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sábado, 11 de junho de 2005

Antídoto: "O jornalismo lúcido da CartaCapital"

Mino Carta, como sempre, nos brinda com sua lucidez e sagacidade para interpretar o momento político atual que vive o nosso sofrido Brasil. Destaco, abaixo, um trecho que é realmente revelador:

"Não menos vezeira a hipocrisia de quem é mestre no assunto, e finge a primazia ética, quando não a santidade. O que está em jogo é, de verdade, a repetição do entrecho, condimentado pela má-fé e pelo ardil, pelo golpe baixo e a punhalada nas costas. E a cada novo ato da peça infindável, tragicomédia creio eu, o Brasil afunda."
Se você, como eu, votou em Lula com convicção e tem capacidade de perceber o que realmente está rolando nos bastidores do poder em Brasília, então este editorial é leitura obrigatória - uma espécie de "antídoto" contra as canalhices publicadas em panfletos da direita como "Veja", "Folha", etc...

LULA E OS 40 MIL DA DASLU

A denúncia do mensalão é detalhe do jogo sujo de sempre. Resta saber, de fato, se o governo esteve à altura das esperanças que o elegeram. E se democracia e regime presidencial são viáveis neste Brasil ainda medieval

- Por Mino Carta

Políticos, jornalistas, freqüentadores de bares finos, e nem tanto, usam larga e desabridamente a palavra governabilidade. Em relação a ela, sacerdotes do castiço manifestam dúvidas. Proponho outra, não sem ousadia: viabilidade. Soa-me adequada, nesta hora incerta.

Viabilidade do sistema político. Do sistema de poder. Do próprio sistema de vida do povo brasileiro, entendido na sua totalidade, sem distinções socioeconômicas.
E lá vem o enredo embolorado do mensalão. Haverá de cair o nosso queixo? Teremos de escancarar os olhos como vilões de cinema mudo? Desde que provado, e ainda cabe fazê-lo, o mensalão é tão natural na vida parlamentar verde-amarela quanto a morte do ser humano. Fernando Henrique Cardoso, príncipe do lugar-comum, diria que o buraco é mais embaixo.

Não menos vezeira a hipocrisia de quem é mestre no assunto, e finge a primazia ética, quando não a santidade. O que está em jogo é, de verdade, a repetição do entrecho, condimentado pela má-fé e pelo ardil, pelo golpe baixo e a punhalada nas costas. E a cada novo ato da peça infindável, tragicomédia creio eu, o Brasil afunda.

Donde, o dilema. É viável a pretensão democrática em um país tão desigual, vice-campeão mundial em má distribuição de renda? É viável o presidencialismo se, em lugar de partidos, há clubes, e a polarização do debate em torno de um consistente projeto de progresso e bem-estar geral é substituída pela ambição do poder pelo poder?

Em 1961 foi tentada a solução parlamentarista, como sabemos (ou não lembramos?), imposta de cima para baixo, igual a tantas coisas mais, e foi o desastre. Mas seria hoje também, nas circunstâncias. Nelas, não há sistema de governo que resista.

É viável a justa, salutar aspiração à igualdade em um país em que a mídia se empenha, com raríssimas exceções, a vender ilusões e a manipular consciências? É viável a maioridade da nação enquanto a sua elite imita os emires e, a enfrentar a criminalidade crescente, contrata pistoleiros e dobermans, e ergue muralhas em torno das suas vivendas, inspiradas, eventualmente, na casa de Branca de Neve ou de Scarlett O’Hara?

E é viável a esperança em um futuro melhor se a chamada elite exaspera a predação e atira ao lixo o patrimônio Brasil? Recordo 1989 quando o então presidente da Fiesp, Mario Amato, vaticinava o êxodo de 800 mil brasileiros, caso Lula ganhasse a eleição contra Fernando Collor.

Este levou, obviamente. Não tenho dúvidas de que na vanguarda da fuga estariam os 40 mil cadastrados na Daslu, o templo da moda instalado às margens do rio Pinheiros e invejado em Paris, Londres, Milão. Permito-me achar, contudo, que o Brasil ganharia muito se a profecia de Amato se realizasse.

Os votados à debandada não aceitam, basicamente, o metalúrgico na Presidência da República. Tal é o primeiro ponto. CartaCapital orgulha-se de ter apoiado a candidatura Lula em 2002, e atribuiu à vitória petista significado extraordinário, a redimir o País de muitos momentos plúmbeos, desde a ferocidade do regime militar até a conciliação das elites de 1984, destinada a frustrar campanha das Diretas Já. Sem esquecer o combate brutal contra a agitação operária do ABC, entre 1978 e 1980, comandada pelo mesmo Lula hoje presidente.

Grande eleitor, em 2002, foi FHC. Sessenta e dois por cento dos eleitores votaram contra o seu governo desastrado. E sem assinar sua filiação ao PT. Mas o governo, dois anos e meio depois da posse, não cumpriu suas expectativas. Grande culpa em cartório cabe ao nosso presidencialismo de fancaria. Nem por isso, os vencedores do último pleito deixam de ter sua parte de responsabilidade.

Não me refiro ao presumido mensalão. Aludo à incapacidade do governo Lula de produzir um modelo novo e de aplicá-lo com a necessária bravura. Com sutileza, e até com esperteza. Com destemor, porém. E a receita, segundo CartaCapital, é simples. E suficiente. Acumular reservas, controlar capitais e câmbio, baixar os juros. E dar passos concretos na direção do Estado do Bem-Estar Social.

Confrontado com o exorbitante mandato de FHC, o de Lula é de muitos ângulos melhor, segundo analistas respeitáveis. Nem por isso, deu-se a mudança. O começo da mudança. E o Brasil consolida-se como a república do mercado financeiro. Como a democracia dos 40 mil da Daslu.

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