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quinta-feira, 30 de junho de 2005

Análise: "Uma saída para o PT"

Finalmente consegui encontrar um artigo que aponta as verdadeiras causas da crise que o PT se meteu e também, principalmente, aponta saídas para ela. Muito diferente da gritaria sem nexo que vemos por aí - tanto da turma da direita, quanto dos da esquerda.

O PT não acabou

Sem negar a gravidade da crise e seu impacto sobre a militância petista, esse artigo pretende argumentar que a crise é da cúpula petista e não de um projeto ético construído pela base petista. Assim, a saída no interior do partido tem de passar pela mudança radical na composição da sua direção.

Leiam o artigo completo neste link e tirem suas próprias conclusões!

Humor: "Perguntar não ofende"

Sinceramente, o que será que leva pessoas que odeiam o PT ou que têm raiva de "esquerdistas" a visitarem sites como esse aqui? Seria algum tipo de sado-masoquismo virtual? Ou uma carência afetiva exacerbada que leva à busca incesssante por qualquer tipo de atenção? Obviamente eles não vão encontrar aqui aquele tipo de leitura que os excita e os seduz. Para isso existem as "Vejas", "Primeiras Leituras", "Folhas" e "Estadões" da vida. Eu não leio esse tipo de imprensa marrom, justamente por saber o que elas pregam e quais são seus reais objetivos.

Entretanto, a turma da direita (confessos e inconfessos) e os anti-esquerda (que não sabem nada de nada, exceto que odeiam o PT) insistem em visitar tudo quanto é site esquerdista e, não satisfeitos em ler tudo que escrevemos, ainda não resistem em postar aquelas mensagens provocativas que envergonhariam até crianças de 10 anos de idade. Eu, por exemplo, fui obrigado a desligar a opção de "comentários" aqui no blog. Qualquer discussão pertinente ou troca de opiniões e informações sadia teve que ser sacrificada para impedir que neo-nazistas, tucanos-bimbas e pseudo-niilistas infectassem o espaço com suas mensagens repletas de ódio e rancor.

Mas, tudo bem. Não importa saber quais as patologias psíquicas que os levam a fazer isso. O importante é que continuem lendo tudo o que escrevemos com esse afinco e dedicação que lhes é tão peculiar. Afinal, como diz a sabedoria popular, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". A esperança é sempre a última que morre...

terça-feira, 28 de junho de 2005

Política: "A responsabilidade das esquerdas - parte 2"

O que significa hoje "ser de esquerda"? Pra mim significa defender em público o que há de bom no atual governo, ao invés de ficar achando que está tudo acabado, falido ou que ninguém presta, reforçando assim o que já há de negativo (para isso temos a imprensa marrom trabalhando diariamente).

Que o PT tem problemas e tem gente louca e arrogante, que o governo tem falhado em várias áreas e aspectos, que o ser humano é corruptível e que alguns vão sucumbir à desonestidade, é mais do que óbvio. Ou será que votamos mesmo no PT por acharmos que são todos santos, incorruptíveis e infalíveis? Bom, eu não votei. Isso eu posso garantir. Se eu achasse isso, sinceramente, melhor seria procurar ajuda psquiátrica...

Em minha modesta opinião, penso que quem é de esquerda e/ou petista tem o dever de defender as conquistas do governo em público. Por que? Para que aqueles que votaram em Lula sem muita convicção e acreditam no que lêem na mídia corporativa (a grande maioria, infelizmente) não sejam manipulados tão facilmente. Afinal, se todos estão marretando o PT, inclusive nós, da esquerda, não adianta reclamar depois que o novo Frankstein da direita ganhar as eleições.

As críticas são imprescindíveis (desde que construtivas) e devem ser publicadas, é claro, ou então dirigidas para aqueles que podem efetivamente melhorar as coisas.

No meu caso, só posso atuar na primeira opção, pois não tenho contato com nenhum dirigente petista ou mesmo pessoa ligada ao governo e nem tenho espaço na mídia corporativa. Os que têm, ótimo, mãos à obra!

Só tenho uma certeza: desacreditar o PT ou então dividir as esquerdas baseados em denúncias não comprovadas (ainda) só vai fortalecer a direita. Infelizmente a realidade atual é essa. Quem sabe um dia isso muda e a gente possa ter outras opções realistas na esquerda e não esses fanáticos extremistas que pregam algo inviável e francamente irresponsável? Enquanto esse dia não chega, vamos botar os pés no chão e defender o que ajudamos a construir. Se não fizermos isso, quem vai fazer?

A direita já está fazendo o que dela se espera - seja via seus lacios da mídia corporativa, seus representantes no congresso ou via os alienados de plantão que repetem como papagaios acéfalos tudo que a imprensa os enfia goela abaixo como "verdade factual".

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Pesquisa: "Lula X FHC"

Esqueça por alguns momentos toda essa avalanche de notícias negativas (pré-fabricadas pela mídia corporativa) sobre o governo Lula e leia o texto publicado pela excelente revista CartaCapital que traz o resultado de uma pesquisa que compara o atual governo versus o antigo (do FHC do PSDB) encomendada pela Confederação Nacional da Indústria.

Abaixo alguns dos principais trechos da matéria:

CONFRONTO DE NÚMEROS
Comparação de 100 indicadores vê diferenças entre governos Lula e FHC

"O governo Lula é melhor do que o governo de Fernando Henrique Cardoso? Parece que sim, para 48% da população brasileira, conforme mostrou o Ibope divulgado em 17 de junho."

"A vantagem do governo petista sobre o tucano tem sido freqüente. Já foi maior (55% em setembro de 2003) e menor do que agora (em junho de 2004 baixou para 42%)."

"“Nos 100 indicadores de desempenho, os dois primeiros anos do governo Lula bateram os do primeiro biênio FHC em 56 deles, contra 44 médias de FHC superiores às de Lula”, afirma o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em texto publicado na revista Insight Inteligência (...)"

"Para Wanderley Guilherme, o resultado tira o argumento martelado pelas vozes de oposição: “É falsa a propaganda de que a gestão do atual governo inexiste ou é inepta”, disse ele a CartaCapital."

"No confronto dos dois primeiros anos de Lula com os dois primeiros do segundo biênio de FHC, a vantagem de Lula aumenta para 59 resultados favoráveis, em 100, contra 40 de FHC, sobrando um empate, analisa Wanderley Guilherme. Na média geral, segundo ele, o desempenho dos dois primeiros anos de Lula é superior ao dos dois mandatos de FHC em 64 dos 100 indicadores comparados. "


Confira a matéria completa neste link.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Filmes: "A Queda!"

A mentira da secretária de Hitler

O relato de Traudl Junge dramatizado no
filme “A Queda” merece a mesma reação
que a propaganda de Goebbels

- Por Flávio Lobo

Às vésperas da rendição alemã na Segunda Guerra Mundial, escondido no bunker de Hitler, sobre o qual já despencam as cargas da artilharia soviética, o ministro nazista da propaganda, Joseph Goebbels, dita seu testamento político. “Quando o história retomar seu curso”, diz ele, mantendo o olhar vidrado e frio de assassino calculista, “nós ressurgiremos como os puros… os imaculados”. Vemos então o rosto suave e perplexo de Traudl Junge, a jovem secretária que, depois de ter datilografado o último discurso do Füher -feito só para ela, mas destinado à História-, segue em seu ofício e anota as palavras do marqueteiro do Holocausto. Trata-se de um trecho do filme “A Queda”, sobre os últimos dias de Hitler. Parte da platéia, brasileira, responde à amarga ironia da cena com um “quase riso”, mas suficiente para ser ouvido.

Sangrentos minutos de projeção depois, o filme termina com Traudl pedalando uma bicicleta em direção à luz. O sol lhe acaricia o rosto bonito, cheio de uma jovial doçura, exposta ao longo de toda a história, enquanto ela conduz a si mesma e a um pequeno ex-militante e herói de guerra da Juventude Hitlerista rumo a um futuro livre de genocídios e da opressão totalitária -pelo menos na Alemanha. Somos lembrados pelo texto que toma a tela que a guerra matou 50 milhões. Mas, como mostra a última imagem ficcional de “A Queda”, para Traudl e para nós, há vida depois de Stalingrado, Varsóvia, Dresden, Hiroshima… e de Auschwitz. Por fim, como um apêndice explicativo, vemos a verdadeira Traudl Junge, já idosa, dizendo que não sabia das atrocidades nazistas, mas que, um dia, vários anos depois do fim da guerra, percebeu que poderia ter feito outro papel naquela história toda. “A ficha lhe caiu”, lembra Traudl, diante de um monumento em homenagem a uma jovem insurgente alemã morta pelos nazistas. Se, no mesmo período que ela datilografava para o Füher, compatriotas tão jovens quanto ela sabiam do horror nazista e arriscavam a própria vida combatendo-o, ela também poderia ter sabido, e feito algo.

Mostrada a autocrítica de Traudl, como uma lição de casa obrigatória, o filme termina. Mas um gosto amargo permanece. Não é apenas um efeito da violência vista na tela e da lembrança de outras maiores, às quais “A Queda” remete. É o sabor da impostura. E, desta vez, não se trata de uma obra de Goebbels. Boa parte da crítica ao filme, dirigido por Oliver Hirschbiegel, inclusive por parte de Wim Wenders, diz respeito à “humanização” de Hitler. E a escalação de um ator como Bruno Ganz para o papel poderia despertar desconfianças nesse sentido. Mas, com sua afinidade com o tema da compaixão -algo demonstrado em “Asas do Desejo”, do próprio Wenders, por exemplo-, Ganz venceu o desafio de criar um personagem humanamente monstruoso.

Discordo de quem acha ser melhor não “conceder” humanidade alguma a Hitler, como a outros personagens que encarnam o Mal na História. Pois, ao tratá-los como seres de outra espécie, que nada têm a ver conosco, fica mais fácil lavarmos de nossas mãos e mentes a responsabilidade que nos cabe. O Goebbels de Hirschbiegel segue essa linha: é uma caricatura. Não oferece ao “público normal” vias de identificação. É como um Darth Vader sob uma máscara negra que reflete para longe qualquer compaixão. Deste modo, deixamos de ver que temos, sim, algo em comum mesmo com o pior vilão. “Nada que é humano me é alheio.” O autor da frase é Terêncio, mas o maior divulgador da idéia por ela expressa talvez seja Shakespeare. O Goebbels de “A Queda” em alguns momentos lembra, com sua perna defeituosa, um Ricardo III desprovido da poesia do Bardo. Mas, se há um personagem shakespeareano no filme, este é Hitler. Como acontece com Macbeth, Ganz nos permite descer ao subterrâneo com seu Hitler e reconhecê-lo -ao inferno- dolorosamente humano. Isso de forma alguma atenua o horror que Hitler evoca -na verdade o agrava ao nos aproximar dele.

O filme, no entanto, não aproveita a possibilidade oferecida pelo talento de Bruno Ganz. Na maior parte do tempo, a grande “loucura” encarna-se e concentra-se no Füher e em seu ministro da propaganda. Mas o que mais a história do Terceiro Reich deve fazer perceber e lembrar não é o fato de que há assassinos insanos capazes de crimes inomináveis. O maior horror do nazismo e de fenômenos semelhantes é que milhões de pessoas “normais” são capazes de compartilhar desse tipo de ódio e apoiar regimes genocidas, dezenas ou talvez centenas de milhares puxam o gatilho contra civis indefesos, e pelos menos várias centenas dispõem-se a operar câmaras de gás e fornos crematórios.

Em “A Queda”, ao ditar o seu testamento político à secretária, Hitler declara que enfrentou os judeus abertamente. Ele não diz que incinerou crianças, não fala em extermínio, apenas que “combateu” os judeus. Diante desse eufemismo, Traudl olha para o chefe com ar de desagrado e espanto. Chega a ser ridículo. O filme começa em 1942, quando a moça começou a trabalhar como secretária do ditador -mostra que ela quase desfaleceu de emoção ao ser escolhida para o cargo pelo próprio chefe supremo-, e que também foi o ano da “solução final”, quando o extermínio em massa foi decidido e posto em prática por Hitler e seu alto comando. Traudl, portanto, foi secretária particular do Füher ao longo de praticamente todo o período do Holocausto. E, antes disso, como qualquer alemã habitante de uma cidade importante -a moça era de Munique-, ela viu, desde a primeira metade da década de 1930, a propaganda nazista, que comparava judeus a pragas e ratos (e todos sabem o que se faz com os ratos). Vivia numa sociedade na qual o ódio ao judeu e a todos os que eram mostrados como inimigos do povo ariano -comunistas, homossexuais, ciganos, populações de países vizinhos…- era constantemente pregada de forma explícita pelas ruas e nos meios de comunicação da época. Judeus foram sistematicamente perseguidos, espancados, humilhados, isolados e finalmente sumiram de vista.

A cúpula presente no bunker de Hitler também é tratada com condescendência. Como no caso do próprio ditador, nada contra personagens “humanos”, críveis, contraditórios. Mas não acho razoável que o alto comando nazista seja mostrado, como faz o filme, como um qualquer Estado-maior em situação de queda iminente. Aqueles foram os mandantes da “guerra total”, que, sobretudo na Polônia e na União Soviética, teve no massacre sistemático de civis um objetivo claramente definido. E, apesar da divisão de funções entre a SS, incumbida de levar a cabo a “decisão final”, e o resto das Forças Armadas, os generais sabiam que lutavam pela vitória de um regime movido pelo ódio racista, promotor do Holocausto.

O mistério da “maldade” que pôs em movimento a máquina nazista não se circunscreve a poucos personagens insanos nem mesmo à sociedade alemã ou à Europa. A maior ameaça e a realidade mais terrível não é a possibilidade do surgimento de um outro Hitler, mas a subsistência de um ódio que vê pessoas e grupos como menos humanos que os outros -e que, e ao propagar essa visão, aponta um caminho que pode levar a políticas de extermínio, abertas ou veladas. Algo que vem à tona cotidiana e explicitamente, bem perto de nós: em comunidades racistas do Orkut, em propostas de construir muralhas em torno de favelas, por exemplo. A verdadeira ironia na cena do testamento de Goebbels não reside no fato de o ideólogo nazista se dizer imaculado. Essa é uma atitude perfeitamente compatível com o louco fanático que vemos na tela. Irônica -mesmo que não propositadamente- é a expressão de ingênua pureza da secretária, representante, no filme, de legiões de “inocentes” úteis a serviço de líderes “desumanos”.

Talvez a maior parte do povo alemão ainda não consiga olhar para o passado nazista sem dourar a pílula da responsabilidade de seus antepassados com uma farta camada de engodo. E talvez isso seja compreensível. Mas, ao engolir também esse analgésico, cada um entorpece a sua consciência crítica e abre a guarda para um tipo de auto-indulgência que perpetua injustiças e ameaça liberdades. Por isso, Traudl Junge que me desculpe, mas o seu relato autobiográfico dramatizado por Oliver Hirschbiegel em “A Queda” deve suscitar a mesma reação que merece a propaganda de Goebbels e de seus discípulos: é mentira!

Flávio Lobo é editor de especiais da revista "CartaCapital".

Análise: "Dois pesos, duas medidas"

Abaixo, coloco mais exemplos que escancaram a manipulação que a mídia corporativa faz dos fatos cotidianos. Compare as duas notícias abaixo, uma da Agência Carta Maior (que é um órgão independente e plural), e a outra da agência Reuters (que faz parte da mídia corporativa):

AGÊNCIA CARTA MAIOR

CPI DOS CORREIOS
Marinho perde advogados, poupa Jefferson e fala em fraudes nos Correios

Em depoimento à CPI dos Correios, ex-chefe do Departamento de Contratações da estatal denuncia supostas transações ilegais que envolveriam empresários, parlamentares, partidos e até mesmo um ministro. Na sessão, advogados de Marinho o acusaram de faltar "com a verdade” e deixaram caso.

REUTERS

Marinho lança suspeitas sobre contratos e indicações

O funcionário dos Correios Maurício Marinho lançou suspeitas na CPI nesta quarta-feira sobre contratos e relações comerciais da estatal com fornecedores, além de vincular esses indícios à prática de loteamento de cargos por partidos políticos aliados ao governo
.

Repare que a primeira notícia dá destaque à falta de provas e às contradições do depoente (que foi, inclusive, abandonado pelos próprios advogados DURANTE o depoimento). Já a segunda, da Reuters, dá como certo o "lançamento" de suspeitas sobre os contratos. Repare que não há, em qualquer lugar do texto da Reuters, referências às contradições proferidas do depoente, à mudança de sua postura ou ao abandono dos advogados. E vai ser esse enfoque que o resto da mídia corporativa vai dar ao caso (mesmo porque todos copiam da Reuters, especialmente a "Folha").

Isso só tem um nome: manipulação. Os fatos são "dobrados" à revelia dos editores dos jornais e revistas para que se encaixem na campanha difamatória que está sendo lançada contra o Partido dos Trabalhadores e o Governo Lula. Isso é feito para manipular a mente das pessoas em favor dessa campanha, onde "suspeitas" e "denúncias" viram verdades factuais. Depois, se nada for provado ou mesmo se os réus forem inocentados, a mídia corporativa publica no cantinho de um de seus cadernos de política e ponto final. Mas na cabeça das pessoas, fica aquela impressão de que "todos são corruptos"...

No final das contas, trata-se da mesma filosofia que o ministro da propaganda do Nazismo, Goebells, criou para dar sustentação ao Hitler: "Repita uma mentira inúmeras vezes até que ela se torne uma verdade". Lamentável...

Leia as duas notícias na íntegra: Agência Carta Maior e Reuters

quarta-feira, 22 de junho de 2005

Artigo: "Escancarando a manipulação da mídia"


Gráfico indica a abismal discrepância na cobertura aos candidatos à prefeitura de São Paulo
em 2004. Serra (do PSDB) foi claramente favorecido. Manipulação ou coincidência?


Confiram o texto "O silêncio tucano e uma possível lição" do jornalista Marco Aurélio Weissheimer, publicado no site da Agência Carta Maior, e tirem suas próprias conclusões sobre a natureza da manipulação da mídia. Abaixo reproduzo alguns trechos mais contundentes:

"Na entrevista ao Roda Viva, Roberto Jefferson denunciou, entre outras coisas, a existência de caixa-dois na campanha de FHC. Tucanos destacaram gravidade das outras denúncias, mas silenciaram sobre esta. Entre silêncios e escolhas, Jefferson talvez tenha algo a nos ensinar."

"Enfim, a denúncia sobre a existência de caixa dois na campanha de FHC passou praticamente batida na cobertura da mídia, no dia seguinte ao programa. A Agência Estado fez uma rápida referência ao tema no final de uma matéria sobre o Roda Viva."

"Nesta terça-feira, o site oficial do PSDB fez uma abordagem curiosa sobre a entrevista. (...) a Agência Tucana dá total credibilidade ao entrevistado dizendo que “as declarações do deputado Roberto Jefferson no programa Roda Viva apresentado pela TV Cultura reafirmaram as relações espúrias entre o PT e a base aliada”."

"Coube ao presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), comentar a denúncia de Jefferson. “Não tenho conhecimento. Essa é mais uma lamentável tentativa de desviar o foco. O PSDB nada tem a temer e já respondeu quando foi acusado injustamente pelo PT”, afirmou (...). Ou seja, o PSDB deve chegar a um acordo sobre se as denúncias do ex-presidente nacional do PTB são críveis ou não. Se todas devem ser investigadas, ou só algumas? Ou se só valem aquelas feitas ao PT e a outros partidos?"

"(...)nenhum projeto político que se pretenda genuinamente democrático pode (ou “deve”?) depender de um Roberto Jefferson para se sustentar. O mundo de hipocrisia e cinismo em que ele sempre viveu e que agora denuncia é auto-destrutivo. Até pode ter êxito no curto prazo, mas a fatura final é salgada e quem paga o preço é o povo, a idéia de democracia e da política como uma atividade necessária para emprestar sentido à vida."

Para ler o texto na íntegra, basta clicar neste link.

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Filmes: "Batman Begins"

BOM, NAS NEM TANTO

Dizer que “Batman Begins” é melhor que os filmes de Tim Burton e Joel Schumacher é verdade. Mas, convenhamos, não chega a ser um elogio tão impressionante.

- Por André Lux

Ainda não foi desta vez que o homem-morcego encontrou sua versão definitiva nos cinemas. Depois dos excessos cometidos contra o personagem nos histéricos filmes de Tim Burton e Joel Schumacher, a Warner resolveu apostar numa leitura mais realista e contida da saga do justiceiro de Gotham City. Para isso, chamou o diretor Christopher Nolan (dos bons “Amnésia” e “Insônia”) e investiu num roteiro supostamente menos rocambolesco e mais concentrado em humanizar os personagens e situações.

Mas, se nos filmes anteriores sobravam situações bizarras e atuações histéricas (principalmente dos vilões), em “Batman Begins” tudo é levado a sério demais, a ponto de tornar o filme quase tedioso e arrastado, especialmente na primeira parte que aborda a busca de Bruce Wayne por um “sentido na vida” – o qual ele eventualmente encontra ao juntar-se à organização Liga das Sombras, que se propõe a acabar com o crime a qualquer preço. Durante o treinamento árduo, há um excesso de frases de efeito e psicologia de almanaque proferidas pelo seu mentor, Henri Ducard (Liam Neeson, repetindo seu papel de “mestre Jedi”), que acabam sendo redundantes e poderiam ter sido cortadas sem prejuízos. Incomoda também a insistência do roteiro em pintar os milionários pais do herói como se fossem espécies de “santos imaculados”, dispostos a tudo para ajudar os pobres (a cena da morte deles, por sinal, é muito mal dirigida e apressada, não passa qualquer emoção).

Depois de uma fuga exagerada e não muito convincente do quartel general da Liga (quando o exército imbatível de ninjas é derrotado com facilidade incompatível com o que havia sido mostrado até então), Wayne volta para sua cidade natal disposto a combater o crime. Esse segundo ato, o qual mostra o protagonista dando forma ao seu alter-ego mascarado, é o que o filme tem de melhor. Graças à participação de coadjuvantes de peso, como Michael Caine (como o mordomo Alfred), Morgan Freeman (o guru em armamentos), Gary Oldman (o sargento Gordon) e Rutger Hauer, o filme fica menos pretensioso e cresce, reservando ao menos algumas tiradas mais amenas e divertidas.

Infelizmente tudo desanda no terceiro ato quando os planos dos vilões são revelados e o roteiro vira um mero festival de lutas, perseguições e explosões exageradas. O pior é que novamente não conseguiram solucionar satisfatoriamente o fato de que o Batman (diferente do “Homem-Aranha” ou do “Superman”) é apenas uma pessoa normal, que veste armadura, capacete, capa e anda cheio de badulaques e bugigangas penduradas.

Ou seja, fazê-lo correr, saltar, voar, desaparecer e lutar com incrível rapidez e agilidade simplesmente não convence e priva o filme de qualquer verossimilhança. Nos quadrinhos tudo bem, afinal é uma outra linguagem. Já no cinema fica fantástico e absurdo demais. Tanto isso é verdade que nas cenas de luta mal conseguimos ver o que está acontecendo ou quem está acertando quem, tão rápidos são os cortes na edição. Não seria melhor assumir essas características que dão "peso" ao personagem e então explorá-las de maneira mais eficiente e realista, como fizeram por exemplo no primeiro "Robocop" (que, por sinal, tinha muito de "Batman)?

O maior defeito do filme, contudo, reside no fato de que não foram capazes de criar um mundo coerente com a proposta “realista” original. O design visual é claudicante e alterna tomadas de Gotham como se fosse uma cidade normal contemporânea com outras em que prédios com visual futurista são inseridos (especialmente a sede das empresas Wayne). Os filmes de Tim Burton tinham um desenho de produção radicalmente gótico e surrealista, o que ao menos os deixavam coerentes em sua totalidade. Já “Batman Begins” não assume de vez sua veia realista, nem deixa-se dominar por uma aproximação mais radical, tornando-se por conseqüência meramente medíocre e bem menos marcante do que se esperava.

O mesmo pode-se dizer da trilha musical que, embora seja assinada pelo sempre pavoroso Hans Zimmer (desta vez dividindo a autoria com o mais competente James Newton Howard, de "O Sexto Sentido"), nunca ultrapassa o nível de mediocridade e indiferença (ao ponto de me obrigar a reconhecer que mesmo as fracas partituras de Danny Elfman para os filmes de Tim Burton eram melhores!).

Não ajuda muito também a atuação neutra do Christian Bale (de “Psicota Americano”) como o protagonista. O rapaz é bom ator, mas não tem carisma para segurar o filme e apela para truques manjados de interpretação (como falar com voz grossa e sussurrante quando vestido de Batman, praticamente repetindo o que Michael Keaton tentou fazer nos dois primeiros filmes da franquia), o que contribui ainda mais para a sensação de decepção que permeia o filme todo.

Por essas e outras, dizer que “Batman Begins” é melhor que os filmes de Tim Burton e, especialmente, os de Joel Schumacher é verdade. Mas, convenhamos, não chega a ser um elogio tão impressionante...

Cotação: * * *

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Frases: "Ser conservador é..."

"Ser conservador nos países que têm o que conservar é funesto; mas nos países novos, é absurdo e criminoso"

- Manoel José Bomfim, médico e educador (1868-1932)

Saiba mais sobre o ilustre senhor acima em ótima matéria publicada pela revista Carta Capital. Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.

terça-feira, 14 de junho de 2005

Notícia: "Rede Globo, campeã em baixarias"

É nesse tipo de mídia que você baseia a sua "opinião" sobre os fatos?? Melhor rever seus conceitos... Por sinal, reparem de qual partido é a pessoa que está por trás dessa campanha contra a baixaria na TV

Três novelas da Globo estão entre os campeões de baixaria na TV

Três novelas da Rede Globo, duas delas atualmente no ar, estão entre os cinco programas que lideram o ranking da baixaria na TV: "América", atual novela das oito, "A Lua me Disse", novela das sete, e "Senhora do Destino", que já saiu do ar. O resultado foi divulgado hoje pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que promove a campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania".

Nesta edição, a nona já realizada, o quadro foi estabelecido a partir de 1.211 denúncias de telespectadores, recebidas de 10 de janeiro a 3 de junho pela Comissão e pelo site www.eticanatv.org.br - o endereço também reúne organizações da sociedade civil. Desde 13 de novembro de 2002, a campanha já recebeu 17.415 manifestações."Senhora do Destino" ficou em segundo lugar, com 74 denúncias. Já "América", maior audiência do horário nobre da TV, recebeu 70 reclamações, principalmente por exibir cenas com apelo sexual e maus tratos aos animais, aponta a pesquisa da Câmara. "A Lua me Disse", que ficou em quinto lugar com denúncias que apontam a discriminação aos povos indígenas, teve 19 reclamações.

O primeiro lugar, assim como nas últimas quatro edições, ficou com os programas "Eu Vi na TV" e "Tarde Quente", comandados pelo apresentador João Kléber na Rede TV! --foram 144 denúncias. A quarta posição ficou com o "Pânico na TV", também da Rede TV!, que recebeu 43 denúncias. A maioria, diz a pesquisa, remete a cenas de pessoas ridicularizadas e ao uso freqüente de palavrões. O coordenador da campanha, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), disse hoje que encaminhará as denúncias ao Ministério Público pedindo providências contra as diversas violações cometidas contra os direitos humanos.

Segundo ele, o objetivo é ranking mostra uma televisão totalmente "descompromissada com a construção de uma cidadania e muito mais preocupada na construção de consumidores e de interesses econômicos, desconsiderando solidariedade e ética."

O público pode dar opiniões sobre a programação televisiva por meio do site www.eticanatv.org.br ou pelo telefone 0800-619619.

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Artigo: "Reação contra o Golpe"

Contra a investida da direita, o governo precisa punir exemplarmente os corruptos, adotar uma agenda positiva, reconformar a maioria e mobilizar a sociedade.

O ataque contra o governo é intenso e a oposição conservadora, que representa principalmente os interesses do grande capital financeiro internacional e brasileiro, usa todos os meios de que dispõe – sua representação parlamentar, governadores de Estado e, principalmente, a grande imprensa, onde prolifera há décadas a defesa do programa neoliberal e da subordinação do Brasil aos interesses do imperialismo.

Essa virulência cujo alvo é um governo que estas forças não controlam não é nova e repete situações semelhantes já ocorridas na história da República, desde Floriano Peixoto. Foram essas mesmas forças, com a mesma bandeira falsamente moralista, que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1964, que tentaram impedir a posse de Juscelino Kubitschek em 1955, que conspiraram contra João Goulart de 1961 a 1964, e que tentaram vilipendiar Itamar Franco em 1993. E que estiveram no governo com os militares direitistas de 1964, com Fernando Collor de Mello em 1990 e com Fernando Henrique Cardoso de 1995 a 2002, forças que estiveram não só atrás dos desmandos dos governos autoritários mas, principalmente, foram o esteio do programa neoliberal contrário aos interesses dos trabalhadores, da economia brasileira e da soberania nacional. Governos que enfrentaram fortes denúncias de irregularidades, jogadas para baixo do tapete por operações abafa de triste memória.

No tiroteio pela imprensa dos últimos dias, uma frase quase não foi notada. Ela foi dita pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles, no dia 7, em discurso na posse de novos procuradores da República, onde relativizou as suspeitas de corrupção levantadas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reconhecendo que o Brasil passa por momentos difíceis, disse que a “imprensa hiperavalia” o quadro e “faz um manchetismo danado”, e que não se deve “apavorar nem se amedrontar por causa disso”. É uma opinião importante, dada pela única autoridade que, no país, tem o poder de iniciar, no Supremo Tribunal Federal, qualquer ação contra o presidente da República.

O presidente Lula, aliás, foi autor de outra frase significativa nesta crise.
Durante o 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, ocorrido em Brasília, dia 7, ele assegurou que “cortará na própria carne se necessário”, para esclarecer e punir as denúncias. Ao mesmo tempo, garantiu que vai estimular o Congresso a desenvolver suas investigações. “Independentemente do uso político-eleitoral que alguns estão fazendo, no meu governo levarei as investigações até as últimas conseqüências. Por isso jurei a Constituição. Sou o principal guardião das instituições deste país, funcionário público número um”, afirmou o presidente, que recusou o uso de panacéias para “enfrentar problemas que se arrastam por décadas, quando não por séculos”.

O combate é político, e seu alvo é 2006; Lula tem razão: é preciso investigar, julgar e punir aqueles que cometeram crimes contra o patrimônio público. Mas as ações precisam ir adiante, para consolidar a ação do governo, fortalecer a avaliação favorável que o povo faz do governo e derrotar a investida da direita neoliberal. O governo precisa adotar uma agenda positiva, reconformar a maioria parlamentar e mobilizar a sociedade.

sábado, 11 de junho de 2005

Antídoto: "O jornalismo lúcido da CartaCapital"

Mino Carta, como sempre, nos brinda com sua lucidez e sagacidade para interpretar o momento político atual que vive o nosso sofrido Brasil. Destaco, abaixo, um trecho que é realmente revelador:

"Não menos vezeira a hipocrisia de quem é mestre no assunto, e finge a primazia ética, quando não a santidade. O que está em jogo é, de verdade, a repetição do entrecho, condimentado pela má-fé e pelo ardil, pelo golpe baixo e a punhalada nas costas. E a cada novo ato da peça infindável, tragicomédia creio eu, o Brasil afunda."
Se você, como eu, votou em Lula com convicção e tem capacidade de perceber o que realmente está rolando nos bastidores do poder em Brasília, então este editorial é leitura obrigatória - uma espécie de "antídoto" contra as canalhices publicadas em panfletos da direita como "Veja", "Folha", etc...

LULA E OS 40 MIL DA DASLU

A denúncia do mensalão é detalhe do jogo sujo de sempre. Resta saber, de fato, se o governo esteve à altura das esperanças que o elegeram. E se democracia e regime presidencial são viáveis neste Brasil ainda medieval

- Por Mino Carta

Políticos, jornalistas, freqüentadores de bares finos, e nem tanto, usam larga e desabridamente a palavra governabilidade. Em relação a ela, sacerdotes do castiço manifestam dúvidas. Proponho outra, não sem ousadia: viabilidade. Soa-me adequada, nesta hora incerta.

Viabilidade do sistema político. Do sistema de poder. Do próprio sistema de vida do povo brasileiro, entendido na sua totalidade, sem distinções socioeconômicas.
E lá vem o enredo embolorado do mensalão. Haverá de cair o nosso queixo? Teremos de escancarar os olhos como vilões de cinema mudo? Desde que provado, e ainda cabe fazê-lo, o mensalão é tão natural na vida parlamentar verde-amarela quanto a morte do ser humano. Fernando Henrique Cardoso, príncipe do lugar-comum, diria que o buraco é mais embaixo.

Não menos vezeira a hipocrisia de quem é mestre no assunto, e finge a primazia ética, quando não a santidade. O que está em jogo é, de verdade, a repetição do entrecho, condimentado pela má-fé e pelo ardil, pelo golpe baixo e a punhalada nas costas. E a cada novo ato da peça infindável, tragicomédia creio eu, o Brasil afunda.

Donde, o dilema. É viável a pretensão democrática em um país tão desigual, vice-campeão mundial em má distribuição de renda? É viável o presidencialismo se, em lugar de partidos, há clubes, e a polarização do debate em torno de um consistente projeto de progresso e bem-estar geral é substituída pela ambição do poder pelo poder?

Em 1961 foi tentada a solução parlamentarista, como sabemos (ou não lembramos?), imposta de cima para baixo, igual a tantas coisas mais, e foi o desastre. Mas seria hoje também, nas circunstâncias. Nelas, não há sistema de governo que resista.

É viável a justa, salutar aspiração à igualdade em um país em que a mídia se empenha, com raríssimas exceções, a vender ilusões e a manipular consciências? É viável a maioridade da nação enquanto a sua elite imita os emires e, a enfrentar a criminalidade crescente, contrata pistoleiros e dobermans, e ergue muralhas em torno das suas vivendas, inspiradas, eventualmente, na casa de Branca de Neve ou de Scarlett O’Hara?

E é viável a esperança em um futuro melhor se a chamada elite exaspera a predação e atira ao lixo o patrimônio Brasil? Recordo 1989 quando o então presidente da Fiesp, Mario Amato, vaticinava o êxodo de 800 mil brasileiros, caso Lula ganhasse a eleição contra Fernando Collor.

Este levou, obviamente. Não tenho dúvidas de que na vanguarda da fuga estariam os 40 mil cadastrados na Daslu, o templo da moda instalado às margens do rio Pinheiros e invejado em Paris, Londres, Milão. Permito-me achar, contudo, que o Brasil ganharia muito se a profecia de Amato se realizasse.

Os votados à debandada não aceitam, basicamente, o metalúrgico na Presidência da República. Tal é o primeiro ponto. CartaCapital orgulha-se de ter apoiado a candidatura Lula em 2002, e atribuiu à vitória petista significado extraordinário, a redimir o País de muitos momentos plúmbeos, desde a ferocidade do regime militar até a conciliação das elites de 1984, destinada a frustrar campanha das Diretas Já. Sem esquecer o combate brutal contra a agitação operária do ABC, entre 1978 e 1980, comandada pelo mesmo Lula hoje presidente.

Grande eleitor, em 2002, foi FHC. Sessenta e dois por cento dos eleitores votaram contra o seu governo desastrado. E sem assinar sua filiação ao PT. Mas o governo, dois anos e meio depois da posse, não cumpriu suas expectativas. Grande culpa em cartório cabe ao nosso presidencialismo de fancaria. Nem por isso, os vencedores do último pleito deixam de ter sua parte de responsabilidade.

Não me refiro ao presumido mensalão. Aludo à incapacidade do governo Lula de produzir um modelo novo e de aplicá-lo com a necessária bravura. Com sutileza, e até com esperteza. Com destemor, porém. E a receita, segundo CartaCapital, é simples. E suficiente. Acumular reservas, controlar capitais e câmbio, baixar os juros. E dar passos concretos na direção do Estado do Bem-Estar Social.

Confrontado com o exorbitante mandato de FHC, o de Lula é de muitos ângulos melhor, segundo analistas respeitáveis. Nem por isso, deu-se a mudança. O começo da mudança. E o Brasil consolida-se como a república do mercado financeiro. Como a democracia dos 40 mil da Daslu.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

Pensamento: "Malufão fez escola..."

A imprensa corporativa faz o jogo da direita, com quem tem rabo preso há décadas, ajudando a criar a falsa imagem de que político é tudo "farinha do mesmo saco", inclusive os do PT.

Soma-se a isso a campanha que quer nos convencer que "o PT não tem competência para governar" e está pronta a receita do PSDB/PFL para 2006:

"Nós também roubamos, mas VEJA só: fazemos melhor".

Malufão deveria processá-los! Só não vê quem é cego...

terça-feira, 7 de junho de 2005

Artigo: "Festa na Casa Grande"

Reproduzo abaixo, na íntegra, mais um excepcional artigo escrito pelo professor Flávio Aguiar no site Agência Carta Maior.

Festa na Casa Grande

Está tudo pronto: os espumantes já estão na geladeira, os convivas alertados, as comidas em preparo e os olhos já estão umedecidos pela expectativa do botim que se anuncia. Os da Senzala que se preparem. É a anunciada Festa na Casa Grande, para logo depois que a direita reconquistar o Palácio do Planalto e o que interessa, o Ministério da Fazenda, pois afinal, “o que o Brasil precisa mesmo é de um gerente”. Traduzindo: o Brasil, na sua melhor tradição, precisa de um feitor, que volte a por os capitães de mato na rua, e assegure que dinheiros vitais para privatização na ciranda financeira não sejam “desviados” para finalidades sociais ou de investimento.

O roteiro vem sendo traçado dia após dia e semana após semana na imprensa escrita. É mais ou menos assim:

1) O PT é um partido ingovernável e ingovernante, pois padece de esquizofrenia congênita. Faz bem o que herdou do governo anterior, à direita, isto é, gere a política econômica em favor do capital rentista. Mas as ameaças “populistas” de fazer avançar políticas sociais e de redistribuição indireta de renda através da ação pública, que vem de seu legado esquerdista, precisam ser neutralizadas, porque estão fazendo os da Senzala erguerem demais os pensamentos.

2) Como isso não pode ser dito assim, ajeita-se a retórica para os discursos. Primeiro, o PT tem uma concepção superada de Estado. O PT “incha” o Estado, cobra impostos excessivamente. Ainda na retórica da esquizofrenia, o PT no poder desarticula o Estado, porque sequer consegue administrar com eficácia as licitações informais de cargos, prebendas e sinecuras em troca de favores, agindo como açougueiros onde outros, mais treinados, agem como cirurgiões. O PT é ineficiente em tudo.

3) Para a Casa Grande conquistar os votos do Condomínio da Classe Média, é necessário um bom discurso sobre corrupção. Como não deu ainda nem provavelmente dará para atingir diretamente a figura do Presidente, tomam-se exemplos nas bordas, como o caso no Correio, e mancha-se o Primeiro Magistrado pela pecha da inação, ou pela proteção a falsos amigos, como este Roberto Jefferson declarado amigo do peito num dia e autor de graves denúncias uma semana depois sobre mesadas pagas pelo tesoureiro do PT a deputados de outros partidos. Ou seja, não se conseguindo taxar o Presidente de corrupto, taxa-se de ridículo, inepto, inapto, frouxo, etc.

4) Nada do que o PT e seu governo fazem dá certo. Se a economia cresceu, é necessário dizer e gravar nas memórias que ela já vai “desacelerando”. Se o governo marca indeléveis gols para o Brasil na política externa, é conveniente apontar que isso, esse “protagonismo”, fragiliza a América do Sul (que, aliás, está em polvorosa em toda a parte), e que esse governo está portanto comprometendo relações tradicionais em troca de nada. Se a Polícia Federal está investigando e prendendo corruptos como nunca, trata-se logo de grudar a pecha de que informar tal coisa à população é querer “politizar” a ação policial ou coisa que o valha, e por aí se vai.

5) Tudo o que a ditadura deixou de herança no Congresso (como a compra e venda de favores) e tudo o que o neo-liberalismo empurrou garganta abaixo e acima do povo brasileiro, é agora culpa do PT. O PT é o culpado pela Câmara Federal ter o presidente que tem, e não o PSDB e o PFL, que votaram nele. O PT passa a ser o responsável pela pobreza histórica de nossas políticas sociais, pobreza essa que ele mesmo está revertendo, mas isso não se reconhece nunca. Ao contrário, neoliberais de ontem agora se convertem a uma cartilha social que nunca viram nem mais gorda nem mais magra e vituperam o PT no governo por uma suposta aplicação de tudo o que eles, neo-liberais, sempre fizeram. Só falta agora o retoque artístico de fazer parecer que foi o PT que inventou ou sempre favoreceu a corrupção no aparelho de estado brasileiro graças à sua concepção “estatista”, e isso está a caminho.

Como eu disse, está tudo pronto para a comemoração, seja agora, ainda que isto seja improvável, seja em 2006, ao término da eleição. E o roteiro está armado. Só falta combinar com o personagem principal, isto é, o próprio Presidente. Se ele enveredar pela abulia, ou pelas respostas no varejo, pondo uma frase aqui, abafando uma repercussão acolá, defendendo um “amigo” como o Sr. Jefferson hoje, aplacando um Severino amanhã, ou seja, se ficar na defensiva, o roteiro vai dar certo.

A única saída é a ofensiva. Mas para tomar a ofensiva, o Presidente precisa ser técnico, zagueiro, líbero, armador, ponta (esquerdo) e centro-avante goleador. Precisa primeiro deixar claro que quem manda no time é ele. E que ele não é um emissário do Ministério da Fazenda ou da presidência do Banco Central ou de outra entidade súcuba ou íncuba. Alguém que se amua quando os da esquerda lhe fazem críticas, sejam elas justas ou injustas, mas que deixa campear solto o verbo dos fazendários quando estes se põem a desautorizar outros ministros, como no recente caso da proposta (significativa) feita pelo Ministério da Educação de que os estados convertam parte da dívida com a União em investimento na área. O Presidente precisa assumir diretamente a decisão de ampliar o Conselho Monetário Nacional, mesmo que seja para temporariamente manter a mesmíssima política econômica: o Presidente precisa se convencer de que ele tem poder para isso, e deve usá-lo. No mínimo deveria prometer isto para na possibilidade de um segundo mandato. O Presidente, cuja opinião é favorável a essa abertura, foi contestado pelo Ministro do Planejamento. E nada disse nem fez.

O Presidente precisa assumir a liderança na luta contra a corrupção, o que fará desta CPI dos Correios, da do “Mensalão”, ou e outras que venham a se criar um acontecimento potencialmente benéfico. Irão as oposições investigar de fato as bases de seu próprio modo de governar quando eram governo? Vão expor o próprio rabo pontudo e os próprios pés de cabra? É claro que não. Vai pesar sobre um deputado com a notável credibilidade de um Roberto Jefferson o ônus da prova. O deputado Roberto Jeferson parece estar numa operação de auto-salvamento. Parceiro de Collor, de FHC, Roberto Jeferson viu soar o dobre de finados sobre sua posição no Congresso com as denúncias sobre o papel de membros do PTB nos Correios. Tenta agora prestar serviços a uma possível retomada do poder pelas oposições. Podem crer: se elas o retomarem, será recompensado.

Se nada ficar provado sobre participação ou inação do próprio Presidente, ele terá pavimentada a rota da sua reeleição, ainda que prevaleça a hipótese de se comprovar o dolo do tesoureiro do partido. Sim, isto se ele, o Presidente, tomar a iniciativa da investigação. Em outras frentes, o Presidente precisa dar a ordem de que cesse o desmatamento irregular na Amazônia e em todo o Brasil. Que ponha o Exército a cuidar disso. O Presidente precisa lançar uma campanha mundial para salvar a população do Haiti, e não se limitar ao envio de tropas para lá. E assim por diante em muita outra coisa.

Se isso acontecer, aquele roteiro não dará certo, e os espumantes chocarão nas geladeiras. Não haverá festa na Casa Grande. Nem na Senzala, pois o povo estará na rua, enfim liberto desses grilhões imaginários que querem lhe vender, de que “tudo é farinha do mesmo saco”, etc.

Ficou famosa a assertiva do Leopardo, o nobre de Salina, de Lampedusa e de Visconti, de que algo tem de mudar para que tudo permaneça como está. Pode ser. Mas em todo caso, também é certo que para que tudo mude, algo deve começar a mudar. Para que tudo não seja farinha do mesmo saco, é preciso que alguma farinha não venha de fato do mesmo saco, nem nele simplesmente se acomode. Presidente: seja Presidente. Como dizia Fernando Pessoa, “é a hora”.

Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.

Humor: "Trogloditas, uni-vos!"

Como era de se esperar, um desses trogloditas de direita (não-assumidos, é claro) vestiu a carapuça do artigo provocativo abaixo e passou a postar comentários bisonhos em todos os meus posts! Não perdi meu tempo lendo-os, mas dá para imaginar o tipo de coisa que escreveu...

Não é difícil. Todo mundo já conheceu alguém que se diz "conservador", mas mora num apartamento alugado de quarto-e-sala. Aí quando você pergunta o que, afinal, ele quer tanto conservar, ouve aquelas velhas respostas de sempre que "macaquitos" desse tipo repetem sem pensar.

É rir para não chorar. Para preservar a limpeza do meu blog, comunico que vou desabilitar a opção de deixar comentários. Pelo menos até o tal de "bola zero" (à esquerda?) arrumar outra coisa pra fazer com seu tempo livre (olha lá, o túmulo do Bob Fields tá cheio de poeira).

Abraços a todos e continuem visitando, agora sem medo de ter que esbarrar em alguma poluição visual produzida por algum desses covardes virtuais...

Notícia: "PT acordou"

Finalmente a turma do PT acordou e percebeu que estava agindo como os governos passados, que fizeram de tudo para abafar a abertura de investigações sérias contra qualquer denúncia de corrupção. Digam o que quiserem agora, mas a verdade é que isso é um fato inédito na política brasileira: um partido governista apoiar a apuração de denúncias contra seus próprios membros! O dia que alguém do PSDB ou do PFL fizer isso vacas vão voar pelos céus do mundo...

Bancada do PT na Câmara decide apoiar CPI dos Correios

Da Folha (do PSDB... quer dizer, de SP) On Line

O PT decidiu, após reunião da coordenação de sua bancada na Câmara, apoiar a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista dos Correios. O anúncio foi feito pelo líder do partido na Casa, deputado Paulo Rocha (PA). Além desta CPI, o PT vai propor aos demais partidos da base que apoiem a criação da CPI para investigar o pagamento de mesadas a deputados.

Com esta decisão, o PT vai garantir a aprovação na tarde de hoje da CPI que tem sua constitucionalidade analisada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Segundo o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), o parecer do relator do recurso contra a CPI, se for a favor da criação, será aprovado, se contrário, será rejeitado. "A idéia é fazer correções no texto do requerimento de criação, para garantir sua constitucionalidade."

Sobre a CPI do chamado "mensalão", Pinheiro explicou que a proposta é investigar todo e qualquer pagamento feito para deputados. "Não só as mesadas alegadas por Roberto Jefferson [presidente do PTB]. Vamos investigar o pagamento por mudança de sigla, votos, mesadas, tudo."

Pinheiro informou ainda que o PT vai trabalhar para que tanto o Conselho de Ética como a Corregedoria da Câmara investiguem a fundo todas as denúncias. "Temos que levar para a Corregedoria, depois para o Conselho, depois o Plenário e, por fim, mandar todos os envolvidos para a rua."

Segundo o deputado petista, a CPI dos pagamentos aos deputados deve ser restrita à Câmara, já que as denúncias apresentadas não falam do pagamento a senadores. "A não ser que eles estejam com alguma dúvida por lá também", disse Pinheiro.

Enquanto o PT leva a proposta da CPI do "mensalão" para os demais partidos da base aliada, o PFL e o PSDB se mostram contra a criação da comissão. Segundo o líder pefelista na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), seria uma perda de tempo, porque há a necessidade de colher assinaturas, fazer com que a comissão seja aprovada na Câmara, o que pode levar até 40 dias.

"Acreditamos que todos os fatos podem ser investigados na CPI dos Correios", afirmou Maia.

Reflexão: "Esquerda e Direita"

O professor Emir Sader discorreu num artigo escrito em agosto de 2003 sobre o que significa ser de "esquerda" ou de "direita" no mundo de hoje. Seu texto é mais atual do que nunca. Leia alguns trechos abaixo:

"Como direita continuo a considerar aquelas forças que se põem a serviço dos interesses das pessoas satisfeitas. Os outros, os que se sentem e agem do ponto de vista dos pobres, dos danados da terra, são e serão sempre a esquerda (...).

Esquerda e direita existem, mais do que nunca, em um mundo polarizado entre a riqueza e a miséria, consumistas e humanistas, belicistas e pacifistas. Escolha o seu lado e lute por ele, sem esconder seus valores."
O texto na íntegra você encontra clicando aqui.
Leiam, reflitam, repassem. Nunca é tarde para rever e reformular velhos conceitos...

Artigo: "Constituinte, e já"

O jornalista Mauro Santayana discorre de maneira brilhante sobre o atual quadro político brasileiro no site Agência Carta Maior. Abaixo um pequeno trecho do seu texto:

"As declarações do deputado Roberto Jefferson não merecem muita credibilidade, pelo que ele é e pelo que sempre foi, mas não podem ficar sem uma resposta definitiva do governo. O PT não só deve voltar atrás de sua decisão de impedir a CPI dos Correios, mas é questão de sua sobrevivência solicitar outra CPI, a que trate das denúncias feitas por Roberto Jefferson. Qualquer tibieza no assunto deixará no ar uma grande e terrível suspeita.

Mas, da mesma forma, exige-se dos tucanos e pefelistas que peçam a reabertura de todas as CPIs arquivadas no passado. Todas as que o Sr. Fernando Henrique conseguiu interromper, usando dos métodos que Roberto Jefferson atribui ao Sr. Delúbio Soares, e que o parlamentar do PTB, fiel escudeiro (moral e físico) do Sr. Fernando Collor conhece muito bem. Já está passando a hora da grande devassa na vida pública brasileira (...)."
Leiam o artigo na íntegra clicando aqui. Vale a pena.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Aviso aos navegantes: "Trogloditas, fiquem longe!"

Este blog foi criado por dois motivos básicos:

1) Para que eu possa expressar minhas livres OPINIÕES sobre assuntos diversos sem que nenhum idiota politicamente correto ou melindrado fique me policiando, e

2) Para ajudar a disseminar artigos, notícias e opiniões que a imensa maioria nunca vai ler na mídia corporativa (que está de braços dados com a direita e seus atuais representantes).

Ninguém é obrigado a concordar comigo nem com a minha forma de expressão, embora eu esteja totalmente aberto para debates e trocas de informações, desde que feitas de maneira civilizada, inteligente e com um mínimo de bom senso.

Por isso, se você é nazi-fascista, alienado, racista, neoliberal, anti-PT, elitista, reacionário, conservador, fundamentalista, hipócrita, militarista, fanático religioso ou qualquer outro tipo de ser boçal que habita o nosso sofrido Brasil, não perca seu tempo postando aqui artigos manipulativos e mentirosos que você copiou de veículos como VEJA, Estadão, Rede Globo, Folha de SP e outros feitos para tipinhos inúteis como você. Comentários desse nível serão sumariamente deletados.

Por sinal, você que se encaixa na descrição acima não tem nada melhor pra fazer do que visitar blogs de quem é ASSUMIDAMENTE de esquerda e não se deixa manipular pela mídia corporativa, não? Então vá lá tirar o pó do túmulo do Roberto Campos ou lustar suas túnicas da TFP e da Klu-Klux-Klan, pô...

Artigo: "E agora, José?"


Direita brasileira, via seus lacaios da mídia corporativa, aumenta os ataques e "denúncias" contra o PT

Ex-donos do poder não vêem a hora de voltar à cena. Para isso basta convencer-nos que "políticos são todos iguais". Você está de acordo? Decida-se enquanto é tempo...

Como já prevíamos, a "direita" brasileira (cuja representação maior hoje é o binômio PFL/PSDB) começou a artilharia pesada contra o Governo Federal. A mídia corporativa, que tem rabo preso com o conservadorismo e com o neo-liberalismo, é a porta-voz ferrenha, transformando denúnicas, suspeitas e caça-às-bruxas em "verdade factual incontestável".

A revista VEJA (é claro) e o jornal "Folha do PSDB"... quer dizer, "Folha de SP" aumentam o volume dos ataques à medida que o pleito de 2006 se aproxima. Não importa se o conteúdo das matérias é diferente das manchetes ou mesmo se não há qualquer evidência factual das afirmações, afinal os donos dos meios de comunicação sabem que a maioria da população só lê mesmo as manchetes, e olhe lá. A mídia hoje, de "quarto poder", virou mesmo "o poder". E as intenções de seus proprietários não são nada boas, infelizmente...

Repare que, nesta mídia comprometida com a "direita", qualquer denúncia atual tem que vir com a alcunha "petista" no meio das manchetes. Até aí, tudo bem. Mas, pergunte-se, por que quando há um massacre na FEBEM, por exemplo, não lemos manchetes do tipo "Mais um massacre na FEBEM do governo psdebista"?

Mas, e agora, José? O que as ditas "esquerdas" do país vão fazer? Vir em socorro dos colegas do PT para manter no poder a única esperança (atual) que qualquer pessoa que lute por melhorias de vida e igualdade social tem ou vão aproveitar a chance para "cair de pau" nos petistas, já que o governo Lula não implantou TODAS as suas utopias ideológicas e, na visão deles, traiu o movimento libertário? A primeira opção seria a mais sensata, é claro. Infelizmente, esquerdistas utópicos podem ser tudo, menos sensatos. Portanto, a turma da "direita" vai deitar e rolar enquanto a turma da "esquerda" vai se auto-destruir até não sobrar nada. Masoquismo pouco, é bobagem...

Como ninguém aqui é ingênuo, vale ressaltar que obviamente o PT já está pagando o alto preço de ter sido obrigado a se aliar com partidos e com gente nociva e espúria como o deputado Roberto Jefferson (para quem não se lembra, essa figura bisonha foi um dos maiores defensores do finado Fernando Collor e sua máfia). Mas, qual a outra alternativa? Governar sozinho? Um ditadura, então? Fazer política sem alianças é impossível dentro do sistema que existe por aqui, chamado por alguns de "democracia" (tradução: "governo do povo"). Criticar o PT por ter feito alianças, portanto, não faz sentido. Lembremos do governo FHC, chamado de "social-democrata" ou de "centro-esquerda", que se aliou aos reacionários elitistas do PFL... Ou seja: se ficar o bicho come, se fugir o bicho pega.

Bem, vou fazer o papel que me cabe: defender o governo atual (apesar de seus erros e besteiras - afinal, "quem for perfeito que atire então a primeira pedra", como bem disse um a antigo esquerdista que acabou morto na cruz por seus inimigos políticos). Isso não quer dizer que acho todos os petistas santos ou que o partido seja isento de erros e, até, falcatruas. Mas a diferença entre o PT e o resto é escandalosa. Só não vê quem é cego (ou mal intencionado mesmo).

MEMÓRIA: Os principais escândalos de FHC

Abaixo, trechos do documento relembra os principais escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo o texto, a lista serve de "contra-veneno à insidiosa campanha que a oposição move contra o governo Lula":

O governo Fernando Henrique Cardoso, além de ter aberto as portas para a pilhagem nacional e internacional, colocando o Brasil praticamente na condição de colônia, foi pródigo em abafar a corrupção. A implementação de seu projeto neocolonial ocorreu paralelamente a uma sucessão de escândalos. Abaixo, uma pequena amostra das dezenas de escândalos que marcaram a era FHC. O trabalho refresca a memória e serve de contra-veneno à insidiosa campanha que a oposição move contra o governo Lula, usando um caso de corrupção para tentar manchar a imagem de um governo que é o oposto do anterior.

ABRINDO AS PORTAS PARA A CORRUPÇÃO: Foi em 19 de janeiro de 1995 que o governo do PSDB/PFL fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. FHC extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se notabilizou por abafar denúncias. A CGU, no governo Lula, passou a ocupar um papel central no combate à corrupção.

CONCORRÊNCIA DO SIVAM/SIPAM: O contrato para execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam) foi marcado por escândalos. Denúncias de tráfico de influência e de corrupção derrubaram o Brigadeiro Mauro Gandra, da Aeronáutica, e serviram para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Foi ser embaixador do Brasil junto à FAO, em Roma, um exílio dourado. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia de Raytheon, foi extinta, por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

UMA PASTA ROSA MUITO SUSPEITA: Foi em fevereiro de 1996 que a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente o conjunto dos processos denominados escândalos da pasta rosa. Era uma alusão a uma pasta com documentos citando doações ilegais, em dinheiro, de banqueiros para campanhas políticas de políticos que eram da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o Procurador-Geral da República era Geraldo Brindeiro, conhecido pela alcunha de "engavetador-geral da República".

A COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC: A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denuncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da
Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o, impedido a constituição de uma CPI para investigar o caso.

A ESCANDALOSA DOAÇÃO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE: Apesar da mobilização da sociedade brasileira em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas do mercado estimavam seu preço em pelo menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses globais do Brasil. A empresa detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, como navios, portos, ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa eqüivale, nos últimos tempos, ao lucro trimestral da CVRD. Foi um dos negócios mais criminosos da era FHC.

O ESCÂNDALO DA TELEBRÁS: Foi uma verdadeira maracutaia a privatização do sistema de telecomunicações no Brasil. Uma verdadeira sucessão de denúncias e escândalos. Foi uma negociata num jogo de cartas marcadas, inclusive com o nome de FHC citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” a que a imprensa teve acesso comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades do governo tucano. As fitas mostravam que informações privilegiadas eram repassadas aos “queridinhos” de FHC.

O mais grave foi o preço que as empresas estrangeiras e nacionais pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos 2 anos e meio anteriores à “venda”, o governo tinha investido na infra-estrutura do setor de telecomunicações mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES, nas mãos do tucanato, ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio, em detrimento dos interesses do povo brasileiro. Uma verdadeira rapinagem cometida contra o Brasil e que o governo tucano impediu que fosse investigada.

A privatização do sistema Telebrás – assim como da Vale do Rio Doce — foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende.

Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle de estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

DENGUE, O FRACASSO NA SAÚDE: A população brasileira sentiu na carne a omissão de FHC com a saúde. Em 1998, com uma política tecnocrática, o governo reduziu a zero os empréstimos da CEF às autarquias e estatais da área de saneamento básico. Isto resultou em condições ideais para a propagação da dengue e de outras doenças, já que a decisão decepou um instrumento essencial no combate às doenças e proteção à saúde. Além da dengue, a decisão provocou surtos de cólera, leishmaniose visceral, tifo e disenterias. São doenças resultantes da falta de saneamento. No caso da dengue, o Rio de Janeiro foi emblemático. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil matamosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o Estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte. É preciso muita competência para organizar uma epidemia daquelas proporções.

O NEBULOSO CASO DO JUIZ LALAU: Quem não se lembra da escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, que levou para o ralo R$ 169 milhões? O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só surgiram em 2000, com todos eles alegando inocência. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo tucano surgiram no emaranhado de denúncias. O pior é que Fernando Henrique, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”. Além de ter pedido para esquecerem o que havia escrito, o ex-presidente tucano aparentemente queria também que a população esquecesse o que assinava durante o seu fracassado governo.

A FARRA DO PROER: O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.


DESVALORIZAÇÃO DO REAL: A desvalorização do real também faz parte do repertório de escândalo da gestão tucana. FHC segurou de forma irresponsável a paridade entre o real e o dólar, para assegurar sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões e bilhões de dólares das reservas brasileiras. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

Há indícios, publicados pela imprensa, de que havia um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à patota de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1 bilhão e 600 milhões de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia.

Apesar da liberação, em um só dia, dessa grana toda, os dois bancos acabaram quebrando. O povo brasileiro ficou com o prejuízo. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por pouco tempo. Cacciola vive tranqüilamente na Itália e Lopes foi recentemente condenado pela Justiça, em primeiro instância, a 10 anos de prisão.

SUDAM E SUDENE , POUCO ESCÂNDALO É BOBAGEM: De 1994 a 99, houve uma verdadeira orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Em vez de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.

Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios da ordem de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC resolveu extinguir a Sudene, em vez de pôr os culpados na cadeia. O PT igualmente questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

APAGÃO, UM CASO DE INCOMPETÊNCIA GERENCIAL: A incompetência dos tucanos, associada à arrogância, por não terem ouvido as advertências de especialistas, levou ao apagão de 2001. O problema foi provocado também pela submissão do PSDB/PFL aos ditames do FMI, que suspendeu os investimentos na produção de energia no país. O fato é que o povo brasileiro, extremamente prejudicado pela crise energética, atendeu, patrioticamente, à campanha de economizar energia, mas foi “premiado” pelo governo FHC com o aumento das tarifas
para “compensar” as perdas de faturamento das multinacionais e seus aliados locais que compraram a preço de banana as distribuidoras de energia nos leilões entreguistas realizados pelo tucanato. Por causa disso, o povo brasileiro foi lesado em R$ 22,5 bilhões, montante transferido para as empresas da área.

Não se convenceu? Acha que político é tudo "farinha do mesmo saco"? Então, parabéns, a VEJA é a sua leitura obrigatória.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Música: Trilha sonora do filme "Diários de Motocicleta"

Delicada e intimista, partitura adequa-se com perfeição às belas imagens do filme

- Por André Lux

Um dos fatores que mais chamam a atenção durante a exibição de ''Diários de Motocicleta'' é a sua trilha musical, composta pelo argentino Gustavo Santaolalla (de ''Amores Brutos'' e ''21 Gramas''). E não por ser grandiloqüente ou opulenta, mas sim por ser extremamente delicada e intimista adequando-se com perfeição às imagens captadas pelo diretor Walter Salles e pelo fotógrafo Eric Gautier.

Ao narrar a primeira aventura do jovem Ernesto Guevara muito antes de transformar-se no mitológico ''Che'', o cineasta optou sabiamente por uma aproximação sutil e humana. E isso está refletido na música de Santaolalla que, além de escrever a partitura, também tocou vários dos instrumentos acústicos utilizados nela - violão, guitarra, ronrocco, charango, caja, flautas, percussão, vibros e baixo.

A trilha musical de ''Diários de Motocicleta'' é dominada principalmente pelo violão de Santaolalla, o qual o músico utiliza para para destacar sentimentos de isolamento ou de melancolia, em faixas como ''Lago Frias'', ''Leaving Miramar'', ''Jardín'', ''La Morte De La Poderosa'' e ''Leyendo En El Hospital'', ou para dar contraponto aos diversos tipos de instrumentos de percussão que ressaltarem o sabor ''latino'' do filme, em faixas como ''Apertura'' e ''La Partida''.

O compositor utiliza a guitarra elétrica junto com a percussão na faixa ''La Salida de Lima'', que pontua a seqüência em que Enersto e Alberto saem da capital peruana em direção ao leprosário numa balsa, passando através da música a crescente sensação de inquietação dos protagonistas que Salles busca mostrar neste ponto do filme.

Em momentos de tensão, Santaolalla prefere deixar a música baixa e indefinida usando para isso basicamente solos de percussão (''Procéssion'', ''Amazonas'' e ''El Cruce''). Já em cenas de caráter intimista, predominam a performance de instrumentos de sopro criando uma textura etérea que busca apoio nas imagens invertendo a função da trilha sonora (''Montaña'', ''Círculo En El Rio'' e ''Partida Del Leprosario'').

O material temático e as diferentes instrumentações criadas pelo compositor são resolvidos com precisão e riqueza de detalhes em ''De Usuhaia a La Quiaca'', a qual descreve de maneira tocante a cena que encerra o filme de Walter Salles.

O album com a trilha sonora de ''Diários de Motocicleta'' traz ainda a divertida canção ''Chipi Chipi'' de Gabriel Rodriguez, ''Que Rico El Mambo'' de Dámasco Pérez Prado e a sensível ''Al Outro Lado Del Rio'' composta especialmente para o filme por Jorge Drexler, que também é responsável pelos vocais e solos de violão.

Quem gostou do filme certamente vai apreciar também esse trabalho de muito bom gosto de Gustavo Santaolalla registrado em um CD que contém aproximadamente 38 minutos de música, mas que dá impressão de ser mais curto e deixa um gosto de ''quero mais'' no final - o que é sempre um grande elogio.

Cotação: * * * *
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