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quinta-feira, 29 de junho de 2006

Crítica à mídia: Eu versus o Ombudsman da Folha de SP

Reproduzo abaixo correspondência que tenho trocado com o Ombudsman da Folha de São Paulo para quem estiver interessado em ler.

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MINHA MENSAGEM ORIGINAL:

Senhor Ombudsman,

por acaso sabe me responder porque o vosso jornal não dá o menor destaque para o escândalo em torno da Lista de Furnas, que já foi periciada e confirmada com autêntica pela PF, além de ser endossada pelo mesmo Roberto Jefferson, que era considerado como uma "fonte altamente qualificada" pelo vosso jornal quando fazia denúncias contra o PT?

Teria algo a ver com o fato dos denunciados serem, a maioria, do PSDB e do PFL e nenhum do PT? Usaria vosso jornal do famoso dois pesos e duas medidas? Ou será que o escâdalo de Furnas e os envolvidos nele não tem importância e, portanto, não merecem ser destacado em estrondosas manchetonas de primeira página?

Aguardo ansiosamente vossa resposta...

André Lux, Jornalista

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RESPOSTA DO OMBUDSMAN:

Caro André, tratei do assunto na coluna de domingo, que anexo. Grato,

Precipitação

Cobertura do jornal sobre o noticiário político erra ao publicar informações incompletas e que ainda carecem da devida comprovação

A FOLHA PUBLICOU na quinta-feira, com o título "CPIs terminam com muitos indiciados e poucos punidos", um grande balanço dos resultados das três Comissões Parlamentares de Inquérito que dominaram o noticiário político ao longo do ano passado e deste primeiro semestre, as CPIs dos Correios, dos Bingos e do Mensalão.

Ficou claro para os que acompanharam as atividades dessas comissões que todas elas se renderam aos acordos partidários, e isso certamente contribuiu para tolher as investigações. A imprensa tem uma responsabilidade parcial nos resultados frustrantes das CPIs. Em raros momentos ela conseguiu escapar da dependência das informações colhidas e manipuladas nos bastidores das comissões e avançar por conta própria.

Ainda agora vemos como a cobertura é falha. Nesta semana a Folha publicou duas reportagens que ilustram bem as nossas deficiências. Na segunda-feira, o jornal publicou um texto falho a partir do título -"João Paulo pode ter recebido R$ 30 mil a mais de Valério". João Paulo Cunha (PT) é o ex-presidente da Câmara e Valério é o empresário Marcos Valério de Souza, que ajudou o PT a levantar recursos para distribuição entre parlamentares.

A reportagem se desmancha já no título, que usa o verbo poder como uma possibilidade, mas sem nenhuma segurança. O título já deixa claro que não tem provas. É até possível que o deputado tenha realmente recebido mais dinheiro do esquema, mas as investigações dos técnicos da CPI dos Correios que abasteceram a Folha ainda não comprovam. Na quarta-feira, o jornal publicou uma longa carta do deputado que contesta a reportagem. Não vou entrar no mérito dos argumentos dele, que exercia ali o legítimo direito de defesa e que, se estiver mentindo, mais cedo ou mais tarde será desmentido pelas provas que aparecerão. Mas ele tem razão quando diz que o emprego do verbo "poder" neste caso indica "conjectura".

Outro caso parecido ocorreu na edição de sexta-feira, numa reportagem sobre a "lista de Furnas". A lista é um documento contestado com uma relação de políticos da oposição que teriam se beneficiado de verbas desviadas de Furnas para a campanha eleitoral de 2002. A oposição acusa o governo de ter forjado a lista, que é objeto de investigação da Polícia Federal.

A reportagem da Folha -"Cópia da lista de Furnas difere do original"- é baseada numa "carta apócrifa". Um jornal como a Folha não pode publicar uma reportagem baseada em "carta apócrifa".

Recebi do editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, a seguinte explicação: "A informação de que o original da lista de Furnas periciado pela PF não é igual ao xerox que o lobista fez circular no final de 2005 foi apurada pela Folha. O jornal não se baseou na carta apócrifa, mas em investigação própria com outras fontes. A carta "apócrifa", que, segundo afirma a mesma reportagem, foi escrita por assessores do PSDB mineiro, apenas registra a mesma informação. Talvez o texto não tenha deixado isso suficientemente claro".

Na minha opinião, o subtítulo e o texto deixam claro que a fonte do jornal é a tal carta.

Esses dois casos mostram como o jornal está sendo precipitado na publicação de informações não comprovadas. Nos dois casos relatados, ele tinha informações importantes para iniciar uma apuração própria em busca de provas. Mas preferiu publicá-las incompletas. O resultado é o descrédito.

Marcelo Beraba
Ombudsman - Folha de S.Paulo
Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar
01202-900 - São Paulo - SP
Telefone: 0800 159000
Fax: (11) 3224-3895
ombudsma@uol.com.br

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MINHA RÉPLICA:

Caro Marcelo, li sua coluna com atenção.
Seu texto faz críticas superficiais e ligeiras ao jornal (imagino que você não pode ir muito a fundo, caso contrário perderá seu emprego), porém não responde minhas perguntas, pois limita-se apenas a criticar o fato de a Folha ter "desconsiderado" a lista de Furnas baseado naquela carta apócrifa que todos nós sabemos ter sido escrita pela turma do PSDB.

O que eu quero saber vai além disso: por que seu jornal usa dois pesos e duas medidas quando as denúncias envolvem o PT e quando envolvem o PSDB/PFL?

Por que, quando a denúncia é contra o PT, é dada como "verdade absoluta", não importando o quanto as fontes são questionáveis ou que nada foi dado como prova? Vocês continuam falando no "Escândalo do Mensalão" quando, mais de um ano depois das primeiras denúncias do Roberto Jefferson, NENHUMA prova do suposto mensalão foi apresentada.

Você mesmo, na coluna que me enviou, comente um erro grosseiro ao chamar a CPI DA COMPRA DE VOTOS como "do mensalão". Por que? Um ato falho? Ou, de tanto ler a Folha, também já dá o tal "mensalão" como fato comprovado?

E a lista de Furnas, por que não está sendo denunciada da mesma forma, em manchetes garrafais na capa do jornal com as fotos dos "suspeitos" (Serra e afins) em destaque, como vocês fizeram com o PT? Por que as matérias que envolvem o PSDB, tais como a cobertura da convenção deles, não traz como chapéu algo como "Escândalo de Furnas", como a Folha tem feito com qualquer notícia relacionada com o PT nos últimos doze meses?

Você tem condições de responder honestamente essas questões todas?

Ou posso esperar mais control + C e control + V?

Sinceramente,
André Lux, jornalista

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RESPOSTA DO OMBUDSMAN:

Caro Andre,

Sinto desapontá-lo com a coluna. Não há risco de eu perder o emprego; o cargo de ombudsman tem sua independência garantida pela imunidade, como você, como jornalista, deve saber. Respondo todas as mensagens dos leitores com honestidade.

Grato,

Marcelo Beraba
Ombudsman - Folha de S.Paulo

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MINHA TRÉPLICA:

Ok, acredito em você Marcelo, embora o fato de ser jornalista não me credencia a conhecer as cláusulas de seu contrato com a Folha...

Mas, como ainda não respondeu minhas indagações, vou repetí-las:

O que eu quero saber:

1) Por que seu jornal usa dois pesos e duas medidas quando as denúncias envolvem o PT e quando envolvem o PSDB/PFL?

2) Por que quando a denúncia é contra o PT é dada como "verdade absoluta", não importando o quanto as fontes são questionáveis ou que nada foi dado como prova? Vocês continuam usado o termo "Escândalo do Mensalão" quando, mais de um ano depois das primeiras denúncias do Roberto Jefferson, NENHUMA prova do suposto mensalão foi apresentada.
Você mesmo, na coluna que me enviou, comente um erro grosseiro ao chamar a CPI DA COMPRA DE VOTOS como "CPI do mensalão". Por que? Um ato falho? Ou, de tanto ler a Folha, também já dá o tal "mensalão" como fato comprovado?

3) E a lista de Furnas, por que não está sendo denunciada da mesma forma, em manchetes garrafais na capa do jornal com as fotos dos "suspeitos" (Serra e afins) em destaque, como vocês fizeram com o PT? Por que as matérias que envolvem o PSDB, tais como a cobertura da convenção deles, não traz como chapéu algo como "Escândalo de Furnas", como a Folha tem feito colocando "Escândalo do Mensalão" em qualquer notícia relacionada com o PT nos últimos doze meses?

4) Se os deputados do PT que estão na lista do Valério são carinhosamente chamados pelo seu jornal de "mensaleiros" toda vez que são citados em reportagens, por que a turma do PSDB, PFL e afins não chamados de "furnasleiros" ou "sanguessuagaleiros" quando citados em outras matérias?

Aguardo seu retorno honesto, como sempre.

André Lux, jornalista

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P.S.: Ainda não recebi resposta à minha última mensagem acima - e duvido que venha a receber...

Política: Mensalão não existe

Na verdade, houve o valerioduto (Caixa Dois). Mas isso aconteceu com todos os partidos. Aliás, o primeiro a receber dinheiro de Marcos Valério foi o senador Azeredo, do PSDB e ex-presidente nacional deste partido. A mídia sabe que o mensalão não existiu, mas continua designando os deputados de mensaleiros. É que o termo pegou e, por esse motivo, não importa a mentira!

- por Jasson de Oliveira Andrade

O deputado Roberto Jefferson criou o termo mensalão, que a imprensa, escrita e falada, adotou. Ele se referia aos deputados que, segundo ele, recebiam mensalmente uma importância para votar com o governo. As investigações do Conselho de Ética da Câmara Federal não comprovaram essa denúncia do deputado petebista.

O que se descobriu é que alguns deputados receberam dinheiro do valerioduto, ou seja, do Caixa Dois, para o financiamento de suas campanhas. A verdade é que o mensalão, tão explorado pela mídia, inclusive pela imprensa do Interior, e pela oposição, nunca existiu, como veremos a seguir.

Bernardo Kucinski, no artigo "Confusão na crise do mensalão", analisou o assunto. O jornalista constatou: "Boa parte da população acha mesmo que houve corrupção, mas não está claro como aconteceu. A confusão foi produzida pela própria mídia, ávida por denúncias e mais empenhada em incriminar do que em investigar. A começar pelo próprio nome - "mensalão" - que se impôs pela repetição, como uma marca, e acabou virando seção fixa de jornal.

Deputados passaram a ser chamados genericamente de "mensaleiros". Ocorre que nunca foi provada uma relação entre pagamentos regulares e votações de deputados a favor do governo. (...) Jornalista e oposição ignoraram até mesmo as questões do senso comum: 1) Por que pagar "mensalão" a sete deputados do PT que já votam com o governo? 2) Por que deputados foram ao Banco Rural apenas uma ou no máximo três vezes, se era um "mensalão"? 3) Por que o governo teve dificuldade em aprovar projetos se estava pagando "mensalão" para que fossem aprovados? 4) Por que pagar "mensalão" a um deputado como Roberto Brant, do PFL, opositor ferrenho do governo?"

Roberto Brant recebeu dinheiro do valerioduto para financiar campanha de seu partido, o PFL de Minas. Por isso foi incluído junto aos outros 18 para ser cassado, mas a Câmara o absolveu, com votos, comentou-se, de pefelistas e também de seus aliados tucanos, os que mais falam em "mensalão" e "mensaleiros". Ao responder a uma pergunta da revista CartaCapital (O senhor chegou a ser classificado de mensaleiro), afirmou: "Pois é, um absurdo. O que seria o mensalão? Recursos que o Executivo teria repassado a integrantes da base aliada em troca de votos no Congresso. Sou do PFL, o partido que mais faz oposição ao governo. Muito mais até do que o PSDB. Como posso ser chamado de mensaleiro? Há falta de apreço pela exatidão e pela verdade".

Para se ter uma idéia da falsa acusação, o jornal O GLOBO, na primeira página, publicou assim a absolvição de Brant: "Câmara absolve pefelista do mensalão". A Folha noticiou em manchete também de primeira página: "Câmara absolve 2 do "mensalão". O jornal se referia a absolvição dele e do deputado Professor Luizinho (PT-SP). À respeito, o deputado Brant declarou: "No fim, estavam discutindo a minha cassação, que sou da oposição, e de deputados do PT. Pergunto: qual a razão que o governo teria para pagar mesada a parlamentares do PT? O (Professor) Luizinho, líder do governo na Câmara, precisava receber dinheiro para defender o Executivo? No meio da crise misturou-se tudo, até porque não se podia separar. Se começa a separar, fica racional. Se ela for racional, AQUILO DEIXAR DE SER UM INSTRUMENTO POLÍTICO (destaque meu). Não tem como administrar um esquema que paga mensalmente a deputados, ISSO NÃO EXISTE (destaque meu). Só pegou pelo inusitado, pela diversão. Virou algo caricato. A caricatura marca mais do que o retrato". Um fato que ninguém ainda comentou: se o mensalão era para pagar parlamentares, visando aprovação de propostas do governo, por que não se pagou o SUPOSTO mensalão aos senadores? Por que só aos deputados e assim mesmo apenas 19?

O mensalão não existiu. Na verdade, houve o valerioduto (Caixa Dois). Mas isso aconteceu com todos os partidos. Aliás, o primeiro a receber dinheiro de Marcos Valério foi o senador Azeredo, do PSDB e ex-presidente nacional deste partido. Por esse motivo, na Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), um bispo disse: "Ao falar de escândalos como o caixa 2, é preciso observar que uns (políticos) denunciam os outros, quando também eles fizeram a mesma coisa" (CNBB critica pseudomoralismo na política, Estadão de 13/5). Brant, na citada entrevista, também focaliza o problema: "Como tachar de corrupto um partido inteiro, o sistema de forças inteiro? Há políticos que desviam de conduta no PT, no PFL, no PSDB".

A mídia sabe que o mensalão não existiu, mas continua designando os deputados de mensaleiros. É que o termo pegou e, por esse motivo, não importa a mentira!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Filmes: "POSEIDON"

SEM SAL NEM AÇUCAR

Roteiro simplista, personagens vazios e excesso de efeitos deixam refilmagem de “Poseidon” sem qualquer dramaticidade

Para quem assistiu o “Destino do Poseidon” original, de 1972, fica impossível não compara-lo com essa refilmagem dirigida pelo alemão pau-para-toda-obra Wolfgang Petersen (de “Tróia” e “Força Aérea Um”). E o segundo perde feio no quesito dramaticidade. Culpa do excesso de efeitos especiais e do orçamento generoso (140 milhões de dólares) que transformam o filme em mais uma viagem de montanha russa, cheia de aventura e correrias, mas sem qualquer substância. Isso quer dizer que, tirando a adrenalina e a ansiedade gerada pelas intermináveis seqüências onde os personagens liderados por Kurt Russel e Josh Lucas escapam do perigo por um triz (com as ocasionais vítimas entre os coadjuvantes), não sobra mais nada no quesito emoção.

Mas o problema maior é da falta de sutilezas do roteiro, que falha em proporcionar qualquer tipo de aprofundamento nos personagens ou mesmo criar situações dramaticamente interessantes. A ausência de conflitos ou mesmo de personagens de caráter duvidoso também contribui para deixar o filme sem qualquer sal ou açúcar. No “Poseidon” de 2006 todo mundo é bonzinho, prestativo, disposto a se sacrificar pelo próximo e profundo como uma poça de água. Vejamos o personagem interpretado por Richard Dreyfuss, por exemplo. No início, descobrimos que ele é gay e quer se matar, pois acabou de ser abandonado pelo namorado. Qual a relevância disso no transcorrer do filme? Absolutamente nenhuma! O mesmo pode ser dizer de todos os outros, inclusive da latina que viaja clandestinamente (Mia Maestro, de "Diários de Motocicleta"), o ex-prefeito e ex-bombeiro (Russel), o ex-militar e atual jogador de cartas profissional (Lucas).

Esse tipo de abordagem simplista e superficial não gera qualquer empatia entre o público, que pode roer as unhas durante as cenas de perigo, mas não dá a mínima quando alguém morre ou se fere. E filme-catástrofe que não é capaz de gerar emoções jamais será memorável. O original podia ter menos recursos e situações de perigo, porém, mesmo longe de ser um clássico da sétima arte, tinha personagens mais humanos e interessantes, cujas personalidades, conflitos e deficiências eram explorados com calma e paciência, levando o filme numa crescente, onde o suspense girava em torno deles e não das pirotecnias visuais.

Já nesse típico subproduto da “era MTV”, onde mais (dinheiro, recursos, efeitos) geralmente quer dizer menos (drama, interesse, verdade), o que importa mesmo é COMO as pessoas vão morrer nas (ou escapar das) labaredas, inundações e destruições espetaculares, geradas por toneladas de efeitos visuais moderníssimos, porém geralmente vazios e redundantes, embalados por uma trilha musical “genérica” e barulhenta escrita por mais um desses compositores picaretas que abundam em Hollywood ultimamente (e pensar que a música do original era do mestre John Williams, ainda em início de carreira...).

Ou seja, dá para assistir se você não esperar muito, mesmo porque algumas tomadas de efeitos especiais são realmente muito bem feitas (especialmente quando a Tsunami vira o navio de ponta cabeça). É só forma sem qualquer conteúdo, daqueles que você esquece cinco minutos depois de sair da sala de projeção.

Cotação: * *

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Bernardo Kucinski: Confusão na crise do mensalão

Artigo originalmente publicado na Revista do Brasil

Boa parte da população acha mesmo que houve corrupção, mas não está claro como aconteceu. A confusão foi produzida pela própria mídia, ávida por denúncias e mais empenhada em incriminar do que em investigar. A começar pelo próprio nome - "mensalão" -, que se impôs pela repetição, como uma marca, e acabou virando seção fixa de jornal. Deputados passaram a ser chamados genericamente de "mensaleiros". Ocorre que nunca foi provada uma relação entre pagamentos regulares e votações de deputados a favor do governo.

Jornalistas e oposição ignoraram até mesmo as questões do senso comum:
1) Por que pagar "mensalão" a sete deputados do PT que já votam com o governo?
2) Por que deputados foram ao Banco Rural apenas uma ou no máximo três vezes, se era um "mensalão"?
3) Por que o governo teve dificuldade em aprovar projetos se estava pagando "mensalão" para que fossem aprovadas?
4) Por que pagar "mensalão" a um deputado como Roberto Brant, do PFL, opositor ferrenho do governo?

O noticiário omitiu sistematicamente que as empresas de propaganda ficam com apenas 15% a 20% do dinheiro que recebem dos clientes para o pagamento das campanhas na mídia.

Quando a Veja noticiou que empresas de Duda Mendonça receberam R$ 700 milhões em cinco anos, nunca esclareceu que, de cada R$ 100 recebidos, cerca de R$ 80 ficam para o veículo onde foi feito o anúncio. A própria Veja e outros veículos da Abril, por exemplo, faturaram R$ 11 milhões em anúncios via Duda Mendonça.

CPI e mídia acusaram fundos de pensão de desvio de dinheiro para o "valerioduto". Os fundos, que gerem centenas de bilhões de reais, contestam. "A imprensa preferiu fontes desqualificadas que alimentaram a desinformação", diz o presidente do fundo Petros, Wagner Pinheiro.

OS MECANISMOS DO LINCHAMENTO PELA MÍDIA

1. A mídia foi pautada diariamente pela oposição: acusações verbalizadas pela oposição de tarde, viravam manchetes factuais no dia seguinte.

2. Acusações que deveriam ser ponto de partida para uma investigação jornalística eram publicadas sem checagem. Bastava usar termos como "suposto", como observou Carlos Heitor Cony.

3. Os acusados não eram procurados para se defender e, quando eram, suas explicações eram tratadas com sarcasmo.

4. Surgiu um novo modo narrativo: basta ser indiciado para ser tratado como criminoso, mesmo que a acusação ainda esteja sujeita a ser rejeitada pela Justiça;

5. Nessa nova forma narrativa, escreveu o jornalista Carlos Brickman "qualquer medida judicial em favor de réus é chicana" e "qualquer absolvição é pizza, independente de prova". Qualquer declaração do acusador é, em princípio, aceita como verdade...

6. Nessa nova narrativa predominou a malícia. Em vez de elucidar os fatos, contextualizando-os e hierarquizando-os, optou-se pela desinformação e a suspeição.

7. Todo o fogo era dirigido apenas contra o PT. A grande imprensa ignorou, por exemplo, as denúncias contra o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, à lista dos doadores de Furnas. Ignorou ou relegou a segundo plano que o "valerioduto" foi criado pelo PSDB para a campanha de 1998 de Eduardo Azeredo, em Minas Gerais.

8. Palavras pesadas foram usadas com freqüência, sem pudor: "Palocci, estuprador de contas bancárias" (Augusto Nunes, no JB); "Lula, chefe da quadrilha" (Correio Braziliense); Ali Dirceu e os 40 ladrões"(idem).

9. Foi desencadeada uma perseguição incessante aos familiares de Lula e aos chamados "amigos de Lula", com arbitrária violação da vida pessoal.

10. Legitimou-se a linguagem preconceituosa contra Lula, inclusive por colunistas importantes; alguns jornalistas especializaram-se em descobrir em todas as falas de Lula uma "gafe".

11. Os meios de comunicação concentraram toda a cobertura na crise, desprezando acontecimentos importantes; Istoé deu 14 capas seguidas de crise; Veja deu mais de 20.

12. Depoimentos nas CPIs eram ignorados quando derrubavam acusações contra o governo.

13. Criou-se uma modalidade virulenta de jornalismo. Veja deu capas associan do o PT a animais (rato, burro), imagens posteriormente recicladas por articulistas na própria Veja e em outros veículos. Os nazistas fizeram isso com os judeus com o objetivo de derrubar toda e qualquer barreira psicológica ao seu extermínio.

14. Houve a "a tragédia da condenação sem julgamento", como disse em sua defesa o deputado do PFL Roberto Brant. Nenhum julgamento foi ainda feito na Justiça, mas na mídia e no imaginário social já estão todos condenados e suas imagens e reputações destruídas. Deu-se um linchamento midiático.

* Bernardo Kucinski é professor licenciado da ECA/USP, autor de vários livros sobre jornalismo e assessor da Presidência da República

terça-feira, 20 de junho de 2006

Boa notícia: Panfleto neoliberal de direita do PSDB abre falência

Não existe nada pior do que panfletagem ideológica travestida de "jornalismo analítico e imparcial". Quem já teve o desprazer de ler a revista "Primeira Leitura" sabe bem o que é isso. Criado pelos homens fortes do governo FHC para funcionar como uma espécie de propagador do pensamento único neoliberal incorporado pelo PSDB, o panfleto de direita, que já publicou pérolas escritas por extremistas como Olávo de Carvalho e manchetes bizarras como "O MST não existe", parece estar chegando ao fim de maneira melancólica.

Envolvidos em escândalos e denúncias, o panfleto tucano se despede de seus leitores de forma soberba e auto-indulgente, mas uma coisa fica clara nas entrelinhas: nem mesmo as velhas oligarquias e os empresários que se encantam com o projeto elitista e conservador da aliança PSDB/PFL estão querendo correr riscos de terem seus nomes e os nomes de suas empresas associados a tão repugnante veículo de propaganda do neofascismo.

Sinceramente, ninguém merece isso. Já vai tarde...

Falta de anunciantes provoca fechamento do ''Primeira Leitura''

Após envolver-se no escândalo da Nossa Caixa como veículos de comunicação beneficiados com verbas oficiais pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), o site e a revista Primeira Leitura encerram "sua trajetória". O projeto Primeira Leitura foi lançado pelo ex-ministro das Comunicações de FHC, Mendonça de Barros, que agora trabalha para o candidato Geraldo Alckmin. Reinaldo Azevedo, atual editor do falido site, promete para breve criar um blog, no qual continuará defendendo suas idéias direitistas.

Com um texto de despedida no qual culpa a falta de anunciantes como responsável pelo fracasso do projeto editorial fundado por Luiz Carlos Mendonça de Barros, o jornalista e editor Reinaldo Azevedo anuncia o fim do site e da revista Primeira Leitura que, por muitos anos, serviu como espaço de divulgação das idéias direitistas de setores do tucanato.

Recentemente, a revista e o site Primeira Leitura viram-se envolvidos no escândalo da Nossa Caixa. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a cúpula do Palácio dos Bandeirantes, quando era ocupada pelos tucanos, pressionou o banco oficial paulista para patrocinar, entre outros, anúncios mensais na revista e no site "Primeira Leitura.

Em recente entrevista à revista Imprensa, o jornalista Reinaldo Azevedo negou o favorecimento mas admitiu que a reportagem prejudicou a revista e o site, tirando-lhes anunciantes. Mas, na ocasião, ainda afirmava que o projeto editorial funcionava "no azul, mas estrangulado". O estrangulamento parece que chegou agora num patamar insustentável.

Na mesma entrevista, ao ser perguntado se a a fama de ser uma revista de direita era ruim para Primeira Leitura, respondeu: "Evidente que sim. Cada vez que metem essa pecha na gente, criam dificuldades com os anunciantes. A ironia das ironias é que a esquerda conseguiu cravar esse selo e os capitalistas ficaram com medo da gente".

No texto de despedida, que pode ser lido no site www.primeiraleitura.com.br, Azevedo afirma que "Nada nos faltou, a não ser, obviamente, anúncios em número suficiente para que o projeto pudesse seguir adiante".

Reinaldo Azevedo terá, em breve, um blog. Textos seus podem ser lidos nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.

Texto publicado no site Vermelho.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Opinião: Filmes em DVD

Aproveitei o feriado prolongado para tirar o atraso e ver em DVD alguns novos filmes que havia perdido no cinema e novos lançamentos obscuros. Confira abaixo, por sua conta e risco, minha opinião sobre eles...


CRASH – NO LIMITE

A Academia de cinema estadunidense acertou ao dar o Oscar de melhor filme de 2005 para “Crash”. Apesar de tratar de tema parecido – a intolerância –, o filme de Paul Haggis é ainda mais atual e pertinente do que "Brokeback Mountain”. O racismo é algo inaceitável, mas faz parte da nossa vida, gostemos ou não. E essa é a proposta do filme, colocar o dedo naquela ferida que ninguém gosta de ver.

O roteiro é brilhante e coloca vários personagens em tramas paralelas que, em algum ponto da história, acabam se cruzando. O racismo é tratado de forma realista, sem panfletagem ou moralismo, e não se limita ao ódio entre brancos e negros, abrangendo todo o tipo de preconceito racial, inclusive contra árabes, hispânicos e dos próprios negros contra outras etnias.

A boa notícia é que todos os personagens se comportam de maneira suficientemente humana para não existir “mocinhos” e “bandidos” no filme. Mesmo aqueles que, a princípio, parecem ser os melhores acabam cometendo atos deploráveis, da mesma forma que os pintados como pessoas desprezíveis tomam atitudes louváveis inesperadamente.

“Crash” reserva alguns momentos muito fortes e até chocantes, não por apelarem para violência gratuita ou clichês, mas justamente por serem encenados de forma tão natural que os deixam ainda mais próximos da realidade. O elenco impecável também ajuda, diga-se de passagem.

Ou seja, um filme que se vale a pena assistir, ainda mais quando é produto de uma cultura onde o racismo é algo explícito e declarado, embora isso faça a gente questionar: existe racismo “bom”? Será que o preconceito racial que existe no Brasil, velado e implícito, não é ainda pior do que o que existe nos EUA? Esse é só um exemplo do tipo de reflexão e polêmica que “Crash” certamente vai provocar nos espectadores. E isso, convenhamos, não é pouco.

Cotação: * * * *


PONTO FINAL

Esse filme do Woody Allen é uma decepção total. Fraco, bobo, arrastado e ilógico. E, se não bastasse isso, é um drama sem qualquer pitada de comédia que não passa de (mais uma!) reciclagem do conto “Crime e Castigo”, de Dostoievski, que o protagonista folheia no início e o próprio Allen já havia aproveitado antes, com mais sucesso, em “Crime e Pecados”.

Mas o elenco, encabeçado pelo andrógino Jonathan Rhys-Meyers (quase um sósia do Joaquim Phoenix), é particularmente fraco e os diálogos são banais e frouxos. A trama consiste na ascensão social de um tenista fracassado que se casa com a filha de uma família rica de Londres (mas poderia ser em qualquer lugar). Só que ele se engraça justamente com a noiva do cunhado (Scarlett Johansson, menos apática que de costume) e os dois acabam virando amantes.

A partir daí o filme fica extremamente previsível e, quando tudo termina absurdamente em tragédia, ameaça virar mais uma história policial – o que, felizmente, não acontece, pois a metragem já beirava às duas horas e não havia mais tempo para nada. Allen tenta disfarçar a sua total falta de inspiração acrescentando um recurso narrativo pseudo-esperto que sugere que está, na verdade, fazendo um estudo sobre o quanto a sorte ou o azar podem influenciar a vida das pessoas. O que seria interessante, caso o diretor não perdesse todo o tempo de projeção mostrando uma história absolutamente banal só para enfiar duas cenas que dão razão à tal pretensão sugerida, sem maior impacto ou conseqüência (mas parece que o truque funcionou, pois vários profissionais da opinião andaram louvando o filme!).

Poderia, ao menos, ter inserido comentários mais agudos sobre a realidade e a política social que move as altas castas gerando assim algum tipo de conflito ou reflexão, mas nem isso o filme tem – tanto é que os personagens secundários não têm nada a fazer ou dizer, virando mera decoração, e o protagonista não tem qualquer profundidade ou carisma, parecendo até meio catatônico.

Sinceramente, o filme é muito fraco e, a exemplo do também decepcionante “Melinda e Melinda”, dá claros sinais que Allen está precisando de umas boas férias ao invés de ficar insistindo em fazer um filme por ano. Às vezes, um bom descanso faz bem para que novas idéias surjam na cabeça de um artista...

Cotação: * *


PLANO DE VÔO

“Plano de Vôo” é mais um daqueles filmes que foram criados para serem uma coisa, mas, no meio do processo, acabaram virando outra. Concebido para ser uma espécie de “Duro de Matar” num avião, no qual um policial durão teria que enfrentar terríveis terroristas para salvar a vida do seu filho em pleno vôo, “Plano de Vôo” acabou virando um veículo para Jodie Foster exibir seus talentos, no que os produtores certamente consideraram uma espertíssima jogada: “Que tal ao invés do machão dando porrada, tivermos uma mulher indefesa e perturbada psicologicamente lutando para reaver a filha que desapareceu no avião”?

Pois bem. Sumiram então os terroristas e o filme se esforça para ser o que não é. Para isso, usa recursos que buscam “enganar” o espectador (sempre uma má idéia, segundo o mestre Hitchcock) na tentativa de se vender como um suspense psicológico, no qual uma mãe (Foster), que acaba de perder o marido num trágico acidente (seria suicídio?), tenta recomeçar a vida voltando para os Estados Unidos junto com sua filha. No avião (na verdade um super-avião moderníssimo que ela ajudou a projetar) vai o caixão com o corpo do marido. Só que, ao acordar de um cochilo, percebe que sua filha sumiu. E começa a corrida dela para tentar convencer a todos que a menina foi seqüestrada.

A partir daí o diretor usa uma série de recursos dramáticos para tentar nos convencer que a protagonista pode sim estar sofrendo de ilusões paranóicas, já que ninguém havia visto sua filha entrar no avião ou mesmo ao lado dela (!). Depois, no auge da sua crise de histeria, é informada que a filha havia mesmo morrido junto com o pai - e acredita (!!). Será mesmo que foi tudo um sonho e ela entrou no avião sozinha, imaginando ter a filha morta ao seu lado?

Infelizmente, como todo filme de suspense estadunidense, esse questionamento dura pouco e logo somos informados que tudo não passava de um plano criminoso perfeito, cujos detalhes não vou revelar para não estragar as “surpresas”. Basta dizer que para dar certo, precisava contar com imensos “saltos de lógica” por parte dos vilões, os quais previram, por exemplo, que realmente NINGUÉM ia ver a mãe com a filha no avião (sem esse detalhe o tal plano iria por água abaixo), entre outros absurdos dignos de gargalhadas. Ok, justiça seja feita: o filme é bem feito e usa vários efeitos digitais para “incrementar” o super-avião e até consegue manter algum grau de suspense enquanto a trama não é revelada, contando para isso com o bom desempenho da competente Jodie Foster.

Mas é muito pouco para salvar um projeto que já nasceu errado e, depois, só piorou. Enfim, uma bobagem comercial que tenta, sem sucesso, se vender como algo diferente.

Cotação: * *


POR AMOR OU POR DINHEIRO?

Filme francês francamente bizarro, daqueles que não deixam claro ao que vieram. Uma mistura de comédia de humor negro com sátira social, vale pela presença da sempre bela e voluptuosa Monica Belucci, que aparece semi-nua com freqüência.

Conta a história, sempre de uma maneira meio surreal, de um sujeito que diz a um prostituta (Belucci) ter ganhado na loteria e a convida para morar com ele, com pagamentos mensais. Obviamente, ela aceita e, a partir daí, o filme vai ficando cada vez mais esquisito, com um clima de comédia de absurdos, onde os atores desempenham seus papéis na mais absoluta seriedade enquanto as situações bizarras se acumulam.

E o riso surge justamente desse contraste (inclusive com o uso de uma trilha sonora exagerada que busca acentuar isso), mas não o bastante para tornar o filme memorável ou mesmo recomendável. Gerard Depardieu tem um papel pequeno, mas sempre é uma presença interessante. Além disso, tem uma fotografia bonita e o diretor Bertrand Blier busca sempre enquadramentos inovadores e uma edição fluída.

Verdade seja dita, embora tenha alguns momentos bem divertidos (como a discussão com a vizinha incomodada pelo barulho dos gemidos da prostituta, a intrusão dos colegas de escritório do protagonista e a festa final), parece que o negócio dos realizadores era mesmo deixar Mônica Belucci peladona o maior número de vezes possível no set de filmagem! Pelo menos disso não podemos reclamar.

Cotação: * * *


A MARCHA DOS PINGUINS

O filme é bonito, muito bem fotografado e conta um fato interessante, que é justamente a tal marcha do título, empregada pelos pingüins Imperadores para se acasalarem, enfrentando de forma emocionante todos os tipos de dificuldades, como frio terrível, tempestades, fome e o ataque de predadores.

Mas, por mais que tente disfarçar, não deixa de ser um documentário sobre a vida natural e, nesse quesito, deixa a desejar. Faltam muitas informações a respeito do comportamento dos animais, suas motivações e sobre as técnicas usadas para garantir a sobrevivência dos filhotes. O diretor optou por tentar transformar o documentário numa espécie de drama épico ao dar vozes aos pingüins, mas isso soa quase sempre forçado, piegas e, infelizmente, bem pouco informativo.

Melhor seria se tivesse utilizado uma narração mais neutra ou letreiros explicativos. Do jeito que ficou, inclusive abusando de canções de ninar bem fraquinhas (embora a trilha incidental, da mesma autora, seja muito boa), acaba resultando em algo mais próximo de um filme infantil, onde os bichinhos “falam” como se fossem humanos sobre sua condição e necessidades. Por isso, pode funcionar melhor como um “filme família” (e é sempre bom educar os mais novos sobre a importância de respeitar a natureza), mas como cinema documental não chega a cumprir suas promessas.

Cotação: * * *

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Pesquisas: Lula está com tudo...



CNI/Ibope: Avaliação positiva do governo sobe 6 pontos;
Lula teria 63% dos votos válidos

A avaliação positiva do governo federal aumentou em junho, de acordo com a pesquisa de opinião CNI/Ibope. Os que avaliam o governo como ótimo ou bom representam 44% dos entrevistados. Em março passado, data da pesquisa anterior, essa parcela era de 38%. A evolução supera a margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais. Com o resultado, a avaliação positiva retorna a patamar semelhante ao de junho de 2003 (43%), ou seja, no início do mandato e antes das denúncias de corrupção no governo.

A avaliação negativa, ou seja, a fatia que acha o governo ruim ou péssimo, soma 19% em junho, contra 22% de março. Com isso, a diferença entre a avaliação positiva e a negativa passou a ser positiva em 25 pontos - em março, era de 16 pontos percentuais positivos.

Em relatório, a CNI diz que a melhora na avaliação do governo ocorreu em quase todos os segmentos pesquisados, com exceção da camada que recebe mais de 10 salários mínimos por mês. A recuperação se deu com mais fôlego na faixa etária de 25 e 29 anos, na qual 46% consideram o governo ótimo ou bom.

A pesquisa detectou ainda um " vigoroso " movimento de aprovação do governo na região Sudeste, onde 43% dos consultados avalia o governo como ótimo ou bom. Em março, esse percentual era de 35% na região. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 a 7 de junho, com 2.002 entrevistas em 143 municípios.

Aprovação à atuação de Lula sobe 5 pontos e cresce confiança no presidente

A pesquisa de opinião CNI/Ibope mostrou aumento de 5 pontos no índice de aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O patamar passou de 55% em março para 60% em junho. O índice de desaprovação a Lula caiu nessa comparação, de 39% para 34%. O saldo entre aprovação e desaprovação ficou positivo em 26 pontos.

Para detectar esse índice, os pesquisadores perguntam aos entrevistados se aprovam ou não a maneira com que o presidente Lula está governando o Brasil.

Para a CNI, houve aumento na aprovação de Lula em todos os segmentos, exceto entre os entrevistados com renda superior a 10 salários mínimos - cuja desaprovação subiu de 46% em março para 59% em junho e a aprovação caiu de 51% para 31%.

É na região Nordeste que Lula continua com a maior popularidade: 73% dos consultados aprovam e 22% desaprovam a atuação do presidente.

A nota média dada ao governo Lula em uma escala de zero a 10 ficou em 6,4 em junho, pouco acima dos 6 dados pelos consultados em março. Em junho de 2003, a nota média fora de 6,9, a mais alta já obtida pelo governo.

A parcela da população que diz confiar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 56% em março, diz pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Instituto Ibope. A parcela dos que não confiam no dirigente do país caiu para 39%. Trata-se de uma melhora quanto aos percentuais obtidos na pesquisa de março, quando 53% confiavam e 43% não confiavam em Lula.

O saldo de imagem - que indica o total dos que confiam menos os que não confiam - ficou positivo em 17 pontos percentuais.

Lula amplia vantagem sobre adversários

Pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem sobre todos os possíveis adversários em relação à posição de março de 2006. Se as eleições presidenciais fossem hoje, no primeiro turno Lula teria 48% dos votos, acima da posição de março, quando estava com 43%. O tucano Geraldo Alckmin teria 19% - o mesmo percentual de março. Estes dados são referentes à pesquisa estimulada, na qual o Ibope apresenta uma relação de prováveis concorrentes.

Já na pesquisa espontânea, a CNI chama a atenção para o expressivo percentual de entrevistados - 46% - que manifestou ainda não ter preferência por qualquer candidato. Nessa formulação, Lula sobe de 27% para 32% e Alckmin, de 4% para 8%.

No segundo turno, Lula cresceu de 49% para 53%, enquanto Alckmin caiu de 31% para 29%.

Lula tem menor rejeição e mais fidelidade entre eleitores e é o mais conhecido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfruta do menor índice de rejeição entre todos os possíveis candidatos à Presidência da República, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. Ao mesmo tempo, ele também possui o maior índice de fidelidade entre os eleitores. É a primeira vez nesse ano que o instituto faz esse levantamento.

Questionados sobrem quem não votariam, um total de 28% dos eleitores ouvidos pela pesquisa apontaram o presidente Lula. Uma parcela de 34% indicou o candidato tucano à Presidência, o ex-governador Geraldo Alckmin, enquanto 36% lembraram da senadora Heloísa Helena, candidata do PSOL. O senador Cristovam Buarque (DF), o presidenciável do PDT, teve 29% das menções.

À pergunta "em quem você votaria com certeza" --que gerou o chamado índice de fidelidade- o presidente Lula foi alvo de 46% das respostas, seguido por 17% para Alckmin, 6% para Heloísa Helena e 1% de Cristovam Buarque.

O presidente Lula também apresenta o menor índice de desconhecimento entre todos os pesquisados. À pergunta "para cada um desses nomes, diga se você conhece o suficiente para opinar", somente 1% responderam negativamente no caso do presidente Lula. No caso de Alckmin, uma parcela de 18% dos eleitores ouvidos mostraram desconhecimento. Para a Heloísa Helena foi 30% e no caso de para Cristovam Buarque, 58%.

Fonte: http://www.informante.net/

Entrevista: Zé Dirceu alerta esquerdistas que se deixam manipular pela mídia

Muito boa essa entrevista do Zé Dirceu. Novamente, ele alerta a todos - especialmente os esquerdistas mais à esquerda (seja lá o que isso quer dizer) - sobre os perigos de se deixar pautar pela mídia fascista, que apoia e incentiva a postura reacionária contra alianças e em favor do "purismo" político, caminho que certamente levará o PT de volta à estaca zero e a direita de volta ao poder...

Dirceu: "(...) Agora, durante esse processo todo, a mídia apoiou as facções dentro do PT que aceitavam a leitura da direita sobre a crise. Se você olhar o noticiário, vai perceber: todo mundo que se opôs a mim, que queria me tirar da chapa do campo majoritário (na eleição interna do PT), que queria me expulsar, foi apoiado pela imprensa. Diziam que era eu que estava derrotando o Tarso Genro, que eu estava articulando, sendo que eu estava afastado. Se você olhar como se comportou o jornal O Globo dentro da luta interna...eles tomaram partido. Basta observar como a mídia promoveu o PSOL..."

Entrevista:
José Dirceu critica imprensa e mostra que está na ativa

Em entrevista à revista Imprensa, onde foi questionado sobre o papel da mídia na crise política, o ex-ministro José Dirceu fez duras acusações à manipulação política promovida pelos grandes veículos de comunicação, principalmente pela mídia paulista. Segundo ele, "a mídia discursa em nome da volta dos tucanos para o governo". Dirceu também afirmou que, no momento, sua prioridade, como militante político, é a reeleição do presidente Lula.

Confira abaixo alguns trechos da entrevista feita pelos jornalistas Pedro Venceslau e Rodrigo Manzano

Qual foi o maior erro seu e do governo em relação à imprensa?
José Dirceu – Um dos grandes erros que nós cometemos foi subestimar o papel da mídia conservadora no governo Lula e no processo político brasileiro. A mídia sempre tomou partido.

Em nome de quem essa mídia conservadora está discursando?
Dirceu – A mídia discursa em nome da volta dos tucanos para o governo, em nome da aliança PFL-PSDB. Ela é anti-PT. Tomou partido dentro do governo e das disputas internas partidárias. Quando o PT era um partido que não fazia aliança, era criticado pela imprensa por isso. Depois, quando começou a construir um programa mínimo, construíram a imagem que o partido se descaracterizou, que ficou igual ao PSDB. Agora, durante esse processo todo, a mídia apoiou as facções dentro do PT que aceitavam a leitura da direita sobre a crise. Se você olhar o noticiário, vai perceber: todo mundo que se opôs a mim, que queria me tirar da chapa do campo majoritário (na eleição interna do PT), que queria me expulsar, foi apoiado pela imprensa. Diziam que era eu que estava derrotando o Tarso Genro, que eu estava articulando, sendo que eu estava afastado. Se você olhar como se comportou o jornal O Globo dentro da luta interna... eles tomaram partido. Basta observar como a mídia promoveu o PSOL...

Quando você fala em mídia está se referindo exatamente a quem? Eles agem em bloco?
Dirceu - Em alguns momentos eles se articulam e estabelecem uma agenda e uma pauta comum. Se você lesse, durante a crise, os quatro grandes jornais do país, via que eles tinham o mesmo conteúdo. Só que eles não assumem suas posições abertamente, em editorial...

Nem a Veja?
Dirceu – A Veja, em petit comité, assume que apoiou o Serra em 2002. Eles fizeram campanha. Às vezes, fazendo bravata, eles assumem isso. A mídia de São Paulo, em geral, elegeu o Serra prefeito antes da eleição. Ele nem precisou fazer campanha. Eles desconstruíram o governo da Marta, que foi o melhor que a cidade já teve. A mídia, inclusive a Folha de S.Paulo, que é serrista, desmontou a gestão Marta.

O maior inimigo do governo nas bancas é a Veja?
Dirceu – A Veja está desmoralizada, apesar de ter criado um eleitorado próprio, uma base social, que é de direita. A Abril associou-se à Nasper (grupo empresarial sul-africano), que é a direita dos neoconservadores. A notícia, hoje, em geral, aparece totalmente editorializada. Veja o "Bom Dia Brasil", por exemplo. Podia chamar "Nossa Opinião Brasil". Eles dão opinião o tempo todo. Não tem notícia. Não ouvem o outro lado. Fica lá o Renato Machado, dando opinião...Me assusta essa tendência de haver só um lado de opinião nos jornais.

E o Diogo Mainardi...
Dirceu – Ele é o pistoleiro da Veja. Geralmente, os donos dos meios de comunicação contratam pistoleiros para matar a honra das pessoas. E pagam bem para isso. Aquilo que o manual de redação proíbe, é feito pelo pistoleiro ou por um "Painel" de notinhas. Diogo Mainardi não tem credibilidade nenhuma.

Como você avalia a saída do Franklin Martins da Globo?
Dirceu – Fiquei estarrecido. Não sei exatamente o que aconteceu, mas ele tinha uma opinião divergente, ou pelo menos plural. Isso pode significar uma tendência de um certo macartismo na imprensa. As notícias que nós temos é que houve muita pressão nas reações contra os jornalistas que não estavam na corrente geral para derrubar o PT e o governo Lula.

Você mantém alguma estrutura fixa de comunicação para responder a todas as reportagens?
Dirceu – Eu tive, até janeiro, uma assessoria de imprensa. Leio todo dia cedo uns quatro clippings de jornais. Também dou uma olhada na Internet de manhã. Agora, estou contratando uma empresa de assessoria de imprensa. Parei de dar entrevistas...

A demanda ainda é muito alta?
Dirceu – Tenho uma demanda represada de praticamente todos os jornais e revistas. Mas parei de dar entrevistas. A minha principal meta é a reeleição do Lula.

Quantos processos vocês está movendo contra a imprensa?
Dirceu – Contra o irmão do Celso Daniel e outro contra a Veja.

E contra a IstoÉ Dinheiro, que fez aquela matéria sobre a moto Harley Davidson que você teria comprado?
Dirceu – Vou processar também. Eles procuraram meus advogados oferecendo um acordo, de fazer uma entrevista onde ficaria claro que a matéria não correspondia aos fatos. Mas não vou fazer acordo. Vou processar a revista e o jornalista. Não dá mais...Essa matéria, por exemplo, das contas no exterior, feita pela Veja. É uma matéria covarde, que faz um habeas corpus preventivo. Ela mesma diz, a mando dos advogados, para escapar de um processo, que a matéria não é verdadeira. A imprensa em geral desceu um nível do tempo que a imprensa apoiava a OBAN e o DOI-CODI.

A mídia ainda tem um certo fetiche com você...
Dirceu – Tem essa história que a Folha divulgou, de que eu fui vaiado no aeroporto. Eles demoraram 10 dias para publicar minha carta. O "Painel" da Folha afirmou que eu pedi para ir para a sala VIP da Varig, como se eu estivesse me escondendo. Em primeiro lugar, eu tenho direito à sala VIP, porque sou cliente diamante. Em segundo lugar, nunca viajei para o México pela Varig. Em terceiro, nunca fui vaiado. No caso do Genoíno, publicaram que ele foi vaiado no restaurante Famiglia Mancini. Só que ele não vai lá há anos. Eles não estão publicando notícia, estão mobilizando a base social deles para nos vaiar e nos hostilizar nos locais públicos, como se estivéssemos sendo condenados pela sociedade. É evidente que tem uma parcela que me condena. Tenho consciência da imagem negativa que tenho junto a uma parte importante da sociedade. Mas tem muita gente que me apóia. A oposição que existe a mim é maior do que a que existe ao Lula e ao governo, até pelo papel que eu joguei. É uma acusação improcedente, mas foi feita. Ninguém sabe dizer porque fui cassado. Enfim, o fato é que nunca fui hostilizado em local público.

E aquela palestra na PUC?
Dirceu - Isso é natural. Qualquer político do PT que for lá defender o Lula vai ser hostilizado. A maioria do pessoal era tucano ou do PSOL e PSTU. Eles começaram com "vai tomar no cu"...Isso foi mais o pessoal do PSOL. Começaram a jogar papel. É uma disputa política. Parte da mídia mobiliza sua base social contra nós.

Quais os veículos estão mais engajados nesta mobilização?
Dirceu – Os mais engajados são o Estadão, a Veja e O Globo, que trabalhou abertamente para me depor e, depois, pela minha cassação. A Folha vai e vem. Os processos contra mim são kafkianos.

Jornalistas de Brasília costumam dizer que você, quando era ministro, era muito arrogante com os jornalistas.
Dirceu - Minha relação com a imprensa era pautada pelo meu cargo e por minhas relações com o presidente. Isso limitava meu off , por exemplo. Não falei em off e paguei caro por isso. Em on, eu falava. Só que a imprensa está viciada na troca de informação, na intriga e na disputa interna. Eu nunca fiz isso. Errei porque devia ter construído uma relação de passar mais informações para a imprensa sobre os assuntos que estavam na Casa Civil. Eu devia ter organizado de outra maneira minha assessoria. Mas mesmo que tivesse organizado...Hoje existe um comportamento muito vil em alguns setores da imprensa. Se você não dá off, eles começam a falar mal, a te atacar. Se você se recusa a uma entrevista, vem represália. Começam a aparecer charges, te dão apelido, fazem notinha.

A entrevista completa pode ser conferida na edição 213 da revista Imprensa, à venda nas bancas. O texto acima você lê no site do Vermelho.

Copa do Mundo: Brasil jogou com um a menos



Não sou muito chegado em futebol - não no esporte em si, mas sim no fanatismo que o cerca, muitas vezes irracional e cego em minha opinião.

Mas, assistir a um bom jogo eu gosto, é claro. Não foi o que aconteceu na estréia do Brasil na Copa da Alemanha. O time estava desencontrado e parecia meio morto em campo, principalmente no segundo tempo, onde, se não fosse o goleiro Dida e a falta de talento natural dos croatas, a seleção teria levado uns dois gols!

O que mais impressionou, todavia, foi a grotesca performance do Ronaldo, vulgo "O Fenômeno", que estava mais para Ronalducho, o Gordo. O cara simplesmente não se mexia, parecia pregado em campo. E, quando conseguiam lançar a bola para perto dele, Ronalducho não conseguia nem sair do lugar ou então matava de canela e entregava a bola ao adversário.

Vejam o que disse o zagueiro Kovac, encarregado de marcar o Ronalducho: "Foi muito fácil. Eu já tinha jogado contra ele antes e tinha sido muito difícil. Eu não sei o que aconteceu com ele", afirmou à BBC o defensor. "Ele não correu e ficou parado em frente de nós. Ele deve estar cansado. Ele mal tocou na bola", acrescentou Kovac.

Ou seja, enquanto o irritadiço e avesso a críticas "Fenômeno" ficou em campo, o Brasil jogou com dez. Só depois, com a entrada de Robinho, novo ânimo foi injetado no time. Mas, claro, não foi suficiente para tirar os outros da letargia que parecia ter contaminado a todos. Se continuar assim, vão tomar um ferro feio quando pegarem um time mais qualificado que a Croácia... Ou alguém sonha que um argentino ou um italiano vai mesmo ficar chutando todas em cima do goleiro?

E aí os brasileiros, que continuam achando que o Brasil é apenas um time de futebol, vão ficar tristes e nervosos. Só espero que não culpem o Lula também - porque a nossa ridícula imprensa corporativa certamente vai dar um jeito de responsabilizar o presidente petista por um possível fracasso da seleção canarinho...

terça-feira, 13 de junho de 2006

Alerta aos petistas e simpatizantes: CUIDADO COM O SALTO ALTO!

Realmente é assustador esse clima de "já ganhou" que começa a tomar conta de companheiros e companheiras de luta...

Estamos mesmo falando do Brasil?
O mesmo país que viveu 21 anos sob uma ditadura militar, comandada por golpistas sem escrúpulos que torturaram e mataram centenas de pessoas e estão vivos e atuantes até hoje (muitos no próprio congresso, senado e afins)?
O mesmo país onde Lula PERDEU três eleições de virada, depois de aparecer como favorito em pesquisas durante meses?

Sinceramente, a gente precisa acordar. Muita coisa ainda vai rolar até outubro. Muita coisa!

Esqueceram com quem estamos lidando?
Esqueceram quem está por trás deles?
Esqueceram dos interesses que estão em jogo?
Esqueceram que para esses senhores de engenho modernos mandar prender, torturar e matar não custa nada?

Se a nossa "justiça" não consegue enquadrar nem assassinos confessos com Suzane Von Richtofen ou Pimenta Neves, que são café-pequeno, imagina então um ACM ou um Bornhausen da vida...

O Lula ganhou em 2002 porque a direita deixou! Como estavam sem fôlego e foram atropelados pela nova estratégia do PT de deixar o discurso radical de lado e partir para selar alianças mais ao centro, acharam que Lula não ia ter competência para reverter a situação caótica deixada por FHC e daí iam voltar ao poder, triunfantes, como salvadores da pátria (e mais um empréstimo milionário do FMI no bolso para "maquiar" a quebradeira) e detonar o PT de vez! Mas Lula reverteu... e daí a direita partiu para o plano B, acionando os cavalos de tróia que estavam infiltrados no PT e no governo. Alguém duvida disso?

Ah, tá... a culpa disso tudo foram as "alianças espúrias". Tenham dó... até quando vão continuar falando nisso! Sem essas benditas alianças o Lula não teria sido eleito e a gente estaria agora discutindo sobre as ações do Serra na presidência e organizando passeatas contra a privatização da Petrobras, com Roberto Jefferson à frente da tropa de choque dele!

Quer dizer que a crise "santificou" o PT novamente? Que é isso... desde quando o PT foi o partido dos santos? Desde nunca! Os caras vivem de política. O ganha pão deles é esse! E política, infelizmente, é algo sujo, ainda mais num país como o nosso, onde coronéis grotescos ainda dão as cartas em muitos estados... E, convenhamos, se querem eleger "santos" é melhor então votarem na turma que faz parte do Opus Dei e da TFP, não é mesmo?

Se para nós, que somos meros militantes, já é difícil conciliar a vida profissional com a militância, imagine para esses caras que vivem da política e estão com a cara à mostra! Será que eles conseguem, depois disso tudo, vender serviços para empresas comandadas por fascistas de terno e gravata para ganhar o pão de cada dia, como a maioria de nós faz? Fácil pra gente ficar julgando quem está lá, na boca do leão apenas com uma faca e um escudo na mão!

Estou farto desses julgamentos morais todos feitos contra pessoas como o Zé Dirceu que, bem ou mal, é o responsável direto pela eleição do Lula! Será que nós, do alto do nosso cavalo branco da moral, conseguiríamos o mesmo? E outra, por que será que a direita e sua mídia fascista vieram com tanta fúria em cima do Dirceu se ele é assim tão ruim para o partido?

E desafio: será que todos que vivem julgando e condenando o Dirceu e cia. conseguem sobreviver a uma devassa em suas vidas pessoais? Será que nunca sonegaram um imposto, ou subornaram um guarda de trânsito, ou traíram um(a) namorada(o), ou usaram drogas ilícitas, ou dirigiram embriagados, ou fizeram uso do serviço de empregadas domésticas sem recolher impostos e sem registro profissional, ou ... (preencha aqui por sua própria conta).

Repito: será que sobrevivem mesmo a uma devassa dessas, onde cada vírgula errada no preenchimento dos vossos impostos de renda será usada como manchete no Estadão e na capa da VEJA pedindo por linchamento? Vejam os filmes O INFORMANTE ou SYRIANA, que falam um pouco sobre esse processo de desconstrução das pessoas...

Esse purismo todo é bonito e realmente ficará lindo nos livros de história da esquerda. Eu choro quando leio as palavras sublimes e geniais de gente como Lenin ou Trotski. Pena que a maioria desses caras está morta e enterrada há décadas! Será que se estivessem vivos e aqui ao nosso lado manteriam a mesma retórica??

Não me entendam mal, acho ótimo manter a luta pela ética e pelo purismo sempre viva, porém não podemos esquecer que lutamos uma guerra imunda, na qual o adversário vai usar de tudo para nos vencer. TUDO!

Vivemos idolatrando revolucionários como Che Guevara, mas esquecemos que ele matou um monte de gente com armas fabricadas nos EUA e em outros países imperialistas, não é mesmo? Aí eu pergunto aos puristas, os fins justificam os meios? Parece que para o Che a resposta era SIM! E para nós, puristas idôneos anti-alianças e defensores da moral e da ética tupiniquim, não vale? Ou só vale para revoluções armadas? A proposta então é deixarmos a direita governar até que possamos organizar a revolução no Brasil, quando aí sim vamos mandar nosso purismo e ética às favas para derrotar na bala as oligarquias? É sério isso?

Vamos, em nome desses conceitos belíssimos, deixar a direita retomar o poder e voltar a destruir nosso país e dizimar os menos favorecidos, provocando um efeito dominó em toda a América latina que vai detonar Chávez (o queridinho dos ultra-esquerdistas), Evo, etc., etc? É pra isso que servem tantos conceitos? Para que, enquanto o nosso mundo afunda num mar de lama e de sangue, a gente fique em cima de um pedestal, com o nariz empinado, dizendo: "Vamos ver o mundo acabar, mas com nossa honra intact... glub, glub!"

Ser socialista é isso, então? Desculpem, mas não pra mim.

Acorda minha gente!!
A coisa vai ficar muito preta daqui pra frente. A turma da direita já sabe que as táticas deles não estão dando certo, que as coisas mudaram, que a mídia corporativa não está mais fazendo corações e mentes como fazia antes. Por serem conservadores, eles demoraram para perceber que o país havia progredido e que simples denúncias de corrupção generalizada e fomentar o medo não bastam mais para manipular a maioria. E isso nos deu muita vantagem, até agora. Mas a letargia deles não vai durar e eles não vão cometer os mesmos erros. Virão babando daqui pra frente.

Ou será que nossa "democracia" já está assim tão consolidada que podemos mesmo dormir tranqüilos, pois o nosso Estado de Direito está garantido e protegido contra qualquer golpe ou virada de mesa? Dá até arrepios pensar isso! Era só o que faltava mesmo, alguém dizer isso para justificar tamanha arrogância e ingenuidade sobre a situação atual do país e esse clima de "já ganhou" e de defesa do purismo acima de tudo...

Não vamos nos esquecer da campanha pela proibição de venda de armas. O "sim" estava ganhando tranquilamente em todas as pesquisas, até começar a campanha pra valer na TV e no rádio, com apoio brutal da mídia e da indústria bélica a favor no "não". Deu no que deu! Teve até muitos petistas que votaram no "não", plenamente convencidos que poder comprar uma arma de fogo feita para matar outro ser humano é "um direito inalienável" de todos!!

Encerro com um apelo: tirem o salto alto e o tapa olho ideológico e enxerguem o mundo real por uns minutos. Lula não está à frente nas pesquisas porque o povo brasileiro despertou do seu estado de torpor e ganhou consciência de classe e ideológica.

Lula está na frente porque seu governo está ajudando as pessoas de baixa renda a terem uma vida mais digna. E porque a direita errou na estratégia. PONTO.

Precisamos de uma corrente para reeleger Lula e quem quiser entrar nela, TEM QUE SER BEM VINDO! Não se trata de "vender a alma ao diabo" para ficar no poder, pois, CARAMBA, o "diabo" já está contra nós e vem pra cima babando agora, mais do que nunca! É o "diabo" que quer voltar ao poder e para isso vai fazer das tripas coração para nos derrotar, de qualquer maneira, sem qualquer escrúpulo.

Se duvidam, revejam a foto abaixo e refresquem vossas memórias curtas:

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