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segunda-feira, 1 de maio de 2006

Opinião: Será que o povo é burro mesmo?

Muito se tem falado sobre o suposto "emburrecimento" da população do Brasil ser um dos fatores que levam a maioria das pessoas a votarem em Lula novamente. Será mesmo? Vejamos.

O Brasil viveu por 21 sob uma ditadura militar que, literalmente, dizimou o sistema de educação e a cultura popular do país. Além disso, uma geração inteira foi criada sob o medo das prisões, torturas e assassinatos, totalmente alijada do processo eleitoral e sem ter a menor noção do que significa ser cidadão.

A consolidação da rede Globo e de outros grandes conglomerados midiáticos contribuiu enormemente para que a população fosse sistematicamente "emburrecida" e assustada. Palavras como política, comunismo, socialismo e subversão tornaram-se sinônimos de coisas malditas, endiabradas, "do mal". E, lembremos, tudo isso foi feito em nome de uma suposta luta pela "democracia" e pela "liberdade"...

A verdade é que os militares foram enganados pela classe política direitista que, atuando em nome do imperialismo dos EUA, inflamou-os contra a esquerda para "deter o avanço das forças anti-democráticas", quando na verdade estavam servido de joguete para a implantação de um novo sistema econômico que era criado nos laboratórios do FMI a ser testado nos países do terceiro mundo: o neoliberalismo. Sistema esse que prega a minimização do Estado por meio da venda do patrimônio público para empresas privadas, concentrando assim o poder político e econômico nas mãos de um pequeno grupo de megacorporações que visam única e exclusivamente o lucro.

É por todas essas razões e muitas mais, que o primeiro presidente eleito democraticamente após esse longo período negro que tomou conta do país foi uma figura bizarra como Collor - um político nascido em berço de ouro, absolutamente corrupto, sem compromisso com qualquer luta social ou melhoria da situação do país, criado em laboratório pelos mesmos que deram suporte à ditadura militar.

Collor não deu certo,pois resolveu rapinar e distribuir o patrimônio público apenas entre seu restrito grupo de colegas mafiosos, e seus criadores precisaram de um novo candidato, que fosse menos tosco e mesquinho. Acharam, então, em FHC, o político perfeito. Vaidoso, auto-indulgente, elitista, egocêntrico e comprovadamente descompromissado com qualquer ideologia - afinal, se dizia de esquerda na juventude, mas não teve qualquer pudor em trocar de lado quando viu a oportunidade de fazer fortuna e ganhar status dentro da elite que sempre invejou.

Com sua retórica rebuscada e apoio irrestrito da mesma direita de sempre, via seu braço midiático, FHC virou o menino de ouro da "globalização", o perfeito retrato da modernidade e da elegância - tudo aquilo que convenceram o brasileiro que faltava para o país entrar para o primeiro mundo. O mandato inicial dele foi marcado pelo plano Real, que de fato acabou com a inflação, mas ao preço de praticamente destruir a indústria nacional e gerando todos os problemas que já conhecemos de cor - aumento brutal da dívida pública, desemprego, juros altíssimos, violência galopante, etc...

Só se reelegeu porque contou com um empréstimo bilionário do Banco Mundial que impediu que o Brasil quebrasse naquele momento, como a Argentina. E seu segundo mandato foi marcado por um total descompromisso com a recuperação da economia, com a venda absurda e criminosa de patrimônio público do país a empresas privadas e a corrupção sistemática e generalizada - fatores que levaram o Brasil à bancarrota novamente - quem esquece do famigerado "apagão", gerado pela total e completa irresponsabilidade do governo federal, que já sabia há anos que tal situação estava para acontecer e nada fez?

Foi nesse cenário que Lula se elegeu. Sem apoio da mídia (que, todavia, ciente da situação desastrosa que o país se encontrava, calou-se e fingiu-se de "imparcial") e graças a um leque de alianças com partidos de várias tendências e de aluguel (que se não tivessem se alugado ao PT, o teriam feito ao PSDB sem que ninguém reclamasse). Estava armado o plano "perfeito" para a direita, que naquele momento estava por demais enfraquecida dada a situação desastrosa que deixou o Brasil. Sonhavam que o PT não teria capacidade para recuperar o país e aí poderiam voltar, triunfantes, para o poder com soluções mágicas regadas a novos bilhões "emprestados" pelo FMI.

Só que o PT não apenas recuperou o Brasil, como também vem atingindo índices que NUNCA foram atingidos antes. Isso enfureceu a direita que, obviamente, apelou para o plano B: acusações de corrupção (a maioria não comprovada, nem sequer embasada em qualquer tipo de evidência mínima) e campanhas para assustar a população - igualzinho ao que fizeram com João Goulart, em 1964.

Só que, para o desespero deles, essa tática também não está dando muito certo. Embora muita gente tenha entrado nessa ingenuamente (até membros da esquerda), é visível que a maioria da população não está mais sendo enganada tão facilmente assim. A ditadura já está longe e as pessoas não têm mais tanto medo de falar sobre política.

A verdade é que a direita não soube se reciclar e ficou só apelando para jargões que hoje já não assustam ninguém. E também a influência da mídia, apesar de ser grande, não está mais surtindo o efeito esperado - ainda mais quando os senhores que acusam os petistas de corruptos são os maiores salafrários da história, pessoas sem a menor moral para acusar ninguém, muito menos para posar de vestais da ética e da honestidade.

Existe limite para a ingenuidade das pessoas. Afinal, temos um quadro que, de um lado, mostra um país melhor e menos desigual, e de outro, um monte de bufões ridículos e hipócritas, que fingem na maior cara de pau que estão preocupados com melhoria da condição do brasileiro e que a corrupção no Brasil começou com o governo do PT...

Convenhamos, ninguém gosta de ser chamado de burro. Especialmente nós, que somos as pessoas que dão o sangue todos os dias para construir a grandeza do Brasil - também conhecidos como "povo". Não é à toa que o tiro deles está saindo pela culatra...

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