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quinta-feira, 29 de junho de 2006

Crítica à mídia: Eu versus o Ombudsman da Folha de SP

Reproduzo abaixo correspondência que tenho trocado com o Ombudsman da Folha de São Paulo para quem estiver interessado em ler.

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MINHA MENSAGEM ORIGINAL:

Senhor Ombudsman,

por acaso sabe me responder porque o vosso jornal não dá o menor destaque para o escândalo em torno da Lista de Furnas, que já foi periciada e confirmada com autêntica pela PF, além de ser endossada pelo mesmo Roberto Jefferson, que era considerado como uma "fonte altamente qualificada" pelo vosso jornal quando fazia denúncias contra o PT?

Teria algo a ver com o fato dos denunciados serem, a maioria, do PSDB e do PFL e nenhum do PT? Usaria vosso jornal do famoso dois pesos e duas medidas? Ou será que o escâdalo de Furnas e os envolvidos nele não tem importância e, portanto, não merecem ser destacado em estrondosas manchetonas de primeira página?

Aguardo ansiosamente vossa resposta...

André Lux, Jornalista

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RESPOSTA DO OMBUDSMAN:

Caro André, tratei do assunto na coluna de domingo, que anexo. Grato,

Precipitação

Cobertura do jornal sobre o noticiário político erra ao publicar informações incompletas e que ainda carecem da devida comprovação

A FOLHA PUBLICOU na quinta-feira, com o título "CPIs terminam com muitos indiciados e poucos punidos", um grande balanço dos resultados das três Comissões Parlamentares de Inquérito que dominaram o noticiário político ao longo do ano passado e deste primeiro semestre, as CPIs dos Correios, dos Bingos e do Mensalão.

Ficou claro para os que acompanharam as atividades dessas comissões que todas elas se renderam aos acordos partidários, e isso certamente contribuiu para tolher as investigações. A imprensa tem uma responsabilidade parcial nos resultados frustrantes das CPIs. Em raros momentos ela conseguiu escapar da dependência das informações colhidas e manipuladas nos bastidores das comissões e avançar por conta própria.

Ainda agora vemos como a cobertura é falha. Nesta semana a Folha publicou duas reportagens que ilustram bem as nossas deficiências. Na segunda-feira, o jornal publicou um texto falho a partir do título -"João Paulo pode ter recebido R$ 30 mil a mais de Valério". João Paulo Cunha (PT) é o ex-presidente da Câmara e Valério é o empresário Marcos Valério de Souza, que ajudou o PT a levantar recursos para distribuição entre parlamentares.

A reportagem se desmancha já no título, que usa o verbo poder como uma possibilidade, mas sem nenhuma segurança. O título já deixa claro que não tem provas. É até possível que o deputado tenha realmente recebido mais dinheiro do esquema, mas as investigações dos técnicos da CPI dos Correios que abasteceram a Folha ainda não comprovam. Na quarta-feira, o jornal publicou uma longa carta do deputado que contesta a reportagem. Não vou entrar no mérito dos argumentos dele, que exercia ali o legítimo direito de defesa e que, se estiver mentindo, mais cedo ou mais tarde será desmentido pelas provas que aparecerão. Mas ele tem razão quando diz que o emprego do verbo "poder" neste caso indica "conjectura".

Outro caso parecido ocorreu na edição de sexta-feira, numa reportagem sobre a "lista de Furnas". A lista é um documento contestado com uma relação de políticos da oposição que teriam se beneficiado de verbas desviadas de Furnas para a campanha eleitoral de 2002. A oposição acusa o governo de ter forjado a lista, que é objeto de investigação da Polícia Federal.

A reportagem da Folha -"Cópia da lista de Furnas difere do original"- é baseada numa "carta apócrifa". Um jornal como a Folha não pode publicar uma reportagem baseada em "carta apócrifa".

Recebi do editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, a seguinte explicação: "A informação de que o original da lista de Furnas periciado pela PF não é igual ao xerox que o lobista fez circular no final de 2005 foi apurada pela Folha. O jornal não se baseou na carta apócrifa, mas em investigação própria com outras fontes. A carta "apócrifa", que, segundo afirma a mesma reportagem, foi escrita por assessores do PSDB mineiro, apenas registra a mesma informação. Talvez o texto não tenha deixado isso suficientemente claro".

Na minha opinião, o subtítulo e o texto deixam claro que a fonte do jornal é a tal carta.

Esses dois casos mostram como o jornal está sendo precipitado na publicação de informações não comprovadas. Nos dois casos relatados, ele tinha informações importantes para iniciar uma apuração própria em busca de provas. Mas preferiu publicá-las incompletas. O resultado é o descrédito.

Marcelo Beraba
Ombudsman - Folha de S.Paulo
Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar
01202-900 - São Paulo - SP
Telefone: 0800 159000
Fax: (11) 3224-3895
ombudsma@uol.com.br

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MINHA RÉPLICA:

Caro Marcelo, li sua coluna com atenção.
Seu texto faz críticas superficiais e ligeiras ao jornal (imagino que você não pode ir muito a fundo, caso contrário perderá seu emprego), porém não responde minhas perguntas, pois limita-se apenas a criticar o fato de a Folha ter "desconsiderado" a lista de Furnas baseado naquela carta apócrifa que todos nós sabemos ter sido escrita pela turma do PSDB.

O que eu quero saber vai além disso: por que seu jornal usa dois pesos e duas medidas quando as denúncias envolvem o PT e quando envolvem o PSDB/PFL?

Por que, quando a denúncia é contra o PT, é dada como "verdade absoluta", não importando o quanto as fontes são questionáveis ou que nada foi dado como prova? Vocês continuam falando no "Escândalo do Mensalão" quando, mais de um ano depois das primeiras denúncias do Roberto Jefferson, NENHUMA prova do suposto mensalão foi apresentada.

Você mesmo, na coluna que me enviou, comente um erro grosseiro ao chamar a CPI DA COMPRA DE VOTOS como "do mensalão". Por que? Um ato falho? Ou, de tanto ler a Folha, também já dá o tal "mensalão" como fato comprovado?

E a lista de Furnas, por que não está sendo denunciada da mesma forma, em manchetes garrafais na capa do jornal com as fotos dos "suspeitos" (Serra e afins) em destaque, como vocês fizeram com o PT? Por que as matérias que envolvem o PSDB, tais como a cobertura da convenção deles, não traz como chapéu algo como "Escândalo de Furnas", como a Folha tem feito com qualquer notícia relacionada com o PT nos últimos doze meses?

Você tem condições de responder honestamente essas questões todas?

Ou posso esperar mais control + C e control + V?

Sinceramente,
André Lux, jornalista

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RESPOSTA DO OMBUDSMAN:

Caro Andre,

Sinto desapontá-lo com a coluna. Não há risco de eu perder o emprego; o cargo de ombudsman tem sua independência garantida pela imunidade, como você, como jornalista, deve saber. Respondo todas as mensagens dos leitores com honestidade.

Grato,

Marcelo Beraba
Ombudsman - Folha de S.Paulo

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MINHA TRÉPLICA:

Ok, acredito em você Marcelo, embora o fato de ser jornalista não me credencia a conhecer as cláusulas de seu contrato com a Folha...

Mas, como ainda não respondeu minhas indagações, vou repetí-las:

O que eu quero saber:

1) Por que seu jornal usa dois pesos e duas medidas quando as denúncias envolvem o PT e quando envolvem o PSDB/PFL?

2) Por que quando a denúncia é contra o PT é dada como "verdade absoluta", não importando o quanto as fontes são questionáveis ou que nada foi dado como prova? Vocês continuam usado o termo "Escândalo do Mensalão" quando, mais de um ano depois das primeiras denúncias do Roberto Jefferson, NENHUMA prova do suposto mensalão foi apresentada.
Você mesmo, na coluna que me enviou, comente um erro grosseiro ao chamar a CPI DA COMPRA DE VOTOS como "CPI do mensalão". Por que? Um ato falho? Ou, de tanto ler a Folha, também já dá o tal "mensalão" como fato comprovado?

3) E a lista de Furnas, por que não está sendo denunciada da mesma forma, em manchetes garrafais na capa do jornal com as fotos dos "suspeitos" (Serra e afins) em destaque, como vocês fizeram com o PT? Por que as matérias que envolvem o PSDB, tais como a cobertura da convenção deles, não traz como chapéu algo como "Escândalo de Furnas", como a Folha tem feito colocando "Escândalo do Mensalão" em qualquer notícia relacionada com o PT nos últimos doze meses?

4) Se os deputados do PT que estão na lista do Valério são carinhosamente chamados pelo seu jornal de "mensaleiros" toda vez que são citados em reportagens, por que a turma do PSDB, PFL e afins não chamados de "furnasleiros" ou "sanguessuagaleiros" quando citados em outras matérias?

Aguardo seu retorno honesto, como sempre.

André Lux, jornalista

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P.S.: Ainda não recebi resposta à minha última mensagem acima - e duvido que venha a receber...

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