terça-feira, 31 de maio de 2005

Protesto: "Boicote VEJA, o panfleto dos reacionários"

O texto abaixo foi retirado do site "Sabedoria.net":

"Você está sossegado no bar tomando um chopp (ou em outro evento social) e de repente escuta um disparate dito por alguém. E como se não bastasse, A pessoa justifica sua resposta com: "Li na Veja". Ai você se lembra que a revista mais comentada do país tem defeitos por várias razões:

  • Política e Economia: tendenciosa, panfletária, neoliberal, entreguista e derrotista.
  • Relações Internacionais: baba-ovo da Doutrina Bush e Sharon.
  • Jornalismo de supositório: só denuncia por interesse político e fabrica "factóides" pra vender revista.
  • Sociedade: elitista, conservadora, preconceituosa e contrária aos Movimentos Sociais.
  • Música, arte, cinema, literatura e etc: só rola jabá!!!
  • Ciência e tecnologia: simples catálogo de compras e de inutilidades.
  • Repleta de fofoca de celebridades.
  • Tem sempre um teste idiota do tipo "como você é"

PARTICIPE VOCE TAMBEM DO BOICOTE À REVISTA VEJA!"

Texto abaixo retirado da comunidade "Veja que mentira" do Orkut:

"A revista VEJA, da Editora Abril, simboliza a expressão mais atrasada e reacionária do jornalismo praticado pela "grande" imprensa, que distorce a realidade, criminaliza os movimentos sociais e tenta desmoralizar quem defende a democracia e os interesses do povo brasileiro. A campanha VEJA QUE MENTIRA defende o posicionamento crítico diante das mentiras e das distorções divulgadas pela revista VEJA; pede a denúncia da revista por sua falta de ética e falta de respeito com o leitor e com a cidadania; pede que se deixe de ler e de assinar a revista até que ela mude de postura e assuma compromisso com a democracia e com a liberdade de expressão, de organização e de manifestação.

Ajude a divulgar essa campanha. Adote uma posição crítica e politicamente correta.

Adote os lemas: Eu não leio a VEJA; Eu não assino a VEJA; Chega de mentira, VEJA não; VEJA que mentira. Aqui não."

Política: "A Terceira Dimensão"

O quadro político atual do país é bastante preocupante, especialmente para aqueles que, como eu, sabem que a ÚNICA esperança de mudança real e melhoria na condição de vida dos pobres está, gostemos ou não, nas mãos do PT. O professor Flávio Aguiar discorre sobre o assunto de maneira exemplar. Abaixo um trecho que vale a pena ser destacado:

"(...) O governo tem inimigos sim, que são os que lucram com a miséria do povo brasileiro, e desviam verbas de seu alcance social para o financiamento da desigualdade social aprofundada em que vivemos secularmente. São os que lucram com os impostos regressivos, com as maracutaias abertas ou à socapa. (...) quem lucra com “o custo Brasil” para os pobres e os trabalhadores é bastante gente. Não é a maioria, mas compõe um sistema avantajado de gente que está presente em toda a vida nacional, tem presença na mídia, tem “formadores de opinião” a seu serviço e que formam a opinião mesmo, como essa que está sendo forjada para a eleição de 2006, a de que o governo Lula seria tão inepto que nem a corrupção administraria com eficiência (...).

(...) Quer dizer: o que há na verdade é uma mega-guerra de informação e desinformação, de distorção e torção da opinião pública, que envolve milhões de figurantes e bilhões de reais e dólares para lá e para cá. Existe uma guerra de classes na rua, não mais daquelas convencionais, a que nós da esquerda estávamos acostumados, da meia dúzia de patrões sanguinários contra os milhares de trabalhadores ensangüentados nas fábricas e campos. O patrão sanguinário ainda existe em algum recôndito rincão, mas ele foi substituído pelo eficiente administrador de verdades e inverdades, o manipulador de informações, o que colhe os resultados das ações dos que disputam espaço numa política tribalizada pelo economês (...)"
Para ler o texto na íntegra, publicado no site da Agência Carta Maior, clique aqui.

quinta-feira, 26 de maio de 2005

Filmes: Crítica do Rubens Ewald Filho sobre "Star Wars - Episódio 3"

Confiram abaixo a crítica do Rubens Ewald Filho sobre "Star Wars - Episódio 3 - A Vingança dos Sith". Por sinal, bem parecida com a minha (vejam como sou humilde!). Não é a toa que o REF, apesar de todos seus defeitos (afinal, quem não tem defeitos?), ainda é um dos pouquíssimos críticos profissionais dignos de respeito no Brasil...

Star Wars - Episódio 3 - A Vingança dos Sith

- Por Rubens Ewald Filho

De alguns fatos já se sabe. Este final de trilogia é bem melhor do que os anteriores, que parecem supérfluos e infantilóides. Está agradando aos fãs que ficam encantados em ver todos os detalhes cobertos e resolvidos. Mas não funciona para o espectador comum.

Fico impressionado como os fãs não percebem os defeitos óbvios e imperdoáveis, o maior deles sendo a performance constrangedora e patética de Hayden Christensen no papel central. Por causa dele, o filme nunca ganha a dimensão dramática que pretendia.

Dá mesmo vontade de desejar que George Lucas tivesse usado sua mania de abusar de efeitos digitais para melhorar a cara inexpressiva do ator. Será que não teria sido melhor substitui-lo? De qualquer forma, é um furo no centro do filme, que não compensa suas outras qualidades.

O importante é que desta vez George Lucas tem uma história a contar (ao contrário dos anteriores, que agora parecem inteiramente desnecessários). E o faz com sua habitual falta de sutileza, com mão pesada para dirigir atores. Todos, mesmo os consagrados, parecem dispersos ou errados.

Seja Ewan McGregor (novamente inexpressivo), ou mesmo o inabalável Samuel L. Jackson. Alguns simplesmente não conseguem falar (como Jimmy Smits), em particular Hayden que não consegue mesmo dar inflexão aos momentos mais dramáticos ou fortes. Não bastasse a cara de nada, também sua voz é inadequada. Salvam-se, com boa vontade, o clássico Christopher Lee (nos poucos minutos em que aparece) e, em algumas cenas, Ian McDiarmid, que faz o super-vilão Palpatine, por vezes conseguindo mostrar que é um ator shakespereano, de experiência e tradição . Por falar nisso, é Shakespeare quem faz falta nos diálogos, que são banais, apesar das situações serem fortes. Para ser justo, há dois momentos curiosos. Um deles é quando Natalie Portman fala sobre os governantes e diz que suspeita que a República está traindo seus princípios (me pareceu uma referência clara ao governo atual de Bush).

Outra é quando, na luta na lava (que infelizmente lembra Senhor dos Anéis), Anakin e Obi-Wan discutem sobre quem traiu quem, e o primeiro diz que tudo é uma questão de ponto de vista: para ele parece que foram os Jedis que traíram.

Muita gente tem me reclamado de várias coisas, desde o título confuso e complicado para o leigo, até a falta de progressão dramática da mudança de Anakin, já que por mais que ele possa ter razões, nunca se justifica bem sua crueldade (a ponto de matar criancinhas), quando seria óbvio que a mulher ficaria contra ele (afinal, ele é um sábio Jedi). Ou seja, nem mesmo a história está bem contada.

Por outro lado, continua me incomodando o excesso de detalhes dos backgrounds (será que nem em tempo de guerra e ataques o tráfego do terraço dos heróis tem seu trânsito incessante interrompido?). A razão porque o público gosta menos deste não é pelo fato dele ser mais dark ou trágico que os anteriores, mas porque há menos ação (sempre com cara de videogame), e só mesmo fã acha graça no herói virar bandido (mesmo que para isso tenha sido preciso esperar mais de vinte anos).

Será nostalgia afirmar novamente que a primeira trilogia era melhor? Que tudo era mais divertido. E aí está a palavra-chave, os filmes recentes de Lucas não têm fun, não são bons de ver, porque o diretor não tem o menor senso de humor. De tal forma, que o público ri apenas num momento, quando Yoda derruba os dois guardas. Aliás, mais uma vez, esse boneco criado digitalmente consegue ser a figura mais humana e sensível do filme, o único a nos provocar alguma emoção. Por que nem mesmo as lutas finais são especialmente notáveis.

Passado o primeiro impacto, vocês verão como o filme, e a trilogia, serão vistos como apenas uma forma de Lucas fazer mais dinheiro com merchandising, que tudo foi redundante e medíocre (e mesmos as referências ao Lado Sombrio da Força nunca foram expandidos além de seu sentido original). Preferia que ele tivesse ficado na trilogia original (e que não tivesse bulido nelas).

terça-feira, 24 de maio de 2005

Artigo: "FHSeverino"

Se você, assim como eu e milhares de outros brasileiros, não aguenta mais ouvir as idiotices que nosso ex-presidente FHC, o boçal, insiste em proferir na mídia corporativa, leia o novo artigo do professor Emir Sader e lave a sua alma...

"O bom do acordo entre FHC e Severino, que levou este último à presidência da Câmara, é que ele desmascara a falsa oposição entre “modernidade” e “atraso”, entre “dinamismo paulista” e “arcaísmo nordestino”. Um é condição do outro, como já haviam mostrado os 8 anos de governo tucano no país."

Clique aqui
e leia o texto na íntegra, no site da Agência Carta Maior.

Humor: "Falem mal, mas falem de mim..."

Novos comentários cheios de ódio foram postados abaixo (olha o lado negro, cuidado!). Se bem que agora estou entendendo porque tem tanta gente se identificando com o Anakin Skywalker, que (conforme nos mostraram neste horrível "Episódio 3") não passa de um moleque mimado e birrento... Confiram e riam!

É duro ter uma opinião forte, convicta e pessoal sobre um assunto qualquer e não ter medo de dizê-la, especialmente hoje em dia quando a grande maioria das pessoas só sabe repetir as asneiras que lêem ou assistem na mídia corporativa ou da boca de críticos profissionais que se enquadram nas definições abaixo ("Ria dos Críticos").

Fico triste, por exemplo, de ter que escrever uma crítica tão negativa a um filme da saga "Star Wars", já que sou fã incondicional da trilogia original a qual vi no cinema na época em que foi lançada pela primeira vez (1977, quando tinha apenas 8 anos de idade). George Lucas e Luke Skywalker ajudaram muito a minha infância a ser menos patética e, ao menos, pude ter orgulho de ser nerd. A profissão que escolhi tem muito a ver com os filmes (meu projeto de formação acadêmica, por sinal, foi dedicado a George Lucas que "mudou minha vida e nunca vai saber disso").

Só que isso não pode (nem deve) me impedir de perceber que Lucas se perdeu e fez dessa nova trilogia uma besteira indefensável, a não ser por fanáticos da série (que se recusam a crescer e amadurecer) e adolescentes que ainda julgam a qualidade de um filme pela quantidade de efeitos especiais que pipocam na tela (já fui assim, portanto, saibam que isso é normal - o que não é normal é querer convencer os outros na marra que isso é o certo).

Pior que eu comprei briga com um monte de gente que malhou desde o começo essa nova trilogia. Não porque estava achando grande coisa, mas por achar que Lucas tinha realmente tudo planejado para o terceiro capítulo, onde iria ao menos apagar as besteiras que fez. Longe disso! O cara estava mais perdido que cego em tiroteio e achou que botar o Darth Sidius resmungando "Tudo está correndo conforme o planejado..." seria suficiente para nos enganar. Ou seja, quem detonou a nova trilogia desde o início é que, no final das contas, estava certo.

Lucas devia mesmo ter deixado outras pessoas escreverem o roteiro dos novos filmes - qualquer gibi ou mesmo a mini-série "Clone Wars" dão de mil a zero nos "Episódio 1, 2 e 3". Além disso devia ter contratado diretores de verdade para tentar dar vida a tudo isso. Lucas nunca foi um bom diretor. Imagine então agora, com os atores tendo que ler diálogos horríveis na frente de um fundo azul! Faltou alguém ter tido coragem de dizer isso ao bom e velho George. Infelizmente, o cara se fechou dentro do seu império e se cercou de nerds que devem ficar o tempo todo babando o ovo dele ("Olha, George Lucas fez um pum! Que lindo!"). E deu no que deu...

Azar o nossso!

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Agradecimentos e sobre "Star Wars"...

Agradeço pelos comentários aqui escritos, tanto daqueles que concordam quanto dos que discordam da minha opinião. Afinal, lembrem-se sempre que uma crítica (por mais tecnicamente embasada e bem escrita que seja) será sempre uma mera opinião. Qualquer um que ache o contrário disso deve ser motivo de risos (vide minha homenagem singela aos profissionais da opinião, "Ria dos Críticos", mais abaixo).

Ah, agradeço especialmente ao rapaz que teve todo o trabalho de vir até aqui só para me dizer, enfurecido, que minhas críticas estão sendo "plenamente ignoradas"! Obrigado também por me lembrar que sou apenas um "amador", caso contrário iria continuar pensando que sou "profissional" e seria obrigado a contratar desde já um advogado para descobrir quem é que está me devendo dinheiro por todas as opiniões que publiquei aqui... :-)

E aos verdadeiros fãs dos "Guerras nas Estrelas" originais, sugiro que revejam o primeiro filme ("Uma Nova Esperança") como fiz ontem. Reparem como existem discrepâncias totalmente absurdas em relação ao péssimo "Episódio 3", principalmente nos diálogos entre Luke e Ben, na casa dele. Sem dizer que a Estrela da Morte ficou mais de 18 anos sendo construída, já que a "inauguração" dela deu-se justamente na destruição de Alderaan...

Alias, vejam abaixo algumas fotos que comprovam as falhas cometidas pelo próprio Lucas:

ENVELHECIMENTO PRECOCE



Beru Lars no final de "Episódio 3"



Beru Lars, nem 20 anos depois, em "Episódio 4"





Owen Lars, em "Episódio 3" (um jovem de no máximo 30 anos)


O mesmo Owen em "Episódio 4", misteriosamente conseguiu ficar com 60 anos! Será efeito do lado negro??




Obi-Wan em "Episódio 3" (35 anos, no máximo)


Em "Episódio 4" com 65 anos, no mínimo. "Onde você foi desencavar esse velho fóssil?", pergunta o despeitado Han Solo.

MEMÓRIA PRODIGIOSA
Diálogo de "Episódio 6 - O Retorno de Jedi"
Luke: "Leia, você lembra da sua mãe verdadeira?"
Leia: "Só um pouco. Ela morreu quando eu era muito jovem. Lembro que ela era muito bonita, gentil mas... triste"
Ou estamos falando do bebê com a memória mais prodigiosa do universo ou então Lucas pisou na bola feio de novo...

MÃO DE OBRA LERDA
De acordo com o final do "Episódio 3", a Estrela da Morte, que foi inaugurada em "Episódio 4" com a destruição de Alderaan, ficou mais de 17 anos em construção! O Imperador deve ter mudado de empreiteira, pois nem 5 anos depois já estava terminando de construir a segunda Estrela da Morte no "Episódio 6"!


Abraços a todos e voltem sempre!

domingo, 22 de maio de 2005

Artigo: "A Responsabilidade das Esquerdas"

Vale a pena ler o artigo do professor Flávio Aguiar, publicado no site da Agência Carta Maior sobre "A Responsabilidade das Esquerdas" (clique aqui para ler na íntegra). Ele tem muito a ver com o texto que escrevi abaixo, "Esquerda de Araque?".

Que sirva de alerta para qualquer um que se considere "de esquerda"...

sábado, 21 de maio de 2005

Filmes: "Star Wars: Episódio 3 - A Vingança dos Sith"

A FORÇA NÃO ESTÁ MAIS COM ELE

George Lucas encerra a trilogia inicial de forma constrangedora e comprova que não tinha mesmo mais nada a dizer

- por André Lux, crítico-spam

Finalmente chegou a hora que todo fã da série criada por George Lucas em 1977 esperava desde que ficamos sabendo que ele filmaria a trilogia anterior, a qual deveria mostrar o processo de ascensão e queda de Anakin Skywalker de cavaleiro Jedi para Lorde do Sith.

“Star Wars – Episódio 3: A Vingança dos Sith” era a chance de vermos explicadas, ou ao menos reparadas, todas besteiras e incongruências mostradas nos dois filmes anteriores, já que havia uma esperança que Lucas realmente soubesse o que estava fazendo desde o início e, portanto, teria guardado várias cartas na manga para fechar a trilogia inicial em grande estilo e com alguma coerência.

Mas, tristeza das tristezas, a esperança era falsa. O terceiro filme é tão desconjuntado e sem sentido quanto os outros dois. E as supostas explicações soam forçadas e tolas, especialmente aquela que quer nos convencer que tudo que foi mostrado nos filmes anteriores (inclusive o nascimento de Anakin) fazia parte do infalível plano de conquista do poder de Palpatine! Imperdoável.

Fica absolutamente claro desde o início que Lucas novamente não sabe o que fazer com seus personagens, muito menos tem uma história definida para contar. Sobram então batalhas extravagantes, poluídas por milhares de naves, soldados, robozinhos e monstrinhos criados pelos efeitos digitais, num exagero tão grande que chega a entumecer a consciência do espectador, privando-o de qualquer emoção genuína (e pensar que tem gente que reclama dos fofos Ewoks de “O Retorno de Jedi”!).

Como em “A Ameaça Fantasma” e “O Ataque dos Clones”, o roteiro pula de uma batalha para outra sem qualquer lógica ou coerência, intercalando-as com breves (e patéticas) exposições dos personagens. Há uma luta no planeta natal de Chewbacca totalmente dispensável e redundante, já que nem mesmo conseguimos ver o que está acontecendo, tamanho o número de tiros, explosões e naves passando.

Os Jedi, que supostamente deveriam ser guerreiros invencíveis, nobres e sagazes, são abatidos com extrema facilidade por meros soldados clones e, pior, partem para a porrada com fúria e agressividade que destoam totalmente da sua filosofia pacificadora. Mace Windu (Samuel L. Jackson, novamente desperdiçado), por exemplo, não tem qualquer pudor em tentar decepar a cabeça do vilão Darth Sidius depois de tê-lo desarmado. 

E, pelo amor de deus, como é possível que nenhum deles tenha percebido a verdadeira face do Chanceler Palpatine antes? Se bem que eles não foram capazes nem de perceber que Anakin estava casado com a senadora Amidala...

"Peraí meu bem, vou lá matar 
umas criancinhas e já volto..."
Mas isso não é nada comparado com o que deveria ser o ponto alto da nova trilogia: a transformação de Anakin Skywalker no maligno Darth Vader é absolutamente lamentável. 

Lucas fez três filmes para contar essa história, mas mesmo assim não conseguiu criar nuances e motivos suficientes para tornar a virada de caráter do personagem forte ou minimamente coerente. 

Depois de um monte de “encheção de lingüiça” na primeira metade do filme bastou o rapaz ter dois sonhos “premonitórios” sobre a morte da sua amada Padmé (muito mal encenados, por sinal) e meia dúzia de promessas vazias sobre a possibilidade de “ressuscitar os mortos” proferidas pelo vilão e pronto: Anakin já se volta contra os Jedi e sai matando inclusive criancinhas indefesas, enquanto faz cara de psicopata! 

Essa virada é tão mal construída e imbecil que o apoteótico confronto final entre ele e Obi-Wan não convence nem um minuto, ainda mais do jeito que foi idealizado com os dois surfando e duelando absurdamente sobre rios de lava incandescente.

O mais triste de tudo é que não há mais ninguém a culpar a não ser o próprio criador da série, George Lucas, já que todos os filmes são frutos da imaginação e do empenho dele. Não adianta nem reclamar da inexpressiva atuação do elenco (em particular à de Hayden Cristensen, como Anakin, canastrão ao extremo, e à de Ian McDiarmid, totalmente descontrolado e ridículo quando finalmente vira Darth Sidius), afinal a direção é inexistente e o filme flui desconjuntado e sem qualquer foco narrativo até o final, alternando batalhas caóticas com cenas tediosas de exposição da trama repletas de diálogos constrangedores. 

Não vou nem perder tempo falando do grotesco General Grievous, que deveria ser um dos vilões memoráveis do filme, mas não passa de um boneco digital bobo com problemas no pulmão, o qual não tem a nada a fazer exceto ser morto de forma patética.

Assusta também a maneira como Lucas não respeita nem as revelações que já estão nos filmes subseqüentes. Vários diálogos dos Episódios 4 e 6, por exemplo, ficam comprometidos, tais como Obi-Wan dizendo a Luke que não é chamado por esse nome desde há muito tempo antes dele nascer, Leia dividindo com o irmão pequenas lembranças de sua convivência com a mãe ou mesmo o tio de Luke chamando Ben Kenobi de “aquele velho louco”! 

O que dizer então da falta de coerência cronológica entre o Episódio 3 e o 4? Do nascimento de Luke até o seu encontro com o velho mestre Jedi devem ter passado cerca de 17 anos. Mas enquanto Ewan McGregor aparenta, no máximo, uns 35 anos, Alec Guiness certamente já tem mais de 60 anos! A mesma coisa valendo para os tios de Luke, praticamente adolescente no final de "A Vingança dos Sith", mas sessentões em "Uma Nova Esperança".

A fraca trilha musical de John Williams demonstra claramente a falta de inspiração do compositor com o material apresentado, tanto é que o filme só consegue emocionar um pouco durante os últimos minutos de projeção, quando Lucas tenta fechar tola e apressadamente os vários nós que conduzem à próxima trilogia, momentos em que Williams revisita alguns dos temas musicais antigos em grande estilo.

Enfim, “Episódio 3” é a prova definitiva que a “Força" não está mais com George Lucas. Até a série animada "Clone Wars" deu de dez a zero nele. Mas mesmo assim tem gente achando que esse filme é muito melhor que “A Ameaça Fantasma” e “O Ataque dos Clones”. 

Permitam-me discordar. Os três são igualmente ruins, desconjuntados e sem sentido, mas os dois primeiros ao menos reservaram algumas seqüências realmente emocionantes (como a corrida de pod racers do primeiro ou a morte da mãe de Anakin no segundo) e duelos memoráveis (especialmente aquele entre os Jedi e o terrível Darth Maul). Sem dizer que sempre restava a esperança de que o último filme redimiria os anteriores.

Ser fã da série original é uma coisa. Ser fanático e fechar os olhos aos incontáveis defeitos dessa nova empreitada é outra bem diferente. Melhor mesmo é rever a trilogia original e esquecer esses três filmes desastrosos, que serviram apenas para nos ensinar que os Jedi não passavam de tolos desmiolados e que o tão temido vilão Darth Vader era nada mais que um moleque mimado e birrento cuja visão política causaria orgulho tanto a Adolf Hitler quanto ao seu novo discípulo, George W. Bush.

Sinceramente, nós fãs de Star Wars não mereciamos isso...

Cotação: *
Cotação da trilogia inicial (Episódios 1, 2 e 3):
* *
Cotação da trilogia subseqüente (Episódios 4, 5 e 6): * * * * 1/2

.

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Filmes: "Cruzada"

MAIS UM PREGO NO CAIXÃO

Novo filme do diretor Ridley Scott é ruim como cinema e pior ainda como lição de história


- Por André Lux

Podem tirar Ridley Scott da sua lista de diretores preferidos. O autor de obras-primas do cinema moderno, como “Alien” e “Blade Runner”, saiu de cena já há alguns anos quando se rendeu ao cinema puramente comercial, onde forma não rima com conteúdo. Seu último longa, “Cruzada”, é uma grande besteira que pretende contar uma história real (a retomada de Jerusalém dos cristãos pelos árabes), mas inventa um monte de sub-tramas absurdas que destoam totalmente da realidade e tiram qualquer chance do filme ser minimamente interessante.

Já começa mal, mostrando um nobre (Liam Neeson, de “A Lista de Schindler”, sem nada o que fazer) que vem em busca de seu filho bastardo, Balian (o fraquíssimo Orlando Bloom, de “O Senhor dos Anéis”), para lhe passar a sucessão do seu baronato, na intenção de se redimir (do que, nunca saberemos pois o roteirista esqueceu de explicar). Em menos de 10 minutos de projeção o nobre é morto e o moço herda o título do pai, partindo para Jerusalém em busca de perdão e sabe-se lá mais o que.

Se o filme já estava confuso, a partir do momento que a ação pula para a terra prometida fica simplesmente incompreensível, a não ser que você seja professor de história. Nomes e personagens são jogados aos montes na tela sem qualquer preocupação em situá-los dentro do contexto histórico da época. Dali em diante simplesmente não há nada a ser contado e Scott e o roteirista William Monahan limitam-se a “encher lingüiça” mostrando belas paisagens e seqüências redundantes e sem qualquer impacto até chegar a hora da batalha final. Inventam até um romance entre o protagonista e a futura rainha da cidade (a bela Eva Green)!

A verdade é que criaram todo um enredo fictício em volta de um personagem real, o tal Bailian que liderou a defesa de Jerusalém contra os árabes, com a clara intenção de fazer uma parábola com os conflitos atuais que acontecem no mesmo local, sagrado para várias religiões. Apesar de pregarem a paz e o entendimento durante toda a projeção, essa “mensagem” é destruída quando acontece o ataque final, durante o qual Bailian profere ridículos discursos a favor da liberdade e do “povo”, descabidos tanto para a época, quanto para o próprio desenvolvimento temático apresentado até então. Não seria mais fácil ele ir até o sultão Saladin e negociar a rendição da cidade, evitando assim a guerra inútil (até porque ele já havia conquistado o respeito do braço-direito dele)? Por causa desse descompasso, dá para entender claramente porque alguns críticos têm acusado Scott de fazer propaganda da política imperialista de George Bush (que justifica a invasão de outros países e o genocídio de seus povos em nome de uma suposta “democracia”), enquanto o diretor se defende dizendo que queria mesmo era passar uma mensagem de paz e tolerância.

Mas do jeito que ficou não serve nem mesmo como crítica à igreja Católica, já que o novo rei é mostrado de forma totalmente caricata, com arroubos de vilania sem sentido, enquanto o antigo governante é pintado como um anjo do bem, pregando a paz e a tolerância por pura bondade. Se tivessem tentado retratar os dois com tintas mais realistas, poderíamos ao menos entender as motivações reais por trás de suas atitudes. O único personagem que ganha alguma humanidade é justamente o sultão árabe, que normalmente seria o vilão em filmes estadunidenses, mas sua presença em tela é tão pequena que não é suficiente para marcar.

Se conceitualmente o filme é um total desacerto, tecnicamente então é um desastre. Não existe em “Cruzada” nem a sombra do virtuosismo técnico que Scott imprimia às suas antigas produções. A fotografia é escura (em algumas cenas-chave mal se vê o rosto dos atores) e tremida nas cenas de batalha (ou seja, fica impossível entender o que se sucede). Além disso, o diretor abusa de filtros azuis que deixam tudo artificial, truque estético obtuso a lá MTV que vem usando desde “Gladiador”.

O que dizer então da música, escrita por um dos clones do sofrível Hans Zimmer, que é um arremedo de orquestrações simplistas enfeitadas com instrumentação exótica e vocalizações pseudo-eruditas? É tudo tão inexpressivo que numa das cenas mais “emocionantes” do filme (quando Bailian discursa e transforma os servos em cavaleiros) tiveram que usar uma música que o grande Jerry Goldsmith compôs para o filme “O 13º Guerreiro”.

Enfim, depois de cometer filmes grotescos como “Hannibal”, “G.I. Jane” e “Falcão Negro em Perigo”, este “Cruzada” é somente mais um prego no caixão do autor criativo que Ridley Scott foi outrora. Só não é pior que “Gladiador” pois não tem aquela mensagem fascista de busca pela vingança a qualquer preço. Todavia, é tão insípido e tolo que não vale a pena nem perder tempo discutindo-o. Ou seja, é ruim como cinema e pior ainda como lição de história.

Cotação: *

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Humor: Ria dos Críticos!

Vamos ser francos: não existe nada mais patético do que “críticos profissionais” que se levam a sério. Enquanto milhares de pessoas ganham a vida produtivamente construindo pontes, realizando cirurgias cardio-vasculares, entregando cartas, escrevendo livros ou retirando os lixos das ruas, existem certas pessoas que vivem de “tecer opiniões sobre o trabalho dos outros”.

Não que tenhamos algo contra a expressão de opiniões, algo normal e até louvável. O problema começa quando uma parcela da população começa a ganhar dinheiro fazendo isso e, tristeza das tristezas, passa a acreditar piamente que essa profissão é realmente algo de vital importância para a raça humana, a ponto de merecer respeito ou mesmo admiração incontestes!

Mas é fácil entender porque os tais “críticos profissionais” são, com raras exceções, tão virulentos e ferozes ao defender a sua maneira de ganhar o pão de cada dia. Imagine só como fica a cabeça de uma pessoa que, no fundo, sabe que é apenas um pária social, um tipo de sangue-suga, que passa a vida tendo que tecer opiniões (geralmente negativas) sobre o trabalho produtivo realizado pelos outros - o qual (via de regra) ele não seria capaz de realizar.

Deu pra sentir a que níveis vão a insegurança, o medo e a falta de auto-estima dessas pessoas? Se não bastasse todos nós termos que lidar com esse tipo de limitação psicológica (inerente à espécie humana), pense como seria viver todos os dias sabendo que seu salário mensal depende, única e exclusivamente, do suor de outras pessoas que você nem conhece!

E eu sei do que estou falando, pois exerci por alguns meses a função de "crítico" para um site que gostava. Posso dizer que senti na pele como esse negócio de "exprimir opiniões em público" pode subir à cabeça e deixar você intolerante à opiniões contrárias e críticas ao que escreveu. 

E olha que eu nem era "profissional", fazia aquilo por puro hobby apenas para tentar ajudar um site bacana que estava falido, sem receber nada em troca... Felizmente percebi isso há tempo e pulei fora, voltando meu foco para realizações profissionais e pessoais mais gratificantes.

Sacou agora porque os ditos “críticos profissionais” são, em geral, assim tão cheios-de-si e arrogantes e porque temos que sentir pena deles e não raiva? Não? Então vou facilitar ainda mais a sua vida, tentando dissecar abaixo os vários tipos deles que existem por aí para que possa entender melhor o que se passa na cabeça desse estranho povo! Você certamente já conheceu algum ou já leu algo que um deles escreveu. 

Importante notar que, normalmente, eles possuem todas as características listadas abaixo, embora uma delas vai se sobressair em cada uma dessas figuras bisonhas.

1) CRÍTICO-DEUS: É o tipo mais patético e, também, o mais perigoso. Dono de uma imensa insegurança e de um gigantesco complexo de inferioridade, o “Crítico-Deus” se reveste com o famoso escudo de dono da verdade para tentar desviar a atenção da sua frágil condição psicológica. 

É o “sabe tudo”, cuja sapiência e compreensão dos fatos estão além do que o resto dos mortais sequer sonha em conhecer. 

Esse tipo de pessoa julga-se em contato direto com o “Deus das Artes”, fato que o permite fazer análises sublimes e intocáveis sobre qualquer obra - as quais, por sinal, eles fariam bem melhor caso quisessem ou tivessem tempo. 

Para esse tipo de profissional, “uma crítica não é uma opinião”. Portanto, jamais ouse discutir, muito menos contrariar, o “Crítico-Deus”, pois ele será capaz de ter reações extremamente violentas e ferozes, do tipo escrever textos gigantescos, cheio de pseudo-ironias e auto-indulgência só para tentar denegrir a opinião de quem não concordou com ele ou ousou apontar um erro que cometeu em alguma análise!

2) CRÍTICO-AMIGO (ou CRÍTICO-VASELINA): Esse é o crítico que mais faz rir involuntariamente. Dono de um complexo de inferioridade astronômico que o leva a ter uma necessidade patológica por aprovação, o “Crítico-Amigo” traveste suas opiniões com todo o tipo de “fofuras” e comentários simpáticos. 

Assim, ele pensa, vai ser mais fácil todo mundo gostar dele e aprová-lo. “Vejam como sou boa-praça”, parecem querer dizer. 

O problema começa quando o “Crítico-Amigo” tem que falar mal de uma obra de arte. Aí, via de regra, ele vai escrever um texto imenso, no qual vai intercalar cada comentário negativo com cerca de dois parágrafos onde vai explicar detalhadamente porque está sendo tão “vilão”, praticamente pedindo desculpas aos que eventualmente gostaram da obra e que, por causa do seu comentário negativo, podem vir a não aprová-lo. 

Todavia, não se engane: todo “Crítico-Amigo” é, no fundo, um “Crítico-Deus” disfarçado. Se duvida, aponte em público erros que ele cometeu em suas análises ou discorde frontalmente do que ele disse com uma opinião convicta e isenta de “floreios”. A máscara de “amigo de todos” dele vai sumir rapidinho e o ataque será mais cruel do que o de uma hiena esfomeada!

3) CRÍTICO-PIMBA: Para quem não sabe, PIMBA quer dizer “Pseudo-Intelectual-Metido-A-Besta”

Como a própria definição já deixa clara, esse tipo de crítico tenta disfarçar sua insegurança, ignorância e medo com um linguajar rebuscado, ininteligível e, via de regra, sem sentido (a não ser para ele e para meia dúzia de amigos que vão ao mesmo cine-clube).

Felizmente esse tipo de técnica já ficou por demais manjada, tornando os “Críticos-Pimba” motivo de chacota para quase todos. Todavia, existem algumas pessoas, cuja auto-estima é ainda menor do que a deles, que ainda se impressionam com o tipo de coisas que escrevem, tais como: “olho-matéria”, “dicotomia”, "estética da fome", “dialética”, “sincretismo”, etc... 

Quando o “Crítico-Pimba” toma contato com uma obra pretensiosa e badalada que não entende ou que simplesmente não faz sentido, diz que é "genial" e então copia o que está escrito no press-release dela ou o que leu em alguma entrevista com o autor. 

Cinemão de Hollywood e qualquer outro tipo de arte popular ou de entretenimento serão sistematicamente odiados por esse tipo de crítico. Jamais fale mal de um filme de David Lynch, do “cinema asiático”, do Gerald Thomas, do grupo YES ou da 9ª Sinfonia de Shostakovsky perto de um “Crítico-Pimba”, caso contrário ele vai desprezá-lo para o resto da sua vida... pensando bem, fale mal sim!

4) CRÍTICO-POLIANA: Esse exemplar de crítico nunca vê maldade ou mensagens subliminares em nada que lê, escuta ou assiste, muito menos acha que filmes, livros ou músicas podem trazer mensagens danosas para as pessoas ou para a sociedade em geral. 

“Rambo II” ou "Comando para Matar", para eles, são somente filmes de aventuras bacanas, enquanto artistas ou pensadores como Michael Moore, Noam Chomsky ou Oliver Stone são apenas paranoicos com mania de perseguição. 

“Críticos-Poliana” normalmente gostam de tudo, até do filme "Mulher-Gato", do Steven Seagal, das músicas do É o Tchan e até das novelas da rede Globo! São ideais para trabalhar em revistas como "Veja", "Contigo", "Caras" e outros veículos de comunicação cujos donos preocupam-se mais com prestígio do que com conteúdo de qualidade.

5) CRÍTICO-SINÓPSE: Você já leu uma crítica que é, basicamente, um resumo da história apresentada na obra? 

Então você conheceu um “Crítico-Sinopse”, que é uma variação do “Crítico-Amigo”, só que bem mais ameno. 

Inseguro de suas opiniões e desesperado para esconder o fato que nada entende sobre o que está falando, esse tipo de profissional da crítica limita-se a contar a trama da obra do começo ao fim, repetindo até frases e diálogos para mostrar que realmente estava atento ao que via. 

É comum também ele enumerar "citações" de outras obras que pensa ter vislumbrado no material que está analisando (assim vão achá-lo culto, sonha). Muito raramente o “Crítico-Sinopse” até se arrisca a colocar alguma opinião concreta sobre o produto no final de seu texto, mas via de regra você vai terminar de ler tudo que ele escreveu e se perguntar: “Afinal, esse cara gostou ou não da obra?”. 

A única vantagem do “Sinopse” sobre o “Amigo” é que ele vai fugir de polêmicas como o diabo foge da cruz, enquanto o segundo vai virar “Deus” ao ser contrariado e contra-atacar violentamente.

6) CRÍTICO-DIVA (ou CRÍTICO-ESTRELA): É do tipo que se julga tão ou mais importante que os verdadeiros artistas sobre o qual escreve. 

Nunca ligue um holofote ou aponte um microfone para esse tipo de profissional, pois ele vai se abrir todo como um pavão enamorado. 

O “Crítico-Diva” é uma celebridade, ao menos na cabeça dele, e ponto final. É inútil tentar convencê-lo do contrário. 

Seus textos geralmente são recheados de auto-adulação, comentários pessoais (do tipo "...quando entrevistei o ator Fulano em Cannes"), fofocas picantes sobre celebridades e referências maldosas a partes do corpo dos artistas em questão. 

Outra particularidade: se alguma celebridade não der a ele a devida atenção que pensa merecer, o "Crítico-Diva" vai passar a falar mal de qualquer trabalho no qual essa pessoa estiver envolvida!

7) CRITICUZINHO: O advento da internet trouxe várias vantagens para todos - democratização da informação, contato direto com pessoas do mundo inteiro, pornografia gratuíta, etc. 

Mas como nem tudo são flores, a internet também gerou um novo tipo de celeuma social: adolescentes problemáticos e carentes com excesso de tempo livre passaram a usar a rede como forma de descontar suas frustrações e traumas em tudo quanto é fórum de discussões, blogs, redes sociais ou qualquer outro lugar que possam vomitar seus recalques. 

E, como era de se esperar, muitas dessas pessoas com excesso de hormônios e nada de sexo julgam-se críticos de arte só porque assistem tudo quanto é filme ou leram todos os livros do "Harry Potter". Assim, espalham suas "críticas" pela net e, pior de tudo, muita gente acaba levando a sério as asneiras que escrevem e alguns, pasmem, chegam até a publicar seus textos em sites pretensamente sérios! 

Aviso: ao encontrar um tipo desses fuja depressa, caso contrário ele vai te perseguir até o final dos tempos via email, criando blogs do tipo "eu odeio você!", perfis falsos no facebook para te atacar, etc. Que falta que faz um(a) namorado(a), não?

8) CRÍTICO-ARTISTA: Sabe aqueles artistas frustrados e sem talento, que tentaram, mas não conseguiram seguir carreira no meio? 

Muitos percebem que não sabem fazer mais nada de útil na vida e então viram "críticos" para, pelo menos, ficarem próximos do mundo ao qual não conseguiram fazer parte. 

Os textos desse tipo de profissional da opinião são muito fáceis de reconhecer, pois são sempre escritos na primeira pessoa e analisam a obra em questão a partir do seguinte ponto de vista: "como tudo teria sido (melhor) se fosse eu quem a tivesse realizado, caso minha agenda não fosse tão lotada".

Mas, agora, você deve estar se perguntando: "Quer dizer então que nenhum crítico presta?". Claro que sim! Conheça-o abaixo:

8) CRÍTICO-DECENTE: Esse é o único tipo de crítico que se pode levar a sério e, por isso mesmo, cada vez mais raro de se encontrar na mídia.

Cientes da sua condição de meros tecedores de opinião sobre o trabalho alheio e das suas próprias limitações humanas, o “Crítico-Decente” fala sobre a obra de arte levando em conta a sua própria visão de mundo, sem delongas e sem disfarces. 

Esse profissional sabe que o que escreve pode servir, no máximo, como base e referência para pessoas que buscam saber mais sobre arte em geral, mas também gostam de ler ou ouvir uma opinião sincera, clara e confessadamente parcial. 

Ele sabe que uma crítica é somente uma opinião e, por isso, faz de seu trabalho algo agradável e bem humorado, ficando aberto a réplicas e sem medo de dialogar com o interlocutor, podendo até aprender algo novo neste processo.

Todos os outros tipo de críticos listados acima (especialmente o "Deus" e o "Amigo") simplesmente “estrebucham” na presença de um “Crítico-Decente” e, via de regra, fazem de tudo para desacreditá-lo publicamente, como se isso fosse suficiente para garantir a sobrevivência deles e anular suas frustrações e inseguras pessoais. 

Tendo em vista que a maioria dos veículos de comunicação é dominado por pessoas extremamente mal resolvidas e sem auto-estima, é compreensível que profissionais como o listado acima encontrem cada vez mais portas fechadas ao seu trabalho...

P.S.: Claro que, na minha opinião, eu seria um "Crítico-Decente" caso tivesse que ganhar a vida escrevendo sobre o trabalho produtivos dos outros. Mas não precisa me chamar de frustrado, muito menos concordar comigo. Afinal, opinião é como bunda: cada um tem a sua! Agora vamos esperar alguém vestir a carapuça e deixar uma mensagem ultrajante aqui.

Filmes: "Olga"


GLOBAL, MAS NEM TANTO


Filme ganha profundidade ao questionar a apatia dos brasileiros em relação aos levantes liderados por Prestes

- Por André Lux, crítico-spam

Depois da exibição de "Olga", do diretor Jayme Monjardim, várias pessoas, especialmente as mulheres, mal conseguiam segurar as lágrimas. E realmente o filme, baseado na obra do escritor Fernando Morais, é emocionante.

E grande parte desta emoção está diretamente ligada à ótima performance do elenco que o diretor Jayme Monjardim teve à disposição. Como não vejo televisão nem seus subprodutos há um bom tempo, não conhecia o trabalho dos atores principais Camila Morgado e Caco Ciocler (exceto nas participações dele em longas como ''Bicho de Sete Cabeças'' e ''O Xangô de Baker Street''). E os dois estão muito bem em seus papéis, especialmente Ciocler (cujo semblante e postura são parecidos com os do ator Ralph Fiennes de ''O Paciente Inglês'') que passa muita sensibilidade e verdade ao seu Luís Carlos Prestes.

Morgado demora um pouco para encontrar o tom certo para Olga (em algumas cenas ela parece dura e declama seus diálogos artificialmente), mas depois acerta, principalmente nas cenas mais fortes (como as da despedida de Prestes e a separação de sua filha). Demonstra coragem também ao aparecer nua sem pudores (e sem truques) e ter seu cabelo totalmente raspado para as cenas no campo de concentração nazista (quando o filme ganha toques de ''A Lista de Schindler'', só que sem final redentor). Vale dizer também que os dois atores têm um boa química em cena, fator que deixa o amor entre os protagonistas convincente.

O restante do elenco é bastante homogêneo. Fernanda Montenegro empresta muita dignidade à mãe de Prestes (que lutou pela vida do filho e da nora até sua morte) e Osmar Prado sai-se bem como Getúlio Vargas, um papel que facilmente poderia ter virado uma mera caricatura. O único que destoa um pouco é Floriano Peixoto, como o infame torturador Filinto Müller, que faz tudo no mesmo tom.

Foi boa também a opção da produção em rodar o filme todo em português, não importando a localidade onde se passava, dando ocasionalmente pequenos ''lembretes'' da língua original saindo da boca de alguns coadjuvantes ou dos protagonistas (coisa absolutamente comum nos filmes estadunidenses, por exemplo). Só erra quando coloca os atores falando português com sotaque estrangeiro, como na cena do refeitório na extinta União Soviética onde alguns falam com carregado sotaque russo e outros não. Atrapalha um pouco também o abuso de tomadas em close dos protragonistas. Parece que o diretor não soube tirar proveito da tela larga do cinema em sua plenitude e preferiu manter-se fixo à estética quadrada da televisão.

Um dos pontos altos de ''Olga'', além dos já citados e da perfeita reconstituição de época (coisa rara em filmes nacionais), é a trilha musical de Marcus Viana que é de ótima qualidade, composta (intencionalmente ou não) na tradição de Alfred Newman e outros compositores da ''era de ouro'' hollywoodiana, além é claro de ser diretamente influenciada por ''A Lista de Schindler'', de John Williams. É muito interessante o uso que Viana faz do ''Tema Internacional Socialista'', o qual incorpora de tempos em tempos ao resto da partitura. A única restrição vai para o uso exagerado da música em algumas cenas chaves do filme, mas a culpa disso certamente não é do compositor e sim do diretor que, inseguro, parece querer reforçar sem necessidade o que os atores e o roteiro já estão passando com perfeição. Este didatismo simplório típico das telenovelas globais que o cineasta impôe à partitura acaba atuando contra o filme e não ao seu favor.

Uma das cenas mais emocionantes do filme é a da chegada dos protagonistas ao Brasil de avião, quando Prestes diz ''Chegamos ao meu país'' e Olga olha pela janela para ver uma maravilhosa praia do nosso litoral. Outra é quando a protagonista, já quando todos estão sendo perseguidos pela polícia, pergunta ''Qual é o problema deste país?'' em alusão à apatia da população em relação aos levantes que tinham como objetivo maior justamente levar mais justiça social ao povo sofrido. Esta é uma pergunta que sempre será pertinente e que, vinda de uma obra realizada por um dos mais prolíficos diretores das alienantes telenovelas da rede Globo, ganha ainda mais reverberação.

A história de Olga e Prestes, assim como tantas outras de pessoas que abdicaram de suas vidas para lutar por um ideal maior, merece ser contada - ainda mais da maneira digna e honesta como foi contada aqui. Independente da crença política ou filosofia de vida, duvido que alguém consiga assistir ao filme impassível aos horrores que os protagonistas enfrentam durante o terceiro ato da história. No final, fica mais uma vez a constatação de que o ódio e a intolerância foram, e continuam sendo, os maiores males que podem afligir a raça humana.

Infelizmente, a despeito do seu imenso sucesso junto ao público, "Olga" foi vítima de um violento ataque por grande parte dos críticos especializados brasileiros, muitos dos quais basearam suas análises em preconceitos e também naquele velho ódio que muitos têm do sucesso alheio. Por isso, ignore o que os recalcados de plantão andaram escrevendo por aí, veja o filme e tire suas próprias conclusões.

Cotação: * * * 1/2

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Filmes: "Diários de Motocicleta"

HUMANIZANDO O MITO

Filme sobre a viagem de "Che" pela América latina prioriza a transformação psicológica causada pelo contato com o outro

- por André Lux, crítico-spam

Para aqueles que, como eu, foram criados sob a ditadura militar que encobriu o Brasil de trevas por 21 anos, a figura de Ernesto "Che" Guevara sempre foi associada à alcunhas como "baderneiro", "vagabundo" e "comunista". 

Só na maturidade, quando rompemos essa bolha de ilusão criada para nos cegar, é que passamos a ter contato com o mundo real e conhecer melhor a história na qual estamos inseridos.

É normal, particularmente para jovens estudantes, passar a associar, a partir daí, Guevara a um ícone de luta política por igualdade e justiça. É para esse tipo de pessoa que o último filme de Walter Salles (de Central do Brasil e Abril Despedaçado) está endereçado. Afinal, Diários de Motocicleta conta justamente a história do jovem Ernesto Guevara de la Serna (na época com 23 anos) e sua viagem de oito meses pela América latina, inciada na Argentina (seu país de origem) até a Venezuela. 

Foi justamente durante essa jornada que o futuro revolucionário, na companhia do amigo Alberto Granado, começou a travar contato com a realidade dos povos da região e das injustiças e misérias que os afligiam, a ponto de terminar a viagem transformado numa nova pessoa.

O grande mérito do diretor Salles e do roteirista José Rivera foi conseguir encontrar o equilíbrio perfeito entre a simples narração linear dos eventos com a gradual transformação psicológica dos protagonistas. Não existe espaço no filme para discursos ou pregação política, muito menos para panfletagem didática de "esquerda". 

Mas a boa notícia é que o diretor deixa aos dois excelentes atores centrais, Gael Garcia Bernal (como Guevara) e Rodrigo de la Serna (como Alberto), dar cabo de todas as nuances sugeridas pelo o roteiro, que é baseado nos livros de memórias que ambos escreveram após a viagem. A honestidade e a ternura de Guevara encontraram a representação perfeita na interpretação discreta e muito humana de Bernal, ao mesmo tempo que De la Serna dá o contra-ponto cômico na pele do debochado e mulherengo Granado.

O filme, que de início parece ser a narração de uma mera diversão engendrada por dois jovens imaturos e aventureiros (portanto, absolutamente normais), aos poucos vai se transformando numa emocionante análise do poder que o simples contato com outro ser humano pode ter na formação da personalidade. E Salles consegue transmitir toda esse crescimento do caráter dos protagonistas sem nunca ser piegas ou manipulativo. 

Sua câmera, pelo contrário, apenas acompanha os dois quase como num documentário e deixa-os livre para explorar os ambientes e interagir com seus companheiros de cena (muitos deles pessoas reais que garantem ao filme um necessário toque de realismo e verdade). Essa áurea de realidade é elevada pela fotografia inspirada de Eric Gautier e pela trilha musical intimista e discreta, porém muito tocante, de Gustavo Santaolalla (de Amores Brutos e 21 Gramas).

O ponto alto de Diários de Motocicleta é a tentativa de Guevara em atravessar o rio Amazônas a nado, quando estavam na colônia de leprosos de San Pablo, no Peru. A cena marca a transformação definitiva da visão de mundo dele e serve também para mostrar ao espectador, como argumentou o diretor Salles, que existem sempre duas margens em qualquer rio, cabendo a cada um de nós escolher em qual delas prefere estar. 

“Che” fez a escolha dele e pagou caro por isso. Saber o destino triste que os EUA reservaram ao revolucionário, morto covardemente com um tiro na nuca depois de ser preso na Bolívia, torna ainda mais amarga a experiência de ver esse belíssimo filme, certamente um dos mais relevantes já feitos sobre a América latina.

Cotação: * * * * *

domingo, 8 de maio de 2005

Artigo: "Esquerda de araque?"

Costumo ler os artigos publicados em sites independentes constantemente, pois busco sempre formas alternativas de tomar conhecimento dos fatos que ocorrem em nosso país, fugindo assim da imprensa corporativa a qual, com honrosas exceções (Carta Capital, Agência Carta Maior), está cada vez mais nauseante.

Antes de qualquer coisa, deixo claro que votei em Lula (e votarei novamente) e tenho convicta admiração pelo Partido dos Trabalhadores. Não porque considere seus membros santos, intocáveis ou salvadores da pátria, mas, principalmente, pela coerência das suas idéias e pela vontade explícita de melhorar a vida dos brasileiros, especialmente a dos excluídos. Nunca encontrei ideologia similar em qualquer outro partido, a não ser nas palavras de políticos demagogos em época de eleição. Sem dizer que a idéia contida no termo “partido político” só existe efetivamente no PT, gostem ou não. Todavia, não faço parte do partido, nem tenho procuração deles para defendê-los.

Dito isso, causou-me indignação o texto “Comparações”, publicado no site “Fazendo Media”, de autoria do sr. Breno Costa, no qual, a grosso modo, Lula foi chamado de “covarde” e “bicho de estimação” de Bush, entre outras coisas. No final do texto, o autor ainda se pergunta, surpreso, por que a população do Brasil não sai às ruas para exigir a renúncia do Presidente. Todo mundo tem direito a dar sua opinião, mas afirmar que Lula se acovardou e virou "poodle" dos EUA e das elites tupiniquins é uma tremenda injustiça. Se isso fosse verdade, nossa mídia colombina (como os editores do site gostam de colocar) não dedicaria seu precioso espaço diário e semanal para atacar o partido do presidente sem folga.

Por que então Lula não está implantando mudanças mais radicais no Brasil? A resposta está no próprio texto do senhor Breno (que deveria lê-lo novamente): porque o brasileiro é, em sua grande maioria, alienado, acomodado e, principalmente, apolitizado, muito diferente dos nossos vizinhos de continente. A partir do momento que Lula radicalizar, a direita desfere um golpe (com total apoio dos EUA e da nossa mídia colombina - a Veja vai colocar uma foto dele com chifres, tridente e tudo na capa) e bye-bye "presidente-que-veio-de-baixo". E o povão vai fazer o que enquanto isso acontece? Sair para as ruas, indignado, ou vai ficar em casa assistindo "América", "Big Brother", futebol ou alguma outra porcaria que lhes é enfiada goela abaixo para doutriná-los? Não foi assim no golpe de 64? Tem gente que está até hoje esperando o "povão" sair nas ruas para combater os milicos...

Lula está fazendo o que é correto e viável: comendo pelas beiradas e implantando o que é possível dentro da realidade do nosso país e, principalmente, do nosso povo. Quem não vê isso, sinceramente, é melhor mesmo votar no próximo "sucessomaníaco" do PSDB e afins... Entre a utopia impraticável e a realidade tangível, deveríamos sempre preferir a segunda opção e, por isso, apoiar Lula (sem nos furtarmos de criticar seu governo construtivamente, é óbvio, já que erros e falhas são inerentes a qualquer ser humano).Infelizmente, textos como esse do sr. Breno apenas confirmam o que todos já sabem: radicais de esquerda são tão ou mais patéticos que seus equivalentes da direita. É por essas e outras que a turma dos fascistas deita e rola no Brasil... Afinal, para eles unirem-se em torno de um objetivo basta combinar quanto cada um vai lucrar com a nova maracutaia. A prefeitura de São Paulo sendo o mais recente exemplo dessa máxima. Já pra turma da "esquerda", basta que uma linha da sua visão utópica de mundo ideal seja ignorada para que se voltem uns contra os outros. O grupo Monty Python mostrou bem isso no filme "A Vida de Brian". Vejam e riam (para não chorar). Dá até para imaginar a turma do PSTU ou da revista Caros Amigos dizendo: “Só tem uma coisa que odiamos mais do que o PFL e o Bush, os malditos petistas!!”

Reitero que não sou e nem quero ser advogado do Lula ou do PT (nem mesmo sou membro do partido), mas posso afirmar com tranqüilidade que, ao menos dentro da minha visão de mundo, o governo atual está implantando diversas políticas boas as quais estão beneficiando sim muitas pessoas de baixa renda, que até então eram TOTALMENTE excluídas da sociedade. Tem o microcrédito, o fome zero, as contas de baixa renda, o programa nacional de segurança alimentar, etc, etc, etc. E olhem os números da economia e o papel que o Brasil está tendo no exterior. O país não ia quebrar com o Lula? Pois é...

Sei que isso está LONGE de ser o ideal, mas já é alguma coisa. Sem dizer que, com o atual governo, os níveis de corrupção e falcatruas diminuíram drasticamente. Isso é evidente para todos, ou será que só eu vejo? Não digo que são santos e que não há alguma corrupção, mas lembro bem que nos governos anteriores era uma denúncia de corrupção atrás da outra - e olha que a nossa asquerosa mídia corporativa era totalmente a favor de quem estava lá! Ninguém aí parou para se perguntar porque a imprensa bate tanto nesse negócio de “juros do Copom”? Responda rápido: alguém ouviu falar disso durante o governo FHC? E desafio qualquer um a dizer quanto eram então os tais juros durante aquele governo - mas eu mesmo digo: chegavam a exorbitantes 40%!

É claro que gostaria muito de ver o Lula mudando tudo no país, só que é preciso lembrar que ele foi eleito pelos mais variados tipos de ideologias (e, convenhamos, a maioria dos brasileiros nem mesmo sabe o que tal palavra significa e votou nele simplesmente por não suportar mais a bandalheira do governo FHC) e agora tem que governar para todos. E isso quer dizer que tem de ser EXTREMAMENTE cauteloso com o que faz e com o que mexe, caso contrário é bye-bye mesmo. Paranóia? Quem viveu o golpe de 64 e vê o que está sendo feito na Venezuela, só para citar dois exemplos, talvez não ache. Não é à toa que ele colocou um cara hiper-ponderado e totalmente controlado como o Palocci na economia. Isso, pra mim, é sinal de maturidade política e responsabilidade. Vocês queriam quem lá, a Heloísa Helena? Sinceramente...O que o Chavez faz na Venezuela é ótimo, mas não dá pra comparar com o Brasil.

Se o Lula fizer 5% do que ele está fazendo lá é golpe na certa e sabemos bem que o nosso povão não vai sair nas ruas - e aí já era qualquer esperança de mudança, mínima que seja. E não estou nem falando em golpe armado, com tropas na rua. Lembre-se que a Globo e a Veja derrubaram o Collor sem muito esforço. Ou será que ainda tem gente que acha mesmo que foram os “caras-pintadas” que forçaram a saída do marajá das Alagoas do Palácio do Planalto?Pra finalizar, meu ponto central é apenas um: melhor ter o Lula lá errando o alvo, do que ter um tucano (ou afins) acertando. Afinal, sabemos muito bem que ambos têm "alvos" diametralmente opostos uns dos outros. O PT chegou lá e pegou um país aos frangalhos, que já vivia há mais de 10 anos sob a égide do neoliberalismo, uma bandalheira total durante a qual quase todos os ativos públicos do país foram transferidos para o capital privado a preço de banana! E não vamos nem falar então dos outros 490 anos anteriores...

Esperar que mudem tudo isso RADICALMENTE em apenas 3 anos de governo não é racional. Exigir isso do PT, na minha opinião, é coisa de gente irresponsável, que só consegue olhar para o próprio umbigo a partir dos seus devaneios utópicos fora da realidade – agora eu entendo o que a alcunha “esquerda festiva” quer dizer e, sinceramente, acho-a tão desprezível quanto a “direita feroz”. Se o pouco que Lula está fazendo incomoda tanto as nossas elites racistas e intolerantes (alguém em sã consciência ainda consegue olhar para as capas da Veja sem vomitar?), imagine o que aconteceria se ele fizesse mais. Seria uma chacina. E, citando Gabriel, o Pensador, "o povão, vai como um bundão", infelizmente.

Lula precisa do apoio, da vigília e da crítica construtiva de todos que se consideram "de esquerda" ou ao menos daqueles que dispensam rótulos, mas são contra as velhas raposas e julgam-se um pouco mais conscientes. Se for para o pessoal da dita imprensa alternativa, que em teoria tem a obrigação de ir além da superficialidade boçal empulhada pela mídia corporativa, ficar simplesmente xingando o cara de covarde, frouxo ou conclamando o povão para ir as ruas para depô-lo (?!), prefiro então assinar a Veja e entregar o país novamente para a turma da direita. Afinal, esse é o papel que lhes cabe e imagino que devem morrer de rir ao ver a "turma da esquerda" fazendo o serviço sujo deles...
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