quinta-feira, 25 de maio de 2006

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Bomba: Lembo ataca omissão de tucanos e elogia apoio de Lula.

Sinceramente, por essa ninguém esperava.

O Cláudio Lembo, do PFL, atual governador de São Paulo deve estar muito, mas muito puto da vida com a tucanada que entregou a ele um Estado totalmente falido e caótico. E agora, que a bomba explodiu na cara dele, fingem-se de mortos e quando vêm a público é para dizer asneiras...


Lembo ataca "elite branca e má", ironiza Alckmin, Serra e FHC e elogia apoio de Lula.

Em entrevista a Mônica Bergamo da Folha, o governador de São Paulo diz que a burguesia brasileira "é cínica", revela que Alckmin só ligou duas vezes, Serra e FHC nenhuma, e que Lula foi "elegante e solidário".



"A burguesia é cínica e perversa", diz Lembo

Quinta, 18 de maio de 2006, 07h32

"Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para esse País"

O governador Claudio Lembo, de 71 anos, viveu desde a noite da sexta-feira, 12 de maio, sob brutal pressão. Nesses dias em que o crime organizado atacou o Estado, o governador de São Paulo viu-se abandonado. Não pelas suas polícias, amigos ou familiares. Viu-se abandonado exatamente por aqueles que seriam os mais interessados - e dependentes - do seu êxito político: o ex-governador e candidato do PSDB à presidência da república Geraldo Alckmin e o candidato a governador e ex-prefeito da cidade nestes dias atacada, José Serra.
Opine aqui!

Seis dias depois do início das ações do PCC, do ataque - e contra-ataque -de violência, fúria, ressentimentos profundos e mais de 145 mortos, o pensador de direito Cláudio Lembo, homem de extraordinário senso de humor e sagacidade política, teve tempo para refletir. Abriu seu coração, e a cabeça, numa entrevista contundente e histórica à colunista Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo. A seguir, alguns dos principais trechos:

SOBRE A ELITE BRASILEIRA

"O Brasil é um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais... Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa"

"Em suas lindas casas dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vão fazer protesto nada! Vão é para o melhor restaurante cinco estrelas com outras figuras da política nacional fazer o bom jantar".

"Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para esse País".

"A Casa-grande tinha tudo e a Senzala não tinha nada. Então é um drama. É um País que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o Senhor e não os libertos, como nos EUA. Então, é um País único. (...) O cinismo nacional mata o Brasil. Esse País tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a a quem doer, destrua a quem destruir, por que acho que só a verdade vai construir este País".

SOBRE A REAÇÂO DA ELITE PAULISTANA

"O que eu vi em entrevistas da Folha de S. Paulo foram dondocas dizendo coisinhas lindas. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses".

SOBRE A ELITE BRASILEIRA

"A bolsa da burguesia terá de ser aberta, para sustentar a miséria, no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações".

"Se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não iremos a lugar algum".

SOBRE FHC TER CRITICADO SUPOSTO ACORDO DO GOVERNO COM O PCC

"Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ficar silencioso. Ele deveria me conhecer e conhecer o governo de São Paulo. (...) Quanto ao presidente Fernando Henrique, pode ser que ele tenha precedentes sobre acordos. Eu não tenho".

SOBRE A SOLIDARIEDADE DE ALCKMIN

Cláudio Lembo:
- Deu dois telefonemas...

Folha de S. Paulo:
- O senhor achou pouco?

Lembo:
- Eu acho normal. Os impulsos telefônicos são caros...

SOBRE JOSÉ SERRA

Lembo:
- Não telefonou.

SOBRE TELEFONEMAS DE FHC

Lembo:
- Não, não (telefonou). Ele estava em Nova Iorque.

SOBRE LULA

Lembo:
- O presidente Lula telefonou, foi muito elegante comigo. Conversei muito com o presidente. Ele me deu muito apoio.

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br

terça-feira, 16 de maio de 2006

Caos em SP Implode de vez a política neoliberal do PSDB!

O caos tomou conta das ruas de São Paulo. Delegacias, bancos, supermercados e lojas estão sendo metralhadas, pessoas sendo mortas à luz do dia, na rua. Ônibus incendiados...

E o governador do Estado diz que está "tudo sob controle" e que não precisa da ajuda de ninguém, muito menos do governo federal. Puro orgulho, melhor ver todo mundo sitiado e sendo atacado do que admitir que não tem controle da situação e aceitar a ajuda do Lula!

Estou conversando com muita gente, por telefone e na rua, e todo mundo está revoltado, dizendo "como pode esse governador ser tão irresponsável?" e daí pra baixo... Nem de longe está colando essa tentativa de responsabilizar o governo federal pelo caos em SP. Nem de longe. Quem insistir nisso, como o grupo FOLHA, vai quebrar a cara.

Esse é o resultado (esperado) da política neoliberal implantada no Estado (e no Brasil) pela dobradinha PSDB / PFL, que prega a destruição do estado em favor das privatizações e que defende a construção de presídios e a repressão da população mais pobre como maneiras eficazes de gerir a segurança pública. Para essa gente, investimento no social é "gasto". Para que gastar dinheiro com pobre? Esquecem que o Estado gasta, por mês, mais de R$ 1.500 com cada pessoa presa no sistema carcerário?

O resultado disso? É o caos. Os bandidos tomaram conta das ruas e a polícia está encurralada dentro das delegacias. E quem paga o pato, como sempre, são justamente os pobres e a classe média, que não vão poder agora fugir e se esconder dentro dos condomínios fechados protegidos por guardas "privados" armados.

Chegou a hora da gente dar um basta a essa política fracassada do PSDB / PFL, que só conseguiu aumentar ainda mais o abismo social e a violência generalizada. E não me venham com essa conversa mole de que é culpa do Governo Federal, que reduziu investimentos e blá, blá, blá, pois mesmo que isso fosse verdade, Lula só está no poder há três ano e meio, enquanto os tucanos estão à frente do governo de São Paulo há nada menos que doze anos!

BASTA!!

terça-feira, 9 de maio de 2006

Humor: Arnaldo Jabor é humilhado publicamente!

Essa eu tenho que compartilhar!

Uma companheira de luta foi convidada para um evento empresarial e, para o azar de todos, a festa foi antecedida por uma "palestra" do ignóbil cineasta fracassado e dublê de analista social, Arnaldo Jabor.

Depois de repetir aqueles velhos discursos grotescos tipo que o brasileiro é "loser" enquanto os americanos são "winners", que as pessoas não gostam do FHC por que ele é bonito e que quem faz USP é idiota, ele começou a ofender o Lula e seus eleitores com suas habituais altas doses de preconceito e racismo.

Nossa amiga, irritada com tanta asneira, saiu do auditório e, após 20 minutos, já estava acompanhada no lado de fora por mais da metade dos participantes do evento, que também já demonstravam indignação com a conduta lamentável do porta-voz da escrotidão tucana - alguns deles altos executivos, que diziam coisas como "Ele não pode falar assim do Presidente da República!".

Mas o melhor veio depois: terminada a palestra, o bufão desgrenhado veio exatamente em direção à nossa amiga e ela o abordou. O diálogo que se seguiu foi mais ou menos assim:

Amiga - Jabor, lembra de mim daquele evento tal e tal?

Jabor - Ah lembro sim!

Amiga - Pois é. Que horror essa sua palestra hein? Você não só repetiu tudo que havia dito dois anos atrás, como também se superou no nível de besteiras. Por sinal, falando em loser, você é a mais perfeita corporificação do próprio! Agora, por favor, saia da minha frente, você me dá nojo!


E saiu com cara de nojo.

Disse que o Jabor ficou estatelado contra a parede, sem sair do lugar, boquiaberto! Na certa ficou com medo dela ser executiva de alguma das empresas que o estavam pagando para dar a "palestra"!

O melhor de tudo é que isso aconteceu na frente de várias pessoas, que viram e ouviram tudo.

Pena que não estava lá para aplaudir a coragem da companheira, que lavou a alma de todos nós!

Política: Adoro ter operário de esquerda no poder

Adoro porque é um raro momento para experimentar um alívio na opressão social antes exercida aqui pelo grupo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso (o mesmo que quer voltar ao poder a qualquer custo), uma momentânea interrupção no abuso, na exploração e na injustiça sistemáticas que esse grupo político pratica contra as camadas pobres da população.

- Por Marilene Felinto*

Adoro pelo simbólico que é, pela afronta que representou e representa, pelo que esfrega na cara da classe dominante, pelo desespero em que ela tem entrado diante da possibilidade de que o operário seja reeleito – desespero expresso de maneira reiterada, em letras de manchete, pela imprensa irresponsável, covarde e, ela sim, corrupta, mentirosa.

Adoro! Pelo simples fato de que a presença de um operário de esquerda no poder humilha as oligarquias e os oligopólios. Pela primeira vez, tudo o que é poder e prestígio – a presidência da República – escapou das mãos dos ricos da classe política dominante: a direita neoliberal e seu séqüito. Está nas mãos de um operário nascido nas brenhas de Caetés, distrito de Garanhuns, Pernambuco, que se bateu para os confins da metrópole de São Paulo ainda menino, na carroceria de um “pau-de-arara”. Está nas mãos de um trabalhador de nível médio, sem diploma universitário, e que teve seu primeiro registro assinalado na carteira de trabalho aos 14 anos de idade. E daí? E então? Isso não é importantíssimo?

A-do-ro. Porque não tem CPI, não tem manipulação de imprensa marrom nem tem ardil de bandoleiros da chamada “oposição” que consigam alterar esta realidade: um operário de esquerda no poder já é uma tremenda duma revolução num dos países de maior desigualdade social do mundo. Isso está acima de partidos, de personalidades políticas, de ideologias econômicas e políticas. Ainda que o operário não fosse reeleito, este momento de agora já seria de comemoração.

As CPIs são novelas de quinta categoria (que a maioria da população, felizmente, não acompanha), inverossímeis, cheias de personagens rasos e contraditórios, bandoleiros (os “oposicionistas”) travestidos de retidão ética e moral – quando todo mundo está cansado de saber que são eles os piores, os mais corruptos, os mais sacanas.

A maioria da população, felizmente, não acompanha as CPIs nem acredita na imprensa. O próprio Ibope, braço armado da Rede Globo para a pesquisa, divulgou recentemente pesquisa em que 58% dos brasileiros dizem não acreditar ou desconfiar da televisão e 56% dizem não acreditar ou desconfiar dos jornais impressos. Isso é uma maravilha! Só isso já é motivo de comemoração. Mas é evidente que a novela de quinta categoria continuará no ar por muito tempo ainda, tentando derrubar o presidente operário, exibida em horário nobre pelas redes de TV imorais e regurgitada no dia seguinte pelos jornalões reacionários e pelo lixo das revistonas semanais. A mídia, como diz um manifesto da Universidade Nômade, sabendo que seu candidato (leia-se, homem do PSDB) deve perder nas urnas (ao menos até hoje) a eleição para a presidência da República, quer voltar a ganhar do jeito de sempre: no conchavo das oligarquias.

“A mídia”, diz o manifesto, “pretendendo representar e sobretudo ser a ‘opinião’ pública, apenas defende seus próprios interesses, ou seja, os interesses do monopólio privado que ela representa. A mídia não é a opinião pública, mas o resultado das concessões da ditadura! Trata-se de uma operação reacionária e totalitária, que usa uma falsa identidade entre opinião pública e mídia. A mídia não foi eleita por ninguém, a não ser pelo dinheiro da publicidade que recebe por um discurso que agrada ao poder econômico. Ela já deixou, há muito tempo, de expressar a opinião pública, desde que as concessões públicas lhes foram entregues pelo Estado, em períodos históricos que estão longe de ser éticos e democráticos: a ditadura! A efetividade do poder da mídia (sua ‘audiência’ e suas tiragens) tem apenas bases totalitárias!”

Ademais, as CPIs não provaram nada de fato. Uma comentarista da Rádio Nederland, em texto divulgado pela Argenpress, agência de notícia da Argentina, no início de abril, explicava:

“Não existe nenhuma prova de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja envolvido no esquema de supostos subornos. A esta contundente conclusão chegou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso brasileiro depois de mais de dez meses de investigação.” O que há, continua a comentarista Nora Di Pacce, é perseguição da imprensa brasileira contra o atual governo, imprensa que, juntamente com a oposição, tenta impedir a reeleição de Lula. Di Pacce cita um dos jornalões diários de São Paulo como o carro-chefe da perseguição. Segundo ela, este jornal “começou a utilizar um título particularmente chamativo para as notícias obre o tema: ‘Cerco’. Nas notas, divulga-se todo tipo de denúncias contra o governo, sem importar se se referem a Lula ou a um empregado que trabalhe na casa de algum funcionário do governo. A idéia de um Lula ‘cercado’, ‘encurralado’, é a que mais se tenta destacar nos grandes meios de comunicação, em particular na imprensa escrita. Não é novidade a posição da imprensa com relação ao governo, nem sua clara preferência pelos candidatos e governos da direita neoliberal, representada pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que governou o Brasil durante os períodos anteriores à chegada de Lula ao poder.”

Adoro operário de esquerda no poder porque é um raro momento para experimentar um alívio na opressão social antes exercida aqui pelo grupo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso (o mesmo que quer voltar ao poder a qualquer custo), uma momentânea interrupção no abuso, na exploração e na injustiça sistemáticas que esse grupo político pratica contra as camadas pobres da população.

Adoro! Só para observar que quem acompanha CPI são exatamente os órfãos do PT, mergulhados num egocentrismo patético ou num ressentimento constrangedor. Tudo gente diplomada em universidade, tudo gente pretensiosa, que se acha o supra-sumo do saber – e que precisava passar um mês que fosse (muitos deles) nos bastidores de uma redação de jornal para descobrir com quantas linhas de mentira e manipulação se tenta construir um candidato favorável ao poder econômico e se quer destruir um presidente operário. Só para adquirir (muitos deles) um pouco da aprendizagem técnica para a decodificação de mensagens. Só para descobrir (muitos deles) a que grau a imprensa consegue manipulá-los e deformá-los, especialmente a eles, os diplomados.

* Marilene Felinto é escritora e jornalista.

Este texto foi publicado originalmente na revista Caros Amigos

sexta-feira, 5 de maio de 2006

CartaCapital: AS RAZÕES DA BOLÍVIA

Para quem não aguenta mais tanta estupidez e manipulação na mídia corporativa neoliberal/conservadora, recomendamos a CartaCapital desta semana!

AS RAZÕES DA BOLÍVIA

- Não há surpresa na decisão de Morales, a favor de um país espoliado. Conta com a compreensão do governo Lula, mas só falta a mídia pedir o bombardeio de La Paz.

- Quem lembra que a dependência do gás boliviano é obra do governo FHC?

- Os prejuízos da Petrobras são pequenos em comparação com os lucros que ela obétm, graças ao aumento do preço do petróleo.


UMA OUSADIA DE SUCESSO

A nacionalização não pesa muito para a Petrobras, mas pode mudar a Bolívia

- Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa*

No Brasil, é hora de jogar água na fervura. Alguns editoriais e comentaristas de tevê, ansiosos por imitar seus colegas estadunidenses da Fox News, estiveram a um passo de exigir que o governo brasileiro acionasse o Exército e desencadeasse uma operação “Tempestade no Chaco” para promover uma mudança de regime no país vizinho e recuperar os campos nacionalizados. O tom indignado e apocalíptico do noticiário sobre a nacionalização do gás e petróleo boliviano chegou a dar a muitos a impressão de uma catástrofe iminente para a economia brasileira e para a Petrobras, o que está muito longe da realidade.

Medidas como essas foram tomadas várias vezes por outros países, latino-americanos ou não. Seu modelo é a nacionalização do petróleo mexicano, iniciada com a estatização do subsolo em 1917 e completada com a expropriação das empresas estrangeiras em 1938. O próprio Brasil não tem o direito de esquecer da campanha “O Petróleo É Nosso” e da nacionalização de 1953, quatro anos depois da Argentina. A Venezuela fez o mesmo em 1975.

Mas não se pode negar a ousadia da medida e sua importância para a Bolívia. Ao contrário das duas tentativas anteriores de nacionalização do petróleo, de iniciativa de ditaduras militares nacionalistas, esta partiu de um governo eleito democraticamente com ampla maioria. Resulta de dois anos e meio de intensa mobilização social, a partir da campanha contra a exportação de gás através do Chile, que derrubou Sánchez de Lozada em outubro de 2003. A popularidade da medida foi atestada pelo plebiscito de julho de 2004, no qual 92% apoiou a recuperação da propriedade do gás e petróleo na boca do poço.

* Confira a íntegra dessa reportagem na edição impressa

http://www.cartacapital.com.br

Protesto: ABAIXO A DITADURA DA MÍDIA CORPORATIVA


"Não são mais os generais da ditadura, nem os seus agentes, nem sequer são os donos das empresas jornalísticas que acusam as organizações populares de prática de corrupção, de manobrar os "inocentes úteis" com fins escusos, de serem a sucursal de Satanás na Terra.
São os próprios jornalistas que metem a mão na massa e "mostram serviço". Em geral, eles são eficientes, pois eram "de esquerda" quando fizeram a universidade - como muitos, aliás, adoram propagar -, e conhecem bem os argumentos que tocam a sensibilidade da classe média."

- José Arbex Jr, jornalista.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Opinião: Será que o povo é burro mesmo?

Muito se tem falado sobre o suposto "emburrecimento" da população do Brasil ser um dos fatores que levam a maioria das pessoas a votarem em Lula novamente. Será mesmo? Vejamos.

O Brasil viveu por 21 sob uma ditadura militar que, literalmente, dizimou o sistema de educação e a cultura popular do país. Além disso, uma geração inteira foi criada sob o medo das prisões, torturas e assassinatos, totalmente alijada do processo eleitoral e sem ter a menor noção do que significa ser cidadão.

A consolidação da rede Globo e de outros grandes conglomerados midiáticos contribuiu enormemente para que a população fosse sistematicamente "emburrecida" e assustada. Palavras como política, comunismo, socialismo e subversão tornaram-se sinônimos de coisas malditas, endiabradas, "do mal". E, lembremos, tudo isso foi feito em nome de uma suposta luta pela "democracia" e pela "liberdade"...

A verdade é que os militares foram enganados pela classe política direitista que, atuando em nome do imperialismo dos EUA, inflamou-os contra a esquerda para "deter o avanço das forças anti-democráticas", quando na verdade estavam servido de joguete para a implantação de um novo sistema econômico que era criado nos laboratórios do FMI a ser testado nos países do terceiro mundo: o neoliberalismo. Sistema esse que prega a minimização do Estado por meio da venda do patrimônio público para empresas privadas, concentrando assim o poder político e econômico nas mãos de um pequeno grupo de megacorporações que visam única e exclusivamente o lucro.

É por todas essas razões e muitas mais, que o primeiro presidente eleito democraticamente após esse longo período negro que tomou conta do país foi uma figura bizarra como Collor - um político nascido em berço de ouro, absolutamente corrupto, sem compromisso com qualquer luta social ou melhoria da situação do país, criado em laboratório pelos mesmos que deram suporte à ditadura militar.

Collor não deu certo,pois resolveu rapinar e distribuir o patrimônio público apenas entre seu restrito grupo de colegas mafiosos, e seus criadores precisaram de um novo candidato, que fosse menos tosco e mesquinho. Acharam, então, em FHC, o político perfeito. Vaidoso, auto-indulgente, elitista, egocêntrico e comprovadamente descompromissado com qualquer ideologia - afinal, se dizia de esquerda na juventude, mas não teve qualquer pudor em trocar de lado quando viu a oportunidade de fazer fortuna e ganhar status dentro da elite que sempre invejou.

Com sua retórica rebuscada e apoio irrestrito da mesma direita de sempre, via seu braço midiático, FHC virou o menino de ouro da "globalização", o perfeito retrato da modernidade e da elegância - tudo aquilo que convenceram o brasileiro que faltava para o país entrar para o primeiro mundo. O mandato inicial dele foi marcado pelo plano Real, que de fato acabou com a inflação, mas ao preço de praticamente destruir a indústria nacional e gerando todos os problemas que já conhecemos de cor - aumento brutal da dívida pública, desemprego, juros altíssimos, violência galopante, etc...

Só se reelegeu porque contou com um empréstimo bilionário do Banco Mundial que impediu que o Brasil quebrasse naquele momento, como a Argentina. E seu segundo mandato foi marcado por um total descompromisso com a recuperação da economia, com a venda absurda e criminosa de patrimônio público do país a empresas privadas e a corrupção sistemática e generalizada - fatores que levaram o Brasil à bancarrota novamente - quem esquece do famigerado "apagão", gerado pela total e completa irresponsabilidade do governo federal, que já sabia há anos que tal situação estava para acontecer e nada fez?

Foi nesse cenário que Lula se elegeu. Sem apoio da mídia (que, todavia, ciente da situação desastrosa que o país se encontrava, calou-se e fingiu-se de "imparcial") e graças a um leque de alianças com partidos de várias tendências e de aluguel (que se não tivessem se alugado ao PT, o teriam feito ao PSDB sem que ninguém reclamasse). Estava armado o plano "perfeito" para a direita, que naquele momento estava por demais enfraquecida dada a situação desastrosa que deixou o Brasil. Sonhavam que o PT não teria capacidade para recuperar o país e aí poderiam voltar, triunfantes, para o poder com soluções mágicas regadas a novos bilhões "emprestados" pelo FMI.

Só que o PT não apenas recuperou o Brasil, como também vem atingindo índices que NUNCA foram atingidos antes. Isso enfureceu a direita que, obviamente, apelou para o plano B: acusações de corrupção (a maioria não comprovada, nem sequer embasada em qualquer tipo de evidência mínima) e campanhas para assustar a população - igualzinho ao que fizeram com João Goulart, em 1964.

Só que, para o desespero deles, essa tática também não está dando muito certo. Embora muita gente tenha entrado nessa ingenuamente (até membros da esquerda), é visível que a maioria da população não está mais sendo enganada tão facilmente assim. A ditadura já está longe e as pessoas não têm mais tanto medo de falar sobre política.

A verdade é que a direita não soube se reciclar e ficou só apelando para jargões que hoje já não assustam ninguém. E também a influência da mídia, apesar de ser grande, não está mais surtindo o efeito esperado - ainda mais quando os senhores que acusam os petistas de corruptos são os maiores salafrários da história, pessoas sem a menor moral para acusar ninguém, muito menos para posar de vestais da ética e da honestidade.

Existe limite para a ingenuidade das pessoas. Afinal, temos um quadro que, de um lado, mostra um país melhor e menos desigual, e de outro, um monte de bufões ridículos e hipócritas, que fingem na maior cara de pau que estão preocupados com melhoria da condição do brasileiro e que a corrupção no Brasil começou com o governo do PT...

Convenhamos, ninguém gosta de ser chamado de burro. Especialmente nós, que somos as pessoas que dão o sangue todos os dias para construir a grandeza do Brasil - também conhecidos como "povo". Não é à toa que o tiro deles está saindo pela culatra...

Política: Para lavar a alma...

Em favor de Lula

Se conceitualmente a política macroeconômica guarda continuidade com a dos tucanos, são inegáveis a reestruturação do Estado e sua revitalização regulatória. Salta aos olhos, que, mesmo com o pé no freio, Lula elevou o rendimento médio da população, em queda desde 1977.

- Gilson Caroni Filho

“Eu vivo em tempos sombrios
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia"
(Bertold Brecht)

Os últimos artigos que escrevi para veículos da grande imprensa sofreram severas restrições de antigos companheiros de luta. Acusaram-me de utilizar a candidatura Alckmin, para, fechando o círculo em polarização falsa, ignorar novas forças que emergem em meio à crise político-simbólica do atual governo. Outros, mais precipitados em suas formulações, declaram que " foi-se o tempo em que o PT e seus aliados tinham um projeto de mudanças para o país. Hoje, transformaram-se todos em meros “lulistas”, interessados na reprodução do mandato do presidente. Da mesma forma, a aliança PSDB-PFL não tem um projeto diferente. Disputa apenas a chave do cofre e o controle do Diário Oficial". A vista turva merece uma breve rememoração para que as imagens readquiram a nitidez necessária.

Não estamos propondo que se ignorem os erros cometidos pela antiga direção do PT. Vão do abandono de pontos programáticos caros a alianças desastrosas. Mas daí a decretar seu esgotamento histórico e não enxergar a natureza distinta do atual governo em relação ao bloco PFL-PSDB é um passo arriscado demais. Um tiro no escuro em salão repleto de atores relevantes.

O principismo não é bom conselheiro. Simplificador ao extremo, termina por ser o refugo dos que, face à complexidade da sociedade existente, preferem o conforto das palavras de ordem à aridez da análise requerida. Os que assim procedem não combatem, capitulam. Não afirmam, vituperam. Fogem da história concreta como o diabo da cruz. Falavam em novo ciclo quando, na verdade, são as expressões acabadas do “eterno retorno".

Sancionados pela "boa consciência", amparados pelo purismo paralisante, têm nostalgia do útero acolhedor: o gueto perdido em que a melodia da “Internacional" embalava sonhos justos e todas as revoluções eram possíveis. "Enfants terribles”, acabam por se deixar instrumentalizar pela direita que, através do comportamento inconseqüente de seus "mais ferrenhos opositores", logra consagrar a sociedade fracionada como a única realmente factível. Eis o que o esquerdismo tem conseguido ao longo da história: legitimar o que pretende combater.

Quem tem acompanhado o debate político no Brasil, certamente identificou nos parágrafos acima, alguns atores que, com o indispensável apoio da imprensa burguesa, alcançaram a ribalta desejada. E os papéis não solicitam argumentos de substância, apenas a reiteração de um proselitismo enfurecido e o firme compromisso de, em tempo algum, esboçar uma saudável autocrítica.

A grita dos chamados "radicais de esquerda" à política macroeconômica do governo Lula e sua agenda de reformas é um atestado de ignorância conjuntural. Pior, um divórcio litigioso entre suas proposições e os componentes estruturais da formação social que supostamente pretendem transformar. Denota ainda, total desconhecimento sobre o significado da chegada do PT ao poder e o caminho trilhado para que isso fosse possível.

Em primeiro lugar, a vitória sobre candidato do modelo neoliberal necessitou de um amplo leque de alianças que, se bateu forte no conteúdo doutrinário do partido, deixou evidente a necessidade de atualizar os termos dos seus debates internos. Ousar compor com setores que historicamente se situaram em campo oposto ao da esquerda democrática foi um gesto de radicalidade política. Só possível em formação partidária que, ciosa do patrimônio ético-político acumulado ao longo de pouco mais de duas décadas, sabe que a hegemonia não é construída no isolacionismo. A interlocução com segmentos conservadores se fará necessária se quisermos obter êxito na repactuação reivindicada por amplos setores da sociedade civil.

Lula chegou ao poder consciente da necessidade de elaborar um novo contrato social. Era a única liderança com cacife junto aos movimentos sociais mais expressivos para tal empreendimento. Mas sempre esteve atento para uma questão central. Houve, de fato, uma inflexão ética no Brasil, mas interpretá-la como uma vitória das teses mais caras ao ideário da esquerda clássica era fechar os olhos a evidências empíricas gritantes. Fantasiar a realidade, como querem os “bravos companheiros” do PSOL, é jogar lenha na fogueira de uma direita que, embora derrotada no último pleito,dispõe de estruturas clientelísticas intactas e considerável capilaridade social .Não podíamos errar e qualquer tentação voluntarista deveria ser descartada. E foi. A história costuma cobrar caro por erros de avaliação. E o pagamento consome o sonho de muitas gerações.

Herdamos do governo anterior uma dívida interna equivalente a 62% do PIB. Inflação na casa de 25,3% e dívida mobiliária que mais do que dobrou entre 1998 e 2002, passando de R$ 323,8 bilhões para R$ 663 bilhões. Como destacou a professora Maria da Conceição Tavares "à crise financeira e ao aperto da liquidez internacional seguiu-se a fuga de capitais privados e um novo choque cambial e de juros que levaram a economia à beira da ruptura financeira a partir de maio daquele último ano ." Tal fato levou o ainda candidato Lula a assinar, em junho de 2002, a " Carta ao Povo Brasileiro" e a concordar em manter as metas básicas do acordo firmado pela equipe econômica de Fernando Henrique com o Fundo Monetário Internacional. A política de manutenção de superávits, um dos alvos prediletos dos críticos mais contundentes, foi aprovada simultaneamente com o programa de governo pela direção nacional do partido. Havia outra opção? Teríamos, internamente, base de sustentação para arcar com as conseqüências de uma ruptura com os organismos multilaterais de crédito? E a correlação de forcas externas favoreceria uma cartada autárquica? Os meninos da "revolução permanente", certamente, responderão a essas questões com certo fastio. São, no final das contas, tecnicalidades de uma "lógica pequeno-burguesa". Mas, não se iludam, capazes de desestabilizar qualquer regime na periferia do capitalismo mundial.

Concebida como concreção da racionalidade social, a política opera no fio tênue entre projetos idealizados e a realidade concretamente dialética. O critério de verdade sempre será a práxis. E quanto mais rica for a energia transformadora, mais eficazes serão as respostas técnicas às contradições que desafiam a imaginação reformista. Esse é o ponto que difere a equipe econômica do governo petista da anterior, liderada por Malan. Ao contrário da gestão tucana, a economia foi concebida como mecanismo a ser futuramente subordinado a demandas dramáticas. A casa estava sofrendo reformas cuidadosas em seus alicerces para não desabar na cabeça de 46 milhões de habitantes que viviam abaixo da linha da pobreza. Para não deixar ao desabrigo os 20% de desempregados e os que, mantendo os postos, sofriam uma queda de 10% na renda média mensal.

No quadro acima se inserem as duas reformas mais polêmicas que o governo Lula promoveu: A da previdência e a tributária. A primeira, precedida por amplo debate, não foi um equívoco político, uma capitulação sem sentido. Não era um pacote fechado. Atingia interesses corporativos e discutíveis "direitos adquiridos". Tinha seu ponto mais polêmico na taxação de inativos. Basta registrar que a média das aposentadorias do INSS era de R$ 389 e a média mais baixa entre os três poderes atingia R$ 2.272 ou, como destacou, à época o ex-presidente do PT ,José Genoíno," 80% ganham entre três ou quatro salários mínimos e 10% aproximadamente R$20.000". Convenhamos que não era um quadro para deixar indiferente quem se dizia progressista.

A reforma tributária envolvia questões cruciais que visavam desde desonerar a produção a impedir a guerra fiscal travada pelos governos estaduais. Independente das propostas, o mérito estava no encaminhamento que contou com a participação dos 27 entes federativos. Mais uma vez, a preocupação macroeconômica se sobrepõe a uma lógica puramente fiscalista. Deveríamos destacar que esse era o diferencial que fez desse governo algo qualitativamente distinto. Mas o sectarismo se cala. Nascido dos movimentos sociais, o PT com eles não se confunde. A existência de afinidades não evitou divergências legítimas. CUT, MST e diversas entidades de classe não foram aparelhadas. Conflitos surgiram foram democraticamente discutidos. Os embates são da essência democrática. A única coisa inadmissível é a ausência do direito ao contraditório. A recusa ao diálogo. A busca da visibilidade através dos holofotes da mídia. Os meninos da Democracia Socialista, entre outras correntes, têm que entender que a relutância em sair do " mundo de Alice" não é um artifício do chapeleiro maluco. É o desdobramento lógico do que eles mais dizem temer: o stalinismo em estado bruto.

Se conceitualmente a política macroeconômica guarda continuidade com a dos tucanos, são inegáveis a reestruturação do Estado e sua revitalização regulatória. Salta aos olhos, que, mesmo com o pé no freio, Lula elevou o rendimento médio da população, em queda desde 1977. O nível de ocupação é recorde. A parcela que recebe os menores rendimentos obteve ganho real de 3,2%. A queda na concentração de renda atingiu o melhor resultado em 24 anos. Isso lembra a modernização conservadora anterior? Poderíamos citar a recuperação do salário mínimo e a taxa básica de juros, no menor patamar desde 2001, como exemplos de cegueira monetarista? E o que dizer dos avanços na reforma agrária e do diálogo com os movimentos sociais? A política externa não luta por uma integração soberana na região? Por que não debatemos isso? Por que afirmar continuidades onde há disjunções? A resposta é simples: os dados acima mostram o inaceitável. Há, apesar dos pesares, uma política redistributiva em andamento. E isso é inconcebível para os setores que, como destacava Hebert de Souza, o saudoso Betinho, vivem um liberalismo de pernas curtas e consciência culposa. Uma prática política que só existe no reino do poder e do Estado patrimonialista.

Vivemos dias em que o debate político foi interditado pelo denuncismo. Sem provas e argumentos consistentes, a CPI dos Correios afirmou a existência do "mensalão". A mídia não hesitou em transformá-lo em axioma. A denúncia do Procurador-Geral sobre a "organização criminosa" tem mais valor semântico que mérito jurídico. Enquanto o STF não se pronuncia, setores da oposição golpista apresentam-na como sentença transitada em julgado. Ameaças de impeachment, sem base legal e apoio popular, objetivam desgastar o governo.

Os setores à esquerda que ignoram o que está sendo jogado podem se apresentar como proponentes de alternativas contra-hegemônicas? Ou seriam meros joguetes das forças de reação? Narcisos enlouquecidos que pretendem fazer crítica “pela esquerda" na revista Veja e nas páginas do Estadão. Quando não há diferenças conteudísticas entre as petições da "nova esquerda" e os editoriais das oficinas de consenso, algo de muito caro se perdeu na história.

Por tudo isso, é hora de, sem meias palavras, demarcar posição. Apesar dos dissabores, só num segundo governo Lula poderemos dar o salto republicano esperado há tanto tempo pelos melhores combatentes. E é contra isso que se empenham os éticos de algibeira. Os que fazem junções impensáveis, capazes de unir OAB, PFL e PPS na proposta de impeachment. O golpismo atordoa mentes e refaz trajetórias.

Gilson Caroni Filho é sociólogo, colaborador do Jornal do Brasil e professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso.
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