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quarta-feira, 27 de julho de 2005

Utilidade Pública: Manual do Petista para aguentar a crise

Nós, petistas, estamos vivendo um momento ímpar. O partido no qual optamos por votar está sendo atacado brutalmente pela mídia corporativa, a qual usa deslizes e atos supostamente ilícitos cometidos por alguns membros dele para difundir a tese de que “político é tudo igual”, argumento que se torna muito mais desmoralizante quando usado contra o PT, já que é o único que sempre lutou contra a corrupção e os desmandos.

Não vou discutir aqui se as denúncias são todas verdadeiras ou o que deve ser feito com os acusados. Gostaria apenas de repartir com vocês uma estratégia que estou usando para manter a sanidade e também a convicção intactas (dentro do possível) enquanto continua o ataque.

1) Fuja da mídia corporativa. Já sabemos que Veja, Rede Globo, Estadão, Folha, etc têm e sempre tiveram ódio do PT. Por isso, buscar informações nestes veículos e seus adjacentes (como o portal UOL) vai servir apenas para nos deixar revoltados, deprimidos e em muitos casos achando que tudo que está publicado ali é verdade. Isso não quer dizer que devemos nos alienar, pelo contrário. Devemos é procurar as notícias em veículos com maior grau de isenção e responsabilidade, como CartaCapital, Agência Carta Maior, CBN, entre outros (poucos).

2) Quando alguém nos atacar ou ridicularizar pessoalmente, ao invés de abaixar a cabeça e amaldiçoar o Zé Dirceu ou o Delúbio, lembremos que o PT está no governo e muitas coisas boas estão sim sendo feitas para melhorar o país. Estamos longe do ideal, mas não é preciso muito esforço para perceber que algumas mudanças foram feitas ou estão em curso. E o que não mudou ao menos não piorou. Ou seja, agora é a hora de defendermos nosso partido com atitudes positivas e com fatos. Contra boatos e manipulações grosseiras, nada melhor que fatos!

3) Quando jogarem a lama em nossa cara vamos admitir que existem erros, mas que estamos aprendendo com eles e exigindo que os dirigentes do PT façam o mesmo, diferente do que fazem os outros partidos. É só perguntar: quantas vezes você viu algum dirigente do PSDB ou do PFL realmente preocupado quando uma denúncia contra eles aparecia no passado? Quantas vezes esses partidos trocaram de presidente ou enviaram alguém a uma CPI para admitir que havia cometido algum ato ilícito? Zero!

4) Quando usarem o argumento que o PT não realizou mudanças na área econômica e que o país só está assim porque seguem o modelo econômico anterior, digamos que isso pode até ser verdade, mas então lembremos da situação que o país se encontrava nos últimos anos do governo FHC e comparemos com a atual. “Já que é pra seguir esse modelo, melhor então votar no PT, pois ao menos eles o administram com maior competência, não?” Contra esse argumento nenhum baba ovo da direita tem resposta, acreditem...

5) Nada, mas nada, vai irritar mais um direitista babaca do que ver um petista orgulhoso de seu partido, mesmo com as atuais denúncias. Isso não apenas vai demonstrar que o circo atual armado por eles para destruir o partido para sempre não está funcionando, como vai servir de exemplo para quem já está querendo fugir do barco ou então começa a acreditar que tudo está perdido e que o PT é realmente igual aos outros. Nessa hora, ao invés de nos juntarmos às hienas, que riem da própria desgraça, ou aos chacais, que adoram devorar a carniça alheia, devemos continuar defendendo o que existe de bom no partido, sempre deixando claro que exigimos apuração séria das denúncias e punição aos culpados.

6) Evite, a todo custo, radicalizar os discursos, proferindo palavras como “ditadura do proletariado” ou “agora é a hora do PT voltar ao socialismo”, pois 80% da população não têm idéia do que isso quer dizer e, por isso, tais discursos vão ser usados pela mídia para amedrontar a sociedade alienada e demonstrar que o PT é inviável, pois “os centristas são ladrões, enquanto os mais à esquerda são loucos varridos que vão invadir sua casa e dividi-la ao meio!”. Lembrem-se que pessoas como Heloísa Helena (ex-PT e atual PSOL) estão tão à esquerda, mas tão à esquerda, que já chegaram à direita. Ou alguém acredita que seus arroubos histéricos contra o PT estão fazendo algum bem para as causas da esquerda? ACM Neto e afins já já mandam fazer uma estátua para a pobre moça.

Bem, essa é apenas a minha modesta opinião e, acreditem, ao menos para mim está funcionando. A partir do momento que passei a aplicar isso em meu dia-a-dia, deixei de andar de cabeça baixa, com medo de ser ridicularizado ou atacado por pseudo-amigos que usam a atual crise para tripudiar. Deixo os rumos que o PT deverá tomar e as críticas reservadas para debater em casa ou com pessoas que sei ser sensatas e bem informadas.

Espero ter ajudado!

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Luto: Morre James Doohan, o Scotty de "Star Trek"

Faleceu hoje James Doohan, o engenheiro-chefe Scotty da série clássica de Jornada nas Estrelas.

O ator canadense de 85 anos era portador do Mal de Alzheimer, tinha diabetes e Mal de Parkinson e no ano passado despediu-se da vida pública na convenção Beam me up, Scotty...One Last Time.

Na ocasião, o ator, ex-combatente na Segunda Guerra Mundial e padrinho de inúmeras turmas de engenharia, recebeu sua merecida estrela na Calçada da Fama, em frente ao Hollywood Entertainment Museum.

Doohan deixa sua esposa, Wende, três filhos (Eric, Thomas e Sarah) e uma legião de fãs.

Desabafo: Constatação do óbvio...

O que está acontecendo agora já estava sendo planejado desde que deixaram o Lula ganhar a eleição. Os falcões da direita já deviam saber dessas falcatruas que Delúbio e cia. estavam fazendo, permitiram a eleição do metalúrgico e fingiram-se de mortos.

Assim consolidaram entre a massa e a comunidade internacional a ilusão de que o Brasil é um "Estado democrático e de Direito", onde até um ex-pobre pode chegar ao poder. A mídia marrom também se controlou para consolidar a outra ilusão, a de que existe liberdade de imprensa no Brasil e que é imparcial.

Mas, agora, que o governo Lula não destruiu o país como esperavam, pelo contrário, está se saindo bem e ganhando pontos na confiança popular, chegou a hora de jogar a merda no ventilador (talvez um pouco antes do que planejaram).

Vocês não viram o Star Wars 3? Dá até pra imaginar o Darth-FHC dizendo "666" para que os Jeffersons, Valérios e afins infiltrados no PT passassem a servir de cavalos de Tróia para a derrocada final do partido.

É triste. Muito triste. Pior é ver que o PT caiu como um patinho nessa armação toda (por burrice, ingenuidade, soberba ou tudo junto) e agora ficamos com cara de ostra em coma, tentando entender o que está mais do que óbvio. E diante do consenso fabricado pela nossa grotesca mídia, é praticamnte impossível reverter o quadro.

Lula vai cair amigos. É questão de dias ou semanas. E, se não cair, vai chegar à reta final se arrastando e sangrando, enquanto seus companheiros de partido se matam entre si para ver qual a facção vai tomar o controle (os centristas, que fazem acordos esquizofrênicos e metem o pé na jaca da corrupção, ou os esquerdistas cujo discurso radical-utópico serve de farta munição para a mídia assustar a massa alienada).

A única solução seria mesmo o povão ir pras ruas defender o governo. Mas, sabemos, a possibilidade disso acontecer é praticamente nula. Mais fácil as dondocas da Daslu e os playboys do McKenzie pintarem as caras e exigirem a saída de Lula em praça pública.

The End.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Música: Jerry Goldsmith em DVD

Acabei de receber o DVD que traz um excelente documentário sobre o grande Jerry Goldsmith, compositor de centenas de trilhas musicais para filmes como "Jornada nas Estrelas - O Filme", "Alien - O Oitavo Passageiro", "A Ilha do Adeus", "Planeta dos Macacos", "Poltergeist", "Instinto Selvagem", entre tantos outros.

O documentário foi dirigido pelo maestro Fred Karlin em 1995 e traz vários depoimentos do próprio Goldsmtih e seus colegas de profissão, entre eles cineastas consagrados como Franklin J. Schaeffner e Paul Verhoeven.

Além disso, somos brindados com cenas do compositor trabalhando junto à orquestra durante a gravação da trilha musical de "O Rio Selvagem".

Vale a pena! Visite o site Music from the Movies e peça o seu - mas corra, pois restam menos de 250 unidades!

Dica: ao postarem sua ordem, enviem um email ao site pedindo que enviem o DVD marcado como "gift" no pacote, pois assim você não pagará taxas alfandegárias.

Em tempo: dia 21 de julho vai completar um ano que Jerry Goldsmith faleceu, depois de uma longa luta contra o câncer.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

CartaCapital: Um Banho de Jornalismo

A revista CartaCapital dessa semana dá mais um banho de jornalismo sério e investigativo, que vai fundo nas notícias e não se limita a reproduzir roboticamente o que o resto da mídia corporativa fala.

Duas reportagens merecem destaque:

1) A que aborda, de maneira divertida, o protesto realizado por um ONG contra o abuso aos animais nas portas da DASLU, aquele templo ridículo do luxo e da ostentação frequentado por novos ricos e dondocas paulistanas.

2) A que analisa os depoimentos de Marcos Valério e de sua ex-secretária, a patética Fernanda Somaggio, alertando para os perigosos elos que ambos têm com o empresário Daniel Dantas. Abaixo um trecho da matéria:

DE ORELHA EM PÉ
Dantas é citado várias vezes nos depoimentos da CPI dos Correios. Surge novo empréstimo ao PT avalizado pelo publicitário

Por Luiz Alberto Weber

O espectro de Daniel Dantas paira sobre os trabalhos da CPI dos Correios. Durante os dois depoimentos mais esperados da semana, o do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza,acusado de operar o mensalão, e de sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, o nome do banqueiro foi repetido quase tantas vezes quanto o do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-ministro José Dirceu. Um recorde para quem, em tese, não tem nenhuma relação com a crise política que assola Brasília.

Na quarta-feira 6, Marcos Valério confirmou aos parlamentares ter intermediado
contatos entre Carlos Rodenburg, sócio de Dantas, e Delúbio Soares. A agenda da
secretária registra, ao menos, um encontro de Valério, Delúbio e Rodenburg no
hotel Blue Tree, em Brasília, em 2003. Na versão do publicitário, os encontros
foram solicitados pelo Opportunity, interessado em melhorar as relações com a
cúpula do PT. Ele nega qualquer lobby junto ao governo em favor do banqueiro.

Confira a íntegra dessa reportagem na edição impressa
Vale a pena ler CartaCapital, a não ser, é claro, que você se contente em receber informações mastigadas e com um resumo daquilo que você deve repetir para seus amigos como sendo a "sua opinião" sobre os fatos, a lá Veja e afins...

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Reflexão: Sobre o depoimento da ex-secretária...

Duas declarações chamaram a atenção no depoimento da Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do Marcos Valério na SMPB, à CPMI do Congresso pois são por demais absurdas:

1) A moça afirmou que foi contratada para ser SECRETÁRIA PESSOAL do poderoso empresário depois de ter registrado seu curriculum em uma agência (a qual ela não lembra o nome) pela internet e de ter sido chamada e entrevistada (por alguém cujo nome ela não lembra também).

PERGUNTA: Será mesmo que um empresário do porte do Valério contrataria alguém para ser sua secretária pessoal dessa maneira? Uma pessoa que era responsável por fazer todos esses pagamentos e depósitos milionários em contas de figurões, políticos e autoridades seria escolhida assim, dessa forma, via um curriculum postado na internet e entrevistas realizadas por terceiros? Ah, tenham dó...

2) Fernanda afirma que "achou" por acaso em sua casa um fax com recibo de depósito milionário feito na conta de figurões da política e também um fichário com todos os contatos telefônicos do seu ex-chefe.

PERGUNTA: Qualquer pessoa que já tenha trabalhado no meio empresarial sabe que é praticamente impossível você sair de uma empresa da qual acabou de ser desligado levando documentos confidenciais dela e, muito menos, um fichário completo com números de telefones! Isso fica ainda mais ridículo depois de sabermos que a moça trabalhou míseros nove meses na empresa, portanto, levando-se em conta suas próprias afirmações, ela não teria como ter tomado conhecimento de tudo que diz ter visto e ouvido, a não ser que o tal de Marcos Valério seja um completo imbecil para desfilar como malas e malas de dinheiro e reunir-se com figurões da política para tratar de falcatruas bem na frente da sua nova secretária, que por sinal havia sido contratada via uma agência virtual! Chega a doer, de tão ridículo isso...

Essa história está MUITO, mas MUITO, mal contada. Que existem fatos espúrios no meio de tudo isso e que tem gente do PT envolvida, parece não haver dúvida. Agora, esse monte de absurdos que estão sendo proferidos são inacreditáveis. Pior ainda é ver a nossa mídia reproduzindo tudo isso como se fosse "verdade factual", sem nem ao menos questionar a credibilidade das fontes... É patético!

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Denúncia: "Folha de SP Manipula Notícias"

A cada dia que passa fica mais evidente a manipulação que as empresas de comunicação fazem dos fatos políticos nacionais.Confiram abaixo um trecho de matéria publicada pela “Folha”, um dos principais defensores do modelo neoliberal imposto pelo governo FHC:

Congresso cria CPI para investigar "mensalão" e compra de votos

da Folha Online

O Congresso criou na noite desta terça-feira a CPI do "mensalão" para investigar as denúncias sobre o suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada em troca de apoio político.

Um acordo entre as lideranças da Câmara e o Senado definiu que a comissão irá tratar também da questão da compra de votos em 1997 para aprovar a emenda da reeleição na época do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A proposta constava em um requerimento de criação da CPI na Câmara.


Leiam o restante da matéria aqui.

Reparem no óbvio:

1) O Título. enquanto qualquer denúncia contra o governo Lula ou contra o PT vem com os nomes deles estampados no título, aqui não existe isso. Se essa matéria tratasse de denúncias apenas contra o PT, ele seria: “Congresso cria CPI para comprovar (e não investigar) “mensalão” do PT” ou algo do gênero. Mas aqui, nada de “CPI vai investigar denúncia de compra de votos no governo do PSDB”.

2) A abertura do texto não traz qualquer menção ao PSDB ou mesmo ao FHC, que são os alvos das denúncias de compra de votos. O nome do ex-presidente só aparece no segundo parágrafo e ainda assim apenas como referência histórica. Ao leitor desavisado, fica a certeza que existe uma denúncia de compra de votos na época que o FHC era presidente, mas não que foi ele e seu partido quem compraram os votos!

3) O texto continua e em nenhum momento se esclarece o que é, afinal, esse esquema de compra de votos. Não ficamos nem mesmo sabendo quem está sendo acusado (FHC e o PSDB). E, se não bastasse isso, no final do texto fazem questão de lembrar qual é o partido acusado de distribuir o “mensalão” (o PT, é claro) e ainda fazem um resuminho do que está sendo marretado diariamente sobre o assunto.

É realmente lamentável que isso continue acontecendo em nosso país de forma tão ostensiva e descarada. Infelizmente, enquanto não houver liberdade de imprensa verdadeira e respeito ao direito de defesa para pessoas ou instituições por parte da mídia, nunca teremos uma verdadeira democracia no Brasil.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Artigo: "O abraço de urso de FHC"

Como de costume, o professor Emir Sader nos brinda com uma brilhante e ácida análise da situação atual da política brasileira. Vamos torcer para que Lula e aqueles próximos a ele leiam tais textos...


Apesar do cartum acima ser de 2000, serve muito bem para ilustrar o que
pretende a coalizão da direita PSDB/PFL para a próxima eleição em 2006.

O abraço de urso de FHC

À oposição não interessa um impeachment que arrisca deslocar Lula da sua condição de acuado para a privilegiada condição de vítima, tornando-o capaz de mobilizar os setores populares. Interessa, sim, sangrar o presidente até conseguir abatê-lo nas eleições do ano que vem.

- Por Emir Sader

FHC aconselhou Lula a não se apresentar como candidato à reeleição! Poderíamos pensar que seu conselho é retirado da experiência do seu próprio – e ainda mais desastrado que o primeiro – segundo mandato; mas não. Até hoje, FHC só fez uma única autocrítica ao seu governo: a de ter dado pouca importância ao tema da segurança (seu correligionário, governador de São Paulo, parece estar dando bem mais importância ao tema: vide Febem, chacinas e a situação da (in)segurança pública no Estado).

FHC está oferecendo um drinque envenenado a Lula. Trata-se de um acordo político em que Lula renunciaria publicamente a candidatar-se a um segundo mandato, os tucanos fariam o “sacrifício” de participar de um governo de “salvação nacional”, a máquina de denúncias acalmaria e o campo ficaria livre para o retorno da coalizão PSDB-PFL ao governo.

Retorno que garantiria a manutenção da mesma política econômica que foi entregue ao governo Lula – vários nomes continuariam nos seus postos atuais –, retomando, ainda, o processo de privatização que permaneceu inacabado.

Além disso, prestariam um grande serviço aos EUA – de que FHC, Malan, Celso Lafer, entre outros, são fervorosos devotos – , o de liquidar com a política externa independente do Brasil, que tem procurado articular as mais amplas alianças de resistência à hegemonia imperial estadunidense, contando, também por isso, com a mais ampla simpatia e o apoio de Washington. Eis que FHC desempenha papel similar ao de personagens como Carlos Lacerda, na tentativa de golpe de 1954 e no próprio golpe de 1964. Verdade que, hoje, já não é mais necessário freqüentar as portas dos quartéis, mas sim os agentes da especulação financeira – os verdadeiros sujeitos dos golpes contemporâneos. Esse é o papel do corvo de hoje – FHC – vivandeira das Bolsas de Valores.

Com a saída de José Dirceu do ministério, já conseguiram lixar mais ainda as unhas de Lula. O distanciamento e a inculpação que Lula anda fazendo do PT conseguem salvar sua imagem no curto prazo – afinal, teria sido traído pela confiança depositada em companheiros – mas, a médio e a longo prazos, fica enfraquecido, ainda mais se pensa na reeleição, quando o PT será o diferencial necessário.

A direita quer Lula acuado, obrigado a compor um novo gabinete, ainda mais comprometido com a atual política econômica, como se ainda fosse necessário, já que a equipe econômica tem cumprido tão bem esse papel.

Do outro lado da mesa, nenhum personagem da política brasileira atual consegue circular com tanta facilidade e, ao mesmo tempo, tanto entre os grandes empresários, como entre os Severinos e entre os agentes do governo dos EUA, como faz FHC. Desfruta a confiança do grande empresariado e de Washington.

Conta com gente experimentada em golpes – afinal de contas Olavo Setúbal está entre os empresários que articularam o golpe militar de 1964, no famigerado Ibade, do qual participava, também, o então jovem economista Paulo Malan, mais tarde braço direito do governo de FHC, e que, naquela época, fazia análises econômicas para os golpistas, como relata René Dreyffus em seu livro “1964 – A conquista do Estado”, sobre o golpe militar.

Se Lula aceitar esse “apoio” terá decretado não somente sua morte política, como a do seu governo e a do próprio PT, como partido. Os tucanos temem o apoio popular que Lula ainda mantém, bem como sua capacidade de mobilização desses setores. Se aceitar esse presente de grego, Lula ficará refém dos tucanos, colocando-se na contagem regressiva para devolver-lhes o governo.

Terá tido uma passagem efêmera pela presidência, simplesmente para deixar consignado que as elites dominantes aceitam a alternância no governo, permitindo que até mesmo um ex-operário e ex-líder sindical possa chegar ao posto político máximo do país. Terá atestado, também, que quem quer que seja o presidente do país, nada muda, nem mudará– seja no conteúdo das políticas, seja no manejo nada ético do governo e das suas alianças.

Para essa operação retorno, FHC e os tucanos contam com membros da equipe econômica do governo Lula, que poderiam estar em qualquer um do dois governos. Têm o apoio decidido da grande mídia e, ainda, saem fortalecidos com a própria incapacidade de reação do governo frente às acusações que recebe. Aécio Neves tornou-se o mensageiro desse abraço de urso com o qual os tucanos pretendem asfixiar Lula e seu governo.

A anunciada adoção do plano de Delfim Neto de déficit zero, institucionalizando os cortes nos recursos para as políticas sociais, seria mais um aríete que a oposição quer fincar dentro do governo. Na crise ninguém deve permanecer no mesmo lugar. Se quiser romper o cerco de que está sendo vítima, o governo precisa movimentar-se, retomando a iniciativa e deslocando a atual situação. O problema é que pensa movimentar-se rodopiando no mesmo lugar, obtendo uma sobrevivência imediata aliando-se ao PMDB, mas sob o risco de não conseguir derrotar a ofensiva de denúncias.

À oposição não interessa um impeachment que arrisca deslocar Lula da sua condição de acuado para a privilegiada condição de vítima, tornando-o capaz de mobilizar os setores populares que continuam sob sua liderança. À oposição interessa, sim, sangrar Lula até conseguir abatê-lo nas eleições do ano que vem.

Lula pode deslocar-se para a direita, aceitando o drinque envenenado oferecido por FHC; seria seu suicídio. Mas, também, pode afirmar “afasta de mim esse cálice”, pode recusar o veneno e buscar inocular-se pela única via que ainda é capaz de deslocar para a esquerda o quadro político muito negativo em que seu governo está metido. Pode buscar apoio na mobilização dos movimentos sociais, da cidadania, dos que ainda acreditam que é possível mudar o Brasil dando prioridade ao social.

Mas não se faz omelete sem quebrar os ovos. Para encontrar esse apoio, Lula precisará mudar sua política econômica de modo a garantir o desenvolvimento apoiado no mercado interno de consumo popular e na redistribuição de renda, ou seja, uma política econômica na direção do documento que os movimentos sociais entregaram a Lula.

Um grande dirigente afirma-se nos momentos de crise e na sua capacidade de diferenciar seus adversários dos seus aliados. Se não quiser afundar-se cada vez mais nesse terreno movediço que só prepara e faz avançar sua própria derrota em 2006, Lula precisa decidir-se a assumir o comando, seja pela direita ou pela esquerda.

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

Humor: "Perguntar não ofende..."

Mais uma da série "Perguntar não Ofende".
Confira abaixo mais um hilariante título de matéria publicada pelo jornal "Folha de PSDB"... quer dizer, "de SP":

"Para analistas, pilar ético do PT ruiu"

Perguntas óbvias que vêem à cabeça de pessoas normais:
1) Quer dizer então que todos os outros partidos que também já foram alvos de denúncias (100% deles, a maioria comprovada) também ruíram eticamente?

2) Ou quer dizer que todos os outros partidos nunca tiveram "pilares éticos" para serem ruídos em época de denúncias (ou seja, sempre foram assumidamente anti-éticos)?

3) Será que a nossa mídia corporativa ainda não percebeu que sua abordagem parcial e inflamatória da atual "crise" está por demais evidente?

Perguntar não ofende... ou ofende?

sábado, 2 de julho de 2005

Artigo: "Cinco razões para defenestrar Lula"

O texto abaixo do professor Flávio Aguiar é excelente. Leiam e comprovem!



Cinco razões para defenestrar Lula

Em meio à crise, vem-se dizendo à esquerda e à direita que a turma da Casa Grande não teria motivos para defenestrar Lula do Planalto, uma vez que a política econômica lhe satisfaz. Ledo engano. A entrevista de FHC à revista "Exame" é um indício disso.

- Por Flávio Aguiar

Em meio à maré de denúncias e debates sobre corrupção no PT, no governo, em estatais e no Congresso, vem-se propalando tanto à direita quanto à esquerda a tese de que a turma da Casa Grande brasileira, em especial a do disco rígido financeiro e rentista, não teria o menor motivo para defenestrar Lula do Planalto, uma vez que a sua política econômica lhe protege e satisfaz o apetite.

Ledo engano. O indício mais claro desse engano é a solerte sugestão do sempre alerta Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista Exame que ora circula, sugerindo que Lula declare não ser candidato em 2006 como modo de saltar sobre a crise de governo, além de repetir que o PT é um partido anacrônico, estatista, etc. Dou abaixo algumas razões para que a Casa Grande queira defenestrar Lula, seja em 2006, seja antes, se esta oportunidade se oferecer ou se impuser.

1) Há prisões demasiadas de empresários aparecendo na TV, e escritórios de advocacia tendo arquivos abertos. Já se ouvem gritas na também sempre alerta imprensa, em artigos e editoriais, reclamando que a Polícia Federal está demasiado à solta. Ou que o governo faz publicidade e espalhafato com essas prisões e devassas. Ora, um Ministério da Justiça de fato comprometido com a luta contra os crimes de colarinho branco é coisa que tira o sono de muita gente na Casa Grande brasileira. E o povão gosta de ver colarinho branco criminoso algemado ou preso. Ou não?

2) Lula negociou com o MST. E resistiu ao tratoraço dos ruralistas em Brasília, não lhes cedendo tudo aquilo que queriam. Até o momento o governo não reprimiu um único movimento de trabalhadores. Apesar de envolto pela política econômica neoliberal que recebeu de herança, Lula guarda uma identificação de raiz com as classes trabalhadoras e a gente pobre. Não extirpou completamente a esquerda de seu governo nem deixou de fazer políticas sociais de relevo, ainda que comprimidas pela torneira seca do Ministério da Fazenda e dentro da moldura apertada da tecnocracia do Banco Central, através do sacrossanto superávit primário. Mas é o suficiente para que a Casa Grande não goste e veja o governo com desconfiança. Além de lhe ser também uma ameaça ao sono tranqüilo, esse permanente cheiro de pobreza e trabalho no paço é uma ofensa à sua visão de cultura, ao seu gosto e ao seu estilo.

3) A política externa. Hoje se trava uma luta na América Latina de dimensões continentais. A comarca andina está tomada por insurreições populares. Da Bolívia, vieram fotos suficientes para molestar o sono da Casa Grande, sobretudo quando entre os camponeses apareceram os capacetes dos mineiros, com seus cartuchos de dinamite a enfrentar o Exército, como em 1952. Governos à esquerda espalham-se pelo continente. É uma questão de classe: neste quadro de confronto, é fundamental para a Casa Grande retomar o controle direto sobre a política externa de metade da América do Sul, isto é, o Brasil e consolidar a sua política de alianças. Além do mais, a nova inflexão da política externa brasileira inverteu o sentido das negociações da Alca, aproximou-se de países emergentes, consolidou-se como uma das lideranças neste grupo, enfrentou os países onde se concentram os donos do mundo. É demais para a Casa Grande, cujo interesse principal é o de subordinar de todo a política externa à garantia de créditos internacionais.

4) Lula ainda tem por trás de si um partido que pode se reerguer das brasas em que está sendo fritado. Esse partido é um patrimônio da esquerda nacional, continental e mundial. No momento, sua direção está acuada pelas acusações e sua militância, aturdida. Mas se esta militância vencer a confusão e trocar a direção do partido, ou pelo menos forçar a troca da direção em que a direção se move, Lula terá reativado o braço esquerdo de sua administração. Assusta as noites da Casa Grande o pesadelo de ter pela frente um partido que, ao invés de ter de ficar explicando sete dias por semana por que não afasta ou se afastam de sua direção os acusados de corrupção enquanto durem as investigações, passe à ofensiva, rearticulando-se com os movimentos sociais e pressionando para que se acentue o lado social do governo Lula e ponha em declínio o seu lado neoliberal.

5) Lula está grudado em Palocci, na Fazenda e no Banco Central, mas Lula não é Palocci. Palocci comprou e revendeu a política econômica dos tecnocratas da Fazenda e do Banco Central. Para a Casa Grande, é ele o presente fiador público dessa política, como matérias na imprensa vem demonstrando, não Lula. Lula é um acidente de percurso, uma pedra no sapato, ainda que o sapato continue andando na mesma direção. Em algum lugar do passado, Lula se declarou favorável à ampliação do Conselho Monetário Nacional. De vez em quando Lula peita a política da Fazenda. Foi assim no acordo com o MST, foi assim no caso do Fundeb. O sonho dourado da Casa Grande é ter uma disputa em 2006 entre Palocci e Alkmin, ou sucedâneo, como FHC ou Serra. Já pensou? Em que lua de Saturno eu vou me refugiar?


É claro que, para a Casa Grande, ainda há muita coisa a acomodar nesse quadro. Como satisfazer o apetite do PFL? Como ajeitar a disputa interna no PSDB? Que pedaço do PMDB atrair para uma nova frente de direita? Como garantir que a metralhadora giratória do deputado Roberto Jefferson só cause estragos no PT e no governo, uma vez que isso de manchetes só darem destaque a essa parte das acusações tem limites? Como impedir que a crise da esquerda jogue água no moinho de algum Berlusconi à brasileira, ou novo Collor, com quem tenha de renegociar suas pretensões? Como conciliar a bandeira que está se firmando, de diminuir drasticamente o número de cargos de confiança, coisa que o governo Lula deveria empalmar como bandeira, quae sera tamen, ainda que tarde, com o tradicional apetite dos partidos que a representam? Como evitar que a bandeira, que também se afirma, do financiamento público de campanhas eleitorais, comprometa seus métodos tradicionais de influenciar a vida partidária? Que concessões fazer ao Condomínio da Classe Média, agitado ou deprimido pelas novas denúncias de corrupção, e comprimido entre a avidez financeira e rentista, e a pressão por dias melhores dos “de baixo”, uma vez que o currículo dos partidos que representam a Casa Grande é assustador?

O Brasil é um país peculiar, porque tem movimentos sociais organizados e muito fortes, apesar da retração que lhes é imposta em tempos de império do mercado: como impedir que eles se aglutinem e façam barreira intransponível à pretensão da Casa Grande de acaudilhar de vez o Estado pela próxima década e por todos os séculos dos séculos amém? Como afastar Lula antes da eleição, se seu prestígio junto ao povo permanecer inalterado apesar das denúncias, sem provocar uma comoção social, pondo os movimentos na rua a defender seu mandato?
Como passar à ofensiva ideológica, uma vez que tudo o que os arautos da Casa Grande na imprensa e fora dela defenderam, baseados no Consenso de Washington, deu errado no mundo inteiro e no Brasil, fazendo naufragar antes do tempo os vinte anos da prometida “era FHC”? Como rearranjar um acordo entre os interesses rentistas, industriais, comerciais, e agronegociais? Como neutralizar a bandeira da reforma agrária sem dar a impressão de que estaria fazendo isso?

Como vêem, a vida na Casa Grande, ainda que mais amena do que no resto do Brasil, também não está fácil. Uma coisa é certa: para ela, nenhuma resposta possível a estas perguntas passa pela presença de Lula no Planalto além de 2006, seja ele símbolo ou líder, ou coisa que o valha. Todas elas exigem a restauração, no paço, dos seus brasões ou varões assinalados, ao invés de alguém que ainda cheira demais a povo.

Resta saber o que a esquerda vai fazer. Se vai enfiar a cabeça no buraco ou se vai de novo olhar o horizonte e recuperar sua estrela-guia. Mas isto é assunto para outra carta, que esta já vai longa na noite que estamos atravessando.

Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Humor: "É rir para não chorar"

Da série "Frases Impagáveis", desta vez proferida pelo nosso ex-presidente-sociólogo, o "homem-do-apagão", mentor espiritual do PSDB:

"Lula deve desistir da reeleição", diz FHC

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