quo da “elite branca” (como bem disse o governador Cláudio Lembo, do PFL), a imprensa corporativa tupiniquim deixou de lado qualquer preocupação com a ética ou com a suposta defesa da imparcialidade para se transformar, a exemplo do que fez no golpe militar de 1964, no “braço midiático” da direita, ávida para retomar o poder e impedir a distribuição de renda ou qualquer avanço no sentido de diminuir o imenso abismo que separa as classes sociais no país.

É verdade que o PT deu bobeira e usou ingenuamente de práticas comuns aos partidos de direita (como o caixa dois), dando munição de graça ao inimigo, mas o vale-tudo contra o partido chegou às raias do absurdo. A partir da constatação que o governo Lula estava longe de ser o desastre que sonhavam e que o presidente tinha chances reais de ser reeleito, a imprensa corporativa e seus chamados “formadores de opinião” atacaram o partido e seus integrantes como fúria selvagem e sem igual na história recente do país. Denúncias sem prova, proferidas por personagens sem qualquer credibilidade, passaram a ser tratadas como “verdades absolutas” em manchetes de primeira página. Entrevistas com figuras do Governo ou do partido foram deturpadas, com frases tiradas do contexto e inseridas no meio dos textos para dar sentido inverso ao que o entrevistado almejava. Títulos e legendas contendo afirmações incongruentes e, por vezes, conflitantes com o que se lia no corpo da matéria eram práticas corriqueiras. Editoriais violentos e repletos de preconceitos exigiam o linchamento público de acusados. Tudo isso e muito mais deu o tom da campanha anti-PT, iniciada a partir das denúncias de Roberto Jefferson e repetidas até hoje, sem trégua.

A manipulação, a distorção e a panfletagem tornaram-se evidentes à medida que denúncias contra membros do PT aumentavam em progressão geométrica, enquanto as que atingiam os partidos de direita eram camufladas, abafadas ou simplesmente ignoradas. O caso da lista de Furnas, que envolve em sua maioria parlamentares do PSDB e do PFL (ninguém do PT), foi confirmada pelo mesmo Roberto Jefferson e recentemente autenticada pela Polícia Federal, sendo o mais evidente e grotesco exemplo da “cegueira” seletiva da mídia.

O jornal Folha de São Paulo, ao lado dos outros veículos da imprensa corporativa (que visam o lucro acima de tudo e de todos), teve e tem participação decisiva na campanha anti-PT e jogou às favas as recomendações contidas em seu próprio Manual de Redação. Mas, o que esperar de uma imprensa que não respeita nem mesmo os conceitos mais básicos do jornalismo, como ouvir o outro lado e não publicar como verdade factual denúncias sem prova?

A lista de exemplos dessa má fé panfletária e canalha é imensa, mas fiquemos com apenas um, que mostra bem no que se transformou nosso “jornalismo”: já no início da crise a Folha criou o slogan “Escândalo do Mensalão” e passou a usá-lo em toda e qualquer notícia ligada ao PT. Não importava se era mais uma denúncia ou não. Então, passamos a ler no jornal paulista aberrações como: “Escândalo do Mensalão – PT escolhe Mercadante como candidato a governador”. O leitor mais atento certamente deve perguntar, “o que a notícia em questão tem a ver com as denúncias de Roberto Jefferson?”. Absolutamente nada, exceto, é claro, o fato de envolver a sigla que tanto incomoda os donos do jornal em questão! Deputados do PT envolvidos nas denúncias passaram a ser tratados de “mensaleiros”, mesmo que nada tenha sido provado contra eles até agora (mais de um ano depois do início das investigações) e que nenhuma prova tenha sido apresentada para sequer sustentar o tal do “mensalão”. Sem falar da pergunta mais óbvia que a mídia brinca de não fazer para não abalar o slogan por ela criado: por que diabos o PT pagaria propina a membros do próprio partido?

Mas, se é verdade que a mídia faz denúncias contra partidos de direita, é fato também que trata tais denunciados com todo o respeito exigido pela ética jornalística e pelos Manuais de Redação – tratamento esse ignorado quando as denúncias envolvem petistas e afins. Denunciam sim, mas depois nada mais é dito sobre as acusações e fica tudo por isso mesmo. Afinal, o importante não é acabar com a corrupção, mas sim poder sustentar o mito da “imparcialidade” da mídia!

Então surge a pergunta: sobre tudo isso, o que diz o Ombudsman da Folha de São Paulo, profissional supostamente idôneo e imparcial contratado pelo próprio jornal para criticá-lo com total liberdade? Onde estão, em seus textos, as denúncias contra as atitudes antiéticas e incoerentes com seu próprio Manual de Redação? Onde está a indignação contra a prática de divulgar pesquisas duvidosas que nem mesmo apresentam os métodos utilizados para que se chegasse aos resultados apresentados (como a que “apontou” ser Lula o principal responsável, na opinião da população de São Paulo, pela falência do sistema de segurança pública do Estado, há 12 anos sob a tutela do PSDB)?

Em nenhum lugar. Críticas existem (afinal é preciso manter as aparências), mas são sempre superficiais, pontuais e meramente técnicas. Não se observa qualquer análise mais profunda da postura visivelmente panfletária (que se reflete em maior ou menor grau no resto da imprensa corporativa que, no caso da crise política, atua em bloco), muito menos qualquer indício de cobrança para que os donos do jornal passem a declarar em editoriais suas preferências (como fez, por exemplo, a revista CartaCapital) e deixem as notícias em paz.

Por que isso acontece? O Ombudsman não tem total liberdade para falar o que quiser? Por que não coloca então o dedo na ferida e expõe as práticas lamentáveis que têm dado o tom à cobertura política atual? Afinal, o que está em jogo não é meramente o futuro de um partido ou de uma ideologia, mas sim o do próprio jornalismo, antes chamado de “O Quarto Poder” (justamente por ser quem fiscalizaria os outros três poderes), cada vez mais desmoralizado em sem crédito frente à sociedade - o que é algo extremante grave e que coloca em risco a própria sobrevivência da democracia.

A resposta a essas perguntas, é claro, só o próprio Ombudsman poderia dar. Mas eu arrisco um palpite humilde, que pode ser resumido à seguinte frase: “Você finge que nos critica e a gente finge que é plural”.

A Folha de São Paulo, como toda empresa que visa o lucro acima de tudo, precisa de slogans publicitários e campanhas fortes que vendam uma imagem ao seu público alvo. A do jornal em questão é “De Rabo Preso com o Leitor”. Obviamente, para que essa publicidade convença os consumidores é preciso mais do que simples outdoors e propagandas na TV, ainda mais para uma empresa que segue à risca a cartilha neoliberal que prega o consumo e o culto à imagem acima de tudo. Daí entra o papel do Ombudsman, que visa única e exclusivamente reforçar essa idéia de pluralidade e imparcialidade que o jornal quer vendar aos incautos. E o que pode ser melhor para cimentar essa ilusão do que ter uma pessoa “livre” e “isenta” paga pelo próprio jornal para criticá-lo sem censura?

Já troquei correspondências com o atual Ombudsman da Folha e tenho certeza que é uma pessoa convicta da sua honestidade e liberdade. É bom que fique claro, não estou afirmando que se trata de um embusteiro ou de alguém com má fé, da mesma laia dos Mainardis da vida. Pelo contrário. Trata-se de um profissional sério, que demonstra indignação sincera ao ser acusado de não tecer críticas mais contundentes e pertinentes por causa de medo de perder o emprego.

E é exatamente aí que está o “x” da questão: por mais sério e idôneo que se considere, não consegue enxergar que só foi contratado pelo jornal em questão porque não vai questionar ou denunciar algo que, no fundo, endossa. Não para tentar agradar ou conquistar simpatia a fim de garantir seu emprego (como muitos fazem, infelizmente), mas simplesmente porque concorda, ativa ou passivamente, com as posturas ideologias defendidas pelo jornal nas entrelinhas. E para isso não precisa se filiar aos partidos políticos ou carregar bandeiras – e tenho certeza que deve ser ferrenho defensor do apartidarismo em nome dessa suposta isenção. Lembremos que é imprescindível para a Folha vender essa imagem de plural, apartidária e imparcial (típica dos neoliberais) para o seu público alvo (na maioria, profissionais liberais yuppies e intelectuais das classes médias), ao contrário de publicações conservadoras, como o Estadão ou Veja, que preferem adotar o estilo “soco-na-boca”, traduzido em textos escritos por verdadeiros jornalistas-jagunços.

Noam Chomsky já havia alertado sobre esse tipo de postura durante sua participação no programa Roda Vida da TV Cultura, em 1996: “Conheço muitos profissionais da imprensa que acreditam ter total liberdade e que não existe censura nos meios de comunicação. E para eles isso é uma realidade, pois obviamente falam e escrevem exatamente o que seus patrões querem ouvir”. E quem não concorda com essa visão distorcida da realidade vira motivo de gozação, sendo rotulados cinicamente de “paranóicos” que sofrem de mania de perseguição e acreditam em teorias de conspiração.

Nada mais coerente. Afinal, para eles, o PT é mesmo um partido formado em sua totalidade por arruaceiros, trapaceiros e incompetentes que finalmente foram pegos metendo a mão na cumbuca. Logicamente, todos os seus membros, militantes e simpatizantes podem e devem ser execrados publicamente, para o bem do progresso e da liberdade do país! E os barões da mídia, desesperados para manterem seus privilégios e os daqueles que os financiam, sorriem satisfeitos. Se não concorda comigo, reflita sobre a possibilidade de jornalistas comprovadamente sérios, porém donos de opiniões abertamente críticas e posições políticas assumidas, como Marilene Felinto, José Arbex ou Mino Carta, serem convidados para assumir a posição de Ombudsman da Folha de São Paulo...

Enfim, tudo não passa do velho jogo de mentiras e ilusões criado sistematicamente pelos ideólogos e marqueteiros do pensamento único conservador e/ou neoliberal para desviar o foco do fato de que todo e qualquer veículo de comunicação tem sim ideologias, partidos e interesses que serão defendidos com unhas e dentes pelos que comandam as redações, sempre em nome de seus patrões. Alguns desses veículos, a exemplo do que é praticado nos países do dito “primeiro mundo”, já têm coragem de adotar, em editoriais, uma postura mais transparente sobre o que defendem e acreditam – e, assim, ganham credibilidade e respeito dos leitores que querem algo mais do que mentiras e manipulações grosseiras e preferem optar conscientemente por buscar informações em veículos nos quais identificam afinidades ideológicas.

Já os outros (a maioria, infelizmente), continuam a tratar seu público alvo com desdém, desrespeito e soberba. E para isso contam com o trabalho de jornalistas que se vendem à ideologia deles ou então que se consideram mesmo imparciais e isentos, sem se darem conta de que isso simplesmente não existe. Felizmente, essas táticas de guerrilha ideológica estão dando com os burros n’água e, como conseqüência direta, suas tiragens e credibilidade diminuem a cada dia. O fato de Lula se manter à frente na corrida presidencial e o PT continuar liderando a preferência do eleitor partidário, a despeito do massacre diário que ambos vêm sofrendo há um ano, é a maior prova disso.

Todavia, por mais que eu tenha tentado ser coerente ao expor minha humilde opinião, não tenham dúvidas: para os defensores da “imparcialidade” da imprensa (canalhas ou ingênuos), o texto acima não passa de um arremedo mal feito de teorias conspiratórias, fruto da minha paranóia e mania de perseguição. Afinal, como deixei claro no início, sou petista assumido, “parcial” e indigno de qualquer credibilidade. Mereço, portanto, ser execrado e ridicularizado publicamente...

Futebol: Um a zero, fora o baile

Estava na cara que o Brasil não ia longe nesta Copa do Mundo. E isso desde o primeiro jogo. A insistência do técnico Parreira, o conservador, em escalar um time pesado, duro e lento para disputar as partidas já deixava claro que torcer para a seleção seria algo penoso. Ainda mais quando tinha à frente jogadores que pareciam pop-stars, muito mais preocupados com suas contas bancárias e em aparecer nos melhores ângulos frente às câmeras do quem em "morder" a bola e jogar para o time.


Zidane: raça e determinação
superam o peso da idade


Quando vi o Ronaldinho Gaúcho entrar em campo com uma bandana com a letra R na testa (que ele tirou no intervalo, certamente constrangido depois do massacre francês) já previ: o Brasil vai perder. E não deu outra. Se para a França sobraram sobriedade, raça e vontade de vencer, para os canarinhos sobrou salto alto, empáfia e estrelismo.

Afinal, jogadores apáticos que se permitem ver um adversário consagrado como Zidane fazendo fila nos dribles e dando "chapéus" em seus companheiros sem tomar qualquer tipo de atitude, merecem mesmo a derrota - opinião que o Jorginho parece endossar ("Tinha que dar um bico no Zidane", diz lateral do tetra). Se bem que chamar os "astros" do Brasil de apáticos é até um elogio. Estavam mesmo é catatônicos, para não dizer acovardados.


Salto alto e máscara: Ronaldinho
Gaúcho e a bandana com a grife "R"


O problema maior não é ver o Brasil perder, mas sim vê-lo perder de forma tão humilhante. Com excessão de Lúcio, Juan, Zé Roberto, Robinho, Cicinho e do Goleiro Dida, o resto do time parecia composto por modelos fotográficos que desfilavam em campo como pavões e tiravam o pé de qualquer dividida, com medo de sujar as meias.

Culpar apenas o ridículo Parreira, que não sacou o grotesco Cafu depois de 15 minutos, voltou com o mesmo time no intervalo e colocou Robinho faltando míseros 11 minutos para o fim do jogo, não seria justo. A desclassificação do Brasil foi mais do que merecida e chegou até tarde, pois, tivesse enfrentado times melhores do que os que pegou até cruzar com a mediana seleção francesa, já teria sido eliminado bem antes.


Catatônicos: Parreira e Zagallo esperam a derrota
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...