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quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Outras verdades: Relato de uma viagem a Cuba

Muito se fala sobre Cuba, sua revolução, seu principal herói, Che Guevara, seu governo e seu líder, Fidel Castro. Mas a maioria das notícias, análises e interpretação que lemos ou ouvimos na mídia (até no cinema) traz apenas uma versão dos fatos, sempre alinhada com aqueles que são contra tudo isso. É comum, portanto, ouvirmos Fidel sendo chamado de "ditador" que governa Cuba com mão de ferro ou Che Guevara rotulado de "baderneiro profissional".

Longe de mim querer convencer alguém que acredita em tudo que vê na tela da TV, do cinema ou nas folhas das revistas e jornais conservadores mundo afora que ele está sendo enganado e manipulado descaradamente. Cada um que tire suas próprias conclusões sobre o mundo. Todavia, tomo a liberdade de reproduzir abaixo uma mensagem escrita por um amigo que realmente esteve em Cuba e passou um bom tempo conhecendo de perto a realidade daquele país e de seu povo.

Leiam até o fim, pois vale a pena!



RELATO DE UMA VIAGEM A CUBA

- Por Antônio Gabriel Haddad

Passei 26 dias em Cuba, no ano passado. Fidel Castro e a Revolução são venerados pela esmagadora maioria da população. Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Raul Castro e outros ícones da Revolução são espontaneamente cultuados nas casas. Com alguma frequência, há retratos de Che ao lado de imagens de Cristo sobre televisores. Todos lá são eleitos, Fidel Castro inclusive, em um avançado processo de participação popular, típico de uma democracia socialista.

Não tenha a ilusão de que minha visita à ilha se restringiu a resorts de Varadero e Havana. Não mesmo. Fui por conta própria, sem pacote de viagem, e fiz meu roteiro. Não fui abordado nas ruas uma única vez pelas "terríveis" e "repressoras" autoridades da ilha. Corringindo, fui abordado uma vez. Uma policial gentilmente solicitou que eu tirasse minha mala que ocupava um assento vazio no terminal rodoviário de Camagüey. Aqui, o primeiro exemplo da educação e da solidariedade cubanas.

Circulei em qualquer horário por qualquer lugar, em todas as oito cidades que visitei. Conversei com quem eu quis. Entrei em hospitais, em lojas, em lachonetes. Tentei conhecer o máximo possível de pontos não-turísticos. Em suma, tive contato com o que há de melhor em Cuba: o povo cubano. Hospedei-me em casas particulares.

Em Trinidad, a dona da casa que me abrigou falava com orgulho do filho médico, que estava servindo em missão internacional na Venezuela, sem ganhar um único centavo a mais. Expliquei-lhe o perfil dos médicos de ponta no Brasil. Filhos da elite branca, que estudam em universidades públicas e, depois de formados, montam seus consultórios nos Jardins para cobrar R$ 500 uma consultinha de merda. Tentei comentar também sobre juízes que vendem sentenças, policiais que se envolvem com quadrilhas, fiscais que negociam com sonegadores e reduzem tributos, prefeitos que desviam dinheiro da merenda escolar, todas essas deformações de nossa espetacular sociedade democrática. Tudo era incompreensível para ela, uma solidária mulher cubana, que sofre com a ausência do filho distante, mas diz que o apoiará sempre, enquanto os desamparados do mundo necessitarem de seu auxílio e de seus conhecimentos.

Sabe quem é o grande idealizador e condutor do programa cubano de solidariedade médica? O abominável, o ditador, o déspota, o tirano, o cruel, o totalitário Fidel Castro, a quem muitos desejam a morte breve para que se acelere o fim da tal dinastia, não é mesmo?

É evidente que Cuba não é o paraíso. Nem mesmo o governo cubano vende essa imagem do país. Cuba é um país pobre, com problemas econômicos seculares, agravados por um bloqueio econômico criminoso imposto pelos "democráticos" norte-americanos há quase cinco décadas. Pode lhes faltar bens de consumo, luxo doméstico, carros do ano, mas é gratificante andar por toda a ilha e não encontrar uma única criança abandonada, sem escola, descalça ou uma única pessoa revirando lixo para se alimentar.

Eu termino este nem tão breve desabafo com os dizeres de um outdoor na estrada que leva ao aeroporto José Marti: "Esta noche, doscientos millones de niños duermen en las calles. Ninguno de ellos es cubano" (essa noite, duzentos milhões de crianças dormirão nas ruas. Nenhuma delas é cubana). Troco a nossa democracia deformada, que dá direitos apenas às minorias que têm algo, pela "dinastia" cubana, que conferiu altivez e dignidade a todo um povo, sem distinção.

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Quem quiser saber mais sobre a história de Cuba, a revolução e a situação atual do pais, recomendo a leitura do livro "¿Y Ahora, Fidel?", de Arthur Amorim, que pode encomendar por meio deste link.

2 comentários:

Anônimo disse...

Responde então porquê tantos cubanos tentam fugir todos os dias da ilha, e são obrigados a ficar mesmo contra sua vontade. Que tipo de vida é este onde a liberdade é trocada por uma distribuição de renda, onde a renda do país é alcançada vendendo médicos para outros países.
Vai pra cuba minha filha. Mas não venha impor esta falsa felicidade socialista na marra, todos tem que ter liberdade de escolha e de pensamento. Devem ter liberdade e ser responsabilizados por seus atos.

André Lux disse...

Esse tipo de asneira não dá nem pra responder. O melhor mesmo é rir.

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